sexta-feira, 25 de março de 2016

Stryper – Live In Japan (1986):



Por Davi Pascale

Sexta-feira santa! Dia de lembrarmos da crucificação e da morte de Jesus Cristo. Muitas pessoas optam por não comer carne vermelha no dia de hoje, mas não há nada que te proíba de ouvir um bom rock n roll. Ainda mais quando existem bandas com temática cristã, como essa que tratamos no post de hoje.

O Stryper é uma das mais populares bandas da cena de white metal. Foram a primeira banda do gênero a cruzarem território. Ou seja, saírem da cena local, irem além dos ouvintes de música cristã. E foi exatamente na época dessa apresentação. Seu segundo disco, Soldiers Under Command, foi o primeiro álbum do gênero à atingir disco de ouro. O LP vendeu, na época, pouco mais de 500.000 discos. Um número bem expressivo para a vertente, até então.

O trabalho foi lançado em 15 de Maio de 1985. O show foi gravado em 8 de Julho do mesmo ano. Ou seja, bem no momento da explosão, do alvoroço. O fato de ter sido filmado no Japão, faz com que a histeria seja ainda maior, ganhe ar de uma banda realmente grande. Por alguma razão, os japoneses são apaixonados por heavy metal. Pode notar que, até hoje, os grupos brasileiros comemoram quando há uma turnê por lá. O Viper, por exemplo, gravou seu primeiro álbum ao vivo (Live Maniacs In Japan) na terra do sol nascente.

Músicos tinham preocupação com figurino

Live In Japan foi gravado em 1985, mas só chegou às lojas em 1986. O material nunca foi lançado em vinil. Somente em VHS. Quem colecionava gravações de artistas de heavy metal nos anos 80 e início dos anos 90, eram familiarizados com esse vídeo e com o In The Beginning (filme com clipes e imagens de bastidores). Atualmente, a galera pode correr atrás de um bootleg prensado que atende pelo nome de The End Is The Beginning. O DVD traz as 2 fitas de vídeo e um show raro de 2006. A qualidade de imagem é ótima.

Como era comum entre as fitas da época, principalmente das bandas novatas, o registro não era muito longo. O vídeo dura aproximadamente 55 minutos. O show é uma paulada só. Pouquíssimas falas. Sem solo de bateria ou de guitarra. Som atrás de som. O setlist é super bem dosado. 6 músicas do Soldiers Under Command, 5 do Yellow And Black Attack. Só lamento que tenha ficado de fora “The Rock That Makes Me Roll” e “Reach Out”. Tirando essas, as demais músicas que são essenciais desse período estão aqui.

Haviam algumas mudanças em relação aos shows de hoje. Existiam algumas coreografias. Michael Sweet arriscava algumas dancinhas. Principalmente nas duas faixas onde não tocava guitarra: “Makes Me Wanna Sing” e “C´mon Rock”. Os músicos se vestiam todos iguais, utilizando as cores amarelo e preto, presentes também no palco.  Usavam os cabelos compridos e volumosos, como pedia o figurino. Certamente, o pessoal de igreja não aplaudia o visual dos rapazes tanto quanto aplaudiam a mensagem das letras. Após o letreiro, há algumas rápidas palavras dos músicos e o cantor manda. “Sei que nosso visual não é muito cristão, mas tenho certeza que Jesus julga as pessoas pelo coração e não por sua aparência”. Na real, o visual deles era exatamente o mesmo das bandas de hair metal da época.

A performance de Michael Sweet já chamava a atenção

A banda apostava em um heavy metal direto, mas nunca deixaram de fazer baladas. A escolhida desse show foi “First Love”. Porém, como todo bom grupo de rock, os destaques eram realmente nas porradarias. “Loud n Clear”, “You Know What To Do”, “Together Forever” e “Soldiers Under Command” são os grandes destaques do show.

Michael Sweet já se destacava no trabalho vocal. Canta o tempo todo com a voz para cima, arrisca alguns agudos. Também chamava a atenção na guitarra, embora nesse quesito o tresloucado Oz Fox fosse imbatível. Robert Sweet já tocava, ou melhor, socava sua bateria com o instrumento posicionado de lado. O público ia à loucura com a performance enérgica dos garotos.

