quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Airbourne – Breakin´ Outta Hell (2016):





Por Davi Pascale

Airbourne chega ao seu quarto album. Breakin´ Outta Hell mantém a veia AC/DC e deve agradar os fãs da banda.

O Airbourne não é a primeira banda a seguir os passos do AC/DC (que o diga o Jackyl, somente para ficar em um exemplo), nem será a última. Mas quando o projeto é bem feito e as faixas são boas e impactantes, não há nada de errado nisso. Afinal, rock n´ roll é sobre diversão, certo?

É justamente essa a pegada do álbum. Breakin´ Outta Hell foi feito para se ouvir no talo, berrando com os pulmões cheios. Disco criado para atacar o volume no último número e se esquecer dos problemas do dia-a-dia. As letras são os velhas temas de sempre: garotas, bebidas, a vida na estrada. Mais uma vez, nenhuma novidade, mas sempre divertido.

Um velho admirador da banda era o saudoso Lemmy Kilmister (Motorhead). O músico chegou a colocar os garotos para fazer uma turnê conjunta e chegou até a fazer uma aparição no clipe de “Runnin´ Wild”. O cantor Joel O´Keeffe, declarou em recente entrevista à revista Metal Hammer, que a faixa “It´s All For Rock N´ Roll” é uma homenagem ao líder do Motorhead: “Queríamos homenageá-lo, mas não queríamos fazer o óbvio. Esse é nosso agradecimento ao Lemmy. Ele era o general do rock n´ roll. Ele fez rock n roll do primeiro ao último dia de sua vida”.

O estilo da banda mantém aquela velha pegada do AC/DC. Bateria reta, riffs impactantes, vocal gritado, backings com coros fortes, arranjos hard rock com influência do blues. Não se assuste se pegar riffs similares ao de Angus Young ou alguma linha de voz que remeta ao Brian Johnson. Isso é uma constante em seu trabalho desde o debut de 2007.

“Breakin´ Outta Hell”, “The Thin Blood” e “When I Drink I Go Crazy” são as que contam com arranjos mais velozes. Assim, como seus grandes ídolos, o álbum não conta com baladas. As que contam com arranjo mais lento são “Rivalry” e “It´s All For Rock n Roll”. Faixas de rock puro!

Breakin´ Outta Hell pode não ser o álbum mais criativo do mundo, mesmo assim foi um dos que mais gostei dentre os últimos álbuns que andei ouvindo. As faixas são excelentes, qualidade de gravação excelente. A banda conquistou uma sonoridade empolgante e os músicos cumprem incrivelmente bem seu papel. Se você busca rock n roll cativante e não se importa com modernidades, esse disco é para você. 

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Empolgante

Faixas:
      01)   Breakin´ Outta Hell
      02)   Rivalry
      03)   Get Back Up
      04)   It´s Never Too Loud For Me
      05)   Thin The Blood
      06)   I´m Goin´ To Hell For This
      07)   Down On You
      08)   Never Been Rocked Like This
      09)   When I Drink I Go Crazy
      10)   Do Me Like You Do Yourself
      11)   It´s All For Rock n Roll

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Whitesnake – Starkers In Tokyo (1997):





Por Davi Pascale

Em 1997, o Whitesnake retornou ao mercado com o lançamento de dois álbuns. Um, autoral (o bom Restless Heart) e outro, acústico. É justamente sobre o trabalho desplugado que tratamos hoje.

O disco Restless Heart foi recebido com bastante euforia na época. Afinal, era o primeiro trabalho de inéditas desde o (bom) Slip Of The Tongue. O trabalho é bacana, mas acredito que muitos tenham se frustrado em uma primeira audição, já que tinha bastante balada no CD. De todo modo, tinha bastante música boa. Entre um trabalho e outro, chegaram às lojas, a coletânea Greatest Hits e o (ótimo) projeto Coverdale/Page (quem nunca ouviu isso, pelo amor de Deus, vai atrás).

A apresentação é extremamente simples. E isso tem uma razão de ser. Inicialmente, esse show não seria lançado como um disco de carreira do Whitesnake. A ideia era fazer meio que um pocket show para promover seu novo disco. Como alguns artistas fazem em sessão de autógrafos. Três musicas de seu até então novo disco foram apresentadas: o single “Too Many Tears” e as baladas “Can´t Go On” e “Don´t Fade Away”. Das três, minha favorita sempre foi “Can´t Go On”.

