domingo, 27 de março de 2016

Jive Bunny & The Mastermixers – The Album (1989):



Por Davi Pascale

Amanhã irei comentar de mais um lançamento, mas hoje decidi que queria manter o clima de festas. O primeiro disco que me veio à cabeça foi justamente esse primeiro LP do Jive Bunny. Na época, me referia à ele como o disco do coelho. Em época de páscoa, difícil outro disco vir à memória...

Atualmente, anda uma febre enorme de DJ´s. Vários deles se apresentando em festivais. Outros dividindo palco com mega-artistas. Lembro que assisti o show de um DJ quando fui ao Estádio do Morumbi assistir a rainha do pop Madonna. Também estamos vendo várias artistas atacarem de DJ em festas. Não é de agora que a profissão se destaca. Nos anos 80, com a explosão das danceterias, houve uma febre do gênero por aqui. No Brasil, um rapaz que fez muito sucesso foi o Iraí Campos que, além de remixar canções de vários artistas de rock brasileiro, também comandou uma série de muito sucesso chamado O Som Das Pistas. Outra série que fez muito sucesso, e tem muito mais a ver com o nosso blog, é a do Jive Bunny.

Estou comentando de tudo isso porque foi exatamente nesse cenário que surgiu o álbum. No meio da explosão de movimentos como house music e acid house. Um DJ inglês que atendia pelo nome de Les Hemstock teve a ideia de reviver os anos dourados. Ou seja, os anos 50 e início dos anos 60. O período que é conhecido como o início do rock n´ roll. Teve a ideia de pegar as músicas daquela época e fazer um LP que pudesse ser tocado nas pistas de dança. Para isso, contou com a ajuda do produtor Andy Pickles e do gerente John Pickes (pai de Andy e, empresário da dupla e dono da gravadora Jive Records).

Trecho do videoclipe da época
Já disse diversas vezes que não consigo compreender a lógica de um show de DJ. Talvez seja um preconceito de minha parte, mas na minha cabeça, sempre foi uma profissão de balada ou de produtor, de dar uma nova cara à um som (como fizeram com “A Little Less Conversation” de Elvis Presley, alguns anos atrás). Mas verdade seja dita, existem vários trabalhos interessantes desses caras. Esse é um deles.

Jive Bunny And The Mastermixers era para ter sido, inicialmente, um compacto. Mas o projeto acabou ganhando vida e se transformando em um LP. Não apenas em um LP qualquer, mas em um sucesso da época. Alguns desses medleys atingiram as paradas. O remix mais famoso é o “Swing In The Mood”.

Como estava dizendo, o projeto nasceu no meio do turbilhão da dance music. A ideia era parecida. Pegavam um tema central, muitas vezes instrumental, para ir costurando as colagens realizadas através de samplers. Assim como ocorria nos megamixes do universo da música dançante.

O grande barato é que as músicas não foram descaracterizadas. Não foram sequer modernizadas. Pegaram uma batida e foram colando as músicas em torno dela. E, mais legal ainda, foram utilizadas as gravações originais. Ou seja, você ouve aqui as vozes de Jerry Lee Lewis, Little Richard, Chuck Berry, Bill Halley, Paul Anka... Todas as principais vertentes da época aparecem por aqui; a surf music, a doo wop, o rockabilly, o twist.

Capa do compacto

São 8 remixes no total. 4 em cada lado. “Swing In The Mood”, “Rock n Roll Party” e “That´s What I Like” privilegiam o rock n roll dos anos 50. Revivem aqui Chubby Checker, Elvis Presley, Jerry Lee Lewis, Bill Halley. “Lover´s Mix”, como o nome entrega, é voltado às músicas românticas. Aquelas músicas que o pessoal costumava dançar coladinhos nos bailes da escola: Paul Anka, Everly Brothers, The Tremeloes...

“Do You Wanna Dance” foge um pouquinho da temática principal e corre para os anos 70, revivendo os tempos do glitter com Suzi Quatro, Gary Glitter e T-Rex. “Hopping Mad” apostava nas canções alegres de The Crystals, Beach Boys e Herman´s Hermits. “Glenn Miller Medley” e “Swing Swisters Swing” são mais voltados para o jazz. Na maior parte do tempo, daquela sonoridade meia de big band.

