quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Stone Sour – Straight Outta Burbank EP (2015)

Por Rafael Menegueti

Stone Sour - Straight Outta Burbank
Nesse ano, o Stone Sour, banda liderada pelo polemico vocalista Corey Taylor, deu inicio a uma sequência de lançamentos de covers diversas em EPs. Serão três ao todo, cada um trazendo uma seleção de covers de artistas que influenciaram os membros da banda. Após iniciar no inicio do ano com “Meanwhile In Burbank”, agora o grupo de metal alternativo de Iowa disponibiliza “Straight Outta Burbank”, a segunda parte da trilogia.

Nesse novo trabalho, o grupo apresenta mais cinco versões. E mais uma vez se tratam de canções bem conhecidas. Todas ganharam a cara e a assinatura do estilo moderno que o Stone Sour possui. A cover dos punks do Bad Brains “Sailin’ On” abre o disquinho mostrando que metal e punk rock combinam sim, e muito. Direta e bem executada, a faixa empolga em seus exatos dois minutos de duração.

A cover de “Running Free”, do Iron Maiden, mostra uma pegada bem moderna à canção da fase Paul Di’Anno. A pegada ficou bem parecida, mas o andamento está ligeiramente mais rápido. Já “Gimme Shelter” se mostra um excelente tributo ao Rolling Stones. Com arranjos atuais ela ganhou mais peso, mas ainda respeitou a essência da canção lançada originalmente em 1969 pela banda britânica. Os vocais de Corey se unem a participação de Lzzy Hale, fazendo os vocais femininos que na versão originaram ficaram por conta de soul americana Merry Clayton. O resultado foi um estilo mais potente e imponente.

Stone Sour ainda irá lançar mais um EP de covers
Já na canção “Too Fast for Love”, originalmente lançada pelo Mötley Crüe em seu disco de estreia, a banda pareceu estar bem na sua praia, conferindo uma fiel e competente versão para o hit. Ficou interessante notar o contraste dos estilos vocais de Corey para a original de Vince Neil. A faixa mais pesada do disco ficou pro final: “Seasons In the Abyss”, do Slayer. Nessa a banda buscou colocar o peso e a atmosfera sombria exatas da versão original. Nos vocais, Corey buscou dar um pouco mais de melodia, mas nada que pudesse deformar a interpretação da intensa performance original de Tom Araya.

Ficou claro também nesse EP, assim como no primeiro, que a proposta do Stone Sour não é inovar ou inventar em cima de canções já consagradas. A ideia dos rapazes é reverenciar e fazer um tributo sincero a suas influências. É notório, portanto, o respeito que a banda faz questão de tratar cada faixa, como se a importância delas fosse grande o suficiente para não permitir que elas se tornassem objetos de experiência. Seja você um fã do trabalho de Corey Taylor e seus companheiros ou não, é impossível negar que o cara tem tato e competência para ser o grande nome do rock da atualidade que é. Agora basta esperar pela terceira e ultima parte da trilogia, que se depender do que vimos nas duas primeiras, deve mostrar um trabalho muito interessante e bem produzido.


Nota 9/10
Status: Bem elaborado

Faixas:
1. Sailin' On (Bad Brains cover)
2. Running Free (Iron Maiden cover)
3. Gimme Shelter (The Rolling Stones cover)
4. Too Fast for Love (Mötley Crüe cover)
5. Seasons In the Abyss (Slayer cover)

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Devil City Angels – Devil City Angels (2015):





Por Davi Pascale

Se você viveu os anos 80 e acompanhou a cena de hair metal da época, que os críticos fãs de Morrissey gostavam de desdenhar chamando de farofa, você certamente já ouviu falar de quase todos os caras envolvidos aqui. Rikki Rockett era baterista do Poison. Tracii Guns era guitarrista do L.A. Guns. Eric Brittingham, baixista responsável pela gravação do disco, pertencia ao Cinderella. E Rudy Sarzo, baixista atual, se apresentou ao lado de nomes lendários como Dio, Ozzy Osbourne e Whitesnake.

