sábado, 2 de maio de 2015

Kiske / Somerville – City of Heroes (2015)

Por Rafael Menegueti

Kiske/Somerville - City of Heroes
O projeto que uniu dois grandes vocalistas do metal está de volta. Michael Kiske, ex-vocalista do Helloween e agora no elogiado Unisonic, e Amanda Somerville, conhecida por sua banda Trillium, além de inúmeras participações e parcerias com nomes como Avantasia, Epica, Edguy, Kamelot, HDK e muitos outros, lançam o segundo disco de seu projeto Kiske / Somerville. Eles mantem a mesma fórmula de seu primeiro trabalho, mas com algumas mudanças na formação.

Alem da dupla de vocais, se mantiveram na banda o baixista Mat Sinner e o guitarrista e tecladista Magnus Klarsson. Sander Gommans, ex-guitarrista do After Forever e hoje no HDK não voltou a aparecer nesse disco. Já a bateria ficou a cargo da tcheca Veronica Lukešová. A pequena diferença no line-up do projeto também resultou em pouca diferença no som apresentado. A mescla de hard rock, power metal e elementos sinfônicos e progressivos segue sendo a base por onde o projeto se desenvolve.

O disco abre com o single “City of Heroes”, que também dá nome ao disco. A faixa é empolgante e tem uma levada agitada com um refrão potente, com a dupla fazendo um excelente dueto. “Walk On Water” é mais melódica, com mais ênfase em arranjos de teclado, assim como “Salvation”. “Rising Up” tem belos arranjos sinfônicos e mais velocidade na pegada, com Amanda comandando os vocais no refrão. Já “Lights Out” é uma faixa cheia de energia com um refrão cativante.

Amanda Somerville, Michael Kiske e os outros membros da banda
Em “Breaking Neptune” a interação dos dois vocalistas ganha um destaque melhor, assim como o bom tema de guitarra apresentado. A sequencia de peso é interrompida com a balada “Ocean of Tears”, que vai crescendo até estourar em um bom solo de guitarra, mas acaba de repente. “Open Your Eyes” é uma faixa bastante animada com mais um refrão chamativo. Mais perto do fim do disco, “Last Goodbye” é mais um hard rock de peso, seguido pela semi-balada “After the Night Is Over”, mais um bom respiro do disco. “Run With a Dream” não traz muitas surpresas, termina quando fica boa. A faixa que encerra o disco, no entanto, já soa bacana desde o início, “Right Now”. É onde Kiske consegue mostrar mais de sua capacidade em relação ao resto do disco, embora o destaque seja mais de Amanda.

Apesar de ser um ótimo disco, com faixas cheias de energia e levadas típicas do hard rock, é possível apontar também que ele não parece ser o melhor que a dupla poderia apresentar. O nível de capacidade tanto de Kiske quanto de Amanda são muito maiores do que eles imprimem em vários momentos. Sem falar que algumas faixas demoram pra acontecer de fato, encerrando no momento em que elas parecem melhores. Poucas são as músicas realmente marcantes. O que não chega a ser um grave problema, já que como um todo o disco cumpre o seu papel dentro do estilo que se propõe. Vale bastante a pena pra todos que são fãs dos dois cantores e do estilo como um todo.


Nota: 7/10
Status: Interessante

Faixas:
01. City Of Heroes
02. Walk On Water
03. Rising Up
04. Salvation
05. Lights Out
06. Breaking Neptune
07. Ocean Of Tears
08. Open Your Eyes
09. Last Goodbye
10. After The Night Is Over
11. Run With A Dream
12. Right Now

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Notícias do Rock (Pra Não Ficar Por Fora)

Fique por dentro das ultimas noticias do rock. Separações, lançamentos, shows no Brasil. Confira, na reportagem a seguir.

Por Davi Pascale


Richie Kotzen tocará com Extreme no Brasil




O guitarrista norte-americano Richie Kotzen foi confirmado pela produtora Free Pass como uma segunda atração na turnê que o Extreme fará no Brasil. Exatamente, não trata-se de um numero de abertura e sim, de um special guest. Ou seja, assistiremos dois shows na integra. Sim, nós da Riff Virtual estaremos no show de São Paulo cobrindo esse evento para vocês. Será bem interessante, ver dois guitarristas que despontaram mais ou menos na mesma época e foram considerados pela mídia como menino prodígio, tocando na mesma noite.


