terça-feira, 6 de outubro de 2015

Ana Cañas – Sesc Santo Andre (03/10/2015):



Por Davi Pascale
Foto Show: Natália Pepe (extraída da página oficial do Facebook da cantora)

Cantora paulista empolga platéia com novo show. Dona de uma ótima presença de palco e voz potente, a garota entra de cabeça no universo do rock n roll. Apresentação teve ingressos esgotados.

Quem compareceu ao Sesc Santo Andre no último sábado, se deliciou com uma bela apresentação da Ana Cañas. A influência de rock sempre esteve presente no seu trabalho, mas nunca de maneira tão evidente. Os violões deram espaço às guitarras distorcidas. Os covers de Edith Piaf e Chico Buarque sumiram. A banda diminuiu. O volume aumentou.

A garota fez o show que todo fã de rock gosta: direto e cheio de atitude. Sem atrasos, a moça subiu ao palco no horário previsto: 20h. Seu visual mudou um pouco desde seu DVD ao vivo (o bom Coração Inevitável). Embora continue com cabelos longos, roupa preta, tatuagem à mostra, estava com um visual mais despojado. O vestido longo deu espaço à uma roupa mais curta. O som, contudo, foi onde apresentou maior mudança. Quem foi ao show esperando uma apresentação de MPB, se espantou. Quem foi conferir de perto do que é capaz, se divertiu. E bastante!

A moça parece ser uma antítese contra toda a caretice que se encontra em boa parte da música brasileira atualmente. Carismática, conversa com a platéia entre as músicas. “Estou me acostumando à tocar em palcos maiores e teatro tem essa pegada mais intimista. Todo mundo quietinho. Da próxima vez, vou distribuir uns birinaites na porta pra ver se a galera sai dançando”, brincou, arrancando gargalhadas do publico. A garota não perdia o bom humor nem com as provocações dos rapazes da platéia. “Todo show tem esses loucos. Mas, beleza, louca atrai louco, certo?”.

Cantora no show do último sábado

Seu novo álbum, (o ótimo) Tô Na Vida, é seu primeiro álbum 100% autoral e já deixava claro sua aproximação com o rock n´ roll. Na verdade, ela sempre deu algumas dicas. Seu segundo disco, Hein?, já tinha uma vibe roqueira e contava com autoria do ex-Titãs Arnaldo Antunes em diversas faixas. Em seu terceiro trabalho, provocou o ouvinte ao entregar uma versão jazzística de “Rock n´ Roll” do Led Zeppelin. Quem acompanhou seu trabalho de perto, sacava que existia uma admiração pela cena desde sempre. No novo show, contudo, as eventuais dúvidas caem por terra. Seja pelo trabalho de guitarra de Lucio Maia (Nação Zumbi), seja pelo trabalho vocal de Ana. Endiabrada, a garota não consegue se segurar e ataca a voz para cima diversas vezes.

A nova banda é enxuta. Um guitarrista, um baterista, um baixista e nada mais. A artista ficou responsável por fazer segunda guitarra e violões em algumas canções. O set foi dividido misturando faixas do novo álbum com canções de seus antigos discos e que são essenciais em seus shows. Quase todas com uma dose extra de distorção. O clássico do Zeppelin, inclusive, ganhou uma nova cara, resgatando o espírito roqueiro, mas sem se prender ao arranjo original. Não faltaram músicas como “Será Que Você Me Ama”, “Urubu Rei”, “Esconderijo”, “Existe”, “Coisa Deus” e “O Som do Osso”. Durante sua nova faixa de trabalho, “Tô Na Vida”, Ana convidou ao palco Mabel. A garotinha de apenas 11 anos, filha do guitarrista, estava visivelmente assustada, mas se saiu bem e foi bastante aplaudida.

