quinta-feira, 9 de junho de 2016

Skid Row – B-Side Ourselves (1992):



Por Davi Pascale

Em 1992, o Skid Row colocou nas lojas um EP de covers. A ideia era ganhar um pouco mais de tempo para a criação de um novo álbum de inéditas. Na ocasião, o Skid Row estava no topo do mundo. Com musica nas rádios, na MTV, lotando arenas e estádios. Para vocês terem uma ideia, quando passaram aqui pelo Brasil, se apresentaram como headliner do Hollywood Rock, tocando no Estádio do Morumbi e na Praça da Apoteose. Hoje, infelizmente, os músicos vivem uma realidade bem diferente.

Esse foi um disco que rodou bastante no meu CD player e no meu discman, na época. Os músicos resolveram regravar músicas de alguns de seus ídolos. Nesse caso; Ramones, Kiss, Judas Priest, Rush e Jimi Hendrix. Ironicamente, esse foi o ultimo álbum de sucesso do grupo. O álbum seguinte, o (bom) Subhuman Race, trazia o grupo apostando em uma sonoridade distinta. Mais pesado, mais gritado, não foi bem recebido pelos fãs. Os shows caíram, as brigas aumentaram, o mercado mudou e o grupo foi para o espaço.

B-Side Ourselves é um trabalho muito bem feito. Apesar de ser bem curto, são apenas 5 músicas, diria que é um disco essencial na coleção de quem curte o som da banda. Os músicos fizeram o tipo de releitura que considero mais acertada. Deram uma cara sua, mas sem desvirtuar o arranjo original.

EP foi gravado no auge do sucesso
Um grande exemplo disso é “C´mon And Love Me” (Kiss), onde os músicos alteraram o final, dando uma acelerada, inserindo solos adicionais, vocais gritados. No entanto, os riffs, a simplicidade da bateria e as linhas vocais foram mantidas. O mesmo vale para “What You´re Doing” (Rush), onde mantiveram a pegada bluesy, mas adicionaram uma boa dose extra de peso ou “Little Wing”, onde Sebastian Bach exorciza os demônios fazendo um de seus melhores trabalhos vocais.

"Pshyco Therapy” (com os vocais do baixista Rachel Bolan) e “Little Wing” ganharam videoclips na época. Essa última, com uma versão um pouco diferente do disco. Os grandes momentos do álbum ficam pela já citada versão de Jimi Hendrix, a homenagem ao grupo de Geddy Lee, mas a cereja do bolo mesmo, é a versão ao vivo de “Delivering The Goods”, que conta com a participação especial de Rob Halford. Tanto Sebastian quanto Halford estavam em uma ótima fase e mandaram bem no vocal.

B-Side Ourselves está fora de catálogo no momento, mas não é tão difícil de ser encontrado. Na ocasião, foi lançado no Brasil, em LP e CD. Como as prensagens na época eram grandes (disco era vendido a rodo), não é um produto muito caro. Acredito que esteja em torno de 20 a 40 reais dependo do formato e do estado de conservação. E, ah, sim, certamente tem o áudio nas plataformas digitais. Corre atrás que vale a pena.

Nota: 10,0 / 10,0
Status: Mortal

Faixas:
      01)   Psycho Therapy
      02)   C´Mon And Love Me
      03)   Delivering The Goods
      04)   What You´re Doing
05)   Little Wing

quarta-feira, 8 de junho de 2016

The Defiants – The Defiants (2016):





Por Davi Pascale

No ultimo domingo, comentei do novo álbum do cantor Ted Poley, o primeiro vocalista do Danger Danger. Pois bem, outro disquinho que irá agradar os fãs de “Naughty Naughty”, chega ao mercado. Dessa vez, com a presença de três integrantes de banda. Vamos à ele...

Assim como 90% dos grupos que atingem o estrelato, a rapaziada do Danger Danger teve problemas de formação. Paul Laine assumiu os vocais do conjunto, assim que Ted Poley foi despedido do grupo em 1993. Embora também goste muito de Ted Poley, sempre gostei mais da voz de Paul Laine. Entretanto, com aquela história de reuniões para tentar resgatar um período que ficou para trás, Ted Poley retornou à banda em 2004. Agora, doze anos depois, Laine volta à unir forças com seus ex-companheiros.

The Defiants é um trio formado por Paul Laine (voz), Bruno Ravel (baixo, guitarra, teclados) e Rob Marcello (guitarra). Com o apoio do selo italiano Frontiers, os rapazes soltam seu debut fazendo um hard rock oitentista que tem de tudo para agradar aos fãs de grupos como Trixter, Firehouse e, é claro, o Danger Danger.

