quarta-feira, 15 de março de 2017

Esteban – Tupinikim Pizzabar (Santo André – 11/03/2017):



Por Davi Pascale
Fotos: Davi Pascale

E lá fui eu para mais um showzinho. Dessa vez, para prestigiar o projeto solo do músico Rodrigo Tavares e para conhecer o Tupinikim. Ano passado ia lá conferir o Far From Alaska, mas o show acabou sendo cancelado e acabei não conhecendo a casa. Pois bem... Vamos lá.

Moro em Santo Andre. A casa de shows é bem próxima da minha rua, mesmo assim, nunca havia reparado nela. Quando fui andar na rua para tentar achar o local, finalmente descobri por que. A fachada por fora é bem pequena, é fácil passar batido. Quem vê de longe, acredita tratar-se de um local minúsculo, onde o povo fica tudo espremido. Graças à Deus, não trata-se da realidade.

O espaço é bom, a equipe da casa é bem educada. O único senão é que o palco é bem pequeno e a ventilação da casa ocorre por ventiladores e não por ar-condicionado (muito provavelmente, pelo custo). Em shows lotados, deve ficar abafado. Como sou macaco velho, me posicionei em um local que ficava próximo ao palco e na direção de um dos ventiladores. Sendo assim, sempre vinha um vento na minha cara.

O evento começou cedo, perto das 17h, e antes da apresentação principal tiveram outros 3 artistas. Decidi chegar cedo e conhecer um pouco mais da cena underground. Descobrir o que anda rolando por aí. A primeira banda a subir ao palco fui um conjunto de São Paulo que atende pelo nome de banda Outono. Os músicos são esforçados, mas falta tarimba. A sonoridade deles é meio que um clone da Fresno, só que os músicos não têm a mesma qualidade. Baixista e guitarrista bem fraquinhos. O cantor é o melhor da banda.

Loris 19 veio na sequencia. Um duo vindo de Marilia que acaba de lançar um EP produzido justamente pelo Rodrigo Tavares. Pop/rock. Fizeram uma apresentação voz/violão, onde o destaque é, sem duvidas, a cantora Carolina Lana. A garota é bem afinada e tem um bom alcance. Misturaram canções de seu EP Sonho com covers de artistas como Cássia Eller e Legião Urbana. Saíram aplaudidos.

A terceira atração foi uma banda do Rio de Janeiro que atende pelo nome de Divisa. Show redondinho. Banda redonda com boa interação com o público. Tudo no lugar certo. Mais uma vez, misturaram canções autorais com covers. Entre os homenageados estavam The Killers e Fresno. Uma apresentação bacana de assistir. Dentre os números de abertura, foram os que se saíram melhor.

Para fechar a noite veio o Esteban. Pela casa não ser enooorme (bom espaço para um bar de rock n roll, mas não dá para comparar com uma casa de espetáculos propriamente dita) e pelo rapaz já ter tocado com nomes conhecidos (além de ter tocado na Fresno, ele acompanha Humberto Gessinger em sua banda solo), esperava um publico maior.

Tavares subiu ao palco perto das 20:20h apenas acompanhado de seu violão. Fez um show bem intimista. Conversou com a plateia entre as músicas, com comentários nonsense (a parte de estar tomando Coca-Cola por ter vindo de São Jose vomitando era dispensável) e explicando um pouco sobre as musicas que estava apresentando (isso é realmente muito bacana).

Nas apresentações solo, poderia trazer a tira colo um teclado. O instrumento é bem presente nas musicas de seus discos. E teclado/voz também funciona bem ao vivo. Tocou o violão com o segurança, cometendo poucas gafes e se demonstrou um cantor bem afinado. O público realmente idolatra o rapaz. As garotas gritavam para ele entre as musicas e a moçada sabia todas as letras de cor e salteado.

No repertório, misturou canções de Adiós Esteban, Saca La Muerte de Tu Vida e da época do Fresno. O setlist foi bem escolhido e trouxe algumas das favoritas dos fãs como “Pianinho”, “Carta Aos Desinteressados”, “Sinto Muito, Blues”, “Porto Alegre” e “Sophia”. Só lamentei o fato de ter sido muito curto. Em torno de 50 minutos de show e sem direito a bis.

