sábado, 5 de setembro de 2015

Motorhead – Bad Magic (2015):





Por Davi Pascale

Motorhead celebra seus 40 anos de estrada com álbum de inéditas. Disco mantém sua sonoridade típica e deve agradar seus fãs de longa data.

Há algumas discussões no mundo do rock que são infinitas. Uma delas é a questão de se o artista deve ou não mudar sua sonoridade com o passar dos anos. Há artistas que adoram se arriscar em novas aventuras sonoras e há aqueles que adoram manter sua tradição. Motorhead está no segundo time. Bad Magic apresenta, mais uma vez, Motorhead sendo Motorhead. E, mais uma vez, o resultado é inacreditavelmente bom.

Não é preciso ser um fã de carteirinha para saber que Lemmy Kilmister, infelizmente, não está passando por um período bom em relação à sua saúde. À todo momento, recebemos notícias sobre sua situação e as ultimas não foram muito animadoras. Os 3 últimos concertos do trio não chegaram ao fim porque o cantor simplesmente não apresentava condições físicas para isso e interrompeu a apresentação após poucas canções. Com isso, muitos começaram a questionar a interpretação vocal de Lemmy no último álbum. A verdade é que está dentro do que já é esperado. O baixista realmente está com a voz um pouco mais fraca, o que fica evidente na balada “Till The End”. Nas músicas mais porradaria, contudo, não se sente tanto. Até porque Lemmy nunca teve voz de molequinho, sejamos sensatos.

Grupo mantém a tradição em um dos grandes álbuns de 2015

O início do álbum mata do coração qualquer fã que se preze. Em “Victory Or Die”, após o baixista gritar o nome da canção, Phil Campbell entra com um riff rocker matador, no melhor estilo “Bomber”. “Thunder & Lightning” traz uma sonoridade mais direta. Com poucos acordes nos remete à canções como “Iron Fist”. Na sequência vem “Fire Storm Hotel” que traz uma sonoridade rock n roll, com ar mais festivo, nos remetendo à seus tempos de “Born to Raise Hell”. Mikey Dee demonstra que continua sendo uma metralhadora nos versos de “Shoot Out All Your Lights”, com uma bateria à la “Sacrifice”. Verdade seja dita, fazia tempos que o trio britânico não demonstrava composições tão fortes quanto às apresentadas aqui.

Para o bem ou para o mal, o Motorhead segue sem novidades. O que também significa sem modernidades, sem se render à modismos. A sonoridade é a de sempre. A voz ríspida de Lemmy com seu baixo distorcido, as guitarras rock n roll, a bateria acelerada. Lemmy traz o vocal cavernoso de “Orgasmatron” de volta em “Choking On Your Screams”.  Canções como “Teach Them How To Bleed”, “Tell Me Who To Kill” e “When The Sky Comes Looking For You” estão entre os grandes destaques do disco. Os pontos baixos ficam com “Evil Eye” e a já citada “Till The End”.

O disco se encerra com uma versão de “Sympathy For The Devil” dos Rolling Stones. Não, ela não ficou melhor do que a original, mas ficou empolgante e matadora. Infelizmente, pelo andar da carruagem, esse deve ser o último disco dos caras. Se esse realmente for o último capítulo, os caras podem ficar descansados que estão encerrando com chave de ouro. Um dos grandes álbuns de 2015.

Nota: 8,0/10,0
Status: Empolgante e inspirado

Faixas:
      01)   Victory Or Die
      02)   Thunder & Lightning
      03)   Fire Storm Hotel
      04)   Shoot Out All Of Your Lights
      05)   The Devil
      06)   Electrify
      07)   Evil Eye
      08)   Teach Them How To Bleed
      09)   Till The End
      10)   Tell Me Who To Kill
      11)   Choking On Your Screams
      12)   When The Sky Comes Looking For You
      13)   Sympathy For The Devil

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Lafayette e os Tremendões – A Nova Guarda (2015):





Por Davi Pascale

Músicos da geração anos 90/00 se unem à figura emblemática da Jovem Guarda. Em seu segundo álbum, músicos apostam em canções inéditas onde tentam reviver o início do rock brasileiro.

