terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Motley Crue – The End Live In Los Angeles (2016):



Por Davi Pascale

Motley Crue lança novo material ao vivo para celebrar fim de sua trajetória. Repertório é focado nos clássicos e emociona os antigos fãs.

Esse não é o primeiro álbum ao vivo do Motley Crue. Se não me engano, é o terceiro. Mesmo assim, esse ítem é indispensável na coleção dos seus seguidores. Afinal, trata-se do show de despedida dos garotos. Algo que é sempre marcante para aqueles que acompanharam o conjunto durante tanto tempo.

O repertório não é tão extenso quanto do DVD anterior, é mais enxuto. Entretanto, aquelas músicas que marcaram a carreira deles, estão quase todas aqui. O set foca no período clássico. Ou seja, entre 81-89, para ser mais específico do debut Too Fast For Love ao clássico Dr. Feelgood. Não há músicas inéditas, nem nenhuma música do trabalho que gravaram ao lado do John Corabi.

Para quem viveu os anos 80, a escolha não poderia ser melhor. Do início com “Girls, Girls, Girls” até o final com “Home Sweet Home” são vários flashes, várias lembranças. Absolutamente nostálgico!

A qualidade de gravação é ótima. Tanto a qualidade de som quanto a qualidade de imagem estão excelentes. Há algumas correções de estúdio, mas não chega a ser algo tão descarado. Os músicos optaram por deixar alguns erros. Em uma audição mais atenta, pegamos algumas atravessadas de Tommy Lee. Também fica claro a dificuldade de Vince Neil em cantar algumas músicas como “Shout At The Devil”, mas nada que tire o encanto ou que frustre.

Banda foca nos clássicos

Para aqueles que, assim como eu, tiveram a oportunidade de conferir a apresentação da banda no Rock in Rio, o DVD é uma recordação e tanto. Embora a performance seja a de Los Angeles, terra natal dos músicos, o repertório é bem similar. O show é bem parecido. Inclusive, com a participação das dançarinas. Aliás, muito bacana ver o Tommy Lee citando o show do Rio de Janeiro como um de seus momentos favoritos na turnê.

A ideia de colocar um trecho de “Mas Tequila” dentro de “Smokin´ In The Boys Room” foi genial e funcionou incrivelmente bem. Nikki Sixx e Tommy Lee ainda demonstram uma energia fora do comum. Honestamente, acho que eles ainda tinham gás para seguirem por mais alguns anos. Contudo, temos que respeitar a posição dos músicos. Na entrevista me pareceram meio desiludidos, meio cansados com a ideia de tocar as mesmas musicas toda turnê.

O CD traz o show quase que na integra. Somente os números solos foram deixados de fora. Realmente, na necessidade de ter que arrancar alguma música, essa acaba sendo a mais sensata. Não há dúvidas de que é mais divertido assistir um número solo do que ouví-lo. Principalmente, o solo de Tommy Lee com a bateria acoplada em uma montanha russa. Simplesmente animal!

Clássicos como “Wildside”, “Same Ol´ Situation”, “Looks That Kill”, “Kickstart My Heart”, “Primal Scream” e “Live Wire” soam absolutamente explosivas. Claro que há alguns momentos em que sentimos o peso da idade, principalmente nos vocais de Vince Neil, mas estão longe de soarem uma banda sem gás, decadente, em estágio final. Pelo contrário, estão com uma ótima energia. O final com "Home Sweet Home" sendo executada em um palco no meio da galera é, no mínimo, emocionante.

The End – Live In Los Angeles é um trabalho essencial não somente na coleção dos fãs de Motley Crue, mas na coleção dos fãs de hard rock em geral. Divertido, nostálgico, para cima, em uma expressão: rock n roll. Indispensável!

