sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Kiss Expo Los Angeles


Por Davi Pascale
Fotos: Davi Pascale, Jay Gilbert (fotos com Peter Criss – individual e com a turma da excursão), convidados da expo (foto minha com demais artistas. Valeu galera!)
Matéria publicada originalmente no site Consultoria do Rock
E lá fui eu para mais uma aventura atrás dos meus ídolos. Depois de conhecer pessoalmente Paul Stanley, Gene Simmons, Eric Singer, Tommy Thayer e Bruce Kulick, chegava a minha vez de ficar cara a cara com Peter Criss, o primeiro baterista do Kiss.
A trajetória de Peter ficou marcada por uma jornada de excessos. Abuso de drogas, abuso de álcool, acidentes de carro… Ao que indica, esses dias de loucura ficaram para trás. Por mais de uma vez, o musico jurou estar sóbrio e longe das drogas há anos e disse ter vontade de voltar ao mundo da música. Segundo suas palavras, ocorrerá no momento certo porque ele quer voltar por cima.
Para ter a chance de conhecê-lo fui até a Kiss Expo, ocorrida na cidade de Los Angeles, durante três dias. Na sexta-feira, um grupo seleto de pessoas participaram de um meet & greet com o músico. Fui um dos felizardos. O encontro ocorreu em uma das salas do Raleigh Studios, muito conhecido entre os fãs do quarteto americano por ter sido o local onde ocorreram as polêmicas fotos que foram utilizadas na contracapa do, hoje clássico, Hotter Than Hell. Na época, foi realizada uma festa para os músicos recheada de drogas, bebidas e garotas. Até o Paul Stanley ficou louco (de álcool) no dia e acabou saindo carregado pelo Gene Simmons.
O encontro com os fãs foi dentro de um cinema. Os fãs sentaram em uma poltrona à sua escolha e esperaram pela entrada de Peter. Somente a primeira fila que era proibida porque estava reservada para alguns convidados. Esses convidados, eram nada mais, nada menos do que Steven Adler (Guns n Roses), John 5, Rob Zombie e Ginger Fish. Além de uma galera da produção do músico e do evento, é claro. Consegui ficar na terceira fileira. Ou seja, bem próximo. Por conta da aparição dos convidados ilustres, todos começaram a acreditar que Peter cantaria alguma musica. Na realidade, não. Os músicos foram lá pra cumprimenta-lo e acabaram interagindo junto com o baterista.
Poucos minutos depois do horário programado, o musico surgiu na sala. Notei logo que ele chegou com a equipe do evento, assim que notou que estava olhando em sua direção, o musico abriu um sorriso e fez um ok para mim. A galera estava entretida no telão. Estava prestes a começar a exibição de um filme, mostrando alguns de seus melhores momentos, além dos depoimentos de diversos músicos que gravaram uma mensagem agradecendo-o pela inspiração. Entre eles; nomes como Mike Portnoy (Dream Theater), Kenny Aronoff, Steven Adler (Guns n Roses), entre tantos outros.
Assim que acabou o filme, Peter foi até o microfone, agradeceu a presença de todos e fez o tipo de uma mini palestra falando sobre o fato de ter vencido um câncer, sobre a indústria fonográfica, seus dias de rockstar e sua situação hoje. Agradeceu a presença e o apoio de sua esposa, Gigi. Embora seja muito criticada nos fóruns, a moça foi bem educada com os fãs em todos os dias de evento.
Assim que encerrou essa parte, o musico se dirigiu à uma nova sala para receber as pessoas. Entrava um a um na sala. O musico assinava os itens, tirava o retrato e, é claro, conversava um pouco…
– Vi você me olhando lá dentro, como você está?
– Verdade. Notei logo que você chegou. Estou bem, cara.
– De onde você é?
– Brasil.
– De que cidade?
– Estou morando agora em Santo Andre. Uma cidade pequena, mas nasci em São Paulo. Morei lá por 30 anos.
– Estive em São Paulo, acho que em 96, certo?
– 99, na verdade, fui no show. Ótimas recordações daquele dia.
– Verdade. Foi 99. Lembro da plateia. Era ótima. Grande e selvagem! Veio para os Estados Unidos por conta da Expo?
