sábado, 19 de dezembro de 2015

We Wish You a Metal Xmas And a Headbanging New Year (2008):



Por Davi Pascale

Natal está chegando e você deve estar pensando: “Fodeu, terei que aturar aqueles especiais da Globo com Latino, Ludmilla, MC Guime e afins”. Não, não precisa! Existem vários discos temáticos de Natal e vários deles relecionados ao rock. Aos poucos, vou trazendo as dicas para vocês. Ano passado, comentei de um projeto feito somente com artistas da cena hair metal. Trago agora, um realizado com grandes nomes do heavy metal em geral. Confere aí...

O projeto foi lançado pela Armoury Records. Trata-se de um selo pertencente à família Eagle Rock Entertainment. Não é muito difícil achar os produtos deles por aí, já que seu catálogo foi comprado recentemente pela Universal Music. O disco conta com a produção de Bob Kulick. Guitarrista bem competente que chegou a tocar com nomes como W.A.S.P. e Paul Stanley (Kiss). Aliás, por muito pouco que o cara não entrou no Kiss na década de 80.

Essa não é a primeira vez que mete as mãos em discos como esse. Pelo contrário, já produziu e participou de vários álbuns tributos. O time reunido aqui é estelar. Como é comum em projetos desse tipo, não temos bandas participando e sim, diversos músicos participando. Na resenha, comentarei de alguns, mas depois confere na parte do tracklist que colocarei por lá todos os envolvidos.

A ideia aqui não é criar novas canções natalinas. A ideia é reviver todas aquelas canções tradicionais, porém com uma pegada mais porrada, mais rock n roll. O álbum abre com “We Wish You a Merry Christmas”. Jeff Scott Soto brinca em alguns versos trocando ‘merry christmas’ por ‘metal xmas’. Os irmãos Kulick se destacam no ótimo trabalho de guitarra. O solo ficou animal!

Idolos do heavy metal celebram o Natal

Lemmy Kilmister homenageia seu ídolo Chuck Berry em uma versão matadora de “Run, Rudolph, Run”. Outro grande destaque fica por conta do saudoso Ronnie James Dio que, ao lado de seu velho parceiro Tony Iommi, deu uma cara ‘sabbath’ à tradicional “God Rest Ye Merry Gentlemen”. Genial! Ripper Owens também rouba a cena em “Santa Claus Is Back In Town”, assim como Joe Lynn Turner na roqueira “Rockin´ Around The Xmas Tree”. O clássico de John Lennon, “Happy Xmas (War Is Over)”, foi muito bem interpretada por Tommy Shaw, mas quem se destaca mesmo nela é o guitarrista Steve Lukather.

Sim, temos alguns nomes da cena hair metal de volta. No Brasil, temos o costume de separar hard rock de heavy metal, mas em outros países isso não ocorre. Se alguém ficar discutindo na frente de um norte-americano se AC/DC é metal ou hard rock, o cara manda internar os dois... Stephen Pearcy (Ratt), Oni Logan (Lynch Mob), George Lynch (Dokken), Tracii Guns (L.A. Guns) participam do disco e se saem muito bem.

É comum pegarmos CDs desse tipo e encontrarmos diversas faixas ótimas e diversas sofríveis. Isso não acontece por aqui. A única decepção fica por conta de “Silent Night”. O instrumental está bem legal, mas vocal gutural em uma música dessas é algo que definitivamente não combina. E é realmente uma pena já que Chuck Billy tem uma puuuta voz. Não entendi a razão de ter optado grava-la desse jeito.

We Wish You A Metal Xmas é muito bem produzido, conta com ótimos arranjos e músicos de primeira. Agora, quando seu vizinho começar a tocar Simone no último volume, você pode devolver com Lemmy, Alice Cooper e Geoff Tate. Genial, certo? Então, aumente o som e boas festas!

