quarta-feira, 27 de julho de 2016

Lita Ford – Live & Deadly (2014):





Por Davi Pascale

Cleopatra Records relança álbum ao vivo da cantora Lita Ford. Disco ganha nova arte e prensagem em vinil.

Cleopatra Records é uma gravadora independente que está na ativa desde 1992. Idealizada pelo fã de música Brian Perera, iniciou no mercado soltando álbuns de artistas góticos, de rock industrial e da cena punk rock britânica. Nos anos 90, criaram o selo Deadline para trabalharem com artistas da cena de L.A. dos anos 80. Soltaram álbuns de vários artistas que as grandes companhias insistiam em renegar: Quiet Riot, Cinderella, Warrant, White Lion, Bret Michaels, etc etc etc .  Recentemente, soltaram uma série de álbuns ao vivo. Entre eles, está esse da cantora Lita Ford.

Virou moda o pessoal relançar álbuns antigos, DVD´s antigos, alterando o nome e a arte original. E é exatamente disso que se trata esse álbum. Live & Deadly nada mais é do que uma nova prensagem do álbum Greatest Hits Live, lançado originalmente em 2000. E o pior de tudo, com uma faixa a menos. O CD original trazia uma nova faixa de estúdio, “Nobody´s Child”, que foi deixada de lado nessa nova edição.

O show em si é fantástico. Recheado de clássicos, a apresentação demonstra aquilo que todos nós que a acompanhamos de perto, já sabíamos. A mulher, além de ser uma boa guitarrista, canta incrivelmente bem. A banda nessa época era formada por David Ezrin nos teclados, Joe Taylor nas guitarras, Tommy Caradonna no baixo e o cultuado Jimmy DeGrasso na bateria.

A sonoridade é bem honesta. Som bem cru, sem grandes overdubs, com som da guitarra e da bateria em bastante destaque. O setlits é simplesmente matador. Focado nos seus álbuns Lita, Stilettto e Dangerous Curves, relembra justamente seu momento de ascensão. Os mais jovens não vão se lembrar, mas faixas como “Kiss Me Deadly” e “Shot of Poison” tocaram bastante nas rádios.
 
Esse período está super bem registrado aqui. Além das duas músicas citadas, dão as caras canções como “Larger Than Life”, “What Do You Know About Love”, “Can´t Catch Me”, “Hungry”... Até mesmo a balada “Close My Eyes Forever”, gravada originalmente como um dueto com Ozzy Osbourne, foi relembrada. O único senão é que os clássicos de seus dois primeiros LP´s foram esquecidos. Eu, particularmente, gostaria muito que tivesse sido incluída “Gotta Let Go”. De todo modo, é um belo show. Ao vivo, ela ganha um peso extra, já que os teclados são mais contidos.

Álbum muito legal, show realmente muita bacana. Enérgico, nostálgico. Entretanto, poderia ter sido relançado como foi criado. Acho super válido retornarem álbum fora de catálogo para o mercado. Só não entendo essa lógica de reembalar o material para parecer algo novo. E também não gosto da ideia de tirar canções do disco ou de alterar ordem das faixas (o que, graças ao bom Deus, não acontece aqui). Se é para alterar, que melhorem adicionando material extra, não mutilando-o. De interessante, dessa vez, saiu uma prensagem em vinil, que é sempre um item interessante aos colecionadores. Show foda, mas se fosse você ainda iria atrás da prensagem original.

Nota: 7,0 / 10,0 (para a reprensagem) / 10,0 / 10,0 (para o show)
Status: Enérgico e nostálgico

Faixas:
      01)   Larger Than Life
      02)   What Do You Know About Love
      03)   Black Widow
      04)   Holy Man
      05)   Can´t Catch Me
      06)   Falling In And Out Of Love
      07)   Bad Love
      08)   The Ripper
      09)   Close My Eyes Forever
      10)   Shot Of Poison
      11)   Hungry
      12)   Kiss Me Deadly
      13)   Rock Candy

terça-feira, 26 de julho de 2016

Deep Purple – Black Night / Speed King (2015):



Por Davi Pascale

Comprei esse compactinho recentemente durante minhas reviradas nas lojas virtuais. Quase sempre que entro em algum site para comprar um disco, dou uma passada nas paginas de lançamentos, ofertas e coisas do tipo. Mania que adquiri por ser meio que macaco velho nessa história de colecionar disco. Sempre que entro em loja de disco, reviro a prateleira inteira tentando encontrar alguns tesouros perdidos ou algum lançamento que não está na parede de lançamento por não se tratar de um artista tão popular.