Nota: 10,0 / 10,0
Status: Espetacular

Faixas:
      01)   Girls, Girls, Girls
      02)   Wildside
      03)   Primal Scream
      04)   Same Ol´ Situation
      05)   Don´t Go Away Mad
      06)   Rock n Roll Party II / Smokin´ In The Boys Room
      07)   Looks That Kill
      08)   Mutherf***** Of The Year
      09)   In The Beginning / Shout At The Devil 
      10)   Louder Than Hell
      11)   Drum Solo*
      12)   Guitar Solo*
      13)   Saints Of Los Angeles
      14)   Live Wire
      15)   T.N.T / Dr. Feelgood
      16)   Kickstart My Heart
      17)   Home Sweet Home
      18)   Interviews With Motley Crue*
      19)   Nikki´s Flamethrower Bass*
      20)   Tommy´s Drum Rig*

*Material presente somente no vídeo

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Busic – Busic (2016):



Por Davi Pascale

Irmãos Busic lançam nova banda. Álbum de estreia aposta em um hard rock mais simples com letras em português e traz Ivan arriscando um pouco mais nos vocais.

Quem acompanha a cena de rock n roll do Brasil de perto certamente já ouviu falar no Dr. Sin. O trio paulista dividiu palco com inúmeros ícones do rock, emplacou algumas músicas nas rádios, além de ser uma referência direta para 9 entre 10 músicos do nosso país. Infelizmente, o trio chegou ao fim sem ter o reconhecimento que mereciam. Mesmo assim, os músicos não baixam a cabeça. Ivan e Andria acabam de soltar o debut de sua nova banda, Busic.

A ideia de utilizar o sobrenome dos líderes como nome do novo conjunto pode não agradar à algumas pessoas, mas é uma pratica comum. Bon Jovi fez isso, Van Halen fez isso. Então... por que não?

Aqueles que acompanharam o Dr Sin de perto irão encontrar diversas referências do antigo grupo por aqui. Inclusive, no trabalho de guitarra. Não que o cara soe uma cópia, mas algumas passagens são bem a cara do trio. Hard Alexandre faz parte da cena desde os anos 90, tendo passado por grupos como Alligator e Madgator, e suas influencias não são muito diferentes das influencias de Edu Ardanuy. Fissuradaço em Eddie Van Halen e Yngwie Malmsteen, bom já deu para sacar né? Zeca Salgueiro também é macaco velho. Conhecia ele do Mundo Cão. Inclusive, para quem não sabe, o Ivan foi quem gravou a bateria do CD do Mundo Cão. Portanto, colecionadores, corram atrás.

Ivan e Andria lançam nova banda.

Assim como acontecia nos tempos do Dr, Ivan e Andria dobram a voz em diversos versos. Algo que ocorre já na faixa de abertura “Ação e Reação”. Embora as guitarras estejam um pouco mais sujas, o som do grupo está um pouco mais acessível, estão explorando menos quebradas de tempo, por exemplo. Não é muito difícil sacar suas referências. “Eu Acredito em Você” traz um riff de guitarra bem inspirado em “Keep Yourself Alive” (Queen). A introdução de bateria de “O Bom e Velho” remete diretamente à “Everybody Wants Some” (Van Halen). Sem contar na versão em português de “Closer To The Heart” (Rush), aqui com o nome de “Junto Ao Coração”. E... ah, sim, o trabalho de violão de “SOS Amanhã” é Pink Floyd total.

Andria Busic se destaca bastante no álbum, tanto pelo incrível trabalho vocal, quanto pelas sempre criativas linhas de baixo. Ivan está se arriscando um pouco mais nos vocais, provavelmente ganhou um pouco mais de confiança após ver seu álbum solo – Rock And Road – ganhar um ótimo reconhecimento. A que mais gostei, dentre essas onde ele se arrisca mais no vocal, foi “Na Estrada” com uma pegada meio southern nos versos. Outra canção que foge do estilo tradicional dos músicos e achei espetacular foi a balada “Máquina do Tempo” que traz um arranjo bem 50´s.

Quem já curte os trabalhos anteriores dos irmãos – principalmente Dr. Sin e Taffo – pode ir sem medo de ser feliz. Tente ouvir “Perigo” e não se recordar do Dr.... Quem nunca foi atrás, já passou da hora de dar uma chance aos rapazes. Esses caras sempre entregaram trabalho de primeiro nível e não é diferente aqui. Arrisque!