The Album é um disco bem legal para ouvir em uma reunião familiar. Um trabalho bem feito, bem produzido, alegre, recheado de clássicos. Um disco que agrada as crianças e os adultos. Uma boa pedida para soltar essa noite nos alto-falantes. Fica a dica.

Faixas:
      01)   Swing In The Mood
      02)   Rock n Roll Party Mix
      03)   Lover´s Mix
      04)   Do You Wanna Rock
      05)   That´s What I Like
      06)   Glenn Miller Medley
      07)   Swing Sisters Swing 
      08)   Hopping Mad

sábado, 26 de março de 2016

Notícias do Rock


Fique por dentro dos principais acontecimentos do universo do rock n roll. Trocas de lineup? Novo álbum? Nova banda? Nova tour? Comentamos sobre tudo o que envolve a cena. Confira!

Axl Rose no AC/DC?



Todos foram pegos de surpresa quando foi anunciado que Brian Johnson seria forçado à se aposentar por perda de audição. E, agora, todos foram pegos de surpresa, mais uma vez. A banda ainda não oficializou, mas os boatos estão cada vez mais fortes. Ao que tudo indica, Axl Rose se juntará ao AC/DC para cumprir aqueles shows que haviam sido marcados e que Brian não tem condições de fazer. Como tudo que envolve o nome de Axl, a história é um mistério. Aguardaremos os próximos capítulos.


Álbum clássico do Metallica ganha edição de luxo



Dia 11 de Novembro chegará às lojas um box set com material do Kill ´Em All, álbum de estreia do Metallica. O valor de mercado está girando em torno de 150 dolares. A caixa virá acompanhado de 4 LP´s, 5 CD´s, 1 DVD e 1 livro de capa dura. Tudo com material da época do disco. O material é formado por mixagens alternativas, shows da época, entrevistas, EP´s, além do disco remasterizado, é claro.


Paulo Ricardo anuncia novo álbum e nova tour



O cantor Paulo Ricardo está prestes a lançar um novo disco. O cantor jura que o RPM segue na ativa e que em breve teremos novidades da banda. Enquanto esse dia não chega, Paulo lança novo álbum, monta uma nova banda e cai na estrada. Rock? Romantico? Dançante? Só saberemos quando estivermos com o disco em mãos. Fiquem ligados, pois escreverei sobre o álbum nessa página em breve. Aqueles que residem em São Paulo, podem ter uma previa do que está por vir em uma apresentação na casa Tom Brasil, hoje à noite.


Mike Portnoy: celebração em cruzeiro

 


Dia 20 de Abril de 2017, o baterista Mike Portnoy estará comemorando 50 anos. E o artista resolveu celebrar a data de uma maneira um tanto inusitada. Para comemorar seu aniversário, Portnoy anunciou um show em um cruzeiro. Ele promete um show formado somente com estrelas do rock, repassando musicas de toda sua trajetória. A apresentação será parte do anual Cruise To The Edge e ocorre de 7 à 11 de Fevereiro.



Motorhead + Saxon?



Os músicos Mikey Dee e Phil Campbell se unirão ao lendário Saxon para celebrarem Lemmy Kilmister. O evento V8 Thunder Car Series, ocorrido anualmente na Suecia, ganhará um novo nome esse ano: Lemmy 500. No dia 24 de Setembro após a tradicional corrida, o Saxon irá fazer um show e contará com a participação especial de Mikey e Phil. Juntos, relembrarão alguns dos grandes clássicos do Motorhead. Tomara que alguém filme isso!

sexta-feira, 25 de março de 2016

Stryper – Live In Japan (1986):



Por Davi Pascale

Sexta-feira santa! Dia de lembrarmos da crucificação e da morte de Jesus Cristo. Muitas pessoas optam por não comer carne vermelha no dia de hoje, mas não há nada que te proíba de ouvir um bom rock n roll. Ainda mais quando existem bandas com temática cristã, como essa que tratamos no post de hoje.

