domingo, 12 de abril de 2015

Lulu Santos – Toca + Lulu (2015):



Por Davi Pascale

Um dos maiores hitmakers do país solta novo DVD ao vivo. Vídeo resgata os maiores sucessos do cantor em uma apresentação super profissional e deve agradar aos seguidores do artista.

Toca + Lulu foi uma extensão de sua turnê anterior Toca Lulu. O nome surgiu a partir de um grito que seus fãs soltavam nas apresentações que fazia interpretando canções da dupla (de compositores) Roberto e Erasmo. Foi também o nome que a gravadora Som Livre utilizou para o box comemorativo aos 30 anos de carreira que chegou às lojas em 2012. 30 anos, na verdade, referia-se ao lançamento de primeiro álbum solo, Tempos Modernos. Se formos analisar o início de sua trajetória já chegamos à 40 anos de estrada.
A ideia da nova tour era simples. Resgatar grandes sucessos de sua carreira, todos eles compostos pelo mesmo. Os mais jovens devem reconhecer o rosto de Lulu por conta de sua participação no reality The Voice Brasil. Para aqueles que acompanham o cenário brasileiro há algum tempo, contudo, a qualidade musical e a importância de Lulu para a cena brasileira já deixou de ser novidade há um bom tempo. Guitarrista e compositor de mão cheia, o rapaz dominou as rádios durante as décadas de 80 e 90. Todos aqueles que viveram a explosão do BRock têm, no mínimo, um grande respeito pelo artista. Ao contrário de muitos artistas de sua época, Lulu nunca parou e se manteve em constante renovação.
Lulu Santos sempre foi um excelente musico. E isso fica perceptível durante sua apresentação, onde ele passa por guitarras de 12 cordas, guitarras com slide e violões. Enquanto cantor, nunca foi de atacar voz na casa do chapéu, mas sempre foi afinado e teve um gingado especial, um estilo característico que se mantém. 
Lulu resgata grandes sucessos de sua carreira em DVD ao vivo
Durante os anos 90, seus discos começaram a flertar com a eletrônica e era comum seus shows possuírem momentos mais dance. Aqui, sua apresentação se mantém com uma pegada pop/rock do início ao fim. Faixas como “Assim Caminha a Humanidade” e “Aviso Aos Navegantes” ganham um arranjo mais contido. Teve também uma mudança de postura. Está mais focado no lado músico e menos no lado entertainer. Se compararmos ao seu primeiro registro oficial em vídeo, o VHS Ao Vivo, notaremos que está fazendo menos dancinhas, menos acrobacias, com uma postura mais séria.
Os músicos que o acompanham são excelentes. Quem conhece o citado VHS, com registro de uma apresentação no Olympia nos anos 90, irá se recordar que Lulu abria espaço para que Milton Guedes aparecesse em determinados momentos cantando e interagindo com a plateia. Aqui, acontece o mesmo em “Condição”, onde o baixista Jorge Ailton e a vocalista Andrea Negreiros ficam responsáveis pelo vocal principal.
Seu repertório foca, principalmente, seus hits dos anos 80. Todas aquelas músicas que estão no nosso inconsciente como “Último Romântico”, “Certo Alguém”, “Casa”, “Toda Forma de Amor” se fazem presentes. Também não faltaram suas famosas baladas como “De Repente California”, “Sereia”, “Apenas Mais Uma de Amor”. Há algumas poucas canções de seus trabalhos mais atuais, como o hit “Já É” ou “Sócio do Amor”, extraída de seu mais recente álbum, mas o foco principal é o início de sua carreira solo.
Nos extras, um curto making of e dois clipes de seu mais recente disco, Luíz Mauricio. Não são exatamente clipes. São vídeo criados a partir de imagens do show. O áudio que tenho dúvida se são retirados do disco ou do próprio show. Suspeito que não sejam o áudio do disco original. Excelente apresentação. Registro essencial na coleção de qualquer fã do artista.
Nota: 9,0 / 10,0
Status: Ótimo setlist e performance bem profissional
Faixas:
01)   Toda Forma de Amor
02)   Um Certo Alguém
03)   O Último Romântico
04)   Condição
05)   Tudo Azul
06)   A Cura
07)   Apenas Mais Uma de Amor
08)   Sócio do Amor
09)   Um Pro Outro
10)   Sábado à Noite
11)   Já É
12)   Aviso Aos Navegantes
13)   Assim Caminha a Humanidade
14)   Sereia
15)   De Repente Califórnia
16)   Como Uma Onda
17)   Luiz Maurício
18)   Certas Coisas
19)   Tão Bem
20)   Casa
21)   Tempos Modernos
22)   Making Of
23)   Fogo Amigo (Extra)
24)   SDV (Extra)

