sexta-feira, 24 de julho de 2015

Judas Priest – Defenders Of The Faith Deluxe Edition (2015)



Por Davi Pascale

Álbum clássico retorna às lojas acrescido de material bônus. Fãs brasileiros não precisarão gastar fortuna para conferir o material. Lançamento triplo traz o disco remasterizado e apresentação inédita.

Defenders Of The Faith chegou às lojas em 1984. Época de ouro do heavy metal e época de ouro do Judas Priest. Nesse ano, chegaram às lojas álbuns como Ride The Lightning (Metallica), Powerslave (Iron Maiden), Don´t Break The Oath (Mercyful Fate), The Last In Line (Dio), somente para citar alguns. Judas Priest estava no topo. Esse trabalho sucedia o LP Screaming for Vengeance (1982). Embora não tenha gerado um grande hit como “You´ve Got Another Thing Comin”, o disco agradou aos fãs e possui algumas músicas que hoje são consideradas clássicos do gênero.

“Freewheel Burning” e “The Sentinel” são os tais clássicos e mantém aquela pegada mais veloz com os vocais gritados de Rob Halford. "Freewheel Burning" é como se fosse uma nova “Exciter”. “Rock Hard Ride Free” traz uma sonoridade mais cadenciada com uma pegada mais pra cima. O refrão conta com aquele coro forte que era uma marca dos grupos dos anos 80. Utilizado por 90% dos grupos da época. De Accept à Keel. “Eat Me Alive” traz a sonoridade clássica do Priest e curiosamente foi a faixa menos tocada pelo grupo. “Heavy Duty” e “Defenders Of The Faith”, para mim, são os pontos baixos do disco. Ambas contam com o mesmo arranjo e, honestamente, acho bem chatinhas. Muitos fãs vão querer me matar, mas “Love Bites” é outra que nunca fez minha cabeça.

Além do disco remasterizado, essa edição comemorativa traz um show da turnê do disco, na íntegra. Gravado na Long Beach Arena, o material é uma demonstração do quão felizes estavam os músicos com o resultado e como a mentalidade da galera era outra. Foram apresentadas 9 das 10 faixas. E a plateia parecia não se incomodar com isso. E olha que álbuns clássicos como British Steel, Point of Entry e Hell Bent For Leather já haviam sido lançados. Ou seja, tinham material de sobra para explorar no set.

Reedição traz show inédito da época

O show inicia com “Love Bites”. Provavelmente, era o tal novo single. Honestamente, teria começado com outro som. Alguma música mais pra cima, mais enérgica. Achei um começo meio sonso, mas graças à Deus não demora para começar a pegar fogo. Não demora muito e os clássicos começam a aparecer. “Grinder”, “Metal Gods” e “Breaking The Law” surgem logo no início do espetáculo.

Faixas como “Rock Hard Ride Free” e “Some Heads Are Gonna Roll” crescem ainda mais ao vivo. “Freewheel Burning” e “The Sentinel” levantam até defunto, mas a dobradinha “Heavy Duty/Defenders Of The Faith” continuam não me convencendo. Embora algumas músicas tenham ficado de fora – como “Heading Out To The Highway” – vários classicões se fazem presentes. Desses, destaco as performances de “Victim of Changes” e a sempre empolgante “Electric Eye”.

Judas Priest sempre mandou bem nos palcos. E aqui não é diferente. K.K. Downing e Glenn Tipton arrebentam nas twin guitars. Dave Holland não tinha o mesmo peso de Scott Travis, mas era bem seguro. Glen Tipton continua com seu baixo firme e preciso. E Rob Halford continua chamando a atenção com seus agudos. A apresentação havia sido transmitida, na época, por uma estação de rádio dos Estados Unidos. Logo, a qualidade do áudio é muito boa.

A edição tripla foi lançada pela Sony Music Brasil e é facilmente encontrado nas lojas. O preço está em torno de 50 reais. Não é muito para um álbum triplo. Certamente, vale o investimento!