O show é simples em todos os aspectos. Nos arranjos, no formato. David Coverdale, em pé, com o microfone. Adrian Vanderberg, sentado, no outro canto, com o violão. Embora Vanderberg seja um músico de primeira, seu trabalho é bem sutil. O rapaz se preocupou em adaptar às musicas ao violão de maneira melódica, harmoniosa, mas não há espaço para solos. O que fica em maior evidência é o trabalho vocal de Coverdale.

O resto do set foi preenchido com canções antigas. Não fizeram, contudo, uma compilação dos hits. Não criaram versões acústicas para faixas como “Guilty Of Love”, “Walking In The Shadow Of The Blues”, “Lovehunter”, “Slide It In”, “Crying In The Rain” ou “Still Of The Night”. Optaram por interpretar as que melhores cabiam nesse formato.

David Coverdale canta muito bem no show, mas se você está acostumado com aquele rapaz que fica gritando e girando pedestal, vá com calma. Coverdale fez uma interpretação bastante emotiva, canta com alma, mas canta sem ficar exagerando nos agudos. 

No show foram apresentadas 3 canções que, por algum motivo, ficaram de fora do produto final: “Burning Heart”, “Fool For Your Loving” e “Only My Soul”. Não aparecem nem no CD, nem no vídeo. Ambos, apresentam o mesmo set com uma sequencia um pouco diferente.

Starkers In Tokyo é um trabalho bem bacana porque nos permite ver o outro lado do Whitesnake. Sem contar que essas apresentações intimistas são sempre muito divertidas. Recomendadíssimo! Faixas preferidas:  “Sailing Ships” e “The Deeper The Love”.

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Excelente

Faixas (sequencia do vídeo):
      01)   Sailing Ships
      02)   Too Many Tears
      03)   The Deeper The Love
      04)   Can´t Go On
      05)   Is This Love
      06)   Give Me All Your Love
      07)   Here I Go Again
      08)   Soldier Of Fortune
      09)   Love Ain´t No Stranger
      10)   Don’t Fade Away

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Europe - Live Look at Eden (2011):



 Por Davi Pascale
Publicado originalmente no site Consultoria do Rock

A banda sueca Europe resolveu fazer mais um registro ao vivo. Bem... na verdade, dois! O primeiro deles trata-se do CD/DVD Live Look At Eden. E é sobre ele que tratarei hoje.
 
O pacote mostra um grupo afiado e cada vez mais distante daquele som comercial dos anos 1980 que os tornaram famosos. Quem espera por um projeto nostálgico, vai se decepcionar. 

Joey Tempest (voz), John Norum (guitarra), John Leven (baixo), Mic Michaeli (teclados) e Ian Haugland (bateria), formam o line-up deste registro. De forma geral, o grupo sempre foi consistente ao vivo e sempre contou com ótimos músicos. Norum conseguiu, inclusive, uma carreira-solo de respeito durante a pausa da banda nos anos 90. Portanto, dizer que os músicos estão tocando bem e que o cantor não decepciona é chover no molhado. 

Verdade seja dita. É muito difícil pegar o novo trabalho na mão e não se interessar. Até mesmo para muitos que torcem o nariz para o grupo, e insistem em rotulá-los como farofeiros, o projeto pode agradar. 

Detalhes do encarte

A arte gráfica é fantástica! Nem parece que temos em mãos um produto lançado durante a era digital, época onde as gravadoras investem cada vez mais em relançamentos de grandes artistas e lançamentos de artistas pré-fabricados, e cada vez menos em lançamentos de grupos consistentes. A embalagem é um livro de 140 páginas com fotos da última turnê. Dentro do livro, estão o CD e o DVD. Produção realmente matadora e ousada para os dias de hoje.

O CD traz o registro de 10 músicas, gravadas em quatro apresentações distintas. O set list é bem dosado contando com cinco músicas recentes e cinco da primeira fase do grupo. No entanto, como disse no início do texto, o enfoque não são as músicas mais festeiras e sim, as mais rocks. Sendo assim, não espere ouvir canções como "Cherokee" ou a balada "Carrie". A exceção, é claro, trata-se do megahit "The Final Countdown" (seu maior sucesso comercial). 


O DVD conta com ótima qualidade de gravação, mas poderia trazer mais imagens. As performances – registradas no Itune Festival em Londres – são ótimas, mas o fã acaba ficando com aquele gostinho de quero mais. Afinal, trata-se de apenas cinco músicas ao vivo (sendo que somente "Rock The Night" pertence à primeira fase) e os dois clipes de seu  até então novo álbum, Last Look At Eden, lançado em 2009. Tudo bem... Talvez a intenção seja esta mesma, já que logo em seguida foi lançado o DVD ao vivo Live At Shepherd´s Bush, London com o show completo. 