Kiss e Scooby Doo juntos




Pelo visto não é apenas a família dos Simpsons que trazem convidados de rock como participação. A trupe do Scooby Doo se uniu aos roqueiros do Kiss em seu novo filme que chegará às lojas no mês de julho. Atendendo pelo nome Scooby Doo! & Kiss: A Rock n Roll Mistery, a animação trará uma musica inédita dos mascarados, além da participação especial do grupo no desenho. A dublagem foi feita pelos próprios músicos.


Kid Abelha chega ao fim




A cantora Paula Toller anunciou essa semana à Folha de São Paulo que o grupo Kid Abelha não volta mais. "A carreira do grupo acabou. Não tem mais turnê, nem disco. Custei a admitir para mim mesma, mas precisa ter espírito de grupo e nós não temos mais", desabafou a loirinha na entrevista. Sua carreira-solo que até então era um trabalho esporádico, agora torna-se seu trabalho principal. Desejamos boa sorte nessa nova empreitada.


Skid Row negou fortuna oferecida por reunião




Em recente entrevista ao site Loudwire, o vocalista Sebastian Bach disse que Rachel Bolan não topou se reunir com os antigos músicos para uma série de apresentações. “Recebemos uma oferta para duas noites no Sonisphere. Uma sexta e um sábado. Iriam nos pagar meio milhão de dólares e Rachel não quis”. Bach deu a entender que a desavença entre os músicos ocorreu porque ele fechou um acordo para o Skid Row dividir o palco com o Kiss, sem consultar a banda, em 1996. O musico disse que lamenta também que não exista uma preocupação em manter o legado da banda, lançado DVD´s e reeditando seus antigos álbuns.


Capital Inicial grava acústico em NY




Exatamente! A banda brasiliense Capital Inicial gravará um acústico volume 2. Até aí, nenhuma novidade. Artistas como Lulu Santos e Engenheiros do Hawaii também fizeram um segundo volume. E no caso do Capital era meio que esperado que, mais cedo ou mais tarde, fizessem uma continuação. Afinal, seu disco desplugado foi responsável pela nova consagração do grupo, além de ter sido o disco que mais vendeu em sua carreira. A grande novidade é que eles gravarão fora do Brasil. O show ocorrerá na cidade de Nova Iorque no dia 6 de Junho. Quem tiver interesse em conferir isso de perto, basta acessar o seguinte site: http://bit.ly/pacotesDVDNY. A apresentação contará com a participação especial de Seu Jorge, Lenine e Thiago Castanho (Charlie Brown Jr). 

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Discografia comentada: Nemesea

Por Rafael Menegueti


Hoje decidi falar sobre mais uma banda pouco conhecida por aqui da cena do metal holandês com vocal feminino, o Nemesea. A banda já tem mais de 10 anos de estrada, mas apenas 3 álbuns de estúdio (o mais recente de 2011) e um ao vivo. No entanto, o que me chamou a atenção foi o fato de o som deles ser bem simples e evoluído consideravelmente de um trabalho para o outro. E para alegria de seus fãs, eles estão preparando um novo disco.

O grupo foi fundado pela vocalista Manda Ophius e pelo guitarrista Hendrik Jan de Jong, conhecido como HJ, em 2003. A princípio, a banda fazia metal sinfônico. Dentre as varias mudanças de formação, o único membro que segue desde o principio na banda além de Manda e HJ é o baixista Sonny Onderwater.

Mana (2004)


O primeiro disco da banda foi lançado por uma gravadora pequena e mostrava uma banda com uma sonoridade mais sombria e voltada para o gothic/symphonic metal. As composições são boas, mesmo não sendo tão elaboradas quanto um disco desse tipo costuma ser. A banda abusa do uso de teclado e corais, os riffs de guitarra são envolventes e os vocais de Manda são afinados e sem muito rodeio. A simplicidade valeu os elogios que o disco recebeu. Destaques: Threefold Law, Angel In The Dark, Lucifer.


