domingo, 13 de abril de 2014

Courtney Love – 10 Anos de America´s Sweetheart (2004)





Por Davi Pascale

Não parece, mas já se passaram 10 anos que Courtney Love soltou seu primeiro e – até agora – único trabalho solo. O resultado não poderia ser diferente. Não existe meio termo no mundo de Courtney Love. É o famoso ame ou odeie. E o resultado foi exatamente esse. Muitos amaram, muitos odiaram (inclusive, a própria cantora). Para variar, o disco veio cercado de polêmicas. E dava para ser diferente?

America´s Sweetheart começou a ser trabalhado em 2001, levando quase 3 anos para chegar às lojas. A sonoridade é como se fosse um best of de toda sua carreira. Oras pesado e veloz, oras mais lento com as guitarras alternando entre o som limpo e a distorção. Seus vocais continuavam os mesmos. Oras sutis e escorregadios, oras raivosos, berrados como se não existisse o amanhã.

Muitos olham com desdém para o seu trabalho por conta de sua fama de arruaceira. Há, inclusive, quem a acuse de ter assassinado Kurt. Como já havia escrito em um outro artigo por aqui, acho essa hipótese de envolvimento no suposto homicídio de seu ex-marido uma babaquice sem tamanho. Agora, essas figuras polemicas e cheias de mistério, muitas vezes são interessantes. Afinal... o que seria do rock n roll sem essas figuras emblemáticas? 

Courtney Love estava viciada em cocaína na época das gravações

 Courtney tem uma postura rock n roll, dentro e fora dos palcos, que para falar a verdade sinto falta nos artistas atuais. Lembro de ter comentado sobre essa postura apática das bandas, inclusive, enquanto assistia aos shows da última edição brasileira do festival Lollapalooza. Tudo bem, algumas bandas até tocavam direitinho. Mas onde está aquele cara que sobe aos palcos, pega o microfone e rouba a cena? Que faz você não querer desgrudar os olhos dele? A cena grunge tinha bastante disso, mas depois que os Strokes invadiram as rádios, isso tem se tornado cada vez mais raro. Sua postura no palco é imprevisível. Ela pode elogiar artistas pop, xingar artistas de rock, jogar a guitarra do nada e sair andando, levantar a blusa e mostrar os seios. Já teve até uma história de que ela havia gostado do boné que um fã estava usando em um de seus shows e fez uma troca pela calcinha que estava usando no dia. Enfim, tudo pode acontecer.

O mais legal de tudo é que ela é assim. Não é aquele personagem forjado para pagar de malvado em frente às câmeras que depois vai para casa comer sucrilhos, beber leite e comentar o programa da Oprah. Tanto que essas confusões já lhe renderam vários problemas pessoais como o fato de ter perdido a guarda de sua filha (há quem diga que ela chegou a sofrer uma overdose na frente da garota), inúmeros ataques públicos de artistas e ex-maridos. Teve ataques, inclusive, com o cara com quem estava nesse período, e que ajudou na produção do disco, Jim Barber.

As drogas também atormentaram à todos durante a gravação desse material. Um dos motivos dela não gostar do álbum se deve ao fato de que ela não acompanhou a produção do mesmo. Não acompanhou a escolha das músicas, a mixagem e nem mesmo a escolha da capa. Segundo ela mesma reconheceu mais tarde, por estar chapada de cocaína todo o tempo. A gravadora não quis ficar esperando ela se reencontrar e terminaram o álbum sem ela, atitude que deixou a cantora louca.