Durante aproximadamente 100 minutos, a cantora entregou um espetáculo divertido, profissional, cheio de garra e atitude. Nos anos 90, a falecida Cássia Eller conseguiu ganhar a admiração do publico das duas vertentes. Embora tenha características diferentes da cantora carioca, Ana Cañas tem de tudo para repetir o feito. Vejamos o que o futuro aguarda.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Notícias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Avenged sevenfold já tem novo baterista, mas não revela nome

Os membros do A7X: Novo baterista já escolhido
Os californianos do Avenged Sevenfold estão sem um baterista desde julho, quando anunciaram a saída de Arin Ilejay do posto. Mas a banda revelou agora que eles já tem um substituto escolhido desde o ano passado. A banda ainda não revelou seu nome, mas soltou um comunicado agradecendo aos interessados que enviaram vídeos tentando audições com a banda, em especial o de um fã, soldado do exercito americano, que sonhava em tocar com o grupo e que viralizou na internet.

Torture Squad anuncia nova formação com vocal feminino

A nova formação do Torture Squad
A banda de death/thrash brasileira Torture Squad surpreendeu os fãs ao anunciar dois integrantes para a vaga do ex-vocalista e guitarrista André Evaristo. Eles são o guitarrista Rene Simionato e a vocalista May Puertas, ex-Necromesis. É a primeira vez que uma mulher faz parte da formação da banda, o que fez muita gente lembrar o caso do Arch Enemy, que era liderado por Johan Liiva antes de dar lugar a Angela Gossow em 2000. A nova formação estreia em Florianópolis, no dia 19 de novembro.

Novo álbum do Avantasia terá participação de Dee Snider

O Avantasia, projeto de power metal liderado por Tobias Sammet, anunciou que um dos vocalistas que fará participação no novo álbum é o icônico Dee Snider, do Twisted Sister. O músico interpretará um fantasma na historia de “Ghostlights”, a opera metal que será lançada em janeiro de 2016. Outros nomes também já confirmados são Michael Kiske e o guitarrista Geoff Tate, ex-Queensrÿche .

Megadeth divulga primeira música do novo disco

Capa de "Dystopia
Nessa semana o Megadeth divulgou a primeira música de seu novo álbum, “Dystopia”, que será lançado no dia 22 de janeiro de 2016. Esse é o primeiro álbum da banda com a nova formação, que conta com o baterista do Lamb of God, Chris Adler, e o guitarrista brasileiro Kiko Loureiro, do Angra. Confira a lista das faixas e o áudio da nova música abaixo.


01. The Threat Is Real
02. Dystopia
03. Fatal Illusion
04. Death From Within
05. Bullet To the Brain
06. Post American World
07. Poisonous Shadows
08. Look Who's Talking
09. Conquer Or Die
10. Lying In State
11. The Emperor
12. Last Dying Wish
13. Foreign Policy

Bruno Sutter lança croudfunding para primeiro disco solo

Bruno Sutter
O músico e humorista Bruno Sutter havia prometido lançar um disco solo caso fosse eleito melhor vocalista nacional em uma enquete no site Whiplash. Pois ele conseguiu, e como promessa é divida, o interprete do Detonator está começando a trabalhar no projeto. Ele iniciou um croudfunding como pré-venda para juntar dinheiro para a produção, que será independente, e mostrará a habilidade dele como músico de metal fora do personagem que o fez tão popular. Dentre os prêmios para quem doar, estão a possibilidade de gravar um solo de guitarra em uma das músicas e de cantar um refrão no disco. Se quiser contribuir, basta clicar aqui.

domingo, 4 de outubro de 2015

Chris Cornell – Higher Truth (2015):



Por Davi Pascale

Vocalista lança seu primeiro trabalho de inéditas desde o polêmico Scream (2009). Novo álbum aposta em caminho intimista e, apesar da qualidade, deve dividir fãs.

Chris Cornell despontou no cenário ao lado do Soundgarden. Não exista quem tenha vivido à era grunge e não tenha esgoelado canções como “Outshined” e “Jesus Christ Pose”. De lá para cá, o rapaz fez de tudo. Encerrou o Soundgarden, se lançou como artista solo, esteve à frente de um supergroup (Audioslave), voltou com o Soundgarden. Seus discos solo sempre tiveram uma sonoridade mais afastada do grupo que o tornou famoso. E aqui não é diferente.