In Control (2007)


Depois de flertar com algumas gravadoras maiores, a banda decidiu lançar seu segundo disco através do sistema de crowdfunding do site holandês Sellaband. A iniciativa foi muito bem sucedida, e a banda conseguiu um número recorde de doações, lançando então seu segundo disco, “In Control”. Diferente de "Mana", a banda deixou de lado as influências de metal sinfônico de bandas como After Forever e Nightwish, partindo para uma sonoridade mais voltada ao gothic rock e com forte uso de sintetizadores. As canções continuam simples, mas agora um pouco mais radiofônicas. Apesar de tudo, “In Control” soa muito pouco ousado e é menos marcante, mas já mostra uma banda caminhando positivamente em direção de sua própria proposta músical. O disco ainda conta com a inusitada participação do cantor havaiano Jake Kongaika, mais conhecido como Cubworld, na faixa “The Way I Feel”. Destaques: No More, The Way I Feel, Remember.


Pure: Live @ P3 (2009)


Após o começo promissor a banda lançou seu primeiro CD ao vivo. “Pure: Live @ P3” contem faixas gravadas nas apresentações dos dias 02 e 03 de julho de 2009, na cidade de Purmerend, na Holanda. O show teve uma inovação na engenharia de som, ao ser realizado em surround 7.0, um projeto em parceria com estudantes de uma universidade de artes de Utrecht. No CD estão versões ao vivo de todas as faixas do álbum “In Control”, alguns improvisos instrumentais e uma cover de “No Good (Start the Dance)” do Prodigy. Apenas duas faixas do primeiro disco, “Mana”, aparecem no CD, “Lucifer” e “Angel In the Dark”.


The Quiet Resistance (2011)


O mais recente disco da banda saiu em 2011. “The Quiet Resistance” foi o primeiro disco da banda após assinar com a gravadora austríaca Napalm Records, e a evolução que a banda mostra nele é considerável. Nele a banda finalmente conseguiu dar uma cara mais potente e empolgante às suas composições, mesmo com a simplicidade característica do grupo. As faixas transitam bem entre canções mais melodiosas, com influencias que iam do rock alternativo ao metal industrial. Aqui os sintetizadores e teclados conseguem dividir bem o papel de carregar as músicas com a guitarra de HJ, e os vocais de Manda estão com uma personalidade própria. O disco ainda conta com as participações especiais de Charlotte Wessels (Delain), na faixa “High Enough”, e Heli Reissenweber (Stahlzeit, uma banda cover do Rammstein), na ótima “Allein”. Destaques: Caught In the Middle, Afterlife, High Enough, Say, Allein.


quarta-feira, 29 de abril de 2015

Quase Famosos (2000):



Por Davi Pascale

Estou de volta com mais uma dica cinematográfica. Há aproximadamente 15 anos chegava aos cinemas, esse que muitos consideram um dos melhores filmes sobre rock. Misturando fatos reais com histórias inventadas, a película se passa nos anos 70, resgatando um pouco da cultura da época.

Quase Famosos é uma história ficcional, mas nem tanto. O diretor Russel Crowe baseou-se na sua própria história para escrever o roteiro do filme. Nascido em Palm Springs (California), Crowe iniciou sua carreira como jornalista, chegando a escrever para revistas musicais super respeitadas como Cream Magazine e Rolling Stone. Durante sua trajetória, chegou a entrevistar artistas icônicos como Bob Dylan, David Bowie, Neil Young, Eric Clapton, Santana, Led Zeppelin, Allman Brothers, entre outros. O grupo de Gregg Allman, na real, foi sua primeira capa na Rolling Stone.

A história gira em torno de William Miller, um jovem apaixonado por rock, criado por uma mãe super-protetora, que se lança no universo do jornalismo musical. William encontrou significado em sua vida fuçando a coleção de discos de sua irmã que havia saído de casa. Foi ali que descobriu seus heróis. No longa, tem uma cena marcante, onde recebe uma dica do respeitado Lester Bangs, assim que começa dar as caras para bater com seus textos: “seja honesto e impiedoso”. Crowe realmente teve contanto com Bangs enquanto trabalhava como critico. Na época em que escrevia para a Cream, Lester Bangs era o editor da publicação.

