quarta-feira, 24 de maio de 2017

Warrant – Louder Harder Faster (2017):



Por Davi Pascale

Quem acompanha o blog aqui, com uma certa frequência, já sacou que curto a cena hard rock dos anos 80. E que tenho o costume de continuar acompanhando os artistas que admiro e não ficar preso em ouvir somente a fase clássica. Sendo assim, não tinha como não escrever sobre o novo álbum do Warrant.

A história deles é a história clássica do rock n roll. Atingiram o estrelato, lotaram arenas e estádios, foram pro fundo do poço, encararam de frente problemas com as drogas e com as bebidas, experimentaram novas sonoridades que não foram bem aceitas por seu publico e retornaram à pegada que seus admiradores tanto gostam.

A formação clássica está quase completa. Os guitarristas Erik Turner e Joey Allen estão aqui. O baterista Steven Sweet está aqui. O baixista Jerry Dixon está aqui. Infelizmente, Jani Lane não está mais entre nós, mas seu substituto tem a ver. Trouxeram para seu posto Robert Mason, do Lynch Mob (que já havia gravado o Rockaholic). Embora tenha um estilo vocal diferente, combinou com a nova sonoridade do grupo. Para a produção, o velho parceiro de Mason, o músico Jeff Pilson, conhecido por seus dias no Dokken.

Robert canta oras mais gritado, como podemos sacar já na poderosa faixa de abertura “Louder Harder Faster”, oras mais bluesy, como podemos sacar na zeppeliana “Music Man”. Tenho visto alguns comentários negativos em relação ao seu trabalho vocal. Não consegui entender. O cara está cantando muito!!!

O fato de termos a formação clássica quase que completa é algo que faz com que seus fãs abram um sorrisão de orelha à orelha quase que instantaneamente. Contudo, tenho de alertá-los. Não esperem nada no pique de Dirty Rotten Filthy Stinking Rich, nem de Cherry Pie por aqui. Sim, os caras entregaram um álbum de hard rock, mas soam mais pesados do que antes. É um novo Warrant.

Claro que não faltam as famosas baladas. Em discos de grupos do gênero, isso é mais do que esperado. Temos por aqui a bela “U In My Life”, mas a minha preferida é “Faded” com um refrão bem Journey. Outra que traz descarada a influencia da trupe de Neal Schon é a faixa de encerramento “Let It Go”.

Louder Harder Faster, contudo, em sua essência, é mais pesado como declarei no início do texto. Vocal pra cima direto. Riffs espertos com uma timbragem suja. “Devil Dancer”, “Only Broken Heart”, “Choose Your Fate” e New Rebellion, essa com uns licks bem Van Halen, são as minhas preferidas entre as mais porradas.

Warrant voltou diferente, mas voltou inspirado. As composições são fortes, a banda transpira energia, trabalho vocal é absurdo. Diria, sem medo de errar que é seu álbum mais forte desde Ultraphobic. Se você curte hard rock, ouça e no talo!

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Empolgante

Faixas:
      01)   Louder Harder Faster
      02)   Devil Dancer
      03)   Perfect
      04)   Only Broken Heart
      05)   U In My Life
      06)   Music Man
      07)   Faded
      08)   New Rebellion
      09)   Big Sandy
      10)   Choose Your Fate 
      11)   Let It Go

sexta-feira, 19 de maio de 2017

O Adeus à Chris Cornell



Por Davi Pascale

Ontem, foi divulgada a notícia da trágica morte de Chris Cornell. Provavelmente, uma das ultimas grandes vozes do rock. E a lógica se mantém... Agora que o cara morreu, todos referem-se à ele como um gênio. A razão para que isso sempre ocorra é uma só. A imprensa sempre dá espaço para os modismos e ignora grandes artistas. (Ou, ao menos, não dão o tratamento à altura. O que acredito que seja mais o caso aqui). E quando recebem essas notícias trágicas, cai a ficha e bate o sentimento de mea-culpa.

