sábado, 19 de agosto de 2017

Mick Jagger – Gotta Get A Grip (2017)



Por Davi Pascale

Mick Jagger, o eterno cantor dos Rolling Stones, acaba de soltar um novo CD. Na verdade, um novo single. São duas músicas inéditas com uma pegada um pouco mais moderna, mas nada que espante seus fãs. Até porque, quem conhece sua carreira solo, sabe que ele gosta de fazer essas brincadeiras já tem alguns anos.

Quando questionado a razão de lançar essas duas musicas separadas, o cantor alertou que era por conta das letras, que se fosse esperar até ter material para um novo trabalho de inéditas, poderiam perder o sentido.

Com isso, vocês já devem estar imaginando do que se trata. E é isso mesmo. As duas faixas foram inspiradas na mudança política de seu país. Em entrevista à revista inglesa Classic Rock Magazine, Jagger explicou sobre as letras. Sobre a música que dá título ao EP, declarou que ‘a mensagem, acredito, é que apesar de tudo o que vem acontecendo, você tem que seguir sua vida, ser autentico e criar seu destino’.

A música, que já ganhou um remix do brasileiro Alok, se difere dos Stones pela bateria eletrônica. A guitarra, contudo,remete um pouco à seu cultuado grupo. A levada meia reggae dos versos, remete ao trabalho que Keith Richards realizou em alguns álbuns que o grupo lançou nos anos 80. Uma faixa boa, ainda que não tenha força para tornar-se um clássico.

Em “England Lost”, a bateria eletrônica ganha um pouco mais de destaque, são adicionadas algumas gaitas sutis e uma linha de guitarra mais rocker. A equação ficou bem dosada. Ela não ficou tão dance quanto “Gun” ou “Goddess In The Doorway”. Tem uma pegada mais roqueira. Interessante...

Nessa, a letra é um pouco mais densa. “É sobre estar perdido, sobre o sentimento de insegurança. É como me encontrava quando a escrevi. É claro que tem uma dose de humor. Não queria ser muito agressivo, mas tem muito a ver com a vulnerabilidade, sobre onde estamos nesse momento como país”. Mick, se você passasse uma temporada no Brasil, teria material para criar um box set...

É muito bacana ver Mick Jagger de volta à ativa, produzindo coisas novas e interessantes. A carreira-solo dele é bem bacana. Quem só conhece seu trabalho com os Stones, vale a pena dar uma revirada. Especialmente, álbuns como She´s The Boss e Wandering Spirit. Espero que não fique restrito à esses duas músicas e lance um álbum de inéditas em breve. E parabéns ao Alok. Bacana ver um brasileiro tendo um prestígio desses, trabalhando com artistas lendários internacionais... Reza a lenda que Mick Jagger teria escolhido o garoto para remixar sua música. Será?! É possível já que ele tem uma certa ligação com o Brasil...

Nota: 7,5 / 10.0
Status: Interessante

Faixas:
      01)   Gotta Get A Grip
      02)   England Lost

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Greta Van Fleet – Greta Van Fleet (2017):



Por Davi Pascale

Descobri essa banda recentemente pelo Youtube. A banda nasce em Michigan em 2012 e foi criada pelos irmãos Jake Kiszka (guitarra), Sam Kiszka (baixo) e Josh Kizska (vocal). Inicialmente, Kyle Hauck era o baterista da banda, mas quem assume as baquetas do grupo é Danny Wagner que está com eles desde 2013. E foi com essa formação que eles gravaram o EP que comento hoje.

Por enquanto, não se fala de um álbum completo. O grupo fala no lançamento de mais dois EP´s e algumas músicas inéditas já estão sendo apresentadas nos shows. Portanto, acredito que em breve teremos mais um lançamento dos garotos.

A maior influência e mais descarada de todas é justamente a de Led Zeppelin. Nas entrevistas, os garotos têm citado nomes como John Lee Hooker, Cream e The Who entre seus heróis. Talvez a pegada desses caras apareçam com maior clareza nos álbuns seguintes. Nesse primeiro EP, soam como se tivessem resolvido lançar um álbum perdido do Zeppelin. Muitos aspectos remetem ao grupo de Page/Plant. Desde os riffs de guitarra, timbragem de instrumentos, viradas de bateria, mas o mais impressionante de tudo são os potentes vocais de Josh. Tanto seu timbre, quanto sua linha vocal remete diretamente à Robert Plant. E, sim, o garoto manda incrivelmente bem.

