quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Notícias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Após vídeo viral de 1000 fãs, Foo Fighters irá tocar em cidade da Itália

Dave Grohl respondeu aos fãs italianos
Na semana passada, viralizou na internet um vídeo que mostrava 1000 pessoas executando a canção “Learn to Fly”, do Foo Fighters, na cidade de Cesena, interior da Itália. O intuito era chamar a atenção da banda para que eles realizassem um show por lá. E claro, o pedido será atendido. Dave Grohl, gente fina que é, postou um vídeo falando em italiano e dizendo “nos vemos em breve, Cesena”. Parabéns aos envolvidos. (veja a o vídeo abaixo)


Eluveitie anuncia saída de Nicole Ansperger

A violinista anunciou sua saída da banda
A banda de folk metal suíça anunciou a saída de Nicole Ansperger, sua violinista, depois de pouco mais de um ano na banda. Segundo ambas as partes, o motivo teria sido a necessidade de Nicole de permanecer mais próxima de sua família. A banda anunciou que está em busca de um novo integrante para a posição e pediu para os interessados mandarem um vídeo executando a faixa “King”, de seu mais recente álbum, “Origins”. Nicole gravou apenas esse disco com a banda. O grupo esteve no Brasil em abril desse ano, sem Nicole, que havia sofrido um acidente e ficou impossibilitada de viajar.

Demos e versões inéditas de faixas do Nirvana vazam na internet

Faixas foram retiradas da internet pela Universal
Cerca de catorze faixas, entre versões alternativas e demos, do Nirvana vazaram na internet misteriosamente no último final de semana. Entre as faixas estão versões instrumentais de “Heart Shaped Box”, faixas gravadas nas sessões de gravação no Rio de Janeiro em 1993, versões alternativas de algumas b-sides famosas e faixas do “In Utero” e algumas experimentações. Não se sabe de onde teriam vazado essas faixas, mas a gravadora Universal já buscou tirar as faixas da internet. Sem sucesso, uma vez que depois de vazar elas se disseminam rapidamente.

Juíza nega pedido para que fotos de Kurt Cobain morto fossem divulgadas

Ainda sobre o Nirvana, o pedido de reabertura do caso da morte de Kurt Cobain por Richard Lee, que defende a tese de que o músico teria sido assassinado, foi negado por uma juíza da suprema corte de Seattle. Richard gostaria de divulgar publicamente fotos da cena do crime que segundo ele poderiam comprovar sua tese. A viúva Courtney Love e Frances Bean, filha do casal, manifestaram-se contra a tentativa, afirmando que elas poderiam ser alvo de ataques caso tal material fosse à publico. Elas afirmaram que são constantemente incomodadas por pessoas obcecadas por Kurt, já tendo passado por problemas por isso, e tal divulgação colocaria elas novamente em risco.

Baixista do Slipknot abandona show e é internado

Baixista sofreu um colapso e precisou ser levado de ambulância
O novo baixista do Slipknot, Alessandro Venturella, precisou ser internado após passar mal durante um show da banda, no último dia 2, em Hatford, Connecticut. A banda seguiu com o show após alguns minutos. Segundo o grupo comunicou em seguida, o motivo da internação teria sido uma forte desidratação, mas que o músico já está bem, tendo sido liberado no dia seguinte e voltando a rotina de shows.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Serguei – O Anjo Maldito do Rock Brasileiro DVD (2015):



Por Davi Pascale

Cartunista Márcio Baraldi lançou um vídeo em homenagem ao cantor Serguei. O DVD duplo apresenta um documentário e imagens de shows. A intenção é boa, mas o resultado deixa muito a desejar.

A ideia de contar a história de Serguei é boa. São pouquíssimos os registros que existem sobre o rock brasileiro pré anos 80. E desses poucos que existem, 90% são sobre a Jovem Guarda e a Tropicália. Tudo bem, movimentos importantíssimos, mas tivemos mais coisas rolando nesse período. Para completar, os mais jovens conhecem Sérgio Augusto Bustamente por ter declarado que transou com uma planta, que comeu a Janis Joplin. E só...

Sei que isso deixa o rapaz em uma situação delicada. Existem poucos lugares para se pesquisar a história do músico e o artista em questão deve ter muita coisa que não se recorda mais. Afinal, estamos falando de um cantor que já está com mais de 80 anos de idade. O garoto se cercou de músicos e jornalistas para tentar contar a história. E o resultado foi razoável...