Uma diferença entre esse álbum e o novo trabalho solo de Ted Poley, o ótimo Beyond The Fade, é que esse é um disco mais focado nas guitarras. O teclado não é tão explorado. Sim, ele aparece no disco, mas em bem menor proporção e muito mais sutil.

Paul Laine, Bruno Ravel e Rob Marcello unem as forças novamente

A jogada dos músicos é bem parecida com a do grupo que os tornaram famosos. Solos técnicos e velozes, bateria simples, refrãos pegajosos, letras sobre mulheres, vida na estrada e festas. Ou seja, mais anos 80, impossível. Como disse, há uma enorme similaridade ao bom e velho Danger Danger. Porém, curiosamente, remete muito mais aos primeiros LPS do grupo, quando Paul Laine não fazia parte ainda.

Como é de costume nesse tipo de som, a guitarra dá o tom em vários momentos do CD. Rob e Bruno arrebentaram na criação das seis cordas aqui. Ótimos riffs, solos inspirados. Muito bom mesmo! A bateria ficou a cargo de Van Romaine (Kansas, Steve Morse Band). Ele aparece aqui como músico convidado. Não faz parte da banda. Será que é ele quem está com o trio na estrada? Espero que sim...

“Take Me Back”, “Runaway” e “Little Miss Rock n Roll” nos dá a sensação de termos entrado em uma máquina do tempo e voltado à era dos cigarros Hollywood com vocais alegres e vocalizações cheio de “oh-oh-oh!”. Bem Bon Jovi! “We All Fall Down”, “Love And Bullets”, “Underneath The Stars” e “When The Lights Down”, uma das melhores do disco, trazem aquela sonoridade rock de arena que o Steel Panther tanto bebe na fonte. As baladas surgem com força em “That´s When I´ll Stop Lovin´ You”, “Save Me Tonight” e “Waiting On a Heartbreak”. Essa última é a melhor delas.

The Defiants é um trabalho extremamente bem feito, repleto de ótimas canções. Se você curtia aquela sonoridade hard rock melódico dos anos 80, com clima festivo, versando sobre farrear com garotas, esse disco é para você.

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Nostálgico

 Faixas:
01)   Carillon
02)   Love and Bullets
03)   When The Lights Go Down
04)   Waiting On a Heartbreak
05)   Runaway
06)   Lil´ Miss Rock n´ Roll
07)   Last Kiss
08)   Save Me Tonight
09)   Take Me Back
10)   We All Fall Down
11)   That´s When I´ll Stop Lovin´ You  
12)   Underneath the Stars

terça-feira, 7 de junho de 2016

Humberto Gessinger – Louco Pra Ficar Legal (2016):





Por Davi Pascale

Humberto Gessinger segue em frente, olhando para o passado, mas nem tanto. Seu novo trabalho é de regravações, mas não de grandes sucessos. Pelo contrário, optou por resgatar clássicos esquecidos. 2 canções, 2 fases distintas.

O Engenheiros do Hawaii teve diferentes fases. Diferentes formações buscando diferentes caminhos, ainda que mantivessem a essência. Sempre em transformação, buscaram inspiração na música gaucha, no rock progressivo, na MPB, sem se afastar do pop. Gravaram com guitarras, violões, gaitas, sanfonas. Experiências infinitas dentro de um campo bem delimitado. 

Louco Pra Ficar Legal, traz canções do passado, mas na linguagem do hoje. Até mesmo o formato de divulgação foi apostando no presente. As músicas foram divulgadas, inicialmente, nas plataformas digitais. Se nos anos 80, a garotada descobria as novas canções nas baladas e nas rádios, hoje é através dos streamings, dos downloads. O compartilhamento em cassete cromático cedeu espaço ao compartilhamento digital. Outros caminhos, mesma frequência.

Abusando das várias variáveis, resgata o passado na hora de presentear o publico no formato físico. Humberto retorna ao tempo do vinil, mais precisamente do compacto. Uma espécie de minivinil com os singles. Formato que as gravadoras utilizavam para testar os artistas na mesma década de 80. Só que não há mais necessidade de testar nada. Seu publico já está consolidado.

Humberto Gessinger lança compacto com 2 regravações do Engenheiros

Talvez seja uma questão de urgência. Utilizar as plataformas do presente para não perder o que conquistou no passado. Os arranjos vão no mesmo sentido. “Pra Ficar Legal”, mantém a simplicidade do arranjo original, só que ainda mais urgente. Mais pesada, mais cadenciada. A inserção de gaitas dylanescas, ressalta a veia pop, resgata ecos do passado. Mais um dos inúmeros caminhos dessa infinta highway...