O Stryper é uma das mais populares bandas da cena de white metal. Foram a primeira banda do gênero a cruzarem território. Ou seja, saírem da cena local, irem além dos ouvintes de música cristã. E foi exatamente na época dessa apresentação. Seu segundo disco, Soldiers Under Command, foi o primeiro álbum do gênero à atingir disco de ouro. O LP vendeu, na época, pouco mais de 500.000 discos. Um número bem expressivo para a vertente, até então.

O trabalho foi lançado em 15 de Maio de 1985. O show foi gravado em 8 de Julho do mesmo ano. Ou seja, bem no momento da explosão, do alvoroço. O fato de ter sido filmado no Japão, faz com que a histeria seja ainda maior, ganhe ar de uma banda realmente grande. Por alguma razão, os japoneses são apaixonados por heavy metal. Pode notar que, até hoje, os grupos brasileiros comemoram quando há uma turnê por lá. O Viper, por exemplo, gravou seu primeiro álbum ao vivo (Live Maniacs In Japan) na terra do sol nascente.

Músicos tinham preocupação com figurino

Live In Japan foi gravado em 1985, mas só chegou às lojas em 1986. O material nunca foi lançado em vinil. Somente em VHS. Quem colecionava gravações de artistas de heavy metal nos anos 80 e início dos anos 90, eram familiarizados com esse vídeo e com o In The Beginning (filme com clipes e imagens de bastidores). Atualmente, a galera pode correr atrás de um bootleg prensado que atende pelo nome de The End Is The Beginning. O DVD traz as 2 fitas de vídeo e um show raro de 2006. A qualidade de imagem é ótima.

Como era comum entre as fitas da época, principalmente das bandas novatas, o registro não era muito longo. O vídeo dura aproximadamente 55 minutos. O show é uma paulada só. Pouquíssimas falas. Sem solo de bateria ou de guitarra. Som atrás de som. O setlist é super bem dosado. 6 músicas do Soldiers Under Command, 5 do Yellow And Black Attack. Só lamento que tenha ficado de fora “The Rock That Makes Me Roll” e “Reach Out”. Tirando essas, as demais músicas que são essenciais desse período estão aqui.

Haviam algumas mudanças em relação aos shows de hoje. Existiam algumas coreografias. Michael Sweet arriscava algumas dancinhas. Principalmente nas duas faixas onde não tocava guitarra: “Makes Me Wanna Sing” e “C´mon Rock”. Os músicos se vestiam todos iguais, utilizando as cores amarelo e preto, presentes também no palco.  Usavam os cabelos compridos e volumosos, como pedia o figurino. Certamente, o pessoal de igreja não aplaudia o visual dos rapazes tanto quanto aplaudiam a mensagem das letras. Após o letreiro, há algumas rápidas palavras dos músicos e o cantor manda. “Sei que nosso visual não é muito cristão, mas tenho certeza que Jesus julga as pessoas pelo coração e não por sua aparência”. Na real, o visual deles era exatamente o mesmo das bandas de hair metal da época.

A performance de Michael Sweet já chamava a atenção

A banda apostava em um heavy metal direto, mas nunca deixaram de fazer baladas. A escolhida desse show foi “First Love”. Porém, como todo bom grupo de rock, os destaques eram realmente nas porradarias. “Loud n Clear”, “You Know What To Do”, “Together Forever” e “Soldiers Under Command” são os grandes destaques do show.

Michael Sweet já se destacava no trabalho vocal. Canta o tempo todo com a voz para cima, arrisca alguns agudos. Também chamava a atenção na guitarra, embora nesse quesito o tresloucado Oz Fox fosse imbatível. Robert Sweet já tocava, ou melhor, socava sua bateria com o instrumento posicionado de lado. O público ia à loucura com a performance enérgica dos garotos.

A produção de palco era simples, porém eficiente. Logo da banda bem grande atrás do palco, iluminação correta. Ao contrário de vários grupos do segmento, os músicos não são de ficar pregando no microfone. O máximo que faziam era distribuir algumas bíblias em determinado momento do show. Algo que fazem até hoje. As mensagens estão nas letras. Talvez esse seja um dos motivos de conseguirem aproximar várias pessoas que não são exatamente religiosas para suas apresentações. Um show do Stryper é nada mais do que um show de heavy metal. Bumbo duplo, vocal gritado, duelos de guitarra, refrãos fáceis de cantar.

