segunda-feira, 18 de maio de 2015

Notícias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Bullet for My Valentine anuncia baixista e lança nova música

O novo baixista do BFMV: Jamie Mathias
Cada vez mais próximo do lançamento de seu novo disco, “Venom”, a banda do País de Gales deu algumas boas novidades aos seus fãs. Primeiro anunciou o nome do novo baixista, que substitui Jay James, Jamie Mathias. Ontem a banda mostrou o primeiro single do novo álbum, “No Way Out”, que parece trazer a banda um pouco mais às suas origens. O disco novo chega às lojas apenas em agosto. Antes disso, a banda ainda fará turnê pela América Latina, passando por Porto Alegre, Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro, no mês de julho.

Novo documentáro abordará as mulheres vocalistas do metal

Pôster do filme
Um documentário que vem sendo produzido pelo diretor Mark Harwood irá mostrar as principais vocalistas do metal pelo mundo. “Soaring Highs and Brutal Lows: The Voices of Women In Metal” terá entrevistas com diversos nomes do gênero, como Doro Pesch, Alissa White-Gluz, Floor Jansen, Marcela Bovio, Charlotte Wessels (que aparece no primeiro pôster oficial do filme), Anneke van Giersbergen e Kobra Paige. O filme tem previsão de ser lançado em outubro, com lançamento em DVD e Blu-ray.

Banda do Exército Brasileiro executa faixa do Sabaton em homenagem

Uma homenagem bacana aconteceu na última semana durante evento realizado em Florianópolis. A banda da 14ª Brigada de Infantaria Motorizada executou uma cover de “Smoking Snakes”, faixa composta pelos suecos do Sabaton para homenagear os brasileiros da Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra. O vídeo da apresentação (veja abaixo) fez bastante sucesso e repercutiu entre os fãs da banda, não apenas no Brasil, e foi compartilhado pela banda.


CD de tributo ao Sonata Arctica tem data de lançamento anunciada

A gravadora Ouergh Records está preparando um disco tributo a banda finlandesa de power metal Sonata Arctica. A homenagem terá a participação de algumas bandas conhecidas, como Xandria, Van Canto e Stream of Passion, além de alguns novos nomes que fazem parte do time da gravadora. O lançamento será no dia 3 de julho via Bandcamp. Confira capa e tracklist:


1. TIMELESS MIRACLE – FullMoon (05:13)
2. STREAM OF PASSION – I Have A Right (03:49)
3. DYSCORDIA – My Land (04:43)
4. VAN CANTO – Victoria’s Secret (04:46)
5. SUNRISE – Black Sheep (03:52)
6. XANDRIA – Don’t Say A Word (06:07)
7. COLDSPELL – Letter To Dana (05:04)
8. MAJESTY OF REVIVAL – The Cage (04:35)
9. POWERGLOVE – Revontulet (01:38)
10. CELESTIAL WISH – Paid In Full (04:33)
11. INNVEIN – Wolf & Raven (04:30)
12. ARVEN – Replica (04:48)
13. ABANDONED STARS – San Sebastian (05:16)
14. DISPOSABLE – 8th Commandment (04:09)
15. XENO – Wildfire (04:08)

B.B. King, ícone do blues, morre aos 89 anos

B.B. King e sua inseparável Lucille
Uma notícia que mexeu com todos que admiram e são envolvidos com música. Nos deixou nessa semana o maior nome do blues, e talvez uma das maiores lendas da música em todos os tempos, B.B. King. Nascido Riley Ben King, em 16 de setembro de 1925, B.B. King foi considerado um dos melhores guitarristas da historia pela Rolling Stone. Em sua carreira, de mais de 60 anos, lançou 26 discos e vários compactos. O músico continuava na ativa e com uma grande agenda de shows por todos esses anos. A causa de sua morte foram complicações decorrentes de sua diabetes. Fica aqui a nossa homenagem a um dos maiores músicos de todos os tempos.

domingo, 17 de maio de 2015

Bidê ou Balde – Eles São Assim e Assim Por Diante (2012):



Por Davi Pascale

Grupo gaúcho volta à cena independente. Com formação mais enxuta, o grupo diminui também o deboche, as experimentações, as guitarras e lança disco morno.

