quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Dead Daisies – Dead Daisies (2013):



Por Davi Pascale

Atenção: Em 2017, o Riff Virtual deixa de ser diário. A partir de agora, postarei textos às segundas, quartas e sextas. Com isso, terei mais tempo para descobrir coisas novas e também mais tempo para elaborar melhor meus textos. Obrigado pelo apoio de todos vocês!

Debut da banda trazia formação diferente, sonoridade diferente e convidado para lá de especial. Disco, contudo, agradará aos velhos rockers.

Já escrevi algumas vezes aqui sobre esse grupo que tem crescido cada vez mais. Cheguei a comentar até sobre a apresentação deles que assisti recentemente no cruzeiro do Kiss. A formação atual é praticamente perfeita e faz um hard rock empolgante, com bastante referência de anos 70 e 80. O debut era um pouco diferente.

Nesse primeiro CD, não tínhamos ainda Doug Aldrich (Whitesnake, Dio), nem o Brian Tichy (Pride & Glory), nem o John Corabi (Motley Crue). A bateria ficava a cargo de Frank Ferrer, da formação atual do Guns n Roses. A guitarra ficava por conta de Richard Fortrus, mais um da trupe de Axl Rose, sem falar nos teclados que contavam com as mãos de Dizzy Reed. O vocalista aqui era o Jon Stevens, o rapaz que assumiu os vocais do INXS após a morte do emblemático Michael Hutchence. Da formação atual, apenas o guitarrista David Lowy (criador da banda) e o baixista Marco Mendoza (Whitesnake).

Muitos criticam os guitarristas do Guns que fizeram parte dessa formação reformulada. Entendo e até concordo em partes. Realmente, é estranho ir à um show do Guns e só encontrar o rosto de Axl. No lugar dele, não teria usado o nome do Guns nesse período. Teria me lançado como artista solo.  Concordo que os trabalhos de guitarra mais impactantes são dos álbuns antigos. De todo modo, quem assistia as apresentações sem levar tudo à tão ferro e fogo, notava que os caras eram bons músicos, sim, e desempenhavam bem seu papel. Tanto que o trabalho de guitarra do Richard Fortrus aqui é excelente.

Talvez a escolha do vocal pareça estranha para alguns. E realmente é, mas não façam confusão. O INXS chegou a lançar um álbum em 2005 com o nome de The Switch, onde o vocalista tentava emular Hutchence, não se trata desse cara. Aquele era J.D. Fortune. Esse rapaz aqui cantou com eles durante 4 anos (2000-2003), mas nunca lançou nenhum disco com o grupo. Tem uma voz bacana, bom alcance, timbre legal, casou bem com a sonoridade do conjunto.

Qual a sonoridade do conjunto afinal? Como havia dito, a pegada aqui é um pouco diferente. Sim, já era um grupo de hard rock, mas não tinha essa pegada mais oitentista, esse ar mais festivo e o som era mais limpo, com menos distorção. Era uma pegada mais 70´s. Inclusive, com alguns momentos bem Rolling Stones. Algo que vocês podem conferir em faixas como “Washington”, “Yesterday” ou até mesmo “Yeah Yeah Yeah”.

Esse disco chegou às minhas mãos pela revista Classic Rock Magazine. Veio encartado em uma das edições. Na época, não sabia muito bem do que se tratava. Claro que depois fui pesquisar sobre, mas já era nítido, desde a primeira audição, que os caras sabiam o que estavam fazendo ali. Tudo muito bem tocado, muito bem gravado, muito bem cantado. “It´s Gonna Take Time” e “Bible Row” soam empolgantes. “Writing On The Wall” traz uma levada de violão que remete aos trabalhos iniciais de Rod Stewart.

Contudo, para os fãs de Guns n Roses (acredito que muitos deles pegarão esse álbum para ouvir), a cereja do bolo é a participação do Slash no single “Lock ‘n ‘ Load”. Não é preciso muito mais do que alguns segundos para reconhecer sua guitarra. Embora os versos sejam bem com essa sonoridade 70´s, no refrão ela dá uma bela crescida. Acredito que entre todas as músicas presentes aqui, essa seja a que mais se assemelha ao que eles fazem hoje.

Em resumo, as faixas são ótimas, o trabalho é excelente e os músicos, embora não sejam os mesmos, são muito competentes também. Contudo, como disse, o som era menos sujo e menos 80´s. Portanto, se você começou com os discos da fase Corabi, vá com calma. Agora, que é um álbum divertidíssimo, ah... isso é!!

