quarta-feira, 13 de julho de 2016

Celebração Dia do Rock

Hoje é o dia mundial do rock. A data é comemorada por conta do festival Live Aid, realizado em 1985, para tentar combater a fome da Etiopia. O evento idealizado e organizado pelo cantor Bob Geldof, contou com a ajuda de vários astros do pop e do rock que se uniram para lutar a favor da causa. Ninguém cobrou cachê. Para celebrar a data, resolvi fazer uma compilação de 10 vídeos de alguns dos principais artistas que participaram do evento. Saca só quem resolveu dar as caras por lá...


Judas Priest


U2


Sting


The Who


David Bowie & Mick Jagger


Paul McCartney


Black Sabbath


Queen


Pretenders


Eric Clapton / Phil Collins


terça-feira, 12 de julho de 2016

Halestorm – ReAnimate 2.0 The Covers EP (2013):



Por Davi Pascale

Em 2013, o Halestorm soltou o segundo volume do projeto ReAnimate, um EP formado por covers. Disco mantém qualidade do primeiro disco e destaca, mais uma vez, a bela voz de Lzzy Hale.

Algo muito bacana nesses EP´s é que alguns dos artistas escolhidos não são óbvios. Outro ponto a favor é que a banda é formada por ótimos músicos, portanto as versões acabam ficando super interessantes. O fato de não reproduzirem nota por nota tira aquela sensação de álbum tapa buraco.

Mais uma vez, o CD é formado por seis faixas. As que mais me chamaram a atenção foram justamente as menos óbvias. “Get Lucky” do Daft Punk e “Hell Is For Children” da cantora Pat Benatar estão entre os grandes destaques. A canção do Daft Punk perdeu aquele ar meio swingado, ganhou uma releitura mais pesada, repleta de guitarras distorcidas. Ficou com uma cara meio Within Temptation, meio Evanescence. Bem interessante. A versão da Pat Benatar também ficou destruidora. O arranjo foi bem menos alterado, praticamente ganhou um pouco mais de peso, mas ficou igualmente genial.

É comum, nesse tipo de projeto, grandes ícones do rock serem relembrados. Aqui, não foge a regra. AC/DC e Judas Priest são homenageados em competentes versões de “Shoot to Thrill” e “Dissident Agressor”. Acertaram em pegar faixas menos manjadas. Claro que quem é fã dos grupos, conhece esses sons de cabo a rabo, mas não são faixas tão óbvias. Llzy Hale não é Rob Halford, mas é dona de uma bela voz, e faz bonito nas duas canções. Ambas bem difíceis de serem interpretadas.

Em seu mais recente álbum, Into The Wild Life, o grupo inseriu alguns elementos eletrônicos nos arranjos. Resgatam aqui, um artista que fez muito bem essa mistura. E também acertaram no álbum. Trata-se de “1996” do polêmico Marilyn Manson, faixa vinda diretamente de Antichrist Superstar, seu melhor trabalho até hoje. A pegada eletrônica foi mantida.

Se por um lado trazem um toque de modernidade ao homenagear um dos grandes nomes da década de 90, de outro não esquecem as origens do rock. Uma levada blues aparece em “Gold Dust Woman”, clássico do Fleetwood Mac. Lembro que o Hole já havia criado uma versão dessa faixa nos anos 90, transformando-a em um rock alternativo. O grupo de Lzzy Hale não foi tão longe. A versão original já tinha esse ar meio blueseiro. A única coisa que fizeram foi acelerar pouca coisa o arranjo. Talvez, para combinar um pouco mais com o resto do material que tem uma dinâmica mais acelerada.

ReAnimate 2.0 mantém o nível e a lógica de ReAnimate (2011). Mais uma vez, deram uma cara sua para as canções, sem descaracterizar os arranjos originais e, mais uma vez, o grande destaque é Llzy Hale com sua voz incrivelmente potente. Álbum bem produzido, bem tocado e bem animado. Pode ir sem medo!

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Empolgante

Faixas:
      01)   Dissident Agressor (Judas Priest).
      02)   Get Lucky (Daft Punk)
      03)   Shoot to Thrill (AC/DC)
      04)   Hell Is For Children (Pat Benatar)
      05)   Gold Dust Woman (Fleetwood Mac)

      06)   1996 (Marilyn Manson)

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Goo Goo Dolls – Boxes (2016):



Por Davi Pascale

Reduzido à uma dupla, Goo Goo Dolls chega à seu 12º álbum tentando se reinventar em mais um trabalho radiofônico. Álbum começa bem, mas depois vai caindo.

