segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Blind Guardian – Beyond the Red Mirror (2015):

A equipe do blog Riff Virtual se encontra de férias. Retomaremos nossas atividades no dia 20 de Janeiro. Enquanto essa data não chega, trazemos para vocês alguns de nossos melhores posts. Recordar é viver. Confira!

Por Rafael Menegueti


Se você é fã de power metal e não conhece Blind Guardian, tem algo de errado com você. Esses alemães são considerados um dos maiores expoentes do gênero. Com “Beyond the Red Mirror” a banda chega ao seu decimo álbum de estúdio, sendo que já se faziam cinco anos desde o ultimo lançamento inédito. A formula desse trabalho é a mesma já consagrada pela banda: músicas grandiosas, com vocais épicos e uma historia fantástica, em mais um álbum conceitual para fazer a cabeça de seus fãs.

O disco traz de volta um personagem e universo já explorados pela banda no disco “Imaginations From the Other Side”, lançado 20 anos atrás. O “espelho vermelho” citado no nome do álbum seria o único portal que interliga os dois mundos da historia, precisando ser encontrado a qualquer custo. A partir dai surge toda a fantasia e mitologia clássicas que dão forma às historias criadas por Hansi Kürsch. Se a historia já é um atrativo bem interessante, a música vem para complemente ainda mais a experiência dos ouvintes do disco.


A banda sabe como usar os elementos que seu estilo propõe. “Beyond the Red Mirror” é mais um festival de belas linhas de guitarra, corais, elementos orquestrais aliados com melodias fortes e impactantes, com uma levada dramática que casa perfeitamente com a aventura mostrada na historia. Na primeira faixa a banda já mostra esse seu universo sonoro com “The Ninth Wave”, bem viajada, com forte uso de corais na introdução e um refrão empolgante numa canção com mais de nove minutos de duração, mas que não cansa quem ouve.

O single “Twilight of the Gods” é uma pancada, frenética e com vocais elevados. O disco segue com a divertida “Prophecies”, onde a historia do disco começa a ganhar mais força, com o anuncio de tempos sombrios que estão por vir. “At the Edge of Time” já tem ritmo mais contagiante e é carregada pela forte orquestração. “Ashes of Eternity” apresenta um andamento mais caótico, com um peso que combina com o momento mais tenso da historia contada. “The Holy Grail” é outra porrada, com um refrão onde os vocais se destacam em parceria com os corais. “The Throne” é uma das melhores canções do álbum, com uma sonoridade épica, onde novamente os solos de guitarra e a orquestração se destacam ao longo de seus sete minutos.

O disco e a historia vão caminhando para sua conclusão e, quando entra “Sacred Mind”, temos um momento mais cadenciado, que logo progride para um ritmo acelerado e alucinante. “Miracle Machine” vem em seguida como a faixa mais calma do disco, levada por piano e mais da habilidade vocal de Hansi Kürsch aliada ao coral (meio ao estilo Queen até). Pra encerrar, vem o momento decisivo da historia com uma faixa a altura, “Grand Parade”, outra grande composição que corre por nove minutos intocável, sem deixar você pensar em desistir de ouvi-la.

É claro que “Beyond the Red Mirror” tem muito mais detalhes. O disco é um trabalho que traz mais uma historia rica, mais uma das grandes produções assinadas pela banda. Musicalmente ele não deixa a desejar em quase nada. Obvio que a melhor forma da banda é insubstituível, mas o Blind Guardian ainda sabe produzir discos grandiosos sem parecer chatos depois de tantos anos. Por isso, “Beyond the Red Mirror” conquistou os fãs e deu nova vida ao Blind Guardian após esses cinco anos de espera por algo novo. Resta agora esperar os shows no Brasil no segundo semestre.