Courtney não gosta do álbum

Courtney Love gosta de dizer que o disco tem boas músicas, mas que a sonoridade ficou muito magra. Realmente não tem toda aquela sujeira de Pretty On The Inside, mas não é muito distante da sonoridade de Celebrity Skin, para dizer a verdade. Quem gostou daquele álbum, tem de tudo para gostar desse. Para falar a verdade, nem sei se ele pretendia voltar para aquela sonoridade suja e agressiva do debut do Hole. Eu acho que não, porque no time que ela escolheu para trabalhar nesse álbum tinham nomes que iam desde o guitarrista do MC5 Wayne Kramer até o letrista de Elton John, Bernie Taupin. Isso tudo sem citar a presença de Linda Perry (ex-cantora do 4 Non Blondes, que nesse momento já ganhava dinheiro produzindo Christina Aguilera e Pink) e de suas ex-companheiras Pet Schemel e Samantha Maloney. Ou seja, seus convidados iam do pop ao punk. Acredito que esse mistura de som pesado e, ao mesmo tempo, comercial era sua meta desde o princípio.

Entre as letras, a mais lembrada é certamente a de “But Julian, I´m a Little Older Than You”. Uma crítica à então nova cena de rock do momento. A cantora ironizava as bandas rock de garagem que ficavam desenhando visual, que subiam no palco todos engomadinhos. America´s Sweetheart é puro Courtney Love. Oras agressivo, oras calmo. Oras polêmicos, oras engraçado. E sempre espontâneo e cativante. Belo álbum!    

sábado, 12 de abril de 2014

Anette Olzon – Shine (2014)

Por Rafael Menegueti

Anette Olzon - Shine
O Nightwish é pagina virada na vida da sueca Anette Olzon. Após sua polêmica e confusa saída da banda, em 2012, ela finalmente lança seu primeiro álbum solo, deixando pra trás sua imagem ligada à banda finlandesa. “Shine” é totalmente diferente do que os fãs do Nightwish ouviram de Anette durante sua passagem nos vocais do grupo.

O disco mostra uma cantora bem apegada ao lado melódico, caminhando entre um som mais rock alternativo e passagens mais pop. Bem distante do metal sinfônico ao qual todo mundo se acostumou em ouvi-la. Logo na primeira faixa, “Like A Shadow Inside My Head”, é possível ver essa nova abordagem da cantora. Ela parece bem mais a vontade com esse estilo.

Anette tem uma excelente voz, e o disco está bem a sua cara. Leve, suave e bem produzido, com faixas cativantes e boas letras. “Lies”, primeiro single tirado desse trabalho, é um ótimo exemplo do novo estilo que Anette trás às suas músicas. A sonoridade meio alternativa, meio gótica me lembra bastante outra grande banda desse gênero, o The Gathering. Alias, imagino que esse estilo seja muito subestimado, pois são inúmeros os exemplos de ótimos artistas com essa proposta que não recebem a atenção que mereceriam.

Voltando a falar de “Shine”, o disco tem faixas que chamam a atenção pelos arranjos sinfônicos também, casos de “Hear Me” e “Invincible”, por exemplo. Em faixas como “Falling” e “Shine” a cantora investe em momentos um pouco mais rock n’roll, um pouco mais animados do que a melodia que atravessa quase todo o disco. E Anette mostra que a força de sua voz está mesmo em coisas mais simples do que o metal.

Anette está bem a vontade com seu novo estilo em "Shine"
O folk é uma das influencias mais claras desse disco, algo facilmente observado em canções como “Moving Away” e “Floating”, que tem ritmos bem interessantes. O disco como um todo é bem coeso e radiofônico, o que creio ser um enorme acerto da cantora, que leva jeito para isso. “One Million Faces” trás ao disco o momento “balada ao piano” que ele pedia. Talvez essa seja a única faixa que lembra um pouco o que ela fazia no Nightwish, mas mesmo assim, ainda bem distante. O disco fecha com a bela “Watching Me From Afar”, uma das faixas mais fortes do disco, elevada justamente pela voz de Anette.

Os fãs do Nightwish que gostavam dela deverão se sentir satisfeitos com o resultado. E os que não gostavam deveriam ouvir também, quem sabem assim parem de bobagens e reconheçam o talento da sueca. O disco pode não ser uma grande obra prima, mas é agradável, simples e, sem dúvida, coloca a cantora em um estilo o qual parece ser bem mais a praia dela. Vale a pena conferir.