A carreira do Goo Goo Dools pode ser dividida em três etapas. A fase punk (sim, eles já foram barulhentos), a fase Replacements, quando faziam um rock alternativo com guitarras em destaque, e a fase pop rock repleta de baladas predominadas por violões. É para os fãs da terceira fase que esse disco é mais recomendado.

Ainda que tenham se reinventado, algo não mudou em relação aos últimos anos do grupo. Os músicos continuam com a preocupação de criar músicas melódicas com uma sonoridade pronta para invadir as rádios. Claro, a cena musical dos anos 90 para cá mudou bastante. E os rapazes parecem estar atentos ao novo cenário.

O grupo tentou adaptar seu pop rock para o presente. Passou a utilizar sintetizadores, elementos eletrônicos, palmas, aqueles o-o-o- meio Coldplay, meio Thirty Seconds To Mars. Justamente por essa razão, o álbum vem dividindo opiniões. Não apenas dos críticos, mas também dos fãs. Há quem tenha gostado, há quem tenha odiado. Achei um disco mediano. Acertaram em algumas (poucas) faixas, erram em (muitas) outras.

Grupo tenta se reinventar e perde brilho 
Se levarmos em consideração o que vêm aprontando desde A Boy Named God, não é algo tão inimaginável. Desde aquele CD já ficou claro a vontade dos músicos de se manterem no mainstream com um som mais acessível. Só que senti falta de um pouco mais de guitarra. Mesmo na fase comercial, suas músicas mais agitadas traziam o instrumento com certo destaque. Aqui, o maior destaque são as programações.

Não tenho nada contra a banda querer mudar. Acho bacana o artista querer se reinventar, mas tem que ter um certo cuidado para que não se torne algo que descaracterize seu trabalho. E isso, infelizmente, ocorre em algumas faixas. Canções como “Long Way Home”, “Prayer In My Pocket”, “Lucky One” e “Reverse” não soam como canções do Goo Goo Dolls.

As melhores músicas estão logo no início do disco. “Over And Over”, “Souls In The Machine”, e “The Pin” trazem aquilo que deveriam ter feito em todo o disco. Ainda que mantenham o toque de modernidade nos arranjos e mixagem, ainda tinham seus violões característicos, suas linhas vocais típicas. Infelizmente, essa lógica não se mantém em The Boxes.

“Free of Me” até começa bem com um violão/vocal remetendo ao Soul Asylum, mas seu arranjo logo muda drasticamente, se transformando em uma faixa bem moderna. Para quem quiser ter uma noção, o grupo está indo para um caminho parecido ao The Script. Se esse som te atrai, o disco irá te satisfazer. Honestamente, prefiro eles com um som menos moderno. Agora, é esperar pelo próximo álbum.

Nota: 6,0 / 10,0
Status: Razoável

Faixas:
      01)   Over And Over
      02)   Souls In The Machine
      03)   Flood (c/ Sydney Sierota)
      04)   The Pin
      05)   Boxes
      06)   Free of Me
      07)   Reverse
      08)   Lucky One
      09)   So Alive
      10)   Prayer In My Pocket 
      11)   Long Way Home

domingo, 10 de julho de 2016

Far From Alaska – Sesc Santo Andre (8/07/2016):





Por Davi Pascale
Fotos: Davi Pascale

Na ultima sexta-feira, tive a oportunidade de conferir de perto a rapaziada do Far From Alaska. Com som alto e cheio de atitude, os músicos conquistaram aqueles que resolveram comparecer no Sesc Santo André.

Eles têm sido apontados como uma das grandes revelações do rock nacional. Normalmente, diria que tal comentário fosse fruto de exagero ou de alguma jogada de marketing bem desenvolvida, mas sendo bem honesto o álbum Modehuman foi um dos melhores discos de rock brasileiro que ouvi nos últimos tempos. A dúvida era: será que conseguiriam manter o impacto em cima do palco? Ficou comprovado que sim.

Embora sejam novos – tanto de estrada, quanto em idade – a banda tem um puta punch. Rafael Brasil não é de ficar solando, mas é extremamente criativo para escrever riffs. Lauro Kirsch e Edu Filgueira fazem uma cozinha bem segura. Mas, o grande destaque da banda é, sem dúvidas, a vocalista Emmily Barreto.

