terça-feira, 12 de abril de 2016

RockStar (2001):



Por Davi Pascale

Resolvi retomar a série onde retrato sobre alguns filmes ligados ao rock. Já escrevi sobre vários dos meus preferidos, mas revirando minha estante de filmes, notei que ainda há mais alguns que merecem um texto em nossa página. Dessa vez, resolvi escrever sobre um que dividiu opiniões, mas que sempre gostei muito; o RockStar.

Embora fictício, é bem realista. Rockstar fala sobre um jovem que venera uma banda, Steel Dragon, ao ponto de seguir à risca o que seus músicos fazem, de criar uma banda cover copiando por A+B todos os detalhes. Um belo dia, o garoto é convidado à integrar a banda. Aceita o cargo e logo sua ilusão cai por terra.

Não demora muito para que note que a realidade não tem nada a ver ao mar-de-rosas idealizado em sua mente de fã. O rapaz descobre que o vocalista, até então seu maior ídolo, não era exatamente aquilo que imaginava. Assume o posto, mas não tem liberdade dentro da banda, se vê atuando como um funcionário qualquer.

Muitos dizem que a história foi inspirada no Judas Priest. Ripper Owens, antes de assumir o posto de vocalista do Judas, cantava em uma banda cover. Rob Halford é homossexual, assim como Bobby Beers. Realmente, há muitas similaridades, mas não é a mesma história. Quando Owens assumiu o lugar de Halford, o cantor estava fora há quase um ano. Aqui, o rapaz entra no meio da turnê. O cantor do Judas seguiu carreira no heavy metal, o cantor do filme mudou seu estilo. Tanto visual, quanto musical. Se bem que dizem que essas mudanças ocorreram porque o Judas Priest havia ameaçado processar a Warner, caso o nome do grupo fosse citado no longa ou caso escrevessem um filme sobre eles sem permissão. Os músicos queriam controlar a história e a Warner, ao que tudo indica, negou.

Filme conta com Mark Wahlberg e Jennifer Aniston

Polêmicas à parte, o filme é muito bem feito e conta com a presença de grandes astros do rock. Steel Dragon, no filme, é formado pelo baixista Jeff Pilson (Dokken), pelo guitarrista Zakky Wylde (Ozzy Osbourne, Black Label Society), e pelo baterista Jason Bonham (Black Country Communion).   A Blood Pollution, a tal banda cover, é formada pelo guitarrista Nick Catanese (Black Label Society), o baterista Blas Elias (Slaughter) e o baixista Brian Vander Ark (Verve Pipe). Também há aparições de Stephan Jenkins (Third Eye Blind), Ralph Saenz (Steel Panther) e Myles Kennedy (Alter Bridge, Slash).

Do lado dos astros do cinema, temos dois nomes bem populares aqui no Brasil: Mark Wahlberg (Planeta dos Macacos, Saída de Mestre) e a lindíssima Jennifer Aniston (Friends). Mark se saiu muito bem no papel. Para quem conhece seu passado é até estranho assisti-lo interpretando um cantor de heavy metal. A primeira vez que ouvi falar sobre o rapaz foi quando liderava o grupo Marky Marky And The Funky Bunch, apostando em uma mistura de rap e dance music. Nunca o imaginaria em um papel desses. E o cara interpretou direitinho. 

O filme retrata sobre o dia-a-dia de uma banda grande. Mostra todos os podres existentes por trás de um grande artista. As noitadas, as bebedeiras, as drogas, o ego, as falsas expectativas, a ideia do dinheiro acima de tudo. Será que é exatamente isso o que o garoto buscava? Filme divertidíssimo. Recomendado à todos os amantes do rock n roll!!! 

segunda-feira, 11 de abril de 2016

George Fest: A Night to Celebrate – The Music of George Harrison (2016):



Por Davi Pascale

Novo álbum tributo ao George Harrison? Isso mesmo! Em 2003 foi lançado o (ótimo) Concert For George. O lineup trazia músicos que eram amigos e participaram da carreira de George em algum momento. Gigantes como Eric Clapton, Billy Preston e Gary Brooker deram as caras no evento. Além, é claro, de Paul McCartney e Ringo Starr. O show, produzido pelo amigo Jeff Lynne, havia sido realizado na Inglaterra, terra natal dos Beatles. Aqui, a história é diferente...