Nota: 8,5 / 10,0
Status: Ótimo

Faixas:
      01)   Ação e Reação
      02)   Fúria Cega
      03)   Só o Tempo Vai Dizer
      04)   Escrava do Medo
      05)   Eu Acredito Em Você
      06)   Na Estrada
      07)   Canção Para Julie
      08)   Cilada
      09)   SOS Amanhã
      10)   Perigo
      11)   Por Trás da Glória
      12)   Máquina do Tempo
      13)   O Bom e o Velho
      14)   Junto Ao Coração (Closer To The Heart) 
      15)   Nossa Terra

domingo, 18 de dezembro de 2016

Noticias do Rock



Por Davi Pascale

A todo momento, surge uma noticia nova. Continuo hoje com o resumão do que rolou de mais especial nos últimos dias. Confira a seguir...


Mais shows são confirmados para 2017



Além de Ace Frehley e King Diamond, outros artistas já anunciaram que farão shows em nosso país no próximo ano. Alguns já estão com ingresso à venda, inclusive. São eles; Pretty Reckless, Tarja, Sting, James Taylor, Elton John, Slayer, Evanescence e Bryan Adams. Haja grana…


Guns n´ Roses no Rock in Rio 2017



Roberto Medina jurava de pé junto que não convidaria mais Axl Rose para seu festival, mas todos sabiam que se um dia voltasse o Slash, o cara cederia. E assim foi, já foi confirmado que Guns n´ Roses, Billy Idol e Bon Jovi estarão de volta ao Rock In Rio no próximo ano. É comum que grandes nomes do rock aproveitem sua vinda ao festival para excursionarem em nosso país. Será que teremos mais uma minitour dos caras em nosso país? Difícil, mas nunca diga nunca...


Toldo do clube CBGB é vendido por 30.000 dólares


Drew Bushong, ex-gerente do lendário CBGB, leiloou o toldo no Sotheby´s. A informação foi dada pelo Village´s Voice. Vale lembrar que esse não é o toldo original. O primeiro toldo foi roubado pela banda punk Jodie Fosters Army, após um show que realizaram lá nos anos 80. Esse que foi leiloado ficou no local de 1988 à 2000.

Green Day produzirá documentário punk

 
Ainda existem muitas pessoas que não aceitam que grupos como Green Day e Offspring sejam rotulados como punk. Isso não foi impedimento, contudo, para que o grupo de Billie Joe Armstrong resolvesse entrar de cabeça na cena. No ano que vem, será lançado Turn It Around: The Story Of East Bay Punk. O longa fala sobre a cena punk do norte da California (EUA) e conta com depoimentos de grandes nomes como Jello Biafra, Fat Mike (NOFX), Rancid, entre outros. A produção fica a cargo do trio.

sábado, 17 de dezembro de 2016

Notícias do Rock

E o mundo do rock continua a todo vapor. Fique por dentro das principais novidades.


Por Davi Pascale           
                                                                                                                  

King Diamond no Brasil: ingressos a partir de segunda-feira




Nessa segunda, dia 19, abre para venda os ingressos do King Diamond no Brasil. Essa é a primeira vez que o musico vem ao país com seu show solo completo (na histórica apresentação do Monsters of Rock 1996 tocaram por 30 minutos apenas). O show promete ser bem especial, já que o artista promete tocar o clássico Abigail na íntegra. Os valores variam de R$300,00 à R$500,00 por pessoa (inteira). Os ingressos serão vendidos no site www.ticket360.com.br.  


Deep Purple divulga musica de seu próximo disco




Infinite chegará às lojas em 7 de Abril de 2017. Contudo, o Purple acaba de soltar, em primeira mão, uma musica de seu próximo álbum. A faixa traz um ‘q’ de volta às raízes com algumas passagens que remetem ao clássico “Pictures of Home”. Confira a seguir...


Ace Frehley de volta ao Kiss?