São poucos os grupos de rock brasileiro que têm um excelente vocalista de frente. E, quando tem, notamos de cara a diferença que traz. E esse é o caso deles. Emmily, além de ser bem desenvolta no palco, possui um ótimo domínio vocal. Tanto em afinação, quanto em extensão. Aliás, não por acaso, a garota recebeu elogios da cantora Shirley Manson (Garbage) por sua performance no Planeta Terra em 2012.

A produção de palco é bem simples. Praticamente, inexistente. São os músicos com os instrumentos e nada mais. Um diferencial foi a iluminação com luz branca quase inexistente, utilizando uma iluminação mais baixa quase todo o tempo.

Emmily Barreto: grande destaque da noite

Como todo bom grupo de rock n roll, os músicos deixaram o som alto e fizeram poucas interferências para diálogos. Desde o início com “Thievery” até o final com o hit “Dino Vs Dino”, foram poucas as falas. Cris e Emmily demonstraram boa presença de palco, se movendo o tempo todo, a banda tem uma atitude bem rock n roll.

Infelizmente, o publico deixou a desejar. Não em intensidade, boa parte da galera até saiu dos assentos para ver o grupo de perto, mas em quantidade. Com todo o destaque que os meninos vêm ganhando, esperava ver o teatro muito mais cheio. Uma pena, quem não foi perdeu um showzaço.

No set, não faltaram sons como “Another Round”, “Deadmen”, “Politiks”, “Rolling Dice” e “Communication”. Cris Botarelli se sai bem nos backings e nos teclados/sintetizadores, mas onde mais me chamou a atenção mesmo foi no lap steel. A levada de slide em “Politiks” é fenomenal.

Justamente por estarem em inicio de carreira, a apresentação foi curta. Uma hora cravada. No bis, teve espaço para uma jam e uma nova versão de “Thievery” com Emmily na bateria e Cris nos vocais. Divertido! Quando o grupo passar por sua cidade, aproveite para dar uma conferida. Vale a pena. A banda está super entrosada e as músicas são excelentes. Aguardando ansiosamente o segundo disco do grupo.

sábado, 9 de julho de 2016

Notícias do Rock



Por Davi Pascale

Hoje é dia de relembrarmos alguns dos principais acontecimentos da semana. Fique por dentro do que está rolando na cena.


Twisted Sister não sabe se acabará



O grupo Twisted Sister está nesse momento excursionando com a Forty And Fuck It Final Tour. Como o próprio nome entrega, essa seria uma turnê de despedida. O guitarrista Jay Jay French disse em entrevista cedida ao Mitch Lafon: “Eu vivi o bastante para dizer ‘nunca diga nunca’. Quando encerramos pela primeira vez, ficamos afastados por 14 anos. E obviamente, não dá para ficar afastado 14 anos novamente”. Está na cara que é uma despedida temporária e será muito feio se retornarem à ativa em curto espaço depois das declarações polêmicas do cantor Dee Snider em relação ao Kiss e ao Scorpions. Parece que irão morder a própria língua.


Polysom relança compacto do Vimana


Um dos discos mais raros do rock brasileiro acaba de ser relançado pela Polysom. O compacto Zebra do grupo Vimana chega ao mercado pelo valor de R$45,00. O compacto de época costuma ser encontrado em sebos de discos a partir de R200,00 dependendo do estado de conservação. O grupo apostava em uma sonoridade de rock progressivo e contava com os músicos Lobão, Lulu Santos, Ritchie e Patrick Moraz (Yes).


Rick Parfitt em estado delicado de saúde


O guitarrista do Status Quo, Rick Parfitt está utilizando um desfibrilador para monitorar sua frequência cardíaca. O rapaz acredita ter sofrido um ataque cardíaco durante sua ultima passagem na Turquia. Por conta do tratamento, estará afastado do conjunto por tempo indeterminado. A notícia foi divulgada na página oficial da banda.


Filha de Kurt Cobain tenta reaver violão que pertenceu ao pai


Frances Bean Cobain está enfrentando um divorcio e a grande discussão entre o casal é a posse do violão que Kurt Cobain utilizou na gravação do especial MTV Unplugged In New York. O modelo utilizado por Kurt só teve 300 peças fabricadas e a dele sofreu uma adaptação pelo fato de ser canhoto. O instrumento foi avaliado no valor de um milhão de dólares. Seu ex-marido Isaiah Silva não quer abrir mão do instrumento, pois alega ter sido presenteado pela ex-esposa quando se casaram. Frances nega. E agora, quem poderá lhe defender?


