terça-feira, 13 de outubro de 2015

Noticias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Shadowside anuncia Magnus Rosen como novo baixista

Montagem da nova formação do Shadowside, com Magnus à esq.
A banda santista de metal liderada pela vocalista Dani Nolden anunciou o nome de seu novo baixista. Trata-se do músico sueco Magnus Rosen, conhecido por já ter feito parte de bandas como Hammerfall e Jorn. O músico está participando do processo de composição de novas músicas da banda, para o quarto disco que deve começar a ser gravado em 2016, na Suécia, assim como ocorreu com o lançamento mais recente, “Inner Monster Out” de 2011.

Vocalista do Machine Head é expulso da Capela Sistina

Robb Flynn aprontou no Vaticano
O sempre polemico Robb Flynn causou mais uma confusão. O músico aproveitou uma pausa na turnê europeia do Machine Head e resolveu visitar o Vaticano. No entanto, durante um passeio pela Capela Sistina, Robb acabou sendo expulso por descumprir a regra de não tirar fotos do local. Em uma postagem nas redes sociais ele explicou que quando vê um sinal dizendo para não fazer algo, ele fica ainda mais tentado a fazer. O músico foi escoltado para fora por seguranças, mas ainda possui as fotos que foram o motivo de toda a confusão.

Fred Durst, do Limp Biskit, quer produzir programas de TV na Crimeia

O líder do Limp Bizkit, Fred Durst
O vocalista do Limp Biskit, Fred Durst, pode ir morar na Crimeia, região que fazia parte da Ucrania, mas foi anexada à Russia a pouco tempo, para produzir documentários e programas de TV, segundo o site da Billboard. Durst, que está aprendendo russo com sua esposa, também da Crimeia, mandou uma carta às autoridades da Crimeia afirmando ter vontade de passar 6 meses por lá produzindo material que ajudaria a aprimorar a indústria do entretenimento no país. As autoridades da Crimeia haviam anunciado há alguns meses a intenção de tornar a região uma “nova Beverly Hills”, afirmando receber de braços abertos qualquer celebridade ocidental interessada em promover o local.

Arch Enemy reúne ex-vocalista e guitarrista em show no Japão

A edição desse ano do tradicional festival de rock japonês Loud Park teve uma surpresa agradável para os fãs da banda sueca de death metal melódico. O ex-vocalista da banda Johan Liiva, que antecedeu Angela Gossow na banda, e o ex-guitarrista  Christopher Amott, irmão de Michael e que deixou a banda em 2012, se reuniram com o grupo durante a apresentação, juntando assim a formação original da banda no palco. Os músicos tocaram 3 músicas ao todo com a banda, que hoje tem Alissa White-Gluz e Jeff Loomis nos seus respectivos lugares.

Amaranthe vai lançar compilação de B-Sides em formato digital

Capa do lançamento
No dia 30 de outubro, os suecos do Amaranthe irão lançar uma compilação reunindo todas os lados B lançados pelo grupo entre 2011 e 2015. O lançamento reúne principalmente versões acústicas de faixas presentes nos 3 álbuns de estúdio já lançados pela banda, além de duas canções que não apareceram em nenhum deles, apenas em singles. O compilado será apenas digital, e como se tratam de faixas já lançadas em outros momentos, é bem provável que o lançamento não renda muito. Faltou pensar um pouco nisso...

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Os Trapalhões No Rabo do Cometa (1985):



Por Davi Pascale


Hoje resolvi fazer um post um pouco diferente por conta do Dia das Crianças. Quem viveu a década de 80 se recorda que vários artistas de rock da época participaram de projetos infantis. Compondo, gravando, cantando junto, não importa, são vários exemplos. Trago hoje, uma trilha sonora que acabou se tornando item de colecionador, mesmo sendo voltada para o universo infantil. Um disco que misturava bem esses dois universos.