Kate Hudson no papel de Penny Lane

O filme ganha fôlego quando o garoto consegue uma entrevista com um grupo em ascensão, Stillwater. O garoto passa a excursionar ao lado dos músicos e ali passa por uma nova transformação. É o momento onde perde a inocência e passa a ver o lado negro da coisa. Bebida e droga por todo lado. Briga por egos. Músicos fazendo tipo e dizendo coisas sem pé, nem cabeça. Garotas passando em mãos de diferentes músicos, de diferentes bandas. Músicos disputando para ver quem iria dormir com tal groupie, etc. Há uma cena onde uma garota é trocada por uma lata de cerveja e 50 dólares. Podem acreditar, essas coisas acontecem nos bastidores.

Miller consegue vender a matéria para a Rolling Stone, que promete capa aos rapazes. Quando ficam sabendo da noticia, transformam o menino um herói. Ao ficarem sabendo do conteúdo, contudo, negam tudo, colocando o garoto, que havia dito nada mais do que a verdade, em maus lençóis. E daí ele ganha mais um aprendizado: muito se aproximam por interesse e mantém uma amizade enquanto aquilo for interessante para eles. Infelizmente, não se pode confiar em todos. O garoto que era fã dos caras, volta pra casa desiludido.

Na película, há várias referências. Penny Lane (Kate Hudson), groupie por quem o garoto se apaixona, é o nome de uma canção dos Beatles. É também o nome de uma rua de Liverpool. A banda Stillwater do filme é ficcional. Entretanto, existiu um grupo nos anos 70 com esse mesmo nome. Uma banda de southern rock que durou não mais do que 2 ou 3 discos. As canções que vocês ouvem no filme, entretanto, foram compostas por Peter Frampton e Nancy Wilson (esposa de Crowe e guitarrista do Heart). Como curiosidade, vale lembrar que Mike McReady, guitarrista do Pearl Jam, foi o responsável pela gravação de boa parte das guitarras e que Frampton também serviu como consultor para o roteiro da película. Para quem não sabe, o rapaz é um guitarrista famoso e nos anos 70 (período em que se passa a história) fez parte do icônico Humble Pie.

Stillwater: grupo criado para o filme

E não para por aí. Quem assiste ao longa, sempre comenta de duas cenas em especial. Uma de quando o guitarrista Russell Hammond sobe no telhado de uma casa, chapado de LSD, e sai gritando: “Eu sou um Deus dourado”. E, outra, quando a banda está em uma viagem de avião. E durante uma forte turbulência, todos começam a revelar seus podres acreditando que o avião vai cair. Essas histórias foram inspiradas em Robert Plant (cantor do Led Zeppelin) e The Who, respectivamente. Plant fez aquele papelão no topo de um hotel em Los Angeles. O quase acidente com o The Who, ocorreu durante uma excursão nos EUA, na qual Crowe estava junto para escrever uma matéria.

Apesar do que pode parecer, o filme não é forte, nem chocante. Pelo contrario, é um filme bem leve e gostoso de assistir que chega a render algumas risadas, inclusive. Lançado no Brasil em DVD e blu-ray é bem fácil de ser encontrado por aí. Recomendadíssimo!  

terça-feira, 28 de abril de 2015

Lyriel - 10 (EP- 2015)

Por Rafael Menegueti

Lyriel - 10
Os alemães do Lyriel completam em 2015 dez anos do lançamento de seu primeiro disco, “Prisonworld”. O som da banda evoluiu muito de lá pra cá. Embora eles sempre tivessem capacidade de lançar músicas interessantes, foi apenas em seus dois últimos trabalhos (“Leverage”, de 2012, e “Skin and Bones”, de 2014) que eles atingiram um nível realmente de excelência. O som que hoje é mais próximo do metal sinfônico com elementos de hard rock antes era mais voltado ao folk metal. E é exatamente essa fase que a banda exalta com seu EP “10”, que também acabou sendo o último lançamento com o guitarrista fundador da banda Oliver Thierjung como membro fixo. Ele recentemente anunciou que seguirá apenas como compositor e músico de estúdio.

A banda fez uma escolha simples para comemorar seus 10 anos na estrada. Escolheram 3 faixas de cada um de seus dois primeiros álbuns, “Prisonworld” (2005) e “Autumntales” (2006), que marcam essa fase inicial do grupo, e as regravaram buscando manter a essência das músicas, mas acrescentando um pouco de sua direção atual. A banda, no entanto, ignorou seus três álbuns seguintes, “Paranoid Circus”  (2009) e os já citados “Leverage” e “Skin and Bones”, até porque eles são mais recentes e já trazem a evolução que a banda apresentou ao longo dos anos. Portanto, não faria sentido incluí-las nesse momento.


