domingo, 9 de agosto de 2015

Especial Dia dos Pais



Por Davi Pascale


Hoje, é o Dia dos Pais. Por conta disso, resolvi fazer uma seleção de 10 músicas que os artistas se inspiraram em seu pai para compor. Algumas canções se tornarem grandes hits, outras são músicas obscuras. Entre seus temas temos de tudo que envolve a vida: saudades, mágoas, revolta, admiração, agradecimento. Trago aqui uma rápida explicação sobre a letra e o vídeo da canção para que possam conferi-la. Confira!

Pearl Jam – Alive

Nesse clássico do grunge, Eddie Vedder escreve sobre um garoto que descobre que seu pai não é seu pai biológico e que seu verdadeiro pai está morto. Por muitos anos acreditou-se que a letra era ficcional. Entretanto, o cantor já a declarou como autobiográfica. 



Bruce Springsteen – My Fathers House

The Boss sempre teve uma relação difícil com seu pai. Aqui, escreve sobre os conflitos que teve com seu pai na juventude. Springsteen era um garoto rebelde e seu pai tinha uma postura severa. Entretanto, fala em tom de superação, de deixar os tempos ruins para trás.



Green Day – Wake Me Up When September Ends

A música se tornou um dos maiores sucessos do grupo e talvez, um dos maiores sucessos da cena roqueira mais atual. Muito provavelmente, muitos americanos viram na canção uma válvula de escape para parentes e conhecidos que perderam no atentado de 11 de Setembro. A canção, entretanto, teve outra inspiração. Billy Joe Armstrong escreveu a letra como uma homenagem ao seu pai que morreu de câncer quando ele tinha 10 anos. A letra era para ser como uma terapia para o rapaz.



Eric Clapton – My Fathers Eyes

A ideia dessa letra é bonita, mas é triste. O icônico guitarrista perdeu um filho de 4 anos que caiu do 53º andar de um prédio no início dos anos 90. Abalado, acabou escrevendo 4 canções inspirado no garoto. Nessa canção lançada no álbum Pilgrim, o garoto serve como referência para outro triste momento na vida do músico. Aqui, escreve sobre seu pai que nunca conheceu. Clapton dizia que olhar nos olhos de seu filho era a experiência mais próxima que tinha dessa relação. Esse é o conceito da música.



Black Stone Cherry – Things My Father Said

Essa é um pouco mais light. Lançada no álbum Folklore and Superstition, o cantor Chris Robertson agradece à seu pai por todos conselhos, tudo que aprendeu com ele e sobre como isso lhe tornou uma pessoa melhor.



Madonna – Oh Father

A rainha do pop nunca escondeu de ninguém sobre o quão severo foi seu pai em sua criação, assim como sua madrasta (a mãe biológica da Madonna morreu quando ela ainda era criança). A letra embora tenha um ar de superação, deixava claro que existia uma certa mágoa ali. 



Jane´s Addiction – Had a Dad

A idéia é parecida com a canção do Pearl Jam. A letra fala sobre como Eric Avery, baixista do grupo, se sentiu quando descobriu que aquela pessoa que havia criado ele não era seu pai biológico. O cantor Perry Farrel ajudou a escrever a letra.


Queen – Father to Son

Lançada originalmente no álbum Queen II, a letra foi baseada na perspectiva de um pai que tenta passar algumas “lições” para o filho, mesmo sabendo que não está tendo atenção do mesmo.


U2 – Sometimes You Can´t Make It On Your Own

Quando os irlandeses do U2 entraram no estúdio para gravar All That You Can´t Leave Behind, Bono Vox já sabia que seu pai tinha pouco tempo de vida. Resolveu, então, escrever essa canção em sua homenagem. A letra é escrita no formato de uma carta. Contudo, a música não ficou pronta à tempo e só foi lançada no álbum seguinte How to Dismantle An Atomic Bomb, quando seu pai já havia falecido, mais uma vítima do câncer.


