domingo, 18 de outubro de 2015

Renato Russo – Só Por Hoje e Para Sempre (2015):



Por Davi Pascale

Novo livro de Renato Russo traz o leitor mais próximo do cantor. Com textos escritos pelo próprio músico, o leitor compreende um pouco melhor sua visão de mundo e seu estilo de vida alternativo. Quem é fã do cantor, vale correr atrás do material.

Renato Manfredini Junior foi porta voz de uma geração. Os jovens da época se identificavam com as letras do rapaz. Os fãs de Legião o idolatravam. Quem não era fã da Legião, o respeitava pela carreira que havia construído. Legião quebrou algumas regras. Emplacou musicas compridas nas rádios, algumas músicas sem refrão. A garotada decorava longos (e, às vezes, complexos) textos cantarolados pelo rapaz. Seus shows, quase sempre lotados e em locais grande, eram uma verdadeira catarse.

Só Por Hoje e Pra Sempre é uma leitura interessante porque traz uma visão do homem por trás do mito. O material do livro foi escrito pelo próprio Renato. Não se trata de uma biografia, mas da compilação de seus relatos de quando se internou na clínica de reabilitação, Vila Serena, no Rio de Janeiro, como uma tentativa de largar do álcool e das drogas. Não é uma visão de quem está de fora. O que temos aqui é o próprio Renato fazendo uma autorreflexão para tentar vencer seus problemas.

Já aviso, quem for ler o material, vai deixar de lado aquela figura romantizada sobre o rapaz. Vemos o cantor falando sobre seus próprios demônios. Não esconde nada, até porque precisava ser assim para conseguir vencer o tratamento. Relata aqui suas experiências com álcool, com as drogas, da sua homossexualidade, dos seus ataques de estrelismo.

Livro traz relato de Renato escrito em momento delicado 

Excelente cantor (uma das melhores vozes daquela geração, na minha opinião), excelente letrista, o rapaz era uma pessoa difícil de lidar. Seu vício com álcool e drogas o tornavam uma pessoa amarga, quase bipolar. Seu estado de espírito poderia mudar de uma hora para outra. Seu estilo de vida causou conflitos com todos que estavam ao seu redor: companheiros de banda, relação com imprensa, relação com gravadora, amigos próximos... A leitura do livro também ajuda a compreender melhor algumas letras da Legião, especialmente do disco O Descobrimento do Brasil. O disco que estavam preparando quando Renato resolveu fazer o tratamento.

O material do livro é uma compilação do material que escreveu para o tratamento (as famosas atividades) com o material que escrevia no quarto. Como se fosse um diário, vai descrevendo seus dias lá dentro, sempre em primeira pessoa. Os nomes dos envolvidos foram abreviados para que não fossem expostos. Somente as pessoas muito próximas de Renato é que foram mantidas (provavelmente, autorizaram que seu nome fosse publicado). O interessante é que em muitas dessas reflexões, retomava histórias do seu dia-a-dia com a banda (as famosas histórias de bastidores). Fica claro, ao ler o material, que Renato Russo vivia um estilo de vida nada sadio. Ao relatar suas experiências com o álcool e com as drogas, me pergunto como sobreviveu tanto. E o cara morreu cedo. 36 anos. Daí, imagina o nível de loucura....

Extremamente culto, o rapaz sempre chamou atenção por seus depoimentos e suas composições. Aqui, não é diferente. O rapaz se demonstra inteligente na hora de defender suas idéias, seu ponto de vista. Na hora de reconhecer suas fraquezas. A leitura, contudo, traz vários depoimentos pesados. Se você é uma pessoa purista, passe longe. Se você enxerga nele uma pessoa perfeita, sem defeitos, passe longe também. Se você quer entender todos os altos e baixos na carreira e na vida do cantor, a leitura é bem interessante. Por sua conta e risco.

sábado, 17 de outubro de 2015

Leaves’ Eyes – King of Kings (2015)

Por Rafael Menegueti

Leaves' Eyes - King of Kings
O Leaves’ Eyes é um ótimo exemplo de banda que encontrou um estilo o longo de sua trajetória no qual eles nunca vão decepcionar. A banda norueguesa/alemã chega ao seu sexto álbum de estúdio com uma forma excelente, traçado uma tênue linha entre o folk e o metal sinfônico com muita coesão. “King of Kings” traz novamente os vários elementos que vem fazendo a banda um dos destaques da cena, e também uma das referências.