sábado, 11 de abril de 2015

Ugly Kid Joe – Stairway to Hell (2012):



Por Davi Pascale

Stairway to Hell marca o retorno do grupo Ugly Kid Joe. Depois de 16 anos longe dos holofotes, os californianos retornaram com trabalho pesado e bem amarrado que deve satisfazer seus velhos fãs.

Ainda lembro quando comprei o primeiro CD dos rapazes, o EP As Ugly As They Wanna Be, no longínquo ano de 1991 lá nas Grandes Galerias. Ou como é mais conhecida, Galeria do Rock. Tudo que tinha escutado até então era o hit “Everything About You”, cujo clipe passava com bastante freqüência na recém inaugurada MTV Brasil. O CD foi uma surpresa para mim. Esperava um trabalho bacaninha e me deparei com um álbum extremamente impactante. Rodou um bom tempo no meu mini-system. A empolgação se manteve com o sucessor, o ótimo America´s Least Wanted (1993), mas tudo a começou a ir para água abaixo com Menace to Sobriety.

1995 foi um ano estranho para o hard rock. Parece que as bandas queriam se desligar do passado a todo custo. Bon Jovi veio com um álbum baladeiro. Warrant mergulhou em uma vibe Alice In Chains Wannabe. Skid Row e Ugly Kid Joe queriam soar mais pesados do que tudo, como se precisasse demonstrar algo para alguém. Às vezes funcionava (Ultraphobic do Warrant é excelente), às vezes falhavam miseravelmente. Embora o trabalho desse período seja o mais pesado de sua carreira, a banda soava descaracterizada. Simplesmente não soavam como Ugly Kid Joe. Perderam a alegria, aquele ar de festa que considerava tão bacana.

Em Stairway to Hell algumas das velhas características estão de volta. Os caras retornaram com o formato EP (mesmo formato de sua estréia), o garotinho que costumava aparecer nas primeiras capas está de volta (embora com um ar mais endiabrado) e Crane também está cantando no seu velho estilo. Noticia que, para quem viveu o auge do grupo, é muito boa. Por incrível que pareça, a formação que retornou não é a original, mas a de seu último álbum: o razoável Motel California. Contando mais uma vez com a presença de Shannon Larkin (Godsmack) nas baterias, o material não apenas convence, como é seu melhor lançamento desde 1993.

Grupo retornou com trabalho curto, mas maduro

São apenas 6 músicas. 4 delas bem pesadas como é o caso da faixa de abertura, a excelente “Devil´s Paradise” cujo trabalho vocal de Craine, em alguns momentos, me remeteu à Ozzy Osbourne. “I´m Alright” e “You Make Me Sick” nos jogam de volta ao inicio do grupo, com pontes e refrões bem pra cima, riffs simples, porém empolgantes. “Another Beer” responsável por fechar o CD, é uma balada country, o que nos remete à “Record Man” de America´s Least Wanted. “No One Survives”, é aquele som que começa lento e depois dá uma crescida, me remeteu um pouco ao último álbum do grupo. Ainda temos a divertida “Love Ain´t True” que conta com a participação de Angelo Moore e Dirty Walt do Fishbone.