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Muito bom

Faixas:
01)   It´s Gonna Take Time
      02)   Lock n´ Load (feat. Slash)
      03)   Washington
      04)   Yeah Yeah Yeah
      05)   Yesterday
      06)   Writing On The Wall
      07)   Miles In Front Of Me
      08)   Bible Row
      09)   Man Overboard
      10)   Tomorrow
      11)   Can´t Fight This Feeling
      12)   Talk To Me 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Melhores de 2016


Por Davi Pascale
Publicado originalmente no site Consultoria do Rock no dia 31/12/2016
2016 está chegando ao fim. Foi um bom ano em termos de lançamentos. Artistas de longa data entregando trabalhos empolgantes, bandas mais recentes fazendo discos inspirados. Infelizmente, não deu para colocar tudo que gostaria. Para chegar à relação final, escutei algumas centenas de discos e optei por colocar aqueles que me empolgaram logo na primeira audição. Como sempre, não me preocupei em focar artistas novos, nem artistas desconhecidos, apenas coloquei aquilo que me surpreendeu de imediato. E, claro, procurei focar no bom e velho rock n roll. E bahhh, já ia me esquecendo, Feliz Ano Novo pessoal!!!

Metallica – Hardwired To Self-Destruct

Assim que assisti ao clipe de “Hardwired” minha empolgação foi à 1.000. Metallica sempre teve detratores e sempre continuará tendo. Contudo, sempre entregaram um produto de qualidade e aqui não é diferente. Trabalho empolgante com ótimos riffs, vocal certeiro de James Hetfield e a bateria sempre criativa de Lars Ulrich. Virou moda criticar o Lars, mas uma coisa é fato. Sem ele, Metallica não seria o Metallica. A bateria dele é tão típica quanto as linhas vocais de James. Musicalmente, temos um trabalho pesado e repleto de ótimas canções. Há, realmente, alguns momentos que nos remetem ao Metallica de Kill ´Em All, mas também há momentos que nos remetem ao Black Album e até mesmo ao Load. Portanto, se você está esperando um disco volta às raízes, vá com calma. Se você está esperando um ótimo CD e nada mais do que isso, vá sem medo!

Dead Daisies – Make Some Noise
Tecnicamente não tem o que falar desses caras. Só feras… Marco Mendoza? Foda! Doug Aldrich? Foda! Brian Tichy? Foda! John Corabi? Foda! E o repertório é animal. Embora tenham somente músicos de primeira grandeza, o álbum não é exibicionista. Privilegiaram as melodias, ao invés da técnica. O que temos aqui é um álbum de hard rock absolutamente matador. Momentos de destaque: “Long Way To Go”, “Song And a Prayer”, “Last Time I Saw The Sun”, “Mainline”, além da versão empolgante de “Join´ Together” (The Who). Aula de rock n´ roll!!!!

Whitford / St Holmes – Reunion
Em uma palavra: fantástico. O guitarrista do Aerosmtih une-se ao cantor do Ted Nugent, mais uma vez, e o resultado não poderia ser outro. Hard rock alto astral com uma competência fora do comum. Troy Lucketta (Tesla) foi o responsável pelas baquetas e faz um trabalho eficiente. Quem mais impressiona, contudo, é St Holmes. O cara ainda canta muito!! E não é arremedo de estúdio, não. Assisti esse projeto ao vivo e o cara realmente arrebenta. Escute “Shapes” e “Rock All Day” e veja se você não fica com vontade de sair pulando na cama…

Glenn Hughes – Resonate
Esse é outro que ainda canta pra cacete. Mas aqui já era esperado. Afinal, não é por acaso que ele recebeu o título de ‘the voice of rock’. O novo álbum do Voodoo Hill não me empolgou muito. Achei as composições bem sem sal. Não posso dizer o mesmo de Resonate. Pelo contrário, fazia tempo que um álbum do Glenn Hughes não me empolgava tanto. “Landmines” remete à seus tempos de Feel; “How Long” e “Steady” emocionará aos fãs do Purple, contudo a pegada do álbum é outra. Temos aqui um álbum pesadaço, com guitarras sujas e vocais cortantes. Escute “Let It Shine”, “My Town” e “God of Money” para entender o que estou dizendo.