Em suas composições, a banda abraça o tema da cultura nórdica e busca inspiração em influências bem diversificadas para definir sua fórmula. Se lembrarmos que o grupo é formado pelos mesmos integrantes do Atrocity, mais a vocalista Liv Kristine, fica fácil percebermos de onde vem a pegada que a banda insere em seus momentos mais pesados. Se no Atrocity a banda usa uma sonoridade death mais brutal e veloz, no Leaves’ Eyes a ideia é impregnar as melodias sinfônicas com peso na medida certa. O poder da voz de Liv, ex-vocalista da banda de gothic metal Theater of Tragedy, é um dos principais alicerces da banda, que se distanciou do lado mais gótico de sua origem, o que combinou muito mais com a proposta.

Alexander Krull, líder e responsável pelos vocais guturais na banda, vem cada vez mais se fazendo presente nessa fórmula. Se nos primeiros trabalhos, ele aparecia ocasionalmente deixando a voz de Liv se sobressair com as melodias, nos dois últimos álbuns, “Symphony of the Night” e principalmente nesse novo, ele vem equilibrando e participando mais nos vocais. Isso fez com que as canções ganhassem um peso a mais, mesmo que o diferencial ainda sejam os arranjos sinfônicos. Outro elemento que ganhou ainda mais ênfase foram os corais, bem mais presentes em refrães e passagens das canções, tornando elas ainda mais memoráveis. O novo guitarrista, Pete Streit (ex-Elis), fez sua primeira participação em um disco da banda conseguindo deixar um pouco de sua marca na ótima execução dos riffs e solos.

Os membros do Leaves' Eyes
Com barulhos de natureza e instrumentos de percussão e flautas como introdução na faixa “Sweven” (que conta com o filho do casal Liv e Alex, Leon Krull, pronunciando versos em norueguês), a banda ambienta o clima que está por vir. A faixa-título vem em seguida com um forte uso do coral no meio da melodia sinfônica. Um pouco mais de ênfase na guitarra e um riffs mais presente tornam “Halvdan The Black” uma das mais pesadas do disco. O single “The Waking Eye” traz a melodia radiofônica típica que o estilo pede. Já em “Vengeance Venom” a melodia folk encontra elementos de power metal que tornam a faixa uma das melhores do disco.

O disco também traz duas participações especias pontuais. Simone Simons (Epica) aparece em “Edge of Stell”, outro grande destaque do álbum. Já a vocalista do Wardruna, Lindy Fay Hella, aparece em “Blazing Waters”, faixa mais longa do disco, que oferece uma bela mistura de todos os elementos presentes ao longo do trabalho. “King of Kings” acerta por ser um disco onde a banda fornece aquilo que faz de melhor, dando ainda um passo a frente do que foi apresentado em seu antecessor. Um disco que, com certeza, os fãs do Leaves’ Eyes irão aproveitar muito.


Nota: 8,5/10
Status: equilibrado e empolgante

Faixas:
01. Sweven
02. King of Kings
03. Halvdan the Black
04. The Waking Eye
05. Feast of the Year
06. Vengeance Venom
07. Sacred Vow
08. Edge of Steel (feat. Simone Simons)
09. Haraldskvæði
10. Blazing Waters (feat. Lindy-Fay Hella)

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Shania Twain – Still The One: Live From Vegas DVD (2015):



Por Davi Pascale

Registro de volta aos palcos, traz cantora se aproximando da ideia de mega-espetáculo. Durante 90 minutos, Shania relembra seus grandes hits e traz nostalgia para quem viveu os anos 90.

Existem alguns artistas que são difíceis de rotularem. Justamente por realizarem o famoso crossover, é possível encaixá-lo em mais de uma vertente. A Shania é um exemplo disso! A cantora mescla elementos do pop e do rock com sua amada country music. Algumas pessoas podem estranhar minha escolha, mas conheço vários roqueiros que são fãs declarados da cantora. Sendo assim, vamos em frente...