Em 2013, o EP retornou às lojas em uma edição de luxo contando com 3 faixas acústicas (entre elas, o velho hit “Cats In The Cradle”) e um DVD com uma apresentação ao vivo no Download Festival de 2012. Teve ainda uma edição em LP com a capa satirizando a clássica imagem de Highway to Hell (AC/DC). Quem curtiu os rapazes na época, pode correr atrás que vale a pena.

Nota: 8,0/10,0
Status: Empolgante

Faixas:
      01)   Devil´s Paradise
      02)   You Make Me Sick
      03)   No One Survives
      04)   I´m Alright
      05)   Love Ain´t True
      06)   Another Beer
      07)   Cats In The Cradle Acustica (Versão CD 2013)
      08)   Would You Like To Be There Acustica (Versão CD 2013)
      09)   No One Survives Acustica (Versão CD 2013)

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Música comentada: Pantera – Walk

Por Rafael Menegueti


Esse é talvez um dos maiores sucessos do metal nos anos 90. Em uma década onde a grande maioria das bandas do gênero sofria com a queda de popularidade (e muitos culpavam o grunge por isso), o Pantera conseguiu ser uma das bandas mais influentes e populares na época. “Walk” Está presente no sexto disco da banda, o icônico “Vulgar Display of Power”. A faixa está claramente marcada pelo potente riff de guitarra criado por Dimebag Darrel (considerado um dos melhores de todos os tempos), e pelos vocais sempre intimidadores de Phil Anselmo, que imortalizaram o refrão que mais parece uma ameaça. E olha que era mesmo.

“Walk” é uma música que tem uma mensagem simples: “saia de perto com essa sua atitude”. Como o próprio Phil Anselmo explicou em uma entrevista a revista Spin: “Nos havíamos assinado com uma grande gravadora e saímos em turnê para divulgar o ‘Cowboys From Hell’, e quando voltamos, nossos amigos começaram a nos tratar diferente porque acharam que aquilo havia subido em nossas cabeças, como se nós tivéssemos essa coisa de rock stars bordada na nossa cara”. Então, Walk seria uma resposta a essa atitude, uma simples forma de mandar um recado para um bocado de pessoas de que eles não estavam ali para brincadeiras, que não queriam ser julgados, e que eles não estavam diferentes, e que era melhor eles saírem de perto.

Can't you see I'm easily bothered by persistance?
One step from lashing out at you
You want in to get under my skin and call yourself a friend?
I've got more friends like you, what do I do?

Is there no standard anymore?
What it takes, who I am, where I've been, belong
You can't be something you're not
Be yourself, by yourself, stay away from me
A lesson learned in life, known from the dawn of time

Respect, walk
What did you say?
Respect, walk
Are you talking to me?

Run your mouth when I'm not around, it's easy to achieve
You cry to weak friends that sympathize
Can you hear the violins playing your song?
Those same friends tell me your every word

Você não vê que eu sou facilmente aborrecido pela persistência?
Estou a um passo de partir pra cima de você
Você quer me provocar e se diz amigo?
Eu tenho mais amigos como você, o que eu faço?

Não há mais nenhum padrão?
Tudo o que é preciso, quem eu sou, aonde estive, pertenço
Você não pode ser algo que você não é
Seja você mesmo, por você mesmo, fique longe de mim
Uma lição aprendida na vida, conhecida desde o início dos tempos

Respeite, ande
O que você disse?
Respeite, ande
Você está falando comigo?

Fale quando eu não estiver por perto, isto é fácil de fazer
Você chora para amigos fracos com quem simpatiza
Você pode ouvir os violinos tocando sua canção?
Esses mesmos amigos me dizem exatamente as suas palavras