Blues Pills – Lady In Gold
Uma das bandas mais legais que surgiram nos últimos tempos. Em seu segundo álbum, os suecos voltam mais psicodélicos, além de apostar em uma maior influencia de soul. Sim, a pegada hard e blues permanecem. O grande destaque do conjunto continua sendo a voz de Elin Larsson. Honestamente, achei o repertório desse disco mais consistente do que o do seu (bom) debut. Momentos de destaque: “Lady In Gold”, “Little Boy Preacher”, “Burned Out”, “Bad Talker”, “You Gotta Try” e “Rejection”.

Fates Warning – Theories Of Flight
No Brasil, quando se fala prog metal, escuta-se em seguida as palavras Dream Theater quase como se fosse um mantra. Realmente, o trabalho dos caras é absurdo, mas existem outros grupos muito competentes dentro do gênero. O Fates Warning é um deles e esse novo disco é a prova disso. Os músicos também são excelentes. Bobby Jarzombek fez um trabalho de bateria absurdo, Jim Matheos está arregaçando nas guitarras e Ray Alder está cantando pra cacete. Os músicos conseguem mesclar o lado técnico com composições empolgantes. Apenas duas faixas são longas e, mesmo assim, não são cansativas. Aliás, colocaria “The Light And The Shade of Things” em destaque ao lado de “Seven Stars” (altas influências de Queensryche) e “Like Stars Our Eyes Have Seen”. Fantástico!

Kansas – The Prelud Implicit
O Kansas ficou famoso por associar as melodias fáceis do pop às passagens complexas do progressivo. E assim é, mais uma vez, em The Prelude Implicit. Mesmo tendo perdido alguns integrantes importantes, Kerry Livgren e Steve Walsh abandonaram o grupo, a qualidade foi mantida. A essência do conjunto permanece. Os vocais melódicos estão aqui, a influencia do hard rock está aqui, as orquestrações estão aqui, os momentos viajados do progressivo estão aqui. Trabalho lindíssimo que beira a perfeição. Faixas preferidas: “With This Heart”, “Visibility Zero”, “Camouflage” e “Summer”.

Airbourne – Breakin´ Outta Hell
Certamente, não são a banda mais original do mundo. O que esses caras fazem é meio que uma continuação daquilo que o AC/DC fez por décadas. Bateria reta, vocal berrado, guitarra na cara. As letras também não trazem nenhuma novidade para quem escuta rock há alguns anos. Versam sobre vida na estrada, garotas e bebidas. Entretanto, a fórmula funciona incrivelmente bem e eles conseguem soar empolgantes e interessantes. Disco para ouvir no ultimo volume.

King Bird – Got Newz
No cenário brasileiro, essa foi uma das melhores bandas que surgiu nos últimos anos. João Luiz está fora da banda. Para seu lugar veio Tom Cremon. A entrada do novo integrante trouxe sangue novo para os garotos. A banda deu uma renovada em sua sonoridade. Sim, a influencia 70´s continua aqui – algumas passagens de “Immortal Rider”, por exemplo, remetem à Rainbow – mas essa não é mais a dinâmica do álbum como um todo. Os músicos fizeram um trabalho mais moderno, com várias referências de 80´s e uma mixagem mais moderna. Recomendado aos fãs de Gotthard.

Michael Sweet – One Sided War
Esse cara é dono de uma vez absurda. O trabalho vocal que ele fez em Against the Law é de cair de joelhos. Na sua carreira solo, já explorou diversas sonoridades. Fez álbuns mais pops, trabalhos mais acústicos, trabalhos mais modernos. One Sided War mantém o peso de I´m Not Your Suicide, mas traz uma sonoridade menos moderna, mais próxima daquilo que o Stryper faz. Aliás os fãs do conjunto irão delirar em faixas como “Comfort Zone” e “One Sided War”. Além de cantar incrivelmente bem, também toca guitarra muito bem. O trabalho de guitarra aqui também está muito bom. Os grandes destaques do disco ficam por conta de “Bizarre”, “Golden Age”, “You Make Me Wanna” e “One Way Up”.

Mais alguns álbuns brasileiros….

Busic – Busic

Esse disco eu só tive acesso depois que minha lista já tinha sido fechada e enviada, portanto, acabou ficando de fora da lista oficial. Me surpreendeu a rapidez dos caras para construírem uma nova banda. Quem curtia a sonoridade do Dr. Sin, pode ir sem medo. Ivan e Andria continuam tocando no mesmo estilo que sempre tocaram. Andria está cantando extremamente bem. A sonoridade é aquele hard rock gostoso que sempre souberam fazer como ninguém, só que com uma sonoridade um pouco mais direta e letras em português. Não faltam referências de Queen, Rush e Van Halen no som da banda. Recomendado aos fãs de Dr. Sin e Taffo.