Foi através desse vídeo que me tornei fã do grupo, portanto posso dizer que serve de porta de entrada para quem não conhece a obra dos rapazes. Outra excelente porta de entrada é o magnífico álbum Against The Law, CD que conta com letras mais afastadas da temática religiosa, o que ajudou a perder um pouco de público na época, mas deixaremos isso para um futuro post. Coloque o DVD para rodar e boa sexta-feira santa.

Faixas:
      01)   Make Me Wanna Sing
      02)   Lound n Clear
      03)   From Wrong to Right
      04)   You Know What To Do
      05)   Surrender
      06)   Together Forever
      07)   First Love
      08)   Loving You
      09)   Soldiers Under Command
      10)   C´mon Rock 
      11)   Battle Hymn Of The Republic

quinta-feira, 24 de março de 2016

Álbuns Clássicos: Traveling Wilburys –Vol. 1 (1988)



Por Davi Pascale

Hoje, optei por não falar de um lançamento, mas sim de um álbum clássico. E coloca clássico nisso. O termo pode ser aplicado à sonoridade do disco (totalmente focado nas raízes do rock n roll), pode ser aplicado aos músicos envolvidos e principalmente por ter sobrevivido tão bem à prova do tempo.

Traveling Wilburys nasceu de maneira totalmente despretensiosa. George Harrison estava retornando à ativa depois de um hiato de 5 anos e havia recém-lançado o LP Cloud Nine. Um dos favoritos dos críticos e fãs. Particularmente, considero esse e o histórico All Things Must Pass seus melhores discos solo. Várias músicas ficaram na mente dos fãs: “Devil´s Radio”, “Got My Mind Set On You”, “When We Was Fab”....

Outra que é marcante é o hit “This Is Love”. E foi justamente essa canção, a responsável por juntar esses monstros do rock. Os executivos da gravadora procuraram o beatle pedindo uma faixa inédita para que pudessem utilizar como lado B do compacto. E é aí que nasce o histórico projeto Traveling Wilburys.

George estava sem nenhuma ideia para compor. Jeff Lynne (Electric Light Orchestra), que havia ajudado a produzir seu último disco, o aconselhou a entrar em contato com Bob Dylan e perguntar se havia a possibilidade de utilizarem o estúdio que havia construído em sua casa. O musico aceitou e disse que poderiam ficar o tempo que quisessem. Harrison e Lynne combinaram de se encontrar na casa de Dylan para tentar compor uma música. George Harrison sabia que Jeff estava trabalhando com um de seus maiores ídolos, o cantor Roy Orbison, e perguntou se existia a possibilidade dele aparecer por lá. Tudo acertado, saíram em caminho ao estúdio.

Disco foi o último álbum de Roy Orbison

No meio do trajeto, George Harrison, lembrou que não estava com nenhuma de suas guitarras no carro. Para não retornarem tudo, resolveram fazer uma rápida visita ao músico Tom Petty e questioná-lo se poderia emprestar uma de suas guitarras para a sessão. Assim que o musico soube que Dylan e Orbison estariam por lá, disse que gostaria de ir junto. Assim nascia o Traveling Wilburys.

Os músicos se juntaram. Cada um foi escrevendo um trecho, uma frase e assim nasceu “Handle With Care”. Ao entregar a canção para a gravadora, os executivos ficaram boquiabertos com o que tinham em mãos e decidiram que aquilo era grande demais para ser utilizado em um lado B de um compacto. Acabaram preenchendo o compacto com “Breath Away From Heaven”, uma faixa menor de Cloud 9. Como não eram bobos, questionaram se havia a possibilidade daquela reunião virar um disco. George Harrison se sentiu atraído com a oportunidade de voltar a trabalhar em grupo. Algo que não fazia desde os tempos dos Beatles. E tratou de persuadir os colegas.