quinta-feira, 9 de abril de 2015

Chorão: O Errado Que Deu Certo



Por Davi Pascale

Alexandre Magno Abrão, caso estivesse vivo, estaria completando hoje 45 anos. Metade de sua vida passou ao lado do grupo santista Charlie Brown Jr, considerado um dos grandes destaques da cena brasileira dos anos 90. Pelo menos para mim, poucos grupos chamaram atenção nesse período. E eles foram um deles. E não há como negar... o cara foi a alma do grupo.
Como um bom rockstar, nunca foi unânime e nem queridinho da mídia. Aliás, essa é uma das diferenças que tenho com boa parte dos colegas de profissão. Grande parte daquilo que é considerado genial pelos meus colegas, considero uma tortura. E esse problema de reconhecer as qualidades de um artista mais popular nunca tive. Nunca entendi essa teoria de que artista que faz sucesso não pode ser levado a sério. Sempre preferi RPM ao Fellini, Raimundos ao Acabou La Tequila. Nunca duvidei da qualidade do Charlie Brown.
Chorão tinha muitas qualidades que faltam para artistas considerados mais sérios. Tinha um grande carisma, seus shows podiam chegar à 3 horas e ele mantinha o público na palma da mão todo o tempo. Era um personagem interessante. O fato de falar o que acreditava, ajudava nisso.  Polêmica sempre vendeu, não é segredo, mas é um terreno perigoso. O problema é conseguir causar polêmica sem perder a credibilidade entre seus admiradores. E o cara conseguia isso. Tinha ainda o lado letrista também. A linguagem malandra, adquirida em seus tempos de skatista, ajudava a manter o frescor do grupo. Nem infantil, nem intelectual. Dava aquele ar de atitude que é esperado dentro do rock n´ roll e ajudava a construir a identidade do grupo.
Quem desmerece sua trajetória, gosta de dizer que o Charlie Brown foi jogada de gravadora. Acho difícil acreditar. A banda não surgiu da noite para o dia e seu início não foi muito glorioso. Os caras penaram para conseguirem seu espaço. Transpiração Contínua Prolongada, seu debut, só foi lançado em 1997, a banda já tocava na noite há pelos menos 5 anos. Pode ser pouco em comparação à que outros grupos ralaram, mas é muito para quem está em uma jogada unicamente por dinheiro. Se não vira em 1 ou 2 anos, partem pra outra. E não caíram no gosto logo de cara. Assisti eles pela primeira vez, ainda em 97, abrindo o show do Offspring no Olympia. Foi uma das 3 vezes que vi uma banda iniciante ser vaiada em numero de abertura. Não contentes com as vaias, o público arremessava objetos em direção aos músicos. E das 3, foi a única que não desistiu e conseguiu driblar a história. Tudo bem, o cara não era santo. Teve alguma atitudes questionáveis (como a polêmica briga com Marcelo Camelo), mas tinha seu valor. 


Cantor tinha domínio do público
Chorão era irrequieto. Estava sempre envolvido em alguma coisa. Mesmo nunca tendo dado um grande distância entre um disco e outro, o cara ainda arrumava tempo para fundar um espaço para skatistas (Chorão Skate Park), trabalhar nos DVD´s do grupo, nos clipes e até mesmo na produção de um filme: O Magnata. O longa não fez muito sucesso, mas era a cara dele. Misturava sexo, drogas, rock n roll. Apresentava uma linguagem direta, sem ficar medindo muitas palavras. Não era filme para agradar crítico de cinema, nem para assistir ao lado de seus pais.
Se já não era muito querido pelos críticos no auge, quando passavam por momentos delicados então o ataque era total. O cantor foi o único que nunca saiu do grupo. Ele e o baixista Champignon, coincidentemente os dois que nos deixaram, foram os que sofreram os ataques mais pesados quando ocorreu a separação da banda após o bem sucedido Tamo Aí Na Atividade. Confusão até hoje não explicada para seus fãs. O ataque em cima de Chorão era esperado. Afinal, os 3 saíram juntos e ele ficou sozinho. Não tinha como a história ser diferente.
Infelizmente, em 6 de Março de 2013, o rock brasileiro que já não ia muito bem, ficou mais pobre. Alexandre Magno Abrão foi encontrado morto em um apartamento bagunçado, aos 42 anos, vítima de uma overdose de cocaína. A juventude perdia um ídolo e o rock perdia um dos poucos grupos realmente interessantes que surgiu nos últimos anos. Faz falta!

