sexta-feira, 12 de junho de 2015

Mumford & Sons - Wilder Mind (2015)

Por Rafael Menegueti

Mumford & Sons - Wilder Mind
A cena indie britânica é sem sombra de dúvidas um berço de grandes nomes do rock. Uma das bandas que vem se destacando nessa sempre produtiva e criativa cena é o Mumford & Sons. A banda lança seu terceiro álbum e começa a caminhar em uma direção antes nunca explorada. Se o elogiadíssimo “Babel” (2012) era a perfeita mescla de folk e indie, com ênfase nos instrumentos de corda como o banjo e o violão, além de uma percussão leve, em “Wilder Mind” a banda opta por uma proximidade maior com o indie rock tradicional de hoje em dia. E essa transformação veio depois de um curto período de hiato, que deve ter sido fundamental para que a banda parecesse mais empenhada em reconstruir sua sonoridade no seu retorno. Além da escolha do produtor James Ford, já habituado a esse meio.

A concepção de “Wilder Mind” foi um processo lento. Desde quando a banda confirmou estar trabalhando em material novo, em julho de 2014, foram meses de gravação e produção para que o que fosse lançado surpreendesse positivamente seus fãs. O fato é que todos nós sabemos como algumas pessoas são com grandes mudanças. E claro que muitos ainda não engoliram muito bem a banda abandonar o estilo “new folk” e os instrumentos acústicos pelos elétricos. Mas a meu ver, a mudança foi positiva e traz um ar novo e confiante a música do grupo, que poderia ficar repetitivo se continuasse investindo na mesma fórmula.

A cara nova do grupo é mostrada logo nos primeiros segundos de “Tompkins Square Garden”, com a guitarra distorcida tocada por Winston Marshall, que abandona o banjo nesse trabalho. A faixa, que abre o disco, é bem estruturada, com boa presença da bateria. A banda segue tendo um bom equilíbrio nas vozes do vocalista principal, Marcus Mumford, que também trocou seu violão pela guitarra elétrica, junto aos outros membros nos vocais de apoio. “Believe” é outro single e a segunda do disco. Uma balada elegante que cresce até o final em bom ritmo. Ela desemboca na mais agitada “The Wolf”, com forte presença do baixo de Ted Dwane e das guitarras. Depois da faixa-título, que destaca o teclado de Ben Lovett e a levada de bateria, vem “Just Smoke”, faixa que tem uma sonoridade mais próxima do folk, mas ainda assim bem distante do que eles mostravam antes.

Os membros do Mumford & Sons
Apesar do nome, “Monster” é uma faixa bem suave e constante. O dedilhado na guitarra e a voz mais intimista de Marcus são os pontos fortes de “Snake Eyes”, que ganha força e peso no final. “Broad-Shoulderead Beasts” é uma das composições mais fortes do disco, sendo um dos melhores picos criativos do trabalho. Já em “Cold Arms”, o intimismo da relação entre o belo timbre de voz de Marcus e a guitarra são o destaque da canção mais folk do disco. Em “Ditmas” temos um estilo mais radiofônico e pop, lembrando um pouco Coldplay na fase boa. “Only Love” é cantada e carregada pelo teclado até a metade, então estoura e finalmente mostra a que veio. O disco encerra dando uma assentada com “Hot gates”, mais calma e com ritmo definido pelo sintetizador e teclado.

Na busca por mostrar uma nova sonoridade, o Mumford & Sons conseguiu fazer um disco de indie rock que foge completamente da mesmice (às vezes chata e insossa) que tem saturado o gênero nos últimos anos. O disco é coeso, direto, bem estruturado. Não é enjoativo porque a banda soube usar suas influências antigas e fazer um som novo e despretensioso (outro defeito comum em muitas bandas indie atuais). E os integrantes mostram grande musicalidade no seu modo de compor e tocar. Resta saber agora para quais direções a banda seguirá daqui por diante. O primeiro passo em direção ao rock alternativo mais tradicional e comercial foi bem executado.


