quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Música comentada: White Stripes – Seven Nation Army

Por Rafael Menegueti

Meg e Jack White, do extinto White Stripes
Só de ler o título você já deve estar com o riff dessa música na cabeça. É inegável, “Seven Nation Army” possui um dos riffs mais memoráveis da historia da música. Presente no elogiado álbum “Elephant” (2003), o mais popular da carreira da dupla, ela é o maior hit da carreira do White Stripes, um dos maiores hits dos anos 2000, e tudo isso com um único riff, que se repete praticamente durante a música toda.

A popularidade da música pode ser explicada com varias coisas. Como a ambição que Jack White tinha com o riff que criou. Ele compôs e guardou na esperança de usá-la caso um dia fosse convidado para fazer uma trilha para um filme de James Bond. Como ele achou que isso dificilmente ocorreria, ele acabou usando numa música da banda. Curiosamente ele acabaria compondo uma trilha para um filme de James Bond alguns anos mais tarde, mas concordemos que foi melhor assim, não? No fim das contas, “Seven Nation Army” acabou sim se tornando uma trilha, mas de gritos de torcida de fãs de esportes, como o futebol, e de torcidas organizadas, que adaptaram o riff para embalar seus times.

Outra curiosidade sobre a faixa vem de seu nome. Trata-se de uma referência a “Salvation Army”, mas do modo errado como Jack costumava pronunciar quando criança. Ele usou o nome provisóriamente, apenas para identificar a música quando ainda sequer tinha começado a letra. Apenas depois, conforme criava a letra, ele optou por manter o nome. Diferente do que muita gente pensa, o tema principal não é feito com um baixo, mas sim com uma guitarra semiacústica dos anos 50 com um efeito de pedal uma oitava abaixo.


I'm gonna fight them off
A seven nation army couldn't hold me back
They're gonna rip it off
Taking their time right behind my back
And I'm talking to myself at night
Because I can't forget
Back and forth through my mind
Behind a cigarette
And the message coming from my eyes
Says leave it alone

Don't want to hear about it
Every single ones got a story to tell
Everyone knows about it
From the Queen of England to the hounds of hell
And if I catch it coming back my way
I'm gonna serve it to you
And that ain't what you want to hear
But thats what I'll do
And the feeling coming from my bones
Says find a home

I'm going to Wichita
Far from this opera for evermore
I'm gonna work the straw
Make the sweat drip out of every pore
And I'm bleeding, and I'm bleeding, and I'm bleeding
Right before the lord
All the words are gonna bleed from me
And I will think no more
And the stains coming from my blood
Tell me go back home
Exército de Sete Nações

Vou lutar contra eles
Um exército de sete nações não poderia me impedir
Eles o farão na marra
Ocupando seu tempo nas minhas costas
E eu estou falando comigo de noite
Porque eu não posso esquecer
Vai e volta pela minha cabeça
Atrás de um cigarro
E a mensagem vindo de meus olhos
Diz deixe quieto

Não quero ouvir a respeito disso
Cada um tem uma história para contar
Todos sabem a respeito
Da Rainha da Inglaterra até os cães do inferno
E se eu pegá-lo vindo em minha direção
Irei servir a você
E não é isso que você quer ouvir
Mas é o que farei
E o sentimento vindo de meus ossos
Diz encontre um lar

Eu vou para Wichita
Para longe dessa ópera para sempre
Vou carpir palha
Fazendo o suor pingar de cada poro
E estou sangrando, estou sangrando, estou sangrando
Bem na frente do Senhor
Todas as palavras irão sangrar de mim
E não irei pensar mais
E as manchas de meu sangue
Me dizem para voltar para casa

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Keith Richards – Crosseyed Heart (2015):



Por Davi Pascale

Guitarrista do Rolling Stones lança novo trabalho solo depois de 23 anos. Contando com a participação de Norah Jones e Bobby Keys, músico fez trabalho variado e deve agradar seus fãs.

Keith Richards chegou em um estágio onde não precisa provar mais nada para ninguém. Somente o fato de querer gravar um álbum de inéditas aos 71 anos de idade já é digno de aplausos. Suas entrevistas são sempre controversas e polêmicas. O fato de ser sempre sincero em suas palavras, às vezes, faz com que se crie uma relação de ódio à sua pessoa. Exemplos recentes seriam as palavras nada doces em relação ao rap, ao emblemático Sgt Peppers Lonenly Hearts Club Band (Beatles) e à bandas como Black Sabbath e Metallica. Todo esse ódio, entretanto, vai embora assim que ouvimos o rapaz tocando sua guitarra com aquele seu jeito desleixado e único.