De qualquer forma, a curta duração do disco e do DVD (50 e 30 minutos aproximadamente) não decepciona e impõe respeito. A energia e o profissionalismo do grupo irão calar a boca de muita gente. Quem gosta de rock and roll, e não vive no passado, certamente irá se divertir com este lançamento! Confira!

John Norum e Joey Tempest

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Profissional
 
Track list do CD:

1. Last Look At Eden
2. Love Is Not The Enemy 
3. Superstitious 
4. Scream of Anger 
5. No Stoner Unturned 
6. New Love In Town 
7. Seventh Sign 
8. Rock The Night 
9. The Beast 
10. The Final Countdown 

Track list do DVD:

1. Last Look At Eden
2. No Stone Unturned
3. New Love In Town
4. Rock The Night
5. The Beast
6. Last Look At Eden (official video clip)
7. New Love In Town (official video clip)

domingo, 25 de setembro de 2016

Made In Brazil – Massacre (2014):





Por Davi Pascale

Depois de 37 anos engavetado, LP finalmente chegava ao mercado. Disco traz primeiras gravações de grandes clássicos do conjunto e foi prensado em uma tiragem extremamente limitada.

Em 1977, o Brasil ainda vivia o período da ditadura militar. Em meio a todo esse alvoroço, alguns garotos da Pompeia conquistavam milhares de jovens fazendo um rock n roll autentico e shows bem produzidos. Naquele mesmo ano de 1977, esses garotos sofreriam um grande baque: a censura começaria a meter os dedos nos seus discos e nos seus shows.

A perseguição em cima dos artistas não era novidade. Outros músicos já haviam passado por situação similar ou pior. De todo modo, é sempre um balde de água fria quando você vê um projeto que se dedicou tanto sendo barrado. Das 16 músicas que submeteram à aprovação da censura, 12 foram proibidas. Os músicos ainda foram chamados para depor e explicar o tal tanque desenhado na capa do disco. Para que pudessem voltar à estrada, tiveram que adaptar as letras e fazer algumas modificações em suas apresentações.

A fita que deu origem ao LP que iria às lojas sumiu de circulação. Alguns anos atrás, Oswaldo Vecchione, líder do grupo, encontrou em sua casa as fitas das demos. Naquela época, os músicos registravam uma demo antes de gravar o material definitivo. Normalmente, com equipamentos mais simples e tocando ao vivo dentro do estúdio. Era meio que um modo de pré-avaliar o material que tinham em mãos. É exatamente essa fita que foi transformada em CD em 2005 e, finalmente, em LP em 2014.

A versão que consegui é a do vinil, com uma tiragem limitadíssima de 300 cópias, numeradas à mão, e disco colorido. Um belíssimo item de colecionador. Minha única reclamação é que não colocaram todas as músicas do CD. Quando fui pesquisar sobre o álbum, descobri que o CD saiu com 14 faixas e o vinil tem apenas 10.

Várias músicas daqui foram regravadas depois em Pauliceia Desvairada. Porém, como disse, as músicas foram alteradas. Temos, nesse disco, exatamente como elas foram concebidas. Outro ponto à favor é que os trabalhos vocais dessa demo foram registrados pelo Percy Weiss. Vocalista que sempre considerei superior ao Caio Flávio. Além de termos a participação do grande Wander Taffo.

Musicalmente falando, é o Made de sempre. Aquele hard rock altamente influenciado por Rolling Stones. Influencia de blues falando alto. Mesclam-se músicas mais agitadas com baladas. Letras versando sobre mulheres e vida na estrada. Embora tenha sido gravado por um método extremamente simples, afinal era uma demo, e se trate de gravações antigas, a qualidade de som é muito boa.

Trabalho recomendado para quem curte o som da banda ou se amarra no rock n roll dos anos 60/70. Faixas de destaque: “Uma Banda Made In Brazil”, “Eu Não Sei Se Mudaria”, “Massacre”, “Pauliceia Desvairada” e “Chuva”.

Nota: 7,5 / 10,0
Status: Histórico

Faixas:
Lado A:
      01)   Uma Banda Made In Brazil
      02)   Amanhã É Um Novo Dia
      03)   Eu Não Sei Se Mudaria
      04)   Eu Vou Estar Com Você
      05)   Não Estou Nem Aí...
Lado B:
      01)   Massacre
      02)   É Soda... É Foda!
      03)   Paulicéia Desvairada
      04)   Chuva
      05)  Você Me Machucou