Nota: 9/10
Status: Empolgante

Faixas:
01. "Tompkins Square Park"
02. "Believe"
03. "The Wolf"
04. "Wilder Mind"
05. "Just Smoke"
06. "Monster"
07. "Snake Eyes"
08. "Broad-Shouldered Beasts"
09. "Cold Arms"
10. "Ditmas"
11. "Only Love"
12. "Hot Gates"

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Whitesnake – The Purple Album (2015):



Por Davi Pascale

A trupe de David Coverdale está de volta ao ataque. Desde seu retorno em 2003, o grupo havia soltado 2 (ótimos) álbuns de inéditas – Good To Be Bad e Forevermore – e 5 trabalhos ao vivo. Agora em 2015, depois de 4 anos sem soltar um álbum de estúdio, os músicos voltam a se trancar numa sala de gravações para relembrar velhas canções do Deep Purple. Disco que vem causando polêmica...

Para a garotada mais jovem, que acompanha a banda há menos tempo, é bom lembrar que Coverdale, antes de formar o Whitesnake, fez parte do grupo de Blackmore. Gravou pouco com o grupo britânico, mas foi o suficiente para fazer história. Os 3 discos que registrou ao lado dos rapazes – Burn, Stormbringer e Come Taste The Band – são considerados clássicos. Não apenas do Deep Purple, mas do rock. The Purple Album revive exatamente esse período.

“É um tributo. Uma homenagem. Um enorme obrigado ao Deep Purple pela oportunidade que tive há mais de 40 anos”, explicou o vocalista em comunicado oficial. É claro que se tratando de um grupo clássico do rock temos uma enorme leva de fãs puristas com o famoso papo de ‘não deveria se mexer no que é sagrado’. Muita gente vem malhando o álbum que, para dizer a verdade, é bem legal. Claro que há algumas canções que considero um erro sua regravação, mas no geral, o resultado final é ótimo.

Há quem prefira que não se altere os arranjos originais. Há quem defenda a tese de que, quando optar por fazer releitura de alguma velha canção, traga algo novo. Aqui, há um pouco dos dois universos. Algumas canções foram recriadas. Outras foram regravadas bem próximas à original trazendo apenas um pouco mais de peso nas guitarras e uma mixagem mais moderna.

Embora seja a primeira vez que Coverdale faça esse projeto não era raro ouvirmos canções desse período nos show do Whitesnake. Faixas como “Soldier of Fortune”, “Mistreated” e “Burn” já haviam sido executadas em algumas apresentações dos rapazes e podem ser conferidas em registros ao vivo do grupo.

Álbum resgata canções do Deep Purple e marca estréia de novo guitarrista

“Sail Away” é umas das grandes surpresas do álbum. A canção ganhou um arranjo acústico, delicado, que poderia ter sido parte do projeto Starkers In Tokyo. E funcionou incrivelmente bem. “Soldier of Fortune” que já havia sido regravada no citado álbum acústico, mantém essa pegada. Dentre as baladas, outro grande destaque é a releitura de “Holy Man”. Originalmente registrada na voz de Glenn Hughes, a canção ganhou um ar mais moderno. Poderia fazer parte de algum dos discos mais recentes do grupo que cairia como uma luva. E, mais uma vez, ficou espetacular.

“Love Child” ganhou uma versão um pouco mais pesada e se tornou um dos grandes destaques do disco. “The Gypsy” também mantém essa lógica e se destaca. Dentre as que sofreram alterações no arranjo, destacaria “You Fool No One”. Iniciando com um solo de gaita meio bluesy, logo se transforma numa paulada só. Embora mantenha a pegada funkeada, ganhou uma dose extra de peso que combinou bem com a canção. Outra que foi modificada e ficou bem interessante foi “Might Just Take Your Life”.

Os erros ficam por conta das releituras de “Burn”, “Lady Double Dealer” – que não trazem grandes inovações nos arranjos e nos lembram que Coverdale não tem mais a força vocal de outrora - e “Mistreated” que deixa um sentimento de algo faltando. Também tenho minhas dúvidas em relação à “You Keep On Moving”. Até que ficou boa, mas a gente sempre fica esperando o Glenn Hughes entrar.

Joe Hoekstra (Night Ranger) substitui o cultuado Doug Aldrich e faz bonito no disco. Obviamente, as novas versões não trazem a mesma magia das versões clássicas, mas certamente essa não era a intenção. Para quem está afim de ouvir um álbum de rock n roll, divertido, bem tocado, bem gravado e não se prende a ficar comparando com a versão original é um prato cheio.