Ugly Kid Joe – Cats In The Cradle

Essa canção foi escrita originalmente pelo cantor folk Harry Chapin. A letra fala sobre acontecimentos importantes na vida de um ser humano, que muitas vezes demoramos demais para aprender. A ideia nasceu porque o rapaz lamentava não estar por perto quando seu filho Josh nasceu. Servia como uma reflexão da importância entre família e carreira. Essa música voltou a fazer um enorme sucesso nos anos 90 com a regravação do Ugly Kid Joe e é essa versão que trazemos aqui.


sábado, 8 de agosto de 2015

Música Comentada: Smashing Pumpkins - 1979

Por Rafael Menegueti

O Smashing Pumpkins na época de "Mellon Collie"
Em meio as grandes canções que o rock alternativo eternizou nos idos dos anos 90, algumas seguem inesquecíveis como clássicos definitivos daquela época. O Smashing Pumpkins foi um dos principais nomes naquela década, e seu álbum “Mellon Collie and the Infinite Sadness” trouxe alguns dos melhores hits da banda, como “Tonight Tonight”, “Bullet With Butterfly Wings” e “Zero”. Mas, na minha opinião, a faixa mais marcante desse trabalho é mesmo “1979”.

A faixa quase ficou de fora do disco, tendo sido a última a ser escrita e com o produtor Flood quase descartando a versão inicial apresentada. Corgan reescreveu a canção às pressas e reapresentou ao produtor, que decidiu incluí-la no álbum. A melodia, que consiste em um loop de um sample da voz de Corgan com uma batida na bateria como base, é a principal marca da faixa, que fala sobre a transição da adolescência para a fase adulta com uma ótica bem própria da geração Y.

Outra coisa que tornou a canção marcante foi o seu videoclipe. A historinha dos jovens cometendo pequenos delitos e aproveitando a juventude fez do vídeo um dos favoritos dos fãs. Uma curiosidade sobre ele é que uma parte dele precisou ser refeita pois um membro da produção acidentalmente deixou a fita no teto do carro antes de sair dirigindo, perdendo ela na estrada. O membro da equipe responsável pela trapalhada precisou ficar segurando uma placa que dizia “fitas perdidas, recompensamos por elas”, no centro da cidade (sem sucesso). Essa situação foi parodiada no videoclipe de “Perfect”, que também serve como uma continuação para os personagens apresentados em “1979”.


Shakedown 1979, cool kids never have the time
On a live wire right up off the street
You and I should meet

Junebug skipping like a stone
With the headlights pointed at the dawn
We were sure we'd never see an end to it all

And I don't even care to shake these zipper blues
And we don't know just where our bones will rest to dust, I guess
Forgotten and absorbed into the earth below

Double cross the vacant and the bored
They're not sure just what we have in the store
Morphine city slippin' dues, down to see that...

We don't even care, as restless as we are
We feel the pull in the land of a thousand guilts
And poured cement, lamented and assured
To the lights and towns below
Faster than the speed of sound
Faster than we thought we'd go
Beneath the sound of hope

Justine never knew the rules
Hung down with the freaks and the ghouls
No apologies ever need be made
I know you better than you fake it, to see that...

The street heats the urgency of now
As you see there's no one around

Um balanço de 1979, a garotada sempre na correria
Gastando energia pela vizinhança
Você e eu esbarramos por aí

As aleluias saltam como bolinhas de gude
Com os faróis apontados pra alvorada
Tinhamos certeza que tudo aquilo nunca acabaria

E eu nem me importo com a melancolia das mudanças
E a gente nem sabe onde os nossos ossos virarão pó, eu suponho
Esquecidos e absorvidos pela terra aos nossos pés

Sacanear os ociosos e os entediados
Eles nem imaginam o que temos pra eles
A cidade da morfina cobra suas taxas, até perceber que...

A gente nem se importa, inquietos como somos
Sentimos a influência da terra das mil culpas
E do cimento derramado, lamentado e garantido
Para as luzes e cidades lá embaixo
Mais rápido que a velocidade do som
Mais rápido do que a gente jamais imaginou
Cobertos pelo som da esperança

Justine nunca conheceu regras
Se juntou aos loucos e doentes
Nenhuma desculpa precisa ser dada
Eu te conheço melhor do que você finge, pra ver que...

