terça-feira, 25 de agosto de 2015

Ringo Starr – Postcards From Paradise (2015):



Por Davi Pascale

Ringo Starr chega à seu décimo oitavo álbum. Músico mantém sua essência intacta e deve agradar seu público extremamente fiel.

Ringo sempre dividiu opiniões. Há quem o considere um músico fraco que teve a sorte de estar envolvido em um dos maiores grupos de rock de todos os tempos. Há quem o considere um músico único, criativo, com uma linguagem própria e que ajudou a desenhar a sonoridade clássica dos Beatles. Faço parte do segundo grupo.

O baterista, contudo, por mais que tenha contribuído com sua pegada diferenciada para criar o som do quarteto de Liverpool, nunca conseguiu ganhar o mesmo respeito que seus companheiros em relação à composição. Dono de uma discografia irregular, conseguiu poucos hits na sua carreira-solo. Por outro lado, nunca deixou de ser ele mesmo. Nem em relação à sonoridade, nem em relação à postura. E isso se comprova, mais uma vez, em Postcards From Paradise.

Richard Starkey sempre esteve cercado por ótimos músicos. Seja nos Beatles, seja com seu Ringo Starr And His All-Starr Band, seja na gravação de seus discos de inéditas. Aqui, não é diferente. Gravado no seu home studio, em Los Angeles, o álbum é repleto de ilustres convidados. Entre eles; Richard Marx, Joe Walsh (Eagles), Nathan East (Eric Clapton, Phil Collins) e Peter Frampton. Também se fazem presentes os convidados de sua mais recente formação da All-Starr Band: Steve Lukather (Toto), Todd Rundgren, Gregg Rolie, Richard Page (Mr. Mister), Warren Ham (Toto, Kansas) e Gregg Bissonette (David Lee Roth, Joe Satriani). Gravaram juntos, inclusive, a faixa “Islands In The Sun”. Um pequeno reggae. Algo que não é nenhuma surpresa para seus fãs. Essa não é sua primeira aventura nesse universo, nem de longe. Essa lado reggae aparece com força também em “Right Side Of The Road”. Uma canção pop, mas com uma levada reggae, assim como foi “Wings” (Ringo The 4th).

Ringo Starr mantém sua sonoridade clássica em novo álbum

Assim como seu álbum de 2010, invoca o passado em algumas letras. “Rory And The Hurricanes”, responsável por abrir o disco, fala sobre seus anos pré-Beatles. Já a faixa-título é uma clara referência ao grupo que o tornou famoso. Desde a letra que cita várias faixas da discografia dos rapazes (“We Can Work It Ou”, “Yesterday”, “P.S. I Love You”...), até o solo de guitarra gravado com slide, uma das marcas de George Harrison.

Não faltam seus rocks animados (“Touch And Go” e “Let Love Lead”), nem a famosa balada (“Not Looking Back”). “Bamboula” traz um arranjo alegre nos remetendo à seus tempos de “Oo Wee” e “Back Of Bungaloo”. Como podem ver, não hás espaços para inovações. Há quem diga que não houve colaborações de artistas pop dessa vez. Sinto dizer, mas teve. Glenn Ballard, que gravou piano em algumas faixas, chegou a produzir e gravar com artistas pop que vão desde Michael Jackson até Shakira. David Stewart esteve à frente do duo Eurythmics. Mas os fãs não precisam se preocupar. A sonoridade do divertido baterista continua intacta. Postcards From Paradise não é um álbum tão forte quanto Ringo ou Vertical Man, mas é um trabalho honesto e sólido. Se você é fã do rapaz, pode ir sem medo.

Nota: 7,0 / 10,0
Status: Sólido

Faixas:
      01)   Rory And The Hurricanes
      02)   You Bring The Party Down
      03)   Bridges
      04)   Postcards From Paradise
      05)   Right Side Of The Road
      06)   Not Looking Back
      07)   Bamboula
      08)   Island In The Sun
      09)   Touch and Go
      10)   Confirmation 
      11)   Let Love Lead

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Notícias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Foo Fighters invade e atrapalha protesto de igreja homofóbica nos EUA

Sempre causando, os integrantes do Foo Fighters aprontaram mais uma que fez muita gente adora-los ainda mais. Os músicos invadiram um protesto de membros da Westboro Baptist Church, igreja conhecida por seu extremismo e por propagar o ódio contra homossexuais e outros grupos, em Kansas City, nos EUA. Na parte traseira de uma pick-up, o grupo se infiltrou no meio dos ativistas com cartazes e tocando em alto volume a música “Never Gonna Give You Up”, do cantor Rick Astley, atrapalhando e fazendo com que o grupo extremista não conseguisse continuar gritando seus absurdos. Obvio que a ação foi parar no Youtube (veja abaixo).