Entre as entrevistas, vale destacar o depoimento dos irmãos Vecchione (Made in Brazil) e do produtor Luiz Calanca (Baratos Afins). Ambos, contaram algumas histórias de bastidores que rendem boas risadas. Do mais, temos muitos convidados dizendo a mesma coisa no decorrer da fita. Em alguns momentos chega a dar a impressão de que não havia história para contar. E isso não pode ser verdade... Estamos falando de um artista que fez seu primeiro registro em 1966 e que segue na ativa desde então. História é o que não falta...

DVD traz documentários e imagens de shows

Serguei é um dos entrevistados. Continua com seu jeito de sempre. Cheio de cacoetes e com uma simplicidade fora do comum, diverte o telespectador com seus comentários malucos. Seja sobre seus tempos de comissário de bordo, seja sobre sua relação envolvendo a Janis e um holandês. Aliás, a entrevista apresentada com ele no programa do humorista Jô Soares em 1991 é um dos pontos altos. Não apenas do material extra, mas do DVD como um todo.

O documentário deixa aquele sentimento de ‘esperava mais’, mas diverte. Além do filme, temos um DVD com apresentações de Serguei. Imagens extraídas do festival Rock in Rio, das festas do selo Baratos Afins e de duas apresentações de 1982. Uma delas ao lado do cultuado guitarrista Celso Blues Boy. Imagens que valem pelo valor histórico e só...

Infelizmente, a qualidade de gravação do material extra é muito ruim. Tanto imagem, quanto som. Se apresentando ao lado de Serguei, temos de tudo. Desde grupos bem competentes e icônicos como Golpe de Estado e Salário Mínimo, até o desastroso Makina do Tempo. Mas o ponto alto mesmo é a apresentação realizada ao lado de Silvinho no Rock In Rio 2001. Simplesmente hilária. É capaz que essa performance esteja no Youtube. Assista que você vai me entender...

Serguei conseguiu algo que é muito difícil. Tornou-se icônico e fez com que pessoas de diferentes gerações tomasse conhecimento à seu respeito, mesmo sem nunca ter tido um grande hit. Uma figura dessas realmente se faz necessário que se aprofunde em sua história, mas não foi dessa vez que chegamos ao ideal. Infelizmente! Valeu a intenção....

Nota: 4,0 / 10,0
Status: Fraco

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Pvris - White Noise (2014)

Por Rafael Menegueti

Pvris - White Noise
Uma das grandes novidades do rock americano, o Pvris (pronuncia-se Paris) lançou seu primeiro disco em novembro do ano passado. O grupo vem chamando atenção e conquistando espaço desde 2013, quando começaram a participar da Warped Tour, nos EUA. Nessa semana a banda foi confirmada como abertura do Bring Me The Horizon, em turnê que ocorrerá em outubro na América do Norte.

O som do grupo é uma mistura de post-hardcore, na linha de nomes como Paramore, Flyleaf e Tonight Alive, e rock alternativo, com elementos de eletrônica e pop, que deixam a fórmula da banda bem moderna e atual. Outras influências de sua música, citadas pela própria vocalista e guitarrista Lynn Gunnelfsen, estão no hip-pop e em nomes como Ellie Goulding. Só com isso já é possível imaginar a variedade de estilos que a banda investe no seu debut.

O disco é curtinho, a maioria das músicas possuem melodias pop carregadas pela bateria e formam um synth-rock bem radiofônico. A música que abre o disco, “Smoke”, é envolvente e introduz bem o ouvinte ao som da banda. O single “St. Patrick” tem uma levada animada e sonoridade bem pop, enquanto “My House”, outro single que vem em seguida, soa mais angustiada e tem mais pegada nas guitarras. “Holy” é focada nos sintetizadores e tem ritmo cativante e uma letra excelente. A faixa título, “White Noise”, é talvez a com maior apelo pop do disco, soando um pouco mais comum, mas ainda consistente. Em “Fire”, a banda volta a usar um pouco mais de sua pegada post-hardcore. Já “Eyelids” é bem alternativa e industrial.