Antes de ir embora, troquei algumas palavras com ele, assinei meus discos. A experiência foi bacana. O rapaz é realmente muito educado. Espero que retorne para o ABC com sua banda completa para que possa sacar como é seu show de fato. A experiência do fim-de-semana valeu como um saboroso aperitivo...

segunda-feira, 13 de março de 2017

Ace Frehley – Tom Brasil (05/03/2017):

Por Davi Pascale
Fotos: Davi Pascale / Foto minha com o Ace: produção do Ace
Publicado originalmente no site Consultoria do Rock
Semana passada, tivemos a oportunidade de presenciar uma super apresentação do lendário Ace Frehley. Pela primeira vez, o guitarrista que fez história no Kiss, pisa em território brasileiro para se apresentar enquanto artista solo. Uma espera de décadas para os rock soldiers que foi mais do que recompensada.
A noite não era das melhores. Festa de Carnaval na Paulista (não estou brincando), chuva despencando em São Paulo e na região do ABC. E isso refletiu um pouco na quantidade do público que compareceu ao local. Por toda a reverência que existe em torno do musico, e por ser a primeira vez que se apresenta com a sua banda por aqui, esperava um púbico maior. Entretanto, aqueles que compareceram, fizeram bonito e agitaram do início ao fim.
Quando Ace entrou no palco, já sabia que estava com jogo ganho. Logo que começaram a sair dos falantes os acordes de “Fractured Mirror”, numero instrumental de seu álbum solo de 1978, a plateia já foi à loucura. Os músicos foram entrando no palco, sem nenhum tipo de produção. Entraram, pegaram seus instrumentos e mandaram logo de cara o clássico “Rip It Out”. Para aqueles que acompanharam sua carreira longe do Kiss, durante esses anos todos, o início não poderia ter sido melhor. Era exatamente assim que ele iniciava os shows de sua Frehley´s Comet, no longínquo ano de 1987.
De diferente, apenas o andamento da canção. Igualmente pesada, mas menos veloz. Com som no talo, Richie Scarlet correndo de um lado para o outro e fazendo todas suas caras e bocas, os músicos mostravam que não estavam para brincadeira. Ace, que tinha estado apenas uma vez no Brasil, quando esteve na companhia dos mascarados na turnê do polêmico Psycho Circus (1998), demonstrou que a loucura do passado ficou para trás. Se em 1999, o músico aparentava estar fora de si, dessa vez, a realidade era outra. Totalmente compenetrado, reproduzia seus famosos solos com uma elegância fora do comum.
A segunda música do show foi extraída de seu último álbum de inéditas, Space Invader (2014), a ótima “Toys”, mas a casa só voltou a pegar fogo quando emendaram “Parasite”. Clássico dos tempos do Kiss que foi regravada em seu novo álbum. A versão do show é em cima da versão de seu novo trabalho, mais uma vez, mais cadenciada. Esse é um marco da nova fase do músico que já tem alguns anos, ele tem diminuído um pouco o andamento das canções, mas nada a ponto de descaracterizar ou a ponto de diminuir o impacto nas apresentações.
“Snowblind” veio à tona trazendo a grande polêmica da noite. Os músicos optaram por fazer um arranjo diferenciado reduzindo a velocidade no refrão, e não apenas no final, como acontecia na gravação original. Fato que nem todos os presentes entenderam. Fiquei bem feliz de poder ouvir isso ao vivo e gostei da versão. Na sequencia, o competente Scott Coogan assumiu os microfones para interpretar “Love Gun”. Bacana a ideia de deixar seus músicos cantarem nos shows, até porque todos eles têm uma boa voz, mas acho que a faixa escolhida, embora traga um de seus solos clássicos, tem mais a cara do Paul do que do Ace. Teria optado por outra canção. De todo modo, estava bem executada e foi muito bem recebida pelos presentes. O show do Ace é bem diferente ao show do Kiss. A produção de palco é super simples, não há efeitos especiais, nem nada do tipo. Apenas os músicos mandando som atrás de som.
“Rocket Ride” manteve a empolgação de seus admiradores que se emocionavam ao ver o músico reproduzindo seus famosos movimentos. Ace interpretava seu movimento clássico onde dava soquinhos com sua mão direita no corpo debaixo da guitarra, enquanto movia as posições no braço esquerdo, exatamente como aparece em seu VHS Live + 4. “Rock Soldiers” veio na sequencia, relembrando seus tempos de Frehley´s Comet e, mais uma vez, manteve a chama do espetáculo acesa. O musico não ficou falando muito no microfone. Falou o essencial e deixou sua guitarra falar mais alto. Longe do álcool e das drogas, demonstrava um feeling fora do comum.