No inicio dos anos 2000, parecia que grupos como Cachorro Grande e Bidê Ou Balde finalmente colocariam o rock gaucho de volta às paradas. Já fazia um bom tempo que não surgia um nome com projeção nacional vindo daqueles lados. Embora, alguns grandes nomes tenham vindo de lá na cena BRock, como Engenheiros do Hawaii e Nenhum de Nós, artistas respeitadíssimos e de grande talento como Acusticos & Valvulados, Rosa Tattooada, Nei Van Soria e Cidadão Quem passariam batido do grande publico nas décadas seguintes.

Bidê ou Balde sempre foi uma banda criativa e irreverente. Mesmo em sua irreverência, foram diferenciados. As letras irônicas e engraçadinhas não tinham a mesma malícia de um grupo como Camisa de Vênus e Raimundos. Era mais inocente, porém não menos inteligente. Para quem não conhece ter uma idéia, seria algo mais próximo da Blitz. Havia ainda mais duas semelhanças com o grupo de Evandro Mesquita que seriam a formação grande e o uso de backing vocals femininos. Entretanto, sempre soaram mais rock. O grupo de Carlinhos Carneiro deixava evidente em seus arranjos influência de Weezer, Blur e afins.

Grupo retorna com formação reduzida e sonoridade mais polida

Em Eles São Assim e Assim Por Diante, os rapazes se aproximam de uma sonoridade mais pop. Não que não tenham sido pop no passado, mas está mais descarado. O volume das guitarras diminuiu, as experimentações diminuíram ainda mais. A impressão que dá é que a banda está abatida, sem tesão. Não sei qual é a realidade dos músicos hoje, mas é nítido que passaram por dificuldade nesses anos todos. Se em Sexo É o Que Importa, o Rock É Sobre Amor, o grupo era formado por 7 integrantes, transformaram-se agora em um quarteto.

O disco não é ruim, apresenta bons momentos, mas não é empolgante. Várias composições como “Eles São Assim”, “Ontem Percebi Que Te Amo Ainda” e “João da Silva” soam arrastadas, mortas, sem brilho. Longe daquela alegria costumeira em seus trabalhos. Há, entretanto, alguns ótimos momentos que nos remetem aos velhos tempos como “Coisinhas Nojentas de Amor”, “Me Deixa Desafinar” e “Lucinha”. De bônus, trazem uma releitura da (ótima) canção “Mesmo Que Mude” com a participação do grande músico Renato Borghetti. Ficou bacana, mas abaixo da versão original.

O trabalho foi lançado de forma independente e ainda está em catálogo. Quem é fã, vale uma conferida. Sempre vale, né? Quem nunca ouviu a banda, recomendo começar pelo (ótimo) Outubro ou Nada.

Nota: 6,0/10,0
Status: Morno

Faixas:
      01)   + Q 1 Amigo
      02)   Prolog (vinheta)
      03)   Coisinhas Nojentas de Amor
      04)   João da Silva
      05)   Mesma Cidade
      06)   Tudo Funcionando Direito
      07)   Intervall (vinheta)
      08)   Me Deixa Desafinar
      09)   Lucinha
      10)   Eu Quero Morar em Marte
      11)   Ontem Percebi Que Te Amo Ainda
      12)   Melhores Veteranos
      13)   Sturm Und Tal (vinheta)
      14)   Eles São Assim
      15)   Epilog (vinheta)
      16)   Mesmo que Mude (Bonus)

sábado, 16 de maio de 2015

Silverchair: o retorno um dia é improvável

Por Rafael Menegueti


Quando o Silverchair anunciou em 2011 que estaria entrando em “hibernação por tempo indeterminado”, muitos fãs se perguntavam o que isso poderia significar. Os integrantes afirmaram estar indo em direções diferentes musicalmente (uma explicação bastante comum para esse tipo de situação) para justificar a decisão de interromper uma trajetória de mais 15 anos de estrada, e que começou quando os três eram apenas adolescentes colegiais antes de explodir com o sucesso de “Frogstomp” (1995).

