sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Paul McCartney: A Musicares Tribute (2015):

A equipe do blog Riff Virtual se encontra de férias. Retomaremos nossas atividades no dia 20 de Janeiro. Enquanto essa data não chega, trazemos para vocês alguns de nossos melhores posts. Recordar é viver. Confira!



Por Davi Pascale

Chega ao mercado brasileiro, show em homenagem ao eterno beatle Paul McCartney. Apresentação traz artistas de primeiro calibre com excelentes performances. Músicos não se prenderam aos arranjos originais.

Desde 1991, que a instituição Musicares homenageia algum artista em um evento chamadoPerson Of The Year. A regra é simples. Precisa ser alguém que tenha grande impacto na música e que defenda alguma causa filantrópica. Musicares é uma instituição que ajuda os músicos em relação à drogas, falta de grana, falta de moradia, permite que recebam tratamentos médicos... Uma espécie de retiro dos artistas. Em 2012, o sir Paul McCartney recebeu a honraria. Essa apresentação foi lançada em DVD e Blu-ray. Como não poderia deixar de ser, todo o dinheiro arrecadado com as vendas vai para a instituição. 

Paul toca no evento duas vezes: no início e no fim. Logo após uma pequena apresentação da turma do Cirque du Soleil interpretando um trecho do espetáculo Love, McCartney entra em cena ao som de “Magical Mistery Tour” e “Junior´s Farm”. Como sempre, sua performance é avassaladora. O rapaz demonstra que continua em plena forma e seus músicos são simplesmente impecáveis.

Entre os artistas escolhidos para homenageá-lo estavam gente da velha e da nova geração. O time de estrelas não focava os artistas mais rocks. Poucos deles tinham um passado roqueiro, para dizer a verdade. Se bem que muitos deles, tinham uma ligação com sua história de uma forma ou de outra. James Taylor é um amigo de longa data que fez sua estreia pelo selo da Apple. A jazzista Diana Krall chegou a gravar com o Paul no discoKisses On The Bottom. O brasileiro Sergio Mendes fez releitura de diversas canções dos Beatles em ritmo bossa nova. Norah Jones é filha de Ravi Shankar. Musico que influenciou os fab four. Como pode ver, tudo meio que em família.

Alicia Keys se destaca no show

Curiosamente, as duas apresentações que mais gostei foram justamente das artistas mais jovens: Alicia Keys e Norah Jones. Aliás, não me surpreenderia se Alicia recebesse essa homenagem daqui alguns anos. Além de ter uma grande popularidade nos EUA, a garota é co-fundadora da Keep a Child Alive. Uma organização sem fins lucrativos que tem como preocupação fazer chegar medicamentos às famílias portadoras do vírus HIV na África. Alicia roubou a cena no show com uma performance lindíssima de “Blackbird”. Sozinha no palco. Um piano, um microfone e nada mais. Outra que roubou a cena foi Norah Jones com uma versão matadora de “Oh, Darling”. Essa, entretanto, veio acompanhada dos músicos do Paul.

Alison Krauss também fez bonito com sua interpretação de “No More Lonely Nights”, enquanto Neil Young trouxe o rock à tona com uma eletrizante versão de “I Saw Her Standing There”. Algo muito bacana dessas performances é que os músicos deram uma cara deles, imprimiram sua marca, mas sempre de maneira extremamente respeitosa. Outra apresentação lindíssima foi a de Diana Krall interpretando “For No One”. A decepção ficou por conta da apresentação sem sal do Sergio Mendes e da não mais do que correta performance do Coldplay.

No final do show, McCartney retorna ao palco para mais 3 sons: “My Valentine”, “Nineteen Hundred and Eighty Five” e a clássica dobradinha de “Golden Slumbers/Carry That Weight/The End”. Nesse último número, sobem ao palco Dave Grohl (Foo Fighters) e Joe Walsh (Eagles) para acompanhá-lo. Simplesmente mortal! O espetáculo, na maior parte do tempo, tem uma pegada mais intimista, com arranjos calmos, mas conta com um profissionalismo fora do comum. Recomendado à todos os fãs da boa música.

