terça-feira, 24 de março de 2015

Soto: Inside The Vertigo (2015):



Por Davi Pascale

Jeff Scott Soto está de volta. E em ótima forma! Fazia tempo que um disco novo não me empolgava assim. E fazia tempo que um trabalho do cantor não me achava tanto a atenção. Não que seus discos sejam ruins. Longe disso, mas desde Soul Sirkus que um trabalho dele não me impressionava tanto. Pesado, bem tocado, excelentes composições. Sei que o ano está apenas começando, mas tem de tudo para estar na minha lista de melhores do ano.

Não sei o quanto você leitor está acostumado com o trabalho do rapaz, mas quem curtiu heavy metal nos anos 80, está careca de saber de quem se trata. O cantor ainda é muito associado aos seus tempos ao lado do egocêntrico Yngwie Malmsteen (que em breve estará participando da edição brasileira do Monsters of Rock), mas em sua longa trajetória já passou por inúmeros projetos. Extremamente versátil, já fez trabalhos com pegada hard oitentista, cantou AOR e até mesmo disco music. Em seu currículo, estão artistas do porte de Axel Rudi Pell, Journey, Talisman... Aliás, por falar em Talisman, Inside The Vertigo chegou às lojas no dia 30 de Janeiro. Data de nascimento do falecido Marcel Jacob. Coincidência? Certeza que não...

Aqui, traz de volta o peso que há muito tempo estava perdido. Em sua (boa) carreira-solo, seus discos trazem bastante baladas, apostam em uma sonoridade um pouco mais comercial com refrões pegajosos e, por vezes, uma influência de funk nos arranjos. Aqui, o papo é outro. Extremamente pesado, a tônica é a guitarra com afinação lá embaixo e bateria destruidora. O trabalho vocal de Jeff continua o mesmo: forte e melódico. Fatores, para mim, positivos.

Musicos de sua banda solo transformam-se em grupo principal. Ente eles, os brasileiros BJ e Edu Cominato

A idéia é que Soto seja uma banda. E, honestamente, espero que vá para frente. Sempre defendi a tese de que se esse cara tivesse uma banda fixa, seria muito maior do que é. Não me entenda mal, gosto da maioria de seus projetos, mas aquela velha história.... Se por um lado está sempre se renovando artisticamente, de outro está sempre recomeçando. Fica muito difícil criar um público cativo. Boa parte da galera que o acompanha ainda são os fãs do Malmsteen e do Talisman.

Os brasileiros ainda têm mais um motivo para comemorarem. Além de adorar fazer concertos em nosso país, sua banda conta com 2 músicos brasileiros: o baterista Edu Cominato e o tecladista/vocalista BJ. Ambos, vindo do competente Tempestt. Completam o time, o guitarrista Jorge Salan e o baixista David Z (Trans-Siberian Orchestra). Praticamente, a banda que vinha o acompanhando há alguns anos em seus shows. No disco, contudo, há diversas participações especiais. Entre elas, o musico Mike Orlando (Adrenaline Mob), os guitarristas Gus G (Ozzy Osbourne), Al Pitrelli (Savatage) e Leo Mancini (Shaman). Além de uma composição em parceria com Hugo Mariutti (Henceforth). Já é o segundo artista gringo que grava disco com músicos brasileiros. Bacana! A razão de tantos convidados especiais é que o disco foi pensado inicialmente como um trabalho solo e somente depois de um tempo tomou formato de banda.

O CD conta com uma mixagem moderna, portanto, não espere ouvir nada no estilo de Rising Force por aqui. Os arranjos misturam diversas influencias, transitando entre o novo e o velho. Pantera, Dream Theater, Black Sabbath e até mesmo Queen. Está tudo misturado aqui com uma cara bem 00´s. O álbum praticamente mantém o nível desde a faixa de abertura com "Final Say" até o encerramento com "Fall to Pieces". Destacaria o solo de guitarra mortal de Gus G em "Wrath", a bateria trincada de "Narcissistically Yours", a belíssima construção da balada "End of Days", além da já citada "Fall to Pieces" com uma pegada mais hard rock que deve funcionar bem nos shows. O baixo funkeado volta a aparecer por alguns segundos em "Break". A outra balada, "When I´m Older", já conta com um arranjo mais próximo daquilo que esperamos de Jeff nos dias atuais. Tem várias canções dele que se tocassem nas rádios virariam hits. Essa não foge a regra. Bem que Inside The Vertigo poderia ser lançado no Brasil. Não apenas pelo rapaz ter um publico cativo, mas também por termos músicos brazucas participando do projeto. Quem quiser adquirir, terá que soltar uma boa grana na edição importada (afinal, o dólar está na casa do chapéu). Pelo menos, esse vale a grana!

