sábado, 15 de outubro de 2016

Notícias do Rock

Por Davi Pascale

Fim-de-semana chegou e, como de costume, aproveitamos para relembrar alguns dos principais acontecimentos do mundo do rock. Notícias sobre shows, discos e muito mais. Confira!


Bob Dylan ganha Prêmio Nobel de Literatura



O músico Bob Dylan, de 75 anos,  foi o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura 2016. Dylan já vinha sendo cotado à alguns anos. Muitos podem se questionar o porquê de um músico ao invés de um escritor. Sara Danius, secretária-geral da Academia Sueca declarou que o cantor “foi escolhido por criar novas expressões poéticas dentro da grande tradição da música americana”. A academia classificou sua música como contemporânea a profunda.


Paul McCartney se apresenta para 300 pessoas



Paul McCartney está no deserto da California para sua apresentação no festival Desert Trip. O músico surpreendeu à todos ao realizar um show surpresa em um pequeno bar chamado Pappy & Harriets. O local fica em Pioneertown e sua localização é próxima de onde ocorre o festival. Apenas 300 pessoas tiveram a oportunidade de conferir esse show. Entre eles, estava Josh Homme (Queens Of The Stone Age).


My Generation ganha nova edição



O clássico álbum My Generation, da banda icônica The Who, ganhará uma nova edição. Essa não é a primeira vez que o álbum é relançado e nem a primeira vez que ganha uma edição comemorativa. Mesmo assim, seus fãs mais fiéis, que já possuem as versões anteriores, não terão como escapar da aquisição. O material chegará às lojas em 18 de Novembro e contará com 5 CD´s  repleto de material inédito. Entre as novidades, estão 3 músicas que o guitarrista Pete Townshend descobriu no ano passado: “The Girls I Could Have Had”, “As A Children We Grew” e “My Own Love”. Em 10 de Fevereiro de 2017, o material será lançado em LP.


Kreator lançará álbum em Janeiro



2017 já iniciará com porradaria total. O lendário Kreator anunciou que estará lançando seu novo trabalho, Gods of Violence, já no mês de Janeiro. Esse é o primeiro trabalho do grupo desde Phantom Antichrist (2012).


Rod Stewart se torna Sir.




O icônico cantor Rod Stewart (Faces) foi condecorado Sir do Imperério Britânico na última terça (11). Rod compareceu à cerimônia, ocorrida no Palácio de Buckingham, acompanhado de sua esposa, Penny Lancaster, e de seus filhos, Aiden e Alaistar. Ele não é o primeiro cantor de rock à receber a honraria. Mick Jagger (Rolling Stones), Elton John, Paul McCartney (Beatles) e Tom Jones já haviam se tornado sir anteriormente. 

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Samuel Rosa & Lô Borges – Ao Vivo No Theatro Brasil (2016):



Por Davi Pascale

Líder do Skank e fundador do Clube da Esquina se unem no palco. Álbum tem tom de celebração, mas deixa a desejar.

Espero que os fãs não me levem a mal, nem os artistas em questão, caso o texto caia nas mãos deles (pouco provável, mas não impossível). Sou fã do Skank e gosto muitos dos álbuns do Clube da Esquina. O primeiro disco, para mim, é um dos grandes álbuns da música brasileira, mas esse show me deixou um pouco decepcionado.

A ideia de unir os dois aristas, dois músicos de Belo Horizonte vindo de gerações diferentes, é sensacional. Sempre gostei deste tipo de união. Além de ser gratificante para os artistas, é algo que fortalece a cena. Porque, como são de gerações diferentes, é bem capaz que o publico seja diferente. Portanto, é um modo expandir ainda mais o enorme prestígio que eles já carregam.

O repertório é excelente. A banda que está por trás é excelente e a qualidade de gravação é muito boa. Os convidados especiais – Fernanda Takai e Milton Nascimento – também estão de acordo. O Pato Fu, assim como o Skank, faz parte da geração pop dos anos 90 que ajudou a recolocar a cena mineira no mapa. Outros que poderiam estar nessa história é a galera do Jota Quest. Milton Nascimento fez parte do histórico Clube da Esquina. Tudo certinho. Qual o grande problema, afinal¿ O trabalho vocal.