Esse novo espetáculo foi produzido por Dhan Harrison, filho do guitarrista. E, dessa vez, resolveu gravar nos Estados Unidos. O garoto explicou que houve uma cobrança de um concerto nos Estados Unidos, na ocasião do outro show, mas acabou não acontecendo. Muitos acreditavam que o Madison Square Garden seria o local adequado para o evento, já que o histórico Concert for Bangladesh havia sido registrado ali. Reparando que várias músicas marcantes de seu pai haviam ficado de fora do primeiro concerto, o garoto resolveu aceitar o desafio mais de uma década depois. Optou por fazer tudo diferente dessa vez. Resolveu convidar músicos de sua geração e realiza-lo em um local pequeno. O lugar escolhido? O The Fonda Theater, em Los Angeles, com capacidade para apenas 1.200 pessoas.

Norah Jones se destaca no show
Embora a ideia seja em focar em artistas de sua geração, há alguns mais antigos. Ian Astbury (The Cult), Ann Wilson (Heart), Perry Farrell (Jane´s Addiction), além do lendário Brian Wilson (The Beach Boys) dão as caras por aqui. Entre esses; Ann Wilson e Perry Farrel são os que roubaram a cena com performances apaixonantes.

O repertório é bem abrangente. Passa pela fase dos Beatles, do Traveling Wilburys, de sua carreira-solo. Vai de All Thing Must Pass à Brainwashed. Os arranjos, em sua maioria, foram realizados bem próximos à versão original. Portanto, o foco maior acaba sendo nos vocalistas mesmo. Curioso notar que alguns solos e algumas passagens de bateria foram simplificadas. Que o diga a bateria de “Something”. É nessas horas que caem por terra as teorias que muitos haters sustentam de que Ringo não sabe tocar. Se fosse tão simples, o cara teria feito igual, certo?

Se o baterista fica a dever em “Something”, o mesmo não podemos dizer do trabalho vocal de Norah Jones. Uma das melhores performances do show. Brandon Flowers (The Killers) chama a atenção em “I Got My Mind Set On You”. A versão de “Handle With Care” ficou matadora. Dhan também se sai muito bem na versão de “Savoy Truffle”.

O ponto baixo fica por conta da fraquérrima apresentação de Butch Walker em “Any Road”. A performance de Brian Wilson me deixou com um gostinho de esperava mais também. Ok, o cara é uma lenda, mas há momentos mais inspirados dele do que o apresentado aqui. Contudo, no geral, o show é excelente. As músicas estão bem tocadas, o repertório é matador. Quem é um grande fã de George Harrison ou dos Beatles deve ter em sua coleção. E se liga que o material está saindo em vídeo também...

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Consistente

Faixas:
CD 01:
      01)   Introduction
      02)   Old Brown Shoe (Conan O Brien)
      03)   I Me Mine (Britt Daniel)
      04)   Ballad Of Sir Frankie Crisp – Let It Roll (Jonathan Bates)
      05)   Something (Norah Jones)
      06)   I Got My Mind Set On You (Brandon Flowers)
      07)   If Not For You (Heartless Bastards)
      08)   Be Here Now (Ian Astbury)
      09)   Wah-Wah (Nick Valensi)
      10)   If I Needed Someone (Jamestown Revival)
      11)   Art of Dying (Black Rebel Motorcycle Club)
      12)   Savoy Truffle (Dhani Harrison)
      13)   For You Blue (Chase Cohl)
      14)   Beware of Darkness (Ann Wilson)

CD 02:
      01)   Let It Down (Dhani Harrison)
      02)   Give Me Love – Give Me Peace on Earth (Ben Harper)
      03)   Here Comes The Sun (Perry Farrell)
      04)   What Is Life (Weird Al Yankovic)
      05)   Behind That Locked Door (Norah Jones)
      06)   My Sweet Lord (Brian Wilson)
      07)   Isn´t a Pitty (The Black Ryder)
      08)   Any Road (Butch Walker)
      09)   I´d Have You Anytime (Karen Elson)
      10)   Taxman (Cold War Kids)
      11)   It´s All Too Much (The Flaming Lips)
      12)   Handle With Care (Brandon Flowers, Britt Daniel, Dhani Harrison, Jonathan Bates, Wayne Coyne, Weird Al Yankovic)
      13)   All Things Must Pass (Ann Wilson, Dhani Harrison, Karen Elson, Norah Jones)

domingo, 10 de abril de 2016

Legião Urbana – Clube Atlético Aramaçan (8/4/2016):




Por Davi Pascale

Na última sexta-feira, a cidade de Santo André recebeu o show em homenagem aos 30 anos de Legião Urbana. Com casa lotada, noite foi marcada por um show forte e desorganização gritante.

