quarta-feira, 15 de julho de 2015

In This Moment – Black Widow (2014)

Por Rafael Menegueti

In This Moment - Black Widow
Eu levei bastante tempo pra decidir se iria resenhar esse disco do In This Moment. Isso porque eu demorei pra digerir o que a banda lançou no final do ano passado. Pra ser sincero nem sei se ainda consegui, mas vou transmitir aqui minhas impressões sobre o que eu captei desse novo trabalho da banda de Los Angeles.

Quando eu comecei a acompanhar a banda, o que me chamou a atenção foi a singularidade dela. Em seus três primeiros discos, o grupo apresentava um metal alternativo pesado e empolgante, mas cru, sincero e direto. Os vocais de Maria Brink iam de sussurros à gritos e tinham personalidade própria. Mas de algum modo isso mudou.

Em “Blood”, seu quarto álbum de estúdio, a banda começou a mudar um pouco a sua fórmula. As músicas faziam mais uso de sintetizadores, melodias e letras mais sensualizadas e os shows começaram a ganhar adereços e figurinos que se aproximavam de um shock rock mais sexualizado. Até foi interessante no começo, mas depois ficou parecendo que Maria Brink e seus companheiros eram a versão dark da Lady Gaga no metal. E, na minha opinião, se a cantora pop já deixou de ser novidade e diferenciada pra se tornar algo forçado e presunçoso, a banda californiana parece tomar o mesmo rumo no que diz respeito a primeira característica citada (o In This Moment não se acha a estrela mais brilhante do céu, pelo menos).

Os membros do In This Moment
Ouvindo “Black Widow”, podemos perceber que o disco tem potencial. Alguns riffs são muito bem elaborados. O problema é que eles ficam rodeados por arranjos e trechos muito sintéticos. A temática das letras é interessante, continuando com aquela linha mais pessoal, com ênfase em assuntos como sexualidade e momentos conturbados vividos pela vocalista e compositora. Nesse sentido o disco é excelente em conteúdo. Mas me incomoda ver uma banda boa abusar tanto de efeitos e melodias que parecem forçadas e dramáticas. Nesse caso acho que “menos é mais”, como dizem.

Algumas faixas começam interessantes, com introduções que parecem que vão nos levar a algum lugar legal, mas logo elas se perdem. Casos de “Sex Metal Barbie” e “Black Widow”, por exemplo. Outras tomam caminho inverso, melhorando conforme vão se desenvolvendo, como “Dirty Pretty” e “Natural Born Sinner”. Tem também as que parecem toda erradas, casos de “Bloody Picture Poster Girl" e “Bones”. Mas também tem os acertos, como “Sexual Hallucination”, “Sick Like Me”, "Big Bad Wolf", “Out of Hell” e a faixa bônus “Turn You”.

Esse é o tipo de disco que não recomendo a qualquer um. Tem que entender primeiro a proposta da banda, depois o estilo e direção aonde eles querem chegar (o estilo de vocal de Maria Brink, por exemplo, pode ser cansativo pra alguns). E muita gente não tem estomago. No meu caso, o disco, apesar das falhas citadas, não chega a ser ruim. Não é bem o que eu esperava da banda, mas não é um caso perdido. Quando eles perceberem que não precisam de tanta enrolação e que tem capacidade pra fazer discos focando principalmente nas suas melodias e riffs em lugar dessas parafernalhas e efeitos todos, o In This Moment certamente voltará a ser uma das melhores bandas alternativas dentro do metal. Mas se continuar forçando assim, logo vão perder a graça, o que seria uma pena.


Nota: 6/10
Status: Confuso, mas interessante

Faixas:
01. The Infection
02. Sex Metal Barbie
03. Big Bad Wolf
04. Dirty Pretty
05. Black Widow
06. Sexual Hallucination
07. Sick Like Me
08. Bloody Creature Poster Girl
09. The Fighter
10. Bones
11. Natural Born Sinner
12. Into The Darkness
13. Out Of Hell
14. Turn You (Bonus Track)
15. Rib Cage (Bonus Track)