A carreira de Eilleen Regina Edwards foi um verdadeiro meteoro. Em seu segundo álbum, The Woman In Me, a moça atingiu o estrelato emplacando várias músicas nas rádios. Seu álbum seguinte – Come On Over – a consagrou como uma das grandes cantoras da década de 90. Shania havia conseguido ir além do que imaginavam. Havia deixado de ser uma estrela country para se tornar uma popstar. Muitos acreditaram que teria uma carreira longa, mas não foi o que aconteceu. Depois do bem-sucedido Up!, simplesmente sumiu da mídia.

Shania passou por várias dificuldades desde então. As mais notáveis são a perda de sua voz e o divórcio de um casamento de 14 anos. Shania Twain descobriu que seu marido Robert “Mutt” Lange (sim, o lendário produtor que trabalhou ao lado de AC/DC e Def Leppard) havia traído ela com Mari-Anne Thiebaud, sua ex-secretária e melhor amiga. Além de marido, Mutt também era seu produtor. A situação fez com que resolvesse dar uma pausa em sua carreira. Os fãs tiveram que esperar por 8 anos para que pudessem vê-la na estrada novamente. Infelizmente, a alegria está prestes a acabar.

Cantora aposta em show com megaprodução


Ironicamente, o DVD chega às lojas brasileiras no ano em que Shania Twain anunciou sua turnê de despedida. A cantora deixa claro que é um adeus dos palcos, não da música. Ou seja, em algum momento gravará um novo álbum, mas não terá nova turnê. A apresentação registrada aqui foi gravada em uma temporada que realizou nos cassinos de Las Vegas. Shania decidiu que queria entregar um espetáculo grandioso e realizou um show dividido em atos com uma produção de palco muito maior do que está acostumada.

Na escolha das canções, há poucas surpresas. A cantora focou nos seus hits, conforme esperado. Entretanto, há algumas ousadias! O show inicia com "I´m Gonna Getcha Good" e não mais com "Man! I Feel Like a Woman", conforme vinha fazendo há alguns anos. Aqui, optou por encerrar com essa canção, o que é outro diferencial, já que costumava encerrar suas apresentações com "Rock This Country".

A performance é dividida em 5 atos. O primeiro e o terceiro ato focam nas canções mais rock, digamos assim. Destacam-se aqui; "You Win My Love", "Don´t Be Stupid (You Know I Love You)" e "If You´re Not In It for Love (I´m Outta Here)". O segundo ato é onde explora seu lado mais country, trazendo um ar de salloon à Las Vegas. "No One Needs to Know" e "Whose Bed Have Your Boots Been Under?" roubam a cena. O quinto ato é o das baladas com os megahits "You´re Still The One" e "From This Moment On". O grande destaque do show, contudo, é o quarto ato onde realiza um set acústico com ar de luau, onde permite, inclusive, que alguns fãs sentem ao seu redor. As canções desse set ganharam novos arranjos e ficaram muito bacanas. Especialmente, "Rock This Country" e "Come On Over".

Embora o set seja longo, a apresentação não é muito comprida. 90 minutos cravados! O DVD ainda apresenta Backstage Pass. Um documentário de uma hora de duração, onde a cantora explica o conceito do show, desde figurinos, escolha de repertório, até o visual do palco, intercalando com imagens de toda a preparação. Filme bem legal de assistir! Embora tenha sofrido com problemas de voz recentemente, sua performance no show está excelente. Quem não conhece sua história, nem suspeita dos problemas que sofreu. E ah, sim, a moça continua lindíssima! Altamente recomendado!