Nightwish lança coleção de joias assinada pela banda, e versão especial do novo disco

Imagem da coleção de joias da banda
Os finlandeses do Nightwish tem agora um artigo de luxo que carrega seu nome. A banda ganhou uma linha de joias feita pela joalheria Kalevala. Desenhadas a partir dos temas abordados no conceito de seu mais recente álbum, “Endless Forms Most Beautiful”, a coleção se chama “Evolution Series by Nightwish” e consiste em dois pingentes e um bracelete. A vocalista da banda, Floor Jansen, já era a “garota-propaganda” da marca há alguns meses. Ainda sobre o novo álbum da banda, uma versão “tour edition” do mesmo será lançada em 30 de outubro, com um DVD bônus com faixas ao vivo, clipes e making of do álbum.

Alice In Chains já trabalha em novo disco

Alice In Chains
Os remanescentes da cena grunge de Seattle estão trabalhando no sucessor de “The Devil Put Dinosaurs Here”, de 2013. Segundo o baixista Mike Inez relatou em entrevista a uma rádio, a banda está em processo de composição de novas músicas. Ele afirmou que a banda não tem pressa, e está começando a criar novos riffs. O novo disco pode sair entre o final desse ano e o ano que vem.

Novo disco do Deftones deve sair até o fim do ano

Deftones
A banda de metal alternativo de Sacramento está com seu disco novo praticamente pronto. Segundo entrevista do vocalista Chino Moreno concedida à uma rádio americana, o grupo compôs dezesseis músicas para o novo trabalho, que será o sucessor de “Koi No Yokan”, de 2012. A banda está em processo final de mixagem e masterização do álbum, e trabalhando nos detalhes do encarte e arte da capa. O novo trabalho ainda não tem nome, mas deve sair em novembro.

domingo, 23 de agosto de 2015

Hibria – Sesc Santo André (21/8/2015):



Por Davi Pascale
Foto show: Rafael Serván

O Sesc Santo André recebeu mais um forte representante da cena heavy metal brasileira. Com show longo, os gaúchos do Hibria não deixaram pedra sobre pedra e fizeram a felicidade dos fãs.

A última sexta-feira foi mais uma noite que os headbangers do ABC demorarão para esquecer. Depois de conferirem Hangar e Almah com ótimos shows, quem freqüenta o Sesc Santo André teve a oportunidade de conferir de perto a apresentação do Hibria, grupo que está em crescente na cena heavy metal brazuca. Iuri Sanson, Abel Camargo, Renato Osorio, Benhur Lima e Eduardo Baldo fizeram um show extremamente profissional e demonstraram o porquê da babação de ovo da mídia especializada em cima dos rapazes.

Desde os primeiros acordes, os garotos de Porto Alegre demonstraram que estão prontos. Com som no talo, ótima postura de palco e um enorme carisma, os rapazes tinham o público na palma das mãos. Bacana notar que a preocupação deles vai além de tocarem bem. Os músicos tiveram a preocupação de montar um show. Não faltaram números solos, brincadeiras com a platéia, que iam desde os famosos sing-along até disputas para ver qual lado da casa gritava mais alto.

Se é comum os grupos brasileiros deixarem um pouco a desejar na parte vocal, podemos dizer que os caras são uma exceção no cenário. Iuri Sanson, além de ter uma ótima presença de palco, consegue reproduzir com perfeição todos os agudos que solta no disco. Outros músicos que roubaram a cena na apresentação foram o baterista Eduardo Baldo e o guitarrista Renato Osorio.

Hibria em ação!

Diante de um teatro cheio, os músicos estavam visivelmente empolgados. Não sei se por conta da boa recepção da platéia ou se por conta de estarem inaugurando uma nova turnê. A gira Metal Maniac Inside Tour, criada para divulgar seu recente álbum auto-intitulado, iniciou justamente nessa noite. Os músicos chegaram, inclusive, a tocar além do horário permitido, o que deixou o pessoal da casa de cabelo em pé.

