segunda-feira, 13 de junho de 2016

Heart – Fanatic Live From Caesars Colosseum (2014):



Por Davi Pascale

As irmãs Ann e Nancy Wilson provam que ainda têm muita lenha para queimar. Na estrada há 40 anos, as garotas demonstram enorme energia em seu mais recente vídeo.

Desde que se lançaram no universo do rock, muito mudou. Inúmeras formações, diferentes sonoridades. Tiveram uma fase mais rock n roll, outra mais pop ali pelos anos 80. Formados atualmente por Craig Bartock (guitarra), Debbie Shair (teclado), Ben Smith (bateria), Dan Rothchild (baixo), Ann Wilson (voz), Nancy Wilson (guitarra), somente as irmãs seguem desde o começo.

Ann não tem mais o corpo que tinha nos anos 70 e 80. Quando retornaram às rádios brasileiras em 1985 com canções como “If Looks Could Kill” e “These Dreams”, os garotos babavam por ela. Entretanto, sua voz continua intacta. Canta com segurança, ataca a voz para cima diversas vezes, não pede arrego na hora de interpretar canções que gravou com seus 20 e poucos anos, como “Crazy On You” e “Dog And Butterfly”.

Quando realizaram essa apresentação, estavam com um novo álbum nas costas, o (bom) Fanatic. Resgatam aqui 5 faixas desse trabalho. Praticamente, metade do disco. “Fanatic”, “Mashallah”, “59 Crunch”, “Walking Good” e a minha preferida desse álbum, “Dear Old America”. O show é curto. Apenas 70 minutos, mas isso não as impede de reviverem diferentes períodos de sua trajetória. Relembram o início da carreira com faixas como “Heartless” e “Barracuda”, assim como relembram seus momentos mais comerciais com as lindíssimas “What About Love” e “Alone”.

Irmãs Wilson apresentam empolgante apresentação em Las Vegas

Nancy Wilson se empolga no palco. Além de também possuir uma boa voz e ser uma ótima instrumentista, a moça se move o tempo todo. Pula, gira os braços, move a guitarra para cima e para baixo. Tem uma bela presença de palco. Os músicos que estão por trás são extremamente eficientes e ajudam a manter o profissionalismo da apresentação. Vale destacar a performance do guitarrista Craig Bartock. Há ainda a presença de uma orquestra convidada, o que deixa o espetáculo ainda mais contagiante.

Recentemente, muitos garotos e garotas descobriram o Heart por conta de um vídeo que se tornou meio que um viral na internet. Falo daquela famosa apresentação onde as moças interpretam “Stairway to Heaven” na frente dos músicos do Led Zeppelin, emocionando Robert Plant. Aqui não há nenhuma música do Led. Até poderiam ter gravado. A banda é influência direta para as garotas. No passado, já fizeram registros de “Battle of Evermore” e “Rock n Roll”. No entanto, resolveram focar na sua obra mesmo. O mais próximo de uma possível homenagem é a introdução do show com uma sonoridade bem próxima de “In The Light” (Physical Graffiti).

A produção de palco está bacana. Todos os músicos aparecem com destaque, iluminação está certinha. Tem um telão atrás do palco reproduzindo algumas imagens durante as canções. Tudo conforme pede o figurino. A qualidade de gravação é excelente. Tanto áudio, quanto som estão impecáveis.

O único senão é realmente a duração do vídeo. Com 40 anos de estrada, 15 álbuns nas costas, um show de 14 músicas, onde 5 são de seu mais recente álbum, realmente deixa muita canção marcante de fora. O que é uma pena porque elas realmente estão em uma fase incrível. Bem que poderiam fazer um showzinho aqui no Brasil. Essas, eu gostaria de assistir...

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Profissional

Faixas:
      01)   Fanatic
      02)   Heartless
      03)   What About Love
      04)   Mashallah!
      05)   Even It Up
      06)   59 Crunch
      07)   Straight On
      08)   Dog And Butterfly
      09)   Walking Good
      10)   These Dreams
      11)   Alone
      12)   Dear Old America
      13)   Crazy On You
14)   Barracuda

domingo, 12 de junho de 2016

Fernanda Abreu – Amor Geral (2016):





Por Davi Pascale

Fernanda Abreu está de volta. Sem lançar um disco de inéditas desde 2004, a cantora carioca retorna revisitada. Amor Geral adapta a artista para o hoje, além de demonstrar uma mudança na criação das letras. Fernanda segue se reinventando.