Paul Di´Anno em delicado estado de saúde
 

Os fãs da donzela ficaram abalados quando Blaze Bayley anunciou que Paul Di´Anno estava enfrentando um câncer. Agora, Di´Anno deu uma resposta diferente. “Tive um colapso após voltar da Argentina. Um exame encontrou uma grande mancha no meu pulmão. Achei que era o fim, mas não era maligno. Era um abcesso que havia infeccionado e estava do tamanho de uma bola de rugby. Os médicos me disseram que algo me contaminou via aérea e que posso ter contraído em qualquer lugar”. Existem vários boatos de que o cantor está deprimido e toma 30 remédios por dia. Torcemos por sua melhora.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Cyndi Lauper – Detour (2016):



Por Davi Pascale

Hoje quis fazer algo um pouco diferente. Resolvi escrever sobre uma artista que nunca foi do rock, mas sempre teve respeito entre os roqueiros e mais do que respeito, assim como alguns de seus colegas, conseguiu transformar alguns deles em seguidores.

Talvez por terem explodido na mesma época em que a MTV predominou o mercado, talvez pelo fato de roqueiros frequentarem as discotecas nos anos 80 (não importa se era para conquistar garotas, os caras frequentaram), mas alguns artistas pop conseguiram conquistar o coração de alguns rockers. Madonna, Michael Jackson e Prince são fortes exemplos de artistas pop que arrastavam alguns cabeludos para seus concertos. Outro exemplo, dessa mesma época, é a cantora Cyndi Lauper.

Já tem um tempo que ela vem ousando nos seus trabalhos. Seus últimos álbuns foram totalmente distintos uns dos outros. E quando uso a expressão ‘distinto’, é de maneira literal. At Last era um trabalho de jazz, parecido ao que Rod Stewart fez na série American Songbook. Bring Ya To The Brink apostava em um pop eletrônico, capaz de deixar Madonna e Kesha com sorriso de orelha à orelha. Memphis Blues, como o nome entrega, era um trabalho de blues. Inclusive trazendo participações de grandes nomes do gênero, como B.B. King e Jonny Lang. Agora, decidiu cair de cabeça na cena country.

É necessário, no mínimo, coragem para se arriscar tanto, tantas vezes. Portanto, já ganha um ponto à seu favor. E é verdade também que, às vezes, pisa no tomate. O seu álbum de standards, por exemplo, é fraquinho, fraquinho. Em Detours, conseguiu um resultado satisfatório. Não que seja um trabalho fantástico, não é, mas é, no mínimo, divertido.

A ideia é a mesma de At Last ou de Memphis Blues. Ou seja, regravar velhas canções do gênero. Não se trata um trabalho de inéditas. E assim como em seu álbum de 2010, o novo registro conta com diversas participações de peso. Dessa vez estão com ela: Emmylou Harris (aquela que gravou um álbum com Mark Knopfler do Dire Straits), Vince Gill, Alison Krauss (sim, a que gravou com Robert Plant), Jewel e o lendário Willie Nelson.

Para conseguir soar honesto, Cyndi decidiu ir fazer o registro em Nashville e contratou para a produção Tony Brown. Produtor renomado da cena, muito respeitado pelos trabalhos que realizou ao lado do George Strait. Os arranjos resgatam bem a sonoridade. Trazem todas as características que seus ouvintes buscam. Os violinos, as guitarras com slide, a alegria.

“Detour” e “I Want To Be a Cowboy´s Sweetheart” resgatam o espírito daqueles countrys mais antigos, com um ar meio de salloon. “Funnel of Love” e “You´re The Reason Our Kids Are Ugly” são as que contam com uma pegada mais countryrock. Principalmente, a que conta com a participação do músico Vince Gill. “Heartaches By The Number” poderia ter sido gravada pela Shania Twain em seus anos iniciais.

Há espaço também para diversas baladas e, honestamente, é onde acho que sua voz casa melhor. “The End Of The World”, “Begging To You” e “I Fall To Pieces” nos transportam para décadas passadas trazendo toda a inocência e a serenidade das musicas dos anos 50. Consigo imaginar artistas como Brenda Lee e Elvis Presley cantando dentro dos arranjos desenvolvidos. Certamente, estão entre os melhores momentos do disco.

