segunda-feira, 20 de abril de 2015

Música Comentada: Ensiferum – “In My Sword I Trust”

Por Rafael Menegueti


Outro grande nome do metal finlandês, o Ensiferum é uma banda que traz em suas letras temas relacionados a historia de sua nação e culturas nórdicas, típicas do viking/folk metal. Uma das canções mais populares do grupo é “In My Sword I Trust”, faixa presente no álbum “Unsung Heroes”, lançado em 2012.

A ideia do heroísmo, da exaltação de sua cultura pagã escandinava são os temas centrais da canção, escrita pelo baixista Sami Hankka e o guitarrista fundador da banda Markus Toivuren. Basicamente a letra expõe o modo como eles exaltam o orgulho que sentem de suas origens e rejeitam a forma como outras culturas e religiões, mais especificamente o cristianismo, foram impostas sobre a deles no passado. Então ela seria como um convite, uma motivação aos antepassados que lutaram contra essas opressões. Um sentimento elevado pelo refrão com uma entonação que mais parece um hino ou um canto de motivação à batalha.


Many men have crossed my way
Promising peace or my soul to save
But I already heard you
I have seen what they made with their freedom
But I, I have no need for your god
The shallow truth of your poisonous tongue
Brothers it's time to make a stand
To reclaim our lives
Because all this steel can set us free

Rise my brothers we are blessed by steel
In my sword I trust
Arm yourselves the truth shall be revealed
In my sword I trust
Tyrants and cowards for metal you will kneel
In my sword I trust
Till justice and reason we'll wield
In my sword I trust

The sword that shivers in my hand
Do you have the might
To eat the putrid flesh
To drink the blood of the true one to blame
The time of change is here
Avail your blade

Leave your souls to your gods
Kneel, obey, follow their laws
Diseased and decayed, cherish their fate
This day I repay
Your love for fear come fate

Omen build me a fiery falcon
Pull your blade in a blazing shore
She'll never wait and may make war
Rest my hands and come to pray
But my life shan't go to waste
Grip the spirit that they turn on
Upon the point, the point of our steel
Muitos homens cruzaram meu caminho
Prometendo paz ou a salvação pra minha alma
Porém eu já os ouvi
Eu vi o que eles fizeram com a liberdade deles
Mas eu não tenho necessidade de seu Deus
A verdade superficial de suas línguas venenosas
Irmãos, é hora de tomarmos uma posição
Para reclamar nossas vidas
Porque todo esse aço pode nos libertar

Ergam-se, meu irmãos, nós somos abençoados pelo aço
Em minha espada eu confio
Preparem-se, a verdade deve ser revelada
Em minha espada eu confio
Tiranos e covardes, ao metal vocês irão se ajoelhar
Em minha espada eu confio
Até a justiça e a razão, nós iremos exercer
Em minha espada eu confio

A espada que treme em minhas mãos
Você tem o poder
De comer a carne pútrida
De beber o sangue do verdadeiro ao culpado
O tempo da mudança é aqui
Utilize sua lâmina

Deixem suas almas a seus deuses
Ajoelhem-se, obedeçam, sigam suas leis
Doente e decadente, valorize seus destinos
Esse dia irei retribuir
Seu amor pelo medo iguala ao destino

O presságio construiu-me um falcão de fogo
Erga sua espada, uma borda em chamas
Ela nunca espera e pode fazer guerra
Descanso minhas mãos e rezo
Mas minha vida não pode ser desperdiçada
Segurou o espírito que o mantém aceso?
Sobre o ponto, o ponto da nossa lâmina

domingo, 19 de abril de 2015

Queda nos ingressos: exploração ou falta de interesse?



Por Davi Pascale

Recentemente foi postado, em um site sobre rock/metal, um artigo que dizia o quão em baixa estava o heavy metal, culpando o publico e usando como justificativa o fato dos ingressos do festival Monsters of Rock e dos dias de heavy metal no Rock in Rio não terem se esgotado (na verdade, atualmente Metallica e System Of a Down já estão com noites esgotadas). Não preciso nem dizer que a desculpa não poderia ter sido mais fajuta. O que me faz questionar quem teria escrito tamanho absurdo: um novo ouvinte ou um empresário frustrado.

Para início de conversa, é preciso deixar claro que o fato de não esgotar ingressos não quer dizer necessariamente que o espetáculo será um fracasso. Isso só saberemos no dia, para falar a real. Mas seguindo a lógica do autor... Um grupo que vendeu 90% dos ingressos está em baixa? Faça-me o favor... Depois que há uma razão para a queda dos ingressos nos espetáculos do Brasil e isso está longe de ser por falta de interesse de público.