Depois de ter encantando os roqueiros em uma mágica apresentação na primeira edição do Rock in Rio (1985), ao lado da Blitz, com quem ajudou a abrir espaço para a cena BRock (o compacto “Você Não Soube Me Amar” é considerado o primeiro lançamento daquela geração de artistas), Fernandinha marcou uma segunda geração fazendo um pop classudo misturando diferentes sonoridades. Misturava no seu som; o disco, o samba, a black music. Tanto a de Jorge Ben, quanto de James Brown. Vieram hits e mais hits. “Rio 40 Graus”, “Veneno da Lata”, “Garota Sangue Bom”, “Você Pra Mim”...

Embora tenha feito um enorme sucesso ao lado do grupo de Evandro Mesquita, o único proveito que tirou dessa história foi a experiência de palco. Seu álbum de estreia, Sla Radical Dance Disco Club (1990), apresentava uma nova linguagem. Tanto estética, quanto musical. Demorou um tempinho até que se fizesse entender. Sua discografia é curta, esse álbum que chega agora às lojas é seu sétimo trabalho de inéditas, mas é forte. Todos os seus trabalhos traziam alguma novidade, alguma inovação. Por isso, esse disco era aguardado com bastante ansiedade entre os apreciadores do universo pop e da cena BRock (sim, a galera gosta dela). E ela fez valer a espera.

Lobão, primeiro baterista da Blitz, também retornou à ativa esse ano com um novo álbum. Demorou, mais ou menos, o mesmo período. Mas as razões foram outras. O velho lobo aproveitou esses anos para se aprofundar na lógica de gravação caseira. Decidiu que queria fazer tudo por conta e foi estudar sobre os equipamentos de gravação. Fernanda Abreu, infelizmente, se afastou dos estúdios por problemas pessoais. Passou por poucas e boas. Perdeu sua mãe, enfrentou uma separação de um casamento que durou mais de duas décadas e gerou 2 filhas. Levou um tempo até que conseguisse colocar a cabeça no lugar. E também para que entendesse a nova lógica de se trabalhar com música. Aliás, a cantora promete disponibilizar toda sua discografia nas plataformas digitais em breve. Uma boa sacada.

Fernanda Abre se reinventa em novo álbum

As experiências refletem nas letras do disco. Fernandinha larga um pouco das crônicas tão marcantes em sua trajetória e retrata um pouco mais sobre o seu dia-a-dia. “O Que Ficou” é dedicada à seu ex-marido Luiz Stein. Fala sobre o sentimento que ficou após o término da relação. “Por Quem” retrata a dor de lidar com a separação. “Antídoto” foi criada pensando em sua mãe que, na época, enfrentava um coma.

Musicalmente, a proposta é basicamente a mesma que vem apresentando em sua carreira-solo. Mistura os beats, a influencia do funk, da disco. Só que com uma linguagem atualizada. Para nós, amantes do rock, aceitar a linguagem do que hoje é vendido como ‘funk carioca’ é uma tarefa quase impossível. Quem acompanha a artista, contudo, sabe que ela é uma das defensoras do baile funk. A artista, que já tinha brincado com a sonoridade em “Baile da Pesada” (Entidade Urbana), volta a brincar com os batidões em “Tambor” e usa uma influencia de leve em “Double Love”, faixa onde retoma a parceria de Fausto Fawcett. Mas não se preocupem, as musicas continuam harmoniosas e sem baixaria.

“Deliciosamente” e “Por Quem”, minhas preferidas, resgatam a sonoridade disco. “Amor Geral”, a faixa titulo, mescla batidas eletrônicas com o violão do samba. “Antídoto”, “O Que Ficou” e “Valsa do Desejo” trazem a garota sangue bom em slow beat. Ou seja, as velhas baladas. “Outro Sim” é a famosa canção pop, pronta para tocar nas rádios.  

Amor Geral traz a artista de volta à cena com um álbum maduro, bem resolvido e sem renegar suas raízes. Não sei se ela vai conseguir entrar novamente nas paradas de sucesso, espero que sim, mas em uma época onde nossa cena pop anda tão rasa, é ótimo ter uma artista como ela de volta à ativa. Bem-vinda de volta!

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Maduro e honesto

Faixas:
      01)   Outro Sim
      02)   Tambor (part. Afrika Bambaataa)
      03)   Deliciosamente
      04)   Saber Chegar
      05)   Antídoto
      06)   O Que Ficou
      07)   Double Love (Amor em Dose Dupla)
      08)   Por Quem
      09)   Valsa do Desejo  
      10)   Amor Geral

sábado, 11 de junho de 2016

Notícias do Rock

Sábado é dia de repassar alguns dos principais acontecimentos da semana. Dessa vez, comentamos de novas músicas, gravações perdidas, novo aplicativo de fotos e mais. Confira!