Há quem julgue sua habilidade no instrumento. Diria que são pessoas que, em sua maioria, não compreenderam o artista. Keith Richards nunca se preocupou com técnica em demasiado, mas é um músico com identidade própria, além de ser dono de inúmeros riffs que são mais conhecidos do que cantiga de ninar. E isso, meu amigo, não é pouco! Certa vez, assisti uma entrevista do Pepeu Gomes onde o rapaz dizia: “mais bacana do que aprender uma técnica é criar uma técnica”. Essa lógica, de certa forma, se adequa à Keith. Sua palhetada é única. Ninguém soa como Keith!

Keith Richards volta com álbum variado

Essa não é sua primeira aventura longe dos Stones. Na real, esse é seu terceiro disco solo de inéditas. Mas é, sem dúvidas, o mais variado. Durante as 15 faixas apresentadas aqui, o rapaz passeia pelo rock, pelo pop, pelo reggae, pelo blues, pelo country, pelo soul. Tudo bem, essas influencias sempre estiveram presentes, mas aqui está mais descarado. Talk Is Cheap e Main Offender eram álbuns mais roqueiros que tinham umas 2 faixas que fugiam à regra e não mais do que isso. Quanto aos músicos? Sim, seus parceiros do X-Pensive Winos estão no álbum. E mais uma vez, o baterista Steve Jordan tomou a frente da produção ao lado de Keith. Bobby Keys, velho parceiro do músico que faleceu no finalzinho do ano passado, aparece em "Amnesia" e "Blues In The Morning"; enquanto Norah Jones, a talentosa filha de Ravi Shankar que ganhou as paradas de sucesso em 2002 com seu (ótimo) álbum de estréia Come Away With Me, participa da balada "Illusion".

Embora seja um grande guitarrista, Keith nunca foi um grande cantor. E a lógica se mantém. O lado bom é que o cara tem consciência de sua limitação. Não inventa modas. Continua com seu estilão de sempre. Sua velha palhetada aparece com força em "Trouble", "Nothing On Me", "Heartstopper" e nas duas faixas que gravou ao lado de Bobby Keys. Entretanto, o rapaz brilha também no violão blues de "Crosseyed Heart", no violão country de "Robben Blind" e no soul de "Lover´s Plea".

Engana-se quem acredita que Keith ficou limitado a gravar as guitarras. Além de ajudar a comandar a produção do álbum e compor o material, o rapaz se aventurou a gravar algumas linhas de baixo, além de piano, órgão, teclados e até electric sitar (uma espécie de guitarra que imita uma citara). Entre todos os álbuns solo que gravou, Talk Is Cheap ainda é meu favorito, mas sem dúvidas, Crosseyed Heart conta com uma audição mais do que satisfatória. Pode ir sem medo!

Nota: 7,5 / 10,0
Status: Variado

Faixas:
      01)   Crosseyed Heart
      02)   Heartstopper
      03)   Amnesia
      04)   Robbed Blind
      05)   Trouble
      06)   Love Overdue
      07)   Nothing On Me
      08)   Suspicious
      09)   Blues In The Morning
      10)   Something For Nothing
      11)   Illusion
      12)   Just a Gift
      13)   Goodnight Irene
      14)   Substantial Damage 
      15)   Lover´s Plea

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Noticias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Shadowside anuncia Magnus Rosen como novo baixista

Montagem da nova formação do Shadowside, com Magnus à esq.
A banda santista de metal liderada pela vocalista Dani Nolden anunciou o nome de seu novo baixista. Trata-se do músico sueco Magnus Rosen, conhecido por já ter feito parte de bandas como Hammerfall e Jorn. O músico está participando do processo de composição de novas músicas da banda, para o quarto disco que deve começar a ser gravado em 2016, na Suécia, assim como ocorreu com o lançamento mais recente, “Inner Monster Out” de 2011.

Vocalista do Machine Head é expulso da Capela Sistina

Robb Flynn aprontou no Vaticano
O sempre polemico Robb Flynn causou mais uma confusão. O músico aproveitou uma pausa na turnê europeia do Machine Head e resolveu visitar o Vaticano. No entanto, durante um passeio pela Capela Sistina, Robb acabou sendo expulso por descumprir a regra de não tirar fotos do local. Em uma postagem nas redes sociais ele explicou que quando vê um sinal dizendo para não fazer algo, ele fica ainda mais tentado a fazer. O músico foi escoltado para fora por seguranças, mas ainda possui as fotos que foram o motivo de toda a confusão.