– Claro. Sou seu fã desde criança. Comecei na bateria tocando suas musicas.
– Fico feliz com isso. Ter esse tipo de influencia nas pessoas é muito bacana. Muito obrigado!
O músico assinou meus discos, me deu um abraço e tirou o retrato. Antes de sair, notei algumas peles de bateria empilhadas e perguntei para a esposa dele se estavam a venda.
– Sim, ele assina. Só que você tinha que ter falado antes.
– Ah.. É que vocês deixaram as peles no fundo da sala. Só vi agora.
– Tá. Então espera sair o próximo convidado que peço para ele assinar para você, ok?
– Claro!
Dito e feito. Peter assinou a pele e agradeceu, mais uma vez, a presença. Primeiro dia de expo, realmente bem bacana.
No dia seguinte, retornei ao Raleigh Studios. A Expo aconteceria lá dentro em um galpão que ficava de frente para a sala onde Peter havia nos recebido no dia anterior. O musico recebeu, mais uma vez, os fãs. Dessa vez, uma fila enorme. Fiquei na fila para poder assinar um vinil que havia comprado para dar de presente para o meu irmão.
Como a fila estava grande, antes de ir para a fila, fui dar uma volta na Expo. Nunca havia ido à uma. Bem montada, mas esperava um pouco mais de expositores. Bruce Kulick estava atencioso com o público, como de costume. Comentou do meu CD do Union – “Gosto muito desse disco” – e também de dois LP´s promos do Kiss que pedi para assinar. “Uau! Esse está com o OBI”, comentou ao pegar não mão o promo de “Who Wants To Be Lonely”, também comentou da capa do “Thrills In The Night”. “Olha que legal. Nesse, estava com minha guitarra azul”. Sim, o disco foi gravado com Mark St John (a faixa faz parte do Animalize), mas como o Bruce entrou no meio da turnê, o material promocional estampava a cara dele. E como meu disco estava assinado por Paul e Gene, não ia perder a chance de pegar a ultima assinatura que faltava. O baterista nessa época, era o Eric Carr, infelizmente, já falecido.
Os vendedores eram educados, mas não sei se ando comprando coisa demais, mas poucos itens à venda me chamaram a atenção de fato. Também tive a oportunidade de conhecer Tim Sullivan, produtor do filme Detroit Rock City.
– De onde você é?
– Do Brasil.
– Uau! Distância longa. Olha só! Você tem a edição em cardboard. Essa ficou rara.. Esse filme saiu no Brasil?
– Sim. Não em edição cardboard. Esse eu importei na época. Saiu na embalagem normal.
– Você está brincando que meu filme saiu no Brasil?
– Não. Chegou à ir até para as locadoras. As Blockbusters todas tinham
– Uau! Nunca imaginaria. Quer dizer que seu DVD saiu dos EUA, foi para o Brasil e agora, voltou para os EUA?
– Sim, e semana que vem, volta pro Brasil.
– Não deixe o Trump saber disso… (risos) Vou assinar para você…
Também tive a oportunidade de ficar cara a cara com David Donato, o vocalista do White Tiger (banda que Mark St John formou assim que saiu do Kiss). Ele ainda é conhecido por ter gravado esse disco e por ter feito um teste para o Black Sabbath. Nunca atingiu a fama, de fato. O rapaz não negou foto, nem autografo, mas se demonstrou ter se tornado uma pessoa um pouco amarga. Também foi o primeiro a abandonar a Expo. O cara saiu às 14h e não voltou mais. Todos os outros convidados ficaram até o fim do evento. Inclusive, o Peter.
Além das vendas e dos encontros, alguns convidados fizeram Q&A. No Kiss Kruise, essa parte era de perguntas e respostas. Na expo, foi igual ao lance do Peter. O cara subia e contava um pouco de sua historia para a galera e algumas curiosidades. Bruce Kulick, Tim Sullivan e “Big” John Harte foram os convidados do evento. As apresentações eram interessantes, mas curtas. Em torno de 40 minutos, cada.
Também teve a apresentação da banda Priss. Uma banda cover do Kiss formada por garotas. Nesse show, tinha um senhor na bateria, mas nos vídeos antigos era uma menina também. Provavelmente, tiveram algum contratempo. A banda estava bem entrosadinha. Na segunda apresentação, Bruce Kulick juntou-se ao palco para tocar 5 musicas juntos. Incrível o conhecimento e a habilidade que o cara tem no instrumento. Mesmo!
