terça-feira, 8 de novembro de 2016

Heart – Fanatic Live From Caesars Colosseum (2014):



ESTOU DE FÉRIAS. POR CONTA DISSO, ATÉ O DIA 15 DE NOVEMBRO, O BLOG RIFF VIRTUAL REPRISARÁ ALGUMAS MATÉRIAS. APÓS ESSA DATA, RETORNAREI COM TEXTO INÉDITO. LET´S ROCK!!!

Por Davi Pascale

As irmãs Ann e Nancy Wilson provam que ainda têm muita lenha para queimar. Na estrada há 40 anos, as garotas demonstram enorme energia em seu mais recente vídeo.

Desde que se lançaram no universo do rock, muito mudou. Inúmeras formações, diferentes sonoridades. Tiveram uma fase mais rock n roll, outra mais pop ali pelos anos 80. Formados atualmente por Craig Bartock (guitarra), Debbie Shair (teclado), Ben Smith (bateria), Dan Rothchild (baixo), Ann Wilson (voz), Nancy Wilson (guitarra), somente as irmãs seguem desde o começo.

Ann não tem mais o corpo que tinha nos anos 70 e 80. Quando retornaram às rádios brasileiras em 1985 com canções como “If Looks Could Kill” e “These Dreams”, os garotos babavam por ela. Entretanto, sua voz continua intacta. Canta com segurança, ataca a voz para cima diversas vezes, não pede arrego na hora de interpretar canções que gravou com seus 20 e poucos anos, como “Crazy On You” e “Dog And Butterfly”.

Quando realizaram essa apresentação, estavam com um novo álbum nas costas, o (bom) Fanatic. Resgatam aqui 5 faixas desse trabalho. Praticamente, metade do disco. “Fanatic”, “Mashallah”, “59 Crunch”, “Walking Good” e a minha preferida desse álbum, “Dear Old America”. O show é curto. Apenas 70 minutos, mas isso não as impede de reviverem diferentes períodos de sua trajetória. Relembram o início da carreira com faixas como “Heartless” e “Barracuda”, assim como relembram seus momentos mais comerciais com as lindíssimas “What About Love” e “Alone”.

Irmãs Wilson apresentam empolgante apresentação em Las Vegas



Nancy Wilson se empolga no palco. Além de também possuir uma boa voz e ser uma ótima instrumentista, a moça se move o tempo todo. Pula, gira os braços, move a guitarra para cima e para baixo. Tem uma bela presença de palco. Os músicos que estão por trás são extremamente eficientes e ajudam a manter o profissionalismo da apresentação. Vale destacar a performance do guitarrista Craig Bartock. Há ainda a presença de uma orquestra convidada, o que deixa o espetáculo ainda mais contagiante.

Recentemente, muitos garotos e garotas descobriram o Heart por conta de um vídeo que se tornou meio que um viral na internet. Falo daquela famosa apresentação onde as moças interpretam “Stairway to Heaven” na frente dos músicos do Led Zeppelin, emocionando Robert Plant. Aqui não há nenhuma música do Led. Até poderiam ter gravado. A banda é influência direta para as garotas. No passado, já fizeram registros de “Battle of Evermore” e “Rock n Roll”. No entanto, resolveram focar na sua obra mesmo. O mais próximo de uma possível homenagem é a introdução do show com uma sonoridade bem próxima de “In The Light” (Physical Graffiti).

A produção de palco está bacana. Todos os músicos aparecem com destaque, iluminação está certinha. Tem um telão atrás do palco reproduzindo algumas imagens durante as canções. Tudo conforme pede o figurino. A qualidade de gravação é excelente. Tanto áudio, quanto som estão impecáveis.

O único senão é realmente a duração do vídeo. Com 40 anos de estrada, 15 álbuns nas costas, um show de 14 músicas, onde 5 são de seu mais recente álbum, realmente deixa muita canção marcante de fora. O que é uma pena porque elas realmente estão em uma fase incrível. Bem que poderiam fazer um showzinho aqui no Brasil. Essas, eu gostaria de assistir...