Era a hora de Ace dar uma descansada. Chris Wise, baixista da banda, realizou um esforçado numero solo, antes de assumir os vocais de “Strange Ways”. Um dos clássicos esquecidos do set list do quarteto americano. Seus fãs estavam em êxtase com o repertório escolhido à dedo. “New York Groove” apareceu devolvendo o microfone ao dono da noite e estampando um sorriso na cara dos fãs. Ace Frehley não fica bancando a estrela do rock. Toca quase como se estivesse em um ensaio. Por vezes, até afastando sua boca demais do microfone. Não que ele estivesse desrespeitando a plateia. Estava apenas sendo ele mesmo. E é exatamente isso que seu publico espera dele.
E eis que chega a hora de seu fiel parceiro Richie Scarlet assumir os vocais. A escolhida foi “2 Young 2 Die”, do excelente álbum Trouble Walkin´ (1989), dedicada em homenagem ao falecido Eric Carr. Richie trabalha com o spaceman desde os anos 80. É incrível a animação desse cara nos palcos. Tem momentos que você jura que ele está tendo um ataque epilético. E o que poderia ser mais divertido do que ver os 2 guitarristas duelando no final da canção? E assim foi em um rápido numero onde intercalavam solos velozes e riffs de clássicos do rock. Espetacular ver Ace Frehley puxando o riff de “Day Tripper” (Beatles). Divertido!
O clássico “Shock Me” veio na sequencia com a plateia quase salivando de tanta animação. Certamente, uma das músicas mais esperadas da noite. Ao final da canção, Frehley emendou em seu numero solo, onde faz o captador soltar fumaça. Não reproduziu nota por nota seu antológico solo registrado em Kiss Alive! (1975) – época em que fazia esse número. Manteve apenas a movimentação. Emocionante ver isso cara-a-cara.
Para fechar a noite nada melhor do que o clássico “Cold Gin”. Ace precisou cantar apenas o refrão. A casa ficou responsável por cantar todos os versos com os pulmões cheios, quase como uma torcida organizada. Depois de um rápido intervalo, os músicos retornam ao palco com os fãs indo ao delírio e músico avisa. “Temos tempo para mais 1 ou 2 músicas”. E assim, foi. Mais dois sons para fechar a noite com chave de ouro.
As escolhidas? “Detroit Rock City” (mesmo ‘problema’ de “Love Gun”, bem interpretada, bem cantada – mais uma vez por Scott Coogan – mas não acho que traga a assinatura do Ace, a não ser no solo, é claro) e “Deuce”. A casa veio abaixo!
Depois de 95 minutos de show, os músicos deixaram o palco tendo entregado um show competente, empolgante, divertido, e, acima de tudo, honesto. Teve algumas gafes? Teve um ou outro errinho, mas nada que diminuísse o espetáculo ou tirasse o brilho. Aliás, isso é absolutamente normal quando estamos diante de um show 100% ao vivo, como os rapazes fizeram. Sem músico escondido atrás do palco, sem playback, sem samplers, sem base pré-gravada, sem músico de apoio. Apenas guitarra, baixo, voz, bateria, som dos falantes e nada mais. Esse é um show raiz, não nutella. Faltaram algumas músicas? Óbvio, mas isso já era esperado. Estamos diante de um cara que tem mais de 40 anos de estrada, mais de 20 álbuns gravados e apenas 90 minutos de show. Ao menos que ele brincasse de Jorge Benjor e ficasse fazendo vários medleys intermináveis não tinha como tocar tudo mesmo.
Antes da histórica apresentação de Ace Frehley, tivemos uma apresentação muito bacana de uma banda brasileira chamada Mahabanda. Infelizmente, muita gente não sabia que teria numero de abertura e eles acabaram tocando para um numero muito reduzido de pessoas. O que é realmente uma pena. A banda estava muito bem ensaiada, os músicos mandam bem. Infelizmente não conheço sua discografia para comentar escolha de repertório, mas quem assistiu, gostou.
E alguns felizardos, como eu, tiveram a oportunidade de tirar um retrato e assinar alguns itens com o lendário guitarrista do Kiss, após a apresentação. Jogo rápido. Entra, tira a foto, pega a assinatura, os brindes e tchau, mas valeu. Não é todo dia que temos a oportunidade de ficarmos cara a cara com uma lenda viva do rock n roll. Emocionante ver o cara de pertinho. Valeu, Ace! Espero que essa não seja sua única passagem em nosso país. Já estamos aguardando ansiosamente seu retorno. It was hotter than hell!!!