Nota: 9,0/10,0
Status: Muito bem produzido e arranjado

Faixas:
    01)   We Wish You A Merry Xmas (Jeff Scott Soto, Bruce Kulick, Bob Kulick, Chris Wyse, Ray Luzier)
      02)   Run Rudolph Run (Lemmy Kilmister, Billy F. Gibbons, Dave Grohl)
      03)   Santa Claus Is Coming To Town (Alice Cooper, John 5, Billy Sheehan, Vinny Appice)
      04)   God Rest Ye Merry Gentlemen (Ronnie James Dio, Tonny Iommi, Rudy Sarzo, Simon Wright)
      05)   Silver Bells (Geoff Tate, Carlos Cavazo, James Lomenzo, Ray Luzier)
      06)   Little Drummer Boy (Dug Pinnick, George Lynch, Billy Sheehan, Simon Phillips)
      07)   Santa Claus Is Back In Town (Tim ‘Ripper’ Owens, Steve Morse, Juan Garcia, Marco Mendoza, Vinny Appice)
      08)   Silent Night (Chuck Billy, Scott Ian, Jon Donais, Chris Wyse, John Tempesta)
      09)   Deck The Halls (Oni Logan, Craig Goldy, Tony Franklin, John Tempesta)
      10)   Grandma Got Ran Over By a Reindeer (Stephen Pearcy, Tracii Guns, Bob Kulick, Billy Sheehan, Greg Bissonette)
      11)   Rockin´ Aroud The Xmas Tree (Joe Lynn Turner, Bruce Kulick, Bob Kulick, Rudy Sarzo, Simon Wright)
      12)   Happy Xmas - War Is Over (Tommy Shaw, Steve Lukather, Marco Mendoza, Kenny Aronoff) 

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Notícias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Deep Purple será nomeado ao Rock ‘n Roll Hall of Fame

Banda já era cogitada no Hall há um bom tempo
Grandes ícones do rock mundial, os britânicos do Deep Purple serão nomeados ao Rock ‘n Roll Hall of Fame, em cerimonia que será realizada em Chicago no dia 08 de abril de 2016. O Rock ‘n Roll Hall of Fame só nomeia artistas que tenham lançado seu primeiro trabalho há mais de 25 anos. Alem do Deep Purple, Cheap Trick, Steve Miller e o grupo de Rap N.W.A. também serão homenageados. Dentre os grupos que foram indicados mas não foram escolhidos esse ano estão o Nine Inch Nails, The Smiths e Yes.

Delain anuncia EP para fevereiro

Delain
Os holandeses do Delain devem ter um 2016 bem agitado. Alem de varias turnês e um novo álbum, a banda confirmou que irá lançar também um EP como uma espécie de prólogo para o novo disco. “Lunar Prelude” será lançado no dia 19 de fevereiro e terá oito músicas, sendo duas inéditas, quatro versões ao vivo e duas versões alternativas. Esse lançamento será o primeiro com a formação nova da banda, que conta agora com a guitarrista Merel Bechtold e o baterista Ruben Israel. Confira capa e tracklist:

1. Suckerpunch
2. Turn the Lights Out
3. Don't Let Go
4. Lullaby (Live 2015)
5. Stardust (Live 2015)
6. Here Come the Vultures (Live 2015)
7. Army of Dolls (Live 2015)
8. Suckerpunch Orchestra

Killswith Engage dá detalhes de seu novo álbum

A banda de metalcore de Massachusetts já está com tudo pronto para o lançamento de seu mais novo disco. O grupo anunciou que o trabalho se chamará “Incarnate”, e deve ser lançado em março. Esse será o sétimo disco da banda, e o segundo desde a volta do vocalista original da banda, Jesse Leach, em 2012. Jesse havia deixado o grupo em 2002, logo após o lançamento do segundo álbum da banda. A banda já lançou um vídeo para o primeiro single, “Strength of the Mind” (veja abaixo).