Sim, eu sei que os dois são compositores e que as canções são muito boas. Como disse, o repertório é excelente. Honestamente, não colocaria nesse show “Te Ver” e “Canção do Amor Inabalável”. Por mais que sejam hits, acho que fogem um pouco do repertório apresentado. Não sei se foi proposital, para quebrar o clima do show, mas achei que ficaram meio deslocadas. Talvez, pela apresentação não estar na íntegra, mas se o problema fosse esse, colocaria outras faixas no CD.

Contudo, como estava dizendo o grande problema mesmo é o trabalho vocal. Infelizmente, não tem como não reparar e o resultado final é muito abaixo do esperado. Samuel Rosa nunca comprometeu o trabalho vocal no Skank, mas isso porque se apoiava na energia do show. A ideia de cantar gritando, acabava passando despercebido pelo estilo de espetáculo que apresentam. Em um show desses, com arranjos mais voltados para MPB, com mais violões, e voz mais na cara, fica nítida sua limitação vocal.

A performance de Lô Borges não somente, não ajuda, como piora a situação. Está desafinando muito, cantando muitas notas fora do tom. Em, praticamente, todas as músicas do show. A participação de Milton Nascimento é muito bacana pelo contexto histórico, mas sua performance vocal também está não mais do que razoável. Várias derrapadas também.

O repertório foi bem divido. 7 músicas de Lô Borges, 7 de Samuel Rosa, sendo 1 inédita de Lô Borges e 1 inédita de Samuel Rosa. As faixas inéditas não são espetaculares, não vão entrar para a história da música brasileira, mas são boas. Mas, como disse, o show em si deixa a desejar. Me deu a impressão que eles não ensaiaram. Uma pena! Esse álbum tinha de tudo para ser um marco na música brasileira. Não foi dessa vez...

Nota: 5,0 / 10,0
Status: Frustrante

Faixas:
      01)   Feira Moderna
      02)   O Trem Azul
      03)   Te Ver
      04)   Clube da Esquina Nº2
      05)   Resposta
      06)   As Noites
      07)   Balada do Amor Inabalável (Part Especial: Fernanda Takai)
      08)   Paisagem da Janela
      09)   Amores Imperfeitos
      10)   Para Lennon & McCartney (Part Especial: Milton Nascimento)
      11)   Dois Rios
      12)   Um Girassol da Cor do Seu Cabelo
      13)   Lampejo (Bonus Track: Versão Estudio)
      14)   Dupla Chama (Bonus Track: Versão Estudio)

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Vinnie Vincent Invasion – Vinnie Vincent Invasion (1986):



Por Davi Pascale

Primeiro álbum de Vinnie Vincent pós-Kiss completa 30 anos. Disco trazia um verdadeiro dream-team e comprovava, mais uma vez, o talento de Vinnie enquanto compositor. Trabalho que merece ser redescoberto.

É inacreditável, mas mesmo com toda a popularidade que o grupo de Stanley/Simmons tem no Brasil, ninguém se deu ao trabalho de escrever uma matéria digna sobre esse álbum. Portanto, aqui estou tentando fazer minha parte.

Vinnie Vincent Invasion chegou às lojas dia 24 de Agosto de 1986. Vincent John Cusano está longe de ser considerado o músico mais agradável do mundo, mas ninguém nega seu talento. Nem enquanto guitarrista, nem enquanto compositor. E seu talento ficava comprovado, mais uma vez, nesse disco. Das 10 faixas; 2 são uma parceria com o cantor Robert Fleischman (“Do You Wanna Make Love” e “Invasion”) e uma com Vinnie Richard Freeman (“Back On The Streets”). As outras 7 músicas, o rapaz escreveu sozinho.