Durante, aproximadamente, 140 minutos, os músicos reviveram toda sua obra. Não faltaram no set canções como “Millenium Quest” (Defying The Rules), The Anger Inside (The Skull Collectors), “Welcome To The Horror Show” (Blind Ride), “Shoot Me Down” (Blind Ride) e “Silent Revenge” (Silent Revenge). Não faltaram ainda canções do novo disco como “Tightrope”, “Life” e “Church”. Todas tocadas com um peso extremamente absurdo e uma garra invejável. A alegria chegou ao fim ao som de “Tiger Punch” (Skull Collectors), uma das canções pedidas pela platéia.

Mesmo tendo extrapolado o horário, os músicos foram bem solícitos e compareceram na banquinha de merchandising para atender os fãs para fotos e autógrafos. Noite para fã nenhum botar defeito. Quanto às atrações, gostaria muito de assistir por lá o Korzus ou o Shadowside. Será que existe alguma chance desses caras pintarem por aqui? Fico na torcida!

sábado, 22 de agosto de 2015

Iron Maiden: como o novo single já ganhou o mundo

Por Rafael Menegueti

A Donzela de Ferro está de volta 
Desde a semana passada os fãs de heavy metal não falam de outra coisa senão o novo single do Iron Maiden, “Speed of Light”. A música chegou e, tal qual o seu título, rapidamente conquistou os fãs antigos e novos, por uma serie de fatores que certamente foram bem pensados pela banda e sua equipe. Claro que só o fato de ser uma música nova do Iron Maiden já ajuda muito, mas paremos pra analisar alguns elementos que fizeram com que essa canção ganhasse ainda mais evidencia e tantos comentários.

A canção que foi escolhida como o primeiro single do novo e aguardado disco “The Book of Souls” tem jeito de hit. Ela tem a pegada característica do grupo, vocais vibrantes e um andamento animado. Segundo Bruce Dickinson, poderia até estar em “Piece of Mind”, de 1983. De fato sua escolha parece boa para chamar a atenção de um disco que promete. Primeiro ponto a favor do grupo.

Depois vem toda a expectativa em cima do novo álbum. Se o primeiro single já conseguiu causar tamanho impacto positivo, certamente os fãs ficaram ainda mais ansiosos por “The Book of Souls”, a ponto até de um falso vazamento ter rolado, com uma coletânea sendo colocada para download com o nome trocado pelo nome do disco, causando um belo de um alvoroço entre os mais apressadinhos.

A expectativa é grande demais. É um disco marcado pela historia de superação de Bruce Dickinson, que o gravou enquanto ainda estava com um tumor na língua, do qual ele anunciou estar curado recentemente. Além de que esse é o primeiro disco do Iron Maiden desde “The Final Frontier", de 2010, álbum que já havia sido muito bem recebido. Portanto, esse novo single reacendeu ainda mais a fome dos fãs pelo novo trabalho, já que esse primeiro aperitivo foi muito proveitoso.

Por fim, a grande cartada da banda ficou com o videoclipe. A ideia de uma animação com referencias a videogames e também de capas e clipes clássicos da banda ficou genial. Agradou os fãs antigos e chamou a atenção da garotada que se interessa por tecnologia e games. Com uma tacada só eles aproximaram as gerações e os trouxeram pro lado deles. Por isso é fácil dizer que o Iron Maiden é uma das melhores bandas do mundo. Eles sabem como entrar no jogo pra ganhar. Abram espaço porque eles estão por aí de novo, pra mostrar como se faz.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Bon Jovi – Burning Bridges (2015):





Por Davi Pascale

O novo álbum do Bon Jovi está sendo lançado hoje, via Itunes. Formado a partir de velhas canções, disco é o primeiro sem o guitarrista Richie Sambora e deve agradar aqueles que curtiram os últimos álbuns.