Nota: 8,5/10
Status: empolgante e épico

Faixas:
01. The Ninth Wave
02. Twilight of the Gods
03. Prophecies
04. At the Edge of Time
05. Ashes of Eternity
06. The Holy Grail
07. The Throne
08. Sacred Mind
09. Miracle Machine
10. Grand Parade

domingo, 17 de janeiro de 2016

Kid Rock – First Kiss (2015):

A equipe do blog Riff Virtual se encontra de férias. Retomaremos nossas atividades no dia 20 de Janeiro. Enquanto essa data não chega, trazemos para vocês alguns de nossos melhores posts. Recordar é viver. Confira!



Por Davi Pascale

Kid Rock chega à seu décimo-segundo álbum de inéditas. Cada vez mais afastado da linguagem rap rock que o consagrou, o rapaz se destaca por linhas vocais fortes e canções cativantes. Prova, mais uma vez, ser um dos nomes mais interessantes da cena contemporânea.

O rapaz atingiu o estrelato em 1998 com seu quarto trabalho, Devil Without a Cause e foi acusado pela mídia de ser um branquelo metido à rapper. Na época, apostava em uma sonoridade que estava em bastante evidência: o flerte do rap com o rock n roll. Comecei a acompanhá-lo nesse período. Por mais que não costumasse lançar obras-primas, seus discos sempre traziam momentos interessantes. Mas, quando ele começou a me chamar a atenção mesmo foi em 2003 quando lançou um CD auto-intitulado flertando com o southern rock. A partir dele, seu trabalho veio amadurecendo cada vez mais.

Algo que sempre teve a seu favor foi a voz. Se você pegar uma banda como o Limp Bizkit, por exemplo (que estava em bastante evidência quando ele atingiu as rádios), você notará que Fred Durst é um cantor extremamente limitado. Kid Rock, de outro lado, tem uma voz forte, com um excelente timbre, que o permite se arriscar em novos caminhos. A primeira vez que notei que ele realmente sabia cantar foi em uma dessas premiações transmitidas pela TV, onde fez um dueto com o trio ZZ Top.

Kid Rock continua se utilizando de influências country

First Kiss está sendo vendido como um disco de heartland rock, assim como aconteceu com seus dois trabalhos anteriores: Born Free e Rebel Soul. Talvez, para muitos aqui no Brasil, esse seja um termo estranho. Não se preocupe se nunca ouviu falar disso. O termo é muito popular nos Estados Unidos. Há bastante similaridades com o southern rock. Trata-se de uma sonoridade mesclando country e rock, incluindo elementos de americana (termo que utilizam para se referir à música de raiz). A diferença é que aquele lado blues bastante presente na linguagem southern não aparece aqui.

Ou seja, a influência country continua a toda. Baladas como “Drinkin´ Beer With Dad” e “Say Goodbye” deixam escancarado sua preferência pelo gênero. Essa última, uma parceria com o músico Bob Seger. Kid Rock compôs 90% do disco, mas talvez muitos não tenham reparado, já que ele optou por assinar a produção do disco como Kid Rock e as composições por seu nome de batismo: Robert James Ritchie.

Dentro desse universo conhecido como heartland rock é permitido uma aproximação com elementos modernos, desde que sua sonoridade não seja descaracterizada. Desde os anos 80, vários artistas do gênero têm incorporado sintetizadores em sua música. Aqui, aparecem algumas baterias eletrônicas em faixas como “Good Times, Cheap Wine” e “Good Time Lookin´For Me”, mas sem perder aquela vibe roots. Essas batidas não são o elemento principal das canções, como acontece em boa parte das músicas pop atuais, são apenas um detalhe a mais. E, muitas vezes, são misturadas com o som de bateria acústica.

Seus últimos álbuns em nada lembram seus momentos de rapper

As letras dessa vertente costumam girar em cima de desilusões, nostalgia, oportunidades limitadas, em tom de narrativa e contando com uma linguagem mais ríspida. O cantor mantém o clima. O elemento nostalgia aparece já na faixa título (“Agora nesses dias em que eu dirijo nas pequenas cidades. Ligo meu rádio, desço a janela. Porque me recorda de meu primeiro beijo e daqueles dias que tanto sinto falta”). Não falta uma homenagem à um de seus grandes ídolos, Johnny Cash, em uma faixa que leva o nome do artista. A parte de desilusão aparece como uma crítica política em “Ain´t Enough Whiskey” (“Eles falam sobre o pobre, sobre enviar minha filha à guerra. Macacos de terno, escrevendo leis e regras. Parece não ter fim. Não ouvirei aqueles palhaços. Eu sei o que é certo).