Sim, a novela continua. Aquela velha história... Paul Stanley e Gene Simmons negam até a morte. Eddie Trunk bota lenha na fogueira dizendo estar tudo acertado para o retorno ano que vem. Segundo o apresentador, ele estaria voltando para uma turnê de despedida. Em Novembro, por outro lado, Paul Stanley declarou que o Kiss solta novo disco de inéditas em 2017 e que renovaram o contrato com a Sixthman para realizaram cruzeiros até 2020. Ace declarou agora que recebeu um telefonema de Gene Simmons, onde o linguarudo dizia que iria assisti-lo em Janeiro e gostaria de reencontrá-lo. Foi o suficiente para a internet pegar fogo novamente. Aguardemos os próximos capítulos...


Nine Inch Nails lançará novo EP




Exatamente! Nine Inch Nails lançará um novo EP no dia 23 de Dezembro. Atendendo pelo nome de Not The Actual Events, o disco conta com 5 faixas gravadas pelo seu líder Trent Reznor e seu companheiro de longa data Atticus Ross. O material estará disponível nas plataformas digitais e poderá ser comprado em vinil no site oficial da banda.


Marillion lançará álbum ao vivo em Janeiro





Dia 20 de Janeiro de 2017, será lançado pela Ear Music, o novo álbum ao vivo do Marillion. O material que chegará às lojas em CD, DVD e Blu-ray foi gravado em 2015 na Marillions Weekend e traz o grupo interpretando, na íntegra, seu álbum Marbles (2004). O trabalho recebe o nome de Marbles In The Park.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Rolling Stones – Blue & Lonesome (2016):



Por Davi Pascale

Novo álbum dos Stones traz os músicos de volta ao blues. O material agrada, mas não tem a mesma força dos discos que fizeram no passado.

Não sou de ficar comparando, em termos de qualidade, o que os músicos fazem hoje com o que fizeram no passado. Claro que quando se trata de um ícone, minha expectativa é maior, por razões óbvias. Mas procuro não ficar comparando aos trabalhos clássicos. Por uma simples razão, todo mundo tem seu auge criativo. E também, tem alguns poucos artistas onde os músicos já fizeram tanto pela cena, que não devem mais nada à ninguém. O Rolling Stones certamente se enquadra nessa lógica, mas quando se trata de um disco volta à raiz, é muito difícil nos desligarmos do que fizeram antes. A comparação acaba sendo inevitável.

Para quem começou a ouvir musica nos anos 80, talvez a lembrança mais antiga do grupo britânico seja a de Mick Jagger fazendo suas dancinhas no clipe de “Start Me Up”. Entretanto, quem conhece a carreira deles um pouco mais à fundo, sabe que começaram tocando canções de blues. Entre eles; Willie Dixon e Jimmy Reed. Com o tempo, foram inserindo novos elementos no seu som, compondo mais, até que se tornaram a eletrizante e inconfundível banda que conhecemos.

Blue & Lonesome é um resgate dos primeiros anos da trupe de Jagger/Richards. Ou seja, é um álbum de blues. Contudo, o material não tem a mesma força de seus primeiros LP´s. Várias gravações de seus primeiros discos tornaram-se clássicos – como “I Just Want To Make Love To You” ou “Little Red Rooster” – e, honestamente, não vejo nenhuma música desse trabalho tornando-se um clássico no futuro. Obviamente, está muito bem gravado e muito bem executado, mas falta a famosa faixa de destaque.

Para compor o repertório, mais uma vez, recorreram aos seus heróis de infância. A maior parte vem de Little Walter, Howlin´ Wolf e Willie Dixon. O álbum foi produzido por Don Was (renomado produtor que já trabalhou com grandes nomes como Iggy Pop, Roy Orbison e Ringo Starr), além da dupla Jagger/Richards. Para quem não sabe, Glimmer Twins é um pseudônimo da dupla. Don já havia trabalhado com o grupo no (ótimo) Voodoo Lounge. A sonoridade é bem resolvida, mas apostaram em uma mixagem moderna. Os arranjos são old school, a timbragem e produção, não.

Mick Jagger está cantando incrivelmente bem. Charlie Watts entrega sua bateria típica. Simples, porém rapidamente reconhecível. A dupla Keith Richards e Ron Wood continua funcionando que é uma maravilha. O baixo ficou, mais uma vez, nas mãos do ultra-competente Darryl Jones. Qualidade é o que não falta.