A produção de palco era simples, porém eficiente. Logo da banda bem grande atrás do palco, iluminação correta. Ao contrário de vários grupos do segmento, os músicos não são de ficar pregando no microfone. O máximo que faziam era distribuir algumas bíblias em determinado momento do show. Algo que fazem até hoje. As mensagens estão nas letras. Talvez esse seja um dos motivos de conseguirem aproximar várias pessoas que não são exatamente religiosas para suas apresentações. Um show do Stryper é nada mais do que um show de heavy metal. Bumbo duplo, vocal gritado, duelos de guitarra, refrãos fáceis de cantar.

Foi através desse vídeo que me tornei fã do grupo, portanto posso dizer que serve de porta de entrada para quem não conhece a obra dos rapazes. Outra excelente porta de entrada é o magnífico álbum Against The Law, CD que conta com letras mais afastadas da temática religiosa, o que ajudou a perder um pouco de público na época, mas deixaremos isso para um futuro post. Coloque o DVD para rodar e boa sexta-feira santa.

Faixas:
      01)   Make Me Wanna Sing
      02)   Lound n Clear
      03)   From Wrong to Right
      04)   You Know What To Do
      05)   Surrender
      06)   Together Forever
      07)   First Love
      08)   Loving You
      09)   Soldiers Under Command
      10)   C´mon Rock 
      11)   Battle Hymn Of The Republic

quinta-feira, 24 de março de 2016

Álbuns Clássicos: Traveling Wilburys –Vol. 1 (1988)



Por Davi Pascale

Hoje, optei por não falar de um lançamento, mas sim de um álbum clássico. E coloca clássico nisso. O termo pode ser aplicado à sonoridade do disco (totalmente focado nas raízes do rock n roll), pode ser aplicado aos músicos envolvidos e principalmente por ter sobrevivido tão bem à prova do tempo.

Traveling Wilburys nasceu de maneira totalmente despretensiosa. George Harrison estava retornando à ativa depois de um hiato de 5 anos e havia recém-lançado o LP Cloud Nine. Um dos favoritos dos críticos e fãs. Particularmente, considero esse e o histórico All Things Must Pass seus melhores discos solo. Várias músicas ficaram na mente dos fãs: “Devil´s Radio”, “Got My Mind Set On You”, “When We Was Fab”....

Outra que é marcante é o hit “This Is Love”. E foi justamente essa canção, a responsável por juntar esses monstros do rock. Os executivos da gravadora procuraram o beatle pedindo uma faixa inédita para que pudessem utilizar como lado B do compacto. E é aí que nasce o histórico projeto Traveling Wilburys.

George estava sem nenhuma ideia para compor. Jeff Lynne (Electric Light Orchestra), que havia ajudado a produzir seu último disco, o aconselhou a entrar em contato com Bob Dylan e perguntar se havia a possibilidade de utilizarem o estúdio que havia construído em sua casa. O musico aceitou e disse que poderiam ficar o tempo que quisessem. Harrison e Lynne combinaram de se encontrar na casa de Dylan para tentar compor uma música. George Harrison sabia que Jeff estava trabalhando com um de seus maiores ídolos, o cantor Roy Orbison, e perguntou se existia a possibilidade dele aparecer por lá. Tudo acertado, saíram em caminho ao estúdio.

Disco foi o último álbum de Roy Orbison

No meio do trajeto, George Harrison, lembrou que não estava com nenhuma de suas guitarras no carro. Para não retornarem tudo, resolveram fazer uma rápida visita ao músico Tom Petty e questioná-lo se poderia emprestar uma de suas guitarras para a sessão. Assim que o musico soube que Dylan e Orbison estariam por lá, disse que gostaria de ir junto. Assim nascia o Traveling Wilburys.