Antes mesmo de ser colocado à venda no Itunes, o álbum caiu na integra nas redes. Até aí... nenhuma novidade. Está cada vez mais comum os discos vazarem. Há quem diga que esse é o verdadeiro pesadelo dos artistas. Há quem diga que isso é jogada da gravadora para chamar atenção para o disco. Teorias à parte, a grande novidade é que o novo disco do Bon Jovi não é exatamente novo. O cantor Jon Bon Jovi explicou em entrevista exclusiva à rádio WBCBS FM: “Esse é um álbum de fã para promover uma turnê de doze shows. São canções que estavam inacabadas e que nós terminamos. Há algumas novas, como a que lançamos como single (“We Don´t Run). Ele aponta para onde estamos caminhando musicalmente, mas não é nosso novo álbum. Nosso novo trabalho, de verdade, será lançado no próximo ano”.

Se esse é o caminho pelo qual a banda está caminhando, os velhos fãs que torciam por um retorno para a sonoridade mais hard rock podem baixar a guarda. As canções inéditas de nada lembram a época de ouro dos rapazes de New Jersey. Já quem continuou acompanhado os garotos durante esses anos têm uma chance maior de gostar do novo disco. As principais características do atual Bon Jovi estão aqui.

“A Teardrop To The Sea” parece uma sobra de The Circle. Continua aquela sonoridade mais down, com arranjos estilo U2 e backings na onda do Thirty Seconds To Mars. “Who Would You Die For” e, especialmente, “Life is Beautiful” também poderiam estar no álbum de 2009. “Amem” de What About Now contava com um arranjo sutil, deixando a voz de Jon em evidência. O mesmo ocorre aqui em “Blind Love”, dessa vez contando apenas com teclado e voz.

Segundo Jon Bon Jovi, esse álbum não deve ser considerado um novo trabalho do grupo

 Em se tratando de Bon Jovi, não poderia deixar de ter canções com influência mais country. Aparece aqui de maneira descarada na alegre “Burning Bridges” e de maneira disfarçada em “Im Your Man”, uma espécie de nova “We Gotta Goin´ On” (Lost Highway). Não poderia faltar também uma canção pop-rock com forte presença dos violões. Nesse caso, representada por “Fingerprints”. O single “We Don´t Run” demonstra o Bon Jovi se adaptando aos tempos atuais. Conta com uma sonoridade moderna. Os fãs mais radicais ficarão descabelados já que conta com grandes influências de Nickelback.  Já “Saturday Night Gave Me Sunday Morning” conta com as mãos de Sambora na composição, e traz uma sonoridade mais alegre, mas não é nada que não se imagine o Bon Jovi fazendo. Bem próxima à linguagem de What ABout Now.

Todas essas referências não são por acaso. A produção do álbum, assim como o trabalho de guitarra em várias faixas, ficou à cargo de John Shanks. O mesmo rapaz que trabalhou com eles em Have a Nice Day, Lost Highway e What About Now. Assim, como acontece nos últimos discos do grupo, há poucos momentos onde a guitarra se destaca falando alto e criando momentos marcantes. A tônica continua sendo criar refrões que ficam na cabeça das pessoas e quem se destaca mais durante a audição é realmente o Jon Bon Jovi. Se você é declaradamente um fã do grupo e consegue curtir as mudanças de sonoridade apresentada pelos músicos através dos anos, é um bom álbum. Se você sente saudade dos anos 80, afaste-se.

Nota: 7,0 / 10,0
Status: Bem trabalhado

Faixas:
      01)   A Teardrop To The Sea
      02)   We Don´t Run
      03)   Saturday Night Gave Me Sunday Morning
      04)   We All Fall Down
      05)   Blind Love
      06)   Who Would You Die For
      07)   Fingerprints
      08)   Life Is Beautiful
      09)   I´m Your Man  
      10)   Burning Bridges

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Ghost - Meliora (2015)

Por Rafael Menegueti

Ghost - Meliora
Controversa e misteriosa, o Ghost é mais uma daquelas bandas que provocam “debates” entre os admiradores do rock e metal ao redor do mundo. Muitos não cansam de bradar por ai o quanto detestam o som desse sexteto sueco cujos integrantes tem suas identidades mantidas em segredo. Outros defendem a banda que, quando foi elogiada por nomes como Dave Grohl, ganhou status de cult. Fato que só aumentou a bronca daqueles que os odeiam.