Nota: 9,0/10,0
Status: Clássico

Faixas:
CD 1:
      01)   Freewheel Burning
      02)   Jawbreaker
      03)   Rock Hard Ride Free
      04)   The Sentinel
      05)   Love Bites
      06)   Eat Me Alive
      07)   Some Heads Are Gonna Roll
      08)   Night Comes Down
      09)   Heavy Duty
      10)   Defenders Of The Faith

CD 2:
      01)   Love Bites
      02)   Jawbreaker
      03)   Grinder
      04)   Metal Gods
      05)   Breaking The Law
      06)   Sinner
      07)   Desert Plains
      08)   Some Heads Are Gonna Roll
      09)   The Sentinel
      10)   Rock Hard Ride Free

CD 3:
      01)   Night Comes Down
      02)   The Hellion
      03)   Electric Eye
      04)   Heavy Duty
      05)   Defenders Of The Faith
      06)   Freewheel Burning
      07)   Victim of Changes
      08)   The Green Manalish
      09)   Living After Midnight
      10)   Hell Bent For Leather
      11)   You´ve Got Another Thing Coming

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Notícias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Tarja lançará novo álbum clássico em setembro

A cantora finlandesa Tarja Turunen (também ex-vocalista do Nightwish), que tem shows confirmados no Brasil em outubro, irá lançar no dia 11 de setembro seu primeiro disco clássico. O trabalho, que se chamará “Ave Maria – Em Plein Air” e trará diversas versões da canção “Ave Maria” interpretadas por ela e de diversos compositores diferentes, incluindo uma versão composta pela própria Tarja. Se você curte esse tipo de investida na carreira da cantora, o trabalho promete. Agora quem só curte o lado heavy metal da cantora, talvez não se interesse tanto. Confira capa e lista das músicas (no caso, das versões):

Uma das versões da capa do disco
1. Paolo Tosti
2. Axel von Kothen
3. David Popper
4. Camille Saint-Saëns
5. Astor Piazzolla
6. J. S. Bach / Charles Gounod
7. Pietro Mascagni
8. Ferenc Farkas
9. Giulio Caccini
10. Michael Hoppé
11. Charles-Marie Widor
12. Tarja Turunen

Sabaton lançará novo DVD/Blu-ray em 2016

Os membros do Sabaton
Uma das bandas que tem conquistado cada vez mais popularidade no cenário do metal atual, o Sabaton tem mais um ótimo lançamento pra agradar seus fãs a caminho. A banda sueca irá gravar a apresentação que fará em seu próprio festival, o “Sabaton Open Air”, a ser realizado entre os dias 13 e 15 de agosto em Falun, na Suécia. Outras apresentações e extras também devem ser incluídas no lançamento. Esse será o terceiro DVD da banda, sendo o mais recente o “Swedish Empire Tour”, gravado em 2012 e que conta com varias apresentações, em especial a realizada no Woodstock na Polônia.

Evanescence anuncia retorno aos palcos

Evanescence de volta à ativa
Depois de três anos parado, o Evanescence, da vocalista Amy Lee, irá retornar em novembro com algumas apresentações nos Estados Unidos. O grupo agendou shows para as cidades de Los Angeles, Dallas e Nashville. Eles também devem participar da edição japonesa do festival Ozzfest, no mesmo mês. Amy Lee havia lançado no ano passado o álbum “Aftermath”, em parceria com Dave Eggar.

Novos Eps de covers do Stone Sour serão lançados

Depois de “Meanwhile In Burbank”, primeiro EP de covers lançado no começo do ano, o Stone Sour, do vocalista Corey Taylor, está preparando mais dois EPs do tipo a serem lançados nos próximos meses. Em “Straight Outta Burbank”, a banda apresentará versões para nomes como Rolling Stones, Bad Brains, Slayer, Iron Maiden e Mötley Crüe. A vocalista do Halestorm, Lzzy Hale, irá fazer participação na cover de “Gimme Shelter”, dos Stones. Mais pra frente, o terceiro EP, “No Sleep ‘Til Burbank”, deverá conter faixas originalmente gravadas por Van Halen, Buzzcocks, Violent Femmes, Rage Against The Machine e AC/DC.