Nota: 8,5/10
Status: relaxante
Faixas:

1. Like A Show Inside My Head
2. Shine
3. Floating
4. Lies
5. Invincible
6. Hear Me
7. Falling
8. Moving Away
9. One Million Faces

10. Watching Me From Afar 

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Kiss: Provocações marcam premiação do Rock n Roll Hall of Fame



Por Davi Pascale

A banda mais quente do mundo finalmente foi nomeada ao Rock n Roll Hall of Fame, mas não do jeito que desejavam. Durante a premiação, os integrantes do Kiss trocaram farpas e fizeram provocações à instituição. Já era esperado tendo em vista que os músicos dividiam opinião (Paul e Gene de um lado, Ace e Peter de outro). Quem acompanhou todas as discussões da imprensa já esperava que a premiação fosse no mínimo polêmica. E foi...

Para quem não está por dentro do assunto, um breve resumo. Depois de muita polêmica e discussão finalmente os mascarados foram indicados ao Rock n Roll Hall of Fame. Todo mundo sabe que Paul Stanley não morre de amores pela premiação. Em recente entrevista à rádio WAXK FM, de Nova Iorque, starchild declarou: “É um nome bem impressionante, mas não é o Rock And Roll Hall Of Fame das pessoas. As pessoas na rua não conhecem metade das que estão lá. É um clube muito pequeno que decide quem eles querem lá dentro e quem não querem”. Sua principal mágoa é que os organizadores não permitiram que todos os músicos que passaram pela história do Kiss recebessem a homenagem. “Eles querem celebrar, com má vontade, os quatro originais. Estou celebrando 40 anos. Estou celebrando membros que tocaram na banda em álbuns multiplatinas. Um deles morreu de câncer aos 40 anos”. 

O Rock n Roll Hall of Fame tentou forçar os músicos à se apresentarem ao lado dos integrantes originais. Paul e Gene queriam se apresentar com a formação atual e convidar os integrantes originais para tocar uma musica. “Estávamos dispostos a tocar com Tommy Thayer e Eric Singer e trazer Peter e Ace para se juntar à banda, em maquiagem”. Essa não seria a primeira vez que o grupo tocaria uma musica como sexteto. No MTV Unplugged de 1995, Ace e Peter haviam tocado uma musica ao lado de Bruce Kulick e Eric Singer. Ace e Peter, contudo, não toparam a canja dessa vez e atacaram Stanley e Simmons publicamente. A atitude gerou fúria dos fãs que acreditavam que a dupla Stanley e Simmons estariam renegando o passado. Mesmo a historia não sendo bem essa. O que a dupla queria era celebrar toda a história do grupo. De 1974 à 2014. E não apenas um trecho da trajetória. A solução encontrada foi a de não se apresentar ao vivo. Comparecer somente para receber o troféu.

O primeiro a discursar foi o baixista Gene Simmons. Conhecido por suas declarações polêmicas (embora seja verdade que muita gente transforma em polemica frases que ele diz de gozação), foi bem educado dirigindo-se à Ace como guitarrista “cujo estilo de tocar foi imitado por varias gerações de guitarristas em todo o mundo” e ao Peter como alguém de estilo único. “Ninguém tem aquela ginga, aquele estilo”, brincou o linguarudo. The Demon ainda se referiu à Stanley como um irmão e agradeceu aos fãs. O mesmo não ocorreu na participação de Peter Criss.

Paul Stanley não voltou atrás e manteve suas criticas ao evento durante premiação

The Catman foi o segundo músico a participar do discurso. Em vários momentos demonstrou humildade e respeito ao dedicar o premio às pessoas que fizeram parte dos bastidores. “Gostaria de dedicar à todos os motoristas de caminhão, empresários, produtores”. Falou com enorme respeito à sua esposa Gigi e à sua irmã Donna, mas não teve o mesmo respeito com os colegas de banda “Quero agradecer ao senhor Stanley, senhor Simmons e ao verdadeiro Spaceman, Ace Frehley”. A provocação foi desrespeitosa não somente com Paul e Gene, mas também com Tommy e Eric que estavam sentados na platéia, à pedido dos dois. Como se não bastasse ainda lançou “com ou sem maquiagem, sou o único Catman”. A platéia dividiu opinião. Alguns aplaudiram, muitos vaiaram. 