Céu – Tropix
Sim, acompanho artistas que não fazem parte do hall do rock n roll. Aqui, sempre procuro manter o foco no rock por conta da proposta do site, mas quando alguém faz algo tão bem feito, merece ser citado. Algo muito bacana na Céu é que ela faz um som com bastante personalidade. Além disso, a moça nunca se repetiu. Cada disco dela traz uma novidade. Em seu debut, deu o que falar ao misturar mpb e pop com dub e reggae. Em Caravana Sereia Bloom, fez um trabalho mais acessível explorando mais as guitarras e uma levada mais brega, por assim dizer. Dessa vez, mergulha no universo das batidas eletrônicas usando e abusando dos sintetizadores. Tropix traz um repertório altamente consistente, mais da metade do disco já caiu na boca dos seus admiradores, e é muito bem gravado. Disco que por muuuuito pouco não entrou na lista oficial. Se você não curte apenas rock n roll, vale uma checada. Faixas de destaque: “Amor Pixelado”, “Varanda Suspensa”, “A Nave Vai” e “Arrastarte-ei”. Também vale citar a releitura de “Chico Buarque Song”, do cultuado Fellini.

Lobão – O Rigor e a Misericordia
Muitos pegaram raiva do músico por conta de ter mudado de lado na política. Só lamento… Lobão é um dos artistas mais interessantes do rock nacional e O Rigor e a Misericordia não deixa por menos. Letras inteligentes e bem escritas, ótimo som de guitarra, bom som de bateria. O musico fez o álbum praticamente sozinho. Gravou baixo, guitarra, bateria, violão, voz, teclado, compôs, produziu. Algo que não tenho certeza se muitos dos que o criticam, conseguiriam. O disco é praticamente épico e traz verdadeiras pérolas como “Os Vulneráveis”, “Uma Ilha Na Lua” e “Dilacerar”. Nos anos 90, ele fez um dos melhores discos brasileiros da década e não teve toda a atenção que merecia (o fantástico A Vida é Doce). Esse novo trabalho não é tão genial quanto o A Vida É Doce, mas ainda assim é um belíssimo trabalho e merece ser apreciado. Esqueça essa discussão inútil/infantil de coxinha x mortadela (diferentes pontos de vista é algo que sempre existiu e sempre irá existir) e ouça o disco.

Álbuns de Covers:

Ace Frehley – Origins Vol 1
O ex-guitarrista do Kiss recorre às suas influências e entrega um álbum de rock n roll honesto e impactante. Ace nunca foi um grande cantor, mas soube escolher musicas que encaixam na sua voz sempre característica, portanto o resultado final da parte vocal ficou agradável. Na guitarra, por outro lado, sempre foi mágico e isso não muda aqui. Sua guitarra está com um puta timbre e sua performance é inspirada. Como se não bastasse, ainda trouxe seu ex-parceiro Paul Stanley para uma versão matadora de “Fire And Water” (Free). Vale conferir.

Melissa Etheridge – Memphis Rock & Soul
Se não tivesse a regra de que álbuns covers e ao vivo não podem aparecer na lista final, esse estaria na lista principal e em uma ótima posição. Melissa Etheridge é dona de uma discografia bem interessante (ok, um ou outro álbum fraquinho, mas no geral, bem interessante) e uma ótima voz. Forte, rasgada e com uma afinação invejável. Aqui, recorre ao material do selo Stax e resgata suas origens dentro do universo da soul music. Artistas como Otis Redding e Sam & Dave estão entre os homenageados… Trabalho inspiradíssimo!

DVD´s Ao Vivo…

Kiss – Kiss Rocks Vegas
Fui um dos malucos que correu para os cinemas para assistir a única transmissão que fariam. Apenas 1 dia e 1 horário. Sim, teve isso aqui no Brasil também! Aquela velha história: para quem é fã da banda, diversão mais do que garantida. Quem não é fã, continuará não sendo. Gravado nos cassinos de Las Vegas, os rapazes entregam uma performance típica do Kiss. Palco super produzido, músicos com uma ótima presença de palco, repertório repleto de hits e banda redondíssima. Não faltam clássicos como “Detroit Rock City”, “Creatures Of The Night”, “War Machine”, “I Love It Loud”, “Shout It Out Loud”… Divertidíssimo!

