quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Rock in Rio 2017: O Que Conferir Parte 2



Por Davi Pascale

Chegamos à segunda e última semana do Rock in Rio 2017. Dessa vez, voltada para a ala mais roqueira. Semana com vários ótimos shows no Palco Mundo e algumas coisas interessantes no Palco Sunset, mas o que conferir, afinal?

Pois bem... No dia de hoje, três shows me geraram expectativa no Palco Sunset. A cantora Ana Canãs – que migrou da MPB para o rock n roll – faz um show junto com Hyldon. Artista que fez história na soul music brasileira, ao lado de Cassiano e Tim Maia. Pode ser bacana... O grande show do Sunset, contudo, deve ser o histórico encontro de Arthur Brown com Alice Cooper. Vale dar uma espiada também em Tyler Bryant & The Shakedown. Os caras fazem um rock n roll com forte influencia de blues e possuem respeito na cena. No Palco Mundo, o Scalene deve entregar uma apresentação competente, enquanto Def Leppard e Aerosmith não devem deixar pedar sobre pedra.

Amanhã, vale a pena se ligar no encontro entre Ney Matogrosso e a Nação Zumbi que deve entregar um show repleto de brasilidade. No Palco Mundo, 4 shows interessantes. Jota Quest deve entregar um show animado e bem profissional. Alter Bridge é um dos nomes mais interessantes da última geração. Tears For Fears tem uma pegada mais pop, mas um repertório cheio de clássicos, além de serem bem profissionais. Bon Jovi é um dos grandes nomes do hard rock 80´s e embora não conte mais com Richie Sambora, dessa vez, Tico Torres estará nas baquetas. Como já tem um tempo que essa formação está junto, acredito que eles entreguem um show mais impactante do que o da última vez que passaram por aqui.


No dia 23, nada que realmente chame a atenção no Sunset. Contudo, o Palco Mundo apresentará shows muito bacanas também. Os Titãs apresentarão sua nova formação e, honestamente, não sei muito o que esperar. Incubus deve quebrar tudo. Entretanto, os shows que você não pode perder de jeito nenhum é o lendário The Who que pisa pela primeira vez no Brasil. E, é claro, o Guns n´ Roses que conta com Slash e Duff Mckgan de volta à banda. Quem assistiu eles ano passado no Brasil, já com esse lineup, rasgou elogios ao show. Vale ficar ligado.

No último dia de festival, o Sunset não melhora muito. O já tradicional Sepultura irá participar do evento e deve fazer um show profissional como sempre. De resto, nada que me atraia. Republica já se apresentou em outra edição do Rock in Rio e achei eles bem fracos ao vivo. Doctor Pheabes é aquela banda que bate no peito o orgulho de conseguir comprar espaço em tudo quanto é show (os músicos já declararam publicamente o feito), mas musicalmente são fraquérrimos. Já tive o desprazer de assisti-los ao vivo. O convidado deles será o Supla que é um cara do bem, carismático, mas que nunca teve uma grande voz. Por sua conta e risco.

Já no Palco Mundo, teremos mais uma noite interessante. O sempre competente Capital Inicial abre a noite e deve apresentar um caminhão de hits. Os californianos do Offspring devem entregar um show para cima. A noite se encerra com o Red Hot Chili Peppers, uma apresentação onde tudo pode acontecer. Quando assistirem, fiquem ligado na performance do Flea. Tanto no palco, quanto sua performance no instrumento. O cara é absurdo.