Paul McCartney inaugura foto 360°



O Facebook lançou um novo aplicativo, onde é permitido visualizar fotos em 360°. Você clica na foto, arrasta e a imagem vai andando. O primeiro músico a utilizar a ferramenta foi o beatle Paul McCartney, que divulgou uma foto de sua apresentação na Argentina. A imagem foi publicada no seu perfil oficial na última quinta-feira.


U2 lança novo vídeo ao vivo



O grupo irlandês U2 acaba de lançar um novo DVD ao vivo. Atendendo pelo nome de U2 Innocence + Experience Live In Paris, a apresentação ocorreu poucas semanas após o ataque terrorista na casa de shows Le Bataclan. A Banda Eagles of Death Metal, que estava se apresentando no dia do atentado, se une ao grupo de Bono para interpretarem “People Have The Power” e “I Love You All The Time”. O material teve lançamento mundial ontem e está sendo lançado em diversos formatos: download digital, DVD simples, DVD duplo, bluray simples, bluray duplo e a lindissima edição de 3 discos intitulada Super Deluxe, cuja imagem você confere acima.


Black Sabbath anuncia data de ultimo show



Como todos sabem, o Black Sabbath, infelizmente, está encerrando as atividades. E, muito provavelmente, sem chances de retorno. Afinal, os músicos já estão em uma idade avançada e Tony Iommi se encontra em um estado delicado de saúde. Os fãs brasileiros estavam na torcida para que, além da passagem de novembro/dezembro, ocorresse uma nova visita ao país na edição Rock in Rio 2017. Já podem ir tirando o cavalinho da chuva. A banda divulgou que encerrarão a carreira onde começaram. Ou seja, em Birmingham (Inglaterra) e comentaram que o show ocorrerá em Fevereiro de 2017. Ou seja, meses antes da realização do festival. Quem quer assistir, a hora é agora.


Red Hot Chili Peppers divulga mais uma musica de seu novo álbum

Os californianos do Red Hot Chili Peppers lançarão seu próximo disco, The Getaway, no dia 17 de Junho. Enquanto o álbum não vem, os músicos disponibilizam mais uma faixa de seu novo trabalho em primeira mão: “We Turn Red”. Confira o som no link abaixo:



George Harrison está presente em álbum de Gary Wright




O músico Gary Wright, tecladista do Spooky Tooth, está colocando nas lojas um álbum que havia gravado em 1972 e havia sido engavetado pela gravadora. Atendendo pelo nome de Ring of Changes, o disco conta com a aparição do beatle George Harrison em diversas faixas. Os dois haviam se aproximado nas gravações do álbum All Things Must Pass, onde Gary colaborou em algumas faixas. A remasterização ocorreu a partir das fitas originais e contou com as mãos do próprio Gary Wright. Beatlemaníacos, fiquem atento, o álbum já está em pré-venda.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Nenhum de Nós – Hoje é Sempre (2015):



Por Davi Pascale

Poucos dias atrás, escrevi sobre o novo lançamento de Humberto Gessinger, líder do Engenheiros do Hawaii. Hoje, escrevo sobre outro artista gaúcho, que despontou mais ou menos no mesmo período. A rapaziada do Nenhum de Nós. Os músicos estão com um novo trabalho nas lojas. Disco que tem de tudo para agradar seus velhos fãs.

Perseverança. Talvez, essa seja a melhor palavra para definir a trajetória do Nenhum de Nós. Os rapazes não deixaram se abalar quando deixaram de estar na crista da onda. Há mais de 20 anos como banda independente, os músicos seguem juntos. Com a mesma formação, mesma proposta, lançando trabalhos com bastante consistência. Exemplo a ser seguido.

Hoje é Sempre traz aquilo que seus velhos fãs esperam. Canções simples, com melodias cativantes, presença de acordeon em algumas faixas, backings com bastante harmonia vocal. Continuam apostando no seu pop/rock de sempre. E, mais uma vez, mantêm a qualidade do trabalho. Foram poucas as vezes em que pisaram na bola. Na sua discografia, que já somam 16 álbuns, deve ter uns 2 discos que acho meia bomba.

Há dois momentos, contudo, onde tentam se aproximar da juventude. Na balada “Caso Raro”, onde buscam uma sonoridade mais moderna, com um baixo meio swingado, uma bateria com uma pegada mais eletrônica, voz com efeitos. E “Foi Amor”, onde trazem um dueto com a cantora Roberta Campos. Uma das grandes promessas da Nova MPB. Das baladas do disco, entretanto, minha preferida é a lindíssima “Se Você Ficar Um Pouco Mais”.