A faixa escolhida para abrir o EP foi “Surrender In Dance”, do segundo disco. Uma boa escolha, já que é uma das melhores e mais envolventes faixas do disco. A banda fez uma execução mais consistente e com um som mais encorpado. Em seguida veio “Prisonworld”, faixa-título do disco de estreia. Como vem ocorrendo nos últimos discos, a banda deixou de lado os arranjos de piano que fazem parte da versão original e preferiu dar uma sonoridade mais pesada a canção. “Lind E-Huil”, faixa cantada em língua élfica também teve os arranjos de piano omitidos, priorizando os arranjos de cordas, as guitarras e o dedilhado de violão das partes mais suaves da semi-balada. “Regen” já é uma faixa mais animada também tirada do segundo disco, e com letra em alemão.

A faixa do primeiro disco “Crown of the Twilight” é a que ficou mais diferente da versão original, até porque nela os pianos tinham um papel importante nos arranjos. O que poderia ter prejudicado a faixa foi superado pela criatividade da banda, que conseguiu recriar os arranjos sem o uso do piano deixando ela tão interessante quanto a original. Encerrando a sequencia de clássicos da banda está “Wild Birds”, uma ótima faixa, bem folk metal, e que resume bem a sonoridade do grupo, com linhas de guitarras bem elaboradas e boa interação com o violino e o violoncelo que trazem o folk à canção. Para encerrar o EP a banda incluiu uma faixa inédita, “The Sailor”, que soa como uma mistura dos elementos de todas as fases da banda.

As atuações dos músicos são bem consistentes. Os vocais de Jessica Thierjung sempre fazem bonito, assim como as guitarras que imprimem peso e melodia na hora certa. A dupla de irmãos Joon e Linda Laukamp segue dando uma sonoridade única ao som do grupo com sua entrosada união de violino e violoncelo, respectivamente. E a bateria é precisa e sem rodeios. O Lyriel continua mostrando que é formada por excelentes músicos e, com esse EP, prova que sabe acompanhar sua própria evolução com lucidez e sem deixar de lado todos os bons elementos de sua sonoridade. Mais um ótimo lançamento dessa boa e ainda desconhecida banda alemã.

Nota 9/10
Status: Competente

Faixas:
1. Surrender in Dance
2. Prisonworld
3. Lind E-Huil
4. Regen
5. Crown of the Twilight
6. Wild Birds
7. The Sailor

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Monsters of Rock – 26/04/2015 (Anhembi / SP):



Por Davi Pascale
Fotos: Camila Cara/Monsters of Rock

Monsters of Rock fecha sua sexta edição com os mascarados do Kiss. Em torno de 40.000 pessoas compareceram e curtiram uma bonita noite com atrações para ninguém botar defeito.

Estive na primeira edição do Monsters of Rock, realizada no Estádio do Pacaembu em 1994, justamente para assistir ao Kiss. Naquela primeira edição, o cast era bem dividido: 4 atrações nacionais, 4 internacionais. Provavelmente faltou cash para trazer mais gringos na primeira vez, mas é fato que poderiam ter dado mais espaço para artistas brasileiros na nova edição. Pelo menos, uns 2 por noite. Ontem, tivemos apenas 1 brasileiro se apresentando: o fraco Dr. Pheabes.

Iniciando sua apresentação em torno de 12:15, em um dia ensolarado, bem que os caras tentaram, mas não conseguiram convencer. A qualidade do som não estava ruim, estava até mais alto do que a banda seguinte, mas as composições são muuuuito fracas. Não via a hora do show acabar. Ainda bem que não demorou para acontecer. O único momento que levantaram a galera foi quando entrou uma loira no palco para ficar fazendo danças sensuais. Quando uma dançarina convidada arranca mais aplausos do que a banda em toda sua apresentação, é hora de repensar a carreira. Na sequência, tivemos a apresentação do satírico Steel Panther. A banda está na ativa desde 2000, mas seus músicos já estão na estrada desde muito antes. O ótimo vocalista Michael Starr, por exemplo, se chama Ralph Saenz e fez parte de uma das inúmeras formações do L.A. Guns. O guitarrista Satchel é o Russ Parrish que fez parte do projeto War & Peace de Jeff Pilson (Dokken) e do Fight de Rob Halford (Judas Priest). Tarimbados, os músicos fizeram um show redondo e ganharam a platéia com seu deboche e suas ótimas composições. Apresentação divertida e muito bacana.