O trio Pvris é natural de Lovell, Massachusetts
Se aproximando do fim do disco, a banda apresenta uma de suas melhores canções com “Mirrors”, uma boa mistura de elementos eletrônicos, com a bateria ditando o andamento da faixa. Mas talvez a melhor canção do disco seja mesmo “Ghosts”, com bom uso das guitarras e levada roqueira que garantem uma faixa bem enérgica. O disco se encerra com “Let Them In”, e você nem percebe, de tão fluente que é a audição desse trabalho. Essa faixa que encerra o álbum é outra bem agitada, talvez a mais próxima do inicio mais agressivo que a banda mostra em seu primeiro EP ("Paris", de 2013), onde a banda ainda não fazia uso dessa sonoridade mais abrangente, preferindo um post-hardcore mais cru e direto.

Me agradou muito a sonoridade e estilo das composições da banda. A evolução que eles apresentaram nesse álbum de estréia, com relação ao seu primeiro EP, pra mim é um grande ponto a favor deles. O resultado é um trabalho despretensioso e simples, porém moderno e sincero. O trio é composto por músicos competentes (vale informar que a banda usa baterista contratado nas turnês) e com criatividade suficiente pra serem apontados como uma das boas promessas do rock atual. Se mantiverem a pegada, tem tudo pra vingar ainda mais.


Nota: 8,5/10
Status: Atual e agradável

Faixas:
1. Smoke
2. St. Patrick
3. My House
4. Holy
5. White Noise
6. Fire
7. Eyelids
8. Mirrors
9. Ghosts
10. Let Them In

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Black Star Riders – The Killer Instinct (2015):



Por Davi Pascale

Black Star Riders chega ao seu segundo álbum e lança um dos melhores discos do ano. Contando com a presença do veterano Scott Gorham, o grupo entrega um trabalho honesto, bem feito e inspirado.

O Black Star Riders nasceu no final de 2012 quando a mais nova reencarnação do lendário Thin Lizzy decidiu que queriam gravar um trabalho de inéditas. Sabiamente, optaram por não utilizar o nome Thin Lizzy. Afinal, além de Phil Lynott estar morto há vários anos, o único cara ali que poderia se auto-intitular um membro efetivo do Thin Lizzy era o Scott. Os demais? Excelentes músicos contratados para o cargo e que se juntaram ao rapaz em um revival. Não foi aquele lance de ir saindo um e entrando outro. Em 2013, lançaram o seu debut, o bom All Hells Breaks Loose. Agora, dois anos depois, soltam The Killer Instinct demonstrando um enorme amadurecimento nas composições.

A formação mudou pouca coisa. Apenas o baixista saiu fora. Saiu Marco Mendoza (Blue Murder), entrou Robbie Crane, mais famoso por seu trabalho ao lado do Ratt e ao lado do cantor Vince Neil (Motley Crue). O resto da galera é a mesma: Scott Gorham, Damon Johnson (Alice Cooper), Jimmy DeGrasso (Megadeth) e Ricky Warwick (The Almighty). O mais bacana, contudo, é que os caras começam a criar sua identidade.

Banda começa a criar identidade e lança disco que é um dos destaques de 2015

Sim, a influência de Thin Lizzy é forte e aparece descarado em algumas músicas. “The Killer Instinct” soa como se fosse uma nova “The Boys Are Back In Town”. É quase impossível escutarmos “Soldierstown” e não nos recordarmos de “Emerald”. “Charlie I Gotta Go” soa como se fosse as músicas mais pop do conjunto, como “Don´t Believe a Word”. Inclusive, as linhas vocais de Ricky Warwick lembram bastante. Entretanto, temos alguns sons que começam a apontar para um novo caminho, a se distanciar da imagem de Thin Lizzy dos anos 2000.

Em alguns momentos eles soam mais contemporâneos. “Bullet Blues”, “Throught The Motions”, “Sex, Guns & Gasoline” e “You Little Liar” contam com uma influência anos 70, sim, mas com uma pegada mais moderna. “Sex, Guns & Gasoline” está mais para um som do Slash do que do Grand Funk, por exemplo. “Finest Hour” tem uma pegada mais comercial, me lembrou a carreira solo do Mike Tramp (White Lion), principalmente o refrão.

Contando com a produção do cultuado Nick Raskulinecz (Evanescence, Foo Fighters, Rush), o CD está com uma sonoridade matadora. Pesado, com as guitarras falando alto e som de bateria na cara, como um bom álbum de rock deve ser. O mais legal de tudo é que, para adquirir esse CD, ninguém precisará desembolsar rios de dinheiro já que a gravadora Nuclear Blast resolveu lança-lo aqui no Brasil. Corra atrás que vale a pena!