Nota: 10,0 / 10,0
Status: Profissionalíssimo

Faixas:
      01)   Get Back/Hello Goodbye/ Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band – Cirque Du Soleil
      02)   Magical Mistery Tour – Paul McCartney
      03)   Junior´s Farm – Paul McCartney
      04)   Blackbird – Alicia Keys
      05)   No More Lonely Nights – Alisson Krauss & Union Station
      06)   And I Love Her – Duane Eddy
      07)   Oh! Darling – Norah Jones
      08)   I Saw Her Standing There – Neil Young And Crazy Horse
      09)   The Fool On The Hill – Sergio Mendes
      10)   We Can Work It Out – Coldplay
      11)   Yesterday – James Taylor & Diana Krall
      12)   For No One – Diana Krall & James Taylor
      13)   My Valentine – Paul McCartney
      14)   Nineteen Hundred And Eighty Five – Paul McCartney
      15)   Golden Slumbers/Carry That Weight/The End – Paul McCartney

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Foo Fighters – Saint Cecilia EP (2015):

A equipe do blog Riff Virtual se encontra de férias. Retomaremos nossas atividades no dia 20 de Janeiro. Enquanto essa data não chega, trazemos para vocês alguns de nossos melhores posts. Recordar é viver. Confira!

Por Rafael Menegueti


O Foo Fighters havia inserido há algumas semanas no seu site oficial uma contagem regressiva que havia deixado muitos fãs intrigados sobre o que seria. Pois ontem o mistério acabou, e após o fim da contagem foi revelado um novo EP da banda para download gratuito. “Saint Cecilia” foi produzido para “celebrar a vida e a música”, segundo a própria banda, mas após os incidentes de Paris ocorridos no ultimo dia 13, ele passou a ter também outro significado. A banda disponibilizará o EP também em vinil, com as vendas sendo repassadas para as vitimas dos atentados na França.

O lançamento que marca o fim da turnê mundial do álbum “Sonic Highways” possui cinco faixas. Cada uma delas parece ter uma faceta da sonoridade que a banda de Dave Grohl apresentou durante todos esses anos. E isso parece ser facilmente explicado pelo fato de algumas delas já terem sido compostas há algum tempo. Mas mesmo assim, elas tem um frescor de composições tão atuais quanto as mais recentes.

Dave Grohl durante as gravações do EP
O EP é aberto com a faixa-título, com a guitarra e voz de Dave introduzindo uma canção com pegada leve e pop, que nos remete a fase “One By One”. Em seguida vem “Sean”, uma faixa mais agitada e que mantem um ritmo contagiante e uma melodia bem característica de composições da banda. O trabalho de guitarra dessa música é bem interessante. A terceira canção é “Savior Breath”, uma faixa claramente influenciada por uma sonoridade ao estilo Motörhead nos riffs e versos, sendo uma composição bem próxima de algumas faixas mais recentes do grupo.

Capa da versão em vinil
Em “Iron Rooster” aparece mais uma vez a habilidade do grupo de criar canções com melodias leves e agradáveis sem deixar de lado as boas linhas de guitarra que o trio Dave, Chris e Pat conseguem criar quando se entrosam. O EP é encerrado com a faixa “The Neverending Sigh”, cuja introdução servia de fundo para a contagem regressiva no site, e se trata de uma faixa mais aprofundada, com uma ótima pegada e um estilo de rock que é a cara do grupo.

Com esse trabalho surpresa, a banda parece encerrar mais um ciclo, dentre os tantos que a banda já passou. Até pelo tom da carta que Dave Grohl postou ao apresentar esse novo trabalho, dando a entender que a banda irá agora começar uma nova jornada, dá pra ver que esse EP é uma celebração de vários elementos e características que tornam o som do Foo Fighters único. “Saint Cecilia” é uma perfeita amostra da capacidade do Foo Fighters, e sendo para celebrar a música da banda, pode ter certeza que todos os fãs deverão gostar.

Nota: 9/10
Status: Na medida

Faixas:
01. Saint Cecilia
02. Sean
03. Savior Breath
04. Iron Rooster
05. The Neverending Sigh

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Lafayette e os Tremendões – A Nova Guarda (2015):

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Por Davi Pascale

Músicos da geração anos 90/00 se unem à figura emblemática da Jovem Guarda. Em seu segundo álbum, músicos apostam em canções inéditas onde tentam reviver o início do rock brasileiro.

Aposto que muitos de vocês devem estar se perguntando: Afinal, quem é Lafayette? Lafayette é lembrado por muitos como o rapaz que gravava ao lado de Roberto Carlos na época da Jovem Guarda. Na real, ele gravava com a maior parte dos artistas do movimento. Chegou a participar de discos de diferentes artistas como Martinha, Wanderléa, Golden Boys, Jerry Adriani, Renato e Seus Blue Caps, só para citar alguns. Muitos defendem a idéia de que a Jovem Guarda não teria sido a mesma sem sua contribuição.