Nota: 9,0/10,0
Status: Empolgante e consistente

01) Final Say
02) The Fall
03) Wrath
04) Break
05) Narcissistically Yours
06) End of Days
07) Inside The Vertigo
08) When I´m Older
09) Trance
10) Jealousy
11) Karma´s Kiss
12) Fall to Pieces

segunda-feira, 23 de março de 2015

Música comentada: Atreyu – Slow Burn

Por Rafael Menegueti

Os californianos do Atreyu estão finalmente voltando à ativa e preparando um novo álbum. A banda de metalcore passou um tempo parada enquanto seus músicos participavam de projetos paralelos. Enquanto esse novo trabalho não sai, decidi comentar um pouco sobre uma de minhas canções favoritas do grupo.



“Slow burn” está presente no quarto disco de estúdio da banda, “Lead Sails Paper Anchor”, de 2007. A canção não foi um dos singles do álbum, mas era uma das que traziam uma das melhores mensagens por traz de sua letra. Nela, a banda fala sobre a forma como o vicio em drogas pode destruir uma pessoa. Na música, os vocais de Brandon Saller e Alex Varkatzas se alternam para descrever uma pessoa em abstinência, que sente não conseguir controlar sua necessidade compulsiva pela droga. No refrão, o adicto admite que sabe que essa atitude autodestrutiva está matando ele, mas no fim ele reitera sua vontade de lutar contra o vicio, o que ele acredita ser o suficiente para conseguir superá-lo.

It begins with a dark glowing ember,
something black burning it's way out of me.
Searing the flesh,
pain is the only thing I feel,
scars all I see.

Oh no the fire's burning my insides again,
what can I do to silence my desire tonight?
Face consumer reason leaving all the ashes there,
you won't catch me for granting my decision,

I can't keep telling myself what I want to hear,
I can't just close my eyes.

I know that it's killing me,
and it's poisoning the best of me,
but I say, I don't want to believe.
So let me tell you boy, tell you boy,
about the lies I lead.

That is how it kills, I got some flames and gasoline
Broken teeth replace the blackout memories in my head
Wreckage from the blast, it often shakes me to the floor
I know it's over but I can't go home tonight.

And after this I feel as empty as the night before,
Feel the pain and yet I'm still begging for more.
Masochistic, nihilistic, urging wrecked up thoughts
My life's a mess and I can't find a way to fix it.

Calling, calling out.
The darkness reaches up my soul,
I'm riddled with self-doubt.
Crawling, crawling out,
my will to fight will more than suffice,
while others will lay down.

It's only as dark as you make it.
Isso começa com uma brasa ardente escura
Alguma coisa escura queimando seu caminho para fora de mim
Cauterizando a carne
Dor é a unica coisa que eu sinto
Cicatrizes são tudo o que eu vejo

Oh não, o fogo está me queimando por dentro de novo
O que eu posso fazer para silenciar o meu desejo essa noite?
Enfrente a razão consumidora deixando todas as cinzas lá
você não me pegará para conceder a minha decisão

Não posso continuar me dizendo o que eu quero ouvir
Eu não posso simplismente fechar meus olhos

Eu sei que isso está me matando
E está invenenando o melhor de mim
Mas eu digo, não quero acreditar
Então me deixe dizer a você garoto
Sobre as mentiras que eu conto

É assim que isso mata, eu tenho algumas chamas e gasolina
Os dentes quebrados substituem as memórias apagadas na minha cabeça
Restos do golpe de vento,isso muitas veses me sacode no chão
Eu sei que acabou, mas eu não posso ir para casa essa noite

E após isso eu me sinto tão vazio como na noite anterior,
Sinto a dor e ainda assim eu ainda estou implorando por mais.
Masoquista, niilista, incitando pensamentos destruidos
Minha vida está uma bagunça e eu não consigo encontrar uma maneira de corrigi-la.

Chamando, chamando ao redor
A escuridão alcança a minha alma
Eu estou depedaçado com a duvida de mim mesmo
Rastejando, rastejando para fora
Minha vontade de lutar sera mais que o suficiente
Enquanto os outros se estabelecem

Só é tão escuro como você o faz


domingo, 22 de março de 2015

Notícias do Rock (Pra Não Ficar Por Fora)

Por Davi Pascale


Adeus à AJ Pero


Infelizmente, nossos ídolos estão envelhecendo e muitos deles estão indo para outra esfera. Alguns acabam indo antes da hora, como foi o caso de Anthony Jude Pero. Ou, como é mais conhecido, AJ Pero. O baterista criou fama ao participar do grupo Twisted Sister, que liderou as paradas de sucesso dos anos 80 com canções como “We´re Not Gonna Take It”, “I´m I Me”, “I Wanna Rock”, “The Price”... Atualmente, fazia parte do grupo Adrenaline Mob. O músico tinha apenas 55 anos de idade. A causa da morte não foi divulgada. Há quem diga que foi parada cardíaca...