Cantora canadense Leah lança música para o inverno

capa do single
A cantora de celtic metal canadense Leah disponibilizou para download uma nova música com participação do guitarrista do Testament, Eric Peterson. A faixa, intitulada “Winter Sun”, foi feita para a chegada do inverno no hemisfério norte, sendo a segunda colaboração de Eric com a cantora. A primeira havia sido na canção “Dreamland”, presente no EP “Otherworld”, de 2013. A faixa pode ser ouvida e adquirida (por 1 dólar) no bandcamp da cantora (neste link)

Baixista Jeremy Davis deixa o Paramore

Jeremy (à esq.) era membro fundador da banda
A banda de pop punk americana Paramore anunciou que o baixista Jeremy Davis não é mais parte do grupo. Jeremy era, ao lado da vocalista Hayley Williams, os únicos membros originais da banda formada em 2004. Com isso, a banda agora se resume a Hayley e o guitarrista Taylor York. Apesar de demostrarem tristeza com a noticia, a dupla garantiu que o Paramore seguirá em frente e deve trazer novidades e breve. Não foi anunciado nenhum substituto do músico por enquanto.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

A Volta Do Planet Hemp



Por Davi Pascale

“Adivinha, doutor, quem está de volta na praça”? Exatamente, eles estão de volta. Um dos maiores nomes do rock brasileiro dos anos 90 e um dos grupos mais polêmicos que já tivemos, acaba de anunciar o retorno. E dessa vez, segundo os músicos, é definitivo. Ou seja, não se trata de uma reunião para alguns shows como das outras vezes.

A notícia foi dada pelos músicos para o jornal O Globo essa semana. Planet Hemp se destacou ao flertar o rock com o rap e discutir de maneira aberta a legalização da maconha. Não foram os primeiros a cantar sobre o tema. “Malandragem Dá Um Tempo” do sambista Bezerra da Silva, por exemplo, já falava sobre a droga e foi criada muito antes. Não foram os únicos a abordarem o tema na época também. Raimundos tinham diversas letras sobre maconha. Os Virgulóides tomaram as rádios versando sobre o ‘bagulho no bumba’. Até o pop brasileiro foi tomado pelo assunto. “Da Lata” de Fernanda Abreu era uma referência ao verão de 1987, onde várias latas de leite surgiram no litoral paulista e carioca recheadas de maconha. Se a discussão do momento é a homossexualidade, na época era a marijuana.

Contudo, o grupo de Marcelo D2 causou um furor que há muito não se via no rock brasileiro. Os músicos foram presos. Os shows começaram a ser censurados para 18 anos. Todo o enrosco girava em torno das letras. Muitos acusavam o grupo de fazer apologia às drogas. O grupo dizia que não, que o discurso deles era que não queriam que ninguém começasse a fumar por causa da banda, que o que queriam é quem fumasse não fosse preso por isso.

O auge da confusão ocorreu durante a divulgação de seu segundo álbum, Os Cães Ladram, Mas a Caravana Não Para. Vários shows foram proibidos. Foi nessa época que rolou a prisão. No Distrito Federal, em cima do palco, logo após terminarem sua apresentação. A polícia civil local havia assistido uma gravação de um show realizado em Curitiba e havia concluído que suas letras eram uma afronta à Justiça. Em Minas, os músicos tiveram seu show cancelado e foram levados direto à delegacia. D2 comentou sobre o caso à revista Playboy: “Ficamos pelados. Os caras viram cada bainha, cada linha do tênis. Tinha cachorro cheirando nosso rabo, muito constrangedor”.

Músicos foram presos por conta de suas letras

Vários músicos já haviam sido presos no Brasil por porte de maconha. Rita Lee, Gilberto Gil e Lobão foram alguns dos músicos que foram presos por portar a erva. Lobão chegou, inclusive, a levantar uma discussão na ocasião (1987), quando escreveu uma carta ainda dentro da cadeia e a enviou aos jornais. Essa carta foi estampada depois na capa do LP Promo da música “Vida Bandida”. Contudo, já havia um tempo que o assunto rock + drogas não tomava uma dimensão tão forte. Provavelmente, desde a prisão dos Titãs. Em 13 de Novembro de 1985, Tony Bellotto e Arnaldo Antunes foram presos com heroína. Se isso já era assunto mais do que suficiente para virar manchete de jornal, tudo ficou pior quando Bellotto admitiu para a polícia que havia conseguido a droga com Arnaldo e, com isso, o cantor foi enquadrado como traficante.