Nota: 8,0/10,0
Status: Divertido e bem tocado

Faixas:
      01)   Burn
      02)   You Fool No One
      03)   Love Child
      04)   Sail Away
      05)   The Gypsy
      06)   Lady Double Dealer
      07)   Mistreated
      08)   Holy Man
      09)   Might Just Take Your Life
      10)   You Keep On Moving
      11)   Soldier of Fortune
      12)   Lay Down Stay Down
      13)   Stormbringer

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Scott Weiland And The Wildabouts – Blaster (2015):



Por Davi Pascale

Scott Weiland está de volta! Em seu primeiro trabalho após sua saída do Stone Temple Pilots, o rapaz entrega um álbum de rock sólido buscando novas referências. Com uma boa banda de apoio e sonoridade variada, cantor agrada em nova empreitada.

Encrenca parece ser seu nome do meio. Embora Blaster esteja bem legal, o trabalho mal saiu e o rapaz se vê em uma posição super delicada. Seu guitarrista, Jeremy Brown, foi encontrado morto no dia 30 de Março. Um dia antes do lançamento do disco. “Ficamos preocupados quando à tarde Jeremy não apareceu para o ensaio de um show que faríamos à noite. Uma hora depois, a família de Jeremy nos informou que havia falecido. Estou em choque!”, declarou o cantor em post oficial na ocasião. A causa da morte não foi revelada e abala o grupo, já que o rapaz ajudou bastante na criação do novo material.

As performances de Weiland são sempre uma incógnita. Sendo um cantor extremamente carismático, tanto pode estar em forma e entregar uma performance espetacular e enérgica quanto subir ao palco totalmente maluco, fora de si, por conta de seus vícios. No estúdio, entretanto, a história é outra. Dono de uma boa voz, sempre entregou trabalhos bem resolvidos. E aqui não é diferente. Se você está com medo de ouvir o novo disco por conta daquela apresentação do Texas que caiu no Youtube, pode ir sem medo. O trabalho vocal de Scott está excelente.

Cantor dá a volta por cima em novo álbum

Mas não espere nada na linha de Core ou do Purple. Weiland não fez um álbum nostálgico. Há poucos momentos do novo trabalho que nos remetem à sonoridade grunge que invadiu as rádios no início dos anos 90. “Bleed Out” é uma que nos remete ao som do tal movimento de Seattle. Mas conta com uma cara mais Nirvana do que STP. “Way She Moves” nos remete um pouco ao grupo que o tornou famoso, mais precisamente à fase de Tiny Music... Songs From The Vatican Gift Shop.

Blaster é um álbum variado. “Parachute” e “Modzilla” contam com uma pegada meia hard rock, enquanto “Circles” é uma balada country. O clássico “20th Century Boy” do T-Rex traz um ar de festa e descontração. “Blue Eyes” e “Hotel Rio” parecem terem sido criadas na medida certa para tocarem nas rádios, enquanto “White Lightning” traz aquela sonoridade suja, arrastada, mas ainda com um “q” de blues, com um espírito meio Jack White. “Beach Pop”, é uma canção power-pop e me remeteu ao Blondie em alguns trechos.

Com uma sonoridade meio garage rock, meio 70´s, Scott Weiland se utiliza de alguns velhos elementos de projetos anteriores para buscar a identidade de seu novo grupo. Se por um lado não chega aos pés de seus primeiros álbuns do Stone Temple Pilots ou à estréia do Velvet Revolver, por outro traz um material bem superior aos seus discos solos e aos trabalhos mais recentes do grupo que tinha ao lado dos irmãos De Leo. Pode ir sem medo!

Nota: 8,0/10.0
Status: Sólido

Faixas:
      01)   Modzilla
      02)   Way She Moves
      03)   Hotel Rio
      04)   Amethyst
      05)   White Lightning
      06)   Blue Eyes
      07)   Bleed Out
      08)   Youth Quake
      09)   Beach Pop
      10)   Parachute
      11)   20th Century Boy
12)   Circles

terça-feira, 9 de junho de 2015

Notícias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Turisas fará três shows no Brasil em outubro


O Turisas, grupo finlandês de folk/viking metal que chama a atenção por se apresentarem com pinturas vermelhas e pretas no corpo e pelo estilo épico de suas músicas, voltará ao Brasil no segundo semestre, como anunciado pela produtora Dark Dimensions. A banda se apresentará entre os dias 2 e 4 de outubro, respectivamente nas cidades de Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro. O último álbum da banda, “Turisas2013”, foi lançado em 2013, mesmo ano da primeira passagem do grupo por aqui.