Motley Crue – The End
Vídeo com o show de despedida do Motley. Sempre gostei muito da banda e tive a felicidade de assistir o grupo ao vivo 2 vezes (1 no Credicard Hall e outra no Rock in Rio). É exatamente aquilo que esperamos dos rapazes. Show alto astral. Tommy Lee com performances espalhafatosas na bateria, Mick Mars com uma precisão cirúrgica na guitarra, Vince Neil e Nikki Sixx com o carisma de sempre. Repertório focado em sua fase de ouro com clássicos como “Girls, Girls, Girls”, “Live Wire” e “Look That Kill”. O setlist não é tão extenso quanto ao de Carnival of Sins, mas o show é igualmente empolgante. Recomendadíssimo!

Twisted Sister – Metal Meltdown
Outra banda que lançou show de despedida. O monstro Mike Portnoy assumiu as baquetas na tour final (para quem está por fora, A.J. Pero morreu) e acaba sendo uma curiosidade adicional, já que o repertório é bem similar ao dos demais DVD´s ao vivo do conjunto. Entretanto, assistir o Twisted é sempre diversão garantida. Show enérgico com Dee Snider pulando de um lado para o outro e com diversas músicas que marcaram nossa geração. Ou seja; “The Kids Are Back”, “You Can´t Kill Rock n´Roll”, “The Price”, além de, é claro, “I Wanna Rock” e “We´re Not Gonna Take It”. As maquiagens espalhafatosas não estão mais aqui, mas a energia segue intacta.

Melhores Shows…
Internacionais:
Kiss – Kiss Kruise VI
Dead Daisies – Kiss Kruise VI

Nacionais:
Lulu Santos – Clube Atlético Aramaçan (Santo André)
Lobão – Teatro Paulo Machado (São Caetano)

Pior Notícia do Ano: Morte do Prince, David Bowie, George Michael, Nick Menza e George Martin.
Assim como em 2015, vários de nossos heróis se despediram dessa esfera. Entretanto, esses foram os que mais me entristeceram. Não sei o que está pegando, mas os grandes nomes do pop estão todos morrendo muito antes do que deveriam. George Michael e Prince morreram na casa dos 50, assim como aconteceu com o rei do pop Michael Jackson. David Bowie já era um pouco mais velho, mas mesmo assim longe de ser considerado fazendo hora extra. Nick Menza, meu baterista favorito do Megadeth desde sempre, é outro que se foi cedo demais. Em relação ao George Martin, esse realmente já era mais velhinho, mas é sempre triste ver uma parte da história de música se evaporando. O cara foi um gênio! Torcendo para que em 2017 essas notícias venham em menor proporção.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Lulu Santos – Lulu & Nelsinho (2016):



Atenção: Em 2017, o Riff Virtual deixa de ser diário. A partir de agora, postarei textos às segundas, quartas e sextas. Com isso, terei mais tempo para descobrir coisas novas e também mais tempo para elaborar melhor meus textos. Obrigado pelo apoio de todos vocês!

Por Davi Pascale

Lulu resolve homenagear seu velho parceiro Nelson Motta e coloca nas lojas uma coletânea criada a partir do material que fizeram juntos. CD traz músicas atemporais e brinda seus fieis seguidores com uma canção inédita.

Quem viveu, irá se lembrar. O mesmo sucesso que hoje faz Marilia Mendonça, Anitta e Luan Santana, fez essa moçada do pop/rock nos anos 80. Na década de 80, Paralamas do Sucesso, Lulu Santos, Marina Lima, eram nossa música popular brasileira. Eram eles quem invadiam as trilhas sonoras de novela, os programas de auditório, que lotavam ginásios. Êta época boa....

Luiz Mauricio, mais conhecido como Lulu, era considerado, ao lado de Herbert Vianna, um dos maiores hitmakers daquela geração. Cada LP que lançava, era batata, 4, 5, às vezes 6 músicas iam para as ondas das AM´s/FM´s. Nelson Motta, hoje é mais conhecido por sua coluna no Jornal da Globo, mas ajudou a carreira de inúmeros artistas, seja como produtor ou até mesmo como compositor. Ter seu nome estampado era sinônimo de qualidade garantida. Trabalhou ao lado de grandes nomes da música brasileira. Entre eles; Marisa Monte, Gal Costa, Elis Regina, Erasmo Carlos, Gulherme Arantes e, é claro, Lulu Santos. E é aí que nasce esse disco. Estão compiladas aqui as parcerias entre os dois. Ideia do próprio Lulu que depois de descobrir que seu mais fiel parceiro receberia uma homenagem no Grammy Latino, decidiu que deveria fazer algo também...