O assunto por si só já é polêmico. Tem gente que acha a reunião bacana, tem gente que acha criminoso, uma vez que o líder Renato Russo está morto. Pelo que entendi, a banda não está de volta. É apenas uma celebração. Não vejo problema nenhum nisso. Até porque Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá também são dignos de respeito. Sim, Renato era meio que o líder, mas a dupla também foi importante na trajetória do grupo.

Ao contrário do que se imagina, André Frateschi não está lá assumindo o posto de Renato. O show tem outro conceito. Além do rapaz, a apresentação conta com 3 cantores convidados. Dado e Bonfá também arriscam o microfone em algumas músicas. Tem um clima meio de festa. De todos, Frateschi e Bonfá foram os que se saíram melhores no gogó, contudo. 

O espetáculo é dividido em 2 partes. Quem acompanha nosso blog, se recorda que recentemente resenhei a reedição do debut da Legião Urbana. Para comemorar 30 anos do lançamento, os músicos retornaram o álbum ao mercado, acrescido de material inédito da época. Pois bem, a primeira parte do show é exatamente o disco de estreia do início ao fim. Na sequencia do LP. Dado-Villa Lobos não é um grande cantor, mas amadureceu muito enquanto guitarrista. Está mandando bem! Ouvir os acordes de “Será” logo nos primeiros segundos de show foi emocionante. Também foi nostálgico ouvir “Soldados”, “Por Enquanto”, “Teorema”, “Geração Coca-Cola”, “Ainda é Cedo” na cara. Nessa primeira etapa, os músicos foram mandando música atrás de música, sem falar uma palavra com a plateia. Os vocais foram alternados entre André, Dado e Bonfá.

 
Encerrado essa parte, entra um áudio com um depoimento do Renato Russo e a imagem do falecido cantor no telão. Antes disso, contudo, Dado-Villa Lobos aproveitou para relembrar a primeira vez que estiveram na casa, há exatos 30 anos, e se desculpar pela confusão do horário. A empresa responsável divulgou o horário dos portões, mas não anunciou o horário do show. Na página do evento no Facebook apontava início às 22h. A banda subiu ao palco 00:30h. Obviamente houve diversas vaias. Foi triste ver os músicos entrando no palco debaixo de vaias no lugar de aplausos. O grupo não merecia isso.

A segunda parte foi focada nos demais discos. Aqui, além de Frateschi, contaram com 3 vocalistas convidados: Marina Franco (Glass And Glue), Jonnata Doll (Jonnata Doll & Os Garotos Solventes) e Miranda Kassin. Jonnata demonstrou ser um ótimo showman, uma espécie de novo Serguei, mas derrapa muito no vocal. As 2 garotas se saíram melhor. Dos 3, quem mais gostei foi a Marina. Tem uma atitude bem rock n roll e é bem afinada. Nessa segunda parte, clássicos como “Tempo Perdido”, Pais e Filhos” (cantada por Marcelo Bonfá), “Eu Sei” e “Há Tempos” fizeram a cabeça do público. Também houve espaço para lados B como “Dezesseis” (A Tempestade Ou o Livro Dos Dias). Muito bacana ouvir isso ao vivo.

Infelizmente, se o show estava redondo em cima do palco, a organização do mesmo não estava fora do palco. Bebidas com valores abusivos, vários caixas que não aceitavam pagamento com cartão e, o mais agravante de tudo, a casa estava uma verdadeira sauna. A galera estava pingando de suor e algumas pessoas chegaram a desmaiar por não aguentarem o calor lá dentro.

Mesmo com todos os transtornos, a performance do grupo agradou aos fãs que compareceram ao local. A banda ainda retornou para um bis. Na parte final, tivemos “Faroeste Caboclo”, “Perfeição” e “Que País É Esse?”, encerrando a noite. O show é bem respeitoso e está bem montado. A banda está muito bem ensaiada e o repertório é fantástico. Claro que Renato Russo era único e a galera não canta no mesmo nível, mas não estão fazendo feio. Assistir esse espetáculo em um local bem estruturado deve ser uma experiência bem interessante. Quem curte a banda, e tiver oportunidade, assista.