Fred Durst, do Limp Biskit, quer produzir programas de TV na Crimeia

O líder do Limp Bizkit, Fred Durst
O vocalista do Limp Biskit, Fred Durst, pode ir morar na Crimeia, região que fazia parte da Ucrania, mas foi anexada à Russia a pouco tempo, para produzir documentários e programas de TV, segundo o site da Billboard. Durst, que está aprendendo russo com sua esposa, também da Crimeia, mandou uma carta às autoridades da Crimeia afirmando ter vontade de passar 6 meses por lá produzindo material que ajudaria a aprimorar a indústria do entretenimento no país. As autoridades da Crimeia haviam anunciado há alguns meses a intenção de tornar a região uma “nova Beverly Hills”, afirmando receber de braços abertos qualquer celebridade ocidental interessada em promover o local.

Arch Enemy reúne ex-vocalista e guitarrista em show no Japão

A edição desse ano do tradicional festival de rock japonês Loud Park teve uma surpresa agradável para os fãs da banda sueca de death metal melódico. O ex-vocalista da banda Johan Liiva, que antecedeu Angela Gossow na banda, e o ex-guitarrista  Christopher Amott, irmão de Michael e que deixou a banda em 2012, se reuniram com o grupo durante a apresentação, juntando assim a formação original da banda no palco. Os músicos tocaram 3 músicas ao todo com a banda, que hoje tem Alissa White-Gluz e Jeff Loomis nos seus respectivos lugares.

Amaranthe vai lançar compilação de B-Sides em formato digital

Capa do lançamento
No dia 30 de outubro, os suecos do Amaranthe irão lançar uma compilação reunindo todas os lados B lançados pelo grupo entre 2011 e 2015. O lançamento reúne principalmente versões acústicas de faixas presentes nos 3 álbuns de estúdio já lançados pela banda, além de duas canções que não apareceram em nenhum deles, apenas em singles. O compilado será apenas digital, e como se tratam de faixas já lançadas em outros momentos, é bem provável que o lançamento não renda muito. Faltou pensar um pouco nisso...

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Os Trapalhões No Rabo do Cometa (1985):



Por Davi Pascale


Hoje resolvi fazer um post um pouco diferente por conta do Dia das Crianças. Quem viveu a década de 80 se recorda que vários artistas de rock da época participaram de projetos infantis. Compondo, gravando, cantando junto, não importa, são vários exemplos. Trago hoje, uma trilha sonora que acabou se tornando item de colecionador, mesmo sendo voltada para o universo infantil. Um disco que misturava bem esses dois universos.

Quem viveu os anos 80, se recorda de várias coisas. A explosão da cena BRock, a declaração de Cazuza se assumindo HIV positivo, as danceterias, filmes emblemáticos (ET, De Volta Pro Futuro, Mulher Nota 1.000...), os jogos de videogame (principalmente, Atari) e, é claro, os programas/grupos infantis. Xuxa, Sergio Mallandro, Bozo, Balão Mágico, Trem da Alegria. Se você viveu essa época e não se recorda do que estou falando, caiu de outro planeta.

Uma turma que fazia um enorme sucesso entre a garotada da época (crianças e adolescentes, principalmente) era Os Trapalhões. Os caras faziam sucesso em tudo quanto era formato: nos discos, na TV, nos cinemas... Em 1985, o quarteto se juntou ao Mauricio de Souza (exato, o da Turma da Mônica) e criou o primeiro desenho animado do grupo. Os assuntos da época: explosão do RPM, o deboche do Ultraje a Rigor, primeira edição do Rock In Rio e um tal de cometa Halley. O assunto de que o cometa passaria bem próximo da Terra no ano seguinte era comentado à todo momento. E essa foi a inspiração para o desenho.

Os Trapalhões no Rabo do Cometa misturava filme com animação, mas a maior parte do tempo era em formato de desenho animado mesmo. Faz tempo que não assisto meu DVD, mas na historinha, o grupo era perseguido por um bruxo malvado e passavam por diversos períodos da história: Idade Média, Velho Oeste, Primeira Guerra Mundial... Quem acompanhou os filmes de Renato Aragão sabe que ele sempre procurou trazer alguns nomes que estavam em evidencia para participarem do filme: praticamente todo artista cult participou de seus longas. Atuando e/ou cantando. Aqui, a película é lembrada, principalmente, pelo sucesso de público (1.250.000 espectadores) e pela trilha sonora.