Fiquem calmos. Vocês não irão escutar Nelson Motta cantando. A ideia de ilustrá-lo na capa e utilizar seu nome no disco é apenas uma maneira de demonstrar que todo esse material selecionado teve a sua mão por trás. A ideia de focar em seu repertório acaba sendo bacana porque algumas músicas desconhecidas do grande público acabam ganhando uma segunda chance. Ok, aqueles que, como eu, possuem a discografia completa do Lulu, irão se recordar de quase todo o material presente. Entretanto, tenho certeza que uma boa parte dos fãs mais novos descobrirão musicas como “Atualmente”, “Outro Papo” e “Palestina” por aqui.

Justamente por Lulu ser um artista irrequieto, sempre buscando novos caminhos, trabalhando com diferentes sonoridades, poderia ter sido interessante essas músicas terem sido regravadas com novos arranjos, com uma pegada mais anos 2000.

Algumas músicas foram retiradas de seus discos ao vivo, caso do megahit “Como Uma Onda”, no entanto, a maior parte do repertório foi extraída de seus discos de época. Há espaços para lados B, como mencionei, mas há também grandes sucessos do músico carioca. Além de “Como Uma Onda”, outros grandes hits como “Certas Coisas”, “Tudo Azul” e “Areias Escaldantes” dão as caras por aqui. E, ah sim, há também espaço para uma música inédita...

A faixa em questão é “Tempo Em Movimento” que havia sido gravada pela cantora Luiza Possi no álbum Sobre o Amor e o Tempo. Essa, contudo, é a primeira vez que Lulu grava a canção. Uma agradável balada swingada. Agradável, mas longe de ser uma faixa essencial.

Lulu & Nelsinho serve como uma boa dose de nostalgia, uma verdadeira viagem ao tempo, para uma época mais inocente, mas incrivelmente mágica. E serve também, claro, para demonstrar o talento desses dois grandes artistas do cenário brasileiro. Para quem curte pop brasileiro, uma ótima pedida.

Nota: 7,5 / 10,0
Status: Pop de qualidade

Faixas:
      01)   Tesouros da Juventude
      02)   Areais Escaldantes
      03)   Palestina
      04)   Sirigaita
      05)   Como Uma Onda (Zen Surfismo) (Ao Vivo)
      06)   Tudo
      07)   Tudo Azul
      08)   Certas Coisas
      09)   Atualmente
      10)   De Repente  
      11)   Dinossauros do Rock (Ao Vivo)
      12)   Eu Não
      13)   Pop Coração
      14)   Outro Papo
      15)   Sereia
      16)   Deusa da Ilusão
      17)   Tempo em Movimento
      18)   Sereia / De Repente Califórnia / Como Uma Onda (Zen Surfismo)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Vanguart – Muito Mais Que o Amor Ao Vivo DVD (2016):



Por Davi Pascale

Banda Vanguart lança novo DVD ao vivo. Com formação de sexteto assumida, músicos se destacam por apresentação redonda e repertório afiado.

O Vanguart é mais um daqueles grupos que gera reação de amor e ódio. Seus fãs consideram a banda o grande nome da vez. Por outro lado, temos detratores que acusam a abanda de ser sem vida, alguns insistem em dizer que são uma cópia do Los Hermanos. Na verdade, deixando os exageros de lado, o som deles é bem interessante. Fazem bastante uso de violões, com uma pegada meio indie rock, meio folk. O instrumental não tem nada a ver com o Los Hermanos, talvez a comparação seja pelo estilo vocal de Helio Flanders, naquele estilo meio murmurando. 

Conforme entrega o título do DVD, o setlist é focado em seu terceiro – e mais recente álbum – Muitos Mais Que O Amor. Dez das onze faixas do disco foram regravadas no DVD. Em seu álbum de estreia, lançado pela revista OutraCoisa, eles se diferenciavam por misturar canções em inglês, espanhol e português. Essa realidade parece estar se distanciando cada vez mais. Nenhuma faixa aqui foi gravada na linguagem do Tio Sam. Em espanhol, somente “Mi Vida Eres Tu”, de seu segundo álbum Boa Parte De Mim Vai Embora, onde o refrão é cantado em espanhol. Independente desse fator, o repertório, contudo, é muito bom.