Os rapazes então se puseram a buscar essas direções. Primeiro o baterista Ben Gillies se lançou em carreira solo com o projeto Bento. Depois foi a vez do líder Daniel Johns, que após alguns projetos menores e participações especiais, finalmente deu esse ano o pontapé inicial de sua carreira solo, com um EP lançado e agora um disco de inéditas prestes a chegar às lojas, chamado “Talk”.

Capa do primeiro álbum de Daniel Johns, prestes a ser lançado
Em meio a tudo isso um boato ganhou força: de que o fim do Silverchair não teria sido uma decisão amigável, mas resultado de atritos entre Daniel e os outros membros, principalmente o baterista Ben. Uma certeza começa a crescer ainda mais no meio disso tudo: a banda dificilmente voltará um dia. Daniel não quer mais nem saber de Silverchair, e tem deixado isso claro em suas recentes entrevistas.

Em entrevista ao “The Herald”, Johns afirmou que nem pensa em voltar com a banda, que isso “foi um período maravilhoso, mas não algo que queira revisitar ou reviver”. Já ao site da revista australiana “The Music”, Johns foi enfático ao rebater rumores de que a banda retornaria para abrir a turnê australiana do AC/DC. “Nem por um milhão de dólares”, enfatizou o cantor sobre a possibilidade, quando questionado do boato de que teriam inclusive oferecido dinheiro para isso. O certo é que agora Johns está realmente focado na sua nova carreira sozinho.

Quem no entanto não parece muito feliz com essa atitude de Johns é o ex-parceiro musical Ben Gillies. Recentemente o músico deu algumas declarações que deixam no ar que a relação dele com o amigo de infância estaria abalada. Como um tweet misterioso onde ele diz: “Um arrogante narcisista cercado por outros arrogantes narcisistas = entediante”. Em outro post, ele responde a uma dúvida de um fã que queria saber se ele o ex-baixista Chris Joannou compareceriam ao show que Daniel Johns fará em Sydney dizendo terem sido “excluídos da lista de convidados, por uma rigorosa política de ‘não a membros do Silverchair’”. Não dá pra saber no entanto se isso foi uma piada ou sério.

O que parece ser sério mesmo é que cada vez mais aquele trio australiano que conquistou o mundo com canções vivas e empolgantes dificilmente voltará a dar as caras. Uma pena por saber que os três cresceram juntos, não só como músicos, mas como amigos, e deixaram uma legião de fãs que, apesar de dissipados pelo lento desgaste da banda ao longo de seus últimos anos, continuaram admirando-os pelo que sempre foram e mostraram serem capazes de fazer.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Sonata Arctica e a saga “Caleb”

Por Rafael Menegueti

Sonata Arctica
Os finlandeses do Sonata Arctica são conhecidos por suas músicas com temáticas recheadas de historias e personagens marcantes. Uma das melhores historias criadas pelo vocalista Tony Kakko envolve não uma, mas quatro músicas, lançadas em discos diferentes envolvendo um personagem perturbador e com características um tanto psicóticas, numa trágica historia de paixão impossível. São elas: “The End of This Chapter” (“Silence”, de 2001), “Don’t Say A Word” (“Reckoning Night”, de 2004), “Caleb” (“Unia”, de 2007) e “Juliet” (“The Days of Greys”, de 2009), que juntas formam a sequencia conhecida pelos fãs como a “saga de Caleb”