O músico, que já está com mais de 70 anos, se uniu ao grupo Os Tremendões em 2004, por acaso. Gabriel Thomaz assistiu à uma apresentação do tecladista em um shopping center e o convidou para comparecer ao ensaio de uma banda que havia criado para tocar canções daquela época. Para a surpresa de todos, ele apareceu, levou um som com os garotos e decidiu ficar no conjunto. Cinco anos depois, chegava às lojas o primeiro CD. As 15 Super Quentes trazia releitura de velhas canções daqueles tempos. Agora, lançam seu primeiro trabalho autoral.

O time é formado por Nervoso (Acabou La Tequila), Renato Martins (Canastra), Melvin Ribeiro (Carbona), Érika Martins (Penélope), Raphael Miranda (Luxuria), Gabriel Thomaz (Autoramas) e, é claro, Lafayette.

Músicos resgatam espírito da Jovem Guarda em novo CD

Em A Nova Guarda, os garotos tentam recriar a sonoridade da época. Mantiveram a batida das canções e a inocência das letras (embora os assuntos remetam à temas atuais). E, é claro, que o famoso tecladista não se reinventou. Segue a risca fazendo aquilo que se espera dele, utilizando o mesmo instrumento que sempre utilizou: seu famoso órgão Hammond B-3. Embora o projeto tenha nascido da cabeça de Gabriel Thomaz, a maior parte das composições são de Renato. 

“As Canções da Minha Idade” traz um vocal declamado, assim como Roberto Carlos fez em “Não Quero Ver Você Triste Assim”. O numero instrumental “A Nova Guarda de Lafayette e os Tremendões” nos remetem à grupos como The Clevers e The Jordans. “Eu Tenho Mil Garotas” é uma balada com uma levada meio anos 50, assim como ocorria em canções como “O Ritmo da Chuva” (Demétrius).

Os vocais são divididos ente Erika, Gabriel, Nervoso e Renato.  “Só Verão”, que conta com um teclado com fortes referências de “Quero Que Vá Tudo Pro Inferno” (tentem adivinhar o porquê), traz uma linha vocal meio brega, no melhor sentido da palavra. Nervoso soa como uma mistura entre Roberto Carlos e Reginaldo Rossi (fase rock). Erika Martins se destaca em “Tem Quem Quer”, enquanto seu marido Gabriel Thomaz se sobressai no rock “Decisão”.  

A Nova Guarda é um álbum despretensioso, alegre e bem feito. Certamente irá agradar não apenas aqueles que são fãs dos músicos que participam do projeto (grupos como Autoramas e Penélope nunca esconderam a admiração que tinham pela Jovem Guarda), como aqueles que viveram e sentem um pouco de saudades daquela época. Recomendado à nova e à velha guarda.

Nota: 7,5 / 10,0
Status: Alegre

Faixas:
      01)   A Nova Guarda de Lafayette e Os Tremendões
      02)   Só Verão
      03)   Eu Tenho Mil Garotas
      04)   Deixa Que Eu Deixo
      05)   Pra Viver do Seu Lado
      06)   Não Vale Mais Nada
      07)   Tem Quem Quer
      08)   Te Vejo Nos Meus Sonhos
      09)   As Canções da Minha Idade
      10)   Decisão

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Daniel Johns – Aerial Love EP (2015):

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Por Rafael Menegueti

Daniel Johns - Aerial Love EP
Vou começar essa resenha sendo bem direto: se você é um fã do Silverchair, das guitarras e das canções fortes e empolgantes, é bem provável que o primeiro registro solo de Daniel Johns não vá te agradar. Depois de um bom tempo longe dos holofotes, exceto por uma trilha sonora aqui ou uma colaboração ali, o (ex?) vocalista do Silverchair lança “Aerial Love”, um EP com quatro faixas que nem de perto lembram o rock que fez da banda australiana um sucesso mundial.

Daniel é o tipo de músico que gosta de deixar claro que faz música para satisfazer a si mesmo e suas ambições musicais, e não aos outros. Em “Aerial Love”, portanto, sua intenção foi mostrar uma faceta moderna de sua criatividade. Um estilo alternativo, que une elementos de R&B, pop e eletrônico. O mais próximo que esse trabalho chega de qualquer coisa que ele já tenha lançado antes talvez seja o grupo Dissociatives, de 2004, mas mesmo assim a distancia ainda é considerável.

