Alguns dias atrás, o Rafael listou
5 discos que ajudaram a moldar seu gosto musical. Resolvi fazer a minha.
Acredito ser uma maneira de nossos leitores conhecerem um pouco mais de quem
está por trás do blog. Claro que 5 discos, 5 artistas, são muito pouco para
comentar de uma paixão de décadas. Optei por separar 5 que mudaram um pouco
minha visão de música. No nosso caso, de rock. Confira!
Kiss – Creatures Of
The Night
O primeiro álbum dessa lista não
poderia ser outro. Esse foi o disco que me introduziu ao rock n roll. Isso lá
nos anos 80, na época em que o vinil dominava o mercado, o rock dominava as
rádios e CD sequer existia. Meu contato se deu em 1985, aos 3 anos de idade.
Meu irmão costumava me assustar com a capa do disco. Um belo dia deixei de me
esconder e pedi para que colocasse no toca-discos. Depois de ouvir o som
explosivo da bateria de Eric Carr, a voz de trovão de Paul Stanley, a garra de
Gene Simmons, minha vida nunca mais foi a mesma. Comecei a querer conhecer cada
vez mais sobre o Kiss e sobre esse tal de rock n roll.
Beatles – Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band
Logo depois que conheci o Kiss,
fiz ao meu pai a óbvia pergunta: qual a melhor banda de rock que existe? Meu
pai respondeu: Beatles. Comecei pelos álbuns da fase iê-iê-iê, mas não demorou
para que descobrisse a fase psicodélica dos 4 rapazes de Liverpool. Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band, me
demonstrou que era possível juntar em um mesmo trabalho melodia, ousadia,
experimentações, sem ser prepotente, sem soar cansativo. E, principalmente, que
era possível fazer um belíssimo trabalho com muita criatividade e pouca
tecnologia.
Ozzy Osbourne – Randy Rhoads Tribute
Se o Kiss despertou minha paixão
pelo hard rock e os Beatles pelo rock clássico, quem me despertou para o heavy
metal foi o Ozzy Osbourne. Nessa mesma época em que estava descobrindo o Kiss,
meu irmão estava vivendo a fase Ozzy. Um dos primeiros VHS´s que compramos foi
o The Ultimate Ozzy. Na época, esse vídeo
era bem popular entre os fãs. No Brasil, chegou até a originar especial de TV.
Depois de assistir ao vídeo, revirei os LPS. Os que mais me chamaram a atenção,
naquela época, foram o Blizzard of Ozz
e esse LP duplo ao vivo. Tudo me chamava a atenção. A energia, a atitude, a
guitarra de Randy Rhoads soava mágica nos alto-falantes, sem contar no vocal
inconfundível de Ozzy Osbourne. Setlist perfeito, capa marcante. Sempre que
alguém me pede indicação de álbuns ao vivo, esse é um dos que cito de imediato.
Nirvana – Nevermind
Existe muita gente que fala que
quem curte hard rock não pode ouvir grunge. Nunca dei bola para isso. Rock é
rock. Bandas vem e vão. Cenas vem e vão. Desde que o mundo é mundo. Sempre
gostei da cena dos anos 80. Tanto da cena de heavy metal, quanto da cena pop,
quanto da cena de hard rock. Mas, Nirvana foi realmente algo marcante para quem
viveu a época. Aqueles 3 malucos de Aberdeen traziam de volta as músicas de
poucos acordes, a ideia de um contato mais direto com o público. Não importava
se estavam tocando como headliner de um grande festival, ou em algum pequeno
pub, a atitude era a mesma. Subiam despretensiosamente, faziam piadas,
conversavam com o público. Os shows não contavam com nada mais do que os 3 músicos
no palco. Nevermind mudou a cara da
cena, abriu a porta para outros gigantes (Pearl Jam, Soundgarden, Alice In
Chains...) e marcou músicas como “Smells Like Teen Spirit”, “Come As You Are”, “Lithium”,
“Polly” na memória de milhares de pessoas. Mantinham elementos do rock
alternativo de Bleach ao mesmo tempo
em que demonstravam uma afinidade com o pop. Disco praticamente perfeito.
Titãs – Cabeça Dinossauro
Outra vertente que sempre curti
foi o rock nacional. E também comecei a minha formação na minha infância.
Começava a revirar os discos dos artistas que ia descobrindo pouco a pouco nas
rádios e nos programas de TV. Foi assim que descobri – e virei fã – de artistas
como Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Engenheiros do Hawaii, RPM, Ultraje a
Rigor, Lobão, Lulu Santos, Marina Lima, Barão Vermelho... Um que me marcou foi
os Titãs. Sempre rolava música deles nas rodas de violão das escolas, estavam
sempre presente nas rádios. Essa cena dos anos 80 originou pelos menos uns 5 ou
6 discos que considero clássicos do rock brasileiro. Cabeça Dinossauro é um deles. As letras eram inteligentes,
escrachadas, irônicas. O som era pesado, os músicos tinham uma puta atitude.
Diversas faixas daqui foram trilha sonora daquela geração: “Polícia”, “Bichos
Escrotos”, “O Que”, “Igreja”, “AA UU”... Se nos anos 90, os garotos aprendiam
tocar guitarra com os riffs de Digão, nos anos 80 eram com os de Tony Belotto.
Charles Gavin demonstrava ser um baterista eficiente e dono de uma bela pegada,
mas o grande diferencial deles era o Arnaldo Antunes. Extremamente irreverente,
com uma presença de palco única e letras que te faziam pensar. Cabeça
Dinossauro iniciava uma nova etapa na carreira dos Titãs e na história do rock
brasileiro.