Eu particularmente acho que esse pessoal reclama demais. O som do Ghost não é algo inovador e revolucionário, mas também está longe de ser o lixo que seus haters teimam em apontar. Quem ouve logo identifica a forte influencia de Black Sabbath, assim como de rock psicodélico e varias vertentes de rock clássico, principalmente dos anos 70. Pra ser sincero, nem sei se dá pra chamar o Ghost de metal. O visual e temática ocultista/satanista que a banda ostenta falam mais nesse sentido que a música. Mas isso pra mim faz mais parte do contexto artístico, da mística por trás deles. Puro marketing, e bem feito, diga-se de passagem.

Nos dois primeiros discos da banda podíamos conferir algumas faixas bem interessantes, e que ajudaram a impulsionar a popularidade deles. A banda lança agora “Meliora”, seu terceiro disco, novamente fazendo uso de seus velhos costumes. "Outro" vocalista comanda os atos (só o personagem muda, o cantor é o mesmo, caso não saiba). Papa Emeritus III tem um timbre que me agrada, e nesse álbum ele ousa um pouco mais na personalidade de sua voz.

Papa Emeritus III e os Nameless Ghouls
“Meliora” agrada em muitos quesitos. É um disco direto, simples e rápido. As composições mostram climas e direções variadas. O primeiro single “Cirice” já havia me impressionado muito quando ouvi. Considero uma das canções mais fortes de toda o repertorio da banda, daquelas que dá vontade de voltar e ouvir de novo. A faixa “Spirit”, que abre o disco, é bem marcada pelo estilo da banda, mas aparenta ter mais cor e vida. O álbum inteiro segue nesse clima.

Varias faixas são marcantes por um ou outro elemento que se destacam nelas. A levada de “From the Pinnacle To The Pit”, a delicadeza de “He Is”, o peso de “Mummy Dust”, o ritmo envolvente de “Majesty”, o peso na medida certa de “Absolution”, e o encerramento com a melodia simples e agradável de “Deus In Absentia”, formam o conjunto de virtudes desse bom álbum do Ghost. A banda pode não ser genial, mas tem competência suficiente pra ser um nome interessante no rock mundial, que precisa mais do que nunca de boas direções. Se o pessoal que insiste em reclamar não enxergar isso, o problema que seja só deles.


Nota: 8/10
Status: Bem elaborado

Faixas:
01. Spirit
02. From The Pinnacle To The Pit
03. Cirice
04. Spöksonat
05. He Is
06. Mummy Dust
07. Majesty
08. Devil Church
09. Absolution
10. Deus In Absentia

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Randy Rhoads – Immortal Randy Rhoads: The Ultimate Tribute (2015)


Por Davi Pascale

Um dos mais cultuados guitarristas dos anos 80 ganha novo tributo. Com produção de Bob Kulick, álbum conta com cast estelar.

Randy Rhoads era considerado uma das grandes promessas do heavy metal, quando perdeu a vida, vítima de um desastre aéreo aos 25 anos de idade. O músico gravou pouco, mas até hoje seu trabalho de guitarra é devotado e seus solos são objetos de estudo, o que torna essa homenagem mais do que merecida.

Ao contrário de grande parte dos álbuns tributos produzidos por Bob, onde cada música conta com um lineup totalmente diferente, aqui pouco se muda em relação à bateria e vocal e nada se muda em relação ao baixo. Rudy Sarzo ficou responsável por gravar as 4 cordas. A escolha não poderia ser mais acertada, já que ele tocou com os 2 artistas com quem Randy trabalhou: Ozzy Osbourne e Quiet Riot. A bateria ficou por conta de Vinny Appice (Black Sabbath), Frankie Banali (Quiet Riot) e Brett Chassen, um músico de estúdio que já chegou a trabalhar com Dee Snider, Michael Schenker entre outros. A maioria dos vocais foram registrados por Tim Ripper Owens (Judas Priest, Iced Earth). Os outros cantores que participam do projeto são Serj Tankian (System of a Down), Chuck Billy (Testament) e Kelle Roads, irmão de Randy. 

Bob Kulick explicou que optou por esse formato porque não queria que as pessoas prendessem sua atenção ao trabalho vocal e sim aos guitarristas, já que a idéia era homenagear o garoto. A maior parte do repertório veio dos álbuns que gravou ao lado do madman, apenas 2 músicas de seus tempos de Quiet Riot aparecem por aqui. Os arranjos foram interpretados de maneira fiel, mas os solos ganharam uma nova cara.