“Highway Tune”, responsável por abrir o disquinho, deixa claro tudo que estou falando. “Safari Song” mantém o lado hard do Zeppelin e traz um Josh endiabrado. “Flower Power” lembra as baladas que o grupo britânico costumava fazer. Manja aqueles sons estilo “Your Time Is Gonna Come”? Essa pegada... A única que foge um pouco dessa lógica é “Black Smoke Rising”, responsável por fechar o álbum que traz uma pegada mais suingada, mesmo assim no final viajadão, eles voltam a lembrar os garotos de Londres.

Eles podem não ser a banda mais original do mundo, mas acabam empolgando. Os músicos são bons, as faixas são excelentes e o vocalista arrisco dizer que é um dos melhores dentre essas novas bandas. É que nem o Airbourne que transpira influencia de AC/DC, mas entrega álbuns empolgantes e competentes.

Muita gente vai criticar os garotos dizendo que não passam de uma cópia, que não possuem originalidade e blá blá blá. Mas, volto a dizer, o material é excelente. A garotada fez um puta disco. Só vejo dois probleminhas. O primeiro é o nome do conjunto. Acho um nome difícil de guardar na cabeça. O que pode prejudicar um pouquinho o retorno. O outro ponto que vejo é a falta de visual. Especialmente, do vocalista. No clipe oficial de “Highway Tune” ele usa uma camiseta toda esburacada, que lhe deu mais um ar de mendigo do que de qualquer tipo de atitude. Mesmo nos vídeos ao vivo que assisti dos garotos, achei o visual deles meio apagado. Mas essa parte de vestimenta se resolve com o tempo, com “pequenos toques” da equipe dos garotos. O mais importante é a qualidade musical e isso eles têm de sobra. Vá sem medo!

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Novo Zeppelin

Faixas:
      01)   Highway Tune
      02)   Safari Song
      03)   Flower Power 
      04)   Black Smoke Rising

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Nando Reis – Jardim Pomar (2016):



Por Davi Pascale

Quando abandonou os Titãs, muitos acreditaram que sua decisão era impulsiva e errada. O tempo veio mostrar que não. Na verdade, o baque foi maior para a banda que, mais uma vez, perdia um de seus grandes talentos. Nando sempre foi um músico competente. Mais do que isso, sempre foi um compositor de mão cheia. Soube guiar sua trajetória melhor do que seus ex-companheiros.

Muitos dizem que seu trabalho não é rock. Que é MPB. Diria que é um pouco de cada, mas se fomos levar essa acusação a ferro e fogo também seria “problemático” dedicarmos tempo à artistas como Rita Lee, Secos & Molhados, Mutantes... Não é de hoje que existe a influência de MPB dentro do rock brasileiro. E vice-versa. Quando bem feito, não vejo problema nenhum nisso.

Para trabalhar em Jardim-Pomar o músico trouxe de volta as mãos e o conhecimento de Jack Endino. Renomado produtor norte-americano responsável por dar uma cara ao que ficou conhecido como grunge. O mesmo Jack Endino que produziu o álbum de estreia do Nirvana. E o mesmo Jack Endino que produziu o polêmico (e brilhante) Titanomaquia. Lembra a acusação de que os Titãs estavam tentando embarcar na onda do grunge? Pois é...

“Infinito-Oito”, “Deus Meu” e “Inimitável” abrem o CD com um ar rock n roll e com uma forte influência de 70´s. Uma pegada meia Led Zeppelin, meia Rolling Stones. Não é nenhum choque, na verdade. Nando já havia feito essa brincadeira em “No Recreio” anos atrás.