Os músicos se juntaram. Cada um foi escrevendo um trecho, uma frase e assim nasceu “Handle With Care”. Ao entregar a canção para a gravadora, os executivos ficaram boquiabertos com o que tinham em mãos e decidiram que aquilo era grande demais para ser utilizado em um lado B de um compacto. Acabaram preenchendo o compacto com “Breath Away From Heaven”, uma faixa menor de Cloud 9. Como não eram bobos, questionaram se havia a possibilidade daquela reunião virar um disco. George Harrison se sentiu atraído com a oportunidade de voltar a trabalhar em grupo. Algo que não fazia desde os tempos dos Beatles. E tratou de persuadir os colegas.

Como todos eram amigos, não houve pressão, não havia ego. Todos tinham liberdade para compor ou para cantar. A gravação aproximou os músicos ainda mais. Talvez, por isso o resultado seja tão divertido. Os músicos levaram tão na brincadeira que resolveram apelidar a banda com uma piada interna. Jeff Lynne costuma dizer durante as gravações “we´ll bury in the mix” (iremos desaparecer com isso na mixagem). Por conta disso, começaram a se referir aos equipamentos do estúdio como wilburys. Daí veio a expressão. Incialmente se chamariam The Trembling Wilburys. Jeff Lynne sugeriu trocar Trembling por Traveling. Todos concordaram.

Projeto nasceu de maneira despretensiosa

Vol. 1 é um álbum bem variado. É fácil reconhecer as marcas principais dos compositores com uma rápida audição. Além de “Handle With Care”, fica nítida a as mãos de George Harrison em “End Of The Line” e “Heading for The Light”. Assim como também é fácil reconhecer as mãos de Dylan em “Dirty World” e “Tweeter And The Monkey Man”.

Os músicos seguiram sua tradição. Fizeram um LP com 10 faixas, pouco mais de 30 minutos de gravação, grande cuidado com as melodias vocais, fortes influências do folk e do início do rock  n roll. “Rattled” tem uma pegada bem rockabilly, bem anos 50. “Not Alone Anymore” traz todas as características de Roy Orbison. Parece ter vindo direto de algum disco do cantor. “Last Night” tem uma pegada meio reggae. É bem para cima.

O disco foi bem recebido. “Handle With Care” se tornou um grande sucesso. Infelizmente, a alegria duraria pouquíssimos meses. Em 6 de Dezembro de 1988, Roy Kelton Orbison, foi encontrado morto, vítima de uma parada cardíaca. A banda nunca se apresentou ao vivo. Em 1990, os quatro músicos sobreviventes se reuniram para fazer um segundo e último disco, mas deixaremos isso para outra oportunidade.

Faixas:
      01)   Handle With Care 
      02)   Dirty World
      03)   Rattled
      04)   Last Night
      05)   Not Alone Any More
      06)   Congratulations
      07)   Heading For The Light
      08)   Margarita
      09)   Tweeter And The Monkey Man
      10)   End Of The Line

quarta-feira, 23 de março de 2016

Davi: 5 Álbuns Que Mudaram Minha Vida

Alguns dias atrás, o Rafael listou 5 discos que ajudaram a moldar seu gosto musical. Resolvi fazer a minha. Acredito ser uma maneira de nossos leitores conhecerem um pouco mais de quem está por trás do blog. Claro que 5 discos, 5 artistas, são muito pouco para comentar de uma paixão de décadas. Optei por separar 5 que mudaram um pouco minha visão de música. No nosso caso, de rock. Confira!


Kiss – Creatures Of The Night

O primeiro álbum dessa lista não poderia ser outro. Esse foi o disco que me introduziu ao rock n roll. Isso lá nos anos 80, na época em que o vinil dominava o mercado, o rock dominava as rádios e CD sequer existia. Meu contato se deu em 1985, aos 3 anos de idade. Meu irmão costumava me assustar com a capa do disco. Um belo dia deixei de me esconder e pedi para que colocasse no toca-discos. Depois de ouvir o som explosivo da bateria de Eric Carr, a voz de trovão de Paul Stanley, a garra de Gene Simmons, minha vida nunca mais foi a mesma. Comecei a querer conhecer cada vez mais sobre o Kiss e sobre esse tal de rock n roll.