Quem viveu os anos 80, se recorda de várias coisas. A explosão da cena BRock, a declaração de Cazuza se assumindo HIV positivo, as danceterias, filmes emblemáticos (ET, De Volta Pro Futuro, Mulher Nota 1.000...), os jogos de videogame (principalmente, Atari) e, é claro, os programas/grupos infantis. Xuxa, Sergio Mallandro, Bozo, Balão Mágico, Trem da Alegria. Se você viveu essa época e não se recorda do que estou falando, caiu de outro planeta.

Uma turma que fazia um enorme sucesso entre a garotada da época (crianças e adolescentes, principalmente) era Os Trapalhões. Os caras faziam sucesso em tudo quanto era formato: nos discos, na TV, nos cinemas... Em 1985, o quarteto se juntou ao Mauricio de Souza (exato, o da Turma da Mônica) e criou o primeiro desenho animado do grupo. Os assuntos da época: explosão do RPM, o deboche do Ultraje a Rigor, primeira edição do Rock In Rio e um tal de cometa Halley. O assunto de que o cometa passaria bem próximo da Terra no ano seguinte era comentado à todo momento. E essa foi a inspiração para o desenho.

Os Trapalhões no Rabo do Cometa misturava filme com animação, mas a maior parte do tempo era em formato de desenho animado mesmo. Faz tempo que não assisto meu DVD, mas na historinha, o grupo era perseguido por um bruxo malvado e passavam por diversos períodos da história: Idade Média, Velho Oeste, Primeira Guerra Mundial... Quem acompanhou os filmes de Renato Aragão sabe que ele sempre procurou trazer alguns nomes que estavam em evidencia para participarem do filme: praticamente todo artista cult participou de seus longas. Atuando e/ou cantando. Aqui, a película é lembrada, principalmente, pelo sucesso de público (1.250.000 espectadores) e pela trilha sonora.

Vários grupos de rock da época gravaram para a trilha. Exatamente, não é uma compilação de hits da época. As gravações são inéditas mesmo. Alguns nomes, obviamente, só empolgarão quem viveu a época. Grupo Rumo e Banda Metalurgia são nomes manjadíssimos para quem pertenceu aquela geração, mas não tão populares entre as gerações posteriores. Já nomes como Ultraje a Rigor e Ira! são conhecimento obrigatório para quem se diz fã de rock brasileiro. O grupo de Roger Moreira participa aqui com “Eu Não Rango”, uma sátira à um de seus grandes hits: “Eu Me Amo”. O grupo de Nasi e Edgard Scandurra apresentam “1.914”. Uma faixa que foi gravada para o LP Mudança de Comportamento e acabou ficando fora do disco. Outra participação super comemorada é a de Premeditando o Breque, mais conhecida como Premê. Quem não conhece o grupo, certamente conhece o vocalista/violonista Wandi Doratiotto. Famoso por participar do programa Rá-Tim-Bum e também por apresentar o programa musical Bem Brasil (ambos da TV cultura). Grupo Xarada é obscuro, pouquíssimas pessoas conhecem, mas tinha um musico que hoje é super famoso na formação, o cantor/compositor Lenine. Muita gente não sabe, muitos textos não citam, mas antes de se lançar artista solo, o rapaz passou por dois grupos: Flor de Cactus e Xarada.

Tirando a canção que encerra o disco, onde Mussum relembra seus tempos de sambista (para quem não sabe, ele pertenceu aos Originais do Samba), as demais canções são em formato de pop/rock. Claro que por ser trilha de um desenho dos Trapalhões, a maioria das letras são inocentes, mas não deixa de ser uma audição interessante para reviver a época ou para introduzir alguma criança de sua família ao nosso tão amado rock. Inédito em CD, o LP é aquisição obrigatória para quem admira a cena da época. Fica a dica!