Se os boatos se confirmarem, teremos mais polêmicas nessa segunda semana de evento. Sepultura promete colocar Familia Lima no palco (estou rezando para que isso não aconteça) e Jota Quest deixou no ar a possibilidade da funkeira Anitta se juntar à eles para cantarem juntos “Blecaute”. A música é bacana (faz parte do repertório do Jota), mas tenho medo da reação do público se essa mina aparecer no palco. Bom, com ou sem Anitta, espero que tudo ocorra bem e façam um bom show. Agora... é esperar para ver.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Rock In Rio 2017: O Que Conferir Parte 1



Por Davi Pascale

Esta noite se inicia mais uma edição do festival Rock In Rio. Festival que é polêmico, ao mesmo tempo que é de enorme importância. Não vamos nos esquecer que foi graças à edição de 1985 que artistas como Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho e Lulu Santos se consagraram, que o mercado de shows internacionais progrediu da água para o vinho e nem o impacto que ele teve no heavy metal aqui em nossas terras. Várias bandas foram criadas depois que os músicos assistiram aos shows desse evento, sem contar que o mercado para venda de LPs do gênero se intensificou após o festival. Não dá para negar que se trata de um grande evento.

Como não poderia deixar de ser, teremos algumas atrações polêmicas. Principalmente, nessa primeira semana que é mais voltada ao pop. Nessa primeira noite, tivemos uma enorme baixa. A cantora Lady Gaga, nome muito pedido em edições passadas, chegou a cancelar sua apresentação de última hora, graças à um problema de saúde. Há quem diga que foi por conta de sua fibromialgia, há quem diga que a cantora está com lúpus, há quem diga que está com depressão. Seja qual for a razão, o caso é grave. Desejo boa recuperação à moça...

Obviamente, como o caso ocorreu de última hora, não dá tempo para contratar um outro artista. Agendar um show internacional em menos de 24 horas é algo simplesmente impensável. E, sejamos francos, não temos um artista brasileiro para ser utilizado como headliner de um festival dessa magnitude. Não digo por competência e sim, por público. Alguém que mobilize 100.000 pessoas. Não temos um fenômeno desses. Portanto, a ideia de recorrer à uma segunda apresentação de um nome já confirmado, não é má. Aliás, na primeira edição do evento, vários nomes se apresentavam duas vezes. O chato é que será 2 noites seguidas. O ideal seria um show em cada semana, mas como disse, não temos tempo para grandes reformulações.



Nessa primeira noite, vale prestar atenção na apresentação do duo Pet Shop Boys. Embora façam um som eletrônico, a dupla ajudou a definir o gênero, invadindo as rádios na época da house music e criando canções que hoje ganham o status de clássico. No Palco Sunset, vale conferir o encontro da cantora Céu com a banda Boogarins. Show que deve contar com uma grande dose de psicodelia. Também não deixe de assistir o pop contagiante da cantora Fernanda Abreu. A cantora ganhou destaque como backing vocal da Blitz, com quem se apresentou na primeira edição do festival, e se consagrou como artista solo nos anos 90. Ela teve uma sacada interessante. Ao invés de convidar simplesmente um cantor, optou por convidar artistas que ajudariam nos recursos visuais. A galera que assistiu a passagem de som, elogiou bastante. E, claro, vamos aplaudir o Maroon 5 que enfrenta uma enorme bucha.

Na noite de sábado, vale se ligar nos mineiros do Skank que sempre entregaram um trabalho eficiente e shows enérgicos. O Maroon 5 deve entrar com mais segurança, já que o público dessa noite está lá por conta deles. A banda é conhecida por fazer bonito nos palcos. Ao menos uma das noites, vale assistir. No palco Sunset, a Blitz deve levantar a galera com sua alegria costumeira.

Já no domingo, minha grande empolgação está na apresentação da Alicia Keys que apresenta um pop cruzado com R&B, além de ser dona de uma bela voz. O cantor Frejat abre o Palco Mundo. Não sei exatamente o que esperar. Pode entregar um show bem rock n roll (o que, pela escalação do dia, eu duvido), um show mais MPB ou mais pop. Seja qual for sua escolha, pode ter a certeza de que entregará algo profissionalíssimo, já que sempre foi um grande músico e sempre trabalhou com ótimos músicos. Vale uma espiada. No palco Sunset vale ficar ligado na apresentação da Maria Rita. A filha da Elis Regina se apresentará junta com Melody Gardot, revelação do jazz contemporâneo. O repertório deve ser uma homenagem à lendária Ella Fitzgerald. Interessante... Também não dá para deixar de conferir a apresentação de Nile Rodgers & Chic, famoso por fazer uma fusão entre o (verdadeiro) funk e a disco music. Trata-se de um dos nomes mais influentes da área.