Nenhum de Nós lança álbum consistente e fiel às origens

“Milagre”, responsável por inaugurar o play, é a canção típica do Nenhum de Nós. Baixo e bateria fazendo marcação em alguns minutos, linha vocal alegre. “Descompasso” traz um refrão marcante, poderia facilmente se tornar um novo hit do grupo. “Colhendo Tempestades” é uma forte parceria com o talentosíssimo Fábio Cascadura (Dr. Cascadura), um dos talentos perdidos da cena roqueira brasileira.

Os músicos nunca esconderam suas raízes. Sempre deixaram nítida a influencia da cultura gaucha em seu trabalho. O momento de virada acredito que tenha sido em seu terceiro LP, Extraño. Aqui, a influência aparece nos acordeons de “Amanhã” e, mais nitidamente, em “Total Atenção”. A orquestração continua dando as caras e aparece com maior presença em “Estrela do Oriente”, responsável por fechar o novo trabalho.

Com 30 anos de carreira nas costas, os músicos do Nenhum de Nós demonstram que ainda têm lenha para queimar. Muito dificilmente conseguirão um novo hit nos moldes de “Camila, Camila”, “Sobre o Tempo”, “Jornais” ou “Atronauta de Mármore”, até porque o nosso mercado hoje, cada vez mais focado no sertanejo e nos funks mc´s, não permite. Contudo, comprovam, mais uma vez, que é possível fazer um trabalho comercial, sem soar infantil e, principalmente, que é possível atingir maturidade sem renegar sua trajetória. Quem é fã, pode ir sem medo. Trabalho extremamente consistente.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Honesto

Faixas:
      01)   Milagre 
      02)   Descompasso
      03)   Foi Amor (c/ Roberta Campos)
      04)   Total Atenção
      05)   Perfeita Companhia
      06)   Se Você Ficar Um Pouco Mais
      07)   Caso Raro
      08)   Colhendo Tempestades
      09)   Amanhã
      10)   Estrela do Oriente

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Skid Row – B-Side Ourselves (1992):



Por Davi Pascale

Em 1992, o Skid Row colocou nas lojas um EP de covers. A ideia era ganhar um pouco mais de tempo para a criação de um novo álbum de inéditas. Na ocasião, o Skid Row estava no topo do mundo. Com musica nas rádios, na MTV, lotando arenas e estádios. Para vocês terem uma ideia, quando passaram aqui pelo Brasil, se apresentaram como headliner do Hollywood Rock, tocando no Estádio do Morumbi e na Praça da Apoteose. Hoje, infelizmente, os músicos vivem uma realidade bem diferente.

Esse foi um disco que rodou bastante no meu CD player e no meu discman, na época. Os músicos resolveram regravar músicas de alguns de seus ídolos. Nesse caso; Ramones, Kiss, Judas Priest, Rush e Jimi Hendrix. Ironicamente, esse foi o ultimo álbum de sucesso do grupo. O álbum seguinte, o (bom) Subhuman Race, trazia o grupo apostando em uma sonoridade distinta. Mais pesado, mais gritado, não foi bem recebido pelos fãs. Os shows caíram, as brigas aumentaram, o mercado mudou e o grupo foi para o espaço.

B-Side Ourselves é um trabalho muito bem feito. Apesar de ser bem curto, são apenas 5 músicas, diria que é um disco essencial na coleção de quem curte o som da banda. Os músicos fizeram o tipo de releitura que considero mais acertada. Deram uma cara sua, mas sem desvirtuar o arranjo original.

EP foi gravado no auge do sucesso
Um grande exemplo disso é “C´mon And Love Me” (Kiss), onde os músicos alteraram o final, dando uma acelerada, inserindo solos adicionais, vocais gritados. No entanto, os riffs, a simplicidade da bateria e as linhas vocais foram mantidas. O mesmo vale para “What You´re Doing” (Rush), onde mantiveram a pegada bluesy, mas adicionaram uma boa dose extra de peso ou “Little Wing”, onde Sebastian Bach exorciza os demônios fazendo um de seus melhores trabalhos vocais.

"Pshyco Therapy” (com os vocais do baixista Rachel Bolan) e “Little Wing” ganharam videoclips na época. Essa última, com uma versão um pouco diferente do disco. Os grandes momentos do álbum ficam pela já citada versão de Jimi Hendrix, a homenagem ao grupo de Geddy Lee, mas a cereja do bolo mesmo, é a versão ao vivo de “Delivering The Goods”, que conta com a participação especial de Rob Halford. Tanto Sebastian quanto Halford estavam em uma ótima fase e mandaram bem no vocal.