Nota: 10 / 10
Status: Disco do ano

Faixas:
      01)   The Killer Instinct
      02)   Bullet Blues
      03)   Finest Hour
      04)   Soldierstown
      05)   Charlie I Gotta Go
      06)   Blindsided
      07)   Through The Motions
      08)   Sex, Guns & Gasoline
      09)   Turn Your Arms 
      10)   You Little Liar

domingo, 2 de agosto de 2015

Xandria - Fire & Ashes EP (2015)

Por Rafael Menegueti

Xandria - Fire & Ashes EP
Os alemães do Xandria lançaram nesse último dia 31 o seu novo trabalho, o EP “Fire & Ashes”. O disco é uma continuação da nova fase da banda, que tem agora nos vocais a holandesa Dianne van Giersbergen (não confundir com a Anneke van Giersbergen, elas não tem parentesco). Depois do excelente “Sacrificium”, lançado no ano passado, esse novo lançamento mostra uma banda com uma identidade muito bem evoluída em sua música.

“Fire & Ashes” possui sete músicas. Dessas, as três primeiras são inéditas, outras duas são covers e duas são regravações de dois clássicos da banda. Uma escolha interessante para um EP, deixando o registro bem interessante para os fãs, já que muitas vezes, por ser um EP e ter menos músicas que um álbum completo, algumas pessoas podem não demonstrar tanto interesse no mesmo. Essa escolha da banda me parece ter sido bem sucedida em atrair os olhares, já que havia bastante ansiedade pelo disco.

O metal sinfônico do Xandria evoluiu bastante desde a saída de Lisa Middelhauve, em 2008. Após duas outras vocalistas, tendo apenas Manuela Kraller lançado um disco com a banda (“Neverworld’s End”), Dianne veio para ficar e se tornou logo a cara do Xandria. Nessa nova fase, o grupo aparece bem mais atmosférico e com um peso muito bem distribuído em suas canções.

As três faixas inéditas presentes no disco são boas mostras da evolução das melodias e arranjos que o grupo cria. “Voyage of the Fallen” tem um aspecto que lembra o Epica a princípio, mas consegue ter uma sonoridade própria e característica do Xandria com vocais precisos e andamento cativante. “Unembraced” tem uma melodia mais envolvente e um pouco mais na linha dos trabalhos antigos da banda, com bom uso dos teclados. Já “In Remembrance” é uma balada carregada pelo piano e que vai crescendo aos poucos, e onde os vocais de Dianne se destacam mais uma vez. Uma melodia bela, um pouco previsível é verdade, mas agradável demais para que isso seja um defeito.

Os membros do Xandria
As faixas regravadas são ambas da fase com Lisa Middelhauve na banda. “Ravenheart” pode ser considerada o maior sucesso do grupo naquele período, enquanto “Now & Forever” é outro single muito bem sucedido e uma das favoritas dos fãs. Ambas são muito bem trabalhadas, preservando a essência da composição original e inserindo os elementos da sonoridade atual do grupo com equilíbrio.

E os covers acrescentados ao disco deixaram o trabalho ainda mais vivo e empolgante. “I Would do Anything for Love (But I Won't Do That)”, clássico do Meat Loaf ficou impecável com os arranjos da banda, que conseguiu combinar o seu estilo com uma faixa que originalmente já é excelente. A faixa tem participação do vocalista italiano do My Propane, Valerio Recenti. O EP se encerra com o cover de “Don’t Say A Word” do Sonata Arctica, onde a banda além de fazer bom uso de seus elementos bem misturados aos da canção original, ainda teve a interessante ideia de dar uma adaptada na letra, dando a ideia de que a historia original nessa versão estaria sendo contada do ponto de vista da mulher. Essa faixa também estará no tributo à banda finlandesa que será lançado em breve.

Em resumo, o trabalho que o grupo entrega é de primeira, imperdível pra quem é fã da banda, e recomendadíssimo para quem curte o estilo. Todos os elementos se encaixam, e a banda segue demonstrando o quanto estão se tornando musicalmente mais focados. O Xandria já era um dos principais nomes da cena do metal sinfônico, e nesse EP eles dão mais um passo para se tornar um dos maiores.