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Notícias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Twisted Sister fará turnê de despedida com Mike Portnoy

Uma das maiores bandas do metal surgida nos anos 80 está se preparando para deixar a cena. O Twisted Sister irá fazer sua turnê de despedida, que se chamará “Forty & F*** It” e encerrará suas atividades em 2016. A banda ainda fará dois shows em tributo a AJ Pero, baterista do grupo que morreu recentemente. Nas baterias nesse período, a banda contará com a presença de Mike Portnoy.

Skid Row troca de vocalista mais uma vez

Tony Harnell é o novo vocalista do Skid Row
A banda, que é mais conhecida por seu período com Sebastian Bach nos vocais (entre 1987 e 1996), anunciou a saída de Johnny Solinger dos vocais. O músico estava na banda desde 1999 e sua saída foi justificada pela banda pelos músicos terem começado a seguir direções separadas. A banda já anunciou Tony Harnell, ex-TNT, como o novo vocalista.

Bullet For My Valentine deve vir ao Brasil em julho

De acordo com o jornalista José Roberto Flesch, que costuma adiantar shows internacionais no país, a banda de metalcore britânica fará quatro shows no Brasil em julho, ainda sem nenhuma confirmação oficial sobre datas e locais específicos. A banda está atualmente trabalhando em seu novo disco, o primeiro sem o baixista Jay James, que deixou o grupo recentemente.

Thrash metal terá grandes lançamentos em breve

Metallica: álbum novo cada vez mais próximo
Se ano passado Machine Head e Exodus já trouxeram ótimos lançamentos, esse ano promete não ser diferente para os fãs de thrash metal. O Megadeth, agora com Kiko Loureiro na guitarra, está preparando CD novo, assim como Slayer e Testament. Agora, Kirk Hammet declarou em entrevista que o Metallica já tem músicas novas, e que os fãs podem ficar seguros de que um novo disco, apesar de ser muito cedo para dar qualquer expectativa, deve surgir em breve. “Vocês verão o novo álbum quando estiver pronto. Temos músicas novas, posso comprovar isso. Estamos trabalhando nelas, posso confirmar”, firmou Hammet. Lars Ulrich também já havia adiantado que a banda tem 20 músicas sendo preparadas e que eles logo devem entrar em estúdio, durante entrevista a Rolling Stone americana.

Machine Head fará única apresentação em São Paulo

Machine Head se apresentará em São Paulo em junho
Já que o assunto era thrash, o Machine Head fará uma turnê pela América Latina entre 25 de maio e 07 de junho. A banda fará apenas uma apresentação no Brasil, em São Paulo, no Via Marquez, justamente na ultima data da turnê (07/06). Muitos fãs brasileiros questionaram o motivo de apenas uma apresentação no país, e a banda acabou soltando um comunicado em sua pagina no Facebook esclarecendo que, embora eles tivessem intenção de se apresentar em mais cidades brasileiras, nenhum produtor de eventos de outras cidades se propôs a trazer a banda para tocar, mas que eles estão abertos a negociar caso eles apareçam em breve. A banda virá para a turnê de divulgação do seu aclamado disco “Bloodstone & Diamonds”, lançado ano passado.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Blondie – Live By Request (2004):



Por Davi Pascale

Em 2003, Blondie lançava seu oitavo álbum de inéditas, The Curse of Blondie. O trabalho era o segundo desde sua volta em 1997. O anterior, No Exit, havia colocado o grupo de volta às paradas com o hit “Maria”. O disco não conseguiu repetir o sucesso comercial, mas agradou seus seguidores. A apresentação ocorrida no ano seguinte, gravada como um especial de TV, provava estarem em uma ótima fase enquanto instrumentistas. 