Aposto que muitos de vocês devem estar se perguntando: Afinal, quem é Lafayette? Lafayette é lembrado por muitos como o rapaz que gravava ao lado de Roberto Carlos na época da Jovem Guarda. Na real, ele gravava com a maior parte dos artistas do movimento. Chegou a participar de discos de diferentes artistas como Martinha, Wanderléa, Golden Boys, Jerry Adriani, Renato e Seus Blue Caps, só para citar alguns. Muitos defendem a idéia de que a Jovem Guarda não teria sido a mesma sem sua contribuição.

O músico, que já está com mais de 70 anos, se uniu ao grupo Os Tremendões em 2004, por acaso. Gabriel Thomaz assistiu à uma apresentação do tecladista em um shopping center e o convidou para comparecer ao ensaio de uma banda que havia criado para tocar canções daquela época. Para a surpresa de todos, ele apareceu, levou um som com os garotos e decidiu ficar no conjunto. Cinco anos depois, chegava às lojas o primeiro CD. As 15 Super Quentes trazia releitura de velhas canções daqueles tempos. Agora, lançam seu primeiro trabalho autoral.

O time é formado por Nervoso (Acabou La Tequila), Renato Martins (Canastra), Melvin Ribeiro (Carbona), Érika Martins (Penélope), Raphael Miranda (Luxuria), Gabriel Thomaz (Autoramas) e, é claro, Lafayette.

Músicos resgatam espírito da Jovem Guarda em novo CD

Em A Nova Guarda, os garotos tentam recriar a sonoridade da época. Mantiveram a batida das canções e a inocência das letras (embora os assuntos remetam à temas atuais). E, é claro, que o famoso tecladista não se reinventou. Segue a risca fazendo aquilo que se espera dele, utilizando o mesmo instrumento que sempre utilizou: seu famoso órgão Hammond B-3. Embora o projeto tenha nascido da cabeça de Gabriel Thomaz, a maior parte das composições são de Renato. 

“As Canções da Minha Idade” traz um vocal declamado, assim como Roberto Carlos fez em “Não Quero Ver Você Triste Assim”. O numero instrumental “A Nova Guarda de Lafayette e os Tremendões” nos remetem à grupos como The Clevers e The Jordans. “Eu Tenho Mil Garotas” é uma balada com uma levada meio anos 50, assim como ocorria em canções como “O Ritmo da Chuva” (Demétrius).

Os vocais são divididos ente Erika, Gabriel, Nervoso e Renato.  “Só Verão”, que conta com um teclado com fortes referências de “Quero Que Vá Tudo Pro Inferno” (tentem adivinhar o porquê), traz uma linha vocal meio brega, no melhor sentido da palavra. Nervoso soa como uma mistura entre Roberto Carlos e Reginaldo Rossi (fase rock). Erika Martins se destaca em “Tem Quem Quer”, enquanto seu marido Gabriel Thomaz se sobressai no rock “Decisão”.  

A Nova Guarda é um álbum despretensioso, alegre e bem feito. Certamente irá agradar não apenas aqueles que são fãs dos músicos que participam do projeto (grupos como Autoramas e Penélope nunca esconderam a admiração que tinham pela Jovem Guarda), como aqueles que viveram e sentem um pouco de saudades daquela época. Recomendado à nova e à velha guarda.

Nota: 7,5 / 10,0
Status: Alegre

Faixas:
      01)   A Nova Guarda de Lafayette e Os Tremendões
      02)   Só Verão
      03)   Eu Tenho Mil Garotas
      04)   Deixa Que Eu Deixo
      05)   Pra Viver do Seu Lado
      06)   Não Vale Mais Nada
      07)   Tem Quem Quer
      08)   Te Vejo Nos Meus Sonhos
      09)   As Canções da Minha Idade
      10)   Decisão

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Música Comentada: Serenity – Wings of Madness

Por Rafael Menegueti

Os membros do Serenity na época do lançamento de "War of Ages"
Já falei aqui sobre o Serenity, banda austríaca de power metal sinfônico que tem como costume fazer músicas inspiradas na historia de personagens importantes da historia mundial. Dentre os nomes que já foram tema de suas canções estão Beethoven, Napoleão, Galileu Galilei, Nero, entre outros. Alguns nomes mais obscuros também foram inspiração para algumas faixas. O único single do mais recente álbum da banda, “War of Ages”, é um desses casos.