Ace Frehley, considerado por muitos o melhor guitarrista do Kiss, veio na sequência. Ao contrario de Peter, fez um depoimento bem-humorado. Conhecido por suas declarações sarcásticas, conseguiu arrancar risos não apenas da platéia como dos próprios músicos. Ao declarar que havia vivido no melhor estilo “Summer of Love” fazendo uma referencia aos hippies, ao declarar que havia criado um discurso, mas não sabia se seria capaz de ler por estar sem suas lentes de contato e principalmente quando foi falar sobre estar sóbrio. "Tente ser determinado quando se tem uma diarréia".

Paul Stanley fechou a noite em clima de polêmica, mas seus ataques não foram direcionados aos músicos. Segundo o guitarrista “não poderíamos estar aqui sem eles. Tudo tem uma base no passado”. Ele aproveitou, entretanto, para ironizar e criticar a organização. “Gostaria de agradecer à Tom (Morello) que nos apresentou sem nenhuma vergonha e sem desculpas. Teve muita coragem” ironizou como resposta aos dirigentes do evento que disseram que ‘não há uma ciência exata’ quando o musico questionou o porque de não poder levar mais integrantes, sendo que vários artistas já fizeram o mesmo. O musico ainda seguiu com a provocação “As pessoas pagam pelos ingressos, compram discos. Essas pessoas escolhem quem deve ser nomeado ou não”. Era um modo dele dizer que sabia que estava ali por uma pressão dos fãs e não por reconhecimento dos jurados “Essa noite é muito especial para os fãs. Isso que é dedicação”, citou em outro momento. 

Muitos questionavam por qual razão iriam aceitar o premio se não concordavam com a política do evento. Os músicos disseram que faziam isso em respeito aos fãs que sempre quiseram ver eles lá. Faz sentido uma vez que a ideologia do Kiss é ‘damos aos fãs aquilo que eles querem’. Stanley também disse em algumas entrevistas que ficava feliz de ver que vários de seus ídolos haviam participado da premiação. E ele fez questão de fechar a noite deixando isso claro. “Olho daqui e vejo pessoas, vejo rostos que me influenciaram, que fizeram ser quem eu sou. Estou aqui esta noite por conta dessas pessoas que me inspiraram e também por conta das pessoas que eu inspirei. Deus abençoe todos vocês”. O evento será transmitido no Brasil no dia 31 de Maio pela HBO. Será que os músicos serão censurados?

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Quando o destino age a favor do rock...

Por Rafael Menegueti

- Antes de fazer sucesso com o Hole e se casar com Kurt Cobain, Courtney Love era uma aspirante ao sucesso em outra banda famosa, o Faith No More. Ela foi vocalista do grupo por pouco tempo, antes de a banda começar a fazer sucesso (veja no vídeo abaixo, em inglês). Me parece que essa mudança veio para o bem, imaginem o Faith No More com ela nos vocais... MEDO!


- Elize Ryd, vocalista do Amaranthe, quase foi vocalista do Nightwish. Ela tentou a vaga após a saída de Tarja, em 2005, enviando uma demo cantando músicas do Nightwish ao líder da banda, Tuomas Holopainen (ouça a versão dela de Nemo no vídeo abaixo). Ela quase ficou com a vaga, não fosse tão jovem e inexperiente. No fim, ela até acabou cantando com o Nightwish em um show nos EUA, quando Anette Olzon saiu da banda no meio da turnê. E o Amaranthe, sua futura banda, virou uma das novas revelações do metal sueco.