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Profissional

Faixas:
01) Opening
02) I´m Gonna Getcha Good
03) You Win My Love
04) Don´t Be Stupid (You Know I Love You)
05) Up!
06) The Good, The Bad And The Sexy (Interlude)
07) I Ain´t No Quitter
08) No One Needs to Know
09) Whose Bed Have Your Boots Been Under?
10) Any Man of Mine
11) Shania Style (Interlude)
12) That Don´t Impress Me Much
13) Honey, I´m Home
14) (If You´re Not In It For Love) I´m Outta Here
15) Shania Memories (Interlude)
16) Carrie Anne
17) Come On Over
18) Love Gets Me Every Time
19) Rock This Country!
20) Today Is Your Day!
21) Black Horse, White Horse (Interlude)
22) You´re Still The One
23) From This Moment On
24) Red Storm (Interlude)
25) Man! I Feel Like a Woman!
26) Rock This Country (Live From Calgary) - Créditos

Extra:
Backstage Pass (Documentário)

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Música comentada: White Stripes – Seven Nation Army

Por Rafael Menegueti

Meg e Jack White, do extinto White Stripes
Só de ler o título você já deve estar com o riff dessa música na cabeça. É inegável, “Seven Nation Army” possui um dos riffs mais memoráveis da historia da música. Presente no elogiado álbum “Elephant” (2003), o mais popular da carreira da dupla, ela é o maior hit da carreira do White Stripes, um dos maiores hits dos anos 2000, e tudo isso com um único riff, que se repete praticamente durante a música toda.

A popularidade da música pode ser explicada com varias coisas. Como a ambição que Jack White tinha com o riff que criou. Ele compôs e guardou na esperança de usá-la caso um dia fosse convidado para fazer uma trilha para um filme de James Bond. Como ele achou que isso dificilmente ocorreria, ele acabou usando numa música da banda. Curiosamente ele acabaria compondo uma trilha para um filme de James Bond alguns anos mais tarde, mas concordemos que foi melhor assim, não? No fim das contas, “Seven Nation Army” acabou sim se tornando uma trilha, mas de gritos de torcida de fãs de esportes, como o futebol, e de torcidas organizadas, que adaptaram o riff para embalar seus times.

Outra curiosidade sobre a faixa vem de seu nome. Trata-se de uma referência a “Salvation Army”, mas do modo errado como Jack costumava pronunciar quando criança. Ele usou o nome provisóriamente, apenas para identificar a música quando ainda sequer tinha começado a letra. Apenas depois, conforme criava a letra, ele optou por manter o nome. Diferente do que muita gente pensa, o tema principal não é feito com um baixo, mas sim com uma guitarra semiacústica dos anos 50 com um efeito de pedal uma oitava abaixo.


I'm gonna fight them off
A seven nation army couldn't hold me back
They're gonna rip it off
Taking their time right behind my back
And I'm talking to myself at night
Because I can't forget
Back and forth through my mind
Behind a cigarette
And the message coming from my eyes
Says leave it alone

Don't want to hear about it
Every single ones got a story to tell
Everyone knows about it
From the Queen of England to the hounds of hell
And if I catch it coming back my way
I'm gonna serve it to you
And that ain't what you want to hear
But thats what I'll do
And the feeling coming from my bones
Says find a home

I'm going to Wichita
Far from this opera for evermore
I'm gonna work the straw
Make the sweat drip out of every pore
And I'm bleeding, and I'm bleeding, and I'm bleeding
Right before the lord
All the words are gonna bleed from me
And I will think no more
And the stains coming from my blood
Tell me go back home
Exército de Sete Nações

Vou lutar contra eles
Um exército de sete nações não poderia me impedir
Eles o farão na marra
Ocupando seu tempo nas minhas costas
E eu estou falando comigo de noite
Porque eu não posso esquecer
Vai e volta pela minha cabeça
Atrás de um cigarro
E a mensagem vindo de meus olhos
Diz deixe quieto

Não quero ouvir a respeito disso
Cada um tem uma história para contar
Todos sabem a respeito
Da Rainha da Inglaterra até os cães do inferno
E se eu pegá-lo vindo em minha direção
Irei servir a você
E não é isso que você quer ouvir
Mas é o que farei
E o sentimento vindo de meus ossos
Diz encontre um lar

Eu vou para Wichita
Para longe dessa ópera para sempre
Vou carpir palha
Fazendo o suor pingar de cada poro
E estou sangrando, estou sangrando, estou sangrando
Bem na frente do Senhor
Todas as palavras irão sangrar de mim
E não irei pensar mais
E as manchas de meu sangue
Me dizem para voltar para casa

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Keith Richards – Crosseyed Heart (2015):



Por Davi Pascale

Guitarrista do Rolling Stones lança novo trabalho solo depois de 23 anos. Contando com a participação de Norah Jones e Bobby Keys, músico fez trabalho variado e deve agradar seus fãs.