O material começou a surgir ainda em 1984, a partir de um encontro com o baterista Hirsch Gardner, seu velho parceiro de Warrior. Mais precisamente, a partir de 9 de Outubro de 1984. Os músicos se reuniram continuamente durante 6 meses, de onde nasceram muitas ideias de músicas, de riffs. O rapaz escreveu novas composições, resgatou faixas engavetadas, recriou uma parte do material.

“Boyz Are Gonna Rock”, “Animal” e “Twisted” foram escritas enquanto ainda pertencia ao grupo de Gene Simmons. “Boyz Are Gonna Rock” inspirou “And On The 8th Day”. Algumas partes da letra tiveram que ser ajustadas. Algumas adaptações surgiram de outras músicas engavetadas. A frase”until the day we drop”, por exemplo, é uma alteração de ‘until they get a job” de uma antiga canção dos tempos de Warrior. Fez a mesma coisa em “Animal”. Pegou um trecho de “It´s Not Pretty”, também dos tempos de Warrior, e adaptou na música. “With the queen of my dreams” tornou-se “angelic creation, queen of my dreams”.

Inspiradaço, o músico gastou $30.000,00 na criação de uma demo e saiu mandando para as gravadoras. As faixas escolhidas foram “Boyz Are Gonna Rock”, “Shot u Full Of Love” e “No Substitute”. A fita acabou caindo nas mãos de George Sewitt, que havia trabalhado com Peter Criss em sua carreira solo e estava trabalhando com Ace Frehley no Frehley´s Comet. O empresário ficou impressionado com o material e prometeu conseguir um contrato para ele. Foi por causa desse intermédio que Ace acabou gravando “Back On The Streets”. (A música saiu oficialmente anos mais tarde no álbum-tributo Return Of The Comet). George cumpriu sua promessa e conseguiu um contrato com a Chrysalis Records. Vinnie fechou um contrato de $4.000.000,00 prometendo 8 álbuns em 10 anos para os executivos. Algo que não conseguiu, diga-se de passagem.

O rapaz tinha um contrato, mas não tinha banda ainda. Trouxe Dana Strum, músico reconhecido na cena que costumava indicar músicos para meio mundo. Paul Stanley o procurou, por intermédio de Ozzy Osbourne, para tentar descobrir o novo guitarrista do Kiss, assim que Vinnie saiu. Dana não o ajudou, e pouco depois foi parar na banda do arqui-inimigo de Paul. Para a bateria, estava sendo cogitado Fred Coury (Cinderella, David Lee Roth) e Gregg Bissonette, mas acabaram optando por Bobby Rock. Um novo talento que os havia impressionado na audição. O nome da banda saiu do release. Junta com a fita vinha um recado: “this is not music, is an invasion”, ou no velho português, “isso não é música, é uma invasão”.

O trabalho vocal ficou por conta de Robert Fleischman, ex-vocalista do Journey. Mais uma vez, o cara não deu certo em uma banda por questão empresarial. Na época do Journey, os músicos não queriam que ele tivesse um empresário separado da banda. Nesse caso, o empresário de Vinnie queria entregar um contrato ruim para o rapaz. Não teria direito a adiantamento, não teria participação nos direitos autorais, nem nada do tipo. Queriam que atuasse como um músico contratado.

Fleischman não aceitou e saiu da banda antes que os músicos caíssem na estrada. Para a turnê, entrou Mark Slaughter. É por conta disso que o videoclipe de “Boyz Are Gonna Rock” traz Mark dublando Fleischman. Chegou-se a cogitar regravar o disco com o novo vocalista antes de coloca-lo nas lojas, existe uma gravação de “Shot Full Of Love” com eles nos vocais, mas por uma questão de verba ficou tudo como estava.

A banda conseguiu um certo destaque na época e chegou a dividir palco com grandes nomes como Iron Maiden e Alice Cooper. Musicalmente, o disco trazia um hardheavy de primeira e faixas inspiradíssimas. Como curiosidade, vale reparar o riff de “Boyz Are Gonna Rock”, chupado de “Lick It Up”, além de Vinnie Vincent se arriscando em um dueto com Fleischman em “Back On The Streets”.