Beatles – Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band

Logo depois que conheci o Kiss, fiz ao meu pai a óbvia pergunta: qual a melhor banda de rock que existe? Meu pai respondeu: Beatles. Comecei pelos álbuns da fase iê-iê-iê, mas não demorou para que descobrisse a fase psicodélica dos 4 rapazes de Liverpool. Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band, me demonstrou que era possível juntar em um mesmo trabalho melodia, ousadia, experimentações, sem ser prepotente, sem soar cansativo. E, principalmente, que era possível fazer um belíssimo trabalho com muita criatividade e pouca tecnologia.


Ozzy Osbourne – Randy Rhoads Tribute

Se o Kiss despertou minha paixão pelo hard rock e os Beatles pelo rock clássico, quem me despertou para o heavy metal foi o Ozzy Osbourne. Nessa mesma época em que estava descobrindo o Kiss, meu irmão estava vivendo a fase Ozzy. Um dos primeiros VHS´s que compramos foi o The Ultimate Ozzy. Na época, esse vídeo era bem popular entre os fãs. No Brasil, chegou até a originar especial de TV. Depois de assistir ao vídeo, revirei os LPS. Os que mais me chamaram a atenção, naquela época, foram o Blizzard of Ozz e esse LP duplo ao vivo. Tudo me chamava a atenção. A energia, a atitude, a guitarra de Randy Rhoads soava mágica nos alto-falantes, sem contar no vocal inconfundível de Ozzy Osbourne. Setlist perfeito, capa marcante. Sempre que alguém me pede indicação de álbuns ao vivo, esse é um dos que cito de imediato.


Nirvana – Nevermind

Existe muita gente que fala que quem curte hard rock não pode ouvir grunge. Nunca dei bola para isso. Rock é rock. Bandas vem e vão. Cenas vem e vão. Desde que o mundo é mundo. Sempre gostei da cena dos anos 80. Tanto da cena de heavy metal, quanto da cena pop, quanto da cena de hard rock. Mas, Nirvana foi realmente algo marcante para quem viveu a época. Aqueles 3 malucos de Aberdeen traziam de volta as músicas de poucos acordes, a ideia de um contato mais direto com o público. Não importava se estavam tocando como headliner de um grande festival, ou em algum pequeno pub, a atitude era a mesma. Subiam despretensiosamente, faziam piadas, conversavam com o público. Os shows não contavam com nada mais do que os 3 músicos no palco. Nevermind mudou a cara da cena, abriu a porta para outros gigantes (Pearl Jam, Soundgarden, Alice In Chains...) e marcou músicas como “Smells Like Teen Spirit”, “Come As You Are”, “Lithium”, “Polly” na memória de milhares de pessoas. Mantinham elementos do rock alternativo de Bleach ao mesmo tempo em que demonstravam uma afinidade com o pop. Disco praticamente perfeito.


Titãs – Cabeça Dinossauro


Outra vertente que sempre curti foi o rock nacional. E também comecei a minha formação na minha infância. Começava a revirar os discos dos artistas que ia descobrindo pouco a pouco nas rádios e nos programas de TV. Foi assim que descobri – e virei fã – de artistas como Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Engenheiros do Hawaii, RPM, Ultraje a Rigor, Lobão, Lulu Santos, Marina Lima, Barão Vermelho... Um que me marcou foi os Titãs. Sempre rolava música deles nas rodas de violão das escolas, estavam sempre presente nas rádios. Essa cena dos anos 80 originou pelos menos uns 5 ou 6 discos que considero clássicos do rock brasileiro. Cabeça Dinossauro é um deles. As letras eram inteligentes, escrachadas, irônicas. O som era pesado, os músicos tinham uma puta atitude. Diversas faixas daqui foram trilha sonora daquela geração: “Polícia”, “Bichos Escrotos”, “O Que”, “Igreja”, “AA UU”... Se nos anos 90, os garotos aprendiam tocar guitarra com os riffs de Digão, nos anos 80 eram com os de Tony Belotto. Charles Gavin demonstrava ser um baterista eficiente e dono de uma bela pegada, mas o grande diferencial deles era o Arnaldo Antunes. Extremamente irreverente, com uma presença de palco única e letras que te faziam pensar. Cabeça Dinossauro iniciava uma nova etapa na carreira dos Titãs e na história do rock brasileiro. 

terça-feira, 22 de março de 2016

Autoramas – O Futuro dos Autoramas (2016):





Por Davi Pascale

Álbum criado através do sistema de crowdfunding é o primeiro da nova formação. Disco traz EP virtual de 2015, 8 músicas inéditas e muito rrrrock.