Nota: 9/10
Status: Equilibrado e empolgante

Faixas:
1. Voyage Of The Fallen
2. Unembraced 
3. In Remembrance 
4. I Would Do Anything For Love (But I Won't Do That) (Meat Loaf Cover)
5. Ravenheart (Remake)
6. Now & Forever (Remake)
7. Don't Say A Word (Sonata Arctica Cover)

sábado, 1 de agosto de 2015

O Bau do Raul: 25 Anos Sem Raul Seixas (2015)



Por Davi Pascale


Artistas de diferentes gerações se unem para celebrar a obra de Raul. Lançado em parceria com o Canal Brasil, vídeo está bem gravado, mas mostra que falta cantor no rock brasileiro.

Celebrar a obra de Raulzito já não é mais novidade há algum tempo. Talvez, Raul e Cazuza, sejam os nomes mais lembrados entre shows comemorativos no Brasil. Gravado na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, a intenção é boa, mas a saudade do nosso maluco beleza vai além da qualidade das composições.

O show foi criado para celebrar os 25 anos da morte de Raul e foi idealizado por Kika Seixas, última esposa do cantor e compositor baiano. Misturando hits com canções menores, o show deixa mais do que nítida a qualidade de sua composição. Questione o quanto quiser, se há ou não exagero em torno do culto criado em torno do rapaz, mas uma coisa é nítida. Por mais que tenhamos artistas talentosos, sim, não temos gente compondo nesse nível nos dias de hoje.

O envolvimento de Kika no espetáculo também não é nenhuma novidade. Desde que Raul foi encontrado morto em 22 de Agosto de 1989, vítima de uma pancreatite aguda, sua última companheira vem se responsabilizando pelo legado. À ferro e fogo, vetou o lançamento de diversos produtos e chegou à ser acusada de processar as filhas do artista por querer ganhar uma porcentagem maior do que recebe. Raulzito não era um cara de bens. Vivia de aluguel, não tinha carro, tudo que deixou foi sua obra.

Alguns dos convidados tiveram uma relação com o cantor. Jerry Adriani foi o responsável por tirar Raul da Bahia e leva-lo para o Rio de Janeiro. Raul chegou a produzir alguns discos do ídolo da Jovem Guarda e chegou até a compor para o músico. Edy Star fez parte da Sociedade da Grã Ordem Kavernista. Os Panteras foram sua primeira banda, enquanto Marcelo Nova foi o último à cantar ao seu lado (tanto em disco, quanto em shows). Outros, são artistas que admiram o trabalho do musico baiano. Ao menos, esperamos que seja assim.


Amigos de Raul participam do show

Raul Seixas era mesmo um artista único. Por mais que diversos músicos daqui tenham uma carreira digna e sejam altamente respeitáveis, nenhum deles consegue reproduzir o carisma que o rapaz tinha no palco. E muitos deixam evidente sua limitação vocal. Luiz Carlini é, sem dúvidas, um dos maiores guitarristas que nosso país já viu. Porém, sua interpretação vocal de "Rock das Aranhas" é sofrível. O mesmo vale para as interpretações de Clemente/Philippe Seabra, Tico Santa Cruz, BNegão e, o pior de todos, Claudio Roberto.

Os melhores momentos ficam por conta de Jerry Adriani (que continua com o gogó intacto), Marcelo Nova (que não inventa moda, ele é ele e ponto final) e da cantora Ana Cañas. Uma das mais jovens da turma, subiu ao palco sozinha, contando apenas com uma guitarra roubou o show com uma performance cheia de emoção. Também foi emocionante ver Os Panteras juntos novamente. Os momentos "vergonha alheia" ficam por conta do samba de Zeca Baleiro, do fraquíssimo Forfun e do já citado Claudio Roberto.

A banda principal estava bem entrosada e conta com bons músicos. A qualidade de gravação é muito boa, o filme realmente é bem produzido. Agora, que essa galera que vai lá cantar poderia ensaiar melhor, ah... isso poderia.