Keith Richards chegou em um estágio onde não precisa provar mais nada para ninguém. Somente o fato de querer gravar um álbum de inéditas aos 71 anos de idade já é digno de aplausos. Suas entrevistas são sempre controversas e polêmicas. O fato de ser sempre sincero em suas palavras, às vezes, faz com que se crie uma relação de ódio à sua pessoa. Exemplos recentes seriam as palavras nada doces em relação ao rap, ao emblemático Sgt Peppers Lonenly Hearts Club Band (Beatles) e à bandas como Black Sabbath e Metallica. Todo esse ódio, entretanto, vai embora assim que ouvimos o rapaz tocando sua guitarra com aquele seu jeito desleixado e único.

Há quem julgue sua habilidade no instrumento. Diria que são pessoas que, em sua maioria, não compreenderam o artista. Keith Richards nunca se preocupou com técnica em demasiado, mas é um músico com identidade própria, além de ser dono de inúmeros riffs que são mais conhecidos do que cantiga de ninar. E isso, meu amigo, não é pouco! Certa vez, assisti uma entrevista do Pepeu Gomes onde o rapaz dizia: “mais bacana do que aprender uma técnica é criar uma técnica”. Essa lógica, de certa forma, se adequa à Keith. Sua palhetada é única. Ninguém soa como Keith!

Keith Richards volta com álbum variado

Essa não é sua primeira aventura longe dos Stones. Na real, esse é seu terceiro disco solo de inéditas. Mas é, sem dúvidas, o mais variado. Durante as 15 faixas apresentadas aqui, o rapaz passeia pelo rock, pelo pop, pelo reggae, pelo blues, pelo country, pelo soul. Tudo bem, essas influencias sempre estiveram presentes, mas aqui está mais descarado. Talk Is Cheap e Main Offender eram álbuns mais roqueiros que tinham umas 2 faixas que fugiam à regra e não mais do que isso. Quanto aos músicos? Sim, seus parceiros do X-Pensive Winos estão no álbum. E mais uma vez, o baterista Steve Jordan tomou a frente da produção ao lado de Keith. Bobby Keys, velho parceiro do músico que faleceu no finalzinho do ano passado, aparece em "Amnesia" e "Blues In The Morning"; enquanto Norah Jones, a talentosa filha de Ravi Shankar que ganhou as paradas de sucesso em 2002 com seu (ótimo) álbum de estréia Come Away With Me, participa da balada "Illusion".

Embora seja um grande guitarrista, Keith nunca foi um grande cantor. E a lógica se mantém. O lado bom é que o cara tem consciência de sua limitação. Não inventa modas. Continua com seu estilão de sempre. Sua velha palhetada aparece com força em "Trouble", "Nothing On Me", "Heartstopper" e nas duas faixas que gravou ao lado de Bobby Keys. Entretanto, o rapaz brilha também no violão blues de "Crosseyed Heart", no violão country de "Robben Blind" e no soul de "Lover´s Plea".

Engana-se quem acredita que Keith ficou limitado a gravar as guitarras. Além de ajudar a comandar a produção do álbum e compor o material, o rapaz se aventurou a gravar algumas linhas de baixo, além de piano, órgão, teclados e até electric sitar (uma espécie de guitarra que imita uma citara). Entre todos os álbuns solo que gravou, Talk Is Cheap ainda é meu favorito, mas sem dúvidas, Crosseyed Heart conta com uma audição mais do que satisfatória. Pode ir sem medo!