Trata-se da canção “Wings of Madness”, que a banda compôs inspirada na historia de Elizabeth Bathory (ou Isabel, em português, e Erzsébet, do húngaro), também conhecida como a “condessa de sangue”. Elizabeth é uma constante referencia em inúmeras canções de heavy metal de diversas bandas, exatamente pela sua historia controversa e perturbadora. Bandas como Slayer, Kamelot e Ghost também já fizeram músicas sobre ela. A banda Bathory foi batizada em referencia a ela e o Cradle of Filth já dedicou inúmeras referencias, e até um álbum inteiro, a ela.

Elizabeth Bathory, a Condessa de Sangue
Esse fascínio todo não foi por acaso. Como já disse, sua historia foi bem perturbadora. A condessa húngara ficou conhecida pelos casos de tortura envolvendo seus serviçais, efetuados das mais diversas e cruéis maneiras (quem quiser saber, uma pequena busca pela internet já exibe muitas informações sobre). O relato mais comentado e folclórico seria o de que Elizabeth se banharia no sangue de suas jovens criadas para permanecer sempre jovem.

Estipula-se que ela teria sido responsável por mais de 650 mortes até ser presa e condenada a permanecer o resto do seus dias trancada em um calabouço. Elizabeth fora casada com um conde, Ferenc Nádasdy, que era militar e passava boa parte do tempo fora, o que possibilitava que Elizabeth executasse suas loucuras. Algumas fontes apontam que ele tentava acobertar sua esposa de seus atos. A música do Serenity relata exatamente essa relação do casal em meio a toda essa loucura sádica de Elizabeth, e do medo que Ferenc sentia de que ela fosse descoberta.


Out on the silent battlefield,
When the killing work is done
And the crimson haze has gone,
Still lies the deadly sword I wield
And i'm dreaming of your face, have begun to count the days

But I fear to face a dreadful fate
I am afraid to lose the one I cherish

No sun is shining in the sky
On wings of madness we will fly
We can't cross the distance
Away from reason
No sun is shining in your eyes
A shadow growing in disguise
I can't stand the silence
Embracing you at night

Here in the corners off my mind
Is a constant, longing scream, like an echo of a dream
Oh there is always peace to find
In a drop of blood that shines 
While a lonesome creature whines

Can I save you from a dreadful fate,
I am afraid to lose the one I cherish

I see you dancing with your demons
No silencioso campo de batalha,
Quando o trabalho de matar está feito 
E a névoa vermelha se vai,
Ainda repousa a espada mortal que empunho
E eu estou sonhando com seu rosto, começo a contar os dias

Mas eu tenho medo enfrentar um destino terrível
Estou com medo de perder aquela que eu prezo

Nenhum sol está brilhando no céu
Nas asas da loucura iremos voar
Nós não podemos atravessar a distância
Longe da razão
Sem sol brilhando em seus olhos
Uma sombra crescente disfarçada
Eu não suporto o silêncio
Abraçando você durante a noite

Aqui nos cantos da minha mente
Está um grito de saudade constante, como um eco de um sonho
Oh, há sempre paz para encontrar
Em uma gota de sangue que brilha 
Enquanto uma criatura solitária chora

Posso salvá-la de um destino terrível,
Estou com medo de perder aquela que eu prezo

Eu vejo você dançando com seus demônios

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Scooby Doo And Kiss: Rock n Roll Mystery (2105):



Por Davi Pascale

Kiss faz nova parceria com a empresa Hanna-Barbera. Em sua primeira animação, os mascarados de Nova Iorque dividem a telinha com o divertido Scooby Doo. DVD já foi lançado...

Embora esse seja o primeiro desenho animado do Kiss, essa não é a primeira produção ao lado de Hanna-Barbera. O lendário filme Kiss Meets The Phantom Of The Park, lançado no Brasil com o nome de Kiss e o Fantasma das Trevas, foi uma parceria dos músicos com o estúdio. O desenho traz algumas referências ao longa.

Assim o como o filme de 1978, toda a confusão ocorre em um parque de diversões em uma noite em que ocorrerá uma apresentação do Kiss. Dessa vez, contudo, os músicos não são meros convidados. Eles são os donos do parque (Kiss World). Outras semelhanças são os superpoderes emprestados aos músicos. Paul Stanley com sua visão raio-x, Gene Simmons cuspindo fogo. Os músicos se teletransportando (com a diferença que na antiga película, esse poder era exclusividade do Spaceman). Além da cena inicial ocorrida em uma montanha russa e os créditos iniciais ao som de “Rock n´ Roll All Nite”.