Steel Panther empolgou o publico, mesmo sem ter hits no país

O egocêntrico e talentoso Yngwie Malmsteen veio a seguir. Verdade seja dita, o cara é dono de uma ótima trajetória, com vários discos considerados clássicos, além de ter lançado um novo estilo de tocar guitarra. Não tenho a menor duvida que, sem Yngwie, vocês jamais teriam ouvido falar de um cara como Timo Tolkki, por exemplo. Infelizmente, o rapaz não atravessa uma fase maravilhosa. Conhecido por seu perfeccionismo, decepcionou ao subir ao palco com um som extremamente mal equalizado (o pior do festival), poucos clássicos e a ausência de um vocalista de frente. Conhecido por ter popularizado grandes nomes do seguimento como Jeff Scott Soto e Michael Vescera, dessa vez quem ficou responsável pelos vocais foi o tecladista Nick Marino, que não frustrou, mas também não brilhou. Apenas cumpriu seu papel. Muito pouco para um artista da magnitude de Malmsteen. Aqueles que, como eu, tiveram a oportunidade de conferir suas duas primeiras passagens no país, ambas no extinto Olympia, sabe que ele é capaz de mais, muito mais...

O próximo a se apresentar foi o Unisonic. O grupo ficou famoso por reunir novamente a dupla Kiske/Hansen.   Estava com uma grande expectativa, afinal sou um grande fã de Helloween, Gamma Ray e gostei muito dos discos do conjunto. Consegui ver o Helloween de perto algumas vezes (a primeira, aliás, no Monsters de 1996), mas sempre com Andi Deris nos vocais. Não consegui comparecer quando o novo grupo veio ao Brasil 3 anos atrás, portanto minha expectativa era a alta. E foi correspondida. Os rapazes deram uma aula de heavy metal com um show extremamente profissional. Michael Kiske provou que a idade não fez mal às cordas vocais. Pelo contrário, o cara roubou a cena em diversos momentos com seu enorme alcance e seu incrível carisma. Se Andre Matos assistisse esse show se aposentaria no dia seguinte. A platéia recebeu bem as composições de seu novo álbum, Light of Dawn, e foram ao delírio nas (poucas) canções do Helloween. Em especial, no clássico “I Want Out”.

Accept veio a seguir e não deixou pedra sobre pedra. Sem duvidas, um dos melhores shows da noite. Com uma formação extremamente afiada, o que chega a ser impressionante já que o guitarrista Uwe Lulis e o baterista Christopher Williams chegaram há pouquíssimos meses, os caras levaram a galera ao delírio. Os lendários Wolf Hoffman e Peter Baltes continuam extremamente precisos em suas performances. Mark Tornillo provou ser a escolha correta na difícil tarefa de substituir o não menos lendário Udo Dirskschneider. No set, apresentaram canções de sua nova fase, além de inúmeros clássicos como “Fast As a Shark”, “Restless & Wild”, “Princess Of The Dawn”, “Metal Heart” e “Balls To The Wall”. Mortal!

Accept prova estar em grande fase e se destaca no festival

A próxima atração seria o polêmico Manowar. Embora contem com uma platéia grande e extremamente fiel, sempre houve quem torcesse o nariz para os caras, por conta de seu visual e das brincadeiras que fazem com o público durante o show. Para piorar a situação, sua ultima passagem ao país havia decepcionado grande parte dos seguidores, onde eu me incluo. Teriam a difícil tarefa de não apenas convencer os detratores, mas de reconquistar uma boa parte de seus antigos fãs. Dessa vez, acertaram em cheio. Diminuíram as brincadeiras, rolou apenas um discurso do baixista Joey De Maio, e focaram nos clássicos. O vocalista Eric Adams continua com a voz extremamente potente e os músicos afiados. Até teve um ou outro erro, mas nada que diminuísse a apresentação. O único senão é essa mania de querer ser a banda mais alta do universo que, em alguns momentos, joga contra o grupo. O som extremamente alto, por vezes, deixa o som estridente demais, como se pôde notar em diversos momentos do show. O set foi espetacular e não faltaram canções como “Metal Daze”, “Hail & Kill”, “Sign Of The Hammer”, “Battle Hymns” e “Black, Wind, Fire & Steel”. Apagaram a imagem ruim que haviam deixado na outra vez.

