sexta-feira, 24 de junho de 2016

The Bangles – Ladies And Gentlemen… The Bangles (2014):



Por Davi Pascale

Coletânea de raridades dos Bangles traz o grupo em uma roupagem bem diferente da que estamos acostumados e surpreende pela qualidade das músicas e das gravações.

Quem viveu os anos 80, certamente se lembra de vários grupos pop femininos que lideraram as paradas de sucesso da época. Os mais lembrados são, provavelmente, o Bananarama e os Bangles. Sempre gostei do grupo liderado pelas irmãs Peterson. É comum elas serem lembradas nessas paradas One Hit Wonder, mas sendo justo elas tiveram mais alguns sucessos além de “Walk Like An Egyptian”. Faixas como “Eternal Flame” e “Manic Monday” (escrita por Prince e assinada pelo pseudônimo Christopher) também tocaram bastante nas rádios.

Hoje, elas são lembradas pelo seu som pop, suas power ballads e seus cabelos volumosos, mas antes de terem seus quinze minutos de fama (duraram apenas 3 LP´s), elas tiveram seu momento de rock n roll. Curiosamente, depois que Michael Steele (uma das baixistas do Runaways) se uniu ao conjunto foi quando começaram a ficar mais comerciais. De todo modo, esse álbum foca no período inicial.

Ladies And Gentlemen... resgata as primeiras gravações das garotas. Desde quando ainda atendiam pelo nome de The Bangs. Nessas gravações temos de tudo. Músicas lançadas previamente em compactos, o primeiro EP do grupo, além de faixas nunca lançadas antes. As famosas demos e faixas ao vivo. É o material mais completo que existe desse período.

O primeiro fator que chama a atenção é a qualidade de som. Algumas dessas faixas, os fãs mais doentes e colecionadores, já conheciam através de bootlegs ou arquivos de internet, mas nunca com o som tão límpido. Nunca com um estéreo tão bacana. Outro fator é que nos salta aos olhos é como elas mudaram de som depois que assinaram com uma grande gravadora.

“Bitchen Summer / Speedway” abre o disco no formato de um surf rock instrumental. Já algo bem distinto das garotas. Sim, elas tinham uma influencias 60´s no trabalho delas. Mas era um lado mais Beatles ou até mesmo Sonny & Cher e mesmo assim, era bem mais de leve. De todo modo, não se tratada de um álbum surf rock. O que temos aqui é um garage rock cruzado com uma sonoridade bubblegum.

A influência de anos 60 é ainda mais alta. Se tocar para alguém sem demonstrar a capa, a pessoa imaginará ser alguma banda desse período que não atingiu estrelato. O trabalho vocal trabalha conta com toda aquela harmonia vocal que grupos como Beach Boys e Beatles trabalhavam, o lado surf volta a aparecer no trabalho de guitarra de “Want You”. O som, de um modo geral, tinha mais guitarra, bateria mais trabalhada, sem teclados ou sintetizadores, o som tinha uma certa sujeira.

O lado garage rock surge com tudo em “Getting Out of Hand”, “I´m In Line” e ‘How Is The air Up There?”. As releituras de “Outside Chance” (The Turtles) e de “Steppin´ Out” (Paul Reveire & the Raiders) só reforçam a ideia de quererem soar como uma banda sixties, ainda que as gravações tenham ocorrido entre 1981 e 1984.

As faixas ao vivo já contavam com a presença de Michael Steele, mas ainda contavam com uma sonoridade bem visceral. Até mais do que as faixas em estúdio. A faixa “7&7 Is” do psicodélico Love soa quase punk. Trabalho bem interessante que merece uma chance até mesmo se você não for um admirador da fase pop das garotas.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Curioso

Faixas:
      01)   Bitchen Summer / Speedway
      02)   Getting Out of Hand
      03)   Call On Me
      04)   The Real World
      05)   I´m In Line
      06)   Want You
      07)   Mary Street
      08)   How Is The Air Up There?
      09)   Outside Chance (Demo Version)
      10)   Steppin´ Out (Demo Version)
      11)   The Real World (Demo Version)
      12)   Call On Me (Demo Version)
      13)   Tell Me (Live)
      14)   7 & 7 Is (Live)
      15)   No Mag Commercial
      16)   The Rock and Roll Alternative Program Theme Song

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Mamonas Assassinas – Mamonas Assassinas (1995):



Por Davi Pascale

Em 23 de Junho de 1995, exatos 21 anos atrás, o debut do Mamonas Assassinas chegava às lojas. Com um trabalho irreverente e bem construído, os 5 garotos de Guarulhos encantaram o publico brasileiro e deram nó na cabeça dos críticos musicais.