Na historinha, Daphne é apaixonada pelo Starchild (Paul Stanley) e arma uma cilada para que seus amigos – Velma, Fred, Salsicha e o velho cachorro Scooby – levem ela ao show que ocorrerá na noite de Halloween. Quando chegam ao local, descobrem que o parque realmente está com problemas e resolvem ajudar os músicos à decifrarem o mistério. The Demon (Gene Simmons), não está muito confiante da idéia, mas os demais músicos convencem o linguarudo à aceitar a ajuda dos colegas. 

Animação traz várias referências da Kisstory

Juntos, precisam decifrar o mistério e resolve-lo antes do início da apresentação. Uma bruxa que está atrás de um poderoso diamante do grupo (Black Diamond) está aterrorizando o parque. Precisam detê-la o quanto antes e manter o diamante à salvo. Assim como no filme Detroit Rock City (1999), há várias referências à kisstory. A vidente Chikara, o ancião The Elder, o vilão Destroyer, o universo paralelo Kissteria. Sem contar nos personagens Shandi Strutter e Dellilah Domino. Há ainda Stanley pintando um retrato de Daphne (para quem não sabe, ele realmente pinta telas) e a menção ao enorme merchandising da banda.
   
O papel dos músicos não é muito diferente do tão odiado filme dos anos 70: músicos com superpoderes que combatem o mal e levam alegria para as pessoas através de sua música. A diferença é que desenho animado sempre vendeu a idéia de que tudo é possível ocorrer ali. Seja na incrível velocidade do Taz Mania, seja nas trapalhadas de Pernalonga, seja na historinha do Kiss. E funcionou bem! E já que muitos estão atacando os músicos pelo projeto, vale lembrar que essa não é a primeira vez que um artista de rock se aventura nesse universo. Que o diga as várias participações na série Os Simpsons ou ainda a animação Yellow Submarine (The Beatles). 

O desenho é extremamente bem feito e conta com diversos efeitos, além de uma música escrita especialmente para o projeto. Vi algumas pessoas reclamando da dublagem em português. Assisti com o áudio original, mas não duvido que tenha ficado ruim. A dublagem do filme dos anos 70 já não era nenhum primor. Contudo, esse desenho é legal assistir com o áudio original, já que foram os próprios músicos que gravaram as vozes dos personagens. O DVD ainda não foi lançado no Brasil, mas a prensagem importada (tanto do DVD, quanto do Blu-Ray) conta com legenda em português. O desenho é muito bacana. Deixe a raivinha de lado e se divirta. Caso contrário, o senhor não ganhará um biscoito Scooby...

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Notícias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Exciter irá lançar disco com a formação original

Os membros do Exciter
O Exciter, banda canadense de speed metal que se consagrou na década de 80 e passou por diversas mudanças de formação desde o final da mesma, retornou com sua formação original, com Dan Beehler (bateria e voz), Allan James Johnson (baixo) e John Ricci (guitarra), no ano passado. O grupo vinha fazendo algumas turnês, tendo inclusive passado pelo Brasil na ultima semana, e agora confirmou que está em processo de composição de um novo álbum de inéditas. Esse será o primeiro disco com essa formação desde 1988.

Ozzy Osbourne está trabalhando em novo álbum

Ozzy vem aí
Segundo a presidente da Epic Records, Sylvia Rhone, o madman está produzindo mais um novo álbum de estúdio. Ela não entrou em detalhes, mas garantiu que o disco será bem especial e algo que ele sempre quis fazer mas nunca havia conseguido. O último álbum de estúdio de Ozzy havia sido “Scream”, de 2010. Nos últimos anos ele vinha se dedicando ao Black Sabbath, que lançou “13” em 2013.

Musical do Bob Esponja terá composições de estrelas do rock

Bowie está entre os escalados pra produzir canções para o musical
Um musical da Broadway, inspirado em um livro do personagem infantil Bob Esponja, está sendo produzido para estrear em 2016. O curioso será que, entre os artistas que irão produzir canções originais para o espetáculo, estão nomes como Steven Tyler e Joe Perry (Aerosmith), David Bowie, Flaming Lips, Panic! At The Disco, Cindy Lauper e Plane White T’s, entre outros. Essa ideia promete ser, no mínimo, curiosa.