Muitos reclamam do vocal de Fleischman cantando para cima o tempo todo. O cantor era contra a ideia, mas acabou seguindo as orientações do guitarrista, o criador da banda. As guitarras de Vinnie são as usuais. Ótimos riffs e solos velozes, ou como gostam de dizer alguns críticos, fritados. Nos shows, o álbum era interpretado na integra e eram adicionados um numero instrumental chamado "Speedball" (uma espécie de duelo entre Vinnie e Bobby) e uma versão de "Lick It Up". O repertório do álbum é realmente fortíssimo. Refrãos memoráveis e riffs inspirados. Como disse, um material, que merece ser redescoberto.

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Excelente

Faixas:
      01)   Boyz Are Gonna Rock
      02)   Shot U Full Of Love
      03)   No Substitute
      04)   Animal
      05)   Twisted
      06)   Do You Wanna Make Love
      07)   Back On The Streets
      08)   I Wanna Be Your Victim
      09)   Baby-O 
      10)   Invasion

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Beavis And Butt-Head – The Beavis And Butt-Head Experience (1993):



Por Davi Pascale

Dia das crianças. Sempre trago nessa data alguma dica de algo que case os dois universos para não deixar a data passar batida. Afinal, comecei a me ligar em rock ainda criança. E ainda existem muitos garotos como eu por aí. Hoje, optei pela trilha de um desenho que nos dias de hoje, talvez, muitos não encarem como um produto infantil, mas que na época, muitas crianças consumiram. Os dois malucos do Beavis And Butt-Head.

Beavis And Butt-Head foi um desenho criado pelo Mike Judge (o mesmo do também bem sucedido Rei do Pedaço). Quando essa série fez sucesso no Brasil, a realidade que vivíamos era outra. Não existia essa história de politicamente correto. Tanto que o humor daqui era justamente o humor negro. As piadas eram repletas de palavrões, duplo sentido, conteúdo sexual. A trilha sonora do programa era o rock n roll e o rap. E essa é a direção musical do disco.

The Beavis And Butt-Head Experience teve o nome inspirado na banda de Jimi Hendrix, a Jimi Hendrix Experience. O álbum foi criado devido ao grande sucesso do desenho animado que batia recorde de audiência e transformou os dois jovens rebeldes em um grande produto. Camisetas, bonecos, bonés, começaram a ser comercializados. O CD era inevitável.

A ideia da trilha era como se você estivesse ouvindo um episódio da série. Ou seja, as músicas são intercaladas com comentários dos dois personagens. Os comentários obviamente mantêm o espírito do programa. Ou seja, são totalmente escrachados. O bacana é que alguns artistas entraram no espírito e gravaram algumas falas com os personagens. Caso do Anthrax e do Run D-MC. E teve uma outra artista que gravou em dueto com a dupla. Caso da cantora Cher, que regravou o sucesso “I Got You Babe”, dos tempos de Sonny & Cher junto com os personagens da animação. E o mais louco de tudo é que a versão originou um clipe e foi parar nas rádios e entrou na programação musical da emissora.

Quando esse álbum foi lançado, em 3 de Novembro de 1993, todas essas músicas eram inéditas. O que fez com que o álbum também tivesse uma boa receptividade. Entretanto, com o decorrer dos anos, alguns artistas acabaram incluindo essas faixas em coletâneas póstumas. Caso do Aerosmith, do Megadeth, do Nirvana e do Red Hot Chili Peppers. Canções que estão entre os grandes destaques do álbum. Outros ótimos momentos ficam por conta do Jackyl, do White Zombie e do divertido dueto de Cher junto com os garotos.

A cantora não foi a única a emprestar sua voz para o álbum. O CD traz uma faixa escondida, prática comum na época, com uma segunda versão do rap “Come To Butt-Head”, dessa vez com a participação do rapper Positive K. Mas essa faixa acabou não sendo muito comentada.