Guitarrista do After The Burial é encontrado morto

Guitarrista passava por problemas psicológicos
Alguns dias atrás, comentamos o caso do guitarrista Justin Lowe, da banda norte-americana After The Burial, que havia se desligado do grupo usando um longo e bizarro comunicado em que relatava uma teoria da conspiração paranoica contra ele envolvendo todos à sua volta. Infelizmente, o músico foi encontrado morto na noite de terça (21), embaixo de uma ponte em Wisconsin, aparentemente por conta de uma queda. O guitarrista tinha 32 anos, e havia sumido no último final de semana. Os seus ex-companheiros de banda haviam comentado da necessidade do músico buscar ajuda psicológica, e que necessitava do apoio dos fãs.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Alice Cooper – Raise The Dead: Live From Wacken CD + DVD (2014):



Por Davi Pascale

Alice Cooper volta ao ataque. Show relembra canções clássicas, fase oitentista e dá um aperitivo de seu próximo álbum. Cercado de ótimos músicos, Alice entrega show empolgante. Aquisição obrigatória.

É bem verdade que existem diversos registros ao vivo do Alice Cooper por aí. Porém, é bem verdade também que seus shows são sempre divertidos e cativantes. Extremamente carismático, sempre apresenta um espetáculo bem desenvolvido. Ainda que trabalhe com elementos de terror, seus shows não são assustadores. Na entrevista, presente no bônus desse DVD, o cantor explica. “Não quero assustar ninguém, quero diverti-los. Não tem mais como assustar esses jovens. Não tem como ser mais assustador do que as imagens que a CNN exibe”.

Nesse ponto o rapaz tem razão. A garotada de hoje está mais do que acostumada com imagens chocantes, é difícil fazer algo que os impressione. A não ser que seja bizarro demais, mas daí o show viraria apelação. Isso não faz com que deixe de realizar seus números clássicos. Nem músicas, nem performances. Os momentos esperados por todos continuam aqui. Os objetos gigantes, as enfermeiras desmioladas, a cena da guilhotina e da ressurreição de Alice.

O show é dividido em três estágios. Clássicos, o momento mais sombrio e o momento de festa total. O repertório está bem dosado. Há seus clássicos dos anos 70 (“Billion Dollar Babies”, “Under My Wheels”, “Hello Horray”, “No More Mr. Nice Guy”, “Welcome To My Nightmare”...), canções de seus álbuns mais recentes (“Caffeine”, “I´llBite Your Face Off”) e o mais bacana de tudo, a faise oitentista não foi esquecida. Não faltam canções como “House of Fire”, “Poison” e “Hey Stoopid” por aqui.

Orianthi se destaca na apresentação

Há ainda um pequeno set onde adianta seu próximo trabalho: um álbum de covers. “Comecei tocando covers, assim como todos, e nunca tinha feito um álbum do tipo. Achei que depois de 29 discos era o momento”. Para o show, escolheu o que chama de dead friends. Conhecendo o que apronta em cima do palco, não poderia ser diferente. Vieram daí “Revolution”, “Foxy Lady”, “Break On Through” e “My Generation”. Seus dead friends, logicamente, são John Lennon (Beatles), Jimi Hendrix, Jim Morrison (Doors) e Keith Moon (The Who), respectivamente.

Alice Cooper sempre foi bem profissional e sempre se cercou de ótimos músicos. Aqui não é diferente. Completam o time; o baterista Glen Sobel, o baixista Chuck Garric, além dos guitarristas Ryan Roxie, Orianthi e Tommy Henriksen. Sim, 3 guitarristas dessa vez, onde destaco a loirinha Orianthi. Bonita e toca muito!

Gravado durante sua participação no Wacken Festival, como entrega o nome do vídeo, o cantor dá uma aula de rock n roll. Guitarra falando alto, público na palma da mão e show divertido do início ao fim. Aquisição obrigatória para novos e velhos fãs.

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Empolgante

Faixas:
      01)   Hello Hooray
      02)   House of Fire
      03)   No More Mr. Nice Guy
      04)   Under My Wheels
      05)   I´ll Bite Your Face By
      06)   Billion Dollar Babies
      07)   Caffeine
      08)   Department Of Youth
      09)   Hey Stoopid
      10)   Dirty Diamonds
      11)   Welcome To My Nightmare
      12)   Go To Hell
      13)   He´s Back (The Man Behind The Mask)
      14)   Feed My Frankstein
      15)   Ballad of Dwight Fry
      16)   Killer
      17)   I Love The Dead
      18)   Break On Through
      19)   Revolution (somente no CD)
      20)   Foxy Lady (somente no CD)
      21)   My Generation
      22)   I´m Eighteen
      23)   Poison
24)   School´s Out / Another Brick In The Wall

terça-feira, 21 de julho de 2015

Bula - Não Estamos Sozinhos (2015)