Chamá-lo de gênio pode ser um pouco de exagero, mas certamente esse é um cara que será muito lembrado e acredito que muitos ainda resolvam lhe dar o devido valor em um futuro não muito distante. Chris Cornell nos demonstrou diferentes faces musicais durante sua trajetória. E em muitas, fez trabalhos brilhantes. Algo que pouquíssimos artistas conseguem.

A primeira vez em que nos chamou a atenção foi à frente do grupo Soundgarden. Quem viveu o início dos anos 90, recorda-se que eles foram um dos pilares do movimento grunge. Soundgarden, Alice In Chains, Nirvana e Pearl Jam eram os artistas que lideravam a cena. O grupo de Chris foi quem deu o pontapé inicial nessa história toda. Foi o primeiro artista do movimento que arriscou assinar com uma gravadora grande e ver onde conseguiam chegar naquela história toda. E fizeram bonito. Louder Than Love, Badmotorfinger e Superunknown são álbuns clássicos do gênero. Isso por si só já seria mais do que suficiente para ter seu nome escrito na história do rock.

Sempre existiram diversos questionamentos em cima da cena grunge. Muitos questionavam a qualidade técnica dos músicos, muitos os acusavam de terem matado o hard rock. Mas o cara sempre esteve acima de tudo isso. Basta notar os artistas que resolveram postar homenagens ao rapaz em suas pages. Desde ícones do rock n roll – como Jimmy Page (Led Zeppelin), Elton John, Peter Frampton e Paul Stanley (Kiss) – até artistas da tal cena hard. Sebastian Bach (Skid Row) foi um dos que ficaram abalados. E todos fizeram questão de ressaltar o talento do músico. Sem exceção... 

Depois, voltou a nos chamar a atenção com sua ótima estreia solo, Euphoria Morning. Demonstrando um álbum que era praticamente o oposto do que esperaríamos dele. Mais melódico, apostando menos no peso e mantendo as referências psicodélicas. Era o início de um novo capítulo. Sua ótima carreira-solo teve apenas um ponto baixo, quando Cornell se permitiu passear pelo eletrônico de mãos dadas com o Timbaland no errôneo Scream. Foi em sua trajetória solo que tive a oportunidade de assisti-lo nos palcos. Em 2007, fui até o Credicard Hall conferir sua apresentação na época do (ótimo) Carry On. Noite simplesmente memorável...

Mas sua grande reinvenção foi quando juntou-se aos músicos do Rage Against The Machine para criarem o Audioslave. O álbum de estreia dos caras é certamente um dos grandes álbuns dos anos 00. Durante um tempo, todos deixaram de torcer por um possível retorno do Soundgarden e do Rage Against. Mais uma grande banda havia nascido... Quem acreditava que o projeto não seria tão mágico quanto o Temple of the Dog, quebrou a cara. E bonito!

Sua morte ainda é um mistério. E qualquer que tenha sido o motivo (enforcamento, segundo os legistas e excesso de Ativan - remédio para ansiedade – segundo sua esposa), o rock perde mais um grande talento. Perde um grande cantor, um grande compositor e um artista íntegro. Obrigado pelos ótimos momentos, Chris. “Say hello to heaven”...

quarta-feira, 17 de maio de 2017

EST – EST (2016):



Por Davi Pascale

Edgard Scandurra ficou marcado na memória dos roqueiros como o guitarrista do Ira! e assim será por um bom tempo. Contudo, a história de Scandurra vai muito mais além. Passou pelo Smack, pelo Ultraje a Rigor, leva em paralelo o projeto infantil Pequeno Cidadão, o projeto eletrônico Benzina. Em um passado distante já chegou a ser baterista das Mercenárias. Silvia Tape faz parte da nova formação do grupo punk e a ideia de fazer algo juntos surgiu por terem um gosto musical similar.

Agora... Cuidado! Se você está esperando algo com a atitude das Mercenárias ou com a pegada mod do Ira! é interessante que você escute algo antes de sair comprando o disco. Essa é uma das vantagens da era digital. Então, use a seu favor. Não temos aqui as guitarras distorcidas influenciadas pelo The Who e nem a pegada suja dos Sex Pistols. É justamente o contrário.