Ouvir essa trilha hoje é um modo de resgatarmos um pouco de nossa infância, além de ouvirmos boa música. Pode reparar que entre os convidados, não há nenhum de qualidade questionável. Todos são artistas respeitados dentro da cena da qual fazem parte. Sendo assim, aperte o play e vamos voltar um pouco no tempo e resgatar um pouco de nossa infância. Rock on!  

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Divertido

Faixas:
      01)   Nirvana – I Hate Myself And Want To Die
      02)   Anthrax – Looking Down The Barrel Of a Gun
      03)   Beavis And Butt-Head – Come to Butt Head
      04)   Megadeth – 99 Ways To Die
      05)   Run DMC – Bounce
      06)   Aerosmith – Deuces Are Wild
      07)   White Zombie – I Am Hell
      08)   Primus – Poetry and Prose
      09)   Sir Mix-a-Lot – Monsta Mack
      10)   Red Hot Chili Peppers – Search And Destroy
      11)   Jackyl – Mental Masturbation
      12)   Cher With Beavis And Butt-Head – I Got You Babe
      13) Beavis and Butt-Head - Come To Butt-Head feat. Positive K (faixa escondida)

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Freddie Mercury – The Messenger Of The Gods (2016):



Por Davi Pascale

Coletânea de Freddie Mercury chega ao mercado brasileiro. Álbum dá um bom panorama, mas não traz novidades.

Caso estivesse vivo, Farrokh Bulsara, mais conhecido como Freddie Mercury, estaria completando 70 anos de idade. Em comemoração à data foi criada essa coletânea que atende pelo nome de Messenger Of The Gods.

A ideia realmente é bacana. Resgatar os trabalhos solo de Freddie. A (incrível) obra que realizou ao lado do Queen já é bem conhecida entre os amantes do rock n roll e a banda já possui coletâneas de tudo quanto é tipo, portanto, a ideia de reviver seus trabalhos paralelos me parece realmente mais acertada.

Para quem não conhece seu trabalho solo, seus discos eram bons, mas bem distante daquilo que fazia com o Queen. Mr Bad Guy era um álbum mais pop, com um flerte com a dance music. Já Barcelona era um trabalho com uma pegada mais clássica. Não são álbuns de rock n roll ao pé da letra.

Se você é um fã do grupo britânico, mas nunca correu atrás da carreira-solo de Freddie, o álbum atende. Justamente por ter sido criada em cima dos singles, suas músicas mais famosas – como “Living On My Own”, “The Great Pretender” e “Barcelona” – estão aqui. Dá para você ter um bom panorama de sua trajetória solo. Até porque o álbum é duplo e sua discografia solo é curta.

Agora... Se você é um fã das antigas, comprou os LP´s na época, ou os CD´s em sua primeira prensagem, irá encontrar muito pouca novidade, já que parte dos b-sides se fazem presentes no álbum póstumo The Great Pretender. E se, assim como eu, você possui o box set The Solo Collection daí não terá realmente nada de inédito. Todas as faixas aqui estão presentes lá dentro. Para esses fãs, é recomendável comprar a edição em vinil, onde foram prensados no formato de 13 compactos com disco colorido. Produto caro, mas para quem é muito fã, é genial.

Para quem está escutando esse material pela primeira vez, vale prestar atenção nas versões de “Made In Heaven” e “I Was Born To Love You” que anos mais tarde foram regravadas pelo Queen no álbum póstumo Made In Heaven. No CD de B-sides, os melhores momentos ficam por conta de “Goin´ Back”, “Let´s Turn It On”, “My Love Is Dangerous”, “She Blews Hot n Cold” e “Love Kills (Wolf Euro Mix).

Em resumo, o CD é bem legal de se escutar, mas é um material destinado para quem tem pouca coisa do músico.