Por Rafael Menegueti

Bula - Não estamos Sozinhos
Quando Chorão morreu, em 2013, chegou ao fim uma das bandas mais influêntes da geração do rock atual. Do que ficou do Charlie Brown Jr. surgiu A Banca, banda que trazia Champignon nos vocais e tentava manter viva a essência do trabalho e das composições de Chorão. Mas não durou muito. Seis meses depois de Chorão, foi a vez de Champignon nos deixar, e com isso o projeto acabou deixado de lado. Enquanto tentavam se recuperar da segunda perda trágica, os ex-companheiros de Charlie Brown Marcão (voz e guitarra) e Pinguim (bateria) se uniram a Lena Papini (baixo) e formaram um novo grupo: o Bula.

O nome e a ideia da banda vem exatamente da união. Bula vem de bula pontíficia, que é um lacre feito com metal usado em documentos religiosos (a ilustração da capa faz referencia a isso também). O uso desse nome dá a ideia de uma banda lacrada, fechada na união entre seus membros. Diferente da Banca, o Bula não busca viver e prosseguir o legado do Charlie Brown Jr., mas sim trazer músicas novas e seguir em frente com um som próprio.

O power trio Bula
Apesar disso, a fórmula é quase a mesma da banda consagrada que a originou. As músicas têm a pegada e temática próximas do que foi o Charlie Brown Jr. O trio usa uma boa mistura de rock pra cima, com jovialidade e arranjos que em muito lembram o estilo próprio que popularizou o Charlie Brown entre o final da década de 90 e começo dos anos 2000. O estilo das letras também é bem parecido. Honestamente eu não era tão fã das letras do Charlie Brown Jr. (sempre achei o forte deles a parte instrumental), mas é perceptível que Marcão, que compôs as canções desse trabalho, tem uma boa noção pra criar versos cativantes.

As boas vibrações que o disco tenta trazer são a grande arma para esse disco dar certo. Musicalmente, não há o dizer dos músicos. Continuam mostrando competência, como faziam nos projetos anteriores. Marcão é um bom guitarrista e não decepciona nos vocais, enquanto Lena mostra ótima técnica em suas linhas de baixo, que se destacam nas canções. As faixas prometem agradar muito aos fãs que migraram com eles do Charlie Brown para esse novo projeto. Algumas das melhores são “Duas caras”, “Armas de Lado”, “Isqueiro”, “Dilemas” e “Bilhetes de Ida”.

A proximidade com o estilo de composições de Chorão fica ainda mais evidente em canções como “O Sol Dela Brilhou”, “Voar Com Você” e “Não Estamos Sozinhos”, sendo a última uma boa referencia às misturas com hip-hop que Chorão gostava de inserir em suas canções. Sem falar na faixa “Ela Nasceu Pra Mim”, composta pelo próprio e que seria usada em um futuro disco do Charlie Brown Jr. O que mostra que, embora eles busquem se firmar como uma banda nova, muito do que eles fizeram por anos continuará seguindo eles nesse novo projeto. No caso, repetir a fórmula que sempre fez sucesso e agradou os fãs, mas em novas composições, não se mostrou um erro como poderia parecer.



Nota: 8/10
Status: Pra cima

Faixas:
01 - Duas Caras
02 - Doses Gigantes
03 - O Sol Dela Brilhou
04 - Armas De Lado
05 - O Preço De Ser Diferente
06 - Ela Nasceu Pra Mim
07 - Isqueiros
08 - Dilemas
09 - Só Na Contabilidade
10 - Em Algum Lugar
11 - Voar Com Você
12 - Bilhetes De Ida

13 - Não Estamos Sozinhos

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Viper - To Live Again: Live In São Paulo (2015):



Por Davi Pascale

 
Grupo paulista Viper lança seu segundo CD ao vivo. Show comemora 25 anos de seu álbum de estreia e conta com vocalista original. Performance enérgica e nostálgica deve agradar aos velhos seguidores.
 
O Viper fez parte da primeira leva de grupos de heavy metal brasileiro. Vieram de uma época onde as dificuldades eram muito maiores do que as atuais. Tudo era mais dificil. Aula de instrumento era para poucos. Instrumento importado era para poucos. Até mesmo a aquisição de um LP importado era um sonho de consumo. Conseguir lançar um vinil fazendo um som pesado, nessa época, era algo heróico. Por isso, os grupos que surgiram dessa geração, que tinham essa proposta, contam com um carinho especial por parte dos seguidores.
 