Como todos eram amigos, não houve pressão, não havia ego. Todos tinham liberdade para compor ou para cantar. A gravação aproximou os músicos ainda mais. Talvez, por isso o resultado seja tão divertido. Os músicos levaram tão na brincadeira que resolveram apelidar a banda com uma piada interna. Jeff Lynne costuma dizer durante as gravações “we´ll bury in the mix” (iremos desaparecer com isso na mixagem). Por conta disso, começaram a se referir aos equipamentos do estúdio como wilburys. Daí veio a expressão. Incialmente se chamariam The Trembling Wilburys. Jeff Lynne sugeriu trocar Trembling por Traveling. Todos concordaram.

Projeto nasceu de maneira despretensiosa

Vol. 1 é um álbum bem variado. É fácil reconhecer as marcas principais dos compositores com uma rápida audição. Além de “Handle With Care”, fica nítida a as mãos de George Harrison em “End Of The Line” e “Heading for The Light”. Assim como também é fácil reconhecer as mãos de Dylan em “Dirty World” e “Tweeter And The Monkey Man”.

Os músicos seguiram sua tradição. Fizeram um LP com 10 faixas, pouco mais de 30 minutos de gravação, grande cuidado com as melodias vocais, fortes influências do folk e do início do rock  n roll. “Rattled” tem uma pegada bem rockabilly, bem anos 50. “Not Alone Anymore” traz todas as características de Roy Orbison. Parece ter vindo direto de algum disco do cantor. “Last Night” tem uma pegada meio reggae. É bem para cima.

O disco foi bem recebido. “Handle With Care” se tornou um grande sucesso. Infelizmente, a alegria duraria pouquíssimos meses. Em 6 de Dezembro de 1988, Roy Kelton Orbison, foi encontrado morto, vítima de uma parada cardíaca. A banda nunca se apresentou ao vivo. Em 1990, os quatro músicos sobreviventes se reuniram para fazer um segundo e último disco, mas deixaremos isso para outra oportunidade.

Faixas:
      01)   Handle With Care 
      02)   Dirty World
      03)   Rattled
      04)   Last Night
      05)   Not Alone Any More
      06)   Congratulations
      07)   Heading For The Light
      08)   Margarita
      09)   Tweeter And The Monkey Man
      10)   End Of The Line

quarta-feira, 23 de março de 2016

Davi: 5 Álbuns Que Mudaram Minha Vida

Alguns dias atrás, o Rafael listou 5 discos que ajudaram a moldar seu gosto musical. Resolvi fazer a minha. Acredito ser uma maneira de nossos leitores conhecerem um pouco mais de quem está por trás do blog. Claro que 5 discos, 5 artistas, são muito pouco para comentar de uma paixão de décadas. Optei por separar 5 que mudaram um pouco minha visão de música. No nosso caso, de rock. Confira!


Kiss – Creatures Of The Night

O primeiro álbum dessa lista não poderia ser outro. Esse foi o disco que me introduziu ao rock n roll. Isso lá nos anos 80, na época em que o vinil dominava o mercado, o rock dominava as rádios e CD sequer existia. Meu contato se deu em 1985, aos 3 anos de idade. Meu irmão costumava me assustar com a capa do disco. Um belo dia deixei de me esconder e pedi para que colocasse no toca-discos. Depois de ouvir o som explosivo da bateria de Eric Carr, a voz de trovão de Paul Stanley, a garra de Gene Simmons, minha vida nunca mais foi a mesma. Comecei a querer conhecer cada vez mais sobre o Kiss e sobre esse tal de rock n roll.


Beatles – Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band

Logo depois que conheci o Kiss, fiz ao meu pai a óbvia pergunta: qual a melhor banda de rock que existe? Meu pai respondeu: Beatles. Comecei pelos álbuns da fase iê-iê-iê, mas não demorou para que descobrisse a fase psicodélica dos 4 rapazes de Liverpool. Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band, me demonstrou que era possível juntar em um mesmo trabalho melodia, ousadia, experimentações, sem ser prepotente, sem soar cansativo. E, principalmente, que era possível fazer um belíssimo trabalho com muita criatividade e pouca tecnologia.