Nota: 9,0 / 10,0
Status: Profissional
Faixas:
      01)   Fanatic
      02)   Heartless
      03)   What About Love
      04)   Mashallah!
      05)   Even It Up
      06)   59 Crunch
      07)   Straight On
      08)   Dog And Butterfly
      09)   Walking Good
      10)   These Dreams
      11)   Alone
      12)   Dear Old America
      13)   Crazy On You
      14)   Barracuda

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Jani Lane – Catch a Falling Star (2016):

 
ESTOU DE FÉRIAS. POR CONTA DISSO, ATÉ O DIA 15 DE NOVEMBRO, O BLOG RIFF VIRTUAL REPRISARÁ ALGUMAS MATÉRIAS. APÓS ESSA DATA, RETORNAREI COM TEXTO INÉDITO. LET´S ROCK!!!
 
Por Davi Pascale
 
Chega ao mercado coletânea de covers do falecido vocalista do Warrant. Álbum prova que o rapaz era realmente um ótimo cantor, ao mesmo tempo em que diverte e emociona.
 
Jani Lane ficou famoso nos anos 80 ao liderar um grupo de hard rock chamado Warrant. Ao lado deles, emplacou hits como “Downboys”, “Cherry Pie” e “Heaven” nas paradas. Em 11 de Agosto de 2011, o rapaz foi encontrado morto em um hotel da California, aos 47 anos de idade, vítima da bebida alcoólica. Estava o contrário do que era quando atingiu a popularidade. Cabelos ralos, um pouco inchado. A notícia de sua morte prematura chocou os fãs. Inclusive eu que tive a oportunidade de assisti-lo e conhecê-lo durante sua única passagem no Brasil em 1997. Quase 5 anos depois de sua partida, chega às lojas esse disco em CD e vinil.
 
Catch a Falling Star é uma coletânea, mas não de material do Warrant e nem de gravações inéditas. O disco criado pela Cleopatra Records compila as músicas que o rapaz gravou para os álbuns tributos criados pelo selo. Ou seja, temos aqui o músico revivendo músicas de Led Zeppelin, Van Halen, Ufo, Bon Jovi, Judas Priest...
 
Por ser compilação de álbuns tributos, temos uma formação diferente à cada faixa. Em discos desse tipo, são formados times estelares para gravar apenas 1 ou 2 músicas do disco. Dois músicos que aparecem aqui e merecem ser destacados são Jake E Lee (Ozzy Osbourne) e Chris Holmes (W.A.S.P.). Existem discos bem legais nesse formato. Em relação à suas performances, Jani Lane sempre teve uma boa voz e sempre teve consciência de seu alcance. Logo, o trabalho vocal dele aqui vai do correto ao excelente. Nenhuma faixa com trabalho que possa ser considerada ruim.
 
Jani Lane e eu em 1997
 
As corretas ficam por conta das suas versões de “Electric Eye” (Judas Priest) e “The Ocean” (Led Zeppelin). Definitivamente, não fez feio, mas está longe dos cantores originais. Mas, ok, Robert Plant e Rob Halford são considerados ícones e isso não é à toa. Em músicas como “Photograph” (Def Leppard), “Doctor Doctor” (Ufo) e “No Surprise” (Aerosmith) o cara rouba a cena. E vamos admitir que cantar Steven Tyler também não é fácil. Não disse que o cara era bom? Para aqueles que acompanharam o sucesso do Warrant, vale checar com atenção a versão de “Lay Your Hands On Me” (Bon Jovi), que conta com a presença de Erik Turner e Jerry Dixon. Guitarrista e baixista do grupo, respectivamente. A maioria das faixas aqui foram gravadas respeitando os arranjos originais. Não temos aqui aqueles remixes malucos que apareceram em alguns discos do selo.
 
Jani Lane, antes de ser um rockstar, era um fã de rock n roll. Diversas vezes chegou a incluir covers nos shows do Warrant. Nas versões aqui presentes, Jani transpirava alegria e estava com a voz em dia. E é assim que devemos nos lembrar dele. Como um grande cantor. Disco bem divertido que ajuda a matar a saudade. Espero que algum dia chegue ao mercado o seu projeto Jabberwocky. O disco é muito bom. Seus fãs precisam conhecê-lo. Até lá, vamos nos lembrando de momentos como esse.
 