Vários músicos e pessoas públicas saíram em defesa do Planet Hemp e logo veio à tona a discussão da liberdade de expressão. Tudo isso, meu amigo, em uma época onde não havia essa ode ao politicamente correto. Época em que Mamonas Assassinas tocava no Faustão, Raimundos aparecia na Xuxa. “Puteiro Em João Pessoa” tocava nas rádio sem bips. E com isso, me pergunto, o que ocorrerá com esses caras ao retornarem à ativa em um momento como esse em que estamos vivendo onde tudo é ofensa, tudo é bullying, tudo é caso de processo. Ainda mais quando D2 dispara na entrevista: “Estamos falando em música nova. É difícil porque, hoje, aquelas letras me soam um pouco ingênuas. Continuo o mesmo moleque revoltado de 20 anos atrás, mas perdi a ingenuidade”. De duas uma. Ou foram adestrados, o que acho pouco provável. Ou tomarão na cabeça de novo. Bem-vindos de volta e boa sorte ao grupo!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Stone Sour – Straight Outta Burbank EP (2015)

Por Rafael Menegueti

Stone Sour - Straight Outta Burbank
Nesse ano, o Stone Sour, banda liderada pelo polemico vocalista Corey Taylor, deu inicio a uma sequência de lançamentos de covers diversas em EPs. Serão três ao todo, cada um trazendo uma seleção de covers de artistas que influenciaram os membros da banda. Após iniciar no inicio do ano com “Meanwhile In Burbank”, agora o grupo de metal alternativo de Iowa disponibiliza “Straight Outta Burbank”, a segunda parte da trilogia.

Nesse novo trabalho, o grupo apresenta mais cinco versões. E mais uma vez se tratam de canções bem conhecidas. Todas ganharam a cara e a assinatura do estilo moderno que o Stone Sour possui. A cover dos punks do Bad Brains “Sailin’ On” abre o disquinho mostrando que metal e punk rock combinam sim, e muito. Direta e bem executada, a faixa empolga em seus exatos dois minutos de duração.

A cover de “Running Free”, do Iron Maiden, mostra uma pegada bem moderna à canção da fase Paul Di’Anno. A pegada ficou bem parecida, mas o andamento está ligeiramente mais rápido. Já “Gimme Shelter” se mostra um excelente tributo ao Rolling Stones. Com arranjos atuais ela ganhou mais peso, mas ainda respeitou a essência da canção lançada originalmente em 1969 pela banda britânica. Os vocais de Corey se unem a participação de Lzzy Hale, fazendo os vocais femininos que na versão originaram ficaram por conta de soul americana Merry Clayton. O resultado foi um estilo mais potente e imponente.

Stone Sour ainda irá lançar mais um EP de covers
Já na canção “Too Fast for Love”, originalmente lançada pelo Mötley Crüe em seu disco de estreia, a banda pareceu estar bem na sua praia, conferindo uma fiel e competente versão para o hit. Ficou interessante notar o contraste dos estilos vocais de Corey para a original de Vince Neil. A faixa mais pesada do disco ficou pro final: “Seasons In the Abyss”, do Slayer. Nessa a banda buscou colocar o peso e a atmosfera sombria exatas da versão original. Nos vocais, Corey buscou dar um pouco mais de melodia, mas nada que pudesse deformar a interpretação da intensa performance original de Tom Araya.

Ficou claro também nesse EP, assim como no primeiro, que a proposta do Stone Sour não é inovar ou inventar em cima de canções já consagradas. A ideia dos rapazes é reverenciar e fazer um tributo sincero a suas influências. É notório, portanto, o respeito que a banda faz questão de tratar cada faixa, como se a importância delas fosse grande o suficiente para não permitir que elas se tornassem objetos de experiência. Seja você um fã do trabalho de Corey Taylor e seus companheiros ou não, é impossível negar que o cara tem tato e competência para ser o grande nome do rock da atualidade que é. Agora basta esperar pela terceira e ultima parte da trilogia, que se depender do que vimos nas duas primeiras, deve mostrar um trabalho muito interessante e bem produzido.