Se você já ouviu seus discos mais recentes, já sabe mais ou menos o que esperar. Se você não conhece nada além dos hits “Cowboy”, “American Bad Ass” e “Bawitdaba” vale dar uma nova chance ao garoto. Kid Rock de hoje não tem nada a ver com o Kid Rock do final dos anos 90. Belo álbum!

Nota: 8,5 / 10,0
Status: Excelente!

Faixas:
      01)   First Kiss
      02)   Good Times, Cheap Wine
      03)   Johnny Cash
      04)   Ain´t Enough Whiskey
      05)   Drinkin´ Beer With Dad
      06)   Good Time Lookin´ For Me
      07)   Best Of Me
      08)   One More Song
      09)   Jesus and Bocephus
      10)   Say Goodbye (Bonus Track)

sábado, 16 de janeiro de 2016

Álbuns clássicos: The Gathering – Mandylion (1995):

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Por Rafael Menegueti

The Gathering - Mandylion
Recentemente, completou-se 20 anos do lançamento de um dos maiores álbuns de metal alternativo da década de 90, “Mandylion, dos holandeses do The Gathering. O disco consiste apenas de oito faixas, mas é considerado a maior obra-prima da banda. Apesar de ser o terceiro trabalho do grupo, é o primeiro a contar com a vocalista Anneke van Giersbergen, que viria a ser uma das maiores cantoras do rock alternativo holandês.

“Mandylion” é um disco onde a banda explora sua sonoridade de maneira decidida e coesa. O grupo, que apresenta uma mistura de elementos de doom e gothic metal, conseguiu fazer um disco com essas características sem soar excessivamente sombrio e arrastado. Ao invés disso, “Mandylion” é um álbum cheio de belas melodias, riffs consistentes e faixas com estruturas progressivas excelentes. Não à toa, é um disco que influenciou não só o gothic metal, mas varias outras vertentes similares do metal. Muito do que bandas sinfônicas, como Delain e Stream of Passion, ou góticas com vocal feminino, como Tristania e Draconian, apresentam em sua sonoridade, pode apostar que vem do que o The Gathering aprontava na década de 90, e que começou nesse álbum.

The Gathering em 1995
O disco levou apenas 15 dias para ser gravado. Todas as letras são de autoria de Anneke, que apresentou temas diversos, mas principalmente sobre a natureza humana e sentimentos relacionados a perda. Em seus vocais, a cantora conseguiu expor o sentimentalismo de suas letras de maneira única, em interpretações que claramente deixaram o disco ainda mais envolvente. A identidade que ela criou na banda a partir daí seria marcante, até sua saída da mesma em 2007, quando embarcou em uma ótima carreira solo, além de outros projetos.

Varias das músicas são faixas obrigatórias para qualquer fã da banda. “Strange Machines” abre o disco e é um clássico absoluto. A faixa possui um riff pesado que contrasta com a melodia contagiante da mesma. É até possível perceber uma certa influência de Black Sabbath nas levadas de guitarra. A música é tão popular que Anneke segue tocando ela até hoje em grande parte de suas apresentações após sair da banda. Alem dela, “Leaves” chama a atenção com sua ótima melodia, assim como “In Motion #1” e “#2”, e a atmosférica “Eléanor”.

Se você ainda não conhece o The Gathering e esse maravilhoso disco, vá atrás, mesmo que metal gótico e alternativo não seja tanto sua praia. O estilo inovador, com influências de varias vertentes e até new age, aliado a ótima técnica dos músicos e composições brilhantes fazem de “Mandylion” um álbum altamente recomendado, e até obrigatório, para os fãs de rock progressivo moderno, rock alternativo, atmosférico e metal gótico, e garanto que pode lhe agradar.