Elize Ryd quase foi vocalista do Nightwish


- Após a morte do seu baterista original, The Rev, o Avenged Sevenfold convidou o ídolo dele, Mike Portnoy para tocar com a banda no álbum “Nightmare”, e também na turnê que seguiria. Portnoy anunciou sua saída do Dreamtheater pouco tempo depois, dando indícios de que poderia ser efetivado na banda. Mas não foi. Ele saiu no começo de 2012, e acabou se envolvenso em novos e excelentes projetos como o Adrenaline Mob (do qual ele também já saiu) e o The Winery Dogs.

Portnoy tocando com o Avenged Sevenfold
- Após ser chutado do Metallica, Dave Mustaine não se abateu e fundou a banda que viria a ser, de certa forma, a maior rival do grupo de San Francisco, o Megadeth. De fato, a rivalidade nutrida, principalmente pelos fãs da banda, acabou sendo um dos maiores combustíveis do thrash metal criado pelas duas bandas. As diferenças entre elas já foram deixadas de lado, mas se não fosse esse fato, talvez não tivéssemos essas duas grandes bandas, nem o sucesso das turnês do Big 4 (Metallica, Megadeth, Slayer e Anthrax).

Mustaine: azar no Metallica, sorte no Megadeth
- A morte do vocalista do Mother Love Bone, Andrew Wood, foi uma das maiores tragédias da cena de rock alternativo de Seattle, onde o grunge cmeçava a ganhar força. A homenagem feita pelos seus ex-companheiros Stone Gossard e Jeff Ament, no entanto, deu vida nova ao movimento. Ao lado de Matt Cameron e Chris Cornell, do Soundgarden, alem do desconhecido Eddie Vedder, formou o projeto Temple of the Dog, um dos melhores trabalhos do grunge. Mais tarde, os mesmos Ament e Gossard se juntaram a Vedder fundando o Pearl Jam, um dos maiores nomes do rock, e que continua na ativa até hoje.

Mother Love Bone: o grunge cresceu graças a eles
E aí? Você também acha que o destino mexe os seus pauzinhos pra ajudar os músicos? 

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Fresno – Eu Sou a Maré Viva (2014)





Por Davi Pascale


O grupo de Lucas Silveira e Gustavo Mantovani tenta se reerguer depois de várias dificuldades. Nos últimos anos, eles perderam o baixista e compositor Rodrigo Tavares, o baterista Rodrigo Buschel e a gravadora Universal. Desde que saíram da multinacional, os músicos vem apostando na cena independente e em uma proposta menos comercial, mas ainda estão longe de serem os queridinhos do publico e da critica. Seu novo álbum, mantém essa postura e deve agradar quem curtiu os dois trabalhos anteriores: Infinito e Cemitério das Boas Intenções.

Não sei como é a aceitação da critica em Porto Alegre, mas no eixo Rio-São Paulo os garotos ainda precisam lidar com uma série de preconceitos. A verdade é que a cena gaucha é uma das cenas realmente boas do rock brasileiro. Existem vários artistas como Cidadão Quem e Nei Van Soria, por exemplo, que ainda me pergunto por que não conseguiram reconhecimento nacional. Outras, como Cachorro Grande, mereceriam serem muito maiores do que são. E a verdade é que o Fresno amadureceu muito musicalmente nos últimos anos. Gostem ou não da idéia.

Muitos encaram a banda como um grupo pop e não um grupo de rock. Embora seja bem provável que essas pessoas não tenham escutado um trabalho deles do inicio ao fim (uma coisa é o conjunto não tocar rock e outra, bem diferente, é não tocar o tipo de rock que você gosta), não dá para dizer que estão 100% errados. Esse lado comercial sempre esteve presente em seu som (o que não acho algo negativo como gostam de pintar por aí) e algumas atitudes dos músicos podem deixar essa imagem para aqueles que não são tão próximos do seu trabalho como participação no DVD do Roupa Nova, dueto com Chitãozinho & Xororó em programa da MTV (tudo bem, os dois artistas são super profissionais e são donos de uma carreira respeitável, mas não fazem parte de uma cena roqueira, certo?) e um álbum, com uma sonoridade mais limpa, produzido pelo Rick Bonadio. 