Pelo contrário, os músicos da cena de heavy metal costumam ir embora daqui maravilhados com a receptividade. Eles vêm ao Brasil esperando tocar no meio de uma floresta com macacos em volta e quando chegam aqui se deparam com todas as exigências cumpridas, fãs calorosos que sabem as letras de suas canções de cor e que perseguem os músicos em hotéis e aeroportos em busca de fotos/autógrafos, mesmo quando o cara não é um artista lendário. O cara sai daqui se sentindo os Beatles. Tuomas Holopainen do Nightwish, somente para dar um exemplo, comentou na época da cantora Anette Olson que a prova de fogo da cantora seria passar pelo publico da America do Sul, onde os fãs costumavam ser mais fanáticos. E um dos países citados como exemplo pelo músico foi justamente o Brasil. Tobias Sammet do Edguy já chegou a rasgar elogios para o nosso país em documentário da banda. Portanto, falar que o publico não apóia é de uma sandice total.

A razão para essa queda na venda de ingressos, na minha visão seriam 3: excesso de shows (muitos shows, muito próximos), valor abusivo nos ingressos (basta comparar os valores nos outros países) e a situação econômica do nosso país. São poucas as pessoas em nosso país que ganham realmente bem e muitas vezes o cara precisa escolher qual show ele irá dessa vez. Há quem questione a alta do dólar. Realmente o valor está absurdo e pode, sim, influenciar, mas a verdade é que a exploração no valor dos ingressos já está ocorrendo há um bom tempo. Existem shows que estou assistindo pela segunda, terceira, quarta vez e que se for comparar ao que paguei na primeira vez a diferença no valor pode chegar até 10x mais. E isso já ocorre há mais de 10 anos. Tudo bem, a economia do país, os afetos de download (que faz com que os músicos foquem mais os shows e acredito que a gravadora leve uma fatia, já que disco não vende mais tanto quanto antes), etc, podem ter colaborado, mas será que à ponto de multiplicar 6, 7, 10 vezes o valor final? Duvido! Nada me tira da cabeça que estamos sendo explorados. E o pior de tudo, não foram somente os shows internacionais que subiram de preço... Será que a culpa é realmente e unicamente do publico? 

sábado, 18 de abril de 2015

Frantic Amber – Burning Insight (2015)

Por Rafael Menegueti

Frantic Amber - Burning Insight
O primeiro disco dessa banda formada na Suécia finalmente foi lançado mundialmente nessa semana. “Burning Insight” era aguardado por fãs de death metal melódico a um bom tempo. Isso porque o Frantic Amber já vinha chamando atenção na cena com seu EP de estreia, “Wrath of Judgement” (2010), além de alguns singles, mas faltava o primeiro full-lenght. Não falta mais. Tudo bem que o disco já havia sido lançado na Suécia no ano passado, mas ele não havia saído de lá, nem em versões digitais. Portanto só nesta sexta-feira o álbum chegou aos ouvidos do resto do planeta.

A primeira vista o Frantic Amber pode parecer uma banda manjada. Um quinteto que faz death metal vindo de Estocolmo, claramente influenciado por outros nomes conhecidos dessa mesma cena, como In Flames, At The Gates e, a mais clara das influências, o Arch Enemy. Mas observando de perto percebemos as singularidades da banda.


O grupo é quase todo feminino, a não ser pelo baterista colombiano Mac Dalmanner, que abusa do pedal duplo e imprime um ritmo acelerado e coeso. Os vocais guturais da dinamarquesa Elizabeth Andrews são ferozes e sombrios, e se assemelham muito ao estilo de Angela Gossow por serem bem graves. A diferença é que Elizabeth também faz uso da voz limpa em certos momentos, mais especificamente nas faixas “Drained” e “Awakening”, e ela soa mais clara e compreensível do que a vocalista na qual ela claramente se espelha.

A dupla de guitarras, formada pela japonesa Mio Jäger e pela sueca Maria Siebecke, é bem entrosada e varia de momentos mais técnicos e cadenciados, como nas faixas “Bleeding Sanity”, “Wrath of Judgement” e “Awakening”, para outros mais agressivos e caóticos, como em “Entwined” e no single “Ghost”. Os solos de guitarra são boas adições à musicalidade das canções. O baixo de Madeleine Gusberg completa bem o time da banda.