Vários grupos de rock da época gravaram para a trilha. Exatamente, não é uma compilação de hits da época. As gravações são inéditas mesmo. Alguns nomes, obviamente, só empolgarão quem viveu a época. Grupo Rumo e Banda Metalurgia são nomes manjadíssimos para quem pertenceu aquela geração, mas não tão populares entre as gerações posteriores. Já nomes como Ultraje a Rigor e Ira! são conhecimento obrigatório para quem se diz fã de rock brasileiro. O grupo de Roger Moreira participa aqui com “Eu Não Rango”, uma sátira à um de seus grandes hits: “Eu Me Amo”. O grupo de Nasi e Edgard Scandurra apresentam “1.914”. Uma faixa que foi gravada para o LP Mudança de Comportamento e acabou ficando fora do disco. Outra participação super comemorada é a de Premeditando o Breque, mais conhecida como Premê. Quem não conhece o grupo, certamente conhece o vocalista/violonista Wandi Doratiotto. Famoso por participar do programa Rá-Tim-Bum e também por apresentar o programa musical Bem Brasil (ambos da TV cultura). Grupo Xarada é obscuro, pouquíssimas pessoas conhecem, mas tinha um musico que hoje é super famoso na formação, o cantor/compositor Lenine. Muita gente não sabe, muitos textos não citam, mas antes de se lançar artista solo, o rapaz passou por dois grupos: Flor de Cactus e Xarada.

Tirando a canção que encerra o disco, onde Mussum relembra seus tempos de sambista (para quem não sabe, ele pertenceu aos Originais do Samba), as demais canções são em formato de pop/rock. Claro que por ser trilha de um desenho dos Trapalhões, a maioria das letras são inocentes, mas não deixa de ser uma audição interessante para reviver a época ou para introduzir alguma criança de sua família ao nosso tão amado rock. Inédito em CD, o LP é aquisição obrigatória para quem admira a cena da época. Fica a dica!

Faixas:
01)  Ultraje a Rigor – Eu Não Rango
02)  Jean e Paulo Garfunkel e a Banda Metalurgia – Do Mississipi ao Piauí
03)  Suíte a Banda – Sou Ralé
04)  Synopse – O Jegue de Tróia
05)  Premeditando o Breque – O Bruxo e o Passarinho
06)  Ira! – 1914
07)  Grupo Rumo – O Rei de Roma
08)  Xarada – O Feitiço e o Feiticeiro
09)  Mussum – Paz e Humor

domingo, 11 de outubro de 2015

Trivium – Silence In The Snow (2015)

Por Rafael Menegueti


Uma das mais aclamadas bandas da nova safra do metal norte-americano, o Trivium lançou seu novo álbum precisando justificar suas próprias escolhas. Isso porque, antes mesmo do trabalho chegar às lojas, o que mais se comentava era a ausência dos gritos e guturais de Matt Heafy. Fato que levou o próprio guitarrista da banda, Corey Beaulieu, a afirmar que “gritar não é o que define peso” em uma entrevista. E ele está correto. Mas acontece que os fãs da banda sentem um certo distanciamento do Trivium de sua velha sonoridade.

De sua origem até “Shogun” (2008), o disco mais elogiado da banda, o grupo esteve em constante ascensão. Com “In Waves” (2011) os rapazes apontaram para um estilo mais radiofônico em suas composições, deixando de lado as estruturas mais complexas de seus trabalhos anteriores. Já em “Vengeance Falls” (2013) ocorreu a maior mudança, onde a banda trouxe novas influências e (para muitos fãs por conta do produtor David Draiman) ficou muito similar ao Disturbed.

Tendo em vista esse retrospecto recente, fica clara a ansiedade em cima do que viria. E o que digo é o seguinte: pessoas irão chiar, reclamar, chorar, tudo porque esse disco não é o esperado “Shogun 2”. Ao invés disso, “Silence In The Snow”, sétimo álbum deles, mostra uma banda bem mais madura e que opta por seguir um caminho mais clássico sem abrir mão de elementos que tornam o metal realmente empolgante. E sem gritos, o verdadeiro motivo de tanto mimimi (pronto, falei).