Nota: 7,0 / 10,0
Status: Sem novidades

Faixas:
CD 1 :
      01)   Living On My Own
      02)   The Great Pretender
      03)   In My Defence
      04)   Love Kills
      05)   Barcelona
      06)   Made In Heaven
      07)   Time
      08)   Love Me Like There´s No Tomorrow
      09)   I Was Born To Love you
      10)   The Golden Boy
      11)   I Can Hear Music
      12)   How Can I Go On
      13)   Living On My Own (Radio Mix)

CD 2:
      01)   Goin´ Back
      02)   Let´s Turn It On
      03)   My Love Is Dangerous
      04)   She Blows Hot And Cold
      05)   Living On  My Own (Album Mix)
      06)   Stop All The Fighting
      07)   Time (Instrumental)
      08)   Exercises In Free Love
      09)   Exercises In Free Love (Montserrat´s Vocal)
      10)   The Fallen Priest
      11)   Overture Piccante

      12)   Love Kills (Wolf Euro Mix)

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Titãs - Nheengatu (2014):

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Publicado originalmente no site Consultoria do Rock
Por Davi Pascale

O grupo paulista Titãs acaba de soltar um novo disco nas lojas. Reduzido agora à um quarteto (Branco Mello, Paulo Miklos, Sérgio Britto e Tony Belloto), trazem de volta algumas características que marcaram sua carreira na década de 80 e devem agradar seus antigos fãs.

Embora seja verdade que tenham iniciado sua carreira como um grupo pop (basta ouvir “Sonifera Ilha” para entender o que estou falando), foi com seu som mais pesado que eles fizeram a cabeça da garotada. Quando lançaram a sua obra-prima Cabeça Dinossauro, a banda atingiu um status que não tinham alcançado até então. Com um LP que era ao mesmo tempo crítico e debochado, pesado e com nuances comerciais, os músicos se tornaram ídolos de boa parte dos rockeiros da época. Toda essa ousadia e criatividade foi por água abaixo com o sucesso do Acústico MTV.

Há quem questione o acústico, eu questiono o pós-acústico. Sério mesmo. Quando fizeram o programa, os defendi com unhas e dentes, mesmo que o resultado final tenha ficado um pouco distante daquilo que eu esperava. Via aquilo como um reconhecimento digno. Afinal, os considerava – e ainda considero – uma das grandes bandas do rock brasileiro. O problema é que após o programa, eles não apenas amoleceram seu som, como modificaram sua postura. Seria ousado se o mercado não estivesse vivendo uma retomada do segmento pop na ocasião. Aquela banda que antes ia contra a maré, agora ia a favor dela. Contudo, nem todos os discos lançados nesse período foram ruins, é verdade. Considero A Melhor Banda de Todos os Tempos e Como Estão Vocês? trabalhos bem bacanas, apesar dos pesares. Imaginava que o único modo de voltarem à ligar o famoso foda-se e entregar um material de inéditas sem pensar no bolso, seria com a indústria tendo alguma crise. Algo que ninguém imaginava que fosse acontecer quando venderam 1.000.000 de cópias com o apoio da MTV, mas que acontece atualmente. Há males que vem para bem. Em Nheengatu os músicos resgatam muitas características que haviam sido deixadas de lado em seus trabalhos mais recentes. O velho Titãs está de volta.
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Titãs retornam com álbum pesado e conteúdo crítico
Mas nem só das manifestações vive o disco. Permeiam também o álbum os temas que indignaram todas essas pessoas: a falsa sensação de liberdade, a fome, a corrupção, a falta de segurança… Sim, a critica político-social é marca desse álbum.

“Cadaver Sobre Cadaver” traz talvez uma das letras mais fortes do disco. Composta por Paulo Miklos e Arnaldo Antunes, a faixa deixa nítida a insatisfação com o cenário atual. Fala sobre a dificuldade que é viver em um país com problemas graves na área de saúde e segurança (Quem vive, sobrevive. No meio do tiroteio. No seio da calmaria. Morrem na guerra e na paz. De fome ou de anorexia). “Fala, Renata” retrata sobre a ânsia de se falar mesmo quando não tem algo a dizer. De pessoas que fazem criticas sem fundamento, sem embasamento e que estão mais preocupados em criar tumulto do que em discutir algo. Algo cada vez mais comum nos dias dominados pela internet, onde a velocidade da informação é impressionante, mas a qualidade da informação, muitas vezes, é questionável. (Fala sem parar. Fala sem assunto. Difícil é escutar). A critica é válida tanto para a imprensa (cada vez dando mais importância para assuntos banais e criando diversas sub-celebridades) quanto para o publico que antes mesmo de ouvir a segunda versão da história já está julgando o personagem principal.