Faixas:
01)  Ultraje a Rigor – Eu Não Rango
02)  Jean e Paulo Garfunkel e a Banda Metalurgia – Do Mississipi ao Piauí
03)  Suíte a Banda – Sou Ralé
04)  Synopse – O Jegue de Tróia
05)  Premeditando o Breque – O Bruxo e o Passarinho
06)  Ira! – 1914
07)  Grupo Rumo – O Rei de Roma
08)  Xarada – O Feitiço e o Feiticeiro
09)  Mussum – Paz e Humor

domingo, 11 de outubro de 2015

Trivium – Silence In The Snow (2015)

Por Rafael Menegueti


Uma das mais aclamadas bandas da nova safra do metal norte-americano, o Trivium lançou seu novo álbum precisando justificar suas próprias escolhas. Isso porque, antes mesmo do trabalho chegar às lojas, o que mais se comentava era a ausência dos gritos e guturais de Matt Heafy. Fato que levou o próprio guitarrista da banda, Corey Beaulieu, a afirmar que “gritar não é o que define peso” em uma entrevista. E ele está correto. Mas acontece que os fãs da banda sentem um certo distanciamento do Trivium de sua velha sonoridade.

De sua origem até “Shogun” (2008), o disco mais elogiado da banda, o grupo esteve em constante ascensão. Com “In Waves” (2011) os rapazes apontaram para um estilo mais radiofônico em suas composições, deixando de lado as estruturas mais complexas de seus trabalhos anteriores. Já em “Vengeance Falls” (2013) ocorreu a maior mudança, onde a banda trouxe novas influências e (para muitos fãs por conta do produtor David Draiman) ficou muito similar ao Disturbed.

Tendo em vista esse retrospecto recente, fica clara a ansiedade em cima do que viria. E o que digo é o seguinte: pessoas irão chiar, reclamar, chorar, tudo porque esse disco não é o esperado “Shogun 2”. Ao invés disso, “Silence In The Snow”, sétimo álbum deles, mostra uma banda bem mais madura e que opta por seguir um caminho mais clássico sem abrir mão de elementos que tornam o metal realmente empolgante. E sem gritos, o verdadeiro motivo de tanto mimimi (pronto, falei).

Os membros do Trivium
A faixa-título, que abre o disco após a de introdução instrumental (“Snøfall”, escrita por Ihsanh, ex-Emperor), é uma mostra do novo caminho do Trivium. Riffs épicos, a famosa levada “cavalgada” nas guitarras e um refrão simples, mas empolgante. Fica claro que Matt Heafy é um vocalista completo. Ele declarou que cantar é mais difícil que gritar, e nesse álbum ele prova que pode segurar essa onda. “Blind Leading the Blind” tem uma estrutura bem típica das composições da banda, ao que “Dead and Gone” traz um riff bem mais pesado.

É possível ver como a banda privilegia o entrosamento das guitarras em faixas como “The Ghost That’s Haunting You”, e a ênfase no lado melódico da banda em canções como “Pull Me From the Void”, “Until The World Goes Cold” e “Beneath The Sun”. Já em “Rise Above The Tides” o lado mais radiofônico da banda aflora novamente com qualidade e técnica. E “Breathe In The Flames” se destaca como uma das mais empolgantes e bem estruturadas composições do disco, e talvez até da carreira do grupo, encerrando o disco em grande estilo.

Se “Silence In The Snow” é diferente de quase tudo que o Trivium já fez, ao mesmo tempo ele consegue trazer um alto nível de competência e entrega que a banda sempre teve como características. Heafy e Beaulieu seguem com sua química impecável na criação de riffs e estruturas melódicas, aliada a segurança do baixista Paolo Gregoletto, e a boa introdução do novo baterista Mat Madiro, que estreou na banda com precisão e impacto. Um disco inspirado, com fortes referências de metal clássico, thrash e power, que os fãs do Trivium devem aprender a degustar antes de sair cuspindo por aí.


Nota: 8/10
Status: Inspirado

Faixas:
01. Snøfall
02. Silence In The Snow
03. Blind Leading The Blind
04. Dead And Gone
05. The Ghost That's Haunting You
06. Pull Me From The Void
07. Until The World Goes Cold
08. Rise Above The Tides
09. The Thing That's Killing Me
10. Beneath The Sun
11. Breathe In The Flames

sábado, 10 de outubro de 2015

Motorocker – Rock Brasil (2014):



Por Davi Pascale

Banda curitibana chega ao seu terceiro disco. Sem fazer concessões, a rapaziada entrega mais um álbum com rock n roll direto e contagiante. Para ouvir no talo!