O que me frustrou um pouquinho foi realmente o repertório escolhido. A escolha de canções não me empolgou. As minhas preferidas ficam por conta de “Everybody Knows About My Good Thing”, “Ride´Em On Down” e “Just Like I Treat You”. Essas são as que trouxeram um pouquinho da velha magia de volta, mas ainda assim não me fazem querer ligar o aparelho no último volume, saca? Em resumo, trabalho agradável, mas esperava mais. Mesmo!

Nota: 7,5 / 10,0
Status: Bom

Faixas:
      01)   Just Your Fool
      02)   Commit a Crime
      03)   Blue And Lonesome
      04)   All Of Your Love
      05)   I Gotta Go
      06)   Everybody Knows About My Good Thing
      07)   Ride ´Em On Down
      08)   Hate To See You Go
      09)   Hoo Doo Blues
      10)   Little Rain
      11)   Just Like I Treat You
      12)   I Can´t Quit You Baby

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Paula Toller – Paula Toller (1998):



Por Davi Pascale

Cantora do Kid Abelha demonstrava versatilidade em seu debut solo. Em trabalho curto, a artista convence ao transitar com eficiência entre o pop, o samba e o romântico.

Quando Paula lançou seu primeiro álbum solo, sua ideia era de que o material fosse nada mais, nada menos, do que um projeto paralelo. Na época, não tinha a intenção de construir uma carreira-solo. Queria apenas registrar algumas canções que não cabiam nos discos do Kid. Era uma curtição, uma satisfação pessoal. Tanto que não caiu na estrada para promover o CD. A única promoção do álbum foi o videoclipe de “Derretendo Satélites”, uma das duas faixas autorais do disco.

Em entrevista ao jornal carioca International Magazine, a artista explicou na época que havia optado por não fazer um trabalho autoral. Topou incluir duas musicas suas por insistência do produtor Guto Graça Mello, mas o que queria mesmo era registrar canções que ouvia na sua infância, antes de descobrir o rock. Na entrevista, Paulinha reconhecia seus limites vocais. “Às vezes, você adora a música, mas a música não adora você. Não adianta eu cantar Janis Joplin. Não tenho uma voz assim e não vou fazer bem”.

Embora seja muito atacada pelos críticos musicais, sempre gostei dela enquanto cantora. Nunca foi além do seu limite, nunca fez um trabalho esganiçado. E sempre gostei de sua voz. Singela, delicada, gostosa de ouvir.

Encarte assinado

Musicalmente, o disco transita por diferentes direções. “Derretendo Satélites” e “Oito Anos”, as duas que compôs para o CD são as mais pop, mas ainda assim bem distantes do trabalho de seu grupo principal. Os arranjos não são tão animados, as letras são mais introspectivas. Em “Derretendo Satélites” trazia um ar de erotismo, enquanto “Oito Anos” era exatamente o oposto. Uma letra extremamente inocente que escreveu em homenagem ao seu filho Gabriel.

Duas músicas do repertório norte-americano pousam aqui. “Patience”, balada do grupo Guns n Roses, ganhou uma pegada mais moderna, mais soturna, mas o grande momento mesmo é sua bela interpretação de “Fly Me To The Moon”. Standard que ficou conhecido na voz de Frank Sinatra e que ganhou uma linda interpretação de Paula Toller.

A bela abelha rainha voltava à sua infância ao registrar canções de Dominguinhos, Assis Valente e Dona Ivonne Lara. A loirinha brilha na alegre versão de “E O Mundo Não Se Acabou” e no arranjo romântico de “1.800 Colinas”. Duas versões inspiradíssimas!!!

Paula Toller foi realizado de maneira descompromissada, descontraída e, por isso mesmo, acabava funcionando incrivelmente bem. Era um trabalho despretensioso, sutil, mas muito bem acabado. Vale uma checada...