O lendário Judas Priest veio a seguir. Conhecidos por serem um dos pioneiros daquilo que hoje é conhecido como heavy metal, os caras possuem musicas suficientes para fazer 2 shows repletos de clássicos se quiserem, o que levantou a polêmica de repetir o set de uma noite para outra (eles foram o único a se apresentar nos dois dias de festival). Polêmicas à parte, o grupo britânico fez um bom show. Rob Halford demonstrou que continua com o gogó intacto, Richie Faulkner se adaptou bem ao grupo. O set foi bem cadenciado misturando faixas de seu novo disco, o (razoável) Redeemer of Souls, com canções de sua fase oitentista como “Jawbreaker” e “Turbo Lover”, sem se esquecer de clássicos atemporais como “Painkiller”, “Breaking The Law”, “Metal Gods” e “Living After Midnight”.

E eis que finalmente chega a hora do quarteto mascarado subir ao palco. Com um atraso de pouco mais de meia hora e com uma produção de palco um pouco mais simples do que o de costume (dessa vez, não tivemos o palco descendo do teto e também não trouxeram a famosa aranha), os caras fizeram a espera valer.

Kiss emocionou os presentes com clássicos e arriscando palavras em português

A noite se iniciou ao som do hino “Detroit Rock City”, emendando nos petardos “Creatures Of The Night” e “Psycho Circus”. Justamente os sons que abriram as apresentações de 2012, 1994 e 1999 (sim, fui em todas elas). Mais nostálgico, impossível! Aqueles que acompanham a banda de perto, sabem que Paul Stanley sofre de problemas nas cordas vocais desde 2008, tendo passado por uma cirurgia, inclusive, em 2012. Portanto, já sabíamos que não deveríamos esperar que estivesse com a mesma força vocal de seus tempos áureos. Embora venha sofrendo fortes críticas à algum tempo, saí satisfeito com sua performance. Teve alguns deslizes, mas nada que comprometesse o espetáculo.

Donos de uma trajetória de mais de 40 anos, os caras sempre souberam conquistar uma platéia e no show de ontem não foi diferente. Os músicos fizeram suas famosas brincadeiras de disputar qual lado gritava mais alto, arriscaram algumas palavras em português e presentearam o publico de SP com uma musica que não foi apresentada nas outras cidades, “Parasite”. Donos de um carisma incrível, especialmente a dupla Stanley/Simmons, os músicos fizeram todos os números que se espera um show do Kiss: Gene Simmons cuspindo fogo, babando sangue e levitando, Tommy Thayer fazendo um solo disparando fogos de sua guitarra, Paul Stanley voando na tirolesa e quebrando guitarra no final da apresentação, a famosa chuva de confetes e explosão de fogos de artifício.

Com um set recheado de clássicos – onde não faltaram canções como “Shout It Out Loud”, “Do You Love Me”, “Calling Dr Love” e “I Love It Loud” – e uma banda super bem entrosada, os músicos fizeram uma apresentação mágica, emocionando os presentes e demonstrando o porquê de sua musica atravessar décadas, apesar da perseguição da imprensa durante toda sua trajetória. Que voltem mais vezes.

domingo, 26 de abril de 2015

Vaias ao Black Veil Brides: a triste realidade do público metaleiro

Por Rafael Menegueti

Os integrantes do Black Veil Brides
Eu não estive no Monsters of Rock neste sábado (25/04). Acompanhei apenas as notícias que saíram nas redes sociais e sites a respeito do que rolou. Mas uma coisa que eu já sabia que aconteceria a muito tempo, na mesma época que o line-up do festival foi anunciado era: Black Veil Brides seria vaiado. Era mais do que óbvio, pois é uma tradição do público de rock e metal, especialmente no Brasil.