Com bases eletrônicas e voz suave, o álbum abre com “Sua Intuição”. Os elementos eletrônicos são bem mais sutis do que no Benzina, mas eles vem e vão na audição do álbum. A faixa de abertura é onde são explorados de maneira mais escancarada.

O grande destaque do disco são realmente as guitarras de Scandurra. Bem criativas, bem costuradas e, claro, muito bem tocadas. “Num Instante Qualquer”, a mais agitada do disco, traz o musico se soltando nas seis cordas e revivendo sua pegada mais rocker. Também é a única desse CD que traz o rapaz se aventurando enquanto cantor, o que é uma pena. Sua voz é mais agradável do que a de Silvia Tape.

EST aposta em uma pegada mais low-fi, mais viajada, mais climática. Quem curte o trabalho de artistas como Portishead, certamente irá se identificar com a sonoridade explorada nesse álbum. Silvia demonstra fragilidade na voz, mas se destaca como letrista. Edgard se destaca como multi-instrumentista. Arrisca-se nas guitarras, na bateria, nos violões, no baixo, nos teclados... Entre os convidados, temos alguns nomes conhecidos na cena como Curumim e Kuaker. Quem acompanhou as aventuras de Dinho Ouro Preto na fase eletrônica (lá pelos anos 90), irá se lembrar desse último...

“Hoje o Tempo” e “Eu Acho Que Posso Esperar” trazem um sentimento de melancolia, enquanto “Bolhas de Sabão” e “Meu Lamento” apostam em arranjos mais delicados. Os experimentos, que não são poucos, chegam ao seu ápice no numero instrumental “Rio Rastro”, trazendo um Scandurra bem confortável.

EST é um disco que trará muitas estranhezas para os fãs de Ira! e muitas alegrias para os fãs da carreira solo de Edgard Scandurra. Aqueles que decidirem mergulhar no disco com uma mente mais aberta encontrarão vários pontos positivos. Quem estiver em busca de guitarras ásperas ou novos hits, irá se decepcionar. Vai de como você encara música. Eu arriscaria...

Nota: 7,5 / 10,0
Status: Calmo e experimental

Faixas:
      01)   A Sua Intuição
      02)   Asas Irreais
      03)   Num Instante Qualquer
      04)   Hoje o Tempo
      05)   Bolhas de Sabão
      06)   Meu Lamento (Instrumental)
      07)   Concha
      08)   Rio Rastro (Instrumental)
      09)   Eu Acho Que Posso Esperar
 10)   Meu Lamento

sábado, 13 de maio de 2017

Deep Purple – Infinite (2017):



Infinite tem a ingrata tarefa de registrar o fim de uma das maiores bandas do hard rock. Infelizmente, o termo infinite não se enquadra no nosso dia-a-dia. Tudo tem um fim. E a realidade com nossos heróis não é diferente. O lado bom é que a obra deles, sim, é eterna. E aí está a graça de acompanhar nossos heróis de perto. É ter a chance de ver a história sendo escrita.

Realmente é muito difícil para uma banda do patamar do Purple impressionar com um novo álbum. Não digo isso pela qualidade dos músicos. Todos os músicos que passaram por essa trajetória são incrivelmente competentes, para muitos deles diria brilhantes. Mas é que chega um ponto em que fica muito difícil “competir” com o passado quando temos em nosso legado trabalhos do nível de Machine Head, In Rock, Burn, Stormbringer e Perfect Strangers.

Entretanto, sendo bem honesto, sou obrigado a reconhecer que esse é um dos trabalhos mais fortes da era Morse. Talvez, seja o mais forte. Tenho um pouco de dúvidas em relação ao Purpendicular. Os demais, bate fácil. A voz de Gillan está muito boa, Ian Paice continua com sua precisão cirúrgica e pegada inconfundível. Steve Morse continua a me dever riffs memoráveis, mas brilha com solos inspirados. A grande surpresa é o incrível trabalho de Don Airey, que muitas vezes toma a frente das canções, e fez um trabalho realmente forte. A versão de “Roadhouse Blues” foi acertada. Afinal, no The Doors, Jim e Ray, muitas vezes tomavam a frente. A canção ganhou uma pegada um pouco mais arrastada e ficou interessante.