A nova formação, quase um supergroup, vem dividindo opinião entre os antigos fãs. Muitos ainda não aceitam a ideia de dois integrantes terem pedido as contas simultaneamente. Mas, ao que tudo indica, foi exatamente isso que rolou. A própria Flavia Couri já deu entrevista dizendo que ela pediu para sair e não houve briga envolvida.

Musicalmente falando, estão em um ótimo momento. Tive a oportunidade de assistir um show deles no ano passado. A banda estava com uma puta energia e os novos músicos casaram como uma luva na sonoridade do grupo. Frederico Castro (o Fred dos Raimundos) trouxe uma dose extra de peso. Érika Martins (ex-cantora do Penélope), além de ser a melhor voz feminina que já passou pelo grupo, trouxe um ar de teatralidade. Melvin (Carbona) tocava com bastante segurança. Sem duvida, atravessam um ótimo momento.

O Futuro dos Autoramas foi criado através do sistema de crowdfunding. Ou seja, com apoio de seus fieis seguidores. Essa galera que contribuiu com o disco (onde estou incluso), deverá receber o material no final de Abril, mas os músicos já disponibilizaram o disco na íntegra nas plataformas digitais. É por essa razão que estou fazendo essa resenha antes do disco chegar às lojas.

As influências do grupo permanecem as mesmas. A sujeira do noise, o pop da Jovem Guarda, a pegada rockabillly, o instrumental meio surf, os covers inusitados. Todas as características principais seguem intactas. Disco muito bem pensado.

A nova formação do Autoramas: Gabriel Thomaz, Erika Martins, Frederico Castro e Melvin

O casal Gabriel Thomaz e Erika Martins (sim, eles são casados) haviam criado um EP virtual pouco tempo atrás. A bateria havia sido gravada pelo Fred (que até então estava acompanhando a Erika em sua carreira-solo). Sendo assim, por que não utilizar o material? As 4 músicas do EP vieram para cá.

“Rolo Compressor” foi lançado originalmente em Modinhas, terceiro álbum solo da Erika. A linha vocal é a mesma, mas o arranjo ganhou uma dose extra de sujeira e experimentação. “Be My Baby” foi gravado originalmente pelas Ronettes, trio pop feminino produzido pelo lendário Phil Spector. Mas, ao contrario do que se pode imaginar, o vocal principal foi gravado pelo Gabriel. A música também ganhou um arranjo mais direto, com umas guitarras distorcidas, bem distante da música original. “A Sua Vinda Até Aqui” e “Demais” trazem uma pegada mais pop. Essa última me levou de volta aos tempos de Buganvilia por conta da linha vocal.

O disco traz ainda 8 gravações inéditas. As 4 primeiras são as melhores do disco. Quem já conferiu o show deles, certamente já ouviu as faixas “Verão”, “O Que Você Quer” e “Quando a Polícia Chegar”. Faixas que tinham de tudo para se tornarem grandes hits, caso ganhasse uma execução nas rádios. “What You Mean To Me” é uma balada onde a dupla divide o vocal, com um arranjo bem sutil, trazendo aquela pegada inocente do rock do início dos anos 60. Repleto de vocalizações, batida simples e direta. Um álbum do Autoramas não seria um álbum do Autoramas sem uma faixa surf instrumental. Aqui temos “Telecatch”, onde Gabriel deixa nítida sua influência de Dick Dale, The Chantays e The Ventures. Para encerrar, temos uma versão bem bacana de “Garotos II”, canção pop do primeiro LP solo do cantor/compositor Leoni (Kid Abelha, Heróis da Resistência). Todo mundo que viveu os anos 90, se lembra desse som.