Álbum tributo à Edu Falaschi será lançado


A gravadora MS Metal Records irá lançar um disco especial em homenagem aos 25 anos de carreira de Edu Falaschi, ex-Angra e atual líder do Almah. O tributo irá contar com diversas feras do metal nacional e alguns internacionais também, entre eles Dr. Sin, Rafael Bittencourt e Felipe Andreoli (Angra), Soulspell, Thiago Bianchi (Noturnall), Tim “Ripper” Owens (ex-Judas Priest), Ralf Scheepers (Primal Fear) e Tito Falaschi, entre muitos outros. Eles farão releituras de canções que marcaram a carreira de Edu no Angra, Almah e seus outros projetos. O lançamento está previsto ainda para esse ano.

Festival é cancelado após declarações polemicas de organizador

O Napalm Festival, evento que ocorreria na cidade de Manchester, na Inglaterra, foi cancelado após um dos organizadores do evento, John Owen McTeggart, postar na internet comentários ofensivos a respeito da garota Sophie Lancaster, morta em 2007 em um caso de violência que chocou o Reino Unido na época. A menina, que era gótica e fã de metal, foi brutalmente espancada por um grupo de jovens quando voltava pra casa, vindo a morrer alguns dias depois. Após as mensagens desrespeitosas de John Owen repercutirem na internet, diversas bandas cancelaram sua participação no evento, que se viu forçado a encerrar as atividades. Owen divulgou uma nota afirmando estar profundamente envergonhado e pedindo perdão pelo ocorrido aos parentes da menina, que mantem uma fundação em seu nome. Um outro evento, com as bandas que iriam se apresentar no festival, está sendo organizado em seu lugar, com renda revertida a Sophie Lancaster Foundation.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Autoramas – Sesc Santo Andre (28/08/2015):



Por Davi Pascale
Foto Show: Página Facebook Erika Martins
Foto Autografo: Norton (extraído da pagina do Facebook da Erika Martins)

Grupo Autoramas fez nova passagem pelo Sesc Santo Andre semana passada. Contando com uma nova formação, o grupo entregou aos seus fãs uma apresentação direta, profissional e enérgica.

Prestes a lançar um novo álbum – O Futuro dos Autoramas – banda fez uma nova passagem pelo ABC. A primeira vez que tocam aqui com esse lineup. Bacalhau e Flavia Couri pediram as contas. Para seus lugares, vieram os experientes Fred (Raimundos), Melvin (Carbona) e Érika Martins (Penélope). As escolhas não poderiam ter sido mais acertadas. Além de todos eles já terem uma relação próxima ao líder Gabriel Thomaz, o estilo deles caiu como uma luva. Fred trouxe um pouco mais de peso. Melvin interpreta as linhas de baixo com segurança. Erika Martins é, de longe, a melhor voz feminina que já tiveram (lembrem-se que as ex-baixistas também cantavam), além de ser extremamente carismática. O grupo está redondo!

Infelizmente, poucas pessoas compareceram à apresentação dessa sexta. Honestamente, esperava um público bem maior. Mas, certamente, quem deu as caras por lá, se divertiu bastante. Além de estarem bem entrosados, os músicos possuem ótima presença de palco e são bem simpáticos com a plateia. Erika se joga no público e tira as pessoas para dançar, Gabriel arrisca algumas piadas. Até mesmo as crianças tiveram seus momentos de destaque. Durante o show, duas crianças invadiram o palco. Os músicos não se incomodaram e deixaram a molecadinha se divertir um pouquinho lá em cima. Embora o teatro não estivesse abarrotado de gente, a banda não se abalou e tocaram como se estivessem diante de um estádio lotado.

Erika Martins assinando os discos pós-show

Quando um artista está prestes a lançar um novo trabalho ou acaba de lançar um, é comum que o explore ao máximo. O set apresentado na última sexta, contudo, foi bem dosado. “Gostaria de tocar o disco novo na íntegra, mas sei que se fizer isso vocês me matam”, disse Gabriel em determinado momento. O repertório passou por todos os álbuns e trouxe algumas curiosidades.