Novo álbum traz Jack Endino, Mike McReady, Peter Buck e ex-parceiros do Titãs

Muito relacionado à emblemática obra dos Titãs, muitos se esquecem que o ruivão é um artista multi-facetado. Que já teve composições suas gravadas por artistas de diferentes estilos. De Cidade Negra à Cássia Eller. Esse ecletismo reflete em suas composições. “Lobo Preso em Renda” e “Pra Onde Foi” são rocks mais calmos com uma forte influência de Neil Young. Os violões sutis de “Água-Viva” vão de encontro à velha MPB. “Concórdia” que havia sido gravada por Elza Soares em Vivo Feliz ganha um tom melancólico e old school. “Só Posso Dizer (São Paulo)” é a típica balada feita para tocar nas rádios. Enfim, temos um pouco de tudo nesse trabalho.

Mike McReady (Pearl Jam) e Peter Buck (R.E.M.) emprestam seus “dotes guitarrísticos”, mas acredito que a maior curiosidade de seus velhos seguidores seja a faixa “Azul de Presunto”, onde traz de volta seus velhos parceiros Branco Mello, Paulo Miklos, Sérgio Britto e Arnaldo Antunes. Além de um curioso trio feminino formado por Luiza Possi, Tulipa Ruiz e Pitty. A canção é marcada por um ótimo gingado e participações sutis.

Lançado de maneira independente, Jardim-Pomar apresenta, mais uma vez, um trabalho bem acabado e inspirado. Com uma caprichada arte gráfica, excelente produção e composições fortes, o disco torna-se uma audição intrigante. Escute!

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Eclético e consistente

Faixas:
      01)   Infinito Oito
      02)   Deus Meu
      03)   Inimitável
      04)   4 de Março
      05)   Só Posso Dizer (São Paulo)
      06)   Concórdia
      07)   Azul de Presunto
      08)   Lobo Preso em Renda
      09)   Pra Onde Foi
      10)   Como Somos
      11)   Água-Viva
      12)   Pra Musa 
      13)   Só Posso Dizer (Seattle)

domingo, 30 de julho de 2017

Royal Blood – How Did We Get So Dark (2017):



Por Davi Pascale

Finalmente, o segundo álbum do duo britânico foi lançado. E a boa notícia é que o trabalho é tão bom quanto o disco de estreia. A dupla continua eficiente, com ótimas canções e arranjos impactantes. Até agora, um dos melhores do ano.

O Royal Blood teve início em 2013, depois que o baixista/guitarrista Mike Kerr retornou de um período sabático na Austrália. Quando retornou à Inglaterra, um de seus velhos amigos, com quem tinha tido uma banda que atendia pelo nome de Flavour Country, Ben Thacher, foi encontrá-lo no aeroporto e os dois decidiram começar um novo grupo. Não demorou muito e os caras assinaram um contrato com a Warner Music e fecharam com o mesmo time que tomava conta do badalado Arctic Monkeys. A partir daí, as coisas começaram a acontecer. Saíram em turnê junto com a banda liderada por Alex Turner, soltaram seu debut já em 2014. Aqui no Brasil, tivemos a oportunidade de conferi-los de perto no Rock in Rio de 2015.

Assim como o cultuado White Stripes, a banda é formada por apenas 2 integrantes, mas, na minha opinião, conseguiram um som mais encorpado e consistente do que o antigo grupo de Jack White. Se conseguirem levar o projeto adiante, acredito que devam crescer ainda mais no mercado nos próximos anos. Principalmente, se conseguirem manter a qualidade dos álbuns, como vem acontecendo.




How Did We Get So Dark mantém o mesmo espírito de seu debut. É um trabalho curto, direto e impactante. Assim como em sua estreia, o CD é formado por 10 faixas que se destacam por ótimos riffs, bateria consistente e um trabalho vocal bem agradável. A linha de voz, em muitos momentos, me remetem ao (ótimo) Queens Of The Stone Age. Algo que notamos de cara já na faixa-título, responsável por abrir o CD. “She´s Creeping” é outro ótimo exemplo. Muitos têm comparado o grupo ao Muse e, por vezes, remete mesmo. Um exemplo claro é a ótima “Lights Out”.

De modo geral, segue a mesma cartilha de seu disco de 2014. As faixas que fogem um pouco à regra seriam músicas como “Look Like You Know” que trazem um arranjo um com uma pegada pouco menos veloz, trazendo até um ‘q’ de Arctic Monkeys (imagine aquele som do AM mais envenenado), além de começarem a explorar o teclado de maneira evidente, o que podemos notar com clareza em “Hole In Your Heart”. Outros grandes destaques ficam por conta de “Where Are You Now?” e “Hook, Line e Sinker”, que só ajudam a comprovar, mais uma vez, a minha tese de que Mike Kerr é realmente bom de riff.