O projeto nasceu de maneira despretensiosa. Tracii, Rikki e Eric se juntaram para uma participação em um show tributo ao Keith Moon e ao John Entwistle, baterista e baixista do The Who, em 2014. O que era para ser apenas diversão se tornou algo mais sério. Os músicos gostaram tanto do resultado final que decidiram criar uma banda juntos. Para os vocais, trouxeram Brandon Gibbs. Quem acompanha a cena de perto, sabe de quem se trata. Foi o cara responsável por fazer diversas apresentações com o Poison, substituindo Bret Michaels e deixando milhares de fãs enfurecidos. Concordo que Bret é a cara do Poison e que Gibbs não tem a ver com o grupo, mas fora dele funciona muito bem. Tem um ótimo alcance, um timbre bem legal, fez um bom trabalho vocal nesse disco.

O álbum é bem honesto. Assim como 80% dos grupos da época, possui um acento pop. A sonoridade, contudo, é um hard rock cruzando elementos do hard setentista com o som dos anos 80. Como disse, honesto. Eles ajudaram a escrever a história da cena oitentista e a maior parte de seus ídolos são dos anos 60 e 70.

Assim como acontecia em suas bandas anteriores, a sonoridade é bem para cima e bem direta, sem muitas firulas. “Numb”, “I´m Living” e “Bad Decisions” trazem riffs altamente inspirados por Aerosmith anos 70 e Led Zeppelin. “All I Need” conta com uma linha vocal bem influenciada por Beatles. “Ride With Me” conta com um ar meio Bad Company. Para quem ainda tinha alguma duvida da influencia de 70´s, a resposta vem com uma gravação de “Back to The Drive” da cantora Suzi Quatro. 

Devil City Angels: o mais novo supergrupo

Os rapazes fizeram um álbum bem consistente. A qualidade das composições meio que se mantém. A única que achei sonsa foi a balada “Goodbye Forever”. Como todo bom grupo de hard, os grandes destaques ficam pelo trabalho de guitarra e trabalho vocal. Tracii, que sempre foi um ótimo guitarrista, se destaca com ótimos riffs, excelentes solos e uma pegada bluesy em diversos momentos. Bem nítida em canções como “All My People”. Brandon tem um alcance legal, canta com alma, não é aquele cara que fica esgoelando. Justamente pelos músicos pertencerem à cena dos anos 80, em diversos momentos nos remeteremos à ela. Seja na bateria direta e reta, sejam na construção de diversos refrãos e melodias ao redor do disco.

Essas bandas dos anos 80 sofreram – e ainda sofrem – muito preconceito. Por conta do visual, muitas vezes espalhafatoso, muita gente torcia o nariz por birra e não reparava na qualidade dos músicos envolvidos. Esse álbum, realizado quase 30 anos depois da explosão da cena, vêm mais uma vez comprovar algumas teses como ‘menos é mais’ e ‘nunca julgue um livro pela capa’. Deixe a birra de lado, aperte o play e boa diversão!

Nota: 9,0/10,0
Status: Consistente

Faixas:
      01)   Numb
      02)   All My People
      03)   Boneyard
      04)   I´m Living
      05)   No Angels
      06)   Goodbye Forever
      07)   Ride With Me
      08)   All I Need
      09)   Back To The Drive  
      10)   Bad Decisions

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Música comentada: Crash Test Dummies – Mmm Mmm Mmm Mmm

Por Rafael Menegueti

Crash Test Dummies
Vocês lembram do velho fenômeno dos “one hit wonders”, nome dado àquelas bandas que lançam um grande hit mas não conseguem emplacar mais nenhuma depois disso? Com algumas até ocorria por não serem lá tão criativas, outras apenas não tinham sorte, apesar do talento, e acabavam injustamente entrando nesse grupo. Um dos maiores “one hit wonders” dos anos 90 foi a banda canadense Crash Test Dummies, com sua canção “Mmm Mmm Mmm Mmm”, embora possa ser discutido que a banda teve uma ou outra música que alcançou um certo reconhecimento além dessa, caso de “Superman’s Song”, por exemplo.

Mas “Mmm Mmm Mmm Mmm” é definitivamente a canção inconfundível, e talvez muita gente ouça e adore essa música sem sequer saber quem é a banda por traz da faixa. Ela foi lançada em outubro de 1993, e faz parte do segundo disco do grupo, “God Shuffled His Feet”, que chegara às lojas naquele mesmo mês. Esse disco acabou sendo o mais reconhecido e apreciado por esse motivo, chegando até ao segundo lugar das paradas britânicas e nono na Billboard 200 americana.