Mesmo que você não vá muito com a cara do grupo de Marcelo Camelo, vale dar uma checada. Como disse, os arranjos não têm nada a ver. Temos aqui, um acento mais pop, harmonias mais melodiosas. Influências sentidas de Beatles, Neil Young e Bob Dylan. Tem momentos que eles me lembram um pouco o Gram. Não se deixe levar pelas comparações dos críticos e dê uma chance aos rapazes. O projeto deles é muito bem desenvolvido.

Os garotos são bons músicos, boa parte da banda é multi-instrumentista. A adição da violinista Fernanda Kostchak também fez bem ao grupo. Além de ser bonita e boa instrumentista, a moça traz uma dose extra de alegria à apresentação.

O repertório mistura canções mais alegres como “Estive” e “Mi Vida Eres Tu”, com outras mais melancólicas como “Pra Onde Eu Devo Ir” e “Demorou Pra Ser”. O baixista Reginaldo Lincoln assume a voz em algumas músicas como “Mesmo de Longe” e “... Das Lágrimas” e se sai bem. Também canta com a voz meio escorregando, no estilo loshermanoswannabe, mas se demonstra bem afinado. Além do líder Helio Flanders, quem também se destaca no show é o guitarrista David Dafré. Aliás, é impressionante como ele ficou com a cara do Dave Grohl com aquela barba kkkk Brincadeiras à parte, se demonstrou ser um bom músico. Seguro e criativo.

Quem está à procura de uma boa banda de rock brasileira com acentos comerciais, a galera do Vanguart pode ser uma boa saída. Esse DVD serve meio como uma porta de entrada também. Bem gravado, bem executado, com suas musicas mais marcantes de seus trabalhos anteriores. DVD bem agradável de assistir. Recomendado!

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Afiado

Faixas:
      01)   Estive
      02)   Demorou Pra Ser
      03)   Sempre Que Eu Estou Lá
      04)   Cachaça
      05)   Eu Sei Onde Você Está
      06)   Mesmo de Longe
      07)   Nessa Cidade
      08)   O Que a Gente Podia Ser
      09)   Olha Pra Mim
      10)   Pelo Amor do Amor
      11)   O Que Seria de Nós¿
      12)   ...Das Lágrimas
      13)   Para Abrir Os Olhos
      14)   Pra Onde Eu Devo Ir¿
      15)   Meu Sol
      16)   Depressa
      17)   Se Tiver Que Ser Na Bala, Vai
      18)   Semáforo 
      19)   Mi Vida Eres Tú

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Metallica – Hardwired... To Self Destruct (2016):


Atenção: Em 2017, o Riff Virtual deixa de ser diário. A partir de agora, postarei textos às segundas, quartas e sextas. Com isso, terei mais tempo para descobrir coisas novas e também mais tempo para elaborar melhor meus textos. Obrigado pelo apoio de todos vocês!

Por Davi Pascale

Não teria disco melhor para abrir o ano de 2017. Certamente, o novo álbum do Metallica era um dos trabalhos mais aguardados de 2016 e os caras compensaram a espera.

O grupo de Lars Ulrich mudou muito no decorrer dos anos. Iniciou nos anos 80 como um forte representante do thrash bay area. Mais do que um representante, foi um dos fundadores do gênero. Os discos dessa fase são considerados clássicos da cena. Fizeram um trabalho mais heavyrock em Load, um trabalho mais experimental em Lulu... Tal atitude fez com que seus fãs se dividissem ao longo dos anos. Há quem só goste dos anos iniciais, há quem os prefira após a explosão do clássico Black Album. Aqui, devem resgatar alguns velhos fãs.

Na verdade, as palavras Metallica e polêmica sempre andaram de mãos dadas, desde muito antes de ampliarem suas referências, de caírem de pau no napster ou até mesmo de cortarem seus cabelos. Sim, isso foi um escândalo na época. Acredite se quiser, mas teve nego que mandou carta para os músicos pedindo para que deixassem seus cabelos crescerem novamente. Ah... os anos 90!!!! A primeira polêmica que me recordo, contudo, foi na época do And Justice For All! E não foi por conta das linhas de baixo inaudíveis de Jason Newsted. A razão foi que vários fãs os taxaram de traidores do movimento por terem criado um videoclipe para “One”. Parece zoeria, né? É, mas não é...