Nota: 7,5 / 10,0
Status: Divertido e nostálgico
 
Faixas:
      01)   I Want You To Want Me c/ Ryan Roxie
      02)   Panama
      03)   Photograph
      04)   The Ocean
      05)   Doctor Doctor
      06)   Electric Eye
      07)   Free For All c/ Jake E. Lee
      08)   No Surprise c/ Chris Holmes  
      09)   Lay Your Hands On Me c/ Erik Turner e Jerry Dixon

domingo, 6 de novembro de 2016

California Breed - California Breed (2014):



ESTOU DE FÉRIAS. POR CONTA DISSO, ATÉ O DIA 15 DE NOVEMBRO, O BLOG RIFF VIRTUAL REPRISARÁ ALGUMAS MATÉRIAS. APÓS ESSA DATA, RETORNAREI COM TEXTO INÉDITO. LET´S ROCK!!!

Por Davi Pascale

Existem artistas que raramente decepcionam. Glenn Hughes é um deles. Em sua vasta discografia, que me orgulho de ter quase que completa, foram poucas às vezes onde ele ficou à dever. E não foi por falta de ousadia. O cara já gravou funk, soul, blues, heavy, som acústico, som elétrico... Esse novo trio, tem o ex-baixista do Deep Purple à frente do projeto que se completa com Jason Bonham (filho do lendário baterista do Led Zeppelin) e o jovem guitarrista Andrew Watt. Juntos, fizeram um dos melhores discos de rock dos últimos tempos. Sem exageros...

California Breed nasce do fim do Black Country Communion. Na época, completavam o time o (excelente) músico Joe Bonamassa e o tecladista Derek Sherinian (ex-tecladista do Dream Theater). O fim do supergrupo se ocasionou, principalmente, por Bonamassa não querer abandonar sua bem-sucedida carreira-solo para ficar exclusivamente com a banda. Sendo assim, acredito que não seja aquelas reuniões de fazer um álbum para se divertir e depois cada um tocar sua vida. Para não terem mais esse problema, optaram por convidar um novo talento, um garoto de apenas 22 anos.

Hughes não poderia estar mais confortável. Sem Bonamassa para dividir os vocais, e mais do que acostumado com o formato power trio (algo que ele já faz desde os tempos de Trapeze), o cara canta com alma, rasgando a voz diversas vezes e trazendo de volta seus famosos gritos. Bonham também se destaca no álbum com excelentes levadas e Andrew se mostra extremamente suficiente trazendo excelentes riffs e bonitos solos. A galera gosta de ficar diminuindo o garoto comparando-o ao ex-guitarrista, mas sem dúvidas o menino tem talento, e muito!

Trio nasceu do final do Black Country Communion



As músicas que iniciam o debut – “The Way” e “Sweet Tea” – foram escolhidas como faixas de trabalho. Quem não conhece a banda, pode buscar os vídeos no You Tube. As duas faixas são espetaculares, são a cara dos músicos, mas não sei se usaria a primeira como música de trabalho. No decorrer do disco, tem canções com passagens mais memoráveis, como “Spit You Out” ou a balada “All Falls Down”, que seriam melhores assimiladas por aqueles que estão tendo sem primeiro contato com os músicos agora. Por mais que Glenn seja uma figura lendária e Jason seja mais do que conhecido no meio, quando se joga um vídeo no Youtube, estará sendo visto tanto pelo velho fã de rock quanto pelo garoto que está começando a pesquisar o gênero agora.

Justamente por não terem tecladista, as guitarras acabaram ganhando ainda mais destaque, mais volume. Os destaques de Andrew ficam por conta do riff zeppeliano de “Invisible” e o funkeado de “Midnight Oil”. Os músicos optaram por gravar o disco tocando ao vivo no estúdio, como se fazia nos velhos tempos. O resultado disso é uma sonoridade cativante. Glenn Hughes é um dos poucos vocalistas que já passaram dos 60 anos e ainda está com o gogó intacto. Isso fica em nítido em “The Grey”, “Scars” e na (ótima) faixa bônus dessa deluxe edition, “Solo”. Sem dúvidas, um final mais interessante do que a edição standard que fecha com “Breathe”, uma das poucas que não me empolgaram. Ótima pedida não apenas para aqueles que já curtiam o Black Country Communion, mas também para os que curtem rock n roll pesado, direto, sem muitas modernidades.