Já vi muita gente questionando a qualidade musical do grupo. Questão de gosto é sempre algo complicado. Eu, particularmente, sempre fui fã dos rapazes. Tive, inclusive, a felicidade de assisti-los ao vivo. Mas, independente de gosto, é preciso reconhecer o talento de alguém que faz algo diferente. E eles fizeram...

Mamonas Assassinas era um disco extremamente bem construído. Muitos até se questionavam se os músicos conseguiriam repetir o feito em um segundo álbum. A banda se destacou pela criatividade e também pela irreverência. Algo que alimentava ainda mais a dúvida, uma vez que, por incrível que pareça, atingiram todo o núcleo familiar. Mesmo com letras repletas de deboche e palavrões, várias crianças compareciam às apresentações acompanhadas de seus pais. Dúvidas que, infelizmente, ficarão latejando para sempre. O disco, hoje, é considerado um marco dos anos 90.

“1406” abria o disco com uma levada de baixo funkeada, bem no espírito Chili Peppers (lembrem-se, nessa época, eles ainda não estavam apostando nesse som mais comercial que fazem hoje). A letra era inspirada em um famoso canal de televendas. O Grupo Imagem, que injetava anuncio na Rede Manchete. O numero do titulo era o famoso número para vendas, enquanto quase todos os produtos mencionados na letra eram anunciados no canal.

Grupo conquistou o país se utilizando do humor

“Vira-Vira” era a famosa brincadeira com os portugueses. Brincadeira esperada em um álbum cômico. A letra foi inspirada em uma piada do famoso humorista Costinha, presente no LP O Peru da Festa Vol 2. Enquanto o instrumental foi inspirado na canção “Vira-Vira” do cantor português Roberto Leal.

“Pelados Em Santos” era uma brincadeira de Dinho com um amigo dele que tinha mania de falar gírias. Foi a primeira musica escrita pelo cantor. “Chopis Centis” buscava inspiração em The Clash. Sim, o riff de “Should I Stay or Should I Go” é usado intencionalmente.  “Jumento Celestino” trazia a brincadeira clássica com os nordestinos. O arranjo era uma homenagem à um grande ídolo nordestino, o forrozeiro Genival Lacerda. “Sabão Crá-Crá” é uma brincadeira popular que eles musicaram.

O CD segue com “Uma Arlinda Mulher”. Para essa, buscaram inspiração na história de Uma Linda Mulher. As guitarras distorcidas no meio da canção foram retiradas de “Creep” do Radiohead, sem contar na famosa sátira de Belchior no final da faixa. “Cabeça de Bagre II” era uma brincadeira em cima do título “Cabeça Dinossauro” (Titãs). A letra era inspirada nos anos estudantis de Dinho. “Robocop Gay” era uma homenagem ao Capitão Gay, famoso personagem que Jô Soares interpretava em Viva o Gordo.

Trabalho não foi bem recebido pela crítica na época

“Boys Don´t Cry” brincava com a ideia do corno manso. Qual o gênero eles se inspiraram? Exato, na canção brega, naquela época, quem não gostava, utilizava o termo música de corno. A inspiração maior era em Waldick Soriano. Consegue imaginar Rush nisso? Bem, eles conseguiram e inseriram um trecho de “Tom Sawyer” no meio. A linha vocal de “Debil Metal” era uma homenagem ao Sepultura, enquanto “Lá Vem o Alemão” era uma tiração de onda com o sucesso “Lá Vem o Negão”. Para conseguirem reproduzir a sonoridade dos pagodeiros da época, contaram com a ajuda de Leandro Lehart e Fabinho (Art Popular). Na vocalização, Dinho satiriza Luiz Carlos (Raça Negra) e Netinho Di Paula (Negritude Junior), dois cantores que estavam em destaque na ocasião. “Sábado de Sol” era uma canção do grupo Baba Cósmica. Dinho ouviu a fita demo do trio, morreu de rir com a letra e perguntou aos garotos se poderia incluí-la no disco.