“Time For Bedlam”, responsável por abrir o play e primeiro som divulgado pelo grupo, bebe nos tempos áureos. Uma audição mais atenta resgata elementos de “Pictures Of Home”. Bob Ezrin – lendário produtor que chegou a trabalhar com ícones como Kiss, Pink Floyd, Alice Cooper e o próprio Purple – ficou responsável pela produção do disco. E pediu aos músicos que tudo fosse registrado nos primeiros takes para manter o ar de Jam que é tão marcante no som do purple. Algo perceptível em faixas como “The Surprising”, marcada por resgatar a influencia prog dos garotos, e “All I Got Is You”, onde temos mais uma das características principais de volta. Temos Don e Steve dobrando o riff, assim como Lord e Blackmore fizeram no passado, além de ter Ian Paice resgatando seu lado jazzy no início da música.

Em “Get Me Outta Here” temos Ian Gillan cometendo o que talvez seja sua única gafe nesse trabalho. A faixa é boa, mas traz o rapaz tentando reviver seu marcante falsete. Algo que ele nitidamente não tem mais condições de fazer. O “grito” soa bem magro. “One Night In Vegas” é bem bacana e conta com um teclado bem rock n roll. “Hip Boots” é pesadona e empolgante. Talvez o único filler do disco seja “Birds Of Prey” que embora traga um bom trabalho de guitarra de Steve Morse (talvez o melhor dele nesse disco), traz um trabalho vocal um pouco morto de Gillan.

Infinite é um álbum honesto, bem feito, bem pensado e com boas canções. Dificilmente alguma delas atingirá a força de uma “Mistreated” ou “Space Truckin`”, mas certamente irão satisfazer seus fãs, além de colocarem um ponto final nessa história com muita dignidade. Obrigado Purple pelas inúmeras horas de bons sons.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Honesto

Faixas:
      01)   Time For Bedlam
      02)   Hip Boots
      03)   All I Got Is You
      04)   One Night in Vegas
      05)   Get Me Outta Here
      06)   The Surprising
      07)   Johnny´s Band
      08)   On Top Of The World  
      09)   Birds of Prey
      10)   Roadhouse Blues

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Sheryl Crow – Be Myself (2017):



Por Davi Pascale

Por alguma razão que não sei explicar, essa mulher nunca emplacou como deveria aqui no Brasil. Bonita, ótima instrumentista, excelente cantora, som comercial, sem ser bobo. Sempre trabalhou com grandes músicos e fez excelentes álbuns.

Be Myself mantém a qualidade padrão. Mais do que isso, resgata elementos do passado, o que deve fazer a alegria de seus seguidores. Seus dois últimos álbuns – 100 Miles From Memphis e Feels Like Home – fugiam da cartilha. Apostavam na soul music e na country music, respectivamente. Be Myself é o retorno dela ao pop/rock que a consagrou. O fato de ter recorrido à ajuda de Jeff Trott e Tchad Blake fez com que resgatasse a sonoridade de Sheryl Crow e The Globe Sessions, coincidentemente os dois que a dupla produziu no passado. Álbuns considerados por muitos como seu auge criativo.

Ela dá a dica no título do disco, Be Myself. Com 55 anos nas costas, tendo vencido uma batalha contra o câncer, Sheryl Suzanne Crow resolveu se redescobrir. Parou de agradar os executivos e voltou a ser ela mesma. Deixou o country de lado (nos EUA, o estilo está em alta) e voltou para o som que se tornou sua marca. 

Seus álbuns sempre trouxeram elementos do rock, do pop e também da folk music. Influencia perceptível principalmente em seus violões. The Globe Sessions é um trabalho que deixa bem clara essa influencia. Aqui, essa pegada folk surge com tudo em “Rest of Me”.

“Halfway There”, “Roller Skate” e “Strangers Again” poderiam estar facilmente em seus primeiros trabalhos. Voltou a fazer aquele som onde deixa o bumbo da bateria na cara, som de caixa seca, guitarras e violões marcando a canção. Outro ótimo exemplo seria “Heartbeat Away”, presente já mais no final do disco.