Não se deixe enganar pelo nome de Brendan O´ Brien. Sim, o rapaz é o responsável pela produção do álbum. Sim, esse mesmo rapaz foi o responsável pela produção de álbuns emblemáticos da cena grunge como VS (Pearl Jam), Vitalogy (Pearl Jam), Purple (Stone Temple Pilots). Também foi o responsável por ótimos trabalhos dos anos 90 fora desse cenário como Evil Empire (Rage Against The Machine) e o álbum de estréia do Jackyl. Entretanto, Higher Truth é um álbum predominado por violões, com arranjos repletos de orquestrações, bandolins, bongô, pianos e até uma leve programação em alguns momentos.

Chris Cornell volta mais calmo em seu novo trabalho

Se você está acostumado com aquele Chris Cornell gritando em cima de bases super pesadas, passe longe. Se você curte a voz dele, seu estilo de composição e curte seus primeiros trabalhos solo, vá fundo. Higher Truth é um disco calmo, meio intimista, nos remetendo bastante ao Euphoria Morning (1999). Praticamente, um disco de baladas.

Não precisa se assustar com a palavra programação. Não estão presentes em todas as músicas e quando aparece é de maneira sutil. Depois do fracasso de Scream, que o músico produziu ao lado de Timbaland, parece que aprendeu a lição. Não está tentando soar moderninho, nem temos efeitos cobrindo sua voz. Pelo contrário, o álbum apresenta uma sonoridade meio retro com bastante influência de folk, com um ‘q’ de soul em alguns momentos. Algo que é a cara do vocalista. De certa forma, dá uma espécie de continuação ao álbum Songbook (2011). Está privilegiando mais as melodias e suas linhas vocais estão mais cantadas, menos gritadas.

Higher Truth é um álbum bem produzido, com canções super agradáveis, mas conta com um pé no pop. Aquele disco que é super bacana para ouvir na estrada ou até mesmo de manhãzinha. Disco lindíssimo, mas para admirá-lo, é preciso esquecer que esse cantor é um dos ícones do movimento grunge. Faixas de destaque: “Dead Wishes”, “Muderer of Blue Skies”, “Higher Truth”, “Bend In The Road” e “Before We Disappear”.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Relaxante

Faixas:
      01)   Nearly Forgot My Broken Heart
      02)   Dead Wishes
      03)   Worried Moon
      04)   Before We Disappear
      05)   Through The Window
      06)   Josephine
      07)   Murder of Blue Skies
      08)   Higher Truth
      09)   Let Your Eyes Wander
      10)   Only These Words
      11)   Circling
      12)   Our Time In The Universe
      13)   Bend In The Road
      14)   Wrong Side
      15)   Misery Chain    
      16)   Our Time In The Universe - Remix

sábado, 3 de outubro de 2015

Gloryhammer - Space 1992: Rise of the Chaos Wizards (2015)

Por Rafael Menegueti

Gloryhammer - Space 1992: Rise of the Chaos Wizards
Algumas pessoas pensam que o power metal é um estilo que tem se tornado repetitivo e saturado. O uso de tantos clichês e temáticas parecidas tem feito com que muita gente começasse a duvidar do futuro do gênero. Eu particularmente acho que o power metal tem conseguido lidar com isso usando um pouco mais de criatividade nos últimos anos, as vezes até brincando com seus próprios clichês. E esse é bem o caso do Gloryhammer, banda escocesa da qual falo hoje, e que acaba de lançar seu segundo álbum, “Space 1992: Rise of the Chaos Wizards”.

O grupo foi fundado por um cara que sabe como brincar com isso como ninguém: Christopher Bowes, vocalista da banda de pirate metal Alestorm, e que nessa fica incumbido dos teclados. O estilo de suas composições, com uma leve influência folk, é facilmente perceptível nas faixas. Mas no lugar das letras sobre aventuras de piratas e bebedeira de seu projeto mais conhecido, aqui entra a velha historia de fantasia com batalhas épicas e criaturas como dragões e duendes.

A historia é uma continuação que se passa em um futuro distante dos acontecimentos do primeiro álbum, “Tales From the Kingdom of Fife” (2013), que contava a historia do herói Angus McFife. Agora, seu descendente Angus McFife XIII entra em uma batalha intergaláctica na qual... Bem, já dá pra entender por onde isso vai né? A grande sacada aqui não está na historia, e sim em seu tratamento.