O trabalho, como podem ver, era extremamente inteligente. A ideia de ser uma banda de rock que satirizava outros gêneros confundiu a cabeça de vários críticos que escreviam artigos rebuscados dizendo que a banda não tinha identidade, que não sabiam onde queriam chegar (será mesmo?!?!). Hoje, com o lance do politicamente correto, eles seriam facilmente acusados de racismo, homofobia entre outras coisas mais. Felizmente, pude viver esse fenômeno e dar risada inúmeras vezes com o disco e com as apresentações em TV. Obrigado, Mamonas pelos ótimos momentos.

Nota: 10,0 / 10,0
Status: Clássico

Faixas:
      01)  1406
      02)   Vira Vira
      03)   Pelados Em Santos
      04)   Chopis Centis
      05)   Jumento Celestino
      06)   Sabão Crá-Crá
      07)   Uma Arlinda Mulher
      08)   Cabeça de Bagre II
      09)   Mundo Animal
      10)   Robocop Gay
      11)   Boys Don´t Cry
      12)   Débil Metal
      13)   Sábado de Sol
 14)   Lá Vem o Alemão

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Mike Tramp – Nomad (2015):





Por Davi Pascale

Ex-vocalista do White Lion lança novo trabalho solo e resgata sua velha conhecida sonoridade na melhor Tom Petty vibe.  Trabalho bonito e consistente.

É difícil algum artista se reinventar quando teve uma banda de sucesso. Nesses casos, é bem comum que mantenha a sonoridade (ou boa parte dela) na sua trajetória solo. Mas Mike Tramp fez isso 3 vezes. No Freak Of Nature, nos álbuns de reunião do White Lion e em sua carreira-solo. Ponto para o cara.

Quem não está acostumado com seus discos é bom ir com calma. Aqui não temos aqueles hard rocks pesados com guitarras altamente influenciadas por Van Halen, como acontecia nos tempos de White Lion (sua banda mais famosa). E nem aquelas baladas estilo Poison e Bon Jovi. Em seus trabalhos solo, sempre apontou para um rock mais simples, mais pop, com uma influencia country por trás. Com uma sonoridade mais próxima à de Tom Petty ou John Cougar Mellencamp. E essa é á lógica por aqui.

Seu estilo vocal não mudou. Continua com seu sotaque acaipirado, sem ficar atacando voz para cima. Até porque, embora seja um bom cantor, nunca teve um alcance animalesco como ocorrem com alguns parceiros de geração (vide Oni Logan ou Sammy Hagar).

Álbum encerra trilogia

Seu último álbum, Museum, havia sido apedrejado por vários críticos por conter muitas baladas. Espero que não ocorra o mesmo com o rapaz agora. O novo CD mantém a mesma lógica. O disco é repleto de baladas, misturando violões e guitarras na mesma faixa. Só que as composições estão muito mais legais. Álbum bem consistente.

Esse disco que chega agora às lojas encerra uma trilogia iniciada em Cobblestone Street. Difícil saber o que está por vir. Difícil saber se o próximo álbum vai voltar com rocks estilo “Already Gone” ou se vai largar o estilo de escrita storyteller que adotou nos últimos álbuns. Só o tempo dirá...

Os grandes destaques de Nomad ficam por conta de “Give It All You Got”, “Wait Till Forever”, “High Like a Mountain”, “Who Can You Believe” e “Moving On”. Álbum bem legal, desde que você curta um rock com uma pagada mais soft, sem distorções, solos velozes e afins. 

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Baladeiro, mas consistente

Faixas:
      01)   Give It All You Got
      02)   Wait Till Forever
      03)   Counting The Hours
      04)   Bow And Obey
      05)   High Like a Mountain
      06)   No More
      07)   Stay
      08)   Who Can You Believe
      09)   Live To Tell
      10)   Moving On

terça-feira, 21 de junho de 2016

Garbage – Strange Little Birds (2016):



Por Davi Pascale

Garbage acaba de lançar novo álbum. Strange Little Birds mantém suas principais características, ao mesmo tempo em que inova os aproximando de uma pegada mais sombria, mais melancólica. Seus fieis seguidores, contudo, irão gostar do material.