Como ficou claro, nessa primeira semana não teremos uma predominância de rock n roll. Contudo, temos alguns shows que prometem serem interessantes. Fica a dica para você que irá acompanhar o evento. Seja indo até o local ou conferindo pelo televisor de sua casa.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Nickelback – Feed The Machine (2017):



Por Davi Pascale

Essa é aquela típica banda que todo mundo ama odiar e nunca consegui entender a razão. Ok, eles não são revolucionários, mas certamente são competentes no que fazem. E sendo bem honesto, os caras possuem bastante discos bons. E esse é mais um deles.

Não havia gostado de No Fixed Adress, onde os músicos tentaram fazer um som mais moderno, mais pop. Achei que eles se perderam. Tinha música que soava como Maroon 5. Nada contra, mas não é isso o que espero do grupo de Chad Kroeger. Não tenho nada contra o cara querer inovar, querer buscar novos ares, mas quando o resultado final não faz sentido, a coisa complica.

Aqui, voltam a entregar um disco consistente e a razão é uma só. Os caras não inventaram moda. Fizeram o que sabem fazer e deu certo. Durante a audição, vocês irão notar que eles continuam trabalhando com a ideia de fazer uma mixagem mais moderna. O grande x da questão é que aqui eles entram como uma costura das canções e não como o foco principal. Dessa vez, a brincadeira funcionou bem.

Os rapazes seguem a risca sua velha fórmula. Entregam um álbum de 11 faixas, com aproximadamente 40 minutos, oscilando canções mais pesadinhas com baladas radiofônicas. Minhas preferidas foram realmente as faixas mais pesadas: “Feed The Machine”, “Coin´ For The Ferryman” e “The Betrayal (Act III)”, para ser mais exato. Outro grande destaque fica por conta de “For The River” que traz um solo inspiradaço de Nuno Bittencourt (Extreme).



Agora... Teve uma parada que não entendi. Eles incluíram no disco “The Betrayal” (Act III)”, “The Betrayal (Act I)” e não incluíram “The Betrayal (Act II)”. Ok, têm vários artistas que começam uma sequencia para terminar depois no trabalho seguinte, mas nunca vi deixarem o meio para depois. E sendo bem honesto, poderiam terem incluído apenas a terceira parte, já que o Act I é absolutamente descartável. Um número instrumental chinfrim que não diz ao que veio.

Logicamente, sendo um álbum do Nickelback e tendo o grau de exposição que eles têm, já era esperada a aparição de algumas faixas mais radiofônicas. Temos algumas por aqui. “Song On Fire”, “After The Rain” e “Every Time We´re Together” são as que aposto para se tornarem hits em um futuro próximo. Dessas mais comerciais, contudo, a que mais curti foi “Silent Majority”, que traz uma sonoridade meio termo e um refrão bacaninha.

Feed The Machine é um trabalho que certamente agradará aos fãs do conjunto. Os músicos se tocaram que as mudanças não haviam agradado e vieram com mais cautela. As composições são bem resolvidas. O disco é bem gravado. A voz de Chad não sofreu mudanças (para quem está por fora, ele passou por uma cirurgia nas cordas vocais recentemente para a retirada de um cisto). Contudo, se você nunca foi com a cara da banda, não será aqui que você mudará de idéia.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Honesto

Faixas:
      01)   Feed The Machine
      02)   Coing For The Ferryman
      03)   Song On Fire
      04)   Must Be Nice
      05)   After The Rain
      06)   For The River
      07)   Home
      08)   The Betrayal (Act III)
      09)   Silent Majority
      10)   Every Time We´re Together
      11)   The Betrayal (Act I)

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

G3 – Live In Concert (1997):



Por Davi Pascale

Quem curte musica já se pegou imaginando a banda dos sonhos, o festival dos sonhos e afins. Às vezes, acaba gerando até uma espécie de debate entre amigos ou colegas que também gostam de som. O evento G3 é meio que isso. É como se fosse o show dos sonhos entre os aficionados por guitarra. Foi um sonho que se tornou realidade.