sábado, 11 de março de 2017

Soundgarden – Badmotorfinger 25th Anniversary Edition (2016):



Por Davi Pascale

Clássico álbum da cena grunge é relançado repleto de bônus. Álbum vence a barreira do tempo e contempla Chris Cornell como a melhor voz da cena.

Quando se fala de grunge, não há nenhuma dúvida de que o Nirvana e seu cultuado Nevermind foram os responsáveis por levar o gênero ao estrelato, mudando a cara do rock n roll e abrindo porta para diversos artistas, mas quem deu o pontapé inicial nessa história foi a trupe de Chris Cornell. O primeiro artista da cena à assinar com uma multinacional. Badmotorfinger foi o álbum que fez a cabeça dos jovens. O clipe de “Outshined”, com Chris Cornell exibindo cabelos longos e um bigodinho àla Latino foi assistido à exaustão pela garotada da época.

O disco é realmente excelente. Pesado, com algumas passagens arrastadas, altamente influenciadas por Black Sabbath (“Room A ThouSand Years Wide” e “Slaves & Bulldozers” são alguns exemplos) e um Chris Cornell altamente endiabrado. O cara solta uns agudos nesse disco que é de cair de joelhos. Sério mesmo.

Assim como todos os discos comemorativos, o material chegou às lojas em diversos formatos. Acabei pegando o CD duplo. Cheguei a pegar o LP nas mãos e fiquei babando com a capa meio holográfica. Lindíssima, mas acabei não ficando com ele porque não trazia os bônus, somente as musicas da época. Como já tinha o CD original, que comprei na época do lançamento, queria mesmo alguma edição com as faixas adicionais.

Bom… O primeiro CD é justamente o álbum da época remasterizado. Várias faixas desse CD são consideradas clássicos da banda e do movimento por seus admiradores. Caso não só da já citada “Outshined”, mas também de “Jesus Christ Pose” (que na época, teve um clipe que causou uma puta polêmica e acabou sendo banido da MTV. A galera começou a acusar os músicos de serem anticristos e blá blá blá. Deve ter no youtube. Dá uma checada), “Rusty Cage”, “Seaching With My Good Eyes Closed”, “Room a Thousand Years Wide” e, ufa, “Slaves & Bulldozers”. Se você não tem nada do Soundgarden, esse é o trabalho certo para começar.

A cereja do bolo, contudo, é o segundo disco com as versões alternativas. As primeiras nove faixas são os outtakes, ou seja, as demos. De um modo geral, são bem próximas às versões finais, só que com uma sonoridade mais crua. Os andamentos, as linhas vocais, já estavam ali. Curioso notar que “Outshined” e “Rusty Cage” ainda não traziam aqueles agudos que tanto nos impressionaram na época. Contudo, já demonstravam o potencial do cantor. As músicas já eram altas pra cacete. O talentoso Eddie Vedder era, provavelmente, o mais carismático da leva grunge, mas em se tratando de trabalho vocal, era o Chris Cornell quem impressionava a moçada mesmo. Também foi demais relembrar a versão de “New Damage” com a participação especialíssima do lendário Brian May (Queen).

Para fechar o CD, 7 musicas da lendária apresentação no Paramount Theater. O show não está completo, mas as performances são bem enérgicas e trazem o vocalista em boa forma. Chris Cornell nos álbuns é mágico. Ao vivo, depende do show. Tem show que ele arregaça, tem show que fica a dever. Isso já era assim, na época. Dependia do quão louco o cara estava. Nesse show, seu trabalho vocal está excelente. As musicas escolhidas foram em cima do repertório do disco que eles estão celebrando. Ou seja, faixas como “Flower” e “Gun” ficaram de fora. Pena que não incluíram “Into The Void” (Black Sabbath). Tinha curiosidade de ouvir isso. A qualidade de som é muito boa para a época e os músicos deixaram o som da apresentação sem retoques, portanto, é possível pegar alguns pequenos deslizes. De todo modo, como disse, a performance é ótima. Enérgica, suja e inspirada.