Nota: 9,0 / 10,0
Status: Empolgante


Faixas:
      01)   The Way
      02)   Sweet Tea
      03)   Chemical Rain
      04)   Midnight Oil
      05)   All Falls Down
      06)   The Gray
      07)   Days They Come
      08)   Spit You Out
      09)   Strong
      10)   Invisible
      11)   Scars
      12)   Breathe
      13)   Solo (Bonus)
DVD (somente na edição deluxe):
      01)   The Making of California Breed
      02)   The Way Video
      03)   Sweet Tea Video

sábado, 5 de novembro de 2016

Gamma Ray – Lust For Live (2016):



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Por Davi Pascale 

Gamma Ray lança show clássico, pela primeira vez, em CD. Material mostra fim da primeira fase e é essencial na coleção daqueles que curtem heavy metal.
Sair de uma banda de sucesso é sempre algo complicado. Logo, começam a surgir várias cobranças. Não apenas para que você mantenha a qualidade do trabalho de sua banda anterior, mas também para que repita o sucesso que tinha, o que nem sempre acontece. E mesmo a questão de manter a qualidade, nesse caso, era algo bem complicado. Afinal, Kai Hansen havia saído do Helloween, logo após o Keeper Of The Seven Keys. Álbum que é considerado um clássico, não apenas da banda, mas de todo o gênero.
Por incrível que pareça, o cara conseguiu se restabelecer. Ao lado do Gamma Ray, criou uma nova leva de seguidores, além de uma discografia longa e consistente. E, sim, conseguiu criar novos clássicos, além de ter ajudado a popularizar mais uma grande voz do heavy metal, Ralf Scheepers, que muitos hoje conhecem como a voz do Primal Fear.
Esse foi o último trabalho com Scheepers. Você deve estar se perguntando, ‘como assim foi o último, se o material é inédito’? A questão é que a primeira vez que esse show é lançado em disco, mas essa apresentação já havia sido lançada em vídeo. Tanto em VHS, quanto em DVD.


 




O material é histórico. Trata-se da turnê do (ótimo) Insanity And Genious. E foi daí que grande parte do setlist foi tirada. Dá até para entender a razão do VHS não ter focado tanto no Heading For Tomorrow. Afinal, já existia um outro VHS da banda, Heading For The East, com o show do LP. Mas poderiam ter incluído, mais algumas faixas do (ótimo) Sigh No More.
De todo modo, a apresentação é destruidora. A banda transpira energia, os músicos estavam tinindo e a performance vocal de Ralf Scheepers é animalesca. O trabalho de voz dele em faixas como “Space Eater” e “Last Before The Storm” é de cair o queixo. Também gostei muito de sua performance no medley do Helloween, mas confesso que gostaria de ter visto trechos um pouco maiores. Quem sentia saudades de Kai Hansen cantando (é ele quem canta em Walls of Jericho), pôde matar as saudades em uma boa performance de “Heal Me”.
Os 3 primeiros LPs do Gamma Ray, nitidamente, são clássicos, mas é nítido que a banda crescia ainda mais nos palcos. A sonoridade ficava ainda mais pesada e agressiva. O show não tem muito papo. A porrada rola solta. Entretanto, não temos aqui 80 minutos de som, conforme prometido na capa do disco. O CD gira em torno de uma hora.
Além de trazer o áudio remasterizado, o álbum traz também duas faixas bônus que não apareciam no vídeo. O medley destruidor de “Dream Healer” e “Heading For Tomorrow”, além da interpretação da música “Gamma Ray”. Essa última, infelizmente, com uma qualidade de som bem inferior às demais.
Gravado em 25 de Setembro de 1993 no Hamburg Docks, Lust for Live revela um momento histórico em uma apresentação explosiva que merece ser conferida por todos os amantes do heavy metal. Ouça no último volume.
Nota: 10,0 / 10,0
Status: Histórico
Faixas:
      01)   Intro
      02)   Tribute To The Past
      03)   No Return
      04)   Space Eater
      05)   Changes
      06)   Insanity and Genious
      07)   Last Before The Storm
      08)   Heal Me
      09)   I Want Out / Future World / Ride The Sky
      10)   Future Madhouse
      11)   Dream Healer / Heading For Tomorrow (Bonus Track)
      12)   Gamma Ray (Bonus Track)

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Fernanda Abreu – Amor Geral (2016):

ESTOU DE FÉRIAS. POR CONTA DISSO, ATÉ O DIA 15 DE NOVEMBRO, O BLOG RIFF VIRTUAL REPRISARÁ ALGUMAS MATÉRIAS. APÓS ESSA DATA, RETORNAREI COM TEXTO INÉDITO. LET´S ROCK!!!
 