O Futuro dos Autoramas traz tudo na dose certa. Músicas para sacudir o esqueleto, refrãos fáceis de memorizar e cantar junto, bateria direta e eficiente. A sujeira do noise, o vibrato do surf, a melodia do bubblegum. Quem curte o som dos rapazes pode ir sem medo. A formação mudou, mas a essência segue intacta. 

Nota: 7,5 / 10,0
Status: Consistente

Faixas:
      01)   Quando a Polícia Chegar
      02)   Problema Seu
      03)   Verão
      04)   O Que Que Você Quer
      05)   Demais
      06)   What You Mean To Me
      07)   Rolo Compressor
      08)   Be My Baby
      09)   Jet To The Jungle
      10)   A Sua Vinda Até Aqui
      11)   Telecatch  
      12)   Garotos II – O Outro Lado

segunda-feira, 21 de março de 2016

Dream Theater – The Astonishing (2016):



Por Davi Pascale

Novo álbum do Dream Theater chega às lojas brasileiras. Disco mantém nível de excelência dos músicos e traz algumas novidades. O trabalho deve dividir opiniões.

Comecei a acompanhar o Dream Theater quando eles lançaram o Images And Words, por indicação de um lojista da Aqualung (Galeria do Rock). Vim de lá para cá, acompanhando cada CD, cada VHS. Mais tarde, cada DVD. Embora considere Mike Mangini um excelente músico, sinto falta do Mike Portnoy. Principalmente no aspecto de composição, mas vamos lá...

The Astonishing é um pouco diferente daquilo que costumamos esperar do Dream Theater. Conta com coros, orquestrações, uma sonoridade mais limpa e com alguns momentos épicos. Considero-o mais próximo de uma Opera Rock do que um álbum de Prog Metal. Acho bacana quando o artista sai da zona de conforto. Quando dá a cara para bater.

Quando foi anunciado a relação das músicas e vi que se tratava de um projeto conceitual, imaginava que explorariam bastante o universo das vinhetas e manteriam as músicas longas. Essa é a primeira mudança. São pouquíssimos interludes. As músicas estão, em sua maioria, mais curtas mesmo. Nenhuma canção aqui com 15, 20, 30 minutos.

Outra mudança que notei foi o trabalho vocal de James LaBrie, explorando uma região mais baixa, sem atacar tanto a voz para cima. Mike Mangini, por outro lado, continuo esperando a revolução. Tem uma puta técnica, segurou muito bem a difícil tarefa de substituir Portnoy, mas em relação à criação me deixa a desejar. Me dá a impressão que cria pensando ‘o que Portnoy faria aqui’. Falta algo para marcar o território dele. Também gostaria de um maior cuidado na hora de registrar o som dos pratos.

Dream Theater solta álbum duplo conceitual

Como disse, o CD é conceitual. A história foi criada pelo guitarrista John Petrucci. Falando em linhas gerais, tudo ocorre em 2285. Nesse mundo imaginário, controlado pelo Grande Império do Norte, a música é totalmente criada por máquinas. Os humanos não têm mais influência na música produzida. E um grupo de rebeldes vai tentar tomar o lugar. O tema é bem atual. Realmente a música vêm ficando cada vez mais mecânica. Até mesmo nos métodos de gravação. Hoje em dia, é comum cada um gravar na sua cidade, em estúdios diferentes e mandar a gravação por e-mail. Algo inimaginável no início do rock n roll quando os músicos gravavam tocando ao vivo, um de frente para o outro. Entretanto, do jeito que a história foi construída, senti uma influência de 2112 (Rush). Será viagem minha ou será que a ideia nasceu daí?

Embora seja um álbum duplo, não é muuuuito longo. Pouco mais de 2horas. Dos álbuns realizados com Mike Mangini, esse foi o que mais me agradou. Já dos trabalhos conceituais, continuo considerando Metropolis Part 2: Scenes From a Memory, a melhor aventura dos garotos no gênero. O disco, contudo, é bem legal. Trabalho muito bem arranjado. Vale a pena ouvir com atenção acompanhando os detalhes, lendo as letras com calma. Existem vários momentos que são uma verdadeira viagem.