O evento foi criado em 1996 pelo guitarrista Joe Satriani. A ideia é ter sempre 3 grandes guitarristas apresentando composições solo. E no final, eles se unem para uma jam session. Já existiram diversas formações. Já estiveram no Brasil algumas vezes (já tive a oportunidade de conferir um desses shows de perto) e já saíram alguns CD´s desse projeto. Esse que comento hoje foi o primeiro deles.

Qual o meu espanto ao pegar o CD em mãos e notar que já se passaram 20 anos de seu lançamento. Não decidi escrever com intenção de texto comemorativo, foi uma coincidência mesmo, mas incrível notar como o tempo voa.

Na apresentação que assisti, Joe Satriani foi o headliner. Aqui, ele é o responsável por abrir o CD. A escolha do set foi perfeita. Três músicas consideradas clássicos entre seus fãs. Satriani é conhecido por ter conquistado velocidade na técnica de hammer-ons (quando você tem uma nota soando e bate em outra nota utilizando somente a mão que está no braço da guitarra. Ou seja, sem a palheta) e não em palhetadas rápidas e alternadas, que é o mais usual. Obviamente, sua execução é perfeita, assim como dos músicos que o acompanham, seus velhos parceiros Stu Hamm (baixo) e Jeff Campitelli na bateria. O início não poderia ter sido mais perfeito.



Na sequencia, temos Eric Johnson. Por alguma razão, o músico nunca me chamou a atenção suficiente para que mergulhasse de cabeça em sua obra. Sim, o cara toca muito e é mais do que merecida sua participação aqui. No entanto, suas músicas nunca me chamaram a atenção. Entre as três escolhidas, a que mais me agradou foi “Manhattan”. Em “Zap” – música de seu álbum Tones que chegou a ser indicada ao Grammy em 1987 – confesso que fiquei mais fascinado pelo trabalho de bateria Brannen Temple do que pela linha de guitarra propriamente dita.

O último a se apresentar foi o genial Steve Vai, dentre os três é o meu preferido, e o setlist foi matador também. O cara resgatou músicas lá do início de sua carreira. “Answers” e “For The Love Of God” do genial Passion And Warfare e “The Attitude Song”, vindo dos tempos de Flex-Able. Na bateria, estava Mike Mangini, que hoje segura as baquetas do Dream Theater. Bom... dizer que a performance é impecável é chover no molhado.

E no encerramento, o mais legal, os três se unem para relembrar clássicos do rock e do blues. Joe Satriani assume os vocais em “Going Down”, Steve vai ao microfone na hora de relembrar seus tempos ao lado de Frank Zappa em “My Guitar Wants To Kill Your Mama” e Eric Johnson se destaca no clássico “Red House”, som imortalizado por Jimi Hendrix. No lado vocal, Eric Johnson é quem demonstra maior habilidade. Satriani e Vai não fizeram feio, mas não dá para dizer que são bons vocalistas, digamos que seguraram bem a peteca.



Tirando a jam final, todo o restante do material apresentado é instrumental. Portanto, já aviso que, embora excelente, não é um álbum voltado à todo tipo de ouvinte. Mas se você curte instrumental, curte guitarra e adora rock, blues e fusion, diria que é uma audição meio que obrigatória. Fica a dica!