Faces deve retornar ao palco


Quem curte rock dos anos setenta, certamente, já ouviu o Faces alguma vez na vida. Ao menos, o clássico “Stay With Me”. O grupo durou pouco. Lançou 4 discos apenas. Entretanto, seus discos atingiram status de clássicos e vários integrantes do grupo tornaram-se figuras lendárias com o passar dos anos. Caso dos guitarristas Ron Wood (atualmente no Rolling Stones) e Steve Marriott, e do vocalista Rod Stewart. O baterista Kenney Jones declarou para a imprensa que os rapazes voltam esse ano ainda e garantiu a participação de Ron Wood e Rod Stewart. Estão falando que os Rolling Stones voltam ao Brasil no fim do ano. Está aí um show bacana para ser o numero de abertura.


Chris Cornell e Danzig planejam novo álbum



O vocalista do Soundgarden, Chris Cornell, divulgou que terminou recentemente a gravação de seu próximo álbum solo. Chris postou em sua página do Facebook, essa semana, os seguintes dizeres: “Último dia de gravação do meu disco solo. Obrigado Brendan, Tom e Kyle. Fizemos a mágica acontecer”. Quem divulgou novo álbum também foi o Danzig. Glenn Danzig anunciou que o grupo se encontra nesse momento no estúdio preparando o sucessor de Deth Red Sabaoth (2010). O cantor não sabe dizer se o disco chega às lojas esse ano ainda ou somente em 2016.


DJ Smith fora do Red Dragon Cartel



O vocalista DJ Smith está fora do Red Dragon Cartel. Os motivos ainda não foram divulgados, mas não é segredo para ninguém que os fãs não aprovavam o rapaz. Suas performances ao vivo vinham recebendo críticas pesadas à algum tempo, tanto por parte da imprensa como por parte dos fãs. Gostei do trabalho que fez no disco, mas não tive a oportunidade de vê-lo em ação, portanto não sei até onde ele era fraco e até onde era perseguição. Para seu lugar foi contratado o vocalista do Harem Scarem, Michael Beck. Acompanharemos os próximos capítulos...


Tarja Turunen com novo disco ao vivo




A cantora Tarja Turunen lançará dia 27 de Maio um novo trabalho ao vivo intitulado Luna Park Ride. Como o próprio nome entrega, o material foi gravado em Luna Prak, um estádio localizado em Buenos Aires (Argentina). O show, gravado em 27 de Março de 2011, é um registro da What Lies Beneath Tour, que passou pelo Brasil. O material será lançado em CD duplo, LP duplo, DVD, blu-ray e download. Já vai economizando grana...

sábado, 21 de março de 2015

The Gentle Storm – The Diary (2015)

Por Rafael Menegueti

The Gentle Storm - The Diary
Está aqui um dos lançamentos mais interessantes do ano até agora. “The Gentle Storm” é um novo projeto musical holandês idealizado por Arjen Lucassen (Ayreon, ex-Stream of Passion) e pela cantora Anneke van Giersbergen (ex-The Gathering, solo). Eles se uniram a outros nomes conhecidos da cena holandesa, como Marcela Bovio e Johan van Stratum (Stream of Passion), Timo Somers (Delain) e Joost van der Broek (ex-After Forever) para lançar um disco duplo com uma mistura de elementos e estilos excelentes.

A ideia foi criar duas versões para cada música, misturando metal sinfônico e folk e rock progressivo. No primeiro disco as canções tem a cara mais folk, com arranjos acústicos, ênfase nos vocais de Anneke e Marcela e instrumentos diferentes como trompas e dulcimer (tipo de instrumento de cordas medieval), em versões das canções chamadas de “gentle versions” (versões gentis). No segundo disco as mesmas músicas, mas entram as guitarras elétricas, os arranjos passam a ser mais de metal sinfônico, mas mantendo as melodias suaves e agradáveis, em versões chamadas de “storms” (tempestades).

Arjen e Anneke são grandes músicos com uma historia vasta no cenário do rock alternativo e metal sinfônico. Arjen é a mente por traz do Ayreon e fundador do Stream of Passion, com quem gravou apenas o primeiro disco. Já Anneke fez parte durante muitos anos do The Gathering, uma das bandas mais famosas do pais, onde ela foi do metal sinfônico ao rock alternativo, em seguida partindo para uma carreira solo bem sucedida. O encontro dos estilos e influencias de ambos teve como resultado esse trabalho que mostra mais uma vez como tantos elementos diferentes podem se juntar para fazer um belo disco.