Venho recebendo pedidos para mostrar um pouco mais da cena brasileira que não chega aos ouvidos da grande massa. Já fiz isso por aqui algumas vezes comentando de algumas bandas que gosto muito e que acho que nunca receberam o prestigio que mereceriam. Resenhei por aqui discos de artistas como Carro Bomba, Dr. Sin, Acústicos & Valvulados, Velhas Virgens... Mas como os pedidos estão acontecendo e realmente temos bastante coisa boa rolando por aí, resolvi trazer mais uma banda que considero um dos grandes destaques da cena nacional e que uma boa parte da molecada ainda não se ligou: a rapaziada do Motorocker.

Esse é o terceiro disco dos caras, mas a banda já está na estrada há um bom tempo. O grupo existe desde 1992 e demorou 14 anos para lançar seu primeiro álbum: Igreja Universal do Reino do Rock (2006). Foi através desse disco que descobri a banda. Tinha lido algumas resenhas associando os caras ao AC/DC e resolvi arriscar. Exatamente, comprei no escuro sem ter escutado nenhuma canção antes. Entretanto, foi com o segundo disco – Rock Na Veia (2010) - que realmente me chamaram a atenção.

Rock Brasil mantém o nível do trabalho anterior e mantém o espírito da banda. Os músicos apostam em um rock n roll de raiz, sem se render à modismos, sem preocuparem em soarem radiofônicos. As letras falam sobre assuntos que são mais do que manjados entre os grupos do meio, mas que sempre cativam e divertem o ouvinte. Os temas que todo fã de rock que se preze curte: bebida, mulher, rock n roll, vida na estrada. O grupo não prega política de esquerda, política de direita, não traz conselhos.Sua mensagem é uma só: diversão!

Grupo mantém sua sonoridade em seu terceiro álbum

Realmente a influência AC/DC é facilmente perceptível e constante em todo o disco (os anteriores não eram diferentes, não). Seja na levada de bateria reta com sonoridade seca, com os riffs de guitarra ou com o trabalho vocal de Marcelus dos Santos. O cara canta 80% do tempo com o vocal gritado. E sua voz lembra bastante o Brian Johnson. Se você é fã de AC/DC e não conhece a banda, corra atrás!

Entretanto, há uma diferença entre eles e o grupo australiano: aqui há a presença de baladas. “Macho e Fêmea” e “Estação das Almas” são duas canções que devem mexer com o coração das garotas. Entretanto, é realmente nos momentos mais rock n roll onde o grupo se destaca. Faixas como “Rockeiro Brasileiro” e “Para-Raio de Encrenca” arrancam um sorrisinho do ouvinte com suas letras bem-humoradas. Os grandes destaques mesmo, contudo, ficam com “TCO”, “Louco de Gole” e a faixa-título “Rock Brasil”. No final do disco foi incluído o single “Estação das Almas” que havia sido lançado pouco tempo antes desse disco ir para as lojas. Tanto “Pegada Seca” quanto “Sodoma ou Gomorra?” são excelentes e figuram entre os pontos altos do CD.

Está aí uma banda brasileira que gostaria muito de assistir ao vivo e ainda não tive a oportunidade. Enquanto não pinta a chance, me divirto com os álbuns dos caras. Garanto que quem arriscar, irá se divertir também. Ouça e depois comente por aqui o que acharam da banda.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Hard rock de responsa

Faixas:
      01)   Rock Brasil
      02)   TCO
      03)   Curva de Rio
      04)   Louco de Gole
      05)   Periplaneta
      06)   Macho e Fêmea
      07)   Rockeiro Brasileiro
      08)   Para-Raio de Encrenca
      09)   Motorocker
      10)   Pegada Seca (Bônus)
      11)   Sodoma Ou Gomorra (Bônus) 
      12)   Estação das Almas (Bônus)

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Música Comentada: Silverchair – Ana’s Song (Open Fire)

Por Rafael Menegueti

Daniel Johns em 1999
Em 1997, o Silverchair cancelou algumas datas da turnê de seu segundo disco, “Freak Show”, por conta de problemas relacionados ao vocalista e guitarrista Daniel Johns. O músico estava atravessando uma forte depressão, e no meio disso tudo começou a apresentar um distúrbio alimentar que acomete milhões de pessoas ao redor do mundo: a anorexia nervosa.