Humberto Gessinger entra numa máquina do tempo e relembra a época de Minuano. Época dominada pelo retorno do pop às rádios, pela consagração da MTV. Início de nova fase em sua carreira. Seu primeiro trabalho com um tecladista fixo. Seu primeiro trabalho sem a presença do velho companheiro Carlos Maltz. Início de uma nova etapa em sua trajetória.

“Faz Parte” mantém o lado cru. Junta as guitarras do rock com a melodia do pop. Com menos backings, sem teclados, mostra o músico mais direto, despido de inserções tecnológicas, como se estivesse registrando um ensaio. Louco Pra Ficar Legal divulga uma nova excursão. O início de mais um capítulo nessa longa história... 

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Visceral

Faixas:
      01)   Pra Ficar Legal  
      02)   Faz Parte

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Bad Company – Live 1977 / 1979 (2016):



Por Davi Pascale

A espera acabou! Finalmente chegou às lojas um registro ao vivo do Bad Company, gravado durante seu período clássico. Essencial e histórico!

O cantor Paul Rodgers talvez seja mais conhecido pela nova geração por ter sido o rapaz que excursionou ao lado de um reformulado Queen. Mas, na verdade, ele é bem mais do que isso. Dono de uma voz única, o rapaz esteve à frente de duas bandas clássicas como personagem principal: o Free e o Bad Company. Na formação do Bad Company, estavam seu velho parceiro do Free, Simon Kirke na bateria. O guitarrista Mick Ralphs (Mot The Hoople) e o baixista Boz Burrell (King Crimson). Puta formação, certo? São exatamente esses caras que aparecem por aqui.

O Bad Company teve duas fases distintas. A fase de Brian Howe, foi bacana, fez bons discos, mas tinha uma pegada mais comercial. A fase do Paul Rodgers, uma sonoridade hard rock setentista com influências de blues, é a preferida da maior parte de seus fãs. Já existiam alguns discos ao vivo do grupo, mas sempre gravado nas famosas reuniões. Disco com gravação da época, mesmo, só foi lançado agora.

O álbum duplo traz duas apresentações gravadas em turnês distintas. A primeira performance é um registro em Houston, no ano de 1977. Registro da turnê Burnin´ Sky.  6 músicas desse LP dão as caras por aqui: “Too Bad”, “Heartbeat”, “Morning Sun”, “Man Needs Woman”, “Leaving You” e a faixa-título. É acrescentado no set clássicos como “Ready for Love”, “Simple Man”, “Good Lovin´Gone Bad” e “Feel Like Makin´ Love”.

Apresentações históricas chegam ao mercado pela primeira vez

Essas gravações já datam quase 40 anos. O que temos aqui é exatamente o show como ocorreu na época. Sem nenhum tipo de arremedo. Impressionante que é muito difícil pegarmos um errinho sequer na performance do grupo. O grande, destaque mesmo, fica por conta de Paul Rodgers. Canta com enorme emoção, com voz forte, difícil desprender a atenção dele.

O segundo CD traz uma performance de 1979, no inicinho da turnê de Desolation Angels. Bacana que as músicas quase não repetem. Somente “Shooting Star” e “Feel Like Makin´ Love” aparecem nos dois shows. O restante do repertório é totalmente diferente. Mais uma vez, exploram o disco que estavam divulgando na época. Das 14 músicas do repertório, 5 vieram do LP que estavam lançando. Os clássicos também mudam. Aparecem aqui, entre outras, “Bad Company”, “Rock Steady”, “Rock n Roll Fantasy”, “Can´t Get Enough”. Todas essas não haviam entrado no primeiro disco.

Os músicos tocam com alma. Mick Ralphs entrega alguns bonitos solos (vale destacar o de “Run With The Pack”). As músicas duram o que tem que durar. Nem curtas demais, nem longas demais. Os números solos foram deixados de lado. Aparece somente solo de bateria, mas em ambas as performances, é bem curto. Não chega à 3 minutos o mais longo.

Live 1977/1979 é simplesmente mágico. A qualidade de áudio é muito boa, o grupo estava em uma fase excelente, os setlists são fantásticos. Os dois shows são espetaculares, mas se tivesse que ficar com um, escolheria o de 79. Achei o repertório um pouco mais forte. Para quem curte classic rock, diria que é um ítem essencial na coleção. Pena que, por enquanto, o disco não foi lançado no Brasil. Só chegou por aqui a versão importada. Mas vale o investimento. Corra atrás...