Nota 9/10
Status: Bem elaborado

Faixas:
1. Sailin' On (Bad Brains cover)
2. Running Free (Iron Maiden cover)
3. Gimme Shelter (The Rolling Stones cover)
4. Too Fast for Love (Mötley Crüe cover)
5. Seasons In the Abyss (Slayer cover)

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Devil City Angels – Devil City Angels (2015):





Por Davi Pascale

Se você viveu os anos 80 e acompanhou a cena de hair metal da época, que os críticos fãs de Morrissey gostavam de desdenhar chamando de farofa, você certamente já ouviu falar de quase todos os caras envolvidos aqui. Rikki Rockett era baterista do Poison. Tracii Guns era guitarrista do L.A. Guns. Eric Brittingham, baixista responsável pela gravação do disco, pertencia ao Cinderella. E Rudy Sarzo, baixista atual, se apresentou ao lado de nomes lendários como Dio, Ozzy Osbourne e Whitesnake.

O projeto nasceu de maneira despretensiosa. Tracii, Rikki e Eric se juntaram para uma participação em um show tributo ao Keith Moon e ao John Entwistle, baterista e baixista do The Who, em 2014. O que era para ser apenas diversão se tornou algo mais sério. Os músicos gostaram tanto do resultado final que decidiram criar uma banda juntos. Para os vocais, trouxeram Brandon Gibbs. Quem acompanha a cena de perto, sabe de quem se trata. Foi o cara responsável por fazer diversas apresentações com o Poison, substituindo Bret Michaels e deixando milhares de fãs enfurecidos. Concordo que Bret é a cara do Poison e que Gibbs não tem a ver com o grupo, mas fora dele funciona muito bem. Tem um ótimo alcance, um timbre bem legal, fez um bom trabalho vocal nesse disco.

O álbum é bem honesto. Assim como 80% dos grupos da época, possui um acento pop. A sonoridade, contudo, é um hard rock cruzando elementos do hard setentista com o som dos anos 80. Como disse, honesto. Eles ajudaram a escrever a história da cena oitentista e a maior parte de seus ídolos são dos anos 60 e 70.

Assim como acontecia em suas bandas anteriores, a sonoridade é bem para cima e bem direta, sem muitas firulas. “Numb”, “I´m Living” e “Bad Decisions” trazem riffs altamente inspirados por Aerosmith anos 70 e Led Zeppelin. “All I Need” conta com uma linha vocal bem influenciada por Beatles. “Ride With Me” conta com um ar meio Bad Company. Para quem ainda tinha alguma duvida da influencia de 70´s, a resposta vem com uma gravação de “Back to The Drive” da cantora Suzi Quatro. 

Devil City Angels: o mais novo supergrupo

Os rapazes fizeram um álbum bem consistente. A qualidade das composições meio que se mantém. A única que achei sonsa foi a balada “Goodbye Forever”. Como todo bom grupo de hard, os grandes destaques ficam pelo trabalho de guitarra e trabalho vocal. Tracii, que sempre foi um ótimo guitarrista, se destaca com ótimos riffs, excelentes solos e uma pegada bluesy em diversos momentos. Bem nítida em canções como “All My People”. Brandon tem um alcance legal, canta com alma, não é aquele cara que fica esgoelando. Justamente pelos músicos pertencerem à cena dos anos 80, em diversos momentos nos remeteremos à ela. Seja na bateria direta e reta, sejam na construção de diversos refrãos e melodias ao redor do disco.

Essas bandas dos anos 80 sofreram – e ainda sofrem – muito preconceito. Por conta do visual, muitas vezes espalhafatoso, muita gente torcia o nariz por birra e não reparava na qualidade dos músicos envolvidos. Esse álbum, realizado quase 30 anos depois da explosão da cena, vêm mais uma vez comprovar algumas teses como ‘menos é mais’ e ‘nunca julgue um livro pela capa’. Deixe a birra de lado, aperte o play e boa diversão!