Cada uma das músicas é um capitulo da historia do personagem Caleb, e sua paixão doentia por uma mulher, Juliet. A exceção de “Caleb”, faixa que conta a infância e origem do personagem principal. A forma como Tony tratou de compor as canções é bem interessante por se assemelhar a uma discussão do personagem principal com sua amada, sendo “Caleb” a única cantada em terceira pessoa. O uso de metáforas e referências a obras como “Romeu e Julieta”, de Shakespeare, por exemplo, tornam as faixas ainda mais convidativas. Decifrar a letra das canções exige uma certa atenção devido a essas inúmeras figuras de linguagem e referencias. Alem de que é preciso imaginar as cenas com sua cabeça pra compreender e interpretar o que se passa. Então aqui vai minha interpretação da saga:

End of This Chapter


A primeira parte da historia começa com uma ligação telefônica. Caleb e Juliet formavam um casal, mas a obsessão dele por ela fez com que ela o deixasse. Ele foi impedido de se aproximar dela novamente, mas depois de um tempo ele consegue encontrá-la. E passa a perseguir a moça. Após a perturbadora ligação ele lamenta a forma como as coisas acabaram entre eles, e passa a tramar a sua volta. Mas ele faz com calma, de forma fria, porque apesar de tudo, ele é um romântico...

Don’t Say A Word


Se na primeira parte Caleb está apenas observando e analisando o que irá fazer, em “Don’t Say A Word” ele parte pra ação. E de forma agressiva. Caleb invade a casa de Juliet, a prende e começa e despejar toda a sua indignação com a amada. Relembra um pacto, de que eles jamais se separariam. Algo que ela quebrou. Ele expõe toda a sua loucura (“Eu vejo um louco no espelho quando estou fraco”) e diz que Juliet é a causa dela. Ele quer ouvi-la dizer que o ama, mesmo que seja mentira (“Eu sei que você mente”) Então ele propõe uma solução, que ele retirou de um livro (Romeu e Julieta?), e promete a ela que ela verá o fim antes do amanhecer...

Caleb


Antes de mostrar o final da historia, Tony decidiu mostrar quem é Caleb mais a fundo. Para isso, foi a vez de explicar sua infância conturbada. A faixa que leva o nome do personagem traz uma introdução com uma locução que faz referencia às outras partes da historia (“você deve conhecer sua tragédia, os últimos anos, de cor”). A música conta de uma família problemática. Seus pais não se entendiam, e a mãe envenenava o filho contra o pai. Tanto que ele não se ressentiu com sua morte (“Sorria no seu funeral, ‘estou feliz que você esteja morto’”). Enquanto crescia, no entanto, as coisas não melhoravam, e a dureza de sua mãe serviu para criar um adulto cheio de problemas. No fim, Caleb acaba virando um assassino, impiedoso e que tem uma visão perturbada da vida e morte, reforçada pelos versos “as flores secas são tão belas, e isso se aplica a todas as coisas vivas e mortas”.

Juliet


Talvez tenha sido exatamente por causa da referência ao livro de Shakespeare que Tony Kakko tenha decidido chamar a amada de Caleb de Juliet, como é revelado no nome da última canção. Como havia ficado no ar em “Don’t Say A Word”, Caleb tinha uma solução pra seu impasse com Juliet. Os dois beberiam veneno e morreriam juntos. Mas algo deu errado. De algum modo, Juliet engana Caleb e vira o jogo. Ele acaba bebendo o veneno sozinho, e tudo começa a desmoronar. Enquanto o homem continua a expor sua indignação com ela, ele percebe que é tarde demais para se arrepender, pois o caminho tomado não tinha volta. E se da conta de que ela o fez de tolo o tempo todo, pois manipulou ele a acreditar que ela concordaria com a sua loucura final. Em suas ultimas palavras ele então decidi deixar claro que tudo que fez até então, foi por seu amor. “Eu vivi apenas por você (...), minha razão para morrer, não há vida sem você”, declara enquanto sente que não há mais amor correspondido. Ela é a ultima coisa que ele vê, antes de tudo se acabar e ela fechar seus olhos.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Noticias do Rock (Pra Não Ficar Por fora)

Fique por dentro de tudo que está rolando na cena nacional e internacional. As polêmicas, os lançamentos, os mimimis. Trazemos os principais fatos para vocês. Confiram! 