A rua ferve com a urgência do momento
Como você vê, não há mais ninguém por perto

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Motor Sister – Ride (2015):



Por Davi Pascale

Banda formada por amigos famosos lança seu debut e consegue se destacar em disco criado para homenagear um grupo obscuro. Ride traz uma sonoridade retrô, com bastante influência de anos 70.

Tudo começou como uma brincadeira. Scott Ian, guitarrista do Anthrax, resolveu montar uma banda para tocar na sua festa de aniversário. Convidou para a empreitada; o baixista Joey Vera (Armored Saint, Fates Warning), o baterista John Tempesta (Exodus, Testament) e o guitarrista/vocalista Jim Wilson, um rapaz que toca em uma banda que gosta muito, mas que nunca passou de uma grande promessa, Mother Superior. Scott gosta tanto do grupo que decidiu gravar um disco só com músicas do conjunto, o resultado está aqui. Nesse meio tempo, mais um integrante entrou no conjunto, a loirinha Pearl Aday. Mais conhecida por ser filha do cultuado Meat Loaf.

Embora boa parte de seus músicos tenham vindo de grupos pesados, com arranjos complexos, essa não é a jogada deles aqui. O Motor Sister aposta em um hard rock simples, direto e cativante, com bastante referencia de anos 70. “A-Hole” conta com uma sonoridade crua, simples, suja, quase punk, nos remetendo muito ao cultuado MC5. Curiosamente, Wayne Kramer chegou a produzir alguns discos do Mother Superior.

Scott Ian monta supergroup para homenagear grupo obscuro

Algumas bandas se destacaram no início dos anos 2000 fazendo um som que era uma mistura do rock setentista com a crueza do punk. Talvez, o melhor exemplo seja o The Hellacopters que conseguiu algum destaque na época. Algumas músicas apresentam esse espírito. Faixas como “Get That Girl”, “Fork In The Road” e “Whore” arrancariam sorrisos dos fãs de Hellacopters e Backyard Babies. Mesmo espírito.

O disco também conta com uma influência de blues predominando diversos momentos do álbum. Um exemplo seria a balada “Fool Around”. Outro seria a animada “Doghouse”. O refrão deixaria Rufus Thomas orgulhoso de ter escrito “Walkin´ The Dog”. Interessante ouvir o guitarrista do Anthrax tocando um som desses. “Pretty In The Morning” traz um arranjo meio funkeado, sem perder o lado bluesy. Algo como um cruzamento entre Led Zeppelin e Black Crowes.

“Head Hanging Low” apresenta uma sonoridade mais radiofônica, mais não deixa o nível cair. “Little Motor Sister” traz um pouco mais de peso para o som da banda, assim como “Beg, Borrow Steal”, a qual coloco como um dos pontos alto do disco. Trabalho bem interessante. Provavelmente, pegarei algo do Mother Superior para ouvir em um futuro próximo.

Nota: 8,0/10,0
Status: Empolgante

Faixas:
      01)   A Hole
      02)   This Song Reminds Me Of You
      03)   Beg Borrow Steal
      04)   Fool Around
      05)   Get That Girl
      06)   Head Hanging Low
      07)   Fork In The Road
      08)   Little Motor Sister
      09)   Pretty In The Morning
      10)   Whore
      11)   Doghouse
      12)   Devil Wind

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Notícias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Após vídeo viral de 1000 fãs, Foo Fighters irá tocar em cidade da Itália

Dave Grohl respondeu aos fãs italianos
Na semana passada, viralizou na internet um vídeo que mostrava 1000 pessoas executando a canção “Learn to Fly”, do Foo Fighters, na cidade de Cesena, interior da Itália. O intuito era chamar a atenção da banda para que eles realizassem um show por lá. E claro, o pedido será atendido. Dave Grohl, gente fina que é, postou um vídeo falando em italiano e dizendo “nos vemos em breve, Cesena”. Parabéns aos envolvidos. (veja a o vídeo abaixo)


Eluveitie anuncia saída de Nicole Ansperger

A violinista anunciou sua saída da banda
A banda de folk metal suíça anunciou a saída de Nicole Ansperger, sua violinista, depois de pouco mais de um ano na banda. Segundo ambas as partes, o motivo teria sido a necessidade de Nicole de permanecer mais próxima de sua família. A banda anunciou que está em busca de um novo integrante para a posição e pediu para os interessados mandarem um vídeo executando a faixa “King”, de seu mais recente álbum, “Origins”. Nicole gravou apenas esse disco com a banda. O grupo esteve no Brasil em abril desse ano, sem Nicole, que havia sofrido um acidente e ficou impossibilitada de viajar.