Nota: 10/10
Status: único e inovador

Faixas:
1. Strange Machines
2. Eléanor
3. In Motion #1
4. Leaves
5. Fear the Sea
6. Mandylion
7. Sand and Mercury
8. In Motion #2

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Paul McCartney: A Musicares Tribute (2015):

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Por Davi Pascale

Chega ao mercado brasileiro, show em homenagem ao eterno beatle Paul McCartney. Apresentação traz artistas de primeiro calibre com excelentes performances. Músicos não se prenderam aos arranjos originais.

Desde 1991, que a instituição Musicares homenageia algum artista em um evento chamadoPerson Of The Year. A regra é simples. Precisa ser alguém que tenha grande impacto na música e que defenda alguma causa filantrópica. Musicares é uma instituição que ajuda os músicos em relação à drogas, falta de grana, falta de moradia, permite que recebam tratamentos médicos... Uma espécie de retiro dos artistas. Em 2012, o sir Paul McCartney recebeu a honraria. Essa apresentação foi lançada em DVD e Blu-ray. Como não poderia deixar de ser, todo o dinheiro arrecadado com as vendas vai para a instituição. 

Paul toca no evento duas vezes: no início e no fim. Logo após uma pequena apresentação da turma do Cirque du Soleil interpretando um trecho do espetáculo Love, McCartney entra em cena ao som de “Magical Mistery Tour” e “Junior´s Farm”. Como sempre, sua performance é avassaladora. O rapaz demonstra que continua em plena forma e seus músicos são simplesmente impecáveis.

Entre os artistas escolhidos para homenageá-lo estavam gente da velha e da nova geração. O time de estrelas não focava os artistas mais rocks. Poucos deles tinham um passado roqueiro, para dizer a verdade. Se bem que muitos deles, tinham uma ligação com sua história de uma forma ou de outra. James Taylor é um amigo de longa data que fez sua estreia pelo selo da Apple. A jazzista Diana Krall chegou a gravar com o Paul no discoKisses On The Bottom. O brasileiro Sergio Mendes fez releitura de diversas canções dos Beatles em ritmo bossa nova. Norah Jones é filha de Ravi Shankar. Musico que influenciou os fab four. Como pode ver, tudo meio que em família.

Alicia Keys se destaca no show

Curiosamente, as duas apresentações que mais gostei foram justamente das artistas mais jovens: Alicia Keys e Norah Jones. Aliás, não me surpreenderia se Alicia recebesse essa homenagem daqui alguns anos. Além de ter uma grande popularidade nos EUA, a garota é co-fundadora da Keep a Child Alive. Uma organização sem fins lucrativos que tem como preocupação fazer chegar medicamentos às famílias portadoras do vírus HIV na África. Alicia roubou a cena no show com uma performance lindíssima de “Blackbird”. Sozinha no palco. Um piano, um microfone e nada mais. Outra que roubou a cena foi Norah Jones com uma versão matadora de “Oh, Darling”. Essa, entretanto, veio acompanhada dos músicos do Paul.

Alison Krauss também fez bonito com sua interpretação de “No More Lonely Nights”, enquanto Neil Young trouxe o rock à tona com uma eletrizante versão de “I Saw Her Standing There”. Algo muito bacana dessas performances é que os músicos deram uma cara deles, imprimiram sua marca, mas sempre de maneira extremamente respeitosa. Outra apresentação lindíssima foi a de Diana Krall interpretando “For No One”. A decepção ficou por conta da apresentação sem sal do Sergio Mendes e da não mais do que correta performance do Coldplay.