Álbum foi produzido pelo guitarrista Bob Kulick

O clássico “Crazy Train” abre o disco contando com Serj Tankian e Tom Morello (Rage Against The Machine). Resultado ficou não mais do que razoável. A canção não combina com a voz de Serj e o solo de Morello ficou não mais do que interessante. Outra que ficou razoável foi Mr. Crowley. Não por conta de Alexi Laiho (Children of Bodom) que fez um ótimo trabalho de guitarra, dando uma atualizada no primeiro solo e interpretando o solo final de maneira bem próxima, mas por conta do trabalho vocal de Chuck Billy, essa música não tem nada a ver com ele. Os teclados dessa ficaram por conta de Kelle, assim como o vocal de “Back To The Coast”. Definitivamente, o rapaz é melhor tecladista do que cantor, de todo modo a homenagem é válida por se tratar de um membro da família. Em relação ao vocal, quem se sai melhor realmente é Tim Ripper Owens, responsável por 80% dos vocais aqui. Ainda bem. Desculpe Bob, não tem como não reparar no vocal em um trabalho desses. Tanto Kevin DuBrow quanto Ozzy Osbourne são vocalistas com características bem peculiares, não tem como não comentar.
                                                                                                          
A maior parte dos guitarristas optou por dar uma atualizada nos solos. Ou seja, não recriaram do zero, mas também não tiveram a preocupação de reproduzir nota por nota. Mantiveram as partes marcantes intacta, mas deram uma cara sua. E a maior parte se saiu incrivelmente bem. Também não houve a preocupação de recriar o timbre de guitarra de Randy. Sendo assim, temos vários músicos que reconhecemos assim que entra tocando, sem ter a obrigação de recorrer ao encarte para saber quem tocou ali. Um com essa característica é George Lynch (“I Don´t Know”), que sempre teve um som próprio, assim como Dweezil Zappa (“S.A.T.O.) Doug Aldrich roubou a cena em “Believer”, Brad Gillis (que substituiu Randy, logo após sua morte, na banda de Ozzy) fez bonito em “Suicide Solution”. Bruce Kulick também se destaca em “Back To The Coast”. A grande decepção fica por conta de Gus G que fez um solo rápido e técnico demais para a balada “Goodbye to Romance”. Tudo bem que o solo original tinha algumas passagens rápidas, mas nem tanto. Parece que estava com a síndrome de Malmsteen. Adoro Yngwie Malmsteen, mas um solo nesse estilo em uma balada é algo que realmente não funciona.

Apesar de uma ou outra bola fora, o resultado do tributo é bem legal. Não está no mesmo nível de Bat Head Soup (álbum tributo ao Ozzy que também foi produzido por Bob Kulick), mas certamente agradará aos fãs.

Nota: 7,5 / 10,0
Status: Divertido

Faixas
      01.  Crazy Train (Serj Tankian, Tom Morello, Rudy Sarzo, Vinny Appice)
      02.  Over The Mountain (Tim "Ripper" Owens, Jon Donais, Rudy Sarzo, Frankie Banali)
      03.  Mr. Crowley (Chuck Billy, Alexi Laiho, Kelle Rhoads, Rudy Sarzo, Vinny Appice)
      04.  Believer (Tim "Ripper" Owens, Doug Aldrich, Rudy Sarzo, Vinny Appice)
      05.  Back To The Coast (Kelle Rhoads, Bruce Kulick, Rudy Sarzo, Frankie Banali)
      06.  I Don´t Know (Tim "Ripper" Owens, George Lynch, Rudy Sarzo, Brett Chassen)
      07.  S.A.T.O. (Tim "Ripper" Owens, Bob Kulick, Dweezil Zappa, Rudy Sarzo, Vinny Appice)
      08.  Killer Girls (Tim "Ripper" Owens, Joel Hoekstra, Rudy Sarzo, Brett Chassen)
      09.  Goodbye To Romance (Tim "Ripper" Owens, Gus G, Rudy Sarzo, Brett Chassen)
      10.  Suicide Solution (Tim "Ripper" Owens, Brad Gillis, Rudy Sarzo, Brett Chassen) 
      11.  Flying High Again (Tim "Ripper" Owens, Bernie Torme, Rudy Sarzo, Brett Chassen)