Promotor de festival estaria tentando reunir o Pantera

De acordo com uma entrevista publicada pelo site Examiner com um dos organizadores do Mayhem Festival, John Reese, o mesmo estaria tentado reaproximar os ex-membros sobreviventes do Pantera para uma reunião. O produtor, no entanto, não sabe se isso será realmente possível, pois a relação de Vinnie Paul e Phil Anselmo continua complicada, mas ele garantiu que esse é um sonho do festival para um line-up perfeito. Anselmo tem dado entrevistas aberto a possibilidade, e boatos de que Zack Wylde (Black Label Society), poderia ser um substituto de Dimebag Darrel também rolam. Mas a verdade é que, se depender da vontade de Vinnie Paul Abbott, o Pantera não voltará.

Kobra and the Lotus lançará EP de covers


Os canadenses do Kobra and the Lotus irão lançar no dia 28 de agosto o EP “Words of the Prophets”. O lançamento terá cinco músicas, todas covers de bandas famosas canadenses, numa espécie de tributo. Entre as bandas homenageadas estão Rush e Triumph. Confira a capa e tracklist abaixo.


01. Lay It On The Line (TRIUMPH)
02. Sign Of The Gypsy Queen (APRIL WINE)
03. Black Velvet (ALANNAH MYLES)
04. Let It Ride (BTO)
05. Spirit Of The Radio (RUSH)

Música nunca antes lançada do Led Zeppelin disponível para streaming

Os fãs de Led Zeppelin já vinham animados com o lançamento das versões deluxe dos discos da banda (os três últimos serão lançados em julho). E agora eles tem um aperitivo para saciar a ansiedade. Foi disponibilizada a faixa “Sugar Mama”, de 1968, que será uma das faixas nunca lançadas presentes na reedição do disco “Coda”, último da banda lançado em 1982. Você pode ouvir a faixa abaixo.


Novo álbum do Children Of Bodom sai em outubro

A banda finlandesa já tem quase tudo pronto pra lançar seu novo disco, o nono da carreira. O lançamento será dia 02 de outubro, pela gravadora Nuclear Blast. O disco, que se chamará “I Worship Chaos”, terá dez faixas na versão normal e alguns bônus na versão deluxe. Confira abaixo a arte da capa e os nomes das músicas do álbum.


01. IHurt
02. My Bodom (I Am The Only One)
03. Morrigan
04. Horns
05. Prayer For The Afflicted
06. I Worship Chaos
07. Hold Your Tongue
08. Suicide Bomber
09. All for Nothing
10. Widdershins

domingo, 7 de junho de 2015

Muse - Drones (2015)

Por Rafael Menegueti

Muse - Drones
Festejados mundialmente como uma das melhores bandas do rock alternativo na atualidade, os britânicos do Muse lançam seu sétimo disco trazendo de volta um pouco da mistura de sons que tornaram a banda tão aclamada. “Drones” foi desvendado aos poucos, com algumas músicas sendo reveladas nas últimas semanas e meses. A expectativa era grande, e o disco parece corresponder.

O grupo vinha alimentando as expectativas com as declarações de Matt Bellamy a respeito do lançamento, dizendo que eles queriam voltar ao básico que eles sempre foram. De fato, é bem perceptível que a experimentação que a banda fez em seus dois últimos trabalhos ficou um pouco de lado, dando lugar a um disco mais simples e conceitual. A ideia por trás das músicas consiste numa grande metáfora sobre os rumos da humanidade. Segundo Bellamy relatou em entrevistas, sobre a perda da empatia, relacionada por eles à tecnologia de guerra que pode causar coisas terríveis a distancia, como drones guiados por controle remoto.

Voltando ao lado musical, as faixas trazem aquela velha mistura de rock com guitarras fortes, sintetizadores e boas melodias. O disco tem boa consistência e as faixas transitam bem entre suas influências. A faixa que abre o trabalho, o single “Dead Inside”, tem um ritmo levado pelo baixo e sintetizadores, com uma guitarra com efeitos que deixa a faixa bem interessante. O disco ganha mais pegada em seguida. “Psycho” é uma faixa que me ganhou de cara, com belo riff de guitarra e atitude, uma das melhores do CD.