21 anos se passaram desde que o Garbage lançou seu álbum de estreia (o ótimo G) e Shirley Manson encantou milhares de jovens roqueiros ao redor do mundo. Isso seria tempo suficiente para que a banda criasse dezenas de discos. Infelizmente, poucos trabalhos foram lançados. Esse é o sexto de sua trajetória. Agora... Verdade seja dita, sempre apresentaram materiais interessantes. E esse é mais um deles.

Algumas (poucas) faixas aqui nos remetem aos seus dias de glória. “Empty” e “We Never Tell”, por exemplo, poderiam facilmente estar no seu debut de 1995. Resgatam a sonoridade clássica do grupo. Linhas vocais bem 90´s. Programações bem no espírito da época. Quem sente saudades de quando faixas como “Only Happy When It Rains” e “Stupid Girl” invadiram as programações de rádio mundo afora, irá delirar.

Contudo, os músicos estão com um pé no presente. Embora nunca tenham se distanciado muito de sua proposta, procuraram sempre trazer algo novo em seus trabalhos. Nunca apostaram na fórmula mais do mesmo. E não seria agora, que já possuem uma base de seguidores consolidada, que iriam relaxar.

Strange Little Birds aposta em sonoridade mais melancólica

Claro, suas principais características estão ali. As baterias programadas de Butch Vig, a voz inconfundível de Shirley Manson, as guitarras levemente distorcidas. Caso contrário, não soaria um álbum do Garbage. O grande diferencial é que, de uma maneira geral, o álbum está mais melancólico, com várias faixas arrastadas, melodramáticas, com um ‘q’ experimental. “Sometimes”, responsável por abrir o CD, já dá a dica. Essa pegada aparece com força em faixas como “If I Lost You”, “Even Though Our Love Is Doomed” ou “Amends”.

Outro lado sempre presente no trabalho do grupo são as músicas com uma pegada mais dançante. E isso continua presente em seu trabalho. “Magnetized” é a primeira a resgatar esse espírito, mas a mais forte é, sem dúvidas, “So We Can Stay Alive”.

Strange Little Birds , segundo trabalho lançado de maneira independente, irá satisfazer seus fieis seguidores e não aquele que busca novos hits. A influência da musica pop, da pegada dançante continua marcando seu som, mas não é um álbum exatamente comercial. Não se encaixa nos padrões de rádio dos dias atuais. De todo modo, é seu trabalho mais forte e mais consistente em anos. Vá sem medo!

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Sombrio

Faixas:
      01)   Sometimes
      02)   Empty
      03)   Blackout
      04)   If I Lost You
      05)   Night Drive Loneliness
      06)   Even Though Our Love Is Doomed
      07)   Magnetized
      08)   We Never Tell
      09)   So We Can Stay Alive
      10)   Teaching Little Fingers To Play 
      11)   Amends

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Frejat – Teatro Paulo Machado (19/6/2016):



Por Davi Pascale
Foto: Davi Pascale

Na noite de ontem, tivemos a oportunidade de conferir na região de São Caetano uma apresentação do Frejat. O músico trouxe para a cidade seu show de voz e violão e encantou os presentes com um ótimo setlist e performance afiada.

Muita gente não gosta de apresentações, assim, mais crua, somente com o artista principal em cena. Sempre gostei. Nesse tipo de espetáculo é possível perceber mais da riqueza dos arranjos, sempre tem algumas histórias curiosas durante o show. Além de vermos o artista um pouco mais de perto do que estamos acostumados. Raramente esses shows mais intimistas são apresentados em locais grandes.

Também é necessário ressaltar que não é qualquer músico que pode se dar ao luxo de fazer algo do tipo. Se o cara for um instrumentista ruim ou não for um cantor afinado, a noite se transforma em uma verdadeira tortura, pois não há nada para disfarçar. Não há segundo guitarrista, não há tecladistas, efeitos programados, backings, nada do tipo. Qualquer deslize é notado por todos os presentes de imediato.

Frejat soube tirar proveito da situação. Fez um show com duração correta (aproximadamente 100 minutos). Criou um setlist bacana misturando músicas da época do Barão com músicas de sua carreira-solo. Hits com lado B. Para quem é fã, nada poderia ser mais perfeito.

Ingresso do show

Entre uma música e outra, o cantor contava algumas histórias sobre as composições. Quem foram seus parceiros, qual era a ideia da letra, o que ele queria passar. Arrancou até algumas risadas da plateia na hora de apresentar uma canção do disco Barão Vermelho (2004). “Minha filha, quando tinha 9 anos, disse que queria cantar uma musica em meu show. Disse: ‘Claro, qual música?’. E ela me responde ‘Embriague-se’. Estou enrolando ela até os dezoito para não ser preso”.