A música conta o que seriam relatos de três pessoas: um garoto, que teria sofrido um acidente, e que deixa subentendido que teria passado anos em coma, e volta para a escola com os cabelos já brancos; uma garota que tenta esconder o fato de ser abusada fisicamente pelos pais alegando que seus hematomas seriam marcas de nascença; e um jovem que tem pais superprotetores e que tentam obrigar o filho a seguir seu fanatismo religioso contra sua vontade. Todas esses relatos são explicados como se tivessem a intenção de despistar a realidade, com alguma desculpa. No fundo, a canção expõe que. para essas pessoas, isso parece normal. O título, que é nada mais do que um murmuro, “mmm”, seria a interpretação do barulho que fazemos quando duvidamos de algo que nos dizem, mas ficamos quietos.

A música rapidamente alcançou grande sucesso nas paradas mundiais. “Mmm Mmm Mmm Mmm” acabou virando uma referencia na cultura pop, aparecendo em trilhas de filmes como a comédia “Debi & Loide” (1994), e recentemente em um episódio da sitcom “How I Met Your Mother”. A canção ainda foi parodiada pelo músico/comediante Weird Al Yankovic, com o nome “Headline News”, que também parodiou o videoclipe da música. E nos anos 90, isso sim era sinônimo de sucesso.


Once there was this kid who
Got into an accident and couldn't come to school
But when he finally came back
His hair had turned from black into bright white
He said that it was from when
The cars had smashed so hard

Mmm mmm mmm mmm
Mmm mmm mmm mmm

Once there was this girl who
Wouldn't go and change with the girls in the change room
But when they finally made her
They saw birthmarks all over her body
She couldn't quite explain it
They'd always just been there

But both the girl and boy were glad
'Cause one kid had it worse than that

'Cause then there was this boy whose
Parents made him come directly home right after school
And when they went to their church
They shook and lurched all over the church floor
He couldn't quite explain it
They'd always just gone there

Era uma vez um garoto que
Se envolveu em um acidente e não pôde ir a escola
Mas quando ele finalmente voltou
O cabelo dele havia mudado de preto para branco brilhante
Ele disse que foi quando
Os carros se esmagaram fortemente

Mmm mmm mmm mmm
Mmm mmm mmm mmm

Era uma vez uma garota que
Que não podia ir e se trocar com as meninas no vestiário
Mas quando elas finalmente a convenceram
Viram marcas de nascença por todo seu corpo
Ela não pôde explicá-las
Elas apenas sempre estiveram lá

Mas ambos, a garota e o garoto, estavam contentes
Pois com um garoto era ainda pior

Pois então, havia este garoto que
Os pais lhe faziam vir para casa direto depois da escola
E quando eles iam na igreja
Eles chacoalhavam e rastejavam pelo chão da igreja
Ele não podia explicar isso
Eles sempre iam lá

domingo, 13 de dezembro de 2015

Álbuns clássicos: Led Zeppelin – Led Zeppelin IV (1971)

Por Rafael Menegueti

Led Zeppelin - Led Zeppelin IV
O Led Zeppelin fez historia no rock com uma coleção de discos memoráveis e sucessos inconfundíveis. É até difícil apontar qual foi o melhor álbum da banda, visto que praticamente todos os discos do grupo britânico dominaram as paradas e foram sucesso de público e crítica. No entanto, em matéria de hits, “Led Zeppelin IV” é provavelmente o mais expressivo.

O disco, lançado em 08 de novembro de 1971, possui oito faixas, e dessas podemos apontar quase todas como grandes sucessos do Led Zeppelin. Ele é claramente o mais influente e reconhecido de todos os trabalhos da banda, afinal, nele estão canções como “Rock and Roll”, “Black Dog” e a suprema “Stairway to Heaven”.