Sempre fui muito fã do Deep Purple e sempre acompanhei de perto a carreira de muitos músicos que por lá passaram, caso de David Coverdale, Glenn Hughes, entre outros. Portanto, não poderia deixar de adquirir um produto exclusivo da Record Store Day, certo?

A produção do disco é muito bacana. O disquinho traz a arte do LP In Rock. O vinil, gravado em 45RPM, é azul. Produto realmente lindíssimo. A qualidade de som é realmente espetacular. Só tem um porém, as duas gravações são conhecidas de seus fãs.

Algo muito bacana nesses itens de coleção da Record Store Day é que muitas vezes o material prensado ali é exclusivo. Os fãs ficam descabelados quando descobrem que seu artista preferido resolveu lançar algum álbum em parceria. No dia seguinte, estão de olho no Ebay para ver se pintou por lá.

Muitas vezes, não é inédito, mas é algo raro. A do Deep Purple obedece, mais ou menos, essa lógica. Já vi alguns sites apontando que o remix de “Black Night” nunca havia sido lançado. Ledo engano. Nunca havia sido lançado em vinil. Quem coleciona CD´s, já conhece as duas músicas apresentadas aqui. Ambas, fizeram parte da 25th Anniversary Edtion do CD In Rock. Por que digo mais ou menos? Porque, embora só estejam nessa edição, essa edição não é algo tão difícil de ser encontrado.

E o que são as músicas, afinal? No lado A, temos “Black Night (Unedited Roger Glover Mix)”. Sei que a palavra mix causa pesadelos em muitos ouvintes, mas esse take é bem interessante. Ao invés da música acabar no solo de Ritchie Blackmore, ela segue. Ou seja, é o take sem cortes. E como foi remasterizado para a prensagem em CD, a qualidade de áudio é absurda com teclado e baixo em maior evidência, mixagem em estéreo e sonoridade com um pouco mais de peso (por conta da nova mixagem).

No lado B, temos “Speed King (Piano Version)”. A faixa se difere por ser um pouco mais curta, começando direto na parte cantada, sem a parte do improviso, e por ter um som de piano no lugar do som  do famoso Hammond de Jon Lord, dando um ar mais rock n roll à canção.

Resumindo. A banda é clássica. O disco é clássico. As faixas são clássicas. As versões são matadoras.  Mas esse é um produto que só é destinado aos colecionadores de Deep Purple. Caso contrário, vale a pena você correr atrás do CD comemorativo que têm essas 2 músicas entre outras belezuras.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Material excelente, porém já conhecido

Faixas:
      01)   Black Night (Unedited Roger Glover Mix)
      02)   Speed King (Piano Version)

segunda-feira, 25 de julho de 2016

The Distillers – Coral Fang (2003):



Por Davi Pascale

Coral Fang foi o último álbum da banda The Distillers. Grupo apostava em uma sonoridade alternativa e merece ser redescoberto.

A banda durou pouco. Os registros também são poucos. Três álbuns, um EP e nada mais. Mas quem curte um som com uma pegada suja, direta, principalmente aqueles garotos que cresceram com a sonoridade grunge nos ouvidos, vale a pena buscar um pouco mais sobre o grupo.

O The Distillers nasceu em 1998, na cidade de Los Angeles, da cabeça da cantora/guitarrista Brody Dale. Em 2002, uma faixa do álbum Sing Sing Death House entrou na trilha do jogo Tony Hawk´s Pro Skater 4. Não demorou muito e toda a garotada estava ligada no som praticado pelo grupo. Não demorou também para que as grandes gravadoras se ligassem que aquilo poderia ser sua nova galinha dos ovos de ouro.