Não é raro, ela atacar em diferentes instrumentos nas suas apresentações, aqui não é diferente. Além de ter gravado todos os vocais do disco (ou seja, não apenas as linhas principais, mas também os backings), a moça ainda chegou a fazer registros de guitarra, violão, teclado, piano e contrabaixo. Não há duvidas de que é um dos maiores talentos surgidos no universo mainstream, nos últimos tempos.

Tendo toda a influência do classic rock nas costas, não é de se espantar que surjam resquícios do gênero por aqui. A faixa-título traz uma pegada bem rolling stones. É certamente a faixa mais rock do álbum. Para as rádios, apostaria na balada “Long Way Back”. Tem de tudo para se tornar um grande hit.

Be Myself traz a artista de volta para o seu mundo e apresenta um repertório bem consistente. Provavelmente, trata-se de seu melhor disco desde C´mon C´mon. Agora só falta ela também retornar ao Brasil, né? Desde 2001 que não põe seus pés por aqui. Sheryl, estamos esperando...

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Retorno às raízes

Faixas:
      01)   Alone In The Dark
      02)   Halfaway There
      03)   Long Way Back
      04)   Be Myself
      05)   Roller Skate
      06)   Love Will Save The Day
      07)   Strangers Again
      08)   Rest of Me
      09)   Heartbeat Away
      10)   Grow Up 
      11)   Woo Woo

terça-feira, 9 de maio de 2017

Richie Kotzen – Cannibals (2015):



Por Davi Pascale

Comecei a me ligar no trabalho solo de Richie Kotzen ainda nos anos 90, por conta de sua passagem relâmpago pelo Poison. Richie durou pouco, mas no pouco tempo em que esteve no conjunto de Bret Michaels, fez a diferença. Imprimiu sua marca dentro do som do grupo, tanto no ótimo Native Tongue, quanto nos shows. Aliás, foi depois de assistir ao VHS 7 Days Live que resolvi buscar mais informações sobre o cara. Acabei adquirindo o CD Fever Dream. Gostei do que ouvi e, desde então, passei a acompanha-lo.

Na sua discografia, encontramos de tudo um pouco. Fusion, blues, soul, rock, pop... Já fez som instrumental e som cantado. Embora seja conhecido por sua enorme técnica e pelos incríveis improvisos que faz em cima do palco, nos discos ele costuma ser mais contido, privilegiando mais a melodia do que o lado virtuose. Em Cannibals, não é diferente.

Assim como fez em Get Up, Kotzen ficou responsável pela gravação de todos os instrumentos. Ele contou com ajuda nas gravações dos backings e na percussão de “Shake it Off”, mas piano, guitarra, bateria, baixo e voz principal ficou tudo por sua conta. A produção também ficou nas mãos do músico.

Assim como ocorre no disco de 2004, a bateria ganha uma pegada bem simplista. Contudo, nos trabalhos de violão, guitarra e voz, continua se destacando. A influencia de black music volta a surgir com força. Desde a pegada funkeada de “Stand Tall” e “Cannibals”, passando pelo R&B de “In An Instant” até o lado soul de “The Enemy”.

Cannibals é um trabalho repleto de canções inspiradas, mas não é um álbum pesado. Pelo contrário, é um disco bem calmo, mas como o cara é um compositor de mão de cheia, além de ser um ótimo vocalista e um grande músico, a coisa funciona. Contudo, já aviso, se você for comprar esse disco com aquele sentimento de ‘deixa eu ver se esse cara toca tudo isso, irá se frustrar”. Como disse anteriormente, a técnica não está em primeiro plano aqui. Se, por outro lado, já está acostumado com sua obra, pode ir de olhos fechados.

O CD é bem consistente. Tem umas 2 músicas que não me empolgaram, mesmo assim estão longe de serem vergonhosas. “Up (You Turn On Me)” é sensacional e conta com um coral meio gospel. Kotzen e Doug Pinnick (King´s X) dividem os vocais na suingada “I´m All In”. A deliciosa “Come On Free” bebe bastante na fonte do AOR dos anos 70, enquanto na balada piano/voz, “You”, Kotzen resolve brincar um pouquinho com o teremim. Louco, né? Outro momento que vale prestar atenção é o trabalho de violão em “Time For The Payment”. Simplesmente, incrível...