Por Davi Pascale 
 
Fernanda Abreu está de volta. Sem lançar um disco de inéditas desde 2004, a cantora carioca retorna revisitada. Amor Geral adapta a artista para o hoje, além de demonstrar uma mudança na criação das letras. Fernanda segue se reinventando.
 
Depois de ter encantando os roqueiros em uma mágica apresentação na primeira edição do Rock in Rio (1985), ao lado da Blitz, com quem ajudou a abrir espaço para a cena BRock (o compacto “Você Não Soube Me Amar” é considerado o primeiro lançamento daquela geração de artistas), Fernandinha marcou uma segunda geração fazendo um pop classudo misturando diferentes sonoridades. Misturava no seu som; o disco, o samba, a black music. Tanto a de Jorge Ben, quanto de James Brown. Vieram hits e mais hits. “Rio 40 Graus”, “Veneno da Lata”, “Garota Sangue Bom”, “Você Pra Mim”...
 
Embora tenha feito um enorme sucesso ao lado do grupo de Evandro Mesquita, o único proveito que tirou dessa história foi a experiência de palco. Seu álbum de estreia, Sla Radical Dance Disco Club (1990), apresentava uma nova linguagem. Tanto estética, quanto musical. Demorou um tempinho até que se fizesse entender. Sua discografia é curta, esse álbum que chega agora às lojas é seu sétimo trabalho de inéditas, mas é forte. Todos os seus trabalhos traziam alguma novidade, alguma inovação. Por isso, esse disco era aguardado com bastante ansiedade entre os apreciadores do universo pop e da cena BRock (sim, a galera gosta dela). E ela fez valer a espera.
 
Lobão, primeiro baterista da Blitz, também retornou à ativa esse ano com um novo álbum. Demorou, mais ou menos, o mesmo período. Mas as razões foram outras. O velho lobo aproveitou esses anos para se aprofundar na lógica de gravação caseira. Decidiu que queria fazer tudo por conta e foi estudar sobre os equipamentos de gravação. Fernanda Abreu, infelizmente, se afastou dos estúdios por problemas pessoais. Passou por poucas e boas. Perdeu sua mãe, enfrentou uma separação de um casamento que durou mais de duas décadas e gerou 2 filhas. Levou um tempo até que conseguisse colocar a cabeça no lugar. E também para que entendesse a nova lógica de se trabalhar com música. Aliás, a cantora promete disponibilizar toda sua discografia nas plataformas digitais em breve. Uma boa sacada.
 
Fernanda Abreu se reinventa em novo álbum
 
As experiências refletem nas letras do disco. Fernandinha larga um pouco das crônicas tão marcantes em sua trajetória e retrata um pouco mais sobre o seu dia-a-dia. “O Que Ficou” é dedicada à seu ex-marido Luiz Stein. Fala sobre o sentimento que ficou após o término da relação. “Por Quem” retrata a dor de lidar com a separação. “Antídoto” foi criada pensando em sua mãe que, na época, enfrentava um coma.
 
Musicalmente, a proposta é basicamente a mesma que vem apresentando em sua carreira-solo. Mistura os beats, a influencia do funk, da disco. Só que com uma linguagem atualizada. Para nós, amantes do rock, aceitar a linguagem do que hoje é vendido como ‘funk carioca’ é uma tarefa quase impossível. Quem acompanha a artista, contudo, sabe que ela é uma das defensoras do baile funk. A artista, que já tinha brincado com a sonoridade em “Baile da Pesada” (Entidade Urbana), volta a brincar com os batidões em “Tambor” e usa uma influencia de leve em “Double Love”, faixa onde retoma a parceria de Fausto Fawcett. Mas não se preocupem, as musicas continuam harmoniosas e sem baixaria.
 
“Deliciosamente” e “Por Quem”, minhas preferidas, resgatam a sonoridade disco. “Amor Geral”, a faixa titulo, mescla batidas eletrônicas com o violão do samba. “Antídoto”, “O Que Ficou” e “Valsa do Desejo” trazem a garota sangue bom em slow beat. Ou seja, as velhas baladas. “Outro Sim” é a famosa canção pop, pronta para tocar nas rádios. 
 