O novo álbum do Royal Blood já chegou às lojas aqui do Brasil, portanto, mesmo se você não for adepto de ouvir as músicas por plataforma digital é fácil conseguir o material. E, de boa, vale a pena. Até agora, pouquíssimos álbuns lançados em 2017 conseguiram me impressionar de fato. Esse foi um deles. Recomendadíssimo!

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Impactante e consistente

Faixas:
      01)   How Did We Get So Dark?
      02)   Lights Out  
      03)   In Only Lie When I Love You
      04)   She´s Creeping
      05)   Look Like You Know
      06)   Where Are You Now?
      07)   Don´t Tell
      08)   Hook, Line & Sinker
      09)   Hole In Your Heart 
      10)   Sleep

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Ira! – Teatro Paulo Machado (22/07/2017):



Por Davi Pascale
Fotos: Davi Pascale

Já tem um tempo que a dupla Edgard Scandurra e Nasi voltaram a usar a marca Ira! e um dos projetos que eles apresentaram nesse meio tempo foi justamente o show Ira! Folk que passou por São Caetano no último fim-de-semana.

Em uma entrevista polêmica, o músico Lobão disparou alguns anos atrás que o artista só deveria retornar à ativa se ainda tivesse algo a dizer. Vamos ver como será o futuro desses pobres paulistas. Ao que tudo indica, o próximo lançamento da banda será justamente um DVD dessa tour, realizado em parceria com o Canal Brasil, uma das casas de Nasi. Pelo visto, demorará um tempinho ainda para sabermos o que eles têm a dizer.

Um ponto é fato. As músicas que escreveram em outras décadas sobreviveram bem ao tempo. Não foram poucos os momentos que o teatro cantou uníssono as letras de velhos hits, nem que estenderam para cima seus telefones celulares. Situação que rendeu até uma piada de Nasi. “É fácil saber quais as preferidas de vocês. É só ver o numero de luzes vindo da plateia. Tem horas que parece até um show do Rolling Stones”. A plateia ria junto com os músicos.

Como já deu para sacar, o espetáculo apresentado no ultimo fim-de-semana não teve ar de novidade. E sim, de celebração. Em um formato enxuto, os dois ícones dos anos 80 relembraram algumas músicas que embalaram sua trajetória. Desde o início com “Mudança de Comportamento” e “Dias de Luta” até a despedida ao som de “Núcleo Base”, o público ia abaixo quando as canções de seus primeiros discos eram executadas.


Contando com a participação de Daniel Scandurra no contrabaixo, a dupla se demonstrava bem a vontade na execução dos arranjos. Não tão à vontade com os gritos da multidão. Nasi ficava sem graça com os galanteios vindos de uma voz feminina da plateia e chegou a pedir para que um rapaz parasse de ficar gritando o nome das musicas. “Para de entregar o setlist, por favor”.

Ainda que tenham conseguido melhor reação do publico nos hits, os músicos não se esqueceram de incluir algumas surpresas. Honestamente, não esperava ouvir “Perigo” do pesado Música Calma Para Pessoas Nervosas em um show como este. Outra canção inesperada, de minha parte, foi a execução de “Telefone”, hit da Gang 90.

Agora... O grande destaque da noite foram mesmo os violões de Edgard Scandurra. Muitas vezes apontado pela crítica especializada com um dos grandes guitarristas do rock brasileiro, o rapaz fez jus à fama e entregou arranjos muito bem elaborados e muito bem executados. Nasi também demonstrou estar em um bom momento. Entregando um trabalho vocal próximo ao que realiza nos álbuns de estúdio, o músico subiu ao palco com o visual de seu DVD Egbe, e demonstrou estar com um pique muito maior do que apresentou no show que realizaram no Sesc Santo Andre, realizado pouco tempo após o retorno.