Nota: 7,5 / 10,0
Status: Variado

Faixas:
      01)   Crosseyed Heart
      02)   Heartstopper
      03)   Amnesia
      04)   Robbed Blind
      05)   Trouble
      06)   Love Overdue
      07)   Nothing On Me
      08)   Suspicious
      09)   Blues In The Morning
      10)   Something For Nothing
      11)   Illusion
      12)   Just a Gift
      13)   Goodnight Irene
      14)   Substantial Damage 
      15)   Lover´s Plea

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Noticias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Shadowside anuncia Magnus Rosen como novo baixista

Montagem da nova formação do Shadowside, com Magnus à esq.
A banda santista de metal liderada pela vocalista Dani Nolden anunciou o nome de seu novo baixista. Trata-se do músico sueco Magnus Rosen, conhecido por já ter feito parte de bandas como Hammerfall e Jorn. O músico está participando do processo de composição de novas músicas da banda, para o quarto disco que deve começar a ser gravado em 2016, na Suécia, assim como ocorreu com o lançamento mais recente, “Inner Monster Out” de 2011.

Vocalista do Machine Head é expulso da Capela Sistina

Robb Flynn aprontou no Vaticano
O sempre polemico Robb Flynn causou mais uma confusão. O músico aproveitou uma pausa na turnê europeia do Machine Head e resolveu visitar o Vaticano. No entanto, durante um passeio pela Capela Sistina, Robb acabou sendo expulso por descumprir a regra de não tirar fotos do local. Em uma postagem nas redes sociais ele explicou que quando vê um sinal dizendo para não fazer algo, ele fica ainda mais tentado a fazer. O músico foi escoltado para fora por seguranças, mas ainda possui as fotos que foram o motivo de toda a confusão.

Fred Durst, do Limp Biskit, quer produzir programas de TV na Crimeia

O líder do Limp Bizkit, Fred Durst
O vocalista do Limp Biskit, Fred Durst, pode ir morar na Crimeia, região que fazia parte da Ucrania, mas foi anexada à Russia a pouco tempo, para produzir documentários e programas de TV, segundo o site da Billboard. Durst, que está aprendendo russo com sua esposa, também da Crimeia, mandou uma carta às autoridades da Crimeia afirmando ter vontade de passar 6 meses por lá produzindo material que ajudaria a aprimorar a indústria do entretenimento no país. As autoridades da Crimeia haviam anunciado há alguns meses a intenção de tornar a região uma “nova Beverly Hills”, afirmando receber de braços abertos qualquer celebridade ocidental interessada em promover o local.

Arch Enemy reúne ex-vocalista e guitarrista em show no Japão

A edição desse ano do tradicional festival de rock japonês Loud Park teve uma surpresa agradável para os fãs da banda sueca de death metal melódico. O ex-vocalista da banda Johan Liiva, que antecedeu Angela Gossow na banda, e o ex-guitarrista  Christopher Amott, irmão de Michael e que deixou a banda em 2012, se reuniram com o grupo durante a apresentação, juntando assim a formação original da banda no palco. Os músicos tocaram 3 músicas ao todo com a banda, que hoje tem Alissa White-Gluz e Jeff Loomis nos seus respectivos lugares.

Amaranthe vai lançar compilação de B-Sides em formato digital

Capa do lançamento
No dia 30 de outubro, os suecos do Amaranthe irão lançar uma compilação reunindo todas os lados B lançados pelo grupo entre 2011 e 2015. O lançamento reúne principalmente versões acústicas de faixas presentes nos 3 álbuns de estúdio já lançados pela banda, além de duas canções que não apareceram em nenhum deles, apenas em singles. O compilado será apenas digital, e como se tratam de faixas já lançadas em outros momentos, é bem provável que o lançamento não renda muito. Faltou pensar um pouco nisso...

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Os Trapalhões No Rabo do Cometa (1985):



Por Davi Pascale


Hoje resolvi fazer um post um pouco diferente por conta do Dia das Crianças. Quem viveu a década de 80 se recorda que vários artistas de rock da época participaram de projetos infantis. Compondo, gravando, cantando junto, não importa, são vários exemplos. Trago hoje, uma trilha sonora que acabou se tornando item de colecionador, mesmo sendo voltada para o universo infantil. Um disco que misturava bem esses dois universos.