Ozzy Osbourne – Randy Rhoads Tribute

Se o Kiss despertou minha paixão pelo hard rock e os Beatles pelo rock clássico, quem me despertou para o heavy metal foi o Ozzy Osbourne. Nessa mesma época em que estava descobrindo o Kiss, meu irmão estava vivendo a fase Ozzy. Um dos primeiros VHS´s que compramos foi o The Ultimate Ozzy. Na época, esse vídeo era bem popular entre os fãs. No Brasil, chegou até a originar especial de TV. Depois de assistir ao vídeo, revirei os LPS. Os que mais me chamaram a atenção, naquela época, foram o Blizzard of Ozz e esse LP duplo ao vivo. Tudo me chamava a atenção. A energia, a atitude, a guitarra de Randy Rhoads soava mágica nos alto-falantes, sem contar no vocal inconfundível de Ozzy Osbourne. Setlist perfeito, capa marcante. Sempre que alguém me pede indicação de álbuns ao vivo, esse é um dos que cito de imediato.


Nirvana – Nevermind

Existe muita gente que fala que quem curte hard rock não pode ouvir grunge. Nunca dei bola para isso. Rock é rock. Bandas vem e vão. Cenas vem e vão. Desde que o mundo é mundo. Sempre gostei da cena dos anos 80. Tanto da cena de heavy metal, quanto da cena pop, quanto da cena de hard rock. Mas, Nirvana foi realmente algo marcante para quem viveu a época. Aqueles 3 malucos de Aberdeen traziam de volta as músicas de poucos acordes, a ideia de um contato mais direto com o público. Não importava se estavam tocando como headliner de um grande festival, ou em algum pequeno pub, a atitude era a mesma. Subiam despretensiosamente, faziam piadas, conversavam com o público. Os shows não contavam com nada mais do que os 3 músicos no palco. Nevermind mudou a cara da cena, abriu a porta para outros gigantes (Pearl Jam, Soundgarden, Alice In Chains...) e marcou músicas como “Smells Like Teen Spirit”, “Come As You Are”, “Lithium”, “Polly” na memória de milhares de pessoas. Mantinham elementos do rock alternativo de Bleach ao mesmo tempo em que demonstravam uma afinidade com o pop. Disco praticamente perfeito.


Titãs – Cabeça Dinossauro


Outra vertente que sempre curti foi o rock nacional. E também comecei a minha formação na minha infância. Começava a revirar os discos dos artistas que ia descobrindo pouco a pouco nas rádios e nos programas de TV. Foi assim que descobri – e virei fã – de artistas como Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Engenheiros do Hawaii, RPM, Ultraje a Rigor, Lobão, Lulu Santos, Marina Lima, Barão Vermelho... Um que me marcou foi os Titãs. Sempre rolava música deles nas rodas de violão das escolas, estavam sempre presente nas rádios. Essa cena dos anos 80 originou pelos menos uns 5 ou 6 discos que considero clássicos do rock brasileiro. Cabeça Dinossauro é um deles. As letras eram inteligentes, escrachadas, irônicas. O som era pesado, os músicos tinham uma puta atitude. Diversas faixas daqui foram trilha sonora daquela geração: “Polícia”, “Bichos Escrotos”, “O Que”, “Igreja”, “AA UU”... Se nos anos 90, os garotos aprendiam tocar guitarra com os riffs de Digão, nos anos 80 eram com os de Tony Belotto. Charles Gavin demonstrava ser um baterista eficiente e dono de uma bela pegada, mas o grande diferencial deles era o Arnaldo Antunes. Extremamente irreverente, com uma presença de palco única e letras que te faziam pensar. Cabeça Dinossauro iniciava uma nova etapa na carreira dos Titãs e na história do rock brasileiro. 

terça-feira, 22 de março de 2016

Autoramas – O Futuro dos Autoramas (2016):





Por Davi Pascale

Álbum criado através do sistema de crowdfunding é o primeiro da nova formação. Disco traz EP virtual de 2015, 8 músicas inéditas e muito rrrrock.

A nova formação, quase um supergroup, vem dividindo opinião entre os antigos fãs. Muitos ainda não aceitam a ideia de dois integrantes terem pedido as contas simultaneamente. Mas, ao que tudo indica, foi exatamente isso que rolou. A própria Flavia Couri já deu entrevista dizendo que ela pediu para sair e não houve briga envolvida.