Quando o videoclipe do single “Rise of The Chaos Wizards” foi lançado, um comentário a respeito da faixa que vi foi: “Essas letras são ridículas, e eu adorei isso.” E é exatamente esse o grande detalhe. O Gloryhammer é uma parodia, não deve ser levado a sério. É só olhar pro figurino deles pra perceber (foto abaixo). Mas ao mesmo tempo, a qualidade das composições e de sua execução são imensas, as tornando algo digno de ser levado a serio sim. E os fãs de power metal não estão nem aí se isso é clichê ou não. O que eles gostam e esperam é exatamente isso.

Os membros do Gloryhammer devidamente trajados
O aspecto humorístico da banda é apenas um detalhe depois que analisamos sua sonoridade. As composições são divertidas e não há aqui aquele exagero de pretensões com proporções épicas que esse tipo de power metal às vezes apresenta. Os riffs são bons e despretensiosos, os solos de guitarra são precisos e inseridos na hora certa, os teclados idem. Um grande alicerce da banda é o vocalista Thomas Winkler. Devidamente caracterizado como Angus McFife XIII, seus vocais são potentes e eficientes na medida de que ele sabe usar seu talento sem abusar dele, criando uma ótima atmosfera de empolgação que as canções pedem.

E se ainda resta alguma dúvida de que a banda não tem nenhuma outra pretensão maior do que divertir os fãs do estilo, basta ouvir “Universe On Fire”, uma música que explora uma mistura de metal e pop dos anos 80/90 com um leve toque sacana digno das composições de Christopher Bowes, formando um dos pontos mais altos do disco. E quem conhece o cara sabe que ele já é uma grande (e genial) paródia ambulante. No demais, “Space 1992: Rise of the Chaos Wizards” é um disco de power metal que repete uma velha fórmula sem parecer chato nem ultrapassado, um deleite para os apaixonados pelo gênero.


Nota: 8,5/10
Status: Preciso e bem feito

Faixas:
01. Infernus ad Astra
02. Rise of the Chaos Wizards
03. Legend of the Astral Hammer
04. Goblin King of the Darkstorm Galaxy
05. The Hollywood Hootsman
06. Victorious Eagle Warfare
07. Questlords of Inverness, Ride to the Galactic Fortress!
08. Universe on Fire
09. Heroes (of Dundee)
10. Apocalypse 1992
11. Dundax Aeterna (hidden track)

CD Bônus Versão Limitada (versões orquestrais do CD 1)
01. Main Title
02. The Attack on Triton
03. Angus McFife XIII's Theme
04. An Evil Wizard Does a Quest
05. The King of California
06. Ser Proletius Returns
07. Lords of Space and Time
08. To Claim Space Throne
09. An Epic War is Fight
10. Dundee Will Fall

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Wilko Johnson & Roger Daltrey – Goin´ Back Home (2014):



Por Davi Pascale

Músicos se unem para projeto despretensioso e acabam entregando um dos melhores álbuns de rock dos últimos tempos. Direto e nostálgico, o trabalho deve agradar aos fãs de rock n roll dos anos 60.

Em 2010, Roger Daltrey e Wilko Johnson se conheceram durante uma premiação. Ao começarem a conversar sobre música, os dois repararam que havia algo em comum: ambos amavam a música de Johnny Kidd & The Pirates. Dali, nasceu a vontade de fazer algo juntos, o que demoraria três anos para acontecer (as gravações ocorreram em 2013). Por uma ironia do destino, Daltrey já havia trabalhado com músicos que fizeram parte da vida de Wilko, mas nunca havia trabalhado com o próprio. Em seu álbum Parting Should Be Painless (1984), Norman Watt-Roy e Mick Gallagher, baixista e tecladista dos Blockheads, haviam participado da gravação. Assim como Ian Dury, que havia participado de alguns backings. Norman volta a dar as caras por aqui. Completam o time; o baterista Dylan Howe (também dos Blockheads), o tecladista Mick Talbot (Style Council) e o gaitista Steve Weston.