O resultado final foi positivo. A expo estava muito bem organizada. De quebra, ainda conheci Richie Scarlet e John 5. Topei com os caras do lado de fora da expo. No dia anterior, havia conhecido Rob Zombie. Dos convidados, da galera que gostaria de ter conhecido, só não deu tempo de chegar no Steven Adler.
Domingo era o ultimo dia. Mais uma vez, um evento para poucos convidados. E, mais uma vez, eu estava lá. Nos encontramos na calçada, do lado de fora do Raleigh Studios. Era o dia de fazer uma excursão de ônibus parando nos pontos relacionados ao Kiss, na cidade de Los Angeles. A curiosidade é que o guia da excursão era justamente o Peter Criss.
Durante o trajeto, Peter distraía a galera contando curiosidades sobre o local – “isso aqui era magico. Me encontrei aqui com David Bowie, Mick Jagger, Keith Richards… Fazíamos festas totalmente loucas” -, contava histórias sobre os seus dias do Kiss. “Me lembro na época da reunion, quando o Gene ligou para mim, dizendo ‘Peter. Achei que você gostaria de saber. Acabamos de esgotar 5 noites no Madison Square Garden’. Dizia ‘que legal, Gene’, mantendo  a pose. Quando desliguei o telefone, pulava em cima da cama como uma criança”, o musico arrancava risada da galera quando brincava imitando seus ex-parceiros Gene Simmons e Ace Frehley.
Nesse dia, não rolou foto individual, mas foram feitas algumas fotos junto com a galera da excursão. O ônibus parou na calçada da fama, na Music Center (que, coincidentemente, ficava de frente para o meu hotel) onde estavam as mãos dos caras do Kiss e algumas peças que pertenceram aos músicos, na Tower Records, além de ter passado em frente ao Sunset Studios, Casablanca Records, edifício da Playboy, Aquarius Theatre… Infelizmente, muitos lugares estavam fechados e muitos não existem mais. Então acabava valendo pelas histórias que Peter contava.
O musico também comentou sobre seus discos solo. “Amo meu ultimo disco. Sinto que muitas pessoas não o entenderam. Fiz aquele disco porque quis entregar algo diferente para vocês. Não queria voltar, depois de tantos anos, cantando a mesma coisa. Tem, inclusive, uma musica ali que escrevi pensando em vocês. ‘Faces In the Crowd’ fala sobre meus fãs. É que nem meu álbum de 78. Na época, todos eles estavam ouvindo somente Led Zeppelin. Não há nada de errado nisso, mas haviam outras coisas muito bacanas rolando. Foi isso que quis demonstrar naquele disco. Quem imaginaria ouvir um integrante do Kiss cantando ‘Tossin´ And Turnin´”?
Peter se demonstrou muito simpático nos três dias. Inclusive, ao final da excursão, já tinha um carro preparado para leva-lo embora, mas mesmo assim, ficou esperando que todas as pessoas descessem do ônibus. Cada um que descia, ele dava um abraço e agradecia a presença. Mesmo tendo sido avisados que não daria autógrafos no dia, teve um rapaz que arriscou quando desceu do ônibus e foi prontamente atendido. O musico assinou o LP no meio da calçada, sem nenhuma frescura. Também não se demonstrou incomodado quando foi reconhecido por um ônibus de excursão que estava passando na Tower Records, quando paramos para o retrato. Pelo contrário, o musico acenou a mão para o pessoal e trocou umas palavras com a galera.
Para quem é fã do Kiss ou do Peter Criss, a experiência realmente vale cada segundo. Nunca imaginaria que teria a oportunidade de passar por esse tipo de experiência e o cara fez valer todo o investimento. Experiência inesquecível.
OBS: Estava com ingresso reservado para assistir o Soulstation em Pasadena (banda de soul music liderada pelo Paul Stanley) e iria escrever sobre, mas infelizmente, o show acabou sendo adiado e tive que pegar meu dinheiro de volta.  Infelizmente, não foi dessa vez. Bem, agora é esperar pelo Ace Frehley em Março…