Os rapazes tinham um diferencial. Um vocalista acima da média. Os grupos brasileiros dessa leva tinham bons guitarristas, bons bateristas, mas bons cantores era algo que se contava nos dedos de uma mão e ainda sobrava dedo. Os meninos impressionavam aqueles que se sujeitavam a sair de suas casas para se enfiar em um bar sem grandes estruturas. O som estava de acordo com o momento. Heavy metal direto e pesado com grandes influências de Iron Maiden. Seu vocalista, o hoje cultuado Andre Matos, se destacava por seu carisma, seu grande alcance e a utilização da técnica de falsetes, remetendo muito ao Michael Kiske. Idolo de 10 entre 10 fãs de heavy metal dos anos 80.
 
Para comemorar 25 anos de Soldiers of Sunrise, os rapazes resolveram cair de volta na estrada. Pit Passarell e Felipe Machado mantiveram a chama acesa durante vários anos. Primeiro com Pit assumindo os vocais. Conseguiram alguns passos importantes. Excursionaram fora do país, colocaram clipes na programação da MTV brasileira (quando esta ainda tinha relevância), participaram do primeiro Monsters of Rock brasileiro. Depois, com um novo vocalista, Ricardo Bocci. Os fãs ainda estavam lá. A imprensa, não mais. Muitos pediram essa volta durante anos. O resultado foi o sucesso da turnê. Inicialmente, iriam fazer 5 ou 6 shows. Graças ao sucesso de público, fizeram mais de 30. Entre eles, uma apresentação no Rock in Rio.
 
André Matos se junta novamente ao grupo para reviver sons de Soldiers of Sunrise e Theatre of Fate
 
O show resgata os anos iniciais do heavy brazuca. Uma amostra do que eram aqueles tempos. Os 5 músicos, em cima de um palco, esbanjando energia, fazendo um show honesto, sem máscaras, sem arremedo. Hugo Mariutti cumpre bem o papel de Yves Passarell (atualmente no Capital Inicial), sua guitarra casa perfeitamente com a de Felipe. Guilherme Martins soca a bateria sem dó, como se o mundo estivesse prestes a acabar. André dá o melhor de si, mas sua voz já começa a demonstrar alguns desgastes da longa estrada. Quando chega o momento dos falsetes, percebemos que sua voz não tem mais a mesma força de outrora.
 
O repertório é ótimo. As musicas sobreviveram bem ao tempo. "To Live Again", "A Cry From The Edge", "Livin´ For The Night" e "Kinghts of Destruction" empolgam, ao mesmo tempo em que emocionam. Ainda resolveram trazer uma surpresa para os fãs de longa data. O show encerra-se com "Rebel Maniac". Dos tempos de Evolution. Em Maniacs Live In Japan tivemos uma amostra de como soariam os vocais sem a presença de André. Em To Live Again pudemos ter uma palhinha de como soariam as composições da era Passarell, se o rapaz não tivesse abandonado o barco. E é uma das canções onde se sai melhor.
 
To Live Again - Live In São Paulo deve ser encarado como uma celebração, mas também como um documento histórico. Para quem curtiu e vivenciou a cena, acredito que sua aquisição seja quase uma obrigação. Para os demais, serve como um pequeno aperitivo do que esses grupos representaram e ainda representam. Torcendo agora para que os planos do DVD se concretizem!
 
Nota: 8,0 / 10,0
Status: Nostálgico

 
Faixas:
01) Knights of Destruction
02) Nightmares
03) Wings Of The Evil
04) H.R.
05) Soldiers of Sunrise
06) To Live Again
07) A Cry From The Edge
08) Living For The Night
09) Prelude to Oblivion
10) Act One
11) Theatre of Fate
12) Moonlight
13) Rebel Maniac

domingo, 19 de julho de 2015

Scalene – Éter (2015)

Por Rafael Menegueti

Scalene - Éter
Com a exposição trazida pela sua participação no programa Superstar, da Rede Globo, muito se falou sobre os brasilienses do Scalene. O grupo era um dos favoritos e ficou com o segundo lugar na atração, e chamou muita atenção do público com sua música. Mas o Scalene não é uma banda novata, tendo já lançado três álbuns de estúdio e com uma crescente popularidade que já vinha de antes do reality musical. O mais recente deles é “Éter”, que foi lançado esse ano e do qual falarei agora.