Amor Geral traz a artista de volta à cena com um álbum maduro, bem resolvido e sem renegar suas raízes. Não sei se ela vai conseguir entrar novamente nas paradas de sucesso, espero que sim, mas em uma época onde nossa cena pop anda tão rasa, é ótimo ter uma artista como ela de volta à ativa. Bem-vinda de volta!
 
Nota: 8,0 / 10,0
Status: Maduro e honesto
 
Faixas:
      01)   Outro Sim
      02)   Tambor (part. Afrika Bambaataa)
      03)   Deliciosamente
      04)   Saber Chegar
      05)   Antídoto
      06)   O Que Ficou
      07)   Double Love (Amor em Dose Dupla)
      08)   Por Quem
      09)   Valsa do Desejo  
      10)   Amor Geral

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Sammy Hagar & Friends - Deluxe Edition (CD + DVD):



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Por Davi Pascale

Sammy Hagar está de volta com mais um grande álbum. Normalmente nesses projetos realizados com amigos é comum o artista regravar suas antigas canções ou gravar um álbum de covers. No caso do red rocker, o músico optou por fazer uma mistura de faixas inéditas com composições de outros artistas. Entre os músicos convidados estão nomes do porte de Taj Mahal, Nancy Wilson (Heart), Joe Satriani, Michael Anthony (Van Halen), Chad Smith (Red Hot Chili Peppers) e Kid Rock.

O disco não tem uma sonoridade única. Há diversas referências. Blues (“Winding Down”), música hawaiiana (“All We Need Is an Iland”), rock n roll setentista (“Not Goin´ Down”)... Entretanto, não há nada que faça o fã pensar “o que deu na cabeça desse cara para gravar isso?”. Bem... Na verdade, há uma música que deixará os mais radicais de cabelos em pé. Pelo menos até ouvirem a versão final. A versão de “Personal Jesus” do Depeche Mode. Essa talvez seja a única faixa que possa deixar seus seguidores inconformados. Mas não se preocupem, Sammy não fez um álbum eletrônico. Na verdade, ele transformou o hit oitentista em uma faixa de rock n roll. E deu certo! Aposto que vocês nunca imaginariam ouvir Michael Anthony, Chad Smith e Neal Schon (Journey) tocando Depeche Mode, certo? Bem... Aqui está a oportunidade.

Os outros covers são “Rambin´ Gamblin´ Man” de Bob Seger, “Margaritaville” de Jimmy Buffet e o clássico do blues “Going Down”, imortalizado na voz de Freddie King. Agora o melhor momento blues do disco é realmente a faixa de abertura “Winding Down” que traz um dueto de Sammy com Taj Mahal. Simplesmente matadora! Arranjo simples, mas empolgante. Os outros grandes momentos ficam por conta de “Not Going Down”, que nos remete aos seus tempos de Montrose, e a faixa “Father Sun”. Nesta edição deluxe há ainda uma excelente versão de “Space Station #5”, gravado em um show realizado em homenagem ao falecido guitarrista Ronnie Montrose. Nessa apresentação, Ronnie foi substituído por Joe Satriani, parceiro de Sammy no Chickenfoot.

Músico junta time de peso em álbum inspirado


A faixa ao vivo não é o único bônus da deluxe edition. Há ainda um DVD de aproximadamente 1 hora de duração que conta com cenas de bastidores, o (ótimo) clipe de “Knockdown Dragout”, além de um vídeo com comentários faixa-a-faixa. Essa idéia de ficarem falando sobre todas as musicas do disco, costumo achar meio cansativo, mas aqui foi legal de assistir. Sammy Hagar nunca foi prepotente e acaba fazendo algumas declarações divertidas. Além disso, há depoimentos do produtor do álbum e de outros músicos que participaram da gravação, intercalados com os de Sammy. Tal atitude nos dá uma sensação de estar assistindo um mini-documentário, o que torna o vídeo mais atraente.