Para quem viveu a cena, é simplesmente nostálgico. E o mais bacana de tudo é ver que o álbum sobreviveu à prova do tempo. 25 anos depois, o disco continua soando impactante, empolgante e mágico. Obrigatório!

Nota: 10,0 / 10,0
Status:  Obrigatório

Faixas:

CD 1:
      01)   Rusty Cage
      02)   Outshined
      03)   Slaves & Bulldozers
      04)   Jesus Christ Pose
      05)   Face Pollution
      06)   Somewhere
      07)   Searching With My Good Eyes Closed    
      08)   Room a Thousand Years Wide
      09)   Mind Riot
      10)   Drawing Flies
      11)   Holy Water
      12)   New Damage

CD 2:
      01)   Rusty Cage Studio Outtake
      02)   Outshined Studio Outtake
      03)   Slaves & Bulldozers Studio Outtake
      04)   Jesus Christ Pose Studio Outtake
      05)   Face Pollution Studio Outtake
      06)   Somewhere Studio Outtake
      07)   Room a Thousand Years Wide Studio Outtake
      08)   Holy Water Studio Outtake
      09)   New Damage (c/ Brian May) Studio Outtake
      10)   Searching With Good Eyes Closed Live At The Paramount
      11)   Drawing Flies Live At The Paramount
      12)   Face Pollution  Live At The Paramount
      13)   Rusty Cage Live At The Paramount
      14)   Outshined Live At The Paramount
      15)   Mind Riot Live At The Paramount 
      16)   Jesus Christ Pose Live At The Paramount

quinta-feira, 9 de março de 2017

ZZ Top – Live! Greatest Hits From Around The World (2016):



Por Davi Pascale

Trio texano lança álbum ao vivo compilando seus maiores sucessos. Para criação do material, músicos recorreram à diferentes performances e resgataram participação de cultuado guitarrista.

Por alguma razão, esse álbum está sendo divulgado como o primeiro disco ao vivo do trio formado por Billy Gibbons, Dusty Hill e Frank Beard. Juro que me  lembro de ter um trabalho ao vivo, duplo, que atende pelo nome de Live From Texas e que teve, inclusive, prensagem aqui no Brasil. Que doideira!

O disco é exatamente o que o título diz. Suas músicas mais conhecidas, registradas em diferentes cantos do mundo. O mais bacana de tudo, é reparar que os shows de São Paulo foram lembrados. E com uma musica que é clássico total, “Legs”. Demais!

A única coisa que me desanima um pouquinho é o fato de várias musicas estarem com fade-out e de grande parte dos diálogos terem sido limados, acho que acaba tirando um pouquinho o lado humano do show. Tem muita gente dizendo que esse disco não tem overdubs. Se isso for verdade, fico felicíssimo, mas suspeito que tenham realizado algumas correções na parte vocal. Está tudo muito certinho.

No início, estava meio desanimado. “Got Me Under Pressure”, responsável por abrir o CD, está com um mixagem meia pobre, guitarra sem muita evidência, mas, graças a Deus, isso não ocorre em todo o disco. Na segunda faixa, a empolgante “Beer Drinks & Hell Raisers”, o som já está mais do que acertado.

O grande destaque é, certamente, a performance de Billy Gibbons. O que esse cara toca de guitarra não é brincadeira. Na parte vocal, nunca foi de ficar fazendo malabarismos, mas tem um estilo próprio e gosto bastante de seu timbre. Forte, rasgado. Está igual aos álbuns de estúdio. Tão igual que, como disse lá em cima, suspeito de algumas correções.

Uma das grandes atrações do álbum é a participação especial do lendário Jeff Beck nas duas canções extraídas das apresentações de Londres: “Sixteen Toys” e “Rough Boy”. Essa última, uma bela balada da década de 80, do álbum Afterbunner, para ser mais preciso, ficou lindíssima na versão apresentada aqui.