Ainda destaco a variedade que a banda mostra com “Burning Insight”, “Soar” e “Entwined”, que mostram a capacidade do grupo para fazer canções diversificadas sem perder sua própria identidade. O disco de estreia do Frantic Amber me parece uma boa mostra de uma banda que tem tudo pra se destacar na forte cena de death metal escandinava. Embora não seja inovadora, o grupo conseguiu mostrar identidade trazendo bons elementos de suas influencias com personalidade própria. Um bom começo que compensa a longa espera.


Nota: 8,5/10
Status: feroz

Faixas:
1. Intro
2. Burning Insight
3. Bleeding Sanity
4. Soar
5. Drained
6. Awakening
7. Entwined
8. Wrath of Judgement
9. Unbreakable
10. Destruction
11. Ghost

sexta-feira, 17 de abril de 2015

The Doors – The Movie (1991):



Por Davi Pascale

Em 1991, o cineasta Oliver Stone lançou um filme sobre o lendário grupo The Doors. Apesar da espetacular atuação de Val Kilmer, o longa dividiu opiniões. Algumas pessoas mais próximas à Jim Morrison, como o tecladista Ray Manzarek, acusavam o diretor de ter alterado a história. 
Existem alguns artistas que são muito difíceis de serem retratados. Tanto para aqueles que se aventurarem em criar um grupo cover para homenagear seu ídolo, quanto para serem reproduzidos no cinema. Jim Morrison era um desses caras. Cheio de personalidade, impulsivo, preocupado em viver cada minuto, era uma pessoa difícil de ser retratada. Como se não bastasse, sua carreira era cheia de polêmicas e envolvia prisões, relação com drogas, bebidas, inúmeras mulheres. Como retratar isso em duas horas?
A resposta não poderia ser diferente. Haveria quem iria amá-lo, haveria quem iria odiá-lo. No Brasil, ocorreu algo parecido com o filme do Cazuza. Daniel de Oliveira foi extremamente elogiado por sua performance, entretanto as pessoas próximas ao cantor, como o músico Frejat, desaprovaram o resultado afinal. Alegavam que haviam deixado o artista com uma cara 'porra louca' demais. É isso o que ocorre por aqui.
Embora leve o nome do grupo, o filme tem como foco principal as atitudes e a vida de seu líder Jim Morrison. Não sei quais são as partes que o pessoal acha que faltaram com verdade já que a maioria das cenas polêmicas, eu já conhecia as histórias antes mesmo do filme ser lançado. Já haviam sido retratadas em diversos livros sobre o grupo.
Filme não esconde o lado polêmico de Jim

The Doors, como disse, retrata todas as histórias que haviam sido mencionadas anteriormente nas biografias e que seus fãs gostavam de discutir na roda de amigos: a recusa de Jim em alterar trecho de “Light My Fire” para uma apresentação em programa televisivo, a vez em que subiu ao palco totalmente bêbado e simulou colocar o pênis para fora, a vez em que foi preso em cima do palco por peitar as autoridades, a briga com seus colegas de banda por terem vendido sua canção de maior sucesso para um comercial de TV, a polêmica em torno de “The End”. Está tudo aqui.
Tudo isso e, claro, as brigas, as traições, as bebedeiras, os abusos de drogas. É um filme que é recomendável para qualquer fã, mas não para qualquer idade. Com fortes cenas de sexo e drogas, o longa chocou os mais conservadores na época. Quando gosta-se muito de algo ou alguém, fica difícil enxergarmos os defeitos e acredito que esse seja o caso das fortes críticas à esses dois filmes. A realidade? 2 ótimos artistas, 2 caras de atitude, porém, nenhum santo.
John Densmore, baterista do The Doors, participa do longa interpretando um funcionário de um estúdio de gravação. Além dele, outros grandes nomes dão as caras por aqui. Os músicos Billy Idol e Eric Burdon (não creditado) fazem pequenas pontas. Já a atriz Meg Ryan ganhou um dos papeis principais, o papel de Pamela Courson, companheira de longa data de Jim. 

O filme é intenso. Mostra a tentativa fracassada do rei lagarto no mundo dos cinemas, sua amizade com Ray Manzarek, a explosão do grupo, as tumultuadas entrevistas. Está tudo ali, retratado com categoria. Verdade seja dita, o longa não esconde nem o lado temperamental, nem o lado genial de Morrison. Se alguém ainda não conhece, vale a pena correr atrás. Esse é fácil de ser encontrado. Altamente recomendado!