Tal situação causou certa surpresa, já que a disfunção sempre foi mais associada ao sexo feminino. Daniel relatava casos de extrema ansiedade e paranoia, e passou a se isolar no começo de 1998, quando o distúrbio, que faz com que a pessoa se submeta a uma rígida dieta insuficiente e abusiva, começou a se agravar. Diferente do que ocorre na maioria dos casos, a anorexia de Johns não era associada a uma obsessão por um padrão estético magro, mas sim como uma reação psicológica à depressão que ele desenvolveu por conta do sucesso precoce. Daniel chegou a pesar 50 kg, quando um médico o avisou de que, se não mudasse seus hábitos, morreria.

Durante esse período Daniel escreveu muitos poemas, falando sobre tudo o que ele sentia. Mais tarde eles foram usados para as composições de “Neon Ballroom” (1999). O terceiro disco da banda mostrou um nível maior de maturidade do grupo, que havia atingido a maioridade enquanto já desfrutavam dos prós e contras da fama. No meio dessas músicas que surgiram estava “Ana’s Song”, canção onde Daniel contava mais sobre a sua relação com o distúrbio. A música virou single e serviu como um estimulo para muitas pessoas que se viam nessa condição para buscar ajuda e superar o problema, assim como o próprio Daniel conseguiu.


Please die Ana
For as long as you're here we're not
You make the sound of laughter
and sharpened nails seem softer

And I need you now somehow
And I need you now somehow

Open fire on the needs designed
On my knees for you
Open fire on my knees desires
What I need from you

Imagine pageant
In my head the flesh seems thicker
Sandpaper tears corrode the film

And I need you now somehow
And I need you now somehow

And you're my obsession
I love you to the bones
And Ana wrecks your life
Like an Anorexia life

Por favor Ana, morra
Pois enquanto você estiver aqui, nós não estamos
Você faz o som de risos
E pregos afiados parecerem mais suaves

E eu preciso de você agora de alguma maneira
E eu preciso de você agora de alguma maneira

Abro fogo nas necessidades planejadas
de joelhos por você
Abro fogo nas vontades dos meus joelhos
O que eu preciso de você?

Imagino a cerimônia
Na minha cabeça a carne parece mais grossa
Tiras de lixa corroem o filme

E eu preciso de você agora de alguma maneira
E eu preciso de você agora de alguma maneira

E você é minha obsessão
Eu te amo até os ossos
E Ana destrói sua vida
Como uma vida de anorexia

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Malta – Nova Era (2015):





Por Davi Pascale

Banda vencedora do reality Superstar chega ao seu esperado segundo disco.  Apesar de conter uma parceria com o cantor Edu Falaschi (Angra, Almah), velha fórmula é mantida.

O grupo Malta conquistou seu espaço na música brasileira ao vencerem a primeira edição do Superstar. Contrariando a expectativa, venderam 280.000 cópias em uma época onde a venda de CDs está cada vez menor e grandes nomes da música brasileira suam para conseguirem uma prensagem maior do que 10.000. Sempre que ocorre de alguém vender mais do que o esperado, cria-se uma grande expectativa para ver o que o grupo vai aprontar a seguir. No mercado internacional, espera-se que o artista se renove. No Brasil, espera-se que o artista não inove. E essa é exatamente a postura do Malta sem seu segundo trabalho.

Nova Era não traz grandes mudanças na sonoridade da banda. O vocalista Bruno Boncini continua escrevendo a maior parte do material. As letras continuam com uma pegada romântica. Os arranjos continuam com as mesmas influências. A estrutura é a mesma: 9 baladas roqueiras, 2 músicas um pouco mais pesadas.