Diferente de muitas bandas alternativas independentes na atual cena brasileira, o Scalene não é mais uma banda pretenciosa que imita Los Hermanos. Nem são metidinhos a querer ter uma cara “brasileira” só pra agradar aqueles que acham que devemos sempre valorizar a nossa própria cultura e não “copiar os americanos”. A banda tem sim um toque brasileiro em sua sonoridade, mas é algo sutilmente inserido e diluído na boa formula de suas canções, sem aquele aspecto forçado ufanista. Afinal de contas, o rock não é um estilo surgido no Brasil, e querer que bandas brasileiras não se espelhem em bandas estrangeiras pra mim é muito estranho.

O grupo começou com duas vozes. Além de Gustavo Bertoni, a banda tinha Alexia Fidalgo, que gravou com a banda o primeiro disco, mas saiu em seguida. Nos dois primeiros discos, é possível ver uma boa evolução nas composições, que tem personalidade e pegada, especialmente o segundo, “Real/Surreal”. Em “Éter” a criatividade da banda vai além. As claras influências da banda, como Queens of the Stone Age e Radiohead, continuam moldando o som da banda. Aqui também é perceptível um grande amadurecimento nas composições, que dão uma cara única e nova na cena do rock nacional.

Os membros do Scalene
“Sublimação” abre o disco prendendo o ouvinte com uma melodia interessante, antes de prosseguir na mais agitada e suja “O Peso da Pena”. Em algumas faixas a banda foca no peso para deixar sua marca, casos de “Histeria”, “Náufrago” e “Loucure-se”. Em outras o foco são melodias e arranjos mais trabalhados e suaves, como em “Fogo”, “Terra” (com participação de Mauro Henrique do Oficina G3) e “Tiro Cego”. Outras faixas que mostram uma banda bem cadenciada e criativa, se destacando no disco, são “Alter Ego”, “Gravidade” e “Legado”, que encerra o disco muito bem.

O Scalene pode até não ter ganhado o Superstar, mas nem precisa. O grupo tem potencial de sobra pra alcançar o sucesso com méritos próprios, como vinha fazendo. Alias acho até melhor assim, evitando que mais uma banda boa acabasse lapidada e enquadrada pelos padrões comerciais pouco interessantes do que a Globo poderia fazer com eles. Até porque considero o Scalene como uma banda com bem mais personalidade e criatividade do que o Malta, vencedor da edição anterior, e que, na minha opinião, acabou lançando um trabalho facilmente esquecível e superável. Se com eles eu achava que faltava provar que eram realmente uma banda a considerar no rock nacional (o que eles ainda não conseguiram a meu ver), com o Scalene a situação é oposta. Eles não precisam provar mais nada, eles já são uma realidade positiva no rock brasileiro.


Nota: 9/10
Status: Criativo e envolvente

Faixas:
1- Sublimação
2- O Peso da Pena
3- Histeria
4- Fogo
5- Gravidade
6- Furacão
7- Terra
8- Náufrago
9- Alter Ego
10- Tiro Cego
11- Loucure-se
12- Legado

sábado, 18 de julho de 2015

Rolling Stones – Sticky Fingers Deluxe Edition (2015):





Por Davi Pascale

Álbum clássico do Rolling Stones retorna ao mercado acrescido de bônus e remasterizado. Realizado em um período de dificuldades, disco vence a prova do tempo e está entre os favoritos dos fãs. Audição essencial!

Os êxitos atingidos pelo grupo de Jagger/Richards são invejáveis. Dificilmente, veremos um outro grupo atingir o que esses caras atingiram e durar tanto tempo nos palcos. Surgidos durante a British Invasion (movimento de rock dos anos 60 que revelou, entre outros, Beatles, The Who e The Animals), não apenas venceram a prova do tempo, como driblaram inúmeras dificuldades. Esse disco foi uma verdadeira prova de fogo para os músicos.