Destacar uma única canção como o ponto alto é uma tarefa absolutamente ingrata. Recomendaria ouvir com atenção; “Beer Drinkers & Hell Raisers”, “Waitin´ For The Bus”, “Legs”, “Rough Boy”, “I´m Bad, I´m Nationwide”, além dos clássicos absolutos “Sharp Dressed Man”, “Gimme All Your Lovin´” e “Tush”. O trio entrega aquilo que esperamos deles. Blues-rock de primeira com uma banda afiadíssima e solos belíssimos. Para quem não tem nada deles, funciona como uma bela porta de entrada.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Ótimo repertório

Faixas:
      01)   Got Me Under Pressure – New York City
      02)   Beer Drinkers & Hell Raisers – Las Vegas
      03)   Cheap Sunglasses – Paris
      04)   Waitin´ For The Bus – Nashville
      05)   Jesus Just Left For Chicago - Nashville
      06)   Legs – São Paulo
      07)   Sharp Dressed Man – Los Angeles
      08)   Rough Boy (c/ Jeff Beck) – London
      09)   Pincusshion – Berlin
      10)   La Grange – Dallas
      11)   I´m Bad, I´m Nationwide – Vancouver
      12)   Tube Snake Boogie – Rome
      13)   Gimme All Your Lovin´ - Houston    
      14)   Tush – Chicago 
      15)   Sixteen Toys (c/ Jeff Beck) – London 

terça-feira, 7 de março de 2017

The Virginmarys – Divides (2016):



Por Davi Pascale

Trio inglês chega ao seu segundo álbum e entrega ótimas composições. Banda que tem de tudo para se tornar um dos grandes nomes do rock.

Descobri essa banda alguns anos atrás fuçando pela internet. Quando assisti o clipe de “Bang, Bang, Bang” fiquei bem impressionado com o trio. Faziam um rock n roll meio Foo Fighters, com um pouco mais de sujeira e muito bem tocado. A logica se mantém no novo trabalho. Continuam fazendo seu rock n roll com um pé no alternativo, um pé no britpop (não, eles não são um clone do Foo Fighters) e a qualidade das composições é bem alta.

Os rapazes de Manchester ainda não têm aquele grande hit capaz de fazer milhares de pessoas cantarem juntos, mas já apresentam um certo prestígio na cena. Já tiveram matérias estampadas ao seu respeito em algumas das principais revistas musicais e já dividiram o palco com grandes nomes do rock como Slash e Queens Of The Stone Age. Começaram como várias das grandes bandas, lançando EP´s independente, e ousaram ao soltar seu primeiro álbum, King Of Conflicts (2013), em formato duplo.

A razão que eu digo que eles têm de tudo para se tornarem um dos grandes nomes do rock é que eles têm aquela sonoridade com um pé no mainstream. Ainda que usem guitarras bem distorcidas e deixem o som da bateria na cara, as linhas vocais são repletas de melodias pop. Uma banda realmente bem interessante. Se eu tivesse que escolher uma musica desse novo álbum para ir às rádios, apostaria em “For You My Love”. Uma faixa pesadinha, cadenciada e com um refrão que gruda na cabeça. “Motherless Land”, embora não esteja entre minhas favoritas, é outra que funcionaria para esses fins.

Assim como diversas bandas dos anos 90/00 – como Hellacopters, Nashville Pussy, Backyard Babies, entre tantas outras – os músicos apresentam uma forte influencia de punk em seu trabalho. Muitos artistas da cena grunge também tinha essa influencia e acredito que seja por isso que muitos digam que sua sonoridade tem um pé no grunge.  “Halo In Her Silhouette”, por exemplo, traz aquela bateria direta e guitarra rocker acelerada, remetendo à grupos como MC5 e Stooges.

O refrão de “Free To Do Whatever They Say”, assim como “Into The Dust” trazem uma forte influencia de Foo Fighters. Não me surpreenderia se Dave Ghrol resolvesse cantar “Into The Dust” algum dia ou convidasse os rapazes para uma jam. É nítido que eles bebem na fonte.

Os arranjos não são exatamente complexos, não se trata de uma banda técnica, mas o material é muito bem gravado e muito bem tocado. É nítido que os caras sabem o que estão fazendo. Algo que fica comprovado ao ouvirmos faixas como “I Wanna Take You Home” ou “Push To The Pedal”, algumas de minhas favoritas nesse novo álbum. Outra boa notícia é que a maioria das faixas são muito boas. Os caras realmente sabem compor.

Para quem está atrás de um rock n roll descompromissado, com boas melodias e que tenha um acento mais comercial, o som do The Virginmarys é mais do que indicado. Arrisque!