Embora seja um programa de televisão, esse DVD faz parte da videografia oficial do conjunto. Não se trata daqueles ‘piratas oficiais’ que invadem as bancas e livrarias por aí. Muitos se dirigem ao grupo de Debbie Harry como um grupo disco, mas é um erro. É verdade que se utilizaram do gênero para a criação de algumas músicas, como o megahit “Heart of Glass”, mas eles sempre foram mais do que isso. Sua sonoridade sempre foi uma mistura de diferentes vertentes. Do funk ao regggae. Do disco ao punk. Do pop ao rock. Criaram uma sonoridade própria. Há quem ame, há quem odeie. Nas apresentações, contudo, especialmente a desse DVD, o lado rock fala mais alto. Por isso, me senti à vontade para comentar dele por aqui.

Live By Request é um programa televisivo do canal A&E, onde o artista cria seu repertório a partir do pedido do publico. Alguns por carta, mas a maioria por telefonemas. A idéia é muito legal, mas poderiam ter aberto ao menos um pedido para alguém da platéia. Antes de pedir a canção, a pessoa se identifica e tem a oportunidade de trocar rápidas palavras com o artista. Para o fã, isso é praticamente a realização de um sonho. Infelizmente, as pessoas que telefonaram deixaram seu lado admirador falar muito alto e ficavam apenas rasgando elogios ao artista. Principalmente à cantora Debbie Harry, que ouvia com atenção e agradecia educadamente aos comentários. Nenhum depoimento marcante por conta dos participantes.

A apresentadora também é fraquinha e não soube explorar a entrevista com os músicos. Os comentários sempre meio bobinhos e com muita babação de ovo, não soube aproveitar as deixas que os músicos deram. Uma pena! Esse pessoal tem muita história para contar. Mas porque, resolvi recomendar o vídeo, apesar dos pesares? Porque os comentários são extremamente curtos. A música é o que fala mais alto no programa e a performance é realmente muito boa.

Músicos atendem pedidos dos telespectadores

Quando gravaram esse programa, já havia 7 anos que eles haviam retornado à ativa. Os músicos estavam muito entrosados. Vale destacar a performance do baterista Clem Burke, cada vez mais preciso, e da cantora Deborah Harry, carismática e extremamente afinada. Na época, ela se aproximava dos 60 anos (agora, se aproxima dos 70), mas estava em melhor forma física do que quando fez o DVD Live, 5 anos antes.

No show, o lado rock fala mais alto, o som é mais puro. A bateria se faz mais presente, as guitarras ganham mais volume. Músicas como “Hangin´ On The Telephone”, “Rip Her To Shreds” e “Call Me” se tornam empolgantes. As grandes surpresas, contudo, são a versão rock de “Good Boys” (musica de trabalho do momento, onde o arranjo original contava com uma pegada mais dançante) e “Accidents Never Happen”, uma canção de Eat To The Beat que não costuma ser muito lembrada. O DVD ainda traz de bônus 4 canções que não foram ao ar na ocasião. A que mais me chamou a atenção foi “(I´m Always Touched By Your) Presence, Dear” do inicinho da carreira. Outro momento bem interessante foi a versão acustica de “The Dream´s Lost On Me”.

O vídeo não é muito longo. São pouco mais de 90 minutos (já contando o material extra) e a qualidade imagem/som é muito boa. Se você é fã do grupo nova-iorquino, Live By Request é diversão garantida. E se não conhece muito, é uma boa porta de entrada. Afinal, suas principais canções estão aqui.

Nota: 9,0/10,0
Status: performance bem profissional

Faixas:
01)  Dreaming
02)  Hangin´ On The Telephone
03)  Accidents Never Happen
04)  Tide Is High
05)  Good Boys
06)  Undone
07)  Rip Her To Shreds
08)  One Way Or Another
09)  Rapture
10)  X Offender
11)  Call Me
12)  Union City Blue
13)  Heart of Glass
14)  The Dream´s Lost On Me (Bonus)
15)  End to End (Bonus)
16)  Hello Joe (Bonus)
17)  (I´m Always Touched By Your) Presence, Dear (Bonus)
18)  Good Boys (videoclipe)
19)  Galeria de Fotos