Muitos acreditavam que o debut tinha uma pegada mais comercial por conta do sucesso do programa, mas essa parece ser mesmo a jogada dos garotos. Se você se empolgou ao saber que o Edu Falaschi havia escrito uma música junto com a banda e estava esperando que o grupo viesse com uma pegada mais roqueira, com mais guitarras, mais atitude, passe longe. Se você também curte uma pegada mais radiofônica e gostou de Supernova, vai fundo.

Grupo mantém pegada pop em seu novo disco

“Nada se Compara” e “Pensa Em Mim” começam com piano e voz, assim como “Memórias”, “Baby” e “Tudo Outra Vez”. Assim como o trabalho anterior, há várias canções com voz/violão predominando como “Miragem”, “Dona da Voz” e “Nada Mais”. Aquela sonoridade Daughtry/Nickelback persiste. Os momentos mais roqueiros ficam por conta de “Todo o Mal” e “Mais Do Que Ontem”. Quanto à tão falada composição realizada ao lado do Edu? A faixa (“Sou Eu”) é excelente, mas é uma balada romântica, me recordou aquelas baladas que os artistas fazem para os desenhos da Disney. Começo lento, cresce depois, refrão fácil de memorizar e orquestração por trás. Não estou tirando sarro. Só uma referência mesmo. Até porque gosto de algumas dessas músicas.

O disco foi feito para agradar seus velhos fãs, não há uma preocupação em se reciclar, de explorar novos territórios, ampliar seus seguidores. Tudo foi pensado por A+B. O álbum, mais uma vez, é bem produzido, bem tocado, bem cantado, mas como já disse, só é recomendado para quem curte uma sonoridade mais comercial, mais radiofônica. Se você já é um fã da Malta, curtirá o novo trabalho. Se você não vai com a cara deles, não vai ser com esse disco que mudará de idéia.

Nota: 7,0 / 10,0
Status: Comercial

Faixas:
      01)   Lá Fora
      02)   Dona da Voz
      03)   Nada Se Compara
      04)   Miragem
      05)   Cinderela
      06)   Nada Mais
      07)   Tudo O Que Sei
      08)   Todo o Mal
      09)   Pensa Em Mim
      10)   Mais Do Que Eu Gosto
      11)   Sou Eu

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

A Tribute to Sonata Arctica – Vários Artistas (2015)

Por Rafael Menegueti

A Tribute to Sonata Arctica
Álbuns tributo costumam causar certa polêmica. Se por um lado, ver uma banda de que gostamos sendo homenageada por vários outros artistas parece ser empolgante, por outro há sempre certa preocupação com o modo como essa homenagem será tratada e o seu resultado final. No geral, muitos tendem a se decepcionar quando as versões não parecem tão dignas daqueles que são homenageados.

Quando soube que havia um tributo ao Sonata Arctica em produção, tudo isso veio a minha cabeça, afinal sou muito fã da banda finlandesa. O projeto foi realizado por uma pequena gravadora escocesa, a Ouergh Records, e contou com alguns nomes conhecidos da cena e outros nem tanto. A própria banda esteve envolvida no processo, já que foi o baixista Pasi Kauppinen quem masterizou o disco.

Como em qualquer disco que envolve vários artistas diferentes, é obvio que teremos alguns altos e baixos no resultado como um todo. Nesse caso, o álbum começa muito bem, com uma sequencia de ótimas versões. Coube ao Timeless Miracle, banda sueca de power metal que voltou a ativa recentemente, o trabalho de abrir o disco com uma cover da canção mais popular do Sonata, “Fullmoon”. Eles mandaram bem, com um instrumental muito similar ao original, mas com uma personalidade diferente nos vocais. Em seguida vem o Stream of Passion, que fez uma excelente releitura de “I Have A Right” usando seu próprio estilo. Acabou sendo a faixa que mais se difere da original, mas muito positivamente, pois o arranjo sinfônico da banda holandesa e os vocais de Marcela Bovio deram um animo a mais a canção. Pra mim, a melhor do disco.