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Notícias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Nightwish gravará show da turnê norte-americana para um DVD

A banda finlandesa, que está nesse momento realizando a turnê do seu novo disco, “Endless Forms Most Beautiful”, na América do Norte, irá gravar o show que ocorrerá em Vancouver no dia 24 de abril. Não existem maiores detalhes sobre esse futuro DVD. A banda ainda irá lançar em 08 de maio o segundo single do novo trabalho, que será para a faixa-título do álbum.

Vocalista do Puddle of Mudd é preso mais uma vez

Wes Scantlin
O vocalista Wes Scantlin voltou a ser preso em um aeroporto nos EUA. O músico já havia sido detido em janeiro em um aeroporto em Denver por uma brincadeira boba nas esteiras de bagagem. Agora ele foi detido em um aeroporto de Milwaukee por “conduta desordeira”, mas já foi liberado. O músico já teve outras passagens pela policia por delitos como vandalismo, violência doméstica, posse de drogas e sonegação de impostos.

João Gordo defende Ed Motta


Depois da polêmica com o músico Ed Motta, relatada aqui no blog ontem, nem todos foram só críticas ao músico carioca. O vocalista do Ratos de Porão, João Gordo, defendeu Ed em declarações durante o SPFW nessa semana. “Ele tem direito de ter uma atitude dessa porque brasileiro não tem noção mesmo, a gente sabe que não tem”, afirmou o músico em matéria publicada pelo portal UOL. Sou obrigado a discordar da declaração pois, embora o brasileiro realmente não tenha noção as vezes, ninguém tem o direito de tratar os outros daquele modo. Mas todo mundo sabe como é o João Gordo, certo?

Morre Percy Weiss, ex-Made In Brazil e Patrulha do Espaço

Uma notícia triste para os fãs de rock nacional. Morreu na última terça-feira (14), aos 60 anos, o vocalista Percy Weiss, ex-Patrulha do Espaço, Made In Brazil e Harppia. O músico foi vítima de um acidente de carro na Rodovia dos Bandeirantes, a caminho de Campinas, onde morava. Ficam aqui os nossos sentimentos aos familiares, amigos e fãs.

Queen + Adam Lambert farão shows em São Paulo e Porto Alegre além do RIR

Queen e o cantor Adam Lambert
Uma das principais atrações do Rock In Rio, Queen + Adam Lambert fará shows também em São Paulo e Porto Alegre. As apresentações acontecerão respectivamente nos dias 16 e 21 de setembro. Outras bandas atrações do festival que confirmaram shows na capital paulista são System of a Down, Deftones (que abrirá para o SOAD) e Rod Stewart.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Anneke van Giersbergen – Drive (2013)

Por Rafael Menegueti

Anneke van Giersbergen - Drive
A pouco tempo falei do projeto The Gentle Storm, idealizado por Arjen Lucassen e Anneke van Giersbergen junto a outros músicos do cenário do rock alternativo/metal sinfônico holandês. Desde então, me senti obrigado a mostrar também um pouco do trabalho solo da vocalista, já que ele também é muito bom. Então hoje decidi falar sobre o mais recente disco de sua carreira solo, “Drive”.

A cantora construiu sua carreira como vocalista do The Gathering, grupo que mescla rock progressivo e metal alternativo em suas músicas, e chegou a fazer até death metal no começo de sua trajetória. Após deixar a banda em 2007, depois de 13 anos como vocalista, Anneke iniciou sua própria historia, primeiro se identificando como o projeto Agua de Annique nos primeiros discos, e depois passando a assinar com seu próprio nome. Sem falar nas inúmeras colaborações com outros artistas como Devin Townsend, Danny Cavanagh (Anathema), The Sirens e, agora, o The Gentle Storm.

Em “Drive”, Anneke consegue mostrar mais uma vez sua versatilidade e talento para compor canções cativantes. As canções são simples mas bem elaboradas. Ela abre o disco com “We Live On”, uma faixa animada e com um refrão memorável. “Treat Me Like a Lady” é marcada por uma boa participação das guitarras, que deixam a faixa bem pegada. “She” por sua vez, começa mais delicada antes de ganhar mais energia no refrão. “Drive” já é outra faixa na linha de rock moderno, mostrando mais personalidade de Anneke nos vocais.

"Drive" é o segundo disco solo da cantora
O disco chega a um ponto mais suave com a balada “My Mother Said”, onde Anneke canta sobre sua família. Já “Forgive Me” é uma faixa com uma levada mais alternativa. “You Will Never Change” é mais enérgica e agitada, e destaca a voz de Anneke nos refrães. “Mental Judge” é mais pesada e conta com a participação do vocalista turco Hayko Cepkin. O disco vai chegando ao final com a mais pop “Shooting for the Stars”, antes de encerrar com mais uma faixa enérgica, “The Best Is Yet to Come”.