O show começou com “Eu Não Quero Brigar Mais, Não” e desde o início já deixou claro o clima do espetáculo. Palco extremamente simples com o cantor ao centro, iluminação baixa. O artista conversando, de maneira descontraída, com a plateia.

Dos seus discos solo as que mais levantaram os presentes foram “Tunel do Tempo” e “Segredos”. Das faixas do Barão, “O Poeta Está Vivo” e “Pro Dia Nascer Feliz”, responsável por fechar a noite, foram as que mais animaram os fãs. Reação esperada já que se tratam de grandes hits. Particularmente, gostei muito de ouvir “Homem Não Chora”, “Sombras No Escuro” e “Bilhetinho Azul”, canções menores, mas igualmente belas.

Frejat interpretou todas as faixas com enorme segurança e demonstrou estar em uma grande fase enquanto cantor. Afinadíssimo! Se você é um admirador da sua trajetória enquanto todo, e não somente das músicas que tocaram nas FM´s, vale muita a pena conferir o espetáculo.

domingo, 19 de junho de 2016

Red Hot Chili Peppers – The Getaway (2016):



Por Davi Pascale

Red Hot Chili Peppers acaba de lançar seu décimo-primeiro álbum. Grupo mantém sua sonoridade já característica trazendo elementos do funk para dentro do poprock. Quem gosta da fase mais radiofônica do grupo, irá adorar o novo álbum.

Estamos entrando em uma terceira geração de fãs. Existem aqueles que são fieis ao grupo e seguem os músicos à cada álbum que lançam tentando entender sua proposta, existem aqueles que acham que a banda morreu em Californication e, agora, existem aqueles que acham que o grupo acabou com a saída de John Frusciante.

A banda também já está em sua terceira fase. A primeira se refere aos 3 primeiros álbuns, onde faziam um funkrock contagiante. A segunda, que vai de Mother´s Milk à One Hot Minute - é a fase mais roqueira. Ainda é a que mais gosto. A terceira começa em Californication. É quando os músicos decidem deixar sua sonoridade mais light e abraçar o universo das rádios sem medo de ser feliz.

Embora sofram muitas críticas dos fãs antigos, gosto da fase mais comercial do grupo. Anthony Kiedis amadureceu enquanto cantor, começou a criar linhas vocais mais melódicas. Os músicos, ainda que tenham simplificado seu som (utilizando menos quebradas de tempo nos arranjos e menos improvisos nos shows), mantiveram a qualidade do trabalho. Escreveram um punhado de ótimas canções. Em The Getaway não é diferente.

O novo álbum não é pesado. Pelo contrário, tem uma pegada bem melancólica, bem light. Portanto, se você torcia para que eles retornassem ao som de “Fight Like a Brave”, pode esquecer. Em comparação ao anterior, (o bom) I´m With You, as guitarras estão mais evidentes, ainda que contenham poucos solos no disco. A cozinha de Flea e Chad Smith continua sendo a cereja do bolo no som do Chili Peppers. O disco continua com arranjos bem variados e repletos de faixas bem bacanas de se ouvir.

Red Hot Chili Peppers mantém veia comercial em novo trabalho

Se você deixou de acompanhar a banda na década de 90 e quer dar uma nova chance, sugiro começar pelas faixas “We Turn Red” e “Detroit”. As que mais se aproximam do velho Peppers. Contando com guitarra funkeada. A linha vocal de “We Turn Red” volta a brincar com o rap. Algo comum nos primeiros trabalhos. Em “Detroit”, o trabalho vocal me remeteu aos tempos de One Hot Minute.

Outro momento de destaque é a ótima “Go Robot”, destacando a linha de baixo de Flea e um arranjo com uma levada 80´s. Os efeitos de teclado por trás e a sonoridade de bateria nos remete bastante ao pop dessa época. Tem um 'q' de Prince. “Dreams of a Samurai” e “The Hunter”, as duas últimas do CD, também saem do território comum trazendo uma pegada mais psicodélica.