Por Davi Pascale


Rolling Stones reedita álbum clássico



O clássico Sticky Fingers ganha nova edição. O álbum, lançado originalmente em 1971, retornará às lojas no dia 8 de Junho com material bônus contendo versões alternativas e músicas inéditas da época. O disco, contendo a famosa capa do zíper, contém clássicos como “Brown Sugar”, “Wild Horses”, “Sister Morphine”, “Dead Flowers” e retornará ao mercado em 7 novas edições.


Disco do Metallica está longe de ficar pronto



Essa semana, o Lars Ulrich jogou um balde de água fria na cabeça dos fãs. Depois do depoimento de Kirk Hammet dizendo que havia criado mais de 250 riffs e dando a entender que o projeto estava avançado, o baterista respondeu em uma entrevista à rádio, de Los Angeles, ALT98.7: “Comparando com a idade da Terra e o tempo que o homem a habita, diria que está bem próximo”. O músico foi mais além na brincadeira, “Não ficaria prendendo o ar, nem evitando ir ao banheiro, mas está à caminho”. Tendo em vista que Death Magnetic foi lançado em 2008, podemos nos orgulhar de dizer que temos um novo Chinese Democracy à caminho. Na torcida para que a espera valha a pena.


Novo documentário ameaçando Courtney Love



Parece que essa mulher nunca terá paz. Depois do infame Kurt & Courtney, agora é a vez de Soaked In Bleach. Dirigido por Benjamim Statler, o documentário será lançado dia 11 de Junho e pretende comprovar que Kurt Cobain foi assassinado e que Courtney Love estava envolvida no caso. Parece que a líder do Hole terá que reviver todo aquele pesadelo (acusações, perguntas por todo lado, comentar assuntos delicados que julgava enterrado). Boa sorte, Courtney!


Queensryche confirma novo álbum



Pelo menos um grupo acertou sua situação. Agora não existem mais dois Queensryche, já que Geoff Tate perdeu o direito do nome. A versão de Todd La Torre soltará um novo álbum de inéditas em breve. Em entrevista à publicação Pop Culture Madness, o guitarrista Michael Wilton declarou: “Nós começamos a gravá-lo durante a turnê e está quase pronto. Uma boa parte do material remete aos (nossos) 6 primeiros discos. Temos mais de uma hora de gravação com material realmente bom”. Torcendo para que isso seja verdade, já que o anterior não me emocionou muito, não.


Edu Falaschi ganha CD tributo




A MS Metal Records confirmou a realização de um CD tributo ao vocalista Edu Falaschi. Segundo Anderson Faria, um dos idealizadores do projeto: “Esta homenagem é mais do que merecida, pois é um dos músicos mais representativos da cena. Estamos muito felizes porque todos os artistas que convidamos, aceitaram na hora". O disco celebrará os 25 anos de carreira do rapaz que já esteve à frente de grupos como Mitrium, Symbols, Angra e se encontra atualmente com o Almah. Nando Fernandes é o primeiro nome confirmado do projeto. Sem brincadeiras, nem provocações, gostaria de ver o Andre Matos participando do tributo. Seria bacana ver esse, que é considerado o grande nome do país, gravando uma versão e botando um fim na disputa infame que dura anos.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Sammy Hagar & Vic Johnson – Lite Roast (2014):



Por Davi Pascale

Sammy Hagar lança trabalho acústico. No repertório, misturam-se canções de sua (ótima) carreira-solo com hits do Van Halen. Trabalho é bem agradável e possui uma pegada intimista.

A idéia nasceu por acaso. O red rocker fez uma apresentação na primeira edição do Acoustic-For- A-Cure em San Francisco (California), em 15 de Maio de 2014. Trata-se de um evento beneficente para arrecadar dinheiro para crianças que sofrem de câncer. A idéia do evento é receber artistas para jams e sets acústicos. E o ex-cantor do Van Halen apareceu por lá para fazer um set violão/voz. E é exatamente isso que temos aqui.