Se para um fã dos trabalhos de Johns com suas bandas antigas o EP pode soar decepcionante pela mudança de estilo, o mesmo talvez não se aplique ao trabalho musicalmente como um todo. Analisando as composições do músico australiano por um outro ângulo, sem o olhar de fã de Silverchair que eu sou, “Aerial Love” tem elementos modernos e interessantes, que podem fazer do EP um novo e promissor rumo na carreira musical de Johns.

Esse é o primeiro trabalho solo nos mais de 20 anos de carreira de Daniel Johns
O uso de piano, sintetizadores e batidas leves torna as músicas agradáveis e fáceis de ouvir. A voz de Daniel é suave, e o cantor abusa de falsetes e notas altas, mas sem um esforço muito maior ou complexidade. Aliado a essa musicalidade simples, o que acompanhamos são canções lentas e até cativantes, mas sem algo de muito inovador. Nenhuma das músicas é exatamente marcante, inesquecível, mas são boas dentro do estilo e ideia que se propõem. A faixa-título, música que havia sido lançada no final de janeiro, é apresentada como principal do EP. Honestamente, gostei mais de “Last Night Drive”, bem mais cativante e próxima de um rock leve. “Preach” é mais arrastada, e tem nos vocais de Johns seu principal elemento. “Surrender” me pareceu a mais fraquinha, com um refrão um tanto pegajoso.

Daniel conseguiu fazer de seu primeiro trabalho solo uma boa demonstração de seu talento, de sua habilidade como cantor e de sua criatividade. O EP prova de uma vez por todas que seu compromisso é com a arte que ele quer fazer, e não com a que se espera dele. Só poderia ter sido mais empolgante, mais agitado. É um tanto frustrante pensar que o resultado de tanto tempo de espera de seus fãs tenha sido músicas lentas e simples. Ele poderia ter feito mais, pois ele sabe fazer mais. Espero que ele tenha guardado o melhor para o seu primeiro álbum completo, a ser lançado no segundo semestre. Mais agitação e um pouco mais de empolgação, dai poderemos ter certeza de que acompanhar Daniel Johns em carreira solo valerá mesmo a pena.

Nota: 5,5/10
Status: ousado, mas insosso.

Faixas:
1. Preach
2. Aerial Love
3. Surrender
4. Last Night Drive

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Scooby Doo And Kiss: Rock n Roll Mystery (2105):

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Por Davi Pascale

Kiss faz nova parceria com a empresa Hanna-Barbera. Em sua primeira animação, os mascarados de Nova Iorque dividem a telinha com o divertido Scooby Doo. DVD já foi lançado...

Embora esse seja o primeiro desenho animado do Kiss, essa não é a primeira produção ao lado de Hanna-Barbera. O lendário filme Kiss Meets The Phantom Of The Park, lançado no Brasil com o nome de Kiss e o Fantasma das Trevas, foi uma parceria dos músicos com o estúdio. O desenho traz algumas referências ao longa.

Assim o como o filme de 1978, toda a confusão ocorre em um parque de diversões em uma noite em que ocorrerá uma apresentação do Kiss. Dessa vez, contudo, os músicos não são meros convidados. Eles são os donos do parque (Kiss World). Outras semelhanças são os superpoderes emprestados aos músicos. Paul Stanley com sua visão raio-x, Gene Simmons cuspindo fogo. Os músicos se teletransportando (com a diferença que na antiga película, esse poder era exclusividade do Spaceman). Além da cena inicial ocorrida em uma montanha russa e os créditos iniciais ao som de “Rock n´ Roll All Nite”.

Na historinha, Daphne é apaixonada pelo Starchild (Paul Stanley) e arma uma cilada para que seus amigos – Velma, Fred, Salsicha e o velho cachorro Scooby – levem ela ao show que ocorrerá na noite de Halloween. Quando chegam ao local, descobrem que o parque realmente está com problemas e resolvem ajudar os músicos à decifrarem o mistério. The Demon (Gene Simmons), não está muito confiante da idéia, mas os demais músicos convencem o linguarudo à aceitar a ajuda dos colegas. 