Nota:  8,0 / 10,0
Status: Ótimo

Faixas:
      01)   Push The Pedal
      02)   For You My Love
      03)   Halo In Her Silhouette
      04)   Free To Do Whatever They Say
      05)   I Wanna Take You Home
      06)   Walk In My Shoes
      07)   Kill The Messenger
      08)   Into Dust
      09)   Moths To a Flame
      10)   Fallin Down
      11)   Motherless Land 
      12)   Living In My Peace 

sexta-feira, 3 de março de 2017

Lobão – 50 Anos a Mil (2010):


Por Davi Pascale

Em sua autobiografia, musico carioca revela detalhes de sua trajetória. Em uma narrativa rica de informações, cantor comenta sobre sua infância, sua experiência com as drogas e, é claro, sua carreira no rock n´ roll..

Livro extremamente surpreendente. Mesmo! Quando fiquei sabendo que Lobão iria lançar sua autobiografia, fiquei me questionando se a ideia era das melhores. O cara tem história para contar aos montes, mas será que teria coragem de passar a limpo as suas polêmicas? Porque, um artista que nem ele, se lança um livro passando as polemicas por cima, frustra. João Luiz Woerdenbag Filho ficou conhecido por seu talento na música e, principalmente, por não ter papas na língua. Suas entrevistas são como rajadas de metralhadora. Não sabemos em quem vai acertar.  

Está tudo aqui. O casamento com sua prima, sua prisão por porte de drogas, sua fuga para os Estados Unidos, a briga que terminou com o musico quebrando um violão na cabeça de seu pai, os problemas de sua mãe, suas primeiras experiências com a música, seu romance com a mulher de Julio Barroso, a ideia de lançar disco na banca, sua ida para o mercado independente, sua proximidade com Cazuza, os tempos de Vímana, sua saída da Blitz... A primeira parte de sua carreira é extremamente detalhada.

Lobão nos brinda com detalhes sobre a construção de suas músicas, quem gravou o que, quem escreveu o que, o que pretendia com aquele álbum. E soa honesto em suas colocações. O musico afirma que acha estranho o LP Vida Bandida ter vendido apenas 350.000 cópias, com todo o estouro que as faixas estavam tendo nas FM´s, do mesmo jeito que afirma que Cuidado foi um disco precipitado e com uma qualidade abaixo de seus demais trabalhos. Segundo ele, salvam-se umas 3 músicas.


Durante sua narrativa, há histórias curiosas como a vez em que foi expulso de sua própria banda, Os Ronaldos. O musico comenta que foi ao Baixo Leblon para encher a cara quando se deparou com Cazuza, também abalado. E quando comentou o que havia ocorrido, Cazuza havia lhe dito que havia acontecido o mesmo com ele. Ou seja, havia sido expulso do Barão. A história é curiosa porque sempre foi vendida a versão de que o rapaz havia abandonado o grupo por sua própria vontade. Curiosíssimo! Um momento divertidíssimo é quando ele comenta sobre ter destruído uma sala dos estúdios RCA, mas não entrarei em detalhes para não estragar a surpresa.

Essa fase inicial está muito bem detalhada. Não faltam comentários sobre suas aventuras na Gang 90, na banda de Marina Lima, assim como os atritos com Hebert Vianna. Narra aqui como e porque começou a ficar puto com o líder dos Paralamas. A história é interessante. Além disso, arranca gargalhadas quando comenta sobre os shows dos anos 80, especialmente os que subia bêbado no palco. Histórias, no mínimo, surreais.

O único senão, não sei se pelo tamanho do livro (próximo de 600 páginas), é que a segunda etapa de sua carreira é contada de maneira mais corrida. Gostaria de ter lido um pouco mais sobre os álbuns Nostalgia da Modernidade e, especialmente, Noite. Dois bons trabalhos que foram comentados um pouco superficialmente. Em relação ao emblemático A Vida É Doce, contudo, narra em detalhes a busca por gravadora, a ideia de distribuir material nas bancas, a construção das músicas, a briga da numeração de discos e sua tentativa de suicídio.