Roger Daltrey ficou mundialmente conhecido por ser vocalista do icônico The Who. Um dos principais nomes da British Invasion. Wilko Johnson é daqueles músicos que quase nunca são citados, mas que é venerado por diversos artistas. Sua banda Dr Feelgood é considerada influencia direta para grandes nomes da cena britânica com The Jam e The Clash. Uma das marcas registradas do rapaz é o fato de não utilizar palheta para tocar.

Roger Daltrey e Wilko Johnson se destacam com projeto despretensioso

Gravado em apenas uma semana, o disco demonstra todo um ar de descontração, quase uma jam. Os músicos mantiveram a estrutura dos velhos discos. 11 faixas, pouco mais de 30 minutos de duração. A influência de Johnny Kidd aparece nas 2 primeiras faixas. “Goin´ Back Home” é uma parceria com Mick Green, um dos Pirates. Já “Ice On The Motorway” traz resquícios de “Shakin´ All Over” no riff principal. Músicas como “I Keep It To Myself”, “Keep On Loving You” e “Everybody´s Carrying a Gun” deixam explícito o amor que ambos possuem pelo blues. A maioria das composições são de Wilko Johnson. A única exceção é “Can You Please Crawl Out Your Window?”, uma velha canção de Dylan.

Roger Daltrey, atualmente com 71 anos, vem sofrendo críticas sobre suas cordas vocais há alguns anos. Realmente, cantar o material que escreveu ao lado de Pete Townshend, nessa altura do campeonato deve ser bem difícil para o rapaz. Independente de qualquer coisa, deixe a cisma de lado e escute o álbum. O estilo combinou perfeitamente com sua voz. Daltrey fez um ótimo trabalho vocal no disco. Wilko também rouba a cena com ótimos riffs. Outro que merece menção é Steve Weston, o mais jovem da turma, faz a diferença em canções como "Some Kind of Hero" e na já citada "I Keep It To Myself".

Na época em que gravaram o disco, Wilko (também conhecido por atuar na série Game Of Thrones) estava com um câncer no pâncreas e havia anunciado à imprensa que seu estado era terminal. O musico chegou, inclusive, a anunciar uma turnê de despedida. Felizmente, o rapaz resolveu arriscar uma cirurgia para a retirada do tumor e o resultado deu certo. Durante a premiação Q Awards, o músico declarou: “Foi uma operação de 11 horas. O tumor pesava 3 quilos, o tamanho de um bebê”. Aparentemente, o músico desistiu da idéia de aposentadoria. Sendo assim, torcemos para que em breve nos brinde com mais álbuns como esse.

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Empolgante

Faixas:
      01)   Going Back Home
      02)   Ice On The Motorway
      03)   I Keep It To Myself
      04)   Can You Please Crawl Out On Your Window
      05)   Turned 21
      06)   Keep On Loving You
      07)   Some Kind of Hero
      08)   Sneaking Suspicion
      09)   Keep It Ought Of Sight
      10)   Everybody´s Carrying a Gun       
      11)   All Through The City

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Metal Allegiance – Metal Allegiance (2015)

Por Rafael Menegueti

Metal Allegiance
Essa parece ser uma época em que os supergrupos estão na moda. Teenage Time Killers e Hollywood Vampires já lançaram seus discos esse ano. E agora é a vez do Metal Allegiance. A princípio pode parecer só mais uma reunião de músicos famosos, como já vinha ocorrendo com o “Metal All Stars”, que saem em turnê tocando velhos clássicos e enchendo shows com a atenção que chamam. Mas aqui vemos um nível maior de dedicação que vai alem dessa ideia.

A base da banda é formada por três músicos excepcionais: o baterista Mike Portnoy, o guitarrista do Testament, Alex Skolnick, e o baixista do Megadeth, David Ellefson. O grupo começou fazendo vários shows com diversos convidados tocando covers de sucessos do metal (aquilo que eu já havia comentado pouco acima), mas eles não se limitaram a isso ao entrar em estúdio. Com a ajuda do compositor Mark Menghi, o grupo criou músicas próprias, e deu vida a elas acompanhados de uma verdadeira legião de grandes nomes do metal.