Justamente por essa abordagem mais diferenciada (vocal mais na manha, bastante momentos calmos, coros, influência épica, etc) acredito que muitos fãs irão torcer o nariz em um primeiro momento. O CD é bom, mas requer uma audição mais cuidadosa. Momentos de destaque: “The Gift of Music”, “Chosen”, “A New Beginning”, “Moment of Betrayal”, “ The Walking Shadow” e “Our New World”.

Nota: 7,5 / 10,0
Status: Diferenciado.

Faixas:
CD 01:
      01)   Descent Of The Nomacs
      02)   Dystoipian Overture
      03)   The Gift Of Music
      04)   The Answer
      05)   A Better Life
      06)   Lord Nafaryus
      07)   A Savior In The Square
      08)   When Your Time Has Come
      09)   Act Of Faythe
      10)   Three Days
      11)   The Hovering Sojourn
      12)   Brother, Can You Hear Me?
      13)   A Life Left Behind
      14)   Ravenskill
      15)   Chosen
      16)   A Tempting Offer
      17)   Digital Discord
      18)   The X Aspect
      19)   A New Beginning
      20)   The Road to Revolution

CD 02:
      01)   2285 Entr´Acte
      02)   Momento f Betrayal
      03)   Heaven´s Cove
      04)   Begin Again
      05)   The Path That Divides
      06)   Machine Chatter
      07)   The Walking Shadow
      08)   My Last Farewell
      09)   Losing Faythe
      10)   Whispers On The Wind
      11)   Hymn Of a Thousand Voices
      12)   Our New World
      13)   Power Down 
      14)   Astonishing

domingo, 20 de março de 2016

Os 5 álbuns que mudaram minha vida

Por Rafael Menegueti

Hoje decidi fazer um texto diferente. Em vez de uma resenha sobre algum disco novo ou coisa do tipo, optei por algo mais pessoal. Abro espaço agora para falar de álbuns que mexem mais com minha emoção do que com a razão (o que eu costumo usar para falar de música aqui no blog na maior parte do tempo). Preparei uma pequena lista de cinco discos que mudaram minha vida, não por serem geniais ou os melhores, mas por terem influenciado meu modo de ouvir música, meus gostos e marcado momentos importantes para mim.

Linkin Park – Hibrid Theory (2001)


Antes do Linkin Park eu ouvia música sem ligar muito pro que fosse. Pode parecer mentira, mas foram eles que me fizeram me interessar por rock de vez. Cheguei a comentar no primeiro post que fiz pro blog. Ouvia direto, repetidamente, sem parar. A mistura de elementos de metal e hip-hip, o peso dos riffs e os vocais eram os ingredientes principais para me tornar fã da banda. Até hoje, mesmo depois de me aprofundar muito mais no gênero e suas vertentes, considero este um dos álbuns de rock que mais me marcaram.


Silverchair – Diorama (2002)


Esse é o disco da minha vida. O meu favorito disparado, e provavelmente nunca perderá esse posto. Se o Linkin Park me trouxe de vez pro rock, foi com esse álbum do Silverchair que eu descobri o quanto o estilo pode ser abrangente entre peso e suavidade. Diorama me fez apreciar mais músicas com arranjos orquestrais, pianos e acústicas. E também me empolgava muito com as faixas mais agitadas, que mostravam influências claras de bandas como Black Sabbath. E a banda então virou minha favorita durante toda minha adolescência.



Epica – Design Your Universe (2009)


Há algum tempo eu desenvolvi uma certa predileção por algumas bandas com vocais femininos. Muitas delas fazem parte da cena do metal sinfônico, entre elas a que me fez começar a buscar mais desse universo, o Epica. Comprei o Design Your Universe quase às cegas, tendo ouvido apenas uma música da banda antes. Não me arrependi. Tudo nesse álbum me soa fantástico. O contraste dos belos vocais de Simone Simons com os guturais brutais de Mark Jansen, os solos, as orquestrações e os arranjos. Foi aqui que eu abri a porta para sonoridades ainda mais variadas dentro do metal.