A banda tinha uma tarefa difícil: tocar para um publico que aguardava Motörhead (que viria a ser cancelado por problemas de saúde de Lemmy), Judas Priest e Ozzy Osbourne, três dinossauros do metal, sendo eles uma das bandas da nova safra, e bem diferentes em sua proposta. Claro que os headbangers não estavam nem aí pra isso. Um dos grandes problemas desse público é viver de um passado que não volta mais, e simplesmente ignorar a evolução que o estilo sofreu ao longo dos anos.

Deixo claro uma coisa: Eu não gosto de Black Veil Brides. Acho eles uma banda sem graça, com músicas fracas, um visual e atitudes forçadas e com uma exposição exagerada na mídia especializada. Até são bons músicos (o vocalista tem um ótimo timbre grave, por exemplo), mas o som não me desce. No entanto, se estivesse em um festival, JAMAIS os vaiaria. Isso porque eu tenho algo que falta em muitos headbangers hoje em dia, o respeito. Não só pelo artista, mas pelos outros fãs.

Segundo algumas reportagens, o vocalista da banda norte-americana, Andy Biersack, teria se incomodado com as vaias e os gritos de “Motörhead” vindos da plateia. Ele chegou a se desculpar e abandonar o palco junto da banda por alguns minutos, segundo o site da “Rolling Stone”, e quando voltaram, já não exibiam mais o mesmo animo do início da apresentação. Mas ele não deveria ter que se desculpar. Por mais frustrante que possa ser, não é culpa da banda ter sido escalada para um festival junto de tantas atrações que quase nada tem a ver com eles. A banda está ali fazendo o seu papel, e o mínimo de respeito por isso deveria existir (talvez quem devesse ser vaiado fosse a organização, pela longa e demorada fila que os fãs relataram ter que atravessar para entrar, mas isso não vem ao caso agora).

Andy Biersack durante o show. Foto: Gustavo Vara (Rolling Stone)
Eles vieram ao Brasil para tocar para seu público, em um grande festival, um passo importante para uma banda de trajetória mais recente. Estando eles no line-up do festival, qualquer pessoa mais civilizada deveria simplesmente aguardar a passagem da banda pelo palco. Imagine-se na posição dos fãs do grupo, querendo ver a banda que gostam e tendo de aguentar hostilidades, xingamentos e falta de respeito ininterruptas, estragando assim um momento que deveria ser lembrado como algo feliz. Se não gostam de uma banda, qual é o problema de ficar por 45 minutos esperando civilizadamente o show terminar? O show da banda que você gosta vai acontecer logo mais, e será a sua vez de se divertir. Por que ser egoísta desse modo e estragar a diversão dos outros?

E não venham me dizer que essa atitude não é exclusividade do Brasil. Dane-se isso. Não é porque o vizinho joga lixo no quintal que você vai achar correto fazer o mesmo, certo? O Black Veil Brides, assim como outras bandas também já foram vaiadas em outros eventos lá fora, mas o brasileiro faz isso de modo ainda mais desrespeitoso, isso é fato. Quando estive conversando com um colega que já viu festivais na Europa ele foi bem claro dizendo que o público lá raramente vaia, e, na maioria das vezes, se o faz é porque reprovou alguma atitude da banda. No geral, se uma banda toca em um festival onde a maioria dos presentes não são seus fãs, a maioria acompanha o show calada, sem ofender os artistas no palco nem seus fãs, porque sabem que sua vez de ver uma banda que gosta virá mais tarde.

Enquanto ficarmos fazendo esse papel estúpido de ódio e intolerância com tudo que não vai de acordo com nossos gostos pessoais, impossível a cena ir pra frente. São atitudes como essa que aos poucos enfraquecem a cena. Basta entender que tem espaço pra todas as bandas, de todos os estilos, propostas e vertentes, atuais ou não. O fato de um grupo mais novo e diferente estar fazendo sucesso não vai fazer com que a banda que você gosta ou defende perca espaço. Eu sempre digo que música não é competição. Sejamos mais coerentes nas próximas oportunidades e vamos mostrar para todas as bandas a fama positiva que o público brasileiro sempre teve com as bandas internacionais: de sermos calorosos e apaixonados. E que o respeito passe a ser outra característica positiva dos fãs de metal, não só aqui, mas em todo lugar. Do contrario, quem realmente merecerão as vaias seremos nós.