 
Grupo segue na cena independente desde 2011

Eu Sou a Maré Viva é, na realidade, um EP de 5 faixas. Tom Vincentini ficou responsável pelas 4 cordas, mas no encarte seu nome consta como ‘participação especial’. O substituto de Rodrigo Tavares também tem participado dos shows. Essa foi uma parte que não entendi direito. Tudo bem,o tecladista Mario Camelo foi efetivado e já estava com eles desde 2010, mas o baterista Thiago Guerra também se juntou ao grupo no ano passado. Por que somente um foi efetivado e não os dois?

Outra atitude que pode dar o que falar é a participação especial de Lenine e Emicida na (razoável) “Manifesto”. Se bem que esse tipo de postura acho idiota. Se o artista funciona naquela faixa (pelo menos na visão do artista) e está disposto a participar do projeto, por que não gravar com o cara? Não faz muito sentido deixar de gravar com alguém que tem algo a acrescentar por conta de um rótulo. 

A faixa-título tem “um q” meio de U2 com um arranjo que é ao mesmo tempo simples e grandioso, onde a bateria mantém a marcação com bumbo, tom e surdo durante toda a música com o som crescendo na cabeça do tempo. O grupo de Bono Vox é mestre nisso. Os grandes destaques, contudo, ficam com os momentos mais rock mesmo: “O Único A Perder”, e principalmente, “À Prova de Balas” (com fortes influências de Muse) e “Icarus”, as duas melhores do disco, na minha opinião.

Os meninos de Porto Alegre talvez não façam um som tão porrada como muitos dizem por aí, mas certamente estão com um trabalho redondo, bem resolvido e com uma sonoridade bem atual. Vale a pena dar uma conferida. Se você é daqueles que não gosta de comprar no escuro e tem um pé atrás com os garotos, procure dar uma conferida no Youtube. As 5 faixas estão disponíveis por lá. Gostei mais dos dois anteriores, mas sem duvidas, é um bom disco.

Nota: 7,5 / 10,0
Status: Bom

Faixas:
01)   À Prova de Balas
      02)   Manifesto
      03)   Eu Sou a Maré Viva
      04)   O Único a Perder
      05)   Icarus

terça-feira, 8 de abril de 2014

Covers: homenagens e versões tão boas quanto as originais

Por Rafael Menegueti

Within Temptation lançou varias covers recentemente no Q Music Sessions

As covers são algo comum e frequente no rock. Varias bandas se aventuram a lançar versões de outros artistas para homenagea-los ou mesmo para ampliar seus horizontes musicais. Separei aqui algumas covers que me chamam bastante a atenção:

Nirvana – Love Buzz (Shocking Blue)


O Nirvana tornou essa obscura música da banda Shocking Blue em um sucesso ao gravá-la em seu primeiro disco, “Bleach”.

Within Temptation – Radioactive (Imagine Dragons)


Dentre as varias covers que o Within Temptation lançou recentemente, no Q Music Sessions, uma das mais interessantes é essa da banda indie Imagine Dragons.

Joey Ramone – What a Wonderful World (Louis Armstrong)


Esse clássico do jazz ganhou uma versão punk na inconfundível voz de Joey Ramone, neste cover lançado em 2002 em um álbum póstumo.

Silverchair – London’s Burning (The Clash)


A banda australiana deu uma cara mais adolescente a esse classico do The Clash, lançado no single de Anthem fot the Year 2000

Van Canto – Battery (Metallica)


Conhecidos pelos seus inúmeros covers em versão a capela, o Van Canto ficou conhecido após esse cover do Metallica, de seu primeiro disco.

Apocalyptica – Nothing Else Matters (Metallica)


Outra banda bem diferente, o Apocalyptica faz seu metal usando apenas violoncellos e bateria, e a banda ficou conhecida por seus inumeros cover, principalmente do Metallica, como esse

Delain – Cordell (The Cramberries)



Quando comentei esse cover, semana passada no post da discografia deles, citei como sendo uma versão que supera a original. Ouça e veja se você também acha isso.