Detours é um trabalho alegre, divertido, bem feito e, de certa forma, despretensioso. Se você curte ouvir outros gêneros, além do rock, vale dar uma checada. No mínimo, alegrará seu dia.

Nota: 7,0 / 10,0
Status:  Divertido

Faixas:
      01)  Funnel of Love
      02)   Detour (c/ Emmmylou Harris)
      03)   Misty Blue
      04)   Walkin´ After Midnight
      05)   Heartaches By The Number
      06)   The EndO f The World
      07)   Nightlife (c/ Willie Nelson)
      08)   Begging To You
      09)   You´re The Reason Our Kids Are Ugly (c/ Vince Gill)
      10)   I Fall to Pieces
      11)   I Want To Be a Cowboy´s Sweetheart (c/ Jewel) 
      12)   Hard Candy Christmas (c/ Alison Krauss)

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Esteban – Saca La Muerte De Tu Vida (2015):



Por Davi Pascale

Rodrigo Esteban chega ao seu segundo álbum solo. Criado com apoio de seus fieis seguidores, álbum mantém suas características e apresenta um punhado de belas canções.

É capaz que ele tome na cabeça por um tempo ainda. Muitos sempre torceram o nariz para as bandas de rock brasileiras que invadiram as FM´s no inicio dos anos 2000. A real é que houve muita confusão naquele período. A crítica colocava no mesmo balaio grupos como Cine e Restart – que nada mais eram do que uma versão moderna do Polegar – com grupos que faziam um rock com apelo popular. Universos distintos, na real. Esteban fez parte de um desses grupos que sofreram preconceito de público e crítica, os gaúchos do Fresno.

Nessa época, tocava com o nome de Rodrigo Tavares. Em seu trabalho solo, assumiu o pseudônimo de Esteban. Exatamente, é a mesma pessoa. Aos pouquinhos, vem consolidando sua trajetória, ganhando respeito enquanto músico. Tornou-se um dos braços direito de Humberto Gessinger (Engenheiros do Hawaii) e vem amadurecendo bastante enquanto compositor.

Quem o acompanha desde os tempos que se apresentava ao lado de Lucas Silveira, irá notar algumas referências de seu ex-grupo. Nem tanto nos arranjos, mas em algumas linhas vocais. A faixa “Janeiro”, por exemplo, se enfiar uma guitarra com uma distorção fica a cara de seu ex-grupo. Também é fácil perceber suas influencias gauchas. São varias as canções em que mistura o som do acordeon no meio do poprock praticado. Brincadeira comum entre as bandas do sul – Nenhum de Nós, por exemplo, ama isso – e que funcionou muito bem em seu trabalho.

Criado através do sistema do crowfunding, o disco apresenta uma pegada limpa, low-fi, melancólica, que nos leva direto à cena internacional. É possível notarmos influencia direta de um de seus ídolos, a banda indie Copeland. Para quem não é tão acostumado com a cena, é bem provável a comparação com grupos como Coldplay já que as faixas são mais calmas e o piano é bem presente. Na estrutura de letras, em alguns momentos me remete à outro competente artista da cena gaucha, o cantor/compositor Duca Leindecker (Cidadão Quem).

Há alguns momentos de ousadia como quando flerta o rock com o tango (“Tango Novo – Nada Impede da Onda Passar”), quando busca inspiração no hard rock (“Me Sinto Humano”) ou quando resolve expressar seus sentimentos em espanhol (“Martes”).

Rodrigo foi responsável pela gravação de todos os instrumentos e é responsável por todas as composições do álbum. Alguns podem achar que é mais fácil fazer um álbum sozinho, mas definitivamente, não é. Aliás, é comum a maioria dos artistas quebrarem a cara quando tentam algo do tipo. O que, definitivamente, não é o caso aqui. Faixas de destaque: “Pra Ser”, “Cigarros e Capitais”, “Martes”, “Me Sinto Humano” e “Maria”.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Melancólico

Faixas:
      01)   Janeiro
      02)   Pra Ser
      03)   Chacarera da Saudade
      04)   Cigarros e Capitais
      05)   Tango Novo (Nada Impede a Onda de Passar)
      06)   As Terças Podem Se Inverter
      07)   Martes
      08)   O Que Não Vem
      09)   Me Sinto Humano
      10)   Se
      11)   Carta aos Desinteressados
      12)   Maria 
      13)   Chacarera 2