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Trick Or Treat (1986):



Por Davi Pascale

Trago hoje uma curiosidade super bacana. Quem viveu os anos 80, irá se lembrar da moda que era o filme de terror entre os adolescentes. O sucesso era tanto que criaram na época um terror para adolescentes – o (bom) Garotos Perdidos – e começaram a mesclar elementos de terror em filmes de comedia e vice-versa. Um filme muito bacana é esse que comento hoje que mistura terror com rock n roll, o Trick Or Treat.

A mistura não era tão inusitada. É comum encontrarmos musicas de rock n roll em filmes do gênero. O grande barato aqui é que o rock é o tema central da historia. Além de contar com a participação especial de dois grandes ícones da cena. Os lendários Ozzy Osbourne e Gene Simmons.

Não precisa se preocupar. Os papéis deles são pequenos e não comprometem. Acaba sendo curioso, nos dias de hoje, relembrar o visual desses caras na época. A história gira em torno de um famoso cantor que morre durante um misterioso incêndio e um fã obcecado. Sami Curr fazia parte da cena shock rock. Ou seja, aqueles caras que fazem shows teatrais com atos, por vezes, chocantes. A ideia do diretor era de que Blackie Lawless (W.A.S.P.) fizesse esse papel, o que tornaria esse filme mais antológico ainda, mas o músico negou o papel.

Pois bem, no dia em que a notícia da morte foi dada, Eddie Weinbauer (Marc Price), um de seus maiores fãs, estava escrevendo uma carta para o músico. Desolado, o garoto busca conforto em “Nuke” (Gene Simmons), um radialista que conhecia o artista pessoalmente. Sabendo da paixão que o menino tinha pelo cantor, entrega um presente ao garoto. Um acetato com o que viria a ser o próximo disco do músico, Songs In The Key of Death. A única copia existente do material. O LP, obviamente, está amaldiçoado pelo espirito do musico. Os dois começam a conversar através do disco. Sami ajuda Eddie a se vingar dos valentões do colégio, ao mesmo tempo em que começa a matar alguns dos colegas. Atitude que faz com que o garoto se arrependa e tente voltar atrás. Como, obviamente, não consegue convencer o espirito à parar ou deixa-lo fora da jogada, o menino terá que encontrar uma maneira  de derrota-lo.

O filme brinca com todos os jargões da época. Com o fato dos roqueiros serem impopulares e tidos como esquisitos, a família que se preocupa com o conteúdo das letras, o disco que roda ao contrário (muita gente acreditava nessas histórias na época). O formato do filme também é dentro dos padrões dos filmes de terror dos anos 80. Brinca com a ideia de sobrenatural, adiciona elementos de comédia, apresenta mortes estranhas, garotas nuas e, é claro, o rock n roll como trilha. Ozzy interpreta um pastor que prega contra o rock. Ironia pura. Ozzy foi bem perseguido nessa época, principalmente por fanáticos religiosos.

A trilha do filme ficou a cargo do sempre competente Fastway (quem nunca ouviu nada deles, recomendo começar pelo álbum de estreia) e, conforme esperado, fez um ótimo trabalho.

Claro que essa película é para ser encarada como entretenimento puro. Não busque nada muito filosófico  aqui. Contudo, o filme prende a atenção e diverte. Embora não tenha saído no Brasil, esse material foi lançado em DVD nos EUA e é bem fácil de encontrar na net. Para quem não gosta de levar tudo tão a sério nessa vida, acaba sendo uma bela distração. Fica a dica...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Hole – Grease Your Hips (2015):



Por Davi Pascale

Apresentação do auge da banda é revivida em CD lançado por selo pequeno. Disco traz 2 performances da mesma tour. Qualidade de som varia um pouco.

Live Through This foi lançado poucos dias após a morte de Kurt Cobain, líder do Nirvana e marido de Courtney Love. Inicialmente, o disco sofreu varias criticas. Muitos a acusavam de estar se promovendo em cima da morte do marido, mas logo o tom mudou. A qualidade do material falou mais alto e muitos críticos acabaram se rendendo ao CD. Para quem curte grunge, realmente é um ótimo álbum. Muito bem gravado, canções oscilando momentos calmos com momentos nervosos, refrãos marcantes. Tudo que a moçada gosta, estava ali.

As apresentações foram extraídas justamente dessa turnê. Ou seja, o auge das garotas. Não apenas em relação à discos, mas também em relação à popularidade. Essa foi a fase em que elas mais estiveram presentes na mídia, participando de premiações e com músicas nas rádios e na MTV. O baixo já estava a cargo de Melissa Auf Der Maur, que entrou no meio da turnê substituindo Kristen Pfaff. Para quem não se recorda, a ex-baixista se juntou ao clube dos 27, por conta de uma overdose de heroína. Tecnicamente falando, Melissa sempre foi uma instrumentista muito mais competente. Logo, o nível das apresentações não foi afetado.