No final do show, McCartney retorna ao palco para mais 3 sons: “My Valentine”, “Nineteen Hundred and Eighty Five” e a clássica dobradinha de “Golden Slumbers/Carry That Weight/The End”. Nesse último número, sobem ao palco Dave Grohl (Foo Fighters) e Joe Walsh (Eagles) para acompanhá-lo. Simplesmente mortal! O espetáculo, na maior parte do tempo, tem uma pegada mais intimista, com arranjos calmos, mas conta com um profissionalismo fora do comum. Recomendado à todos os fãs da boa música.

Nota: 10,0 / 10,0
Status: Profissionalíssimo

Faixas:
      01)   Get Back/Hello Goodbye/ Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band – Cirque Du Soleil
      02)   Magical Mistery Tour – Paul McCartney
      03)   Junior´s Farm – Paul McCartney
      04)   Blackbird – Alicia Keys
      05)   No More Lonely Nights – Alisson Krauss & Union Station
      06)   And I Love Her – Duane Eddy
      07)   Oh! Darling – Norah Jones
      08)   I Saw Her Standing There – Neil Young And Crazy Horse
      09)   The Fool On The Hill – Sergio Mendes
      10)   We Can Work It Out – Coldplay
      11)   Yesterday – James Taylor & Diana Krall
      12)   For No One – Diana Krall & James Taylor
      13)   My Valentine – Paul McCartney
      14)   Nineteen Hundred And Eighty Five – Paul McCartney
      15)   Golden Slumbers/Carry That Weight/The End – Paul McCartney

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Foo Fighters – Saint Cecilia EP (2015):

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Por Rafael Menegueti


O Foo Fighters havia inserido há algumas semanas no seu site oficial uma contagem regressiva que havia deixado muitos fãs intrigados sobre o que seria. Pois ontem o mistério acabou, e após o fim da contagem foi revelado um novo EP da banda para download gratuito. “Saint Cecilia” foi produzido para “celebrar a vida e a música”, segundo a própria banda, mas após os incidentes de Paris ocorridos no ultimo dia 13, ele passou a ter também outro significado. A banda disponibilizará o EP também em vinil, com as vendas sendo repassadas para as vitimas dos atentados na França.

O lançamento que marca o fim da turnê mundial do álbum “Sonic Highways” possui cinco faixas. Cada uma delas parece ter uma faceta da sonoridade que a banda de Dave Grohl apresentou durante todos esses anos. E isso parece ser facilmente explicado pelo fato de algumas delas já terem sido compostas há algum tempo. Mas mesmo assim, elas tem um frescor de composições tão atuais quanto as mais recentes.

Dave Grohl durante as gravações do EP
O EP é aberto com a faixa-título, com a guitarra e voz de Dave introduzindo uma canção com pegada leve e pop, que nos remete a fase “One By One”. Em seguida vem “Sean”, uma faixa mais agitada e que mantem um ritmo contagiante e uma melodia bem característica de composições da banda. O trabalho de guitarra dessa música é bem interessante. A terceira canção é “Savior Breath”, uma faixa claramente influenciada por uma sonoridade ao estilo Motörhead nos riffs e versos, sendo uma composição bem próxima de algumas faixas mais recentes do grupo.

Capa da versão em vinil
Em “Iron Rooster” aparece mais uma vez a habilidade do grupo de criar canções com melodias leves e agradáveis sem deixar de lado as boas linhas de guitarra que o trio Dave, Chris e Pat conseguem criar quando se entrosam. O EP é encerrado com a faixa “The Neverending Sigh”, cuja introdução servia de fundo para a contagem regressiva no site, e se trata de uma faixa mais aprofundada, com uma ótima pegada e um estilo de rock que é a cara do grupo.

Com esse trabalho surpresa, a banda parece encerrar mais um ciclo, dentre os tantos que a banda já passou. Até pelo tom da carta que Dave Grohl postou ao apresentar esse novo trabalho, dando a entender que a banda irá agora começar uma nova jornada, dá pra ver que esse EP é uma celebração de vários elementos e características que tornam o som do Foo Fighters único. “Saint Cecilia” é uma perfeita amostra da capacidade do Foo Fighters, e sendo para celebrar a música da banda, pode ter certeza que todos os fãs deverão gostar.