Não se trata daqueles acústicos mega-produzidos com inúmeras percussões, teclados, violinos. Apenas voz e violão. Para dar uma pequena encorpada no som, Sammy trouxe o guitarrista de sua banda Waboritas, Vic Johnson. Algumas músicas contam com um sutil backing de Vic, mas o ponto alto é realmente o trabalho vocal de Hagar. Para não dizer que não há nada, há um acordeon em duas faixas: “Red Voodoo” e “Halfway to Memphis”. E só.

Os fãs do Van Halen adoram ficar discutindo sobre quem foi o melhor cantor da banda. Obviamente, entra o fator gosto nesse tipo de discussão. Ambos possuem estilo de cantar diferenciado e a banda criou uma nova sonoridade com a entrada de Sammy. Mas, não há duvidas, para aqueles que possuem um ouvido um pouquinho mais apurado, de que Sammy Hagar sempre teve um alcance vocal maior e maior domínio de sua voz. Sempre foi mais cantor. Sou um puta fã de Dave Lee Roth também, mas é como discutir quem canta mais: Ozzy ou Dio.

Lite Roast apresenta sonoridade mais intimista

E em um álbum como esse, isso conta a seu favor. Se em trabalhos mais produzidinhos, contando com o apoio de uma banda por trás, como esses realizados em apoio com a MTV, a voz já fica em maior evidência, imagina em um projeto desses. Se o cara não souber cantar, paga mico. Ainda mais que o músico optou por entregar um projeto 100% honesto. Realizou o disco sem nenhum tipo de overdub. O cara fez à moda antiga, sentou-se com o violão de frente à um microfone e mandou ver, assim como Bob Dylan fazia em seus primeiros álbuns.E o resultado está aqui. E, antes que me perguntem, sim, sua voz continua boa.

O CD tem um ar intimista. É como se você estivesse ouvindo os rapazes fazendo um som na sala de sua casa ou em uma roda de amigos. Não há solos trincados, milhares de vocais. É o som nu e cru, evidenciando a melodia das canções. O foco principal é a segunda fase de sua carreira-solo. Ou seja, de Marching to Mars em diante. Dentre essas, vale destacar “One Sip” que ganhou uma pegada mais arrastada, evidenciando ainda mais a influência country da canção. “The Love” ganha uma nova cara. A música que era um rock festivo, ganha um clima de balada rocker e funciona bem. “Who Has The Right” não tem mais aquele vocal gritado, mas o novo arranjo casou bem no projeto.

Nem todas as músicas sofreram mudanças drásticas. “Red Voodoo” e “Eagles Fly” (a única da primeira fase de sua carreira-solo), continuam bem próximas às originais. Dos seus tempos de Van Halen, trouxe os hits “Finish What Ya Started” e “Dreams”. As versões têm dividido a opinião de seus admiradores, mas gostei do resultado final. Esse não é aquele álbum para ficar estudando detalhes. É aquele trabalho para deixar rolando enquanto faz um churras com os amigos, enquanto toma um café antes de sair de casa... Se você curte esse tipo de ambiente, é uma audição divertida. Caso contrário, espere por seu próximo álbum, The Circle, que chegará às lojas na próxima semana.