Só pra adiantar alguns nomes, temos Steve “Zetro” Souza (Exodus), Phil Anselmo, Chuck Billy (Testament), Matt Heafy (Trivium), Randy Blythe (Lamb of God), Cristina Scabbia (Lacuna Coil) e Alissa White-Gluz (Arch Enemy), entre outros, fazendo os vocais. Alguns guitarristas consagrados também emprestam seu talento nas músicas, como Andreas Kisser (Sepultura), Gary Holt (Exodus e Slayer) e Bumblefoot (ex-Guns ‘N Roses).

Logo de cara o disco abre com uma porrada comandada pelos vocais rasgados de Randy Blythe. “Gift of Pain” é uma faixa que encaixou muito bem na voz dele, o que é algo que pareceu ser pensado em todo o disco. As faixas tem um estilo claramente voltado ao groove e thrash metal, mas em cada uma das canções é possível perceber como elas são moldadas para serem compatíveis com cada um dos vocalistas que as interpretam.

Troy Sanders é quem canta em “Let Darkness Fall”, uma faixa que poderia facilmente entrar no repertorio do seu Mastodon, e que tem um belo solo de guitarra espanhola. Outra que soa bem apropriada é“Can’t Kill The Devil”, com Chuck Billy do Testament, um thrash digno dos melhores tempos do gênero nos anos 90. Já “Dying Song” é um som mais arrastado, que traz Phil Anselmo com um vocal mais limpo no início e mais agressivo a partir do meio, e é a primeira participação de Andreas Kisser na guitarra no álbum.

Menghi, Portney, Skolnick e Ellefson são os nomes por trás do projeto
O disco ganha um ar de metal moderno em faixas como “Destination: Nowhere”, que tem Matt Heafy do Trivium nos vocais, e “Wait Until Tomorrow”, que apresenta a interessante dobradinha entre Doug Pinnick (King’s X) e Jamey Jasta (Hatebreed). A primeira mostra bem a capacidade de Matt como vocalista, que deixou de lado os gritos e trouxe um estilo mais limpo. Já a segunda tem um bom contraste entre as épocas, sendo Doug mais antigo e Jamey mais atual. Outro dueto interessante fica por conta de “Scars”, que une Mark Osegueda (Death Angel) e a italiana Cristina Scabbia. A faixa é bem diferente daquilo que a cantora apresenta em sua banda, mas funcionou bem com Mark sendo o alicerce dos versos e ela levantando a faixa no refrão e ponte. Mark ainda volta em “Pledge of Allegiance”.

A única canção instrumental do disco é “Triangulum”, que ao longo de seus mais de sete minutos parece buscar a perfeita combinação do estilo clássico com o moderno, inserindo vários estilos em riffs e solos de guitarras combinando nomes como Phil Demmel (Machine Head), Bumblefoot, Matt Heafy, Ben Wienman e Charlie Benante. E pra encerrar, uma ótima homenagem a Ronnie James Dio, com uma cover de “We Rock” contando com vários vocalistas. A maioria aparece apenas nessa faixa, como Alissa White-Gluz, Chris Jericho, Steve “Zetro” Souza, e Tim “Ripper” Owens. Ainda tem solos de guitarra de Phil Demmel e Andreas Kisser. Um belo modo de encerrar o disco.

“Metal Allegiance” é um supergrupo que não celebra apenas o metal, como se pode imaginar. Ele mostra um pouco de sua evolução e riqueza, unindo gerações de músicos e vertentes. As composições não são apenas para preencher o trabalho, elas são independentes e bem elaboradas, tendo cada uma suas próprias virtudes. É um disco de metal preciso e sério, e ao mesmo tempo divertido e despretensioso. Todo fã do estilo precisa conferir essa ótima ideia.



Nota: 9/10
Status: Empolgante

Faixas:
01. Gift Of Pain
02. Let Darkness Fall
03. Can't Kill The Devil
04. Dying Song
05. Scars
06. Destination: Nowhere
07. Wait Until Tomorrow
08. Triangulum (I. Creation ;II. Evolution ;III. Destruction)
09. Pledge Of Allegiance
10. We Rock (Dio Cover)

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

David Gilmour – Rattle That Lock (2015):



Por Davi Pascale

Guitarrista do Pink Floyd lança seu quarto disco solo. Álbum é sólido, traz poucas surpresas, e deve agradar seus tão fiéis admiradores.