Não escapam também dos compositores os assuntos que são a bola da vez: o racismo (quem não comentou, nem que seja pelo Facebook ou em algum bar, sobre o jogador que recolheu a banana do campo e comeu ao ser chamado de macaco?) e a homofobia. Ambos os assuntos são retratados em “Quem São Os Animais?”, faixa de Sergio Britto, que questiona o posicionamento exagerado daqueles que se sentem incomodados com aqueles que possuem um tom de pele diferente ou uma opção sexual diferente da sua.

Há ainda espaço para uma releitura de “Canalha”. Vale lembrar os mais jovens que essa canção não é do Camisa de Venus como tenho lido por aí. O grupo de Marcelo Nova fez uma versão dessa música, mas a faixa é do Walter Franco, um dos principais nomes da música brasileira dos anos 70.
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Em seu primeiro álbum como quarteto, banda retoma relevância
Outras velhas características estão de volta. As guitarras voltam a ganhar volume. Os palavrões e a ironia voltam à rondar seu trabalho. Em muitos momentos, os arranjos nos remetem aos seus discos mais pesados: Cabeça Dinossauro, Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas, Tudo Ao Mesmo Tempo Agora e Titanomaquia. Parece que essa turnê que eles realizaram comemorando os 20 anos do Cabeça acabou influenciando o rumos das novas composições. A maior diferença fica por conta de Mario Fabre. Embora seu trabalho de bateria mantenha o espírito da banda, ele é mais contido do que Charles Gavin. Senti falta de algumas viradas em algumas composições. Mas isso pode ser chatice minha, já que sou baterista. Talvez os demais fãs não pensem assim… De todo modo, não resta duvidas de que é um bom musico e combina com o grupo.

A influência da MPB ainda está presente em seu material. “Baião de Dois” é uma que deixa isso presente. Tanto na concepção do seu arranjo quanto nas referências contidas na letra. Fazem parte da letra frases como ‘o mundo é um moinho’ (Cartola) e ‘a vida é um buraco’ (Pixinguinha). Mas tudo bem. Já haviam feito isso em “32 Dentes” com a frase: meu pai um dia me falou para que eu nunca mentisse, mas ele se esqueceu de me dizer a verdade. Frase “roubada” da canção “Traumas” de Roberto Carlos. 

Nheengatu resgata a criatividade e ousadia que os Titãs haviam deixado de lado há muito tempo. Seu melhor trabalho desde Domingo. Se você curtiu a banda nos anos 80 e inicio dos anos 90 pode comprar sem medo. Se alguém tiver medo de comprar no escuro e quiser ouvir antes, os músicos disponibilizaram o CD na integra no seu canal oficial do Youtube. Agora é torcer para que continuem no caminho certo. Para aqueles que curtirem muito o novo disco ou forem muito fãs, vale a pena encomendar o kit limitadíssimo na loja oficial dos Titãs (www.lojatitas.com.br).
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Kit limitado em 100 unidades: camiseta, caneca, bottom, 2 adesivos, 1 certificado de autenticidade e o novo CD autografado 


Nota:  8,0 / 10,0
Status: Consistente

Faixas:
01. Fardados
02. Mensageiros da Desgraça
03. Republica dos Bananas
04. Fala, Renata
05. Cadaver Sobre Cadaver
06. Canalha
07. Pedofilia
08. Chegada ao Brasil
09. Eu Me Sinto Bem
10. Flores Pra Ela
11. Não Pode
12. Senhor
13. Baião de Dois
14. Quem São Os Animais

domingo, 9 de outubro de 2016

L.A. Guns – Man In The Moon (2001):



Por Davi Pascale

Álbum marcava retorno de Phil Lewis e o retorno à velha forma. Provavelmente, um dos melhores trabalhos gravados pelo grupo de L.A.