Os membros do Trivium
A faixa-título, que abre o disco após a de introdução instrumental (“Snøfall”, escrita por Ihsanh, ex-Emperor), é uma mostra do novo caminho do Trivium. Riffs épicos, a famosa levada “cavalgada” nas guitarras e um refrão simples, mas empolgante. Fica claro que Matt Heafy é um vocalista completo. Ele declarou que cantar é mais difícil que gritar, e nesse álbum ele prova que pode segurar essa onda. “Blind Leading the Blind” tem uma estrutura bem típica das composições da banda, ao que “Dead and Gone” traz um riff bem mais pesado.

É possível ver como a banda privilegia o entrosamento das guitarras em faixas como “The Ghost That’s Haunting You”, e a ênfase no lado melódico da banda em canções como “Pull Me From the Void”, “Until The World Goes Cold” e “Beneath The Sun”. Já em “Rise Above The Tides” o lado mais radiofônico da banda aflora novamente com qualidade e técnica. E “Breathe In The Flames” se destaca como uma das mais empolgantes e bem estruturadas composições do disco, e talvez até da carreira do grupo, encerrando o disco em grande estilo.

Se “Silence In The Snow” é diferente de quase tudo que o Trivium já fez, ao mesmo tempo ele consegue trazer um alto nível de competência e entrega que a banda sempre teve como características. Heafy e Beaulieu seguem com sua química impecável na criação de riffs e estruturas melódicas, aliada a segurança do baixista Paolo Gregoletto, e a boa introdução do novo baterista Mat Madiro, que estreou na banda com precisão e impacto. Um disco inspirado, com fortes referências de metal clássico, thrash e power, que os fãs do Trivium devem aprender a degustar antes de sair cuspindo por aí.


Nota: 8/10
Status: Inspirado

Faixas:
01. Snøfall
02. Silence In The Snow
03. Blind Leading The Blind
04. Dead And Gone
05. The Ghost That's Haunting You
06. Pull Me From The Void
07. Until The World Goes Cold
08. Rise Above The Tides
09. The Thing That's Killing Me
10. Beneath The Sun
11. Breathe In The Flames

sábado, 10 de outubro de 2015

Motorocker – Rock Brasil (2014):



Por Davi Pascale

Banda curitibana chega ao seu terceiro disco. Sem fazer concessões, a rapaziada entrega mais um álbum com rock n roll direto e contagiante. Para ouvir no talo!

Venho recebendo pedidos para mostrar um pouco mais da cena brasileira que não chega aos ouvidos da grande massa. Já fiz isso por aqui algumas vezes comentando de algumas bandas que gosto muito e que acho que nunca receberam o prestigio que mereceriam. Resenhei por aqui discos de artistas como Carro Bomba, Dr. Sin, Acústicos & Valvulados, Velhas Virgens... Mas como os pedidos estão acontecendo e realmente temos bastante coisa boa rolando por aí, resolvi trazer mais uma banda que considero um dos grandes destaques da cena nacional e que uma boa parte da molecada ainda não se ligou: a rapaziada do Motorocker.

Esse é o terceiro disco dos caras, mas a banda já está na estrada há um bom tempo. O grupo existe desde 1992 e demorou 14 anos para lançar seu primeiro álbum: Igreja Universal do Reino do Rock (2006). Foi através desse disco que descobri a banda. Tinha lido algumas resenhas associando os caras ao AC/DC e resolvi arriscar. Exatamente, comprei no escuro sem ter escutado nenhuma canção antes. Entretanto, foi com o segundo disco – Rock Na Veia (2010) - que realmente me chamaram a atenção.

Rock Brasil mantém o nível do trabalho anterior e mantém o espírito da banda. Os músicos apostam em um rock n roll de raiz, sem se render à modismos, sem preocuparem em soarem radiofônicos. As letras falam sobre assuntos que são mais do que manjados entre os grupos do meio, mas que sempre cativam e divertem o ouvinte. Os temas que todo fã de rock que se preze curte: bebida, mulher, rock n roll, vida na estrada. O grupo não prega política de esquerda, política de direita, não traz conselhos.Sua mensagem é uma só: diversão!

Grupo mantém sua sonoridade em seu terceiro álbum

Realmente a influência AC/DC é facilmente perceptível e constante em todo o disco (os anteriores não eram diferentes, não). Seja na levada de bateria reta com sonoridade seca, com os riffs de guitarra ou com o trabalho vocal de Marcelus dos Santos. O cara canta 80% do tempo com o vocal gritado. E sua voz lembra bastante o Brian Johnson. Se você é fã de AC/DC e não conhece a banda, corra atrás!