São 2 shows que temos aqui. Uma no Hollywood Palladium em 9 de Novembro de 1994. E outra, no Community Theater, exatamente um mês depois. Os 2 shows foram transmitidos por rádio, portanto a qualidade de som é boa. Não é perfeita, impecável, porque esse selo é independente. Isso aqui é meio que um bootleg. Logo, não existe tratamento de som. De todo modo, a primeira apresentação, a qualidade de gravação é um pouco superior. O áudio é mais bem definido.

A banda estava em uma boa fase. Elas nunca foram grandes instrumentistas, mas estavam bem entrosadas e Courtney estava cantando bem (para o gênero, é claro). O show do Hollywood Palladium é um pouco mais pesado e direto. Praticamente som atrás de som com clássicos como “Violet”, “Teenage Whore”, “Asking For It” e “Miss World”. Somente a fraca versão de “Hungry Like The Wolf” (Duran Duran) que era, realmente, dispensável.

O segundo show é um pouco mais descontraído com Courtney Love conversando com a plateia entre as músicas, fazendo suas famosas provocações. O repertório é bom e traz algumas faixas que ficaram de fora do outro show como “Sugar Coma”, “Doll Parts” e “Rockstar” (na capa com o nome de “Olympia”). As performances são honestas, sem nenhum tipo de playback, e possuem bastante garra. 

Infelizmente, o Hole nunca lançou um trabalho ao vivo, nem em CD, nem em DVD, nem em VHS. O que é uma pena, já que Courtney Love sempre foi uma artista de atitude nos palcos. Um registro em vídeo, dessa fase especialmente, seria genial. De todo o modo, o disco serve para saciar um pouco o desejo dos fãs, além de trazer um pouco de nostalgia para quem viveu aquela época. Para quem curte um som mais direto, extremamente bem-vindo.

Nota: 7,5 / 10,0
Status: Nostálgico

Faixas:
      01)   Plump
      02)   Beautiful Son
      03)   Miss World
      04)   Asking For It
      05)   Hungry Like The Wolf
      06)   Gutless
      07)   Softer, Softest
      08)   I Think That I Would Die
      09)   Credit In The Straight World
      10)   Teenage Whore
      11)   Violet
      12)   Sugar Coma
      13)   Miss World / We Three Kings
      14)   Asking For It
      15)   He Hit Me (And I Felt Like a Kiss) / Best Sunday Dress
      16)   Doll Parts
      17)   Violet
      18)   Olympia (Rockstar) 
      19)   Sugar Coma (Reprise)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Beatles – Eight Days a Week Special Edition (2016):



Por Davi Pascale

Novo documentário dos Beatles resgata imagens de arquivo e apresenta entrevistas inéditas. Longa dá uma boa repassada nos primeiros anos de banda.

Os 4 garotos de Liverpool se aposentaram dos palcos em 1966. Embora tivessem tido alguns contratempos – como a polêmica e mal compreendida declaração de John Lennon de que os Beatles eram mais populares do que Jesus – sua popularidade continuava em alta. Entretanto, a banda já apresentava sinais de desgaste e estavam cansados da falta de estrutura das apresentações.

Em uma época onde retorno não existia, o amplificador mais potente era de 100W e a mesa de som mais moderna tinha 8 canais, apresentar-se em arenas e estádios não era algo muito confortante. Muitas vezes, os músicos não conseguiam sequer ouvir o que estavam tocando. Ringo Starr comenta no filme que quando apresentaram-se no Shea Stadium ficava olhando para o pé dos rapazes para ter uma ideia de que parte das musicas eles estavam. Tocar assim, diante de uma multidão, deve ser, no mínimo, desesperador.

É exatamente esse primeiro período que o filme retrata. Das turnês dos músicos. Desde quando se apresentavam no Cavern Club, passando pela chegada aos EUA até sua apresentação final. Quando resolvem se reunir depois de alguns anos para uma apresentação no topo do edifício de Apple.

Está tudo bem documentado. O inicio de tudo, a explosão da Beatlemania, as entrevistas bem humoradas dos rapazes. Para quem acompanha a banda por um bom tempo, meu caso, nenhuma declaração bombástica, nenhuma novidade fora do comum. Entretanto, o documentário está muito bem montado e acaba agradando.