Nota: 9/10
Status: Na medida

Faixas:
01. Saint Cecilia
02. Sean
03. Savior Breath
04. Iron Rooster
05. The Neverending Sigh

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Lafayette e os Tremendões – A Nova Guarda (2015):

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Por Davi Pascale

Músicos da geração anos 90/00 se unem à figura emblemática da Jovem Guarda. Em seu segundo álbum, músicos apostam em canções inéditas onde tentam reviver o início do rock brasileiro.

Aposto que muitos de vocês devem estar se perguntando: Afinal, quem é Lafayette? Lafayette é lembrado por muitos como o rapaz que gravava ao lado de Roberto Carlos na época da Jovem Guarda. Na real, ele gravava com a maior parte dos artistas do movimento. Chegou a participar de discos de diferentes artistas como Martinha, Wanderléa, Golden Boys, Jerry Adriani, Renato e Seus Blue Caps, só para citar alguns. Muitos defendem a idéia de que a Jovem Guarda não teria sido a mesma sem sua contribuição.

O músico, que já está com mais de 70 anos, se uniu ao grupo Os Tremendões em 2004, por acaso. Gabriel Thomaz assistiu à uma apresentação do tecladista em um shopping center e o convidou para comparecer ao ensaio de uma banda que havia criado para tocar canções daquela época. Para a surpresa de todos, ele apareceu, levou um som com os garotos e decidiu ficar no conjunto. Cinco anos depois, chegava às lojas o primeiro CD. As 15 Super Quentes trazia releitura de velhas canções daqueles tempos. Agora, lançam seu primeiro trabalho autoral.

O time é formado por Nervoso (Acabou La Tequila), Renato Martins (Canastra), Melvin Ribeiro (Carbona), Érika Martins (Penélope), Raphael Miranda (Luxuria), Gabriel Thomaz (Autoramas) e, é claro, Lafayette.

Músicos resgatam espírito da Jovem Guarda em novo CD

Em A Nova Guarda, os garotos tentam recriar a sonoridade da época. Mantiveram a batida das canções e a inocência das letras (embora os assuntos remetam à temas atuais). E, é claro, que o famoso tecladista não se reinventou. Segue a risca fazendo aquilo que se espera dele, utilizando o mesmo instrumento que sempre utilizou: seu famoso órgão Hammond B-3. Embora o projeto tenha nascido da cabeça de Gabriel Thomaz, a maior parte das composições são de Renato. 

“As Canções da Minha Idade” traz um vocal declamado, assim como Roberto Carlos fez em “Não Quero Ver Você Triste Assim”. O numero instrumental “A Nova Guarda de Lafayette e os Tremendões” nos remetem à grupos como The Clevers e The Jordans. “Eu Tenho Mil Garotas” é uma balada com uma levada meio anos 50, assim como ocorria em canções como “O Ritmo da Chuva” (Demétrius).

Os vocais são divididos ente Erika, Gabriel, Nervoso e Renato.  “Só Verão”, que conta com um teclado com fortes referências de “Quero Que Vá Tudo Pro Inferno” (tentem adivinhar o porquê), traz uma linha vocal meio brega, no melhor sentido da palavra. Nervoso soa como uma mistura entre Roberto Carlos e Reginaldo Rossi (fase rock). Erika Martins se destaca em “Tem Quem Quer”, enquanto seu marido Gabriel Thomaz se sobressai no rock “Decisão”.  

A Nova Guarda é um álbum despretensioso, alegre e bem feito. Certamente irá agradar não apenas aqueles que são fãs dos músicos que participam do projeto (grupos como Autoramas e Penélope nunca esconderam a admiração que tinham pela Jovem Guarda), como aqueles que viveram e sentem um pouco de saudades daquela época. Recomendado à nova e à velha guarda.