Hardwired... to Self-Destruct é uma continuação óbvia de Death Magnetic. Ou seja, os músicos buscam inspiração no passado para criarem sua nova sonoridade. Há vários riffs aqui que te recordarão do Metallica dos anos 80. “Moth Into Flame” é um ótimo exemplo. A introdução dela poderia ter sido utilizada tanto pelo Metallica quanto pelo Testament em seus 4 primeiros álbuns. Sim, a banda de Chuck Billy, se inspirava bastante no Metallica na sua fase de ouro (The LegacySouls of Black).

As velhas características do Metallica continuam dando as caras por aqui. Faixas, em sua maioria, com mais de 6 minutos de duração. Os solos de wah-wah do Kirk Hammett, as linhas criativas e eficazes de Lars Ulrich, além do vocal característico de James Hetfield. Segue tudo intacto.

O novo trabalho é duplo, mas não chega a ser tão longo quanto imaginava. São 6 músicas em cada disco. Provavelmente, não quiseram limar 1 musiquinha para conseguirem lançar um álbum simples. Tem muita gente dizendo que no segundo disco, o nível cai drasticamente. Não achei. Talvez, seja mais variado musicalmente, mas não é menos criativo e nem menos impactante.

Entre as músicas mais rápidas, vale destacar o single “Hardwired” com várias referências da fase Kill ´Em All e também a porrada “Spit Out The Bone”. Das mais cadenciadas vale prestar atenção em “ManUnkind”, deve se tornar um clássico daqui uns anos, e “Dream The Bone”, com uma linha vocal bem interessante onde James canta com voz dobrada. Não há espaço aqui para aquelas baladas FM do nível de “Mama Said” ou de “Unforgiven”, portanto as críticas dos detratores devem ser um pouco mais amenas dessa vez.

Como sou muito fã dos caras desde sempre, corri atrás da edição tripla. O que temos por aqui? O terceiro álbum começa com uma versão de estúdio de “Lords of Summer”. Uma das faixas que os músicos testaram nos concertos e que haviam vazado na net, antes do trabalho ser concluído. A música é excelente e traz Lars em um ótimo momento explorando não apenas diferentes andamentos, como fazendo uso de bumbo duplo.

Logo em seguida, entramos nos momentos dos covers. Aparecem por aqui; o bom medley do Dio, a equivocada versão de “When Blind Man Cries” (Deep Purple) – sim, está bem tocada, mas não acho que tenha a cara da banda – além de correta versão de “Remember Tomorrow” (Iron Maiden). Dos covers; o mais interessante é mesmo o medley em homenagem ao baixinho.

Para fechar a seleção final, temos 10 faixas ao vivo. A primeira vez em que executaram o novo single “Hardwired” e 9 clássicos dos primeiros anos de banda com petardos do porte de “Hit The Lights”, “Metal Militia”, “Jump In The Fire”, “Helpless” e “Creeping Death”. Apesar da voz um pouco cansada de Hetfield (ele não me parecia tão seguro nas notas mais altas), a banda estava com um puta gás e a audição é bem satisfatória. Quem cresceu assistindo Furia Metal na MTV ou ouvindo aquela caixa que vinha o EP Garage Dayz ficará emocionado. Uma verdadeira viagem no tempo

Hardwired...To Self Destruct é um discaço que compensa a longa espera de 8 anos (já que eles insistem em dizer que Lulu não é um trabalho do Metallica). Traz excelentes riffs, ótimas composições. Álbum que demonstra o porquê de terem se tornado uma das maiores bandas de heavy metal de todos os tempos. Um dos grandes álbuns de 2016. Vale Conferir!

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Excelente

Faixas:

CD 01:
      01)   Hardwired
      02)   Atlas, Rise
      03)   Now That We´re Dead
      04)   Moth Into Flame
      05)   Dream No More
      06)   Halo on Fire

CD 02:
      01)   Confusion  
      02)   ManUnkind
      03)   Here Comes Revenge
      04)   Am I Savage
      05)   Murder One
      06)   Spit Out The Bone

CD 03:
      01)   Lords of Summer
      02)   Ronnie Rising Medley
      03)   When a Blind Man Cries
      04)   Remeber Tomorrow
      05)   Helpless
      06)   Hit The Lights
      07)   The Four Horsemen
      08)   Ride The Lightning
      09)   Fade To Black
      10)   Jump In The Fire
      11)   For Whom The Bell Tolls
      12)   Creeping Death
      13)   Metal Militia 
      14)   Hardwired