Demos e versões inéditas de faixas do Nirvana vazam na internet

Faixas foram retiradas da internet pela Universal
Cerca de catorze faixas, entre versões alternativas e demos, do Nirvana vazaram na internet misteriosamente no último final de semana. Entre as faixas estão versões instrumentais de “Heart Shaped Box”, faixas gravadas nas sessões de gravação no Rio de Janeiro em 1993, versões alternativas de algumas b-sides famosas e faixas do “In Utero” e algumas experimentações. Não se sabe de onde teriam vazado essas faixas, mas a gravadora Universal já buscou tirar as faixas da internet. Sem sucesso, uma vez que depois de vazar elas se disseminam rapidamente.

Juíza nega pedido para que fotos de Kurt Cobain morto fossem divulgadas

Ainda sobre o Nirvana, o pedido de reabertura do caso da morte de Kurt Cobain por Richard Lee, que defende a tese de que o músico teria sido assassinado, foi negado por uma juíza da suprema corte de Seattle. Richard gostaria de divulgar publicamente fotos da cena do crime que segundo ele poderiam comprovar sua tese. A viúva Courtney Love e Frances Bean, filha do casal, manifestaram-se contra a tentativa, afirmando que elas poderiam ser alvo de ataques caso tal material fosse à publico. Elas afirmaram que são constantemente incomodadas por pessoas obcecadas por Kurt, já tendo passado por problemas por isso, e tal divulgação colocaria elas novamente em risco.

Baixista do Slipknot abandona show e é internado

Baixista sofreu um colapso e precisou ser levado de ambulância
O novo baixista do Slipknot, Alessandro Venturella, precisou ser internado após passar mal durante um show da banda, no último dia 2, em Hatford, Connecticut. A banda seguiu com o show após alguns minutos. Segundo o grupo comunicou em seguida, o motivo da internação teria sido uma forte desidratação, mas que o músico já está bem, tendo sido liberado no dia seguinte e voltando a rotina de shows.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Serguei – O Anjo Maldito do Rock Brasileiro DVD (2015):



Por Davi Pascale

Cartunista Márcio Baraldi lançou um vídeo em homenagem ao cantor Serguei. O DVD duplo apresenta um documentário e imagens de shows. A intenção é boa, mas o resultado deixa muito a desejar.

A ideia de contar a história de Serguei é boa. São pouquíssimos os registros que existem sobre o rock brasileiro pré anos 80. E desses poucos que existem, 90% são sobre a Jovem Guarda e a Tropicália. Tudo bem, movimentos importantíssimos, mas tivemos mais coisas rolando nesse período. Para completar, os mais jovens conhecem Sérgio Augusto Bustamente por ter declarado que transou com uma planta, que comeu a Janis Joplin. E só...

Sei que isso deixa o rapaz em uma situação delicada. Existem poucos lugares para se pesquisar a história do músico e o artista em questão deve ter muita coisa que não se recorda mais. Afinal, estamos falando de um cantor que já está com mais de 80 anos de idade. O garoto se cercou de músicos e jornalistas para tentar contar a história. E o resultado foi razoável...

Entre as entrevistas, vale destacar o depoimento dos irmãos Vecchione (Made in Brazil) e do produtor Luiz Calanca (Baratos Afins). Ambos, contaram algumas histórias de bastidores que rendem boas risadas. Do mais, temos muitos convidados dizendo a mesma coisa no decorrer da fita. Em alguns momentos chega a dar a impressão de que não havia história para contar. E isso não pode ser verdade... Estamos falando de um artista que fez seu primeiro registro em 1966 e que segue na ativa desde então. História é o que não falta...

DVD traz documentários e imagens de shows

Serguei é um dos entrevistados. Continua com seu jeito de sempre. Cheio de cacoetes e com uma simplicidade fora do comum, diverte o telespectador com seus comentários malucos. Seja sobre seus tempos de comissário de bordo, seja sobre sua relação envolvendo a Janis e um holandês. Aliás, a entrevista apresentada com ele no programa do humorista Jô Soares em 1991 é um dos pontos altos. Não apenas do material extra, mas do DVD como um todo.