Lançado originalmente em 1971, os rapazes atravessavam um momento delicado. Esse era seu primeiro álbum de inéditas desde Let It Bleed (1969), onde Mick Taylor havia tocado apenas 2 faixas. Sendo assim, essa é meio que sua estreia na banda. O rapaz substituía o cultuado Brian Jones, que havia sido encontrado morto, pouquíssimo tempo após ter sido mandado embora do grupo. Esse também era o primeiro trabalho lançado fora da parceria da Decca e o primeiro após a tragédia do Altamont, onde a equipe do Hells Angels, contratados para a segurança do local, matou uma pessoa da plateia à facadas. (A cena aparece no documentário Gimme Shelter). Esse evento e os crimes cometidos pelo maníaco Charles Manson são considerados por muitos como os principais fatores para o fim do movimento hippie.

Capa da edição espanhola

A capa é icônica. Até hoje é um mistério quem era o modelo fotografado na capa do disco. Idealizado pelo ícone da pop art, Andy Warhol, a imagem foi fotografada por Billy Name. O rapaz era bem próximo de Warhol e existe até quem o acuse de ter vivido um romance com Andy. A capa original trazia um zíper de verdade, que se movimentava para cima e para baixo. Na Espanha, essa foto foi censurada e o LP foi lançado no país com outra imagem, conhecida como can of fingers. Na edição espanhola, a canção “Sister Morphine” foi censurada e substituída por uma versão ao vivo de “Let it Rock”. Como o nome entrega, a canção falava sobre drogas. Dizem que Mick Jagger se inspirou em uma overdose sofrida por sua até-então namorada, e também cantora, Marianne Faithfull para escrever a letra.

Os músicos se utilizaram de diversas referencias. Os Stones sempre tiveram uma forte influência de blues em seu trabalho, especialmente nos primeiros discos. Aqui, essa pegada aparece com força em “You Gotta Move” e “I Got The Blues”. O clássico “Dead Flowers” explora a influência do country, enquanto “Can You Hear Me Knockin” tem ar de jam. No final da faixa, tem uma levada meia Santana, inclusive. Muito bacana! A sonoridade festiva marca presença nos clássicos “Brown Sugar” e “Bitch”. Ainda sobra espaço para a tão esperada balada. Aqui, responsável por encerrar o álbum, “Moonlight Drive”. Disco praticamente perfeito. Agora, quais são as novidades dessa edição?

Primeiro álbum gravado com o guitarrista Mick Taylor

Essa nova versão, que já chegou às lojas brasileiras, é dupla. O segundo CD conta com 5 músicas ao vivo, registradas na turnê do disco, e 5 músicas com takes diferentes. Infelizmente, “Let It Rock” ficou de fora. Quem quiser conhecer essa faixa terá que recorrer à coletânea Rarities 1971-2003. Os grandes destaques aqui ficam por conta da versão de “Dead Flowers” com uma pegada mais folk, o arranjo acústico de “Wild Horses”, além da histórica gravação de “Brown Sugar” com a participação especial de Eric Clapton na guitarra slide. Os fãs mais antigos já tinham lido sobre essa participação. Keith Richards chegou, inclusive, a considerar utilizar esse take na ocasião. Não sei se por já estar acostumado, ou pelo som xoxo da bateria, mas mesmo sendo um grande fã de Clapton, ainda prefiro a versão clássica. Mesmo assim, foi interessantíssimo ter a oportunidade de ouvir essa mixagem.

Quem já tem, vale a pena pegar pelos bônus e pelo encarte caprichado. Quem não tem, chegou o momento de adquirir. Disco essencial para quem curte o bom e velho rock n´ roll!

Nota: 10,0/10,0
Status: Clássico

Faixas:
CD 1:
      01)   Brown Sugar
      02)   Sway
      03)   Wild Horses
      04)   Can´t You Hear Me Knocking
      05)   You Gotta Move
      06)   Bitch
      07)   I Got The Blues
      08)   Sister Morphine
      09)   Dead Flowers
      10)   Moonlight Mile

CD 2:
      01)   Brown Sugar (With Eric Clapton)
      02)   Wild Horses (Acoustic)
      03)   Can´t Your Hear Me Knocking (Alternate Version)
      04)   Bitch (Extended Version)
      05)   Dead  Flowers (Alternate Version)
      06)   Live With Me*
      07)   Stray Cat Blues*
      08)   Love In Vain*
      09)   Midnight Rambler*
      10)   Honky Tonk Women*
*Live At The Roundhouse, 1971