O nome do trabalho na verdade não é “Led Zepellin IV”. O disco nunca recebeu um nome de fato. Existem duas explicações para o motivo. Uma aponta que a banda não gostou quando criticaram o fato deles não ter escolhido um nome ao terceiro disco lançado, chamando ele de “Led Zeppelin III”, em sequencia do que já havia feito nos dois anteriores. Em outra, ela seria uma resposta aos críticos que diziam que a banda só fazia sucesso por um modismo e não pelo seu talento. Então eles decidiram que não dariam nome algum ao álbum, colocando apenas as letras das músicas no encarte e símbolos que identificariam cada um dos membros, e a música falaria por si.

As lendas do Led Zeppelin
Outro fato curioso é que “Staiway to Heaven”, apesar de ser indiscutivelmente o maior sucesso da banda, nunca foi lançada como single. Os dois únicos singles lançados do disco foram “Black Dog/Misty Mountain Hop” e “Rock and Roll/Four Sticks”. Mas “Stairway”, com seu riff épico e inconfundível, toda a sua evolução de uma canção leve, acústica e com influencia folk, até os solos virtuosos e hipnotizantes de Jimmy Page ao longo de seus mais de oito minutos, logo acabou caindo nas graças do publico como nenhuma outra faixa conseguiria.

A obra prima já havia sido iniciada de maneira magistral com “Black Dog”, que começa com o som dos rolos de fita girando, e se desdobra em uma canção que mistura elementos de jazz e electric blues extremamente atmosférica. Já “Rock and Roll” começa mostrando toda a genialidade rítmica de John Bonham, a sonoridade empolgante e um refrão memorável. “Battle of Evermore” é uma faixa acústica ao violão e bandolim que traz mais referências à obra de Tolkien, “Senhor dos Anéis”, enquanto “Misty Mountain Hop” apresenta um andamento revolucionário para o hard rock, e destaca John Paul Jones nos teclados.

Para se identificar, cada integrante escolheu um simbolo para incluir na arte do disco

A banda precisou se desdobrar para concluir a gravação das complicadas “Four Sticks” e “Going to California”, sendo a primeira outro bom momento de Bonham, e a segunda mais uma canção folk incrivelmente cativante. O disco se encerra então com admirável “When The Leeve Breaks”, outra faixa que influenciou muito o estilo de hard rock que surgiria a partir dali. Uma curiosidade sobre essa faixa é que, com exceção dos vocais de Robert Plant, todos os outros sons da música foram ligeiramente desacelerados para conseguir a sonoridade e peso desejados.

Se você é um fã de rock e nunca ouviu essa obra prima... bem, acho que então você não é fã de rock. O quarto álbum de estúdio do Led Zeppelin é um dos mais influentes e reconhecidos álbuns de todos os tempos, e é obrigatória para todos aqueles que querem entender as origens de vertentes diversas como o hard rock, heavy metal, blues rock ou até mesmo o progressivo, além de mostrar como o rock pode se relacionar com o blues elétrico, o jazz e o folk de maneira coesa e precisa.


Nota: 10/10
Status: Genial

Faixas:
1. Black Dog
2. Rock and Roll
3. The Battle of Evermore
4. Stairway to Heaven
5. Misty Mountain Hop
6. Four Sticks
7. Going to California
8. When the Leeve Breaks

sábado, 12 de dezembro de 2015

Capital Inicial – Acústico NYC (2015):




Por Davi Pascale

Mais um álbum acústico do Capital Inicial? Exatamente! E para falar a real, a ideia não é de toda má. Durante os anos, vários artistas se aventuraram em uma continuação de seu álbum desplugado. Titãs, Engenheiros do Hawaii, Lulu Santos e até mesmo os Scorpions repetiram sua aventura nos violões. E, dentre os brasileiros, os que se saíram melhor foram o Kid Abelha e o Capital Inicial.

Ambos, foram espertos. O grupo da Paula Toller não se importou em repetir algumas musicas, mas teve a preocupação de criar novos arranjos. Os dois álbuns têm a mesma proposta, mas em nada se parecem. O Capital, assim como o trio carioca, não optou por fazer a segunda parte logo em seguida. Foram espertos. Ao invés de recorrerem à canções menores, eles têm uma nova leva de hits para explorar no show e é o que acontece aqui.