Samuel Roy Hagar encontra-se com 66 anos de idade. É incrível ver como sua voz ainda continua forte. De todos os vocalistas de rock n roll que já passaram dos 60 anos, os únicos que me recordo e ainda estão com uma voz incrivelmente potente são Steven Tyler e ele. A energia do cara não se esgota. No vídeo, há imagens dele participando de corridas de stock car, brincando com outros músicos nos bastidores, correndo no palco de um lado para o outro. Pelo visto, ainda tem muita lenha para queimar. Só espero que antes de parar, resolva fazer uma apresentação no Brasil. Esse é um artista que gostaria de assistir.

Nota: 08/10
Status: Diversificado e inspirado

Faixas:
      01)   Winding Down
      02)   Not Going Down
      03)   Personal Jesus
      04)   Father Sun
      05)   Knockdown Dragout
      06)   Ramblin´ Gamblin´ Man
      07)   Bad on Fords And Chevrolets
      08)   Margaritaville
      09)   All We Need Is An Island
      10)   Going Down
11)   Space Station #5 (Bonus Deluxe Edition)

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Garbage – Strange Little Birds (2016):



ESTOU DE FÉRIAS. POR CONTA DISSO, ATÉ O DIA 15 DE NOVEMBRO, O BLOG RIFF VIRTUAL REPRISARÁ ALGUMAS MATÉRIAS. APÓS ESSA DATA, RETORNAREI COM TEXTO INÉDITO. LET´S ROCK!!!
Por Davi Pascale

Garbage acaba de lançar novo álbum. Strange Little Birds mantém suas principais características, ao mesmo tempo em que inova os aproximando de uma pegada mais sombria, mais melancólica. Seus fieis seguidores, contudo, irão gostar do material.

21 anos se passaram desde que o Garbage lançou seu álbum de estreia (o ótimo G) e Shirley Manson encantou milhares de jovens roqueiros ao redor do mundo. Isso seria tempo suficiente para que a banda criasse dezenas de discos. Infelizmente, poucos trabalhos foram lançados. Esse é o sexto de sua trajetória. Agora... Verdade seja dita, sempre apresentaram materiais interessantes. E esse é mais um deles.

Algumas (poucas) faixas aqui nos remetem aos seus dias de glória. “Empty” e “We Never Tell”, por exemplo, poderiam facilmente estar no seu debut de 1995. Resgatam a sonoridade clássica do grupo. Linhas vocais bem 90´s. Programações bem no espírito da época. Quem sente saudades de quando faixas como “Only Happy When It Rains” e “Stupid Girl” invadiram as programações de rádio mundo afora, irá delirar.

Contudo, os músicos estão com um pé no presente. Embora nunca tenham se distanciado muito de sua proposta, procuraram sempre trazer algo novo em seus trabalhos. Nunca apostaram na fórmula mais do mesmo. E não seria agora, que já possuem uma base de seguidores consolidada, que iriam relaxar.

Strange Little Birds aposta em sonoridade mais melancólica


Claro, suas principais características estão ali. As baterias programadas de Butch Vig, a voz inconfundível de Shirley Manson, as guitarras levemente distorcidas. Caso contrário, não soaria um álbum do Garbage. O grande diferencial é que, de uma maneira geral, o álbum está mais melancólico, com várias faixas arrastadas, melodramáticas, com um ‘q’ experimental. “Sometimes”, responsável por abrir o CD, já dá a dica. Essa pegada aparece com força em faixas como “If I Lost You”, “Even Though Our Love Is Doomed” ou “Amends”.

Outro lado sempre presente no trabalho do grupo são as músicas com uma pegada mais dançante. E isso continua presente em seu trabalho. “Magnetized” é a primeira a resgatar esse espírito, mas a mais forte é, sem dúvidas, “So We Can Stay Alive”.

Strange Little Birds , segundo trabalho lançado de maneira independente, irá satisfazer seus fieis seguidores e não aquele que busca novos hits. A influência da musica pop, da pegada dançante continua marcando seu som, mas não é um álbum exatamente comercial. Não se encaixa nos padrões de rádio dos dias atuais. De todo modo, é seu trabalho mais forte e mais consistente em anos. Vá sem medo!

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Sombrio

Faixas:
      01)   Sometimes
      02)   Empty
      03)   Blackout
      04)   If I Lost You
      05)   Night Drive Loneliness
      06)   Even Though Our Love Is Doomed
      07)   Magnetized
      08)   We Never Tell
      09)   So We Can Stay Alive
      10)   Teaching Little Fingers To Play 
      11)   Amends