“Flores em Você”, “Tarde Vazia”, “Envelheço na Cidade”, “Tolices”, “Girassol”, “Eu Quero Sempre Mais” e “Bebendo Vinho” levantaram o teatro e colocou todo mundo para cantar. “15 Anos”, “Receita Para Se Fazer Um Herói” e “Rubro Zorro” animaram os fãs mais fieis, que aqui na região do ABC não são poucos. O público do ABC sempre teve um carinho especial pelo trabalho do Ira! e os músicos souberam retribuir essa admiração com uma apresentação bem competente. Falta ver como se sairão quando resolverem entrar em estúdio para registrar novas canções. O tempo dirá!

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Kansas – Miracles Out of Nowhere DVD + CD (2015):



Por Davi Pascale

Miracles Out Of Nowhere é um projeto especial. Não é exatamente um novo álbum. Trata-se, na realidade, de um documentário. Nesse caso, acompanhado de um CD com a trilha sonora. Lançamento realmente muito bacana.

Dirigido por Charley Randazzo, o filme conta o início da banda. Como se conheceram, de onde tiraram o nome. Como foram contratados, como aconteceram os primeiros shows. Essa parte, aliás, é bem interessante e conta com depoimentos bem legais. Brian May, lendário guitarrista do Queen, relembra os shows que fizeram juntos e do impacto que causaram no falecido, e não menos lendário, Freddie Mercury. Mas a melhor parte, contudo, são dos shows realizados ao lado do Aerosmith, onde os músicos do Kansas contam como fizeram para terminar seu show sem que tivessem o som cortado pelo Steven Tyler.

A história deles é a história típica das bandas de rock n roll. Amigos que resolveram fazer um som, começaram tocando para um público minúsculo e tiveram que saber driblas as pressões da gravadora. Genial a sacada deles para tapear o olheiro da gravadora. A ideia que eles tiveram para atrair público para o tal show foi inteligentíssima. A história da imagem na contracapa do primeiro LP – que eles refizeram agora para esse projeto – também é bem curiosa.

O longa dura próximo de 90 minutos e acaba sendo bem completo porque eles decidiram focar somente na fase inicial. Eles não contam até os dias atuais. Eles vão até a chegada do sucesso. Até a explosão da balada “Dust In The Wind”. Interessante como as coisas acontecem por acaso. Quem diria que uma musica desse porte nasceria de um exercício de escala?

Certamente, a década de 70 foi menos careta do que a atual. Isso permitia que os músicos ousassem mais e as gravadoras apostassem mais. A banda só foi fazer sucesso no seu quarto álbum – Leftoverture – com a música “Carry On Wayward Son”. Nos dias atuais, uma banda como eles morreria na praia. Não vejo hoje uma gravadora de grande porte apostando em alguém por 4 discos seguidos sem terem tido uma faixa nas rádios, uma venda expressiva. E, assim como “Bohemian Rhapsody”, era uma faixa fora dos padrões radiofônicos. Nesse caso, cruzando hard rock com progressivo. Uma bela música, aliás...

Miracles foi lançado no Brasil, mas infelizmente, não conta com legendas em português. Somente inglês e espanhol. Portanto, se você não tem um domínio razoável desses idiomas, irá perder muita coisa. Sem tudo um domínio mediano da língua inglesa, vai de boa. O inglês deles não é muito difícil de compreender.

Junto com o DVD, vem um CD com a trilha do documentário. Eles intercalaram trechos de depoimentos dos músicos (extraídos do filme) com as canções que aparecem como pano de fundo da película. Todas elas, na íntegra. Audição muito bacana. Nem se sente o tempo passar. Trabalho altamente recomendável para quem quer saber um pouco mais da trajetória do grupo. Torcendo para que façam uma parte 2...

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Ótimo.

Faixas (CD):
      01)   Intro
      02)   The Pilgrimage
      03)   Rock Concert
      04)   Can I Tell You (Live)
      05)   The First Album
      06)   Journey From Mariabronn
      07)   The Second Album
      08)   Song For America
      09)   Down The Road
      10)   Masque
      11)   Icarus (Born On Wings of Steel)
      12)   The Pinnacle
      13)   Leftoverture
      14)   The Wall
      15)   Wayward Son
      16)   Carry On Way Ward Son
      17)   Kerry The Songwriter
      18)   Miracles Out of Nowhere
      19)   Time For a New Record
      20)   Point of Know Return
      21)   Finger Exercise
      22)   Dust In The Wind
      23)   The Miracle 
      24)   Nobody´s Home

domingo, 16 de julho de 2017

Judas Priest – Turbo 30 (2017):



Por Davi Pascale

Esse é um disco que costuma ser bem malhado entre os seguidores mais radicais. Durante anos, deixei de lado por conta de todas as críticas em cima do mesmo. Quando adquiri meu LP alguns anos atrás, me arrependi amargamente de não ter corrido atrás antes. A verdade, meus amigos, é que Turbo é sim, um bom álbum.