Acústico MTV chegou ao mercado em Março de 2000. Ou seja, mais de 15 anos atrás. O álbum foi o responsável por catapultar o grupo de Brasília de volta ao estrelato. Suas velhas canções foram apresentadas para uma nova geração de ouvintes. Fizeram um bem bolado, deram uma moldada no seu som e assim, se mantiveram como um dos grandes expoentes do rock nacional. Hoje, o Capital é uma das poucas bandas de rock brasileiro que toca para grandes públicos. A continuação do projeto da MTV é lançado agora, diante de uma outra realidade.

Show foi gravado fora do país

Os músicos optaram por explorar sua segunda fase. Da fase inicial, apenas “Belos e Malditos” dá as caras. Ou seja, pode ser encarado como uma continuação. É como se estivessem contando o segundo capítulo da sua história. Todos os grandes hits desse período – como “A Sua Maneira”, “Eu Nunca Disse Adeus” e “Mais” – estão aqui. Alguns lados B também. Algumas características foram mantidas. Outras, não. 

Mais uma vez, optaram por utilizar músicos de apoio. Trouxeram, inclusive, uma formação maior. Para se ter uma ideia, temos 4 violões no palco. Dentre os quais, vale destacar o ex-Charlie Brown Thiago Castanho e o lendário produtor Liminha. Mais uma vez, trouxeram convidados da MPB. No primeiro volume, tivemos a participação de Zélia Duncan. Aqui, temos Seu Jorge e Lenine. Só que dessa vez, o show não tem aquela pegada intimista. Pelo contrário, tem ar de grande show. Conta com uma produção de palco elaborada, público maior. O local escolhido? Terminal 5. Uma casa de shows de Nova Iorque com capacidade para 3.000 pessoas. E os caras tocaram com show sold-out! Como disse, outra realidade. E assim como o Kid... Dois projetos similares, mas ao mesmo tempo diferentes.

De todos os acústicos da série da MTV, o do Capital foi um dos melhores. Foram um dos que melhor souberam transpor para o novo formato. E foi um dos melhores trabalhos vocais. Mais uma vez, a qualidade se mantém. A qualidade de gravação é impecável, os arranjos estão bem desenvolvidos e Dinho Ouro Preto continua mandando bem no vocal. Infelizmente, não posso dizer o mesmo dos convidados. Não que eles sejam ruins, não mereçam respeito ou estejam desafinando. Longe disso. Simplesmente, achei que o estilo vocal deles não casou com as músicas escolhidas. Lenine, contudo, foi o menos pior.

Imagens do box

Dinho fala pouco no show. Os músicos vão mandando música atrás de música, como se estivessem celebrando algo. E estão. Em 2015, comemora-se 30 anos do lançamento do compacto “Descendo o Rio Nilo/Leve Desespero”. O primeiro lançamento oficial do Capital Inicial. No making of, os músicos falam sobre a conquista. Realmente, durar 30 anos no mercado não é para qualquer um. E gravar um show fora do país, sempre é uma aventura inesquecível. Mesmo contando com inúmeros brasileiros na platéia. Sejamos sensatos. Eles são muito grandes... no Brasil!

Assim como os artistas internacionais, o Capital lançou uma edição deluxe, em formato de box, para seus fãs. Aqui, temos o show completo em CD e DVD, além de alguns mimos como pôster, replica do ingresso, book... A diferença de preço é alta, mas para quem é fã, vale o investimento. Mais uma vez, os garotos de Brasília se destacaram com um show de alto nível, canções que estão cravadas na memória de toda uma geração e que ainda serão lembradas por muito tempo. Um dos melhores retratos de nossa ‘música urbana’!

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Emblemático

Faixas:
      01)   Ressurreição
      02)   A Mina
      03)   Mais
      04)   Depois Da Meia Noite
      05)   Como Devia Estar
      06)   Doce e Amargo 
      07)   Respirar Você
      08)   O Lado Escuro da Lua
      09)   Coração Vazio
      10)   Olhos Vermelhos
      11)   Algum Dia
      12)   Melhor Do Que Ontem
      13)   Como Se Sente
      14)   Vai e Vem (c/ Seu Jorge)
      15)   Belos e Malditos (c/ Seu Jorge)
      16)   A Sua Maneira (c/ Seu Jorge)
      17)   Vamos Comemorar
      18)   O Cristo Redentor
      19)   Não Olhe Pra Trás (c/ Lenine)
      20)   Tempo Perdido (c/ Lenine)
      21)   Eu Nunca Disse Adeus
      22)   Me Encontra
      23)   Quatro Vezes Você

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Ugly Kid Joe – Uglier Than They Used To Be (2015):



Por Davi Pascale

Sim, eles ainda estão na ativa. O mundo de hoje é bem diferente daquele de 1991, quando a banda invadiu as rádios e a programação da MTV com o megahit “Everything About You”. Mas os garotos vão muito bem, obrigado.