Nota: 7,5 / 10,0
Status: Intimista/Descontraído

Faixas:
      01)   Red Voodoo
      02)   One Sip
      03)   Finish What You Started
      04)   Eagles Fly
      05)   The Love
      06)   Father Sun
      07)   Dreams
      08)   Deeper Kinda Love
      09)   Who Has The Right?
      10)   Sailin´ 
      11)   Halfway to Memphis

terça-feira, 12 de maio de 2015

Sirenia – The Seventh Life Path (2015)

Por Rafael Menegueti

Sirenia - The Seventh Life Path
Desde que Morten Veland fundou o Sirenia após se desligar do Tristania, a quase quinze anos, ele vem tentando encontrar a fórmula perfeita para os seus discos. Foram quatro vozes femininas diferentes nos primeiros trabalhos até encontrar Ailyn e enfim conseguir moldar aquilo que os fãs encaram como a melhor fase da banda desde a sua concepção. Após muitas mudanças, o Sirenia chega a seu sétimo disco de estúdio finalmente com o que parece uma formação consolidada. E curiosamente o disco se chama “The Seventh Life Path”.

O modo de trabalhar de Morten segue o mesmo. Ele grava praticamente todos os instrumentos e divide os vocais com Ailyn. O guitarrista Jan Erik Soltvedt e o baterista Jonathan A. Perez seguem como parte da banda, mas ao vivo (eles não usam baixista nem tecladista nos shows). No entanto, é notável como nos dois últimos trabalhos a banda buscou trazer de volta a atmosfera sombria e pesada do gothic metal do princípio da banda, as aliando ainda com a melodia que fez parte da sonoridade do grupo em determinado momento. “Perils of the Deep Blue” já havia surpreendido ao ser bem mais inspirado que o bom, mas monótono e constante, “The Enigma of Life”. Em “The Seventh Life Path” a banda parece ter dado um passo a mais nesse sentido.

A atual formação do Sirenia
Essa atmosfera que torna o som da banda mais encorpado é criada com muitos arranjos de teclados e sintetizadores, corais, guitarras e bateria pesadas e, claro, a boa mistura de vocais guturais com a leveza e beleza da voz de Ailyn. A partir da introdução com a faixa "Seti", que é uma simples composição com corais, teclado e arranjos sinfônicos, o disco exibe uma sequência de faixas que resgatam a força das composições que Morten sempre exibiu. “Serpent” é uma ótima mostra do que está por vir, com guitarras potentes e vocais fortes. O single “Once My Light” oferece uma incrível atmosfera progressiva, ao mesmo tempo que Elixir parece uma composição que poderia ter se encaixado perfeitamente no primeiro disco da banda, “At Sixes and Sevens”.

A faixa mais longa do disco, e também uma das melhores, “Sons of the North” tem uma melodia que em momentos é impulsionada pelos teclados bem inseridos, e em outros pela combinação do peso das guitarras e guturais. “Earendel” é um pouco mais melódica, enquanto “Concealed Disdain” é mais acelerada e progressiva, com um ar meio tenebroso em certos momentos. “Insania” é outra composição forte do disco, e a levada de guitarra é o ponto forte de “Contemptuous Quitius”. “Silver Eye” tem um aspecto bem nórdico, algo bem típico do metal norueguês. O disco encerra com “Tragedienne”, que, como o nome pode indicar, traz de fato uma certa melancolia em sua levada suave, que torna a faixa uma balada muito bem elaborada. Essa mesma faixa ganhou também uma versão em espanhol, “Tragica”, que aparece como bônus.

No que diz respeito a performance dos músicos, me arrisco a dizer que aqui eles apresentam a melhor forma juntos. Morten Veland parece tão inspirado e capacitado criativamente quanto nos primeiros anos de sua carreira. Ailyn Gimenez entregou a melhor aparição dela em disco desde sua entrada na banda, consolidada e fazendo um belo trabalho com sua voz suave e diferenciada. Para aqueles que achavam que o Sirenia não tinha mais nada a oferecer, “The Seventh Life Path” é um disco que prova o contrário. Um dos melhores da carreira do grupo de gothic metal norueguês.


Nota: 9,5/10
Status: Sombrio

Faixas:
1. Seti
2. Serpent
3. Once my Light
4. Elixir
5. Sons of the North
6. Earende
7. Concealed Disdain
8. Insania
9. Contemptuous Quitius
10. The Silver Eye
11. Tragedienne
12. Tragica (Tragedienne spanish version - Bonus Track)