Há algumas revelações interessantes. Como a da atriz Whoopie Goldberg contando sobre sua experiência em um show dos Beates. No caso, o histórico Shea Stadium. E também dos músicos comentando sobre a vez que se negaram a tocar para uma plateia segregada. “Não tocamos para este tipo de pessoa ou aquele tipo de pessoa. Tocamos para as pessoas”, explica Ringo.

Paul McCartney e Ringo Starr concederam entrevistas exclusivas para o filme. Os falecidos John Lennon e George Harrison tiveram imagens resgatadas de arquivos. A maioria dos fãs já as conhecem, mas dentro da película causam impacto. E também seria uma enorme falha não termos depoimentos dos 2 músicos. Há ainda algumas imagens ao vivo. As musicas não estão inteiras, mas contam com um bom trecho e uma qualidade de imagem muito acima da média.

Essa edição em bluray, que em breve deve estar saindo no Brasil (a minha trouxe dos EUA), conta com um segundo DVD apenas de extras, com mais entrevistas e com 5 musicas ao vivo na integra. Para os fãs, material imprescindível. Dos documentários adicionais, o mais bacana é um que se chama Words And Music onde comentam um pouco mais a fundo sobre como funcionava o processo de composição dos Beatles.

Eight Days a Week é um belo documentário que te ajuda a entender melhor a decisão de pararem de excursionar, te dá um bom panorama do que era o cenário pop da época e de como funcionava a banda na época. Como disse, quem é realmente dedicado à banda, já deve conhecer uns 90% das histórias, mas ainda assim é um material obrigatório. Realmente muito bacana a ideia desse resgate histórico. E que venham mais filmes como esse em um futuro próximo.

Nota: 9,0 / 10,0 
Status: Bem produzido 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

L.A. Guns – Boston 1989 (2015):



Por Davi Pascale

Disco traz apresentação da banda no auge. Apesar do erro da capa, material é essencial para quem curte o som da banda.

L.A. Guns é aquela típica banda que, apesar de não contar com inúmeros hits radiofônicos, conseguiu se tornar um nome bem respeitado dentro da cena da qual faz parte. Quem conhece a historia do Guns n Roses, já leu o nome deles, ao menos. Eles e o Hollywood Rose foram bandas embrião. Só que, ao contrário do Hollywood Rose que durou apenas um LP, esses caras permanecem na estrada até os dias atuais.

Sim, houve inúmeras trocas de lineup, discos bons, discos fracos, discos longe da sonoridade clássica. Passaram por tudo que vocês podem imaginar. Na época, o show dos caras era uma loteria. Dependendo do quão louco estavam os músicos, o show poderia ser excepcional ou uma tragédia total. Para nossa sorte, a performance aqui é excelente. Tracii Guns e Phil Lewis estavam pegando fogo.

Esse show foi resgatado dos arquivos e não houve tratamento de som. Portanto, já aviso que o a qualidade de som está longe de ser animal, mas também não é nada vergonhoso. Diria que a qualidade de gravação é ok. O lado bom, nisso tudo, é que não há overdubs. É a performance nua e crua. E o show é contagiante.

O repertório é fantástico. Focado em cima dos três primeiros álbuns. Sem direito à baladas, nem mesmo a conhecida “The Ballad of Jayne” entrou. É porrada atrás de porrada. Com direito à lados B como “Wild Obsession” e “17 Crash”, que são musicas difíceis de ter registro ao vivo, até as preferidas dos fãs como “Sex Action”, “Rip And Tear” e “Kiss My Love Goodbye”. De quebra, ainda mandaram um cover do Montrose. O classicão “Hard Candy”.

Show tipicamente de hard rock. Banda extremamente enérgica. Solos de guitarra inspiradíssimos, vocalista cantando com a voz lá em cima quase todo o tempo, baterista sentando a mão. Performance incrivelmente competente. Algumas vezes, soam melhores ao vivo do que em estúdio.

O único senão é que o cara que lançou o material, não se dignou a ouvir o registro com a atenção devida. Essa performance não é de 1989, é de 1991. Dá para sacar pelo repertório. E também não é um único show. Durante as gravações, ouvimos Phil Lewis agradecendo cidades diferentes. Um nome como Live From The Vaults, seria mais honesto.