A banda realmente poderia ter se tornado um dos grandes nomes dos anos 2000. Quando digo grande nome, não me refiro à ter projeção dentro da cena da qual faz parte. Isso, eles conseguiram. Digo, ir além disso. Não demorou muito e a Warner Music comprou a banda para seu catálogo. Coral Fang foi lançado pelo Sire, um selo pertencente à multinacional. Infelizmente, a banda não durou. Mesmo tendo recebido críticas positivas pelo álbum, Brody Dale deu a banda por encerrada em 2006. O nascimento de seu filho e o fato de alguns antigos integrantes terem abandonado o barco foram a causa do encerramento.

Se tivesse que comparar o som praticado por eles, nesse disco, à algum outro grupo, citaria o Hole sem pensar duas vezes. Há diversas similaridades. Brody Dale tem uma voz bem similar à de Courtney Love e escreve linhas vocais bem parecidas. Os arranjos também têm muito a ver com o grupo da viúva de Kurt Cobain. Fazem aquele rock sujo, direto, guiado por guitarra. Algumas faixas são mais velozes, outras mais melódicas. A ideia de mesclar versos pesados com refrãos comerciais, guitarras com microfonias àla Nirvana (“Deathsex”), o álbum tem uma pegada bem 90´s.

Ok, pode não ser algo exatamente original, mas o material chama atenção pela qualidade das composições. É muito comum pegarmos um álbum para escutar e nos depararmos com altos e baixos. Nesse disco, os músicos conseguiram manter a consistência do início ao fim. A qualidade das músicas é extremamente alta.

Sim, os arranjos são simples. Aquela velha lógica grunge. Bateria direta, guitarra com poucos acordes, vocais berrados. Entretanto, é muito bem tocado. Ainda não assisti uma gravação da banda nos palcos, mas é daquelas bandas que promete ter uma energia incrível. Se você cresceu nos anos 90 e sente falta de bandas com uma pegada meia Nirvana, Hole e L7, vá sem medo. Discão!

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Excelente

Faixas:
      01)   Drain The Blood
      02)   Dismantle Me
      03)   Die On a Rope
      04)   The Gallow Is God
      05)   Coral Fang
      06)   The Hunger
      07)   Hall of Mirrors
      08)   Beat Your Heart Out
      09)   Love Is Paranoid  
      10)   For Tonight You´re Only Here to Know
      11)   Deathsex

domingo, 24 de julho de 2016

Lobão – Teatro Paulo Machado (22/07/2016):



Por Davi Pascale
Fotos: Davi Pascale

Lobão esteve na ultima sexta em São Caetano para um espetáculo intimista. Apesar do publico abaixo do esperado, artista não deixou por menos e entregou uma apresentação forte e memorável.

Muitos têm torcido o nariz para o cantor Lobão por conta de suas posições políticas. Realmente, uma pena! Além de ser um ótimo músico, o rapaz é um compositor de mão cheia e tem uma atitude rock n´ roll que falta em mais de 90% dos artistas brasileiros. Mesmo nesse show voz/violão, mantêm sua irreverência.

O artista subiu ao palco com aproximadamente 10 minutos de atraso. Andou para seu canto, montado com um banquinho, um laptop, 3 violões e uma taça de vinho. Nem sequer cumprimentou a plateia e já teve início os inúmeros pedidos de músicas. Inquieto como sempre, não deixou barato. “Por favor, sem ejaculação precoce”, brincou, arrancando risadas da plateia. “Tenho certeza que não irei decepcioná-los”.

A noite começou sob o som de “Os Vulneráveis”, canção de seu novo álbum, O Rigor e a Misericórdia. Uma das faixas mais fortes do disco. Nela, já fica comprovada que o rapaz não perdeu o dom da composição. Se bem que isso não é nenhuma novidade para quem o acompanha de perto.