O L.A. Guns chegou a ter um certo destaque no período inicial, mais claramente em seus três primeiros álbuns. Quem viveu os anos 80 e acompanhou de perto a cena de Los Angeles, certamente se lembra de sons como “Sex Action, “Rip And Tear” ou “Kiss My Love Goodbye”. Nunca chegaram a ter aquela musica que marcasse toda uma geração, aquele megahit que levasse à venda de milhões de álbuns, mas sempre conseguiram admiração e respeito entre os admiradores da cena.

Quem conhece a história do Guns n´ Roses, ao menos já leu uma citação ao nome deles. Pois bem, quem é fã da trupe de Axl, tem mais um motivo para ir atrás deste álbum. Esse disco, para quem não sabe, foi gravado, produzido e mixado pelo Gilby Clarke. Guitarrista que excursionou com o Guns na tour do Use Your Illusion. Além disso, ele ajudou o guitarrista Tracii Guns a construir os arranjos de todo o disco.

A história do L.A. Guns é cheia de polêmicas, cheia de idas e vindas, brigas entre os integrantes, mas algo ninguém nega. Quando Tracii Guns e Phil Lewis se juntam é sinal que vem coisa boa por aí. Por isso, esse álbum foi aguardado com tanto ansiedade entre seus admiradores. Afinal, ele marcava a volta de Phil Lewis às banda.

Os álbuns sem o rapaz não chegam a serem ruins, mas perderam muito a essência do conjunto. O melhor trabalho desse período é o excelente e raro EP Wasted que conta com o trabalho vocal de Ralphn Saenz (o Michael Starr do Steel Panther). Depois de diversas experimentações, os garotos voltavam a fazer o que sabiam de melhor, hard rock com guitarra falando alto, com sonoridade nua a crua.

A sonoridade àla Guns n Roses surge com tudo nos empolgantes riffs de “Man In The Moon”,  “Hypnotized” e “Scream”. Slash ficaria orgulhoso. Contudo, o disco também conta com uma bem-vinda influencia de 70´s. Em composições como “Good Thing”, “Fast Talkin´  Dream Dealer” e, especialmente, “Out Of Sight” é facilmente perceptível a influência de Led Zeppelin.

Phil Lewis demonstrava estar com a voz em dia. Seu trabalho vocal não estava distante daquilo que havia entregado em álbuns como Hollywood Vampires, por exemplo. Steve Riley nunca foi de fazer levadas ultra-técnicas, mas sempre realizou um trabalho eficiente que casava com a proposta do grupo. E aqui não é diferente.

Conforme esperado, o álbum apresenta 2 baladas: “Turn It Around” e, a minha predileta, entre as baladas, “Beautiful”. De boa, se essa musica tivesse sido trabalhada nas rádios, o grupo teria mais um hit em seu catálogo.

Man In The Moon se distanciava um pouco de seus antigos álbuns por não trazer uma influencia tão descarada da cena punk, como acontecia em seus primeiros registros (em especial, no seu debut auto-intitulado). Ainda assim, o grupo apresentava um repertório forte, riffs impactantes e demonstrava que ainda tinha muita lenha para queimar. Vamos ver se agora que Phil e Tracii pararam com aquela viadagem de 2 L.A. Guns e voltaram a trabalhar juntos, se eles nos brindam com mais trabalhos desse nível. Torço para que sim...

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Empolgante

Faixas:
      01)   Man In The Moon
      02)   Beautiful
      03)   Good Thing
      04)   Spider´s Web
      05)   Don´t Call Me Crazy
      06)   Hypnotized
      07)   Fast Talkin´ Dream Dealer
      08)   Out of Sight
      09)   Turn It Around
      10)   Scream