O documentário deixa aquele sentimento de ‘esperava mais’, mas diverte. Além do filme, temos um DVD com apresentações de Serguei. Imagens extraídas do festival Rock in Rio, das festas do selo Baratos Afins e de duas apresentações de 1982. Uma delas ao lado do cultuado guitarrista Celso Blues Boy. Imagens que valem pelo valor histórico e só...

Infelizmente, a qualidade de gravação do material extra é muito ruim. Tanto imagem, quanto som. Se apresentando ao lado de Serguei, temos de tudo. Desde grupos bem competentes e icônicos como Golpe de Estado e Salário Mínimo, até o desastroso Makina do Tempo. Mas o ponto alto mesmo é a apresentação realizada ao lado de Silvinho no Rock In Rio 2001. Simplesmente hilária. É capaz que essa performance esteja no Youtube. Assista que você vai me entender...

Serguei conseguiu algo que é muito difícil. Tornou-se icônico e fez com que pessoas de diferentes gerações tomasse conhecimento à seu respeito, mesmo sem nunca ter tido um grande hit. Uma figura dessas realmente se faz necessário que se aprofunde em sua história, mas não foi dessa vez que chegamos ao ideal. Infelizmente! Valeu a intenção....

Nota: 4,0 / 10,0
Status: Fraco

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Pvris - White Noise (2014)

Por Rafael Menegueti

Pvris - White Noise
Uma das grandes novidades do rock americano, o Pvris (pronuncia-se Paris) lançou seu primeiro disco em novembro do ano passado. O grupo vem chamando atenção e conquistando espaço desde 2013, quando começaram a participar da Warped Tour, nos EUA. Nessa semana a banda foi confirmada como abertura do Bring Me The Horizon, em turnê que ocorrerá em outubro na América do Norte.

O som do grupo é uma mistura de post-hardcore, na linha de nomes como Paramore, Flyleaf e Tonight Alive, e rock alternativo, com elementos de eletrônica e pop, que deixam a fórmula da banda bem moderna e atual. Outras influências de sua música, citadas pela própria vocalista e guitarrista Lynn Gunnelfsen, estão no hip-pop e em nomes como Ellie Goulding. Só com isso já é possível imaginar a variedade de estilos que a banda investe no seu debut.

O disco é curtinho, a maioria das músicas possuem melodias pop carregadas pela bateria e formam um synth-rock bem radiofônico. A música que abre o disco, “Smoke”, é envolvente e introduz bem o ouvinte ao som da banda. O single “St. Patrick” tem uma levada animada e sonoridade bem pop, enquanto “My House”, outro single que vem em seguida, soa mais angustiada e tem mais pegada nas guitarras. “Holy” é focada nos sintetizadores e tem ritmo cativante e uma letra excelente. A faixa título, “White Noise”, é talvez a com maior apelo pop do disco, soando um pouco mais comum, mas ainda consistente. Em “Fire”, a banda volta a usar um pouco mais de sua pegada post-hardcore. Já “Eyelids” é bem alternativa e industrial.

O trio Pvris é natural de Lovell, Massachusetts
Se aproximando do fim do disco, a banda apresenta uma de suas melhores canções com “Mirrors”, uma boa mistura de elementos eletrônicos, com a bateria ditando o andamento da faixa. Mas talvez a melhor canção do disco seja mesmo “Ghosts”, com bom uso das guitarras e levada roqueira que garantem uma faixa bem enérgica. O disco se encerra com “Let Them In”, e você nem percebe, de tão fluente que é a audição desse trabalho. Essa faixa que encerra o álbum é outra bem agitada, talvez a mais próxima do inicio mais agressivo que a banda mostra em seu primeiro EP ("Paris", de 2013), onde a banda ainda não fazia uso dessa sonoridade mais abrangente, preferindo um post-hardcore mais cru e direto.