Nota: 7,5 / 10,0
Status: Alegre

Faixas:
      01)   A Nova Guarda de Lafayette e Os Tremendões
      02)   Só Verão
      03)   Eu Tenho Mil Garotas
      04)   Deixa Que Eu Deixo
      05)   Pra Viver do Seu Lado
      06)   Não Vale Mais Nada
      07)   Tem Quem Quer
      08)   Te Vejo Nos Meus Sonhos
      09)   As Canções da Minha Idade
      10)   Decisão

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Daniel Johns – Aerial Love EP (2015):

A equipe do blog Riff Virtual se encontra de férias. Retomaremos nossas atividades no dia 20 de Janeiro. Enquanto essa data não chega, trazemos para vocês alguns de nossos melhores posts. Recordar é viver. Confira!

Por Rafael Menegueti

Daniel Johns - Aerial Love EP
Vou começar essa resenha sendo bem direto: se você é um fã do Silverchair, das guitarras e das canções fortes e empolgantes, é bem provável que o primeiro registro solo de Daniel Johns não vá te agradar. Depois de um bom tempo longe dos holofotes, exceto por uma trilha sonora aqui ou uma colaboração ali, o (ex?) vocalista do Silverchair lança “Aerial Love”, um EP com quatro faixas que nem de perto lembram o rock que fez da banda australiana um sucesso mundial.

Daniel é o tipo de músico que gosta de deixar claro que faz música para satisfazer a si mesmo e suas ambições musicais, e não aos outros. Em “Aerial Love”, portanto, sua intenção foi mostrar uma faceta moderna de sua criatividade. Um estilo alternativo, que une elementos de R&B, pop e eletrônico. O mais próximo que esse trabalho chega de qualquer coisa que ele já tenha lançado antes talvez seja o grupo Dissociatives, de 2004, mas mesmo assim a distancia ainda é considerável.

Se para um fã dos trabalhos de Johns com suas bandas antigas o EP pode soar decepcionante pela mudança de estilo, o mesmo talvez não se aplique ao trabalho musicalmente como um todo. Analisando as composições do músico australiano por um outro ângulo, sem o olhar de fã de Silverchair que eu sou, “Aerial Love” tem elementos modernos e interessantes, que podem fazer do EP um novo e promissor rumo na carreira musical de Johns.

Esse é o primeiro trabalho solo nos mais de 20 anos de carreira de Daniel Johns
O uso de piano, sintetizadores e batidas leves torna as músicas agradáveis e fáceis de ouvir. A voz de Daniel é suave, e o cantor abusa de falsetes e notas altas, mas sem um esforço muito maior ou complexidade. Aliado a essa musicalidade simples, o que acompanhamos são canções lentas e até cativantes, mas sem algo de muito inovador. Nenhuma das músicas é exatamente marcante, inesquecível, mas são boas dentro do estilo e ideia que se propõem. A faixa-título, música que havia sido lançada no final de janeiro, é apresentada como principal do EP. Honestamente, gostei mais de “Last Night Drive”, bem mais cativante e próxima de um rock leve. “Preach” é mais arrastada, e tem nos vocais de Johns seu principal elemento. “Surrender” me pareceu a mais fraquinha, com um refrão um tanto pegajoso.

Daniel conseguiu fazer de seu primeiro trabalho solo uma boa demonstração de seu talento, de sua habilidade como cantor e de sua criatividade. O EP prova de uma vez por todas que seu compromisso é com a arte que ele quer fazer, e não com a que se espera dele. Só poderia ter sido mais empolgante, mais agitado. É um tanto frustrante pensar que o resultado de tanto tempo de espera de seus fãs tenha sido músicas lentas e simples. Ele poderia ter feito mais, pois ele sabe fazer mais. Espero que ele tenha guardado o melhor para o seu primeiro álbum completo, a ser lançado no segundo semestre. Mais agitação e um pouco mais de empolgação, dai poderemos ter certeza de que acompanhar Daniel Johns em carreira solo valerá mesmo a pena.

Nota: 5,5/10
Status: ousado, mas insosso.

Faixas:
1. Preach
2. Aerial Love
3. Surrender
4. Last Night Drive