Quem viveu os anos 80, se recorda de várias coisas. A explosão da cena BRock, a declaração de Cazuza se assumindo HIV positivo, as danceterias, filmes emblemáticos (ET, De Volta Pro Futuro, Mulher Nota 1.000...), os jogos de videogame (principalmente, Atari) e, é claro, os programas/grupos infantis. Xuxa, Sergio Mallandro, Bozo, Balão Mágico, Trem da Alegria. Se você viveu essa época e não se recorda do que estou falando, caiu de outro planeta.

Uma turma que fazia um enorme sucesso entre a garotada da época (crianças e adolescentes, principalmente) era Os Trapalhões. Os caras faziam sucesso em tudo quanto era formato: nos discos, na TV, nos cinemas... Em 1985, o quarteto se juntou ao Mauricio de Souza (exato, o da Turma da Mônica) e criou o primeiro desenho animado do grupo. Os assuntos da época: explosão do RPM, o deboche do Ultraje a Rigor, primeira edição do Rock In Rio e um tal de cometa Halley. O assunto de que o cometa passaria bem próximo da Terra no ano seguinte era comentado à todo momento. E essa foi a inspiração para o desenho.

Os Trapalhões no Rabo do Cometa misturava filme com animação, mas a maior parte do tempo era em formato de desenho animado mesmo. Faz tempo que não assisto meu DVD, mas na historinha, o grupo era perseguido por um bruxo malvado e passavam por diversos períodos da história: Idade Média, Velho Oeste, Primeira Guerra Mundial... Quem acompanhou os filmes de Renato Aragão sabe que ele sempre procurou trazer alguns nomes que estavam em evidencia para participarem do filme: praticamente todo artista cult participou de seus longas. Atuando e/ou cantando. Aqui, a película é lembrada, principalmente, pelo sucesso de público (1.250.000 espectadores) e pela trilha sonora.

Vários grupos de rock da época gravaram para a trilha. Exatamente, não é uma compilação de hits da época. As gravações são inéditas mesmo. Alguns nomes, obviamente, só empolgarão quem viveu a época. Grupo Rumo e Banda Metalurgia são nomes manjadíssimos para quem pertenceu aquela geração, mas não tão populares entre as gerações posteriores. Já nomes como Ultraje a Rigor e Ira! são conhecimento obrigatório para quem se diz fã de rock brasileiro. O grupo de Roger Moreira participa aqui com “Eu Não Rango”, uma sátira à um de seus grandes hits: “Eu Me Amo”. O grupo de Nasi e Edgard Scandurra apresentam “1.914”. Uma faixa que foi gravada para o LP Mudança de Comportamento e acabou ficando fora do disco. Outra participação super comemorada é a de Premeditando o Breque, mais conhecida como Premê. Quem não conhece o grupo, certamente conhece o vocalista/violonista Wandi Doratiotto. Famoso por participar do programa Rá-Tim-Bum e também por apresentar o programa musical Bem Brasil (ambos da TV cultura). Grupo Xarada é obscuro, pouquíssimas pessoas conhecem, mas tinha um musico que hoje é super famoso na formação, o cantor/compositor Lenine. Muita gente não sabe, muitos textos não citam, mas antes de se lançar artista solo, o rapaz passou por dois grupos: Flor de Cactus e Xarada.

Tirando a canção que encerra o disco, onde Mussum relembra seus tempos de sambista (para quem não sabe, ele pertenceu aos Originais do Samba), as demais canções são em formato de pop/rock. Claro que por ser trilha de um desenho dos Trapalhões, a maioria das letras são inocentes, mas não deixa de ser uma audição interessante para reviver a época ou para introduzir alguma criança de sua família ao nosso tão amado rock. Inédito em CD, o LP é aquisição obrigatória para quem admira a cena da época. Fica a dica!

Faixas:
01)  Ultraje a Rigor – Eu Não Rango
02)  Jean e Paulo Garfunkel e a Banda Metalurgia – Do Mississipi ao Piauí
03)  Suíte a Banda – Sou Ralé
04)  Synopse – O Jegue de Tróia
05)  Premeditando o Breque – O Bruxo e o Passarinho
06)  Ira! – 1914
07)  Grupo Rumo – O Rei de Roma
08)  Xarada – O Feitiço e o Feiticeiro
09)  Mussum – Paz e Humor