Entretanto, há uma diferença entre eles e o grupo australiano: aqui há a presença de baladas. “Macho e Fêmea” e “Estação das Almas” são duas canções que devem mexer com o coração das garotas. Entretanto, é realmente nos momentos mais rock n roll onde o grupo se destaca. Faixas como “Rockeiro Brasileiro” e “Para-Raio de Encrenca” arrancam um sorrisinho do ouvinte com suas letras bem-humoradas. Os grandes destaques mesmo, contudo, ficam com “TCO”, “Louco de Gole” e a faixa-título “Rock Brasil”. No final do disco foi incluído o single “Estação das Almas” que havia sido lançado pouco tempo antes desse disco ir para as lojas. Tanto “Pegada Seca” quanto “Sodoma ou Gomorra?” são excelentes e figuram entre os pontos altos do CD.

Está aí uma banda brasileira que gostaria muito de assistir ao vivo e ainda não tive a oportunidade. Enquanto não pinta a chance, me divirto com os álbuns dos caras. Garanto que quem arriscar, irá se divertir também. Ouça e depois comente por aqui o que acharam da banda.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Hard rock de responsa

Faixas:
      01)   Rock Brasil
      02)   TCO
      03)   Curva de Rio
      04)   Louco de Gole
      05)   Periplaneta
      06)   Macho e Fêmea
      07)   Rockeiro Brasileiro
      08)   Para-Raio de Encrenca
      09)   Motorocker
      10)   Pegada Seca (Bônus)
      11)   Sodoma Ou Gomorra (Bônus) 
      12)   Estação das Almas (Bônus)

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Música Comentada: Silverchair – Ana’s Song (Open Fire)

Por Rafael Menegueti

Daniel Johns em 1999
Em 1997, o Silverchair cancelou algumas datas da turnê de seu segundo disco, “Freak Show”, por conta de problemas relacionados ao vocalista e guitarrista Daniel Johns. O músico estava atravessando uma forte depressão, e no meio disso tudo começou a apresentar um distúrbio alimentar que acomete milhões de pessoas ao redor do mundo: a anorexia nervosa.

Tal situação causou certa surpresa, já que a disfunção sempre foi mais associada ao sexo feminino. Daniel relatava casos de extrema ansiedade e paranoia, e passou a se isolar no começo de 1998, quando o distúrbio, que faz com que a pessoa se submeta a uma rígida dieta insuficiente e abusiva, começou a se agravar. Diferente do que ocorre na maioria dos casos, a anorexia de Johns não era associada a uma obsessão por um padrão estético magro, mas sim como uma reação psicológica à depressão que ele desenvolveu por conta do sucesso precoce. Daniel chegou a pesar 50 kg, quando um médico o avisou de que, se não mudasse seus hábitos, morreria.

Durante esse período Daniel escreveu muitos poemas, falando sobre tudo o que ele sentia. Mais tarde eles foram usados para as composições de “Neon Ballroom” (1999). O terceiro disco da banda mostrou um nível maior de maturidade do grupo, que havia atingido a maioridade enquanto já desfrutavam dos prós e contras da fama. No meio dessas músicas que surgiram estava “Ana’s Song”, canção onde Daniel contava mais sobre a sua relação com o distúrbio. A música virou single e serviu como um estimulo para muitas pessoas que se viam nessa condição para buscar ajuda e superar o problema, assim como o próprio Daniel conseguiu.


Please die Ana
For as long as you're here we're not
You make the sound of laughter
and sharpened nails seem softer

And I need you now somehow
And I need you now somehow

Open fire on the needs designed
On my knees for you
Open fire on my knees desires
What I need from you

Imagine pageant
In my head the flesh seems thicker
Sandpaper tears corrode the film

And I need you now somehow
And I need you now somehow

And you're my obsession
I love you to the bones
And Ana wrecks your life
Like an Anorexia life

Por favor Ana, morra
Pois enquanto você estiver aqui, nós não estamos
Você faz o som de risos
E pregos afiados parecerem mais suaves

E eu preciso de você agora de alguma maneira
E eu preciso de você agora de alguma maneira

Abro fogo nas necessidades planejadas
de joelhos por você
Abro fogo nas vontades dos meus joelhos
O que eu preciso de você?

Imagino a cerimônia
Na minha cabeça a carne parece mais grossa
Tiras de lixa corroem o filme

E eu preciso de você agora de alguma maneira
E eu preciso de você agora de alguma maneira

E você é minha obsessão
Eu te amo até os ossos
E Ana destrói sua vida
Como uma vida de anorexia