“Goodbye Angels” e “Sick Love” (essa, contando com a luxuosa participação de Elton John nos teclados/sintetizadores) aposto pra se tornarem novos hits em um futuro próximo. Ambas, contam com um refrão forte. “This Ticonderoga” é a que mais foge da proposta do CD e é a mais roqueira, trazendo guitarras distorcidas altamente influenciadas por Queens Of The Stone Age. Ficou interessante.

De resto, o que temos é o red hot apostando em uma sonoridade pop-rock mais light naquela velha linguagem que estamos acostumados. Ok, uma mixagem mais moderna (influencia do produtor Danger Mouse), mas em termos de construção não muda muito com o que fizeram nos trabalhos mais recentes. Mesmo estilo de linha vocal, guitarras limpas com dedilhados, bateria com marcação simples e eficiente. “Dark Necessities” e “Feasting On The Flowers” servem como exemplo da modernização do som.

Em resumo. As faixas são excelentes. O disco é muito bem gravado e muito bem tocado. Entretanto, ainda é um trabalho bem comercial. Se você gosta do red hot apenas em sua primeira fase, o trabalho não irá ter agradar. Se você curte discos como Californication e By The Way, irá delirar. Eu gosto do trabalho deles meio que geral e gostei bastante, mas vai por sua conta e risco.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Consistente

Faixas:
      01)   The Getaway
      02)   Dark Necessities
      03)   We Turn Red
      04)   The Longest Wave
      05)   Goodbye Angels
      06)   Sick Love
      07)   Go Robot
      08)   Feasting On The Flowers
      09)   Detroit
      10)   This Ticonderoga
      11)   Encore
      12)   The Hunter  
      13)   Dreams Of a Samurai

sábado, 18 de junho de 2016

Notícias do Rock

Por Davi Pascale

Como de costume, aos sábados, lembramos de alguns dos principais acontecimentos da semana. E, essa semana, não foge à regra. Fique por dentro do que está rolando no mundo do rock na matéria abaixo...

Camisa de Vênus lança música nova

O grupo Camisa de Vênus lançará um novo álbum no mês de Agosto. O disco leva o nome de Dançando na Lua e já teve sua primeira música divulgada. Da formação original, apenas o cantor Marcelo Nova e o baixista Roberio Santana seguem em frente. Confira a nova música.



Ian Paice sofre derrame



Ian Paice, o lendário baterista do Deep Purple, deixou todos assustadíssimos ao anunciar o motivo de terem cancelado os shows que fariam em Estocolmo, Gotemburgo e Horsens. “Sinto muito por não ser capaz de tocar para vocês. São os primeiros shows que perco desde a criação do Deep Purple em 1968. Na manhã do dia 14 de Junho, acordei sentindo o lado do meu corpo direito anestesiado. Não conseguia controlar minha mão direita e meus dedos. Então fui para um hospital, onde me diagnosticaram com um mini-derrame. Estou muito esperançoso de recomeçar a turnê no próximo mês”. Apesar do desejo do musico, as datas ainda não foram remarcadas. Desejamos uma breve recuperação ao rapaz.


Meat Loaf cai no palco



A situação não está nada fácil para os amantes do rock n roll. Virou senso comum recebermos notícias de que nossos ídolos estão parando ou partindo para outro plano. O cantor Meat Loaf também nos deu um grande susto essa semana. O musico simplesmente apagou no palco durante a execução de “I Would Do Anything For Love” em sua apresentação em Edmonton. A causa, ao que aparenta, teria sido uma forte desidratação, assim como aconteceu recentemente com Ace Frehley. Pessoal, parem de nos dar esses sustos...


Heart lança música com James Hetfield

Heart estará lançando um novo álbum no dia 8 de Julho. O disco, o primeiro desde Fanatic (2012), atende pelo nome de Beautiful Broken. A faixa-título conta com a participação de nada mais, nada menos do que James Hetfield. Exatamente.... O cantor do Metallica. Confira o som a seguir.




L.A. Guns cancela shows no Brasil



Ainda não será dessa vez que os fãs do L.A. Guns irão conferir os músicos de perto. Depois de terem cancelado os shows que fariam no Brasil em 2008, os músicos cancelaram também a única apresentação que fariam no Manifesto Bar no próximo dia 10 de Julho. Os músicos alegaram que querem vir para a America do Sul com algo mais “completo” e, por isso, manterão somente as datas programadas para os Estados Unidos. Sei não, achei o depoimento meio sem pé, nem cabeça...