O novo álbum foi criado através do sistema de crowdfunding (sim, a moda invadiu mundo afora). Em relação à estratégia, meio que remetem ao passado. Primeiro lançaram um EP, o ótimo Stairway to Hell, para somente depois lançarem um full-length. Assim com fizeram nos anos 90. Sim, o menininho todo estropiado continua na capa do disco. O título é uma clara referência ao seu EP de 1991, mas parou por aí...

Os garotos estão com uma postura mais séria e o som está mais pesado. É nítida que as influências são as mesmas, mas são exploradas de outra maneira. Aquela alegria toda que rondava os primeiros álbuns não existe mais. Decisão sábia. Se voltassem exatamente igual ao que eram, seria muito difícil reconquistar seu espaço. Ficariam restritos naquele publico saudosista. E, aparentemente, não é o que desejam. Não me entendam mal. As Ugly As They Wanna Be e America´s Least Wanted ainda são meus álbuns preferidos dos garotos, mas como disse no início do texto, o mundo mudou.

O time que gravou o novo material é formado por Whitfield Crane, Klaus Eichstade, Dave Fortman, Cordell Crockett, Shannon Larkin, Sonny Mayo e Zac Morris. Ou seja, a formação de Motel California com a adição de dois novos integrantes (Sonny e Zac). Como disse, as influências são as mesmas. Ou seja, hard rock, heavy metal e funk. Eles também mantiveram a tradição de resgatar um cover. Bem, nesse caso, dois.

Ugly Kid Joe explora roupagem pesada em novo álbum

Os garotos nunca esconderam sua admiração pelo metal. O trabalho de guitarra da ótima “Bad Seed” não me deixa mentir. Assim, como a participação de Phil Campbell, guitarrista do Motorhead. Banda amada por 90% dos headbangers. A participação, inclusive funcionou bem. A guitarra de Phil ficou bem perceptível em “My Old Man”. Sua pegada rocker se destacou na canção. “Under The Bottom” não é o tipo de faixa que imaginaria Campbell tocando, mas a música é boa. E é claro que eles aproveitaram Phil na sua (boa) versão de “Ace Of Spades”.

“Let The Record Play” explora o lado mais hard rock. “She´s Already Gone” e “Hell Ain´t Hard to Find” apontam para uma pegada mais moderna, enquanto a balada acústica “Mirror of The Man” nos leva de volta aos anos do grunge com uma roupagem bem Alice In Chains. Lembra que eu disse que haviam dois covers? Pois bem, o outro é o clássico dos Temptations “Papa Was a Rolling Stone”. É onde deixam nítida sua influência soul/funk. Claro que fizeram uma roupagem mais pesada, mais rock n´roll. De quebra, trouxeram o cantor australiano Dallas Frasca. Não conhecia o rapaz, mas aparente manda bem.

Os grandes destaques do disco são os trabalhos de guitarra e a voz de Whitfield Crane. Aparentemente, seu gogó está intacto. Continua com o vocal potente e bem melódico. O mundo mudou e Uglier Than They Used To Be acompanhou essas mudanças. Resgataram alguns elementos do passado, mas estão com o pé no presente. Mesmo quem não morria de amores pelo conjunto californiano, vale dar uma checada no novo trabalho.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Pesado

Faixas:
      01)   Hell Ain´t Hard To Find
      02)   Let The Record Play
      03)   Bad Seed
      04)   Mirror Of The Man
      05)   She´s Already Gone
      06)   Nothing Ever Changes
      07)   My Old Man (c/ Phil Campbell)
      08)   Under The Bottom (c/ Phil Campbell)
      09)   Ace of Spades (c/ Phil Campbell)
      10)   Enemy 
      11)   Papa Was a Rolling Stone (c/ Dallas Frasca)