Nota: 7,0 / 10,0
Status: Gravação ótima, qualidade das interpretações varia

Faixas:
01) Você Ainda Pode Sonhar - Os Panteras e Jerry Adriani
02) Sessão das 10 - Os Panteras e Edy Star
03) Rock das 'Aranha' - Luiz Carlini
04) Aluga-se - Digão
05) Abre-Te Sésamo - Clemente e Philippe Seabra
06) Sapato 36 - Tico Santa Cruz
07) Cowboy Fora da Lei - Marcelo Jeneci
08) Metrô Linha 743 - BNegão
09) Rock And Roll - Marcelo Nova
10) Pai Nosso da Terra - Nasi e Edgard Scandurra
11) Eu Nasci Há 10 Mil Anos Atrás - Gabriel Moura
12) Aos Trancos e Barrancos - Zeca Baleiro
13) Se o Rádio Não Toca - Beto Bruno e Marcelo Gross
14) Quando Acabar o Maluco Sou Eu - Rick Ferreira e Claudio Roberto
15) Medo da Chuva / Metamorfose Ambulante - Ana Cañas
16) Loteria da Babilônia - Baia
17) D.D.I. (Discotecagem Direta Interestelar) - Forfun
18) Conserve Seu Medo - Nação Zumbi
Extras:
S.O.S - Baia
No Fundo do Quintal da Escola - Tico Santa Cruz
As Minas do Rei Salomão - Nasi e Edgard Scandurra
Século XXI - Marcelo Nova
Manguetown: Homenagem à Raul Seixas - Nação Zumbi + BNegão
Making Of

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Música Comentada: Oasis - Wonderwall

Por Rafael Menegueti

O Oasis em 1995
Recentemente eu falei aqui sobre os discos que completavam 20 anos em 2015 (veja aqui). Eram muitos os lançamentos importantes que fizeram de 1995 um grande ano para a música. Dentre eles estava “(What’s the Story) Glory Morning”, do Oasis. Nesse disco está uma das melhores e mais icônicas músicas dos anos 90, que chegou a ser apontada como a melhor dos últimos vinte anos até em votações de rádios: “Wonderwall”. A faixa despontou direto nas paradas de sucesso inglesas (segundo lugar) e da Billboard (primeira na parada alternativa), e logo se tornou um dos singles mais bem sucedidos de todos os tempos.

Muito se fala sobre a origem da composição e sobre o que ela trata. A principio, acreditava-se que fosse feita em homenagem a então mulher de Noel Gallagher, Meg Mathews, como o próprio Noel teria descrito em uma entrevista em 1996. No entanto, alguns anos mais tarde, e já separado dela, Noel revelou que na verdade ela não era sobre Meg. Segundo ele, as pessoas e a mídia logo teriam “deduzido” que a canção seria para ela. “como você conta para sua garota que não é sobre ela depois de ela ter lido que seria?” Então ele revelou que a faixa seria na verdade sobre um amigo imaginário de sua infância que vinha para lhe livrar da solidão.

Uma outra curiosidade seria que, durante as gravações do disco, Noel teria oferecido que Liam cantasse essa música ou “Don’t Look Back In Anger”, e Liam escolheu Wonderwall”. Será que a canção teria tido o mesmo impacto e popularidade se tivesse sido Noel a entoar sua voz nela?


Today is gonna be the day
That they're gonna throw it back to you
By now you should've somehow
Realized what you gotta do
I don't believe that anybody
Feels the way I do
About you now

Backbeat the word is on the street
That the fire in your heart is out
I'm sure you've heard it all before
But you never really had a doubt
I don't believe that anybody
Feels the way I do
about you now

And all the roads we have to walk are winding
And all the lights that lead us there are blinding
There are many things that I'd like to say to you
But I don't know how

Because maybe
You're gonna be the one that saves me
And after all
You're my wonderwall

And all the roads that lead you there were winding
And all the lights that light the way are blinding
There are many things that I'd like to say to you
But I don't know how
Hoje vai ser o dia
Que eles vão devolver isso para você
E neste momento você devia, de algum modo
Ter percebido o que tem de fazer
Eu não acredito que alguém
Se sinta do modo como me sinto
A seu respeito neste momento

A conversa que corre na rua é
Que o fogo no seu coração se apagou
Tenho certeza que você ouviu isso tudo antes
Mas você nunca realmente teve uma dúvida
Eu não acredito que alguém
Se sinta do modo como me sinto
Sobre você agora

E todas as estradas que nós temos de caminhar são sinuosas
E todas as luzes que nos conduzem até lá estão nos cegando
Há muitas coisas que eu gostaria de dizer para você
Mas eu não sei como

Porque talvez
Você vai ser aquela que me salvará
E no final das contas
Você é minha protetora

E todas as estradas que conduziram você eram sinuosas
E todas as luzes que iluminam o caminho estão cegando
Há muitas coisas que eu gostaria de dizer para você
Mas eu não sei como