Animação traz várias referências da Kisstory

Juntos, precisam decifrar o mistério e resolve-lo antes do início da apresentação. Uma bruxa que está atrás de um poderoso diamante do grupo (Black Diamond) está aterrorizando o parque. Precisam detê-la o quanto antes e manter o diamante à salvo. Assim como no filme Detroit Rock City (1999), há várias referências à kisstory. A vidente Chikara, o ancião The Elder, o vilão Destroyer, o universo paralelo Kissteria. Sem contar nos personagens Shandi Strutter e Dellilah Domino. Há ainda Stanley pintando um retrato de Daphne (para quem não sabe, ele realmente pinta telas) e a menção ao enorme merchandising da banda.
   
O papel dos músicos não é muito diferente do tão odiado filme dos anos 70: músicos com superpoderes que combatem o mal e levam alegria para as pessoas através de sua música. A diferença é que desenho animado sempre vendeu a idéia de que tudo é possível ocorrer ali. Seja na incrível velocidade do Taz Mania, seja nas trapalhadas de Pernalonga, seja na historinha do Kiss. E funcionou bem! E já que muitos estão atacando os músicos pelo projeto, vale lembrar que essa não é a primeira vez que um artista de rock se aventura nesse universo. Que o diga as várias participações na série Os Simpsons ou ainda a animação Yellow Submarine (The Beatles). 

O desenho é extremamente bem feito e conta com diversos efeitos, além de uma música escrita especialmente para o projeto. Vi algumas pessoas reclamando da dublagem em português. Assisti com o áudio original, mas não duvido que tenha ficado ruim. A dublagem do filme dos anos 70 já não era nenhum primor. Contudo, esse desenho é legal assistir com o áudio original, já que foram os próprios músicos que gravaram as vozes dos personagens. O DVD ainda não foi lançado no Brasil, mas a prensagem importada (tanto do DVD, quanto do Blu-Ray) conta com legenda em português. O desenho é muito bacana. Deixe a raivinha de lado e se divirta. Caso contrário, o senhor não ganhará um biscoito Scooby...

domingo, 10 de janeiro de 2016

Bullet for My Valentine - Venom (2015):

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Por Rafael Menegueti

Bullet for My Valentine - Venom
Os galeses do Bullet for My Valentine sabiam que não seria uma tarefa fácil colocar no mercado o sucessor do mediano “Temper Temper”. A banda de metalcore sempre prezou por fazer um som pesado e ácido, mas a temática de angustia adolescente e os refrães e melodias com apelo comercial afastavam um pouco a banda do público mais maduro e exigente do metal.

Talvez por isso a melhor escolha tenha sido de fato buscar um meio termo entre o que tornou a banda popular em primeiro lugar, resgatando um pouco da sonoridade dos primeiros álbuns, e um uso maior de agressividade e força para mostrar que a banda amadureceu e consegue sim fazer um disco de metal empolgante. O resultado dessa busca está em “Venom”, que foi lançado nessa semana.

A banda conseguiu de certo modo cumprir com esse objetivo. “Venom” é de fato um álbum com muito peso, quase repetindo o clima de “The Poison”, primeiro disco da banda. Mas as melodias e arranjos me remetem principalmente ao terceiro disco da banda, o também bom “Fever”. A primeira pancada do disco, “No Way Out” é uma faixa que poderia facilmente estar naquele disco. A influência forte de thrash metal continua sendo uma aposta da banda, mas eles adquirem uma cara própria com seu jeito de criar andamentos velozes e foco em riffs rápidos. Essa é a principal característica de “Army of Noise”. Em “Worthless” e “Venom”, a banda volta a mostrar seu lado mais radiofônico, sendo essas canções com apelo mais “adolescente”.

Quinto álbum da banda galesa funciona como um retorno às origens
O single “You Want a Battle? (Here’s A War)” é outra canção simples e com a cara da banda. Serve como hit, mas não chega a surpreender. “Broken” por sua vez é mais amadurecida e se destaca no álbum. A sonoridade mais jovial e com pitadas pop-rock volta a dar as caras em “Skin” e “Hell or High Water”. A faixa que encerra o disco, “Pariah”, já volta a ser mais agressiva e investe em uma sequencia de riffs bem elaborados. O disco ainda tem faixas bônus variadas em cada uma de suas versões diferentes lançadas pelo mundo.