Se você não está na pilha de ouvi-lo tocar hard rock e não ouve somente rock n roll, o disco é altamente recomendado. Ainda mais se você for fã do projeto Wilson Hawk. Daí, pode ir sem medo mesmo... Ótimo disco!

Nota: 8,5 / 10,0
Status: Calmo e inspirado

Fotos:
      01)   Cannibals
      02)   In An Instant
      03)   The Enemy
      04)   Shake It Off
      05)   Come On Free
      06)   I´m All In
      07)   Stand Tall
      08)   Up (You Turn Me)
      09)   You
     10)   Time For The Payment

domingo, 7 de maio de 2017

Fernanda Abreu – Bourbon Street 05/05/2017:



Por Davi Pascale
Foto extraída da página do Facebook Fernanda Abreu Fã-Clube
(obs: não consegui localizar o nome do fotógrafo para dar o devido crédito)

A eterna garota sangue bom retornou à São Paulo na última sexta para mais uma contagiante apresentação no Bourbon Street, tradicional e cultuada casa de shows de São Paulo. Ao contrário de diversos artistas de sua geração, Fernanda não se prende ao passado. Com novo disco nas costas, apresenta set repleto de novidades.

Amor Geral marca o retorno de Fernandinha aos estúdios, depois de um hiato de 12 anos. Nos shows, algumas mudanças. “A Noite” agora aparece dentro de um medley com canções de seu álbum de estreia Sla Radical Dance Disco Club. Hits como “Jack Soul Brasileiro” e “Um Amor, Um Lugar” caíram. Músicas como “Eu Vou Torcer” e “Bidolibido” retornaram.

Com aproximadamente 15 minutos de atraso, a musa carioca surgiu no palco com o sampler de “Amor Geral” enquanto apresentava um numero de coreografia, antes de emendar em “Outro Sim”, primeira faixa de trabalho do seu novo álbum. Aos 55 anos de idade, impressiona com ótima forma física, voz em dia e uma energia fora do comum. Quem não conhece sua trajetória, dá uns 15 anos a menos para a cantora.

Seu novo álbum foi bem explorado. Canções como “Deliciosamente”, “Double Love”, “Saber Chegar” e “Tambor”, responsável por fechar a primeira parte do show, demonstraram força ao vivo e foram bem recebidas pela plateia.

Isso não quer dizer que seu passado foi esquecido. Durante a apresentação, todos os seus discos foram lembrados. “Você Pra Mim” aparece logo no inicio relembrando seu debut. “Jorge de Capadócia” e “Rio 40 Graus” retomam os dias de Sla 2 Be Sample. “Veneno da Lata”, “Garota Sangue Bom” e “Brasil é o País do Suingue” celebram o clássico Da Lata. “Kátia Flávia” e “Bloco Rap Rio” recorrem ao emblemático Raio X. “Baile da Pesada” revive os tempos de Entidade Urbana, enquanto as já citadas “Eu Vou Torcer” e “Bidolibido” marcam os tempos de Na Paz.

Dona de um carisma fora do comum, é difícil tirar os olhos dela durante o espetáculo. A banda que a acompanha é excelente, onde vale destacar as performances de Tuto Ferraz (baterista e namorado da cantora), além de seu fiel escudeiro Fernando Vidal. Para quem não sabe, o guitarrista está com ela desde 1988.

Fernanda fala pouco, mas quando faz, passa o recado. Avisa sobre o lançamento dos discos nas plataformas digitais, relembra a importância de “Veneno da Lata” e dispara críticas contra o atual governo e contra a situação atual do Rio de Janeiro. “Essa próxima música, escrevi com Fausto Fawcett em 1992, mas poderia ter escrito hoje”, manda antes de “Rio 40 Graus”.

Com som bem equalizado e show muito bem desenvolvido, a artista animou os fãs e deixou uma ótima impressão entre aqueles que decidiram encarar a noite fria de São Paulo para matar as saudades dessa grande artista.