Musicalmente falando, estão em um ótimo momento. Tive a oportunidade de assistir um show deles no ano passado. A banda estava com uma puta energia e os novos músicos casaram como uma luva na sonoridade do grupo. Frederico Castro (o Fred dos Raimundos) trouxe uma dose extra de peso. Érika Martins (ex-cantora do Penélope), além de ser a melhor voz feminina que já passou pelo grupo, trouxe um ar de teatralidade. Melvin (Carbona) tocava com bastante segurança. Sem duvida, atravessam um ótimo momento.

O Futuro dos Autoramas foi criado através do sistema de crowdfunding. Ou seja, com apoio de seus fieis seguidores. Essa galera que contribuiu com o disco (onde estou incluso), deverá receber o material no final de Abril, mas os músicos já disponibilizaram o disco na íntegra nas plataformas digitais. É por essa razão que estou fazendo essa resenha antes do disco chegar às lojas.

As influências do grupo permanecem as mesmas. A sujeira do noise, o pop da Jovem Guarda, a pegada rockabillly, o instrumental meio surf, os covers inusitados. Todas as características principais seguem intactas. Disco muito bem pensado.

A nova formação do Autoramas: Gabriel Thomaz, Erika Martins, Frederico Castro e Melvin

O casal Gabriel Thomaz e Erika Martins (sim, eles são casados) haviam criado um EP virtual pouco tempo atrás. A bateria havia sido gravada pelo Fred (que até então estava acompanhando a Erika em sua carreira-solo). Sendo assim, por que não utilizar o material? As 4 músicas do EP vieram para cá.

“Rolo Compressor” foi lançado originalmente em Modinhas, terceiro álbum solo da Erika. A linha vocal é a mesma, mas o arranjo ganhou uma dose extra de sujeira e experimentação. “Be My Baby” foi gravado originalmente pelas Ronettes, trio pop feminino produzido pelo lendário Phil Spector. Mas, ao contrario do que se pode imaginar, o vocal principal foi gravado pelo Gabriel. A música também ganhou um arranjo mais direto, com umas guitarras distorcidas, bem distante da música original. “A Sua Vinda Até Aqui” e “Demais” trazem uma pegada mais pop. Essa última me levou de volta aos tempos de Buganvilia por conta da linha vocal.

O disco traz ainda 8 gravações inéditas. As 4 primeiras são as melhores do disco. Quem já conferiu o show deles, certamente já ouviu as faixas “Verão”, “O Que Você Quer” e “Quando a Polícia Chegar”. Faixas que tinham de tudo para se tornarem grandes hits, caso ganhasse uma execução nas rádios. “What You Mean To Me” é uma balada onde a dupla divide o vocal, com um arranjo bem sutil, trazendo aquela pegada inocente do rock do início dos anos 60. Repleto de vocalizações, batida simples e direta. Um álbum do Autoramas não seria um álbum do Autoramas sem uma faixa surf instrumental. Aqui temos “Telecatch”, onde Gabriel deixa nítida sua influência de Dick Dale, The Chantays e The Ventures. Para encerrar, temos uma versão bem bacana de “Garotos II”, canção pop do primeiro LP solo do cantor/compositor Leoni (Kid Abelha, Heróis da Resistência). Todo mundo que viveu os anos 90, se lembra desse som.

O Futuro dos Autoramas traz tudo na dose certa. Músicas para sacudir o esqueleto, refrãos fáceis de memorizar e cantar junto, bateria direta e eficiente. A sujeira do noise, o vibrato do surf, a melodia do bubblegum. Quem curte o som dos rapazes pode ir sem medo. A formação mudou, mas a essência segue intacta. 

Nota: 7,5 / 10,0
Status: Consistente

Faixas:
      01)   Quando a Polícia Chegar
      02)   Problema Seu
      03)   Verão
      04)   O Que Que Você Quer
      05)   Demais
      06)   What You Mean To Me
      07)   Rolo Compressor
      08)   Be My Baby
      09)   Jet To The Jungle
      10)   A Sua Vinda Até Aqui
      11)   Telecatch  
      12)   Garotos II – O Outro Lado