O início do show foi focado mais em seus trabalhos mais recentes. Vieram canções como “O Mistério”, “A vida É Doce”, “Vou Te Levar” e “A Esperança é a Praia de Um Outro Mar”. A apresentação teve um tom intimista. Entre uma musica e outra, o cantor contava histórias curiosas sobre as musicas que estavam sendo apresentadas. Explicando sobre o momento em que a criou, o que quis dizer nas letras, quem foram seus parceiros de composição.

Os depoimentos cobriam diversos períodos de sua vida. O publico gargalhava com as declarações sobre o período ao lado do saudoso Julio Barroso. Sobre, por exemplo, como nasceu o hit “Noite e Dia”. Não vou contar aqui para não estragar a surpresa de ninguém, mas a situação é simplesmente hilária.

Diversas vezes, o cantor já declarou que não morre de amores pelos discos que fez nos anos 80. Mesmo assim, nunca deixou de interpretar as canções desse período em seus shows. Aqui, não foi diferente. Trouxe vários clássicos da sua fase hitmaker: “Chorando No Campo”, “Decadence Avec Elegance”, “Essa Noite, Não”, “Por Tudo Que For”, “Me Chama”...

Sem medo de dar sua cara à tapa, comentou sutilmente sobre as polêmicas em torno do programa A Liga e da canção “Vida Louca Vida”, outro de seus grandes hits. “Essa música foi gravada pelo Cazuza, mas foi escrita por mim. Mas já apanhei tanto por conta disso que resolvi, simplesmente, doá-la ao Cazuza”. Ironizou, antes de interpretar o clássico. Durante o show, fez questão de comentar sobre o carinho que tem por pessoas como Julio Barroso, Ezequiel Neves, Cazuza, Lulu Santos, Marina Lima e Ritchie.

Apesar de seu combate político, foram poucos os momentos onde comentou sobre o governo. Para ser mais direto. Teve um pequeno improviso dentro de “Rádio Blá” e a execução de seu grande sucesso “Vida Bandida”, onde alterou o refrão trocando a palavra ‘vida’ pela palavra “Dilma”. Ataque mesmo, somente um, por conta de uma provocação da plateia.

A noite, que trouxe algumas surpresas, como uma versão de “Help” (Beatles), se encerrou com o clássico “Corações Psicodélicos”, após pouco mais de 90 minutos. O velho lobo demonstrou ser um bom violonista, demonstrou estar com a voz em dia e demonstrou não ter perdido a atitude. Antes de ir embora, o artista recebeu, pacientemente, seus fãs para fotos e autógrafos. Noite memorável!

sábado, 23 de julho de 2016

Notícias do Rock



O mundo do rock não para. Temos novidades (boas e ruins) à todo instante. Separei alguns dos principais acontecimentos dos últimos dias. Confira!

Por Davi Pascale

Beatles: lançamento de CD ao vivo e novo documentário


Em 1977, foi lançado o LP Live At The Hollywood Bowl dos Beatles. Os fãs ainda não se conformam com o fato do disco nunca ter sido lançado em CD. Finalmente, teremos uma edição em CD do show em questão, porém, ao que tudo indica com um tracklist um pouco diferente. Também será lançado um documentário que atende pelo nome de Eight Days a Week – The Touring Years, que contará os primeiros anos da banda. Bacana!


Led Zeppelin soltará edição especial do BBC Sessions


Ao que tudo indica as reedições dos álbuns de estúdio do Led Zeppelin não serão os últimos lançamentos da banda. Acaba de ser anunciado que dia 26 de Setembro chegará às lojas uma nova edição do álbum BBC Sessions. Atendendo pelo nome de The Complete BBC Sessions, o álbum conterá 8 faixas inéditas, incluindo versões da sessão de Março de 1969, que muitos especialistas apontavam que o material havia sido apagado. Demais!


Thiago Bianchi enfrentando problemas de saúde novamente



A semana começou ruim para os fãs de Thiago Bianchi. O rapaz que se apresentou recentemente no Rock In Rio ao lado do Noturnall e foi responsável por substituir Andre Matos no Shaman, foi parar na UTI. O comunicado foi feito pelos parceiros do Noturnall. Os músicos ainda não revelaram o que aconteceu. Só disseram que a situação é grave e pedem que os fãs rezem pelo rapaz. Força, Bianchi!