Prestes a fazer sua primeira turnê pelo Brasil, músico lança seu primeiro trabalho de inéditas desde On An Island. Não parece, mas já se passaram quase dez anos que seu trabalho anterior chegou às lojas. A essência continua a mesma. De novidade, apenas uma influencia jazzística aqui e ali, mas nada capaz de descaracterizar seu trabalho.

Sim, esse é um trabalho solo de um guitarrista, mas não espere nada pesado, nem virtuose. Quem conhece sua obra, sabe que ele é justamente o oposto dessa idéia. Sua guitarra sempre foi dona de uma sonoridade única e o músico sempre se preocupou mais onde colocar cada nota do que quantas notas colocar. Os arranjos continuam calmos, viajantes, do jeito que seus fãs gostam.

Polly Samson, esposa de Gilmour, aparece mais uma vez como letrista. A moça que havia feito sua estréia em The Division Bell, afirmou em algumas entrevistas que seu marido a deixou mais à vontade dessa vez do que nas demais, não ficou tanto no controle sobre o que retratar. Quem faz sua estréia aqui é Gabriel Gilmour. Exatamente, seu filho é o responsável pelo piano da jazzística “The Girl In The Yellow Dress”, talvez a que mais se distancie de sua obra. A canção tem um ar meio Diana Krall, não é exatamente o que esperamos de David Gilmour, mas a faixa é bonita.

Esposa do cantor ataca novamente como letrista

Muitos não gostam que os artistas se aventurem pouco em termos de ousadia. Portanto, não estranhe se muitos críticos começarem a malhar o disco por aí. Acho muito difícil criticar um artista por esse prisma. Cada caso é um caso. Mais importante do que ficar inventando moda, acredito que seja entregar um trabalho honesto e de qualidade. E é exatamente isso o que temos aqui.

“Today” e “Rattle That Lock” são donas dos momentos mais pops do disco, mas não se preocupem. Não há nada de modernidade, nem de pasteurizações. É aquele pop pinkfloydiano oitentista que seus fãs tanto gostam. O disco se inicia e se encerra com uma faixa instrumental. Tanto em “5 AM”, quanto em “And Then...”, Gilmour demonstra uma sensibilidade fora do comum em seus solos justificando a babação de ovo em cima dele nas últimas décadas.

David Gilmour disse que esse álbum é mais variado que os demais. Realmente, existem influencias diversas no disco, mas estão na costura das canções. Você não vai encontrar uma canção folk, uma prog, uma pop, uma jazz, mas certamente irá encontrar todos esses elementos espalhados nas canções. A única exceção é realmente “The Girl In Yellow Dress”.

Gilmour continua roubando a cena com solos inspirados

Não estranhe se encontrar um ar meio beatle em “Dancing Right In Front of Me”. Além de ter lançado recentemente uma versão para “Here, There And Everywhere” gravada com seu filho Joe, o músico já tocou ao lado de Paul McCartney e revelou que gostaria de ter sido um beatle em algumas entrevistas.

Contando com a co-produção de Phil Manzanera (Roxy Music), Gilmour mistura gravações caseiras (o piano foi gravado em sua sala há 18 anos) com gravações realizadas em estúdios profissionais e entrega aos seus fãs aquilo que esperavam. Contando com participações sutis de grandes nomes como David Croby, Graham Nash e até mesmo do falecido Richard Wright, o rapaz entrega um trabalho bonito e sólido. Levando em contas que ele levou cinco anos para compor esse disco e seu ultimo trabalho foi lançado há quase dez, arrisco dizer que esse é seu último disco. Se for, encerra a carreira em alto estilo.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Inspirado

Faixas:
      01)   5 Am
      02)   Rattle That Lock
      03)   Faces of Stone
      04)   A Boat Lies Waiting
      05)   Dancing Right In Front of Me
      06)   In Any Tongue
      07)   Beauty
      08)   The Girl In The Yellow Dress
      09)   Today
      10)   And Then…