50 Anos a Mil está muito bem escrito e demonstra que Lobão está de bem com a vida e buscando um caminho, cada vez mais, honesto. O material, certamente, irá divertir seus velhos fãs com histórias de bastidores e resgate de situações que vamos nos esquecendo com o tempo, enquanto ajudará aos novos fãs à entender melhor quem é aquela emblemática e polêmica figura. Vários capítulos, trazem ao final, uma parte chamada Lobão na Mídia, onde resgata trechos de reportagens históricas sobre aquele período. De boa, belíssimo livro. Decadence avec elegance!

quinta-feira, 2 de março de 2017

Fresno - A Sinfonia De Tudo Que Há (2016):



Por Davi Pascale

Os gaúchos da Fresno lançam novo álbum com participação especial de medalhão da MPB. Banda segue a trilha independente com som mais melancólico...

Tudo que faz sucesso no Brasil incomoda e vira motivo de ataques. Com a galera da Fresno não foi diferente. Se bem que nesse caso, até que dá para entender os ataques, já que foram associados à uma cena emo forjada e, graças à Deus, já afundada. O problema é que os músicos mesmos não se identificavam com aquilo – lembro de uma vez que entrevistei o Rodrigo Tavares e ouvi da boca do mesmo ‘cara, nunca usei calça rosa’ – e apresentavam um trabalho bem mais maduro do que as bandas às quais eram associadas.

Tudo bem que não precisa ser nenhum grande gênio, nem nenhum poeta para superar as canções de artistas fraquérrimos como ForFun e Strike, mas a trupe liderada pelo Lucas Silveira sempre apresentou um trabalho bem resolvido. E desde que resolveram retornar à cena independente – isso já deve estar em torno de uns 5 ou 6 anos – que os músicos vêm realizando trabalhos mais elaborados e menos comerciais. Se você ainda tem na sua cabeça, aquela imagem de banda teenager feita para tocar na MTV, sugiro dar uma escutada nos álbuns lançados de 2011 para cá. De boa, é outra banda. Claro que ninguém é obrigado a gostar de nada, mas a jogada é realmente outra. Vale dar uma conferida para entender do que se trata.

Em A Sinfonia de Tudo Que Há, os garotos trazem de volta a orquestração que haviam apresentado em Infinito (para mim, seu melhor álbum). O único senão é que as musicas diminuíram um pouco as guitarras e focaram um pouco mais nos teclados. Ok, é um diferencial, mas perde um pouco de volume.

As influências de Muse e Queens Of The Stone Age seguem firmes e fortes (não disse que a banda mudou?) e podem ser conferidas de perto em faixas “Astênia” e “A Maldição”. A mais pesada do álbum é, sem dúvidas “Axis Mundi”. Com guitarras distorcidas, o Guerra sentando a mão e orquestrações cinematográficas, deve crescer bem nos shows.

Esse álbum tem sido muito comentado porque os rapazes conseguiram um dueto com o ícone da MPB, Caetano Veloso, na faixa “Hoje Sou Trovão”. Antes que perguntem, Caetano não colaborou na construção da letra. A faixa é uma parceria entre Lucas Silveira e Thiago Guerra. Ou seja, o cantor e o baterista. Caetano apenas emprestou sua voz à canção. O que, de boa, já é um grande feito. Goste ou não de seu trabalho, trata-se de um ícone da musica brasileira e que está longe de ser um arroz de festa. Portanto, aplausos para os rapazes. Agora, de boa, o trabalho vocal dele poderia ter sido melhor explorado. Achei que sua participação poderia ter sido um pouco maior. 

“Deixa Queimar” destaca-se por trazer uma introdução esperta que foge da lógica de começar lentamente e explodir depois, fórmula bastante utilizada no disco. “Abrace Sua Sombra” traz uma atmosfera meio Coldplay em sua introdução. A influencia MPB pode ser percebida nos arranjos de violão dessa canção e também de “O Ar”.

A Sinfonia de Tudo Que Há, ainda que não seja seu melhor trabalho, é um álbum bem resolvido, maduro, com letras bem elaboradas. Se para você, rock n roll não se resume à guitarras sujas e vocais berrados, vale uma checada..

Nota: 7,5 / 10,0
Status:  Bem elaborado

Faixas:
      01)   Sexto Andar
      02)   Deixa Queimar
      03)   Hoje Sou Trovão
      04)   Poeira Estelar
      05)   O Ar
      06)   Abrace Sua Sombra
      07)   Astenia
      08)   A Sinfonia De Tudo Que Há
      09)   Axis Mundi
      10)   A Maldição 
      11)   Canção Desastrada