Fish anuncia seu ultimo álbum



O cantor Fish, mais conhecido por seus anos no Marillion, anunciou que seu próximo álbum Weltschmerz será lançado em 2017 e será seu ultimo trabalho. Segundo o cantor, ele se aposentará após a turnê de 2018 e se dedicará mais ao cinema. Em recente entrevista à Classic Rock Magazine, o cantor comentou que o álbum trará uma temática mais obscura e o comparou ao álbum Clutching At Straws.


Gary Rossington passará por nova cirurgia no coração


O guitarrista Gary Rossington, do Lynyrd Skynyrd, passará por uma nova cirurgia para desentupir algumas artérias do coração. Ao que tudo indica, no inicio da semana ele sofreu fortes dores no peito. A banda adiou todas as apresentações que tinham no mês de Agosto. As datas foram remarcadas para Setembro para que Gary pudesse se recuperar bem da cirurgia. Na torcida para que tudo saia bem na cirurgia.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Vímana – Zebra (2016):



Por Davi Pascale

Raro compacto retorna ao mercado. Grupo trazia 3 músicos renomados em início de carreira apostando em uma sonoridade bem distinta da que fazem hoje. Essencial!

Para quem curte rock brasileiro, o relançamento desse compacto é motivo de celebração. O grupo não teve sucesso comercial, mas a história deles ficou extremamente famosa. Afinal, lançaram três grandes nomes da safra oitentista brasileira. Além de terem chamado a atenção de Patrick Moraz, ex-tecladista do Yes. O rapaz chegou, inclusive, a integrar o ultimo lineup.

O fato de terem tido um músico do Yes em seu time fez com que a história da banda fosse relatada em tudo quanto é canto, mas não será aqui que você terá uma noção da parceria. O Vímana teve, se não me engano, 4 formações diferentes. A que gravou esse registro foi a segunda. Ou seja; Luiz Paulo Simas (do cultuado Modulo 1000) nos teclados, Fernando Gama (Veludo Elétrico) no baixo, além de Ritchie (flauta, voz), Lobão (bateria) e Lulu Santos (voz/guitarra). Um verdadeiro dream team.

Esse foi o único lançamento oficial do grupo e foi lançado originalmente em 1977. Nessa mesma época, os músicos gravaram um LP que está até hoje engavetado. A gravadora optou por não lançar o disco por acreditar que não havia publico para aquele tipo de som no Brasil. Os colecionadores de plantão já se ligaram em um CD-R que corre no Mercado Livre com o nome de On The Rocks. Ali, o idealizador tentou compilar as musicas que fariam parte do LP, através de gravações piratas de shows. Não se trata do disco perdido. Espero que o LP original seja lançado um dia.

Quem coleciona discos há algum tempo, já tinha tido acesso à essas músicas. Embora o compacto esteja fora de catálogo há décadas, essas músicas haviam sido lançadas em uma coletânea do Lulu Santos que atendia pelo nome de E-Collection: Sucessos + Raridades. Muito bacana, contudo, termos a oportunidade de termos em mãos o disco como foi lançado originalmente com a arte original, inclusive. O compacto de época é vendido em sebos de discos com o preço variando entre 100 e 300 reais, dependendo do estado de conservação. Portanto, se você é fã de algum dos músicos envolvidos, aproveita agora.

São apenas 2 músicas: “Zebra” no lado A e “Masquerade” no lado B. A ideia era fazer um rock progressivo. Algo que havia tomado de assalto os artistas brasileiros da época. “Zebra” pode causar uma certa estranheza aos puristas em um primeiro momento. Aqui, os músicos inovavam ao acrescentar uma percussão meia afro por trás. Contudo, a linha de baixo swingada e os vocais à la 14 Bis são o grande destaque da faixa. “Masquerade” já aposta em uma sonoridade mais clássica, com uma linha vocal bem influenciada por Yes, mas quem chama mesmo a atenção aqui é o teclado extremamente rico de Luiz Paulo Simas e a flauta de Ritchie. Acho as duas composições boas, mas minha preferida é a que dá nome ao disco.