“Venom”, a meu ver, é um disco onde o BFMV procura um espaço maior dentro da cena metal. Em determinados momentos, com o uso de bons riffs, andamentos rápidos e muito peso, a banda consegue essa aproximação. Mas a temática e clima das canções, reforçadas pelo retorno à sonoridade dos primórdios de sua carreira, ainda impedem que grupo possa se firmar entre os fãs exigentes do gênero. O Bullet for My Valentine lançou mais um bom disco, mas que continuara sendo ouvido apenas pelos adolescentes e fãs menos xiitas do estilo. Pra eles deu certo até agora, então tudo bem.

Nota:7,5/10
Status: Jovial e agressivo 

Faixas:
01. V
02. No Way Out
03. Army of Noise
04. Worthless
05. You Want a Battle? (Here's a War)
06. Broken
07. Venom
08. The Harder the Heart (The Harder It Breaks)
09. Skin
10. Hell or High Water
11. Pariah
12. Playing God (Bonus Deluxe Edition)
13. Run for Your Life (Bonus Deluxe Edition)
14. In Loving Memory (Bonus Deluxe Edition)
15. Raising Hell (Bonus Deluxe Edition)

sábado, 9 de janeiro de 2016

Bryan Adams – Get Up (2015):

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Por Davi Pascale

Bryan Adams chega ao seu décimo-terceiro álbum. Com produção de Jeff Lynne (Electric Light Orchestra), artista entrega álbum retrô misturando a sonoridade que fazia nos anos 80 com uma pegada anos 50/60. Seu melhor disco nos últimos anos.

Durante os anos 80 e início dos anos 90, o artista canadense era tido como um hitmaker. Cada vez que lançava um disco, era certeza que pelo menos umas 3 faixas iriam para as rádios. Infelizmente, o mundo foi mudando, a sonoridade das rádios foi mudando e muitos artistas extremamente talentosos – como Prince, Billy Idol e o próprio Bryan, somente para citar alguns – acabaram perdendo seu espaço na grande mídia.

Durante os anos, aventurou-se em todos os universos que seu som permite. Gravou álbuns acústicos, fez experimentações com eletrônico. Aparentemente, o rapaz quer reconquistar aquela moçada que o seguia nos anos 80 e 90. Embora seja um trabalho de composições inéditas, o CD tem um ‘q’ de nostalgia.

O cantor/compositor segue sua velha fórmula de misturar rocks suaves com baladas. A festiva “Do What You Gotta Do” e o rock “Go Down Rockin´” nos dá a sensação de entrarmos no velho De Lorean de Marty McFly e cairmos no ano de 1984, quando o músico lançou seu clássico LP Reckless. Suas marcas principais estão aqui. Seus riffs simples e marcantes, seus refrões grudentos.

Musico canadense aposta em álbum retrô

Entretanto, as mãos de Jeff Lynne trouxe algumas peculiaridades ao seu som. O lendário músico, responsável pela produção do novo álbum, trouxe elementos dos anos 50 e 60 e os colocou em bastante evidência nas canções do rapaz. O rock “You Belong To Me” aponta para uma pegada mais rockabilly. “That´s Rock n´ Roll” traz o refrão marcado por palmas, como os Beatles faziam em seus primeiros anos. A balada “Don´t Even Try” poderia ter sido gravada por Roy Orbison, caso esse estivesse vivo.

Aliás, o rapaz parece continuar não se incomodando com a presença de baladas e entrega mais duas aqui: “We Did It All” e “Yesterday Was Just a Dream”. A influência de Lynne é sentida nos violões e nas slide guitar. Sem problemas, ambos são feras nesse universo. No final do álbum, temos Bryan interpretando 4 músicas somente com violão e voz. Bacana, mas sem o brilho das versões anteriores.

As composições são excelentes, o disco é muito bem feito. Se você curtiu nas suas fitinhas cassetes sons como “It´s Only Love”, “Somebody” e “Summer of ´69” ou curtiu em bailinhos sons como “Heaven”, “Please, Forgive Me” e “Everything I Do (I Do It For You)”, tem de tudo para gostar desse CD. Seu melhor disco desde 18 Til I Die (1996).

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Nostalgico

Faixas:
      01)   You Belong To Me
      02)   Go Down Rockin´
      03)   We Did It All  
      04)   That´s Rock n´ Roll
      05)   Don´t Even Try
      06)   Do What You Gotta Do
      07)   Thunderbolt
      08)   Yesterday Was Just a Dream
      09)   Brand New Day
      10)   Don´t Even Try (Acústico)
      11)   We Did It All (Acústico)
      12)   You Belong To Me (Acústico) 
      13)   Brand New Day (Acústico)