De todo modo, para quem é fã da banda, o registro é obrigatório. Os 3 primeiros álbuns são o período de ouro da banda e, como disse, a qualidade da performance é avassaladora. Superior, inclusive, às performances mais recentes. Apesar da falta de capricho da produção, o CD é empolgante. E, ah, sim, quando for comprar sua cópia, pegue a edição em CD. É mais barata e tem 4 faixas à mais do que o vinil. Fica a dica.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Empolgante

Faixas:
      01)   Kiss My Love Goodbye
      02)   Wild Obsession
      03)   Dirty Love
      04)   Slap In The Face
      05)   Electric Gypsy
      06)   Rip And Tear
      07)   Never Enough
      08)   Malaria (somente no CD)
      09)   Sex Action
      10)   Bitch Is Back
      11)   17 Crash (somente no CD)
      12)   I Wanna Be Your Man (somente no CD)
      13)   One More Reason
      14)   Rock Candy
      15)   Some Lie For Love (somente no CD)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Detonator – Metal Folclore: The Zoeira Never Ends (2013):



Por Davi Pascale

Personagem mais famoso do Massacration fez álbum solo brincando com o folclore brasileiro. Projeto é bem inteligente e merece ser conferido...

Sim, esse disco saiu já tem um tempinho, eu sei. Mas, somente agora parei para ouvi-lo do início ao fim. E realmente, fiquei bem surpreso. Claro, o disco é um trabalho humorístico. Não é para ser levado à ferro e fogo. Mas, dentro do propósito, ele atende as expectativas.

Sem zoeira, dentro dessa pegada engraçadinha, foi o trabalho mais inteligente que ouvi desde o debut dos Mamonas Assassinas. O álbum foi muito bem pensado. As letras trazem umas sacadas sensacionais. Não tem como não rir em tiradas como as que aparecem em “Curupira”, “Boto” e “Saci” e também está muito bem tocado.

Para que conseguisse uma sonoridade adequada, Bruno Sutter trouxe uma penca de convidados especiais. Músicos como Michel Leme, Edu Ardanuy (Dr. Sin), Thiago Bianchi (Noturnall), Felipe Andreoli (Angra), Rafael Bittencourt (Angra), João Gordo (Ratos de Porão) e Ricardo Confessori (Shaman) emprestam seus dotes. Pelo visto, ao menos entre os músicos, o garoto tem respeito.

O rapaz continua sacaneando o heavy metal indo nos pontos-chave. Fez um trabalho temático, com narração e muita gritaria. Como de se esperar, tudo altamente escrachado. A narração foi feita pelo ator Alexandre Frota. O tema foi o folclore brasileiro, mas não faltam as sacaneadas básicas. Zumbi foi acrescentado por ser o personagem “da moda”, como deixa claro na letra da música, mas a trolada máster foi a inclusão do Saquito. Um mascote criado em 2013 para uma campanha contra o câncer de próstata.

Quem adquire o álbum original, ganha mais algumas tiradas. Uma pelo formato de encarte. Como a galera tem mania de se dirigir à discos, e eu me incluo nessa leva, como álbuns, o livrinho é um álbum de figurinhas. E também tem alguns textos adicionais que te ajudam a entender a sequencia de algumas faixas e a inclusão de algumas referências.

O único senão é a qualidade de gravação que poderia ser um pouquinho melhor. Os discos do Massacration eram mais bem gravados, mas sejamos francos, muita banda séria de metal também entrega discos com gravação meia-bomba. Muitos, inclusive, com uma qualidade bem abaixo da apresentada aqui, sejamos francos.

The Zoeira Never Ends não é muito longo. Em torno de 40 e poucos minutos, então não dá tempo de cansar. Algumas faixas são, na verdade, vinhetas. Algumas passagens instrumentais e algumas interações engraçadinhas entre o filhinho do Deus Metal e Frota. Como disse, o trabalho é bem feito, bem agradável, mas só é recomendado para quem tem bom humor e não leva tudo tão à sério. Se esse for seu caso, vá sem medo.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Inteligente

Faixas:
      01)   Introdução
      02)   Metaleiro
      03)   Uma Grande Tragédia
      04)   Metal Zumbi
      05)   Tadinho Dele
      06)   Curupira
      07)   Boto
      08)   Boitatá
      09)   Mula-Sem-Cabeça
      10)   Cuca
      11)   Saci
      12)   O Pimpolho do Folclore
      13)   Saquito
      14)   Missão Cumprida
      15)   Qual É o Negócio? 
      16)   Mestre do Santuário

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Tarja - Brightest Void (2016):



Esse ano, o Riff Virtual passa a publicar textos de segundas, quartas e sextas. Como estou em uma viagem, resolvi resgatar esse texto. Afinal, esse CD é um complemento do álbum que comentei na última quarta. Como o blog aumentou bastante o numero de acessos nos últimos meses, achei que valia resgatá-lo. Segunda estou de volta com material inédito. Abraços à todos.