A popular cantora holandesa conseguiu fazer “Drive” um disco bem competente ao criar faixas cativantes, unindo elementos de pop e rock alternativo em melodias com a sua cara. O disco é perfeito para quem gosta de rock atual, sem rótulos e feito por uma das vocalistas mais afinadas e criativas da atual cena alternativa. Vale a pena pra quem não conhece ir atrás dos trabalhos da cantora.


Nota: 9/10
Status: Competente e empolgante

Faixas:
1. We Live On
2. Treat Me Like a Lady
3. She
4. Drive
5. My Mother Said
6. Forgive Me
7. You Will Never Change
8. Mental Jungle
9. Shooting for the Stars
10. The Best Is Yet to Come

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Eluveitie – São Paulo (Carioca Club – 11/04/2015)

Por Rafael Menegueti

Eluveitie de volta a São Paulo
O Eluveitie sabe que seus fãs brasileiros são apaixonados pela banda. O grupo veio ao Brasil pelo quarto ano consecutivo, mesmo com adversidades, e conseguiu lotar o Carioca Club, em São Paulo. Para recompensar o publico, a banda fez uma apresentação única com algumas surpresas, que seus fãs jamais esquecerão, e bem diferente da que acompanhei alguns meses atrás na Inglaterra.

O grupo subiu ao palco na hora marcada, 19h, abrindo com “King”, single do mais recente disco, “Origins”, que a banda veio divulgar. “Nil”, faixa já habitual no setlist da banda veio em seguida. Após isso, o vocalista e multi-instrumentista Chrigel Glanzmann explicou algo que havia deixado todos intrigados durante as primeiras músicas: a ausência do baixista Kay Brem e da violinista Nicole Ansperger. Ambos haviam sofrido lesões que os forçaram a ficar de fora da turnê. A banda teve de tomar de última hora a decisão de vir para a América Latina como um sexteto, ou cancelar a turnê. E, pelos fãs, eles decidiram seguir com a turnê.

Banda teve a ausência de dois integrantes, mas superou a dificuldade
Mesmo que a ausência dos dois músicos fosse notável no som da banda como um todo, os outros integrantes fizeram um esforço dobrado para conseguir fazer um show próximo do que a banda apresenta com formação total, e o resultado foi muito bom. O novo membro, Matteo Sisti, adaptou as partes de Nicole no violino em suas flautas, o que deu uma suavizada na falta dela no palco.

A banda aproveitou para trazer algumas faixas antigas como “Uis Elveti” e “Primordial Breath”, assim como sucessos de trabalhos mais recentes, como “Thousandfold” e “Omnos”. No entanto o foco principal, obviamente, era o repertorio de “Origins”, em faixas como “Sucellos”, “Inception” e em “Call of the Mountains”, que foi tocada parte na versão com letra em suíço-alemão, parte em inglês. Um dos momentos altos do show foi a parte acústica onde a banda executou três canções, “Memento” e “Brictom”, do disco acústico folk “Evocation I: The Arcane Dominion”, e “A Rose to Epona”, de “Helvetios”. Momentos que destacaram a voz e o carisma de Anna Murphy. A banda aproveitou para fazer um anuncio interessante aos fãs, de que eles estavam começando a preparar o “Evocation II”.

Em seguida a banda voltou ao repertorio mais pesado, executando “The Nameless”, “Kingdom Come Undone”, “The Silver Sister”, “Quoth the Raven” e encerrando antes do bis com “Alesia”. No retorno, a banda executou a faixa que o publico inteiro pedia a plenos pulmões, “Inis Mona”, mais um clássico da banda. “Tegernakô”, faixa do primeiro disco da banda foi a que encerrou a noite, em um show que mostrou como essa banda é carismática e atenciosa com seus fãs, fazendo por merecer o carinho que eles demonstram pelo grupo.




Fotos: Rafael Menegueti

Setlist:

Origins (intro)
1. King
2. Nil
3. From Darkness 
4. Uis Elveti 
5. Thousandfold 
6. Primordial Breath 
7. Sucellos 
8. Omnos 
9. De Ruef vo de Bärge (The Call of the Mountains)
10. Inception 

11. Memento  (acoustic)
12. Brictom (acoustic)
13. A Rose for Epona (acoustic)

14. The Nameless 
15. Kingdom Come Undone 
16. The Silver Sister 
17. Quoth the Raven 
18. Alesia 

Encore:
19. Inis Mona 
20. Tegernakô