B-Side Ourselves está fora de catálogo no momento, mas não é tão difícil de ser encontrado. Na ocasião, foi lançado no Brasil, em LP e CD. Como as prensagens na época eram grandes (disco era vendido a rodo), não é um produto muito caro. Acredito que esteja em torno de 20 a 40 reais dependo do formato e do estado de conservação. E, ah, sim, certamente tem o áudio nas plataformas digitais. Corre atrás que vale a pena.

Nota: 10,0 / 10,0
Status: Mortal

Faixas:
      01)   Psycho Therapy
      02)   C´Mon And Love Me
      03)   Delivering The Goods
      04)   What You´re Doing
05)   Little Wing

quarta-feira, 8 de junho de 2016

The Defiants – The Defiants (2016):





Por Davi Pascale

No ultimo domingo, comentei do novo álbum do cantor Ted Poley, o primeiro vocalista do Danger Danger. Pois bem, outro disquinho que irá agradar os fãs de “Naughty Naughty”, chega ao mercado. Dessa vez, com a presença de três integrantes de banda. Vamos à ele...

Assim como 90% dos grupos que atingem o estrelato, a rapaziada do Danger Danger teve problemas de formação. Paul Laine assumiu os vocais do conjunto, assim que Ted Poley foi despedido do grupo em 1993. Embora também goste muito de Ted Poley, sempre gostei mais da voz de Paul Laine. Entretanto, com aquela história de reuniões para tentar resgatar um período que ficou para trás, Ted Poley retornou à banda em 2004. Agora, doze anos depois, Laine volta à unir forças com seus ex-companheiros.

The Defiants é um trio formado por Paul Laine (voz), Bruno Ravel (baixo, guitarra, teclados) e Rob Marcello (guitarra). Com o apoio do selo italiano Frontiers, os rapazes soltam seu debut fazendo um hard rock oitentista que tem de tudo para agradar aos fãs de grupos como Trixter, Firehouse e, é claro, o Danger Danger.

Uma diferença entre esse álbum e o novo trabalho solo de Ted Poley, o ótimo Beyond The Fade, é que esse é um disco mais focado nas guitarras. O teclado não é tão explorado. Sim, ele aparece no disco, mas em bem menor proporção e muito mais sutil.

Paul Laine, Bruno Ravel e Rob Marcello unem as forças novamente

A jogada dos músicos é bem parecida com a do grupo que os tornaram famosos. Solos técnicos e velozes, bateria simples, refrãos pegajosos, letras sobre mulheres, vida na estrada e festas. Ou seja, mais anos 80, impossível. Como disse, há uma enorme similaridade ao bom e velho Danger Danger. Porém, curiosamente, remete muito mais aos primeiros LPS do grupo, quando Paul Laine não fazia parte ainda.

Como é de costume nesse tipo de som, a guitarra dá o tom em vários momentos do CD. Rob e Bruno arrebentaram na criação das seis cordas aqui. Ótimos riffs, solos inspirados. Muito bom mesmo! A bateria ficou a cargo de Van Romaine (Kansas, Steve Morse Band). Ele aparece aqui como músico convidado. Não faz parte da banda. Será que é ele quem está com o trio na estrada? Espero que sim...

“Take Me Back”, “Runaway” e “Little Miss Rock n Roll” nos dá a sensação de termos entrado em uma máquina do tempo e voltado à era dos cigarros Hollywood com vocais alegres e vocalizações cheio de “oh-oh-oh!”. Bem Bon Jovi! “We All Fall Down”, “Love And Bullets”, “Underneath The Stars” e “When The Lights Down”, uma das melhores do disco, trazem aquela sonoridade rock de arena que o Steel Panther tanto bebe na fonte. As baladas surgem com força em “That´s When I´ll Stop Lovin´ You”, “Save Me Tonight” e “Waiting On a Heartbreak”. Essa última é a melhor delas.

The Defiants é um trabalho extremamente bem feito, repleto de ótimas canções. Se você curtia aquela sonoridade hard rock melódico dos anos 80, com clima festivo, versando sobre farrear com garotas, esse disco é para você.

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Nostálgico

 Faixas:
01)   Carillon
02)   Love and Bullets
03)   When The Lights Go Down
04)   Waiting On a Heartbreak
05)   Runaway
06)   Lil´ Miss Rock n´ Roll
07)   Last Kiss
08)   Save Me Tonight
09)   Take Me Back
10)   We All Fall Down
11)   That´s When I´ll Stop Lovin´ You  
12)   Underneath the Stars