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Halestorm - Into the Wild Life (2015)

Por Rafael Menegueti

Halestorm - Into the Wild Life
Está previsto para lançamento nessa semana o terceiro disco dos norte-americanos do Halestorm. “Into the Wild Life” tem a difícil tarefa de suceder “The Strange Case of…”, um disco aclamado pela crítica e público e que rendeu até um Grammy para o quarteto, e seria lançado na semana passada, mas acabou adiado. Mesmo assim, acabou sendo liberado via streaming antes do lançamento oficial no dia 10. Liderada pelos irmãos Lzzy (vocal, teclado e guitarra) e Arejay Hale (bateria), a banda conquistou o mainstream com sua atitude e um som fortemente influenciado pelo hard rock, algo que faltava no cenário do rock mundial mais popular.

O novo disco é uma continuação dessa investida do grupo, e vem em boa hora depois de três anos. Mesmo que nesse meio tempo a banda tenha lançado um EP de covers, nada melhor do que um novo álbum de inéditas. Para abrir esse novo trabalho, a banda escolheu a faixa “Scream”. Confesso que estranhei um pouco a música. Com arranjos de teclado e efeitos de sintetizadores, não me pareceu ter a potência característica das criações do grupo. Alem de que essa coisa de bandas de rock mais cruas começarem a abusar de elementos sintéticos nas canções é uma tendência que me irrita. Mas ela transita bem para “I Am the Fire”, faixa que já mostra mais personalidade e tem mais a ver com a proposta da banda, me mostrando que não seria a primeira impressão que ficaria.

A diversidade nas composições é uma marca da banda, e na terceira faixa, “Sick Individual”, eles trazem um som mais cadenciado, enquanto “Amen”, terceiro single já lançado do disco, é mais próxima da energia mostrada pela banda em seus trabalhos antecessores. “Dear Daughter” aparece como a primeira balada do disco, levada bem pelo piano e com arranjos de violão bem introduzidos para fazer a transição para “New Modern Love”, uma faixa de rock bem suave e cativante, com ótimas linhas de guitarra e percussão. “Mayhem” vem em seguida com a mesma força que o nome sugere, sendo uma das melhores do disco, mostrando uma Lzzy Hale inspirada nos vocais.


Na segunda metade do disco, chegamos à “Bad Girls World”, uma criativa balada com um ar mais retrô. Em seguida mais um momento com um rock bem animado e tradicional em “Gonna Get Mine”, seguida de mais uma balada poderosa, “The Reckoning”. O primeiro single mostrado do disco, “Apocalyptic”, vem em seguida e é outro destaque do álbum, com um refrão marcante. Mais uma faixa leve, “What Sober Couldn’t Say”, vem em seguida antes do enceramento empolgante de “I Like It Heavy”, que acaba com Lzzy cantando um country a capella. A versão deluxe ainda conta com duas faixas bônus: “Jump the Gun” e “Unapologetic”.

O disco é definitivamente um grande passo na carreira do Halestorm. Com canções fortes e que trouxeram outras sonoridades ao seu trabalho, ele é o mais rico musicalmente e também o mais criativo. A banda conseguiu fugir do que poderia parecer repetitivo, mantendo os elementos bons de sua formula antiga e trazendo novas influencias e abordagens. “Into the Wild Life” é melhor do que seu antecessor, e me arrisco a dizer que pode repetir o feito dele no Grammy. Seria até injusto ele não ser pelo menos indicado. Um dos melhores trabalhos do ano até agora.


Nota: 9/10
Status: criativo e poderoso

Faixas:
01. Scream
02. I Am The Fire
03. Sick Individual
04. Amen
05. Dear Daughter
06. New Modern Love
07. Mayhem
08. Bad Girl's World
09. Gonna Get Mine
10. The Reckoning
11. Apocalyptic
12. What Sober Couldn't Say
13. I Like It Heavy
14. Jump The Gun (Bonus Deluxe Edition)
15. Unapologetic (Bonus Deluxe Edition)