Os membros do Muse
Em “Mercy” a banda volta a usar o som do piano para criar um tema que se direciona logo para o rock cadenciado do grupo. “Reapers” é outro destaque, uma faixa suja e acelerada, com bom uso de efeitos e guitarra, além de um belo solo. “The Handler” é outra com um riff ousado e andamento cheio de criatividade. Uma vinheta com um discurso de John Kennedy divide o disco aqui, antecedendo mais uma pancada em “Defector”. Faixa de atitude e ótimo trabalho vocal, com clara influência das cancões mais rock ´n roll do Queen.

As faixas seguintes dão uma quebrada nesse clima pegado. “Revolt” é menos agressiva, enquanto “Aftermath” é a baladinha do disco, com bela melodia e excelentes arranjos. “The Globalist” por sua vez é uma faixa longa, progressiva que tem suavidade e guitarra com slide no começo, ganha uma explosão de guitarra e peso no meio e volta a melodia simples com a voz de Bellamy e o piano depois. A faixa evolui mais um pouco e desemboca no encerramento do disco, com a faixa-título, que é uma sequência de vozes em coro, à capela, que dura quase três minutos.

Com grande performance dos músicos, “Drone” é um disco que promete agradar muito aos fãs da banda. Boas composições, melodias cativantes, vocais intensos com guitarras sujas e agressivas de Matt Bellamy, baixo pegado de Chris Wolstenholme e bateria consistente de Dominic Howard. Tem a personalidade do Muse e alguns dos melhores e mais pesados momentos da banda. Não chega a ser o melhor disco do Muse, mas é muito pra uma banda que vinha batendo na trave em seus últimos lançamentos.


Nota:8,5/10
Status: Consistente e pegado

Faixas:
01. Dead Inside
02. [Drill Sergeant]
03. Psycho
04. Mercy
05. Reapers
06. The Handler
07. [JFK]
08. Defector
09. Revolt
10. Aftermath
11. The Globalist
12. Drones

sábado, 6 de junho de 2015

Crossroads (1986):



Por Davi Pascale

Estou de volta com mais uma dica cinematográfica para vocês. Assim como existem álbuns que são aquisições obrigatórias para os amantes da música, existem também alguns filmes que todo mundo que curte som tem a obrigação de assistir, ao menos, uma vez na vida. Esse é um deles.

Lançado no Brasil com o nome de A Encruzilhada, o filme narra a história de Eugene Martone (Ralph Macchio), um jovem prodígio que sonha em se tornar um astro do blues. Eugene é um aluno de violão clássico na cultuada Juilliard School (sim, esse conservatório existe de verdade) e é um admirador do bluesman Robert Johnson. Obcecado pela ideia de existir uma música perdida de seu ídolo, resolve ir atrás de Willie Brown, mais conhecido como Blind Dog Fulton, companheiro de banda de Johnson.

Willie Brown existiu de verdade, mas não no modo como é retratado na película. Aqui, é retratado como um gaitista que acompanhava Robert Johnson. Na realidade, ele foi um guitarrista que foi uma das influências de Robert Johnson.

Depois de libertá-lo de uma casa de repouso, os dois embarcam para Mississipi com apenas 40 dólares no bolso. Brown convence o garoto a vender seu violão e adquirir uma guitarra e um amplificador. Não, sem antes fazer uma provocaçãozinha: “aposto que você viu o violão e achou legal porque era velho. Você não entendeu nada. Muddy Watters inventou a eletricidade”. Embora seja um músico respeitado, as dificuldades da vida tornaram o astro em uma pessoa ranzinza. Eugene engole poucos e boas, por conta do respeito que tem pelo músico.

Filme conta com aparição de Steve Vai

Juntos, começam a se apresentar nos bares. Nos Estados Unidos, existem certos locais, até mesmo bairros, exclusivamente de negros, onde o branco não é bem-vindo. Chega a ser hilário quando o garoto branquelo e sonhador entra em um desses bares para acompanhar Willie Brown e todos começam a olhar torto para o garoto. Suas aventuras na noite faz com que o menino se apaixone por uma garota que conhece por acaso. Frances estava sendo assediada pelo dono de um bar e o garoto resolve defende-la. Por conta de uma ação inusitada de Brown, a menina junta-se à eles por um pequeno período.