Nota: 9,0/10,0
Status: Consistente

Faixas:
      01)   Numb
      02)   All My People
      03)   Boneyard
      04)   I´m Living
      05)   No Angels
      06)   Goodbye Forever
      07)   Ride With Me
      08)   All I Need
      09)   Back To The Drive  
      10)   Bad Decisions

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Música comentada: Crash Test Dummies – Mmm Mmm Mmm Mmm

Por Rafael Menegueti

Crash Test Dummies
Vocês lembram do velho fenômeno dos “one hit wonders”, nome dado àquelas bandas que lançam um grande hit mas não conseguem emplacar mais nenhuma depois disso? Com algumas até ocorria por não serem lá tão criativas, outras apenas não tinham sorte, apesar do talento, e acabavam injustamente entrando nesse grupo. Um dos maiores “one hit wonders” dos anos 90 foi a banda canadense Crash Test Dummies, com sua canção “Mmm Mmm Mmm Mmm”, embora possa ser discutido que a banda teve uma ou outra música que alcançou um certo reconhecimento além dessa, caso de “Superman’s Song”, por exemplo.

Mas “Mmm Mmm Mmm Mmm” é definitivamente a canção inconfundível, e talvez muita gente ouça e adore essa música sem sequer saber quem é a banda por traz da faixa. Ela foi lançada em outubro de 1993, e faz parte do segundo disco do grupo, “God Shuffled His Feet”, que chegara às lojas naquele mesmo mês. Esse disco acabou sendo o mais reconhecido e apreciado por esse motivo, chegando até ao segundo lugar das paradas britânicas e nono na Billboard 200 americana.

A música conta o que seriam relatos de três pessoas: um garoto, que teria sofrido um acidente, e que deixa subentendido que teria passado anos em coma, e volta para a escola com os cabelos já brancos; uma garota que tenta esconder o fato de ser abusada fisicamente pelos pais alegando que seus hematomas seriam marcas de nascença; e um jovem que tem pais superprotetores e que tentam obrigar o filho a seguir seu fanatismo religioso contra sua vontade. Todas esses relatos são explicados como se tivessem a intenção de despistar a realidade, com alguma desculpa. No fundo, a canção expõe que. para essas pessoas, isso parece normal. O título, que é nada mais do que um murmuro, “mmm”, seria a interpretação do barulho que fazemos quando duvidamos de algo que nos dizem, mas ficamos quietos.

A música rapidamente alcançou grande sucesso nas paradas mundiais. “Mmm Mmm Mmm Mmm” acabou virando uma referencia na cultura pop, aparecendo em trilhas de filmes como a comédia “Debi & Loide” (1994), e recentemente em um episódio da sitcom “How I Met Your Mother”. A canção ainda foi parodiada pelo músico/comediante Weird Al Yankovic, com o nome “Headline News”, que também parodiou o videoclipe da música. E nos anos 90, isso sim era sinônimo de sucesso.


Once there was this kid who
Got into an accident and couldn't come to school
But when he finally came back
His hair had turned from black into bright white
He said that it was from when
The cars had smashed so hard

Mmm mmm mmm mmm
Mmm mmm mmm mmm

Once there was this girl who
Wouldn't go and change with the girls in the change room
But when they finally made her
They saw birthmarks all over her body
She couldn't quite explain it
They'd always just been there

But both the girl and boy were glad
'Cause one kid had it worse than that

'Cause then there was this boy whose
Parents made him come directly home right after school
And when they went to their church
They shook and lurched all over the church floor
He couldn't quite explain it
They'd always just gone there

Era uma vez um garoto que
Se envolveu em um acidente e não pôde ir a escola
Mas quando ele finalmente voltou
O cabelo dele havia mudado de preto para branco brilhante
Ele disse que foi quando
Os carros se esmagaram fortemente

Mmm mmm mmm mmm
Mmm mmm mmm mmm

Era uma vez uma garota que
Que não podia ir e se trocar com as meninas no vestiário
Mas quando elas finalmente a convenceram
Viram marcas de nascença por todo seu corpo
Ela não pôde explicá-las
Elas apenas sempre estiveram lá

Mas ambos, a garota e o garoto, estavam contentes
Pois com um garoto era ainda pior

Pois então, havia este garoto que
Os pais lhe faziam vir para casa direto depois da escola
E quando eles iam na igreja
Eles chacoalhavam e rastejavam pelo chão da igreja
Ele não podia explicar isso
Eles sempre iam lá

domingo, 13 de dezembro de 2015

Álbuns clássicos: Led Zeppelin – Led Zeppelin IV (1971)

Por Rafael Menegueti

Led Zeppelin - Led Zeppelin IV
O Led Zeppelin fez historia no rock com uma coleção de discos memoráveis e sucessos inconfundíveis. É até difícil apontar qual foi o melhor álbum da banda, visto que praticamente todos os discos do grupo britânico dominaram as paradas e foram sucesso de público e crítica. No entanto, em matéria de hits, “Led Zeppelin IV” é provavelmente o mais expressivo.