Avenged Sevenfold – Avenged Sevenfold (2007)


A banda é uma das mais controversas, daquelas “ame ou odeie”, mas pra mim ela teve muita importância. Foi quando ouvi o álbum homônimo dos californianos do Avenged Sevenfold que eu me aproximei do metal mais atual que surgiu a partir dos anos 00 na América do Norte. Eles foram a porta de entrada pra que eu conhecesse muito da cena metalcore, e também do chamado “new wave of American heavy metal”, que eu ainda não havia experimentado. Nesse disco a banda explorou uma musicalidade muito maior do que nos anteriores, e por isso ele me agradou tanto.



Smashing Pumpkins – Siamese Dream (1993)



Outra de minhas paixões na música são bandas alternativas, principalmente as que surgiram entre o final dos anos 80 e anos 90. O Smashing Pumpkins figura entre uma de minhas favoritas até hoje. A sonoridade da banda sempre me causou arrepios, e Siamese Dream é o disco que possui muitas de minhas faixas favoritas da banda de Billy Corgan, que eu descobri enquanto assistia a um antigo programa de música que passava à noite na TV Cultura. Nem preciso falar da nostalgia que ouvir esse álbum me causa.


sábado, 19 de março de 2016

The Cult – Hidden City (2016):





Por Davi Pascale

The Cult volta à atacar. A trupe liderada por Ian Astbury e Billy Duffy, lança seu décimo álbum. Material é responsável por encerrar trilogia e traz uma banda forte remetendo à diferentes fases de sua carreira.

Nunca sabemos o que esperar do The Cult. Os caras podem parar do nada. Podem sair lançando disco atrás de disco. Podem seguir o som de álbum anterior. Podem vir com algo totalmente diferente daquilo que estávamos esperando.

No Brasil, sua fase mais popular é a fase com uma pegada mais hard rock (Electric-Ceremony), mas a discografia dos garotos vai mais além. Já tiveram uma pegada mais gótica, já flertaram com o eletrônico. Já fizeram de tudo um pouco. Hidden City é, provavelmente, seu disco mais variado. Aqui, encerram a trilogia iniciada no (ótimo) Born Into This (2007). Mas o novo álbum é um pouco menos para cima, um pouco mais sombrio, do que seus dois antecessores.

Os grandes destaques continuam sendo as guitarras de Billy Duffy e os vocais de Astbury. Vi algumas pessoas reclamando da voz dele. Não sei como está sua performance nos palcos, mas no disco, achei boa. Está dentro daquilo que esperava.

“Goat” e “Dark Energy” são as duas que trazem um arranjo mais hard, com um ar mais festivo. Nos levam imediatamente ao auge do grupo. “Birds of Paradise” e “In Blood” nos remetem aos anos iniciais, contando com uma forte influência de pós-punk. Enquanto faixas como “Hinterland” nos leva à fase U2. Como disse anteriormente, o álbum tem uma pegada meio sombria. E isso fica evidente em músicas como “No Love Lost”, “Lillies” ou “Sound And Fury” (essa, a mais fraca do CD, na minha opinião). 

Grupo retorna com álbum consistente e variado

O time que está em volta deles é sensacional. Na bateria, temos o monstro John Tempesta (Testament, White Zombie). No baixo, o experiente Chris Wyse (Mick Jagger, Ace Frehley). Na produção, mais uma vez, o lendário Bob Rock. Essa já é a quinta vez que trabalha com os garotos. Tiro certeiro. Sabe exatamente como tirar o melhor da banda. Embora usem referências ao passado, o disco tem um pé no presente. É como se fosse o velho Cult estivesse se adaptando ao hoje. 

Quem colocar Hidden City esperando se deliciar com um ótimo álbum de rock n´ roll, irá se satisfazer. Quem estiver esperando um álbum com uma sonoridade 80´s, algo como um novo Sonic Temple, um novo Electric, poderá se decepcionar. De minha parte, satisfeito! 

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Consistente e variado

Faixas:
      01)   Dark Energy
      02)   No Love Lost
      03)   Dance The Night
      04)   In Blood
      05)   Birds of Paradise
      06)   Hinterland
      07)   Goat
      08)   Deeply Ordered Chaos
      09)   Avalanche of Light
      10)   Lilies
      11)   Heathens  
      12)   Sound and Fury