Nota: 10,0 / 10,0
Status: Histórico

Faixas:

CD 01:
      01)   Burnin´ Sky
      02)   Too Bad
      03)   Ready for Love
      04)   Heartbeat
      05)   Morning Sun
      06)   Man Needs Woman
      07)   Leaving You
      08)   Shooting Star
      09)   Simple Man
      10)   Movin´ On
      11)   Like Water
      12)   Drum Solo
      13)   Live For The Music
      14)   Good Lovin´ Gone Bad
      15)   Feel Like Makin´ Love

CD 02:
      01)   Bad Company
      02)   Gone, Gone, Gone
      03)   Shooting Star
      04)   Rhythm Machine
      05)   Oh, Atlanta
      06)   She Brings Me Love
      07)   Run With The Pack
      08)   Evil Wind
      09)   Drum Solo
      10)   Honey Child
      11)   Rock Steady
      12)   Rock n Roll Fantasy
      13)   Hey Joe
      14)   Feel Like Makin´ Love 
      15)   Can´t Get Enough

domingo, 5 de junho de 2016

Ted Poley – Beyond The Fade (2016):





Por Davi Pascale

Primeiro vocalista do Danger Danger lança novo trabalho solo. Cantor mantém a áurea oitentista e deve agradar quem acompanhou seu antigo grupo na época.

Talvez muitos de vocês digam... ‘Bah, esse som ficou no passado’. A real é que música não tem prazo de validade e de tempos em tempos os artistas recorrem aos artistas do passado para criarem seu estilo. Atualmente, temos uma ótima leva de artistas bebendo na fonte dos anos 70 (caso de Blues Pills e Rival Sons, só para ficar em alguns), mas também temos vários artistas bebendo na fonte dos anos 80. Especialmente, na região da Suécia. O cantor não está cometendo nenhum crime. Apenas se mantendo fiel às suas origens.

O Danger Danger chegou a fazer bastante sucesso nos seus primeiros álbuns. Nos dois primeiros, o vocalista era justamente o Ted Poley. Fora da mídia, o rapaz não está preocupado em atualizar seu som. Apenas fazer o que curte e, quem sabe, manter seus velhos e fieis seguidores ao seu lado. Trabalho totalmente despretensioso, porém, divertido.

Beyond The Fade é seu primeiro trabalho solo desde Smile (2007). A lógica é mais ou menos a mesma. Continua resgatando aquela sonoridade anos 80 com vocalização à la Journey, refrão melódicos e meio chicletes, bateria simples, sem firulas, aquela sonoridade meio cigarros Hollywood. Sim, os arranjos são repletos de velhos clichês, mas quem se importa...

Ted Poley mantém veia oitentista em novo trabalho

O novo álbum é uma parceria com o selo italiano Frontiers e, conforme esperado, conta com a produção de Alessandro Del Vechio. Tem lançamentos que eles acertam bonito, tem lançamentos que erram feio. Nesse álbum, fizeram bonito. O trabalho é muito mais bem acabado do que Smile. Bateria mais bem gravada, guitarra mais bem timbrada, a veio AOR correndo solta... Uma diferença em relação ao anterior é que o teclado ganhou um pouco mais de evidência.

A tríade inicial traz todo o clima de festa dos anos 80. Teclados de fundo, arranjos extremamente alegres, solos de guitarra bem para cima. Destaque para a ótima faixa de abertura, “Let´s Start Something”, e para “Hands of Love”, uma canção perdida de Joe Lynn Tuner que o cantor resolveu resgatar. “Sirens” e “Higher” também despontam entre os grandes momentos do disco.

O disco é bem sólido, as qualidades meio que se mantém, mas os arranjos vão e vem. Ou seja, em meio às canções festivas, temos as velhas baladas intercaladas. Dentre essas, se destacam “We Are Young” e “Beneath The Stars”. O único ponto baixo do CD fica por conta de “Perfect Crime”. A canção é boa, mas perdeu o brilho com a participação de Issa. Honestamente, achei a voz dela bem chata. Se tivesse ficado só na voz dele, ficaria sensacional.

Beyond The Fade é um ótimo álbum para quem curte o gênero. Ótimos arranjos, ótimo trabalho vocal. Faixas bem bacanas. Se você era fã do Danger Danger ou gosta de bandas como Journey e Bon Jovi (anos 80), vá sem medo! 

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Alto-astral

Faixas:
      01)   Let´s Start Something
      02)   Everything We Are
      03)   Hands of Love
      04)   The Perfect Crime
      05)   Stars
      06)   Higher
      07)   Where I Lost You
      08)   You Won´t See Me Crying
      09)   We Are Young
      10)   Sirens
      11)   Beneath the Stars