Os belgas do Dyscordia, uma banda bem menos conhecida, fizeram uma versão excelente de “My Land”, acrescentando vocais guturais em alguns trechos sem deformar a faixa. Já o Van Canto, banda alemã conhecida por seu metal a capela, criou uma ótima atmosfera em “Victoria’s Secret”, outro destaque positivo. A banda de melódico/speed metal ucraniana Sunrise fez uma versão de “Black Sheep” idêntica, muito boa para uma banda desconhecida, embora não mostre muito de sua própria personalidade. A cover de “Dont’t Say a Word” do Xandria já havia sido lançada anteriormente pela banda em seu último EP, e como já falei na resenha do mesmo, foi bem competente e interessante pelo diferente ponto de vista da letra criado pela banda.

Homenagem a banda finlandesa reuniu nomes novos e outros consagrados
Em “Letter to Dana”, os suecos do Coldspell fizeram uma leitura acústica bem apropriada a canção. Já a boa banda de progressivo ucraniana Majesty of Revival fez uma versão de “The Cage” boa na parte instrumental, mas com vocais sem empolgação. A faixa instrumental “Revontulet” vem em seguida através do Powerglove, banda conhecida por fazer covers de trilhas de games, mas que achei que podia ser aproveitada em uma faixa mais longa. E então chegamos ao ponto fraco do disco, na péssima versão de “Paid In Full” da banda inglesa Celestial Wish. Com uma instrumentação confusa, vocais irritantemente desafinados da vocalista Saneeta Ram, a faixa destoa de todo o resto negativamente, pois nada funciona. Deviam ter deixado de fora.

Em seguida a banda argentina Innvein aparece com uma versão razoável de “Wolf & Raven”, bem executada mas com uma guitarra base abafada que incomodou um pouco. Quem retoma o nível de qualidade no disco é o Arven. A banda quase toda feminina (exceto baterista) fez uma bela e agradável cover de “Replica”. Uma pena esse ter sido o último ato da banda, que anunciou seu fim no mês passado. Pra encerrar, três covers feitas por artistas pequenos que fazem parte da própria gravadora. O Abandoned Stars fez uma versão ok para “San Sebastian”, enquanto a banda de thrash Disposable mostrou uma versão bem suja para “8th Commandment”, que não ficou genial, mas também não ficou ruim. Encerrou o disco uma versão de “Wildfire” feita pela banda de metalcore Xeno. Embora muitos possam discordar por se tratar de um estilo que sofre certa resistência, a faixa não ficou ruim dentro do estilo, mas mostra uma banda que ainda precisa de certa lapidação se quiser crescer.

O saldo final desse projeto é bem variado. Por um lado, a maioria das faixas ficaram realmente muito boas, fazendo jus ao talento dos artistas que as executaram e também à banda homenageada. Por outro, algumas bandas pareceram um pouco deslocadas e soaram mornas no meio disso tudo. O repertorio escolhido focou em vários sucessos da banda, mas faltaram canções de álbuns mais recentes como “Days of Grays” e “Pariah’s Child”. Para os fãs, vale a intenção de divertir com essas diferentes versões de clássicos do Sonata. Mesmo com um ou outro deslize, vale conferir pelos ótimos acertos.


Nota: 7/10
Status: variado

Faixas:
1. TIMELESS MIRACLE – FullMoon (05:13)
2. STREAM OF PASSION – I Have A Right (03:49)
3. DYSCORDIA – My Land (04:43)
4. VAN CANTO – Victoria’s Secret (04:46)
5. SUNRISE – Black Sheep (03:52)
6. XANDRIA – Don’t Say A Word (06:07)
7. COLDSPELL – Letter To Dana (05:04)
8. MAJESTY OF REVIVAL – The Cage (04:35)
9. POWERGLOVE – Revontulet (01:38)
10. CELESTIAL WISH – Paid In Full (04:33)
11. INNVEIN – Wolf & Raven (04:30)
12. ARVEN – Replica (04:48)
13. ABANDONED STARS – San Sebastian (05:16)
14. DISPOSABLE – 8th Commandment (04:09)
15. XENO – Wildfire (04:08)