Quem conhece a história do bluesman Robert Johnson, conhece a lenda de que o rapaz vendeu sua alma para o diabo em uma encruzilhada. O assunto gira em torno do longa. No filme, Willie Brown encontra o assistente do diabo e começa a discutir a validade de tal acordo. Escuta do assistente que não importa se não está satisfeito com o rumo que sua vida tomou. Acordo é acordo. De todo modo, faz uma oferta ao velho músico. Se topar fazer um duelo com o guitarrista Jack Blades e vencer, sua alma é devolvida. Eugene, que estava disposto a fazer o tal acordo para atingir a fama, lembra que Willie não é guitarrista. Então uma nova oferta é realizada: o garoto teria que derrotar o endiabrado musico. Se ganhasse, seu amigo estaria livre. Se perdesse, teria que vender sua alma junto com Blind Dog. (Entenderam agora por que transformaram um guitarrista em gaitista?)

O ápice do filme é justamente o duelo entre Jack Blades, musico virtuose que não está acostumado a perder para ninguém, e Eugene Martone, um jovem guitarrista que sonha com uma oportunidade de atingir o estrelato. Jack é interpretado por ninguém mais, ninguém menos do que Steve Vai, o que deixa a cena ainda mais interessante de se assistir. Crossroads foi lançado no Brasil em DVD e não é muito difícil de ser encontrado por aí. Corra atrás.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Alestorm – Sunset on the Golden Age (2014)

Por Rafael Menegueti

Alestorm - Sunset on the Golden Age
Talvez uma das tendências que tem ganhado mais popularidade no meio da cena power metal seja a de bandas que buscam referências em temas variados e influências folk e tradicionais. Da Escócia, uma das bandas que mais tem inovado em uma cena que vem se renovando cada vez mais é o Alestorm, que se define como “pirate metal”. Isso mesmo, metal inspirado em piratas, com temática voltada para bebedeira e aventuras marítimas clandestinas.

Ano passado a banda lançou seu quarto álbum de estúdio, “Sunset on the Golden Age”, onde eles destilam sua mistura rítmica em grande estilo. O caminho por onde eles levam a sua música é simples e objetivo: a diversão. Com letras com esses temas, uma sonoridade épica e animada, feita com grandes hinos de metal, o disco é a perfeita definição do estilo que eles criam. A banda liderada pelo vocalista e tecladista Christopher Bowes entrega aqui o que pode ser o seu melhor trabalho.

O disco abre com o soar de trombetas de “Walk the Plank”, uma faixa que já dá a dica do clima que vem por aí. Em “Drink” temos a primeira exaltação a cerveja, num animado canto que parece ter vindo de uma taverna repleta de piratas bêbados (de onde mais?). “Magnetic North” segue com animação, mas é um pouco mais agressiva, com um tema de teclado épico. Uma introdução feita com sintetizadores que parece até uma trilha de videogame antiga é a primeira coisa que chama a atenção na épica “1741 (The Battle of Cartagena)”, faixa constante que se destaca no disco.

Os membros do Alestorm
O disco segue com a intensidade e o riff potente de “Mead from Hell”, enquanto “Surf Squid Warfare” tem levada acelerada e muito peso. Mas a aceleração chega a outros níveis com “Wooden Leg!” que chega tem uma pegada meio punk até. “Hangover” é outra que se destaca pelos cantos animados e apelativos e varia bem de levada e intensidade. O disco encerra com uma boa dose de epicidade ao longo dos mais de onze minutos de “Sunset on the Golden Age”.

No geral, a banda segue uma fórmula poderosa ao usar riffs bem pesados e aliar as guitarras de Dani Evans com arranjos de teclado para criar esse clima folk/power de seu trabalho. O uso de dois teclados (além de Christopher a banda também tem Elliot Vernon na função) dá um aspecto ainda mais animado e atmosférico nas canções. O baixo de Garreth Murdock e o peso da bateria de Peter Alcorn dão força e realçam o clima de diversão que a banda propõe. Heavy metal feito pra curtir, beber e pular, de uma banda que, com humor, usa uma temática curiosa para fazer um som de altíssima qualidade.


Nota: 9/10
Status: Divertido e épico

Faixas:
01. Walk The Plank
02. Drink
03. Magnetic North
04. 1741 (The Battle Of Cartagena)
05. Mead From Hell
06. Surf Squid Warfare
07. Quest For Ships
08. Wooden Leg!
09. Hangover
10. Sunset On The Golden Age