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Performance impecável

Faixas:
      01)   Cool Nº9 (Joe Satriani)
      02)   Flying In A Blue Dream (Joe Satriani)
      03)   Summer Song (Joe Satriani)
      04)   Zap (Eric Johnson)
      05)   Manhattan (Eric Johnson)
      06)   Camel´s Night Out (Eric Johnson)
      07)   Answers (Steve Vai)
      08)   For The Love Of God (Steve Vai)
      09)   The Attitude Song (Steve Vai)
      10)   Going Down (Satriani, Johnson e Vai)
      11)   My Guitar Wants To Kill Your Mama (Satriani, Johnson e Vai)
      12)   Red House (Satriani, Johnson e Vai)

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Engenheiros do Hawaii – 30 anos de Revolta dos Dândis...



Por Davi Pascale

É muito comum vermos nossas publicações especializadas criarem textos comemorando algum álbum histórico. Entretanto, a coisa muda de figura quando falamos do rock made in brazil e, principalmente, entre os artistas que tomaram as rádios de assalto nos anos 80.

Recordo de começar a ouvir rock na minha infância e me recordo também do magnetismo que esses artistas causavam na audiência, mesmo quando atacados pela crítica. O Engenheiros era um desses. Constantemente diminuídos pelos jornalistas da Bizz, da Folha, da Veja, mas sempre idolatrados pelos jovens que encontravam no rock sua válvula de escape. Parecido ao que ocorre atualmente com o Jota Quest. E o inverso ao que ocorre com o Los Hermanos.

Os anos se passaram e alguns artistas foram escolhidos para virarem símbolo daquela geração. Sim, Renato e Cazuza foram grandes letristas, grandes artistas, mas tivemos mais nomes igualmente talentosos e igualmente importantes. No que diz respeito à criação de letras, Humberto não ficava atrás e, na minha opinião, superou o garoto Agenor.

LP marcava estreia de Humberto como baixista...

A Revolta dos Dândis trazia alguns fatos marcantes. Pela primeira vez, as engrenagens apareciam na capa do LP. Pela primeira vez, uma cor predominava a arte do vinil. Pela primeira vez, Humberto assumia o contrabaixo como seu instrumento principal. Pela primeira vez, Augusto Licks gravaria as guitarras do Engenheiros. Todas essas, características que se tornariam emblemáticas na trajetória do grupo e ajudariam a tornar década de 80 mais interessante.

Recentemente, o músico Lobão esteve no The Noite com Danilo Gentili para divulgar seu novo livro e comentou que o rock era alta cultura. A afirmação pode soar um pouco prepotente, mas não é exatamente fake. Por trás das letras, arranjos, conceitos de vídeo, muitas vezes, existem um mergulho profundo no universo da arte, da literatura. E aqui não foi diferente, o título A Revolta dos Dândis, por exemplo, veio de O Homem Revoltado, livro do filósofo francês Albert Camus. Nas letras, haviam ainda citações de Jean-Paul Satre. Atitude que fez com que os músicos fossem taxados de fascistas e elitistas. Acredite se quiser...

“Terra de Gigantes”, “Refrão de Bolero” e “Infinita Highway” invadiram as programações das AM´s e FM´s. Essa última, até hoje uma de suas músicas mais famosas, possui uma versão inédita. Na década de 80, era comum criarem remixes para atacarem nas pistas de dança ou para se adequarem às programações das rádios. Foi criado um remix dessa faixa, mas depois de ouvi-la, Humberto vetou. O arranjo havia sido totalmente alterado com a inclusão de metais e percussão. Embora tenha gostado do resultado final, o cantor achou que iria descaracterizar a banda. Não queria tirar a imagem de power trio que haviam construído. “Terra de Gigantes” também causou mal-estar com os engravatados. A gravadora queria a todo custo que incluíssem uma bateria na canção, mais uma vez o pedido foi negado. Falava-se que esse seria o último álbum do Engenheiros.  Segundo a gravadora, aquele era um Boeing de tanque cheio prestes a explodir na decolagem.