Por Davi Pascale

Tarja Turunen lança novo álbum. Na verdade, dois. Hoje, trataremos do primeiro deles. Com sonoridade sombria e voz potente, a belíssima cantora finlandesa dá uma prévia do que está por vir em projeto que deve agradar seus fieis seguidores.

Tarja é, para mim, um dos últimos grandes nomes do rock. Sempre fui muito fã tanto do seu estilo de composição, quanto de sua voz. Hoje não é mais novidade misturar musica clássica com heavy metal, mas são poucos os que sabem mesclar os dois universos tão bem. Sim, continuo gostando do Nightwish. Gosto de Epica, After Forever, Within Temptation e afins. Mas quem realmente tem me chamado a atenção nos últimos tempos é ela. Dona de uma das vozes mais afinadas da atualidade e de uma carreira incrivelmente consistente.

Talvez, o grande diferencial seja seu conhecimento de música clássica. Enquanto a maioria dos artistas da cena são de headbangers que nutriam uma admiração pela musica clássica. No caso dela é exatamente o oposto. Sua escola musical é realmente a música clássica, as cantoras de ópera, etc. Inclusive, leva em paralelo uma carreira com uma obra mais voltada para esse universo. Sempre intercala um álbum mais clássico com um mais rock n roll. E, dessa vez, é a vez do rock falar alto novamente.

“No Bitter End” consta nos dois discos. Trata-se da faixa single. Escolha correta. Embora tenha uma guitarra suja, conta com uma linha vocal pegajosa. Com poucas ouvidas, o  refrão entra na sua cabeça e não sai mais. “Eagle Eye”, outra que aparece nos 2 trabalhos, traz a linguagem que seus fãs estão acostumados. Contando com a participação especial de seu irmão Toni Turunen nos vocais e o baterista do Chili Peppers, Chad Smith, traz aquela mescla de guitarras sujas, arranjo cadenciado, vocal variando entre o limpo e o lírico. Mesma lógica que segue desde os tempos de My Winter Storm.

As mais diferenciadas acredito que sejam “An Empty Dream” e “Witch Hunt”. Faixas marcadas por fortes inclusões de elementos eletrônicos. Foram as duas que considerei dispensáveis. A divertida “Your Heaven And Hell” também traz um 'q' de novidade ao trazer um arranjo mais direto, mais veloz, com direito até a um solo de gaita na musica. Características que têm tudo a ver com o convidado, Michael Monroe (Hanoi Rocks), mas não tão previsível no trabalho de Tarja.

Já é comum esperarmos alguns covers inusitados em seus CD´s. Aqui, temos 2. “Goldfinger”, interpretada originalmente por Shirley Bassey na trilha do 007. A música traz aquele ar cinematográfico que os fãs do Nightwish tanto gostam. Uma das melhores do álbum. E “House of Wax”, de Paul McCartney, onde manteve a pegada moderna e sombria da canção original, mas adicionando um pouco mais de peso. Os fãs de Tarja irão adorar. McCartney, ficaria orgulhoso. Os fãs dos Beatles já não tenho tanta certeza...

Outro grande destaque é a porrada “Shameless” onde entrega um trabalho vocal impressionante, demonstrando que não perdeu seu forte alcance. “What About Us”, gravada originalmente para o álbum Hydra do Within Temptation, encerra o disco com um novo mix, onde a voz de Tarja ganha mais destaque. Trabalho bem bacana. Certamente, um ótimo aperitivo. Já ansioso para ouvir The Shadow Self.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Ótimo

Faixas:
      01)   No Bitter End
      02)   Your Heaven And Your Hell
      03)   Eagle Eye
      04)   An Empty Dream
      05)   Witch Hunt
      06)   Shameless
      07)   House of Wax
      08)   Goldfinger 
      09)   Paradise (What About Us) – New Mix