Quem quiser ter uma noção de como a coisa funcionava nos palcos, vale correr atrás do filme Ritmo Alucinante, que traz um registro do Hollywood Rock 1975 e conta com algumas imagens do grupo. Fora isso, tudo que podemos fazer é cruzar os dedos e torcer para que um dia o LP chegue às lojas. Fica a dica ao pessoal da Polysom.

Nota: 10,0 / 10,0
Status: Histórico

Faixas:
      01)   Zebra
      02)   Masquerade

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Anthrax – Anthems (2013):



Por Davi Pascale

Em 2013, o grupo de thrash metal Anthrax soltou um EP de covers. Disco resgata canções dos anos 70 e são interpretadas de maneira bem fiel. Álbum bem bacana e empolgante.

Inicialmente, essas músicas seriam parte da edição deluxe de Worship Music, só que os músicos não terminaram as gravações à tempo. Para não perderem o que haviam gravado, resolveram compilar tudo em um disquinho e colocar o material nas lojas. O resultado é esse EP.

Bacana que os músicos foram nas suas origens. Ou seja, nos artistas que cresceram ouvindo. Não fizeram releituras de outras bandas de thrash metal. Sendo assim, não espere ouvir por sons de grupos como Metallica, Megadeth, Kreator, Exodus, Testament e afins. Mais honesto (afinal, se os citassem como influencias seriam meio incoerentes já que são artistas contemporâneos) e mais divertido. Afinal, pudemos conhecer outra face do Anthrax.

Nos anos 90, a banda já havia regravado algumas canções do Kiss.  Haviam feito um belo trabalho, recriando algumas partes e trazendo mais peso. Mas não espere isso de Anthems. Os músicos fizeram as versões bem fieis às originais. Sim, tem um pouco mais de peso, mas nada a ponto de dizer ‘caraaaaaaaaaca, olha os caraaaas’.

O mestre Charlie Benante se destaca na bateria trincada de “Anthem” do Rush, mas o grande destaque do disco é Joey Belladonna. O cantor levou à sério a ideia de mais fiel possível na hora de gravar os vocais para o disco. Fez o vocal gritado de Geddy Lee, a voz embriagada de Bon Scott, o grave de Phil Lynott. Se por um lado, não é algo extremamente criativo. De outro, mostra que tem um ótimo domínio de sua voz e que faz com ela aquilo que deseja.

As faixas que mais me chamaram a atenção foram “Keep On Runnin´” e “Smokin´”. Nunca na minha vida imaginei que iria ouvir Anthrax tocando Journey ou gravando faixas com um teclado com fraseados àla Jon Lord (o que ocorre na regravação do Boston). Gratas surpresas.

Como já era de se imaginar, o material é incrivelmente bem tocado e a produção do disco é de primeira. As musicas foram muito bem escolhidas. Não tem nenhuma releitura que você pense, ‘putz... pisaram no tomate’. E nenhum artista homenageado que pense ‘como assim? Enlouqueceram total!”. Agora… honestamente, teria terminado o CD em “Jailbreak”. Até entendo que foi lançado bem próximo à Worship Music e que se não fosse ele, esse projeto provavelmente não existira, mas “Crawl” é uma musica que não tem nada a ver com o restante do disco. Nem a versão original, nem o remix. De todo modo, Anthems é um trabalho cativante e divertido que merece ser conferido pelos fãs de rock n roll em geral. Vá sem medo!

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Empolgante

Faixas:
      01)   Anthem (Rush)
      02)   TNT (AC/DC)
      03)   Smokin´ (Boston)
      04)   Keep On Runnin´ (Journey)
      05)   Big Eyes (Cheap Trick)
      06)   Jailbreak (Thin Lizzy)
      07)   Crawl (Album Version)
      08)   Crawl (Remix)