... e estreava formação clássica

Musicalmente, o disco trazia novidades. A influência ska de Longe Demais das Capitais foi deixada de lado. Os músicos começaram a explorar mais o rock progressivo, fizeram um som mais cru, mais lento. As letras críticas continuaram e ganharam uma ênfase ainda maior. O modo de explorar o lado power trio também era diferenciado. Os músicos não queriam fazer um som extremamente técnico, queriam explorar mais melodias e harmonias.

“A Revolta dos Dândis I”, “Além dos Outdoors” e “A Revolta dos Dândis II” também cairiam na graça do público. Embora tenha sido desacreditado por todos, o disco sobreviveu ao tempo. O Boeing decolou e voou alto. Tanto que atualmente, Gessinger anda revisitando o LP nos palcos e nos shows podemos ver jovens cantando todas essas letras junto com o músico. Trabalho marcante na trajetória de Humberto. Trabalho marcante na carreira do Engenheiros. Trabalho marcante do BRock. Trabalho marcante no rock brasileiro. Essencial!

Faixas:
01)              A Revolta dos Dândis I
02)              Terra de Gigantes
03)              Infinita Highway
04)              Refrão de Bolero
05)              Filmes de Guerra, Canções de Amor
06)              A Revolta dos Dândis II
07)              Além dos Out-Doors
08)              Vozes
09)              Quem Tem Pressa Não Se Interessa
10)              Desde Aquele Dia
11)              Guardas da Fronteira

sábado, 19 de agosto de 2017

Mick Jagger – Gotta Get A Grip (2017)



Por Davi Pascale

Mick Jagger, o eterno cantor dos Rolling Stones, acaba de soltar um novo CD. Na verdade, um novo single. São duas músicas inéditas com uma pegada um pouco mais moderna, mas nada que espante seus fãs. Até porque, quem conhece sua carreira solo, sabe que ele gosta de fazer essas brincadeiras já tem alguns anos.

Quando questionado a razão de lançar essas duas musicas separadas, o cantor alertou que era por conta das letras, que se fosse esperar até ter material para um novo trabalho de inéditas, poderiam perder o sentido.

Com isso, vocês já devem estar imaginando do que se trata. E é isso mesmo. As duas faixas foram inspiradas na mudança política de seu país. Em entrevista à revista inglesa Classic Rock Magazine, Jagger explicou sobre as letras. Sobre a música que dá título ao EP, declarou que ‘a mensagem, acredito, é que apesar de tudo o que vem acontecendo, você tem que seguir sua vida, ser autentico e criar seu destino’.

A música, que já ganhou um remix do brasileiro Alok, se difere dos Stones pela bateria eletrônica. A guitarra, contudo,remete um pouco à seu cultuado grupo. A levada meia reggae dos versos, remete ao trabalho que Keith Richards realizou em alguns álbuns que o grupo lançou nos anos 80. Uma faixa boa, ainda que não tenha força para tornar-se um clássico.

Em “England Lost”, a bateria eletrônica ganha um pouco mais de destaque, são adicionadas algumas gaitas sutis e uma linha de guitarra mais rocker. A equação ficou bem dosada. Ela não ficou tão dance quanto “Gun” ou “Goddess In The Doorway”. Tem uma pegada mais roqueira. Interessante...

Nessa, a letra é um pouco mais densa. “É sobre estar perdido, sobre o sentimento de insegurança. É como me encontrava quando a escrevi. É claro que tem uma dose de humor. Não queria ser muito agressivo, mas tem muito a ver com a vulnerabilidade, sobre onde estamos nesse momento como país”. Mick, se você passasse uma temporada no Brasil, teria material para criar um box set...