O disco, lançado em 08 de novembro de 1971, possui oito faixas, e dessas podemos apontar quase todas como grandes sucessos do Led Zeppelin. Ele é claramente o mais influente e reconhecido de todos os trabalhos da banda, afinal, nele estão canções como “Rock and Roll”, “Black Dog” e a suprema “Stairway to Heaven”.

O nome do trabalho na verdade não é “Led Zepellin IV”. O disco nunca recebeu um nome de fato. Existem duas explicações para o motivo. Uma aponta que a banda não gostou quando criticaram o fato deles não ter escolhido um nome ao terceiro disco lançado, chamando ele de “Led Zeppelin III”, em sequencia do que já havia feito nos dois anteriores. Em outra, ela seria uma resposta aos críticos que diziam que a banda só fazia sucesso por um modismo e não pelo seu talento. Então eles decidiram que não dariam nome algum ao álbum, colocando apenas as letras das músicas no encarte e símbolos que identificariam cada um dos membros, e a música falaria por si.

As lendas do Led Zeppelin
Outro fato curioso é que “Staiway to Heaven”, apesar de ser indiscutivelmente o maior sucesso da banda, nunca foi lançada como single. Os dois únicos singles lançados do disco foram “Black Dog/Misty Mountain Hop” e “Rock and Roll/Four Sticks”. Mas “Stairway”, com seu riff épico e inconfundível, toda a sua evolução de uma canção leve, acústica e com influencia folk, até os solos virtuosos e hipnotizantes de Jimmy Page ao longo de seus mais de oito minutos, logo acabou caindo nas graças do publico como nenhuma outra faixa conseguiria.

A obra prima já havia sido iniciada de maneira magistral com “Black Dog”, que começa com o som dos rolos de fita girando, e se desdobra em uma canção que mistura elementos de jazz e electric blues extremamente atmosférica. Já “Rock and Roll” começa mostrando toda a genialidade rítmica de John Bonham, a sonoridade empolgante e um refrão memorável. “Battle of Evermore” é uma faixa acústica ao violão e bandolim que traz mais referências à obra de Tolkien, “Senhor dos Anéis”, enquanto “Misty Mountain Hop” apresenta um andamento revolucionário para o hard rock, e destaca John Paul Jones nos teclados.

Para se identificar, cada integrante escolheu um simbolo para incluir na arte do disco

A banda precisou se desdobrar para concluir a gravação das complicadas “Four Sticks” e “Going to California”, sendo a primeira outro bom momento de Bonham, e a segunda mais uma canção folk incrivelmente cativante. O disco se encerra então com admirável “When The Leeve Breaks”, outra faixa que influenciou muito o estilo de hard rock que surgiria a partir dali. Uma curiosidade sobre essa faixa é que, com exceção dos vocais de Robert Plant, todos os outros sons da música foram ligeiramente desacelerados para conseguir a sonoridade e peso desejados.

Se você é um fã de rock e nunca ouviu essa obra prima... bem, acho que então você não é fã de rock. O quarto álbum de estúdio do Led Zeppelin é um dos mais influentes e reconhecidos álbuns de todos os tempos, e é obrigatória para todos aqueles que querem entender as origens de vertentes diversas como o hard rock, heavy metal, blues rock ou até mesmo o progressivo, além de mostrar como o rock pode se relacionar com o blues elétrico, o jazz e o folk de maneira coesa e precisa.


Nota: 10/10
Status: Genial

Faixas:
1. Black Dog
2. Rock and Roll
3. The Battle of Evermore
4. Stairway to Heaven
5. Misty Mountain Hop
6. Four Sticks
7. Going to California
8. When the Leeve Breaks