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Eclético

Faixas:
      01)   Derretendo Satélites
      02)   Fly Me To The Moon
      03)   Eu Só Quero Um Xodó
      04)   Oito Anos
      05)   Alguém Me Avisou
      06)   1.800 Colinas
      07)   E O Mundo Não Se Acabou
      08)   Onde Está A Honestidade
      09)   Patience
      10)   Cantar

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Albuns Clássicos: Julian Lennon – Valotte (1984):



Por Davi Pascale

Trago hoje, um texto diferente. Resolvi reviver a série Álbuns Clássicos. Já tinha um bom tempo que não escrevia nada sobre o gênero. Decidi escrever sobre um trabalho muito bacana, que mereceria ter um reconhecimento maior, ao invés de clássicos já manjados. O álbum de estreia de Julian Lennon.

Nos últimos tempos, têm se ouvido falar muito sobre o Sean Lennon – que inclusive lançou um álbum muito bacana ao lado do Les Claypool (Primus) recentemente – mas quase nada sobre o Julian, que, na minha opinião, sempre foi muito mais talentoso.

Para os fãs de Beatles, o trabalho de Julian também acaba sendo muito mais interessante. Já que sua voz é bem parecida com a do pai. Não, ele não força e, na real, isso durante um bom tempo foi um problema para ele, visto que muitos críticos o massacravam por isso. Principalmente, na fase do Valotte, certamente seu álbum mais bem sucedido até hoje.

O Valotte foi lançado em uma fase que a música pop atravessava um bom momento. Foi o ano em que Prince lançou o histórico Purple Rain, que Madonna arrancava suspiro dos marmanjos enquanto entoava os versos de “Like a Virgin”, que Phil Collins embalava os bailinhos ao som de “Against All Odds”. Foi no meio dessa cena que nasceu o debut de Julian Lennon. O LP chegou às lojas em 15 de Outubro de 1984.

As inevitáveis comparações com o pai ganharam uma dimensão ainda maior por conta do single de “Nobody Told Me” (Milk And Honey), lançado naquele mesmo ano. John havia sido assassinado há aproximadamente 4 anos e seu primeiro disco póstumo estava sendo lançado. Para piorar, o disco de estreia de Julian foi mixado no Hit Factory, mesmo estúdio em que John gravou Double Fantasy, seu ultimo LP.

O disco nos leva de volta aos anos 80, quase que imediatamente, quando nos deparamos com os sintetizadores de canções como “Well, I Don´t Know”. Mesmo assim, não se trata de um disco dançante, algo que estava em moda na época, Valotte é basicamente um álbum de pop/rock.

Julian foi quem escolheu Phil Ramone para a produção. O garoto havia gostado do trabalho que havia realizado em The Nylon Curtain (Billy Joel) e o convidou para o cargo. O renomado produtor pediu para ouvir algumas gravações e acabou gostando do material apresentado. As gravações ocorreram em 5 estúdios diferentes (Muscle Shoals Sound Studio, Bear Tracks Recording Studio, A&R Recording Studios, Clinton Recording Studios e o já citado Hit Factory) e duraram 6 meses.

As letras nasceram antes do disco. “Lonely” falava sobre quando se mudou para Londres em 1982, sem ter nenhum amigo ou familiar por perto. “Too Late For Goodbyes” falava sobre o término com sua até então recém namorada. "Well, I Don´t Know" foi inspirada em seu pai. Mais precisamente, sobre viver lidando com a sua morte. Julian é filho da primeira esposa de John, Cynthia Lennon. John e Julian eram distantes. Na letra, demonstrava certa mágoa ao questionar, "Você é parte da minha família?". Sobre a inspiração ao ex-Beatle, Julian Lennon reconheceu uma certa inspiração em Imagine. Segundo o cantor, queria o mesmo tipo de simplicidade,

O repertório é bem forte e destacam-se várias faixas como "Valotte", "Well I Don´t Know", "Too Late For Goodbyes", "Lonely", "Say You´re Wrong" e "Let Me Be". Na época, foi lançado um VHS bem bacana com o nome de Stand By Me: A Portrait Of Julian Lennon. Qualquer dia escrevo sobre ele por aqui. Por enquanto, aproveitem para reviver esse disco que é bem legal.

Faixas:
      01)   Valotte
      02)   Ok For You
      03)   On The Phone
      04)   Space
      05)   Well I Don´t Know
      06)   Too Late For Goodbyes
      07)   Lonely
      08)   Say You´re Wrong
      09)   Jesse
      10)   Let Me Be