É muito bacana ver Mick Jagger de volta à ativa, produzindo coisas novas e interessantes. A carreira-solo dele é bem bacana. Quem só conhece seu trabalho com os Stones, vale a pena dar uma revirada. Especialmente, álbuns como She´s The Boss e Wandering Spirit. Espero que não fique restrito à esses duas músicas e lance um álbum de inéditas em breve. E parabéns ao Alok. Bacana ver um brasileiro tendo um prestígio desses, trabalhando com artistas lendários internacionais... Reza a lenda que Mick Jagger teria escolhido o garoto para remixar sua música. Será?! É possível já que ele tem uma certa ligação com o Brasil...

Nota: 7,5 / 10.0
Status: Interessante

Faixas:
      01)   Gotta Get A Grip
      02)   England Lost

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Greta Van Fleet – Greta Van Fleet (2017):



Por Davi Pascale

Descobri essa banda recentemente pelo Youtube. A banda nasce em Michigan em 2012 e foi criada pelos irmãos Jake Kiszka (guitarra), Sam Kiszka (baixo) e Josh Kizska (vocal). Inicialmente, Kyle Hauck era o baterista da banda, mas quem assume as baquetas do grupo é Danny Wagner que está com eles desde 2013. E foi com essa formação que eles gravaram o EP que comento hoje.

Por enquanto, não se fala de um álbum completo. O grupo fala no lançamento de mais dois EP´s e algumas músicas inéditas já estão sendo apresentadas nos shows. Portanto, acredito que em breve teremos mais um lançamento dos garotos.

A maior influência e mais descarada de todas é justamente a de Led Zeppelin. Nas entrevistas, os garotos têm citado nomes como John Lee Hooker, Cream e The Who entre seus heróis. Talvez a pegada desses caras apareçam com maior clareza nos álbuns seguintes. Nesse primeiro EP, soam como se tivessem resolvido lançar um álbum perdido do Zeppelin. Muitos aspectos remetem ao grupo de Page/Plant. Desde os riffs de guitarra, timbragem de instrumentos, viradas de bateria, mas o mais impressionante de tudo são os potentes vocais de Josh. Tanto seu timbre, quanto sua linha vocal remete diretamente à Robert Plant. E, sim, o garoto manda incrivelmente bem.

“Highway Tune”, responsável por abrir o disquinho, deixa claro tudo que estou falando. “Safari Song” mantém o lado hard do Zeppelin e traz um Josh endiabrado. “Flower Power” lembra as baladas que o grupo britânico costumava fazer. Manja aqueles sons estilo “Your Time Is Gonna Come”? Essa pegada... A única que foge um pouco dessa lógica é “Black Smoke Rising”, responsável por fechar o álbum que traz uma pegada mais suingada, mesmo assim no final viajadão, eles voltam a lembrar os garotos de Londres.

Eles podem não ser a banda mais original do mundo, mas acabam empolgando. Os músicos são bons, as faixas são excelentes e o vocalista arrisco dizer que é um dos melhores dentre essas novas bandas. É que nem o Airbourne que transpira influencia de AC/DC, mas entrega álbuns empolgantes e competentes.

Muita gente vai criticar os garotos dizendo que não passam de uma cópia, que não possuem originalidade e blá blá blá. Mas, volto a dizer, o material é excelente. A garotada fez um puta disco. Só vejo dois probleminhas. O primeiro é o nome do conjunto. Acho um nome difícil de guardar na cabeça. O que pode prejudicar um pouquinho o retorno. O outro ponto que vejo é a falta de visual. Especialmente, do vocalista. No clipe oficial de “Highway Tune” ele usa uma camiseta toda esburacada, que lhe deu mais um ar de mendigo do que de qualquer tipo de atitude. Mesmo nos vídeos ao vivo que assisti dos garotos, achei o visual deles meio apagado. Mas essa parte de vestimenta se resolve com o tempo, com “pequenos toques” da equipe dos garotos. O mais importante é a qualidade musical e isso eles têm de sobra. Vá sem medo!

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Novo Zeppelin

Faixas:
      01)   Highway Tune
      02)   Safari Song
      03)   Flower Power 
      04)   Black Smoke Rising