Hydria - Titanium (David Guetta)


A extinta banda brasileira Hydria lançou um disco só de covers de varios artistas, entre eles Beyoncè, System of a Down, Pink Floyd, Madonna, Silverchair, Slipknot e essa de David Guetta.

E você? Conhece mais algum cover diferente e interessante?

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Lacuna Coil – Broken Crown Halo (2014)

Por Rafael Menegueti

Lacuna Coil - Broken Crown Halo
Acaba de ser lançado mundialmente “Broken Crown Halo”, o aguardado sétimo álbum da banda italiana Lacuna Coil. Nele, a banda aparece pela ultima vez com os integrantes Criz Mozzati (bateria) e Cristiano Migliori (guitarra), que deixaram a banda em fevereiro.

O disco foi descrito pela banda como um álbum sobre visões sombrias de um futuro próximo, inspiradas em clássicos do cinema de terror italiano. De fato, a atmosférica do disco segue a linha pesada e carregada de sentimentalismo gótico, embora sua sonoridade beire ao metal alternativo mais do que ao metal gótico. A velha formula do que o Lacuna Coil costuma aplicar em suas músicas está presente no novo disco. As guitarras mesclam levadas mais agitadas e dedilhados. A presença de sintetizadores e efeitos de voz também marcam a sonoridade clássica da banda.

Uma coisa está bem clara, os vocais de Andrea Ferro estão bem mais pesados em algumas partes, enquanto Cristina Scabbia segue fazendo o habitual estilo que a consagrou na banda. A presença de guturais em algumas faixas, como “Nothings Stands In Our Way”, que abre o disco, é uma das novidades do disco. Em relação à sonoridade, basicamente o disco segue a mesmo estilo dos seus antecessores, talvez um pouco mais melódico e sinfônico, como na faixa “In The End I Fell Alive”.

Sétimo álbum da banda foi lançado mundialmente semana passada
“Die & Rise” é uma das faixas mais explosivas do disco, e uma das que mais me agradaram. O mesmo posso dizer de “Zombies”, segunda do disco. A faixa que encerra o disco, “One Cold Day”, é uma homenagem ao ex-guitarrista da banda Claudio Leo, que faleceu algum tempo atrás, e também uma das que apresenta uma das melhores melodias, principalmente em relação aos vocais de Cristina. Outra faixa que apresenta uma levada mais lenta e vai crescendo aos poucos é “I Burn In You”, outra onde Andrea mostra seu poder explosivo nos vocais.

Os fãs que se interessarem em adquirir a versão física do disco terão a opção de adquirir uma edição especial com um DVD bônus, e outra versão em booklet, que alem do DVD contem um CD bônus com um “Best of” da banda. Apesar de “Broken Crown Halo” não ser um trabalho inovador, os fãs do Lacuna Coil não tem do que reclamar. O disco tem todos os elementos que a banda mostrou ao longo de sua carreira. Seguir a mesma formula de sempre pra muitas bandas é a melhor forma de acertar em cheio e agradar aos ouvintes. E o Lacuna Coil conseguiu isso mais uma vez.

Nota: 8/10
Status: Explosivo

Faixas:

01. Nothing Stands in Our Way
02. Zombies
03. Hostage To The Light
04. Victims
05. Die & Rise
06. I Forgive (But I Won't Forget Your Name)
07. Cybersleep
08. Infection
09. I Burn In You
10. In The End I Feel Alive
11. One Cold Day

CD Bônus (Best Of)

01. Trip The Darkness
02. Kill The Light
03. End Of Time
04. I Won' t Tell You
05. Spellbound
06. Wide Awake
07. Our Truth
08. Closer
09. Swamped
10. Heaven’s A Lie
11. To Live Is To Hide
12. 1:19
13. Halflife
14. Senzafine
15. My Wings
16. Falling Again
17. No Need To Explain

18. The Secret…