Me agradou muito a sonoridade e estilo das composições da banda. A evolução que eles apresentaram nesse álbum de estréia, com relação ao seu primeiro EP, pra mim é um grande ponto a favor deles. O resultado é um trabalho despretensioso e simples, porém moderno e sincero. O trio é composto por músicos competentes (vale informar que a banda usa baterista contratado nas turnês) e com criatividade suficiente pra serem apontados como uma das boas promessas do rock atual. Se mantiverem a pegada, tem tudo pra vingar ainda mais.


Nota: 8,5/10
Status: Atual e agradável

Faixas:
1. Smoke
2. St. Patrick
3. My House
4. Holy
5. White Noise
6. Fire
7. Eyelids
8. Mirrors
9. Ghosts
10. Let Them In

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Black Star Riders – The Killer Instinct (2015):



Por Davi Pascale

Black Star Riders chega ao seu segundo álbum e lança um dos melhores discos do ano. Contando com a presença do veterano Scott Gorham, o grupo entrega um trabalho honesto, bem feito e inspirado.

O Black Star Riders nasceu no final de 2012 quando a mais nova reencarnação do lendário Thin Lizzy decidiu que queriam gravar um trabalho de inéditas. Sabiamente, optaram por não utilizar o nome Thin Lizzy. Afinal, além de Phil Lynott estar morto há vários anos, o único cara ali que poderia se auto-intitular um membro efetivo do Thin Lizzy era o Scott. Os demais? Excelentes músicos contratados para o cargo e que se juntaram ao rapaz em um revival. Não foi aquele lance de ir saindo um e entrando outro. Em 2013, lançaram o seu debut, o bom All Hells Breaks Loose. Agora, dois anos depois, soltam The Killer Instinct demonstrando um enorme amadurecimento nas composições.

A formação mudou pouca coisa. Apenas o baixista saiu fora. Saiu Marco Mendoza (Blue Murder), entrou Robbie Crane, mais famoso por seu trabalho ao lado do Ratt e ao lado do cantor Vince Neil (Motley Crue). O resto da galera é a mesma: Scott Gorham, Damon Johnson (Alice Cooper), Jimmy DeGrasso (Megadeth) e Ricky Warwick (The Almighty). O mais bacana, contudo, é que os caras começam a criar sua identidade.

Banda começa a criar identidade e lança disco que é um dos destaques de 2015

Sim, a influência de Thin Lizzy é forte e aparece descarado em algumas músicas. “The Killer Instinct” soa como se fosse uma nova “The Boys Are Back In Town”. É quase impossível escutarmos “Soldierstown” e não nos recordarmos de “Emerald”. “Charlie I Gotta Go” soa como se fosse as músicas mais pop do conjunto, como “Don´t Believe a Word”. Inclusive, as linhas vocais de Ricky Warwick lembram bastante. Entretanto, temos alguns sons que começam a apontar para um novo caminho, a se distanciar da imagem de Thin Lizzy dos anos 2000.

Em alguns momentos eles soam mais contemporâneos. “Bullet Blues”, “Throught The Motions”, “Sex, Guns & Gasoline” e “You Little Liar” contam com uma influência anos 70, sim, mas com uma pegada mais moderna. “Sex, Guns & Gasoline” está mais para um som do Slash do que do Grand Funk, por exemplo. “Finest Hour” tem uma pegada mais comercial, me lembrou a carreira solo do Mike Tramp (White Lion), principalmente o refrão.

Contando com a produção do cultuado Nick Raskulinecz (Evanescence, Foo Fighters, Rush), o CD está com uma sonoridade matadora. Pesado, com as guitarras falando alto e som de bateria na cara, como um bom álbum de rock deve ser. O mais legal de tudo é que, para adquirir esse CD, ninguém precisará desembolsar rios de dinheiro já que a gravadora Nuclear Blast resolveu lança-lo aqui no Brasil. Corra atrás que vale a pena!

Nota: 10 / 10
Status: Disco do ano

Faixas:
      01)   The Killer Instinct
      02)   Bullet Blues
      03)   Finest Hour
      04)   Soldierstown
      05)   Charlie I Gotta Go
      06)   Blindsided
      07)   Through The Motions
      08)   Sex, Guns & Gasoline
      09)   Turn Your Arms 
      10)   You Little Liar