As quase hits “Abstrai”, “Fale Mal de Mim” e “Você Sabe”, obviamente não ficaram de fora e tiveram uma boa participação do público. Gabriel Thomaz relembrou seus tempos de Little Quail & The Mad Birds com “1,2,3,4”. Érika Martins mandou "Kung-Fu" de seu primeiro disco solo. Os fãs de Fred certamente se animaram com a versão de “Aquela”, responsável por fechar a noite. Para quem não se lembra, os Raimundos regravaram essa canção do Little Quail no álbum Só No Forévis. E é claro, algumas músicas de seu próximo disco, foram mostradas em primeira mão.

O som estava super bem equalizado e boa parte das músicas que são destaque em sua discografia – como “Mundo Moderno” e “A História de Cada Um” – foram apresentadas. Show realmente muito bacana de assistir. Aqueles que esperaram pelos músicos, foram atendidos para fotos e autógrafos. Lógico que aproveitei a ocasião para assinar meus discos com os músicos, já que sou fã de longa data dos caras. Os 4 foram muito educados e pacientes com os fãs que os aguardaram. Noite bem bacana. Quem tiver a oportunidade de assistir um show do grupo, vá, a diversão é garantida.

domingo, 30 de agosto de 2015

Kobra and the Lotus – Words of the Prophets (2015)

Por Rafael Menegueti

Kobra and the Lotus - Words of the Prophets
Os canadenses do Kobra and the Lotus vem ganhando popularidade no meio do metal ano após ano. A banda, que já lançou três álbuns de estúdio, ainda não é tão conhecida por aqui, mas creio que isso será questão de tempo para mudar. Eles lançam um interessante EP de covers de artistas canadenses, “Words of the Prophets”.

A banda tem um estilo cheio de potencia e uma boa técnica para fazer um heavy metal simples e tradicional, com uma boa dose de hard rock. Nesse EP, a ideia foi fazer uma homenagem a bandas icônicas de seu país natal. A banda então perguntou aos seus fãs quais canções eles gostariam de ver na versão deles. As segundo a vocalista Kobra Page, a maioria era de metal, e ela não queria que o EP se tratasse apenas disso. Por isso a banda foi além na escolha de seu repertorio.

A banda abre com uma versão da magistral “Lay It On the Line”, do Triumph. A faixa, lançada originalmente em 1979, é daquelas perfeitas pra se ouvir no talo, com um refrão marcante e digno do rock de arena. Podia ser um clássico mais aclamado, mas ganhou uma justa homenagem nessa versão, onde a voz de Kobra consegue perfeitamente incorporar o poder da canção e colocar sua própria personalidade.


A faixa seguinte é “Sign of the Gypsy Queen”, lançada no inicio da década de 70 pelo April Wine. A versão do Kobra and the Lotus dá um ar mais hard rock a essa canção tipicamente rock n’ roll tradicional. Destaca-se no EP também a faixa “Black Velvet”, uma empolgante versão da canção da cantora de rock e blues Alannah Myles.

Um bom contraste de estilos pode ser encontrado na versão que a banda fez de “Let It Ride”, do bachman-turner Overdrive (também conhecido como BTO). A banda insere peso em uma canção que tem uma vibração e estilo tipicamente setentistas. Por fim, uma cover do primeiro hit do Rush, um dos maiores expoentes do rock canadense. E pode ter sido um bom desafio criar essa versão de “The Spirit of Radio”, uma faixa bem progressiva e revigorante, mas a banda tirou de letra.

O resultado dessa boa ideia do Kobra and the Lotus não poderia ter sido melhor. Os fãs foram presenteados com uma seleção muito boa de cinco grandes canções, com a cara da banda, que fez um ótimo trabalho e mostrou ainda mais a sua competência e habilidade. É de bandas com essa personalidade que o rock precisa, seja para lançar boas músicas próprias, ou pra se aventurar com canções já consagradas sem deforma-las ou parecer forçado. Kobra e seus companheiros foram muito eficientes nisso.



Nota:9/10
Status: Potente e nostálgico

Faixas:
1. Lay It On The Line (Triumph Cover)
2. Sign Of The Gypsy Queen (April Wine Cover)
3. Black Velvet (Alannah Myles)
4. Let It Ride (BTO Cover)
5. Spirit Of The Radio (Rush Cover)