O polêmico trabalho chegou às lojas em 1986. Heavy metal estava com tudo. Judas Priest estava com tudo. MTV estava com tudo. Alguns fatos marcantes, que certamente influenciaram o conteúdo do álbum, foram a criação do questionável selo Parental Advisory, a participação deles no histórico Live Aid e a morte do parceiro de Rob Halford.

O heavy metal começava a seguir novos caminhos. Um deles era o famoso hair metal. À grosso modo, grupos que usavam visuais espalhafatosos e faziam um som que cruzava elementos do heavy com o pop. Tinham uma sonoridade mais light. E isso acabou influenciando um pouco o som do Priest aqui. Inicialmente, esse seria um LP duplo. A parte mais comercial virou o Turbo, o resto do material tornou-se o Ram It Down.

Em termos de arranjos, não era tão distante das faixas mais comerciais que apareciam em seus mais recentes álbuns até então. A maior diferença era realmente no método de gravação, explorando as synth guitars, explorando mais os triggers. Entretanto, haviam varias canções fortes. Caso de “Locked In”, “Parental Guidance” (escrita sobre o tal selo) e “Rock You All Around The World”. Outra faixa que gosto bastante é “Reckless”. Embora seja a mais lembrada, considero “Turbo Lover” a pior do disco.

Rob Halford passava por um período delicado. Usando e abusando das drogas (leia-se cocaína), o rapaz perdeu seu namorado depois de uma briga com o garoto que acabou se matando com um tiro na sua frente. É compreensível ele estar numa fase mais sentimental e acredito que isso tenha influenciado o novo direcionamento das letras, onde abordavam com maior ênfase temas como amor e relacionamento.



Essa edição de 30 anos também traz um show da turnê na integra. Quem acompanha a banda há algum tempo, certamente já ouviu o LP Priest...Live em algum momento da sua vida. Mesma tour, mesma pegada. A diferença é que temos algumas músicas a mais aqui. O Judas nunca deixou a desejar no palco e aqui não é diferente. Instrumental extremamente consistente, Halford cantando o diabo. O único senão é que achei o som da bateria tão magro quanto o do álbum, mas a performance é excelente.

Resumo da história. Turbo é um trabalho bacana, com ótimas canções. Certamente, não é o trabalho indicado como porta de entrada. Não é um álbum que defina o som da banda. É o contrário. É onde os músicos tentavam ir um pouco além do que esperavam deles. Para quem já conhece bem o trampo deles, vale a pena se aventurar ou dar uma nova chance (dependendo do caso). E, sim, essa edição tripla saiu no Brasil e está bem fácil de encontrar. Lançamento bem interessante...

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Polêmico, mas satisfatório

Faixas:
CD 1:
      01)   Turbo Lover
      02)   Locked In
      03)   Private Property
      04)   Parental Guidance
      05)   Rock You All Around The World
      06)   Out In The Cold
      07)   Wild Nights, Hot & Crazy Days
      08)   Hot For Love
      09)   Reckless

CD 2:
      01)   Out In The Cold
      02)   Locked In
      03)   Heading Out To The Highway
      04)   Metal Gods
      05)   Breaking The Law
      06)   Love Bites
      07)   Some Heads Are Gonna Roll
      08)   The Sentinel
      09)   Private Property
      10)   Desert Plains
      11)   Rock You All Around The World

CD 3:
      01)   The Hellion
      02)   Electric Eye
      03)   Turbo Lover
      04)   Freewheel Burning
      05)   Victim of Changes
      06)   The Green Manalishi
      07)   Living After Midnight
      08)   You´ve Got Another Thing Coming
      09)   Hell Bent For Leather