Arjen Lucassen e Anneke van Giersbergen
A voz de Anneke é sem duvida um ponto alto do trabalho. Os arranjos parecem combinar perfeitamente com seu estilo, tanto nas versões folk quanto nas metal. Destaco aqui as faixas “Heart of Amsterdam”, “The Storm” e “Cape of Storms” como exemplos disso. Os backing vocals de Marcela Bovio também complementam perfeitamente a voz de Anneke. O disco abusa de arranjos com instrumentos de sopro, violinos, e piano em momentos certos. Essa diversificação faz ambas as versões do álbum bem abrangentes e ricas.

O divertido do disco é você ficar ouvindo repetidamente as versões para perceber as semelhanças e como os arranjos diferentes tornam ambas as audições interessantes e experiências únicas. Isso porque as faixas não ficam irreconhecíveis com arranjos diferentes. Pelo contrario, algumas permanecem bem próximas, como a balada “The Moment”. Outras se afastam mas sem perder a essência que as torna cativantes, como em “The Greatest Love”. Outras faixas que se destacam, em ambas as versões são “Endless Sea”, “Brightest Light” e “New Horizons”.

No geral, “The Diary” é um disco agradável, com canções belas e criativas. As letras contam uma historia de amor que combina com o estilo dessas composições e é tudo muito acertado e bem produzido. Para quem conhece o trabalho desses artistas holandeses, esse disco é uma ótima experiência, e para quem não conhece, vale a pena conferir.


Nota: 10/10
Status: Único


Faixas:
CD 1 - Gentle:
1. Endless Sea (Gentle Version)
2. Heart Of Amsterdam (Gentle Version)
3. The Greatest Love (Gentle Version)
4. Shores Of India (Gentle Version)
5. Cape Of Storms (Gentle Version)
6. The Moment (Gentle Version)
7. The Storm (Gentle Version)
8. Eyes of Michiel (Gentle Version)
9. Brightest Light (Gentle Version)
10. New Horizons (Gentle Version)
11. Epilogue: The Final Entry (Gentle Version)

CD 2 - Storm:
1. Endless Sea (Storm Version)
2. Heart Of Amsterdam (Storm Version)
3. The Greatest Love (Storm Version)
4. Shores Of India (Storm Version)
5. Cape Of Storms (Storm Version)
6. The Moment (Storm Version)
7. The Storm (Storm Version)
8. Eyes Of Michiel (Storm Version)
9. Brightest Light (Storm Version)
10. New Horizons (Storm Version)

quinta-feira, 19 de março de 2015

Amberian Dawn - Magic Forest (2014)

Por Rafael Menegueti

Amberian Dawn - Magic Forest

No ano passado o Amberian Dawn, banda de metal sinfônico finlandesa, lançou seu  sexto álbum de estúdio “Magic Forest”. A historia do grupo passou por uma mudança significativa com a troca de vocalistas ocorrida em 2012. A mudança lembra um pouco a que também ocorreu com o Nightwish (uma clara influencia dessa banda) quando Tarja saiu e foi substituída por Anette Olzon. Heidi Parviainen era a voz soprano nos quatro primeiros álbuns da banda, e decidiu sair para lançar seu projeto Dark Sarah, cujo primeiro álbum sai em breve. Foi substituída por Capri Virkkunen, uma cantora que usa menos o canto de estilo clássico soprano.

Mesmo sendo mais versátil, Capri não escapou das críticas dos fãs que preferiam o estilo sempre lírico de Heidi. No entanto, o Amberian Dawn acertou ao primeiro lançar um disco com regravações de canções da primeira fase da banda com a voz de Capri. A nova vocalista deu uma leitura bem interessante às músicas, o que serviu para acostumar os fãs com o que viria em seguida.

“Magic Forest” é portanto o segundo lançamento com Capri, e o primeiro de inéditas. Os mesmos elementos seguem presentes nas composições. Temas relacionados à mitologia finlandesa e nórdica, falando de historias fantásticas e lendas conhecidas da literatura local. As canções tem arranjos belos e são bem agradáveis, com um predomínio de teclados em interação com a voz de Capri, que parece bem encaixada no estilo da banda.

Os membros do Amberian Dawn
A faixa que abre o disco é “Cherish My Memory”, onde os elementos principais da banda já se destacam de forma coesa e alinhada, com um refrão bem empolgante. “Dance of Life” segue na mesma pegada empolgada, com os vocais de Capri indo mais na direção lírica do que na faixa anterior, além de belos arranjos sinfônicos. O primeiro single desse disco, a faixa título “Magic Forest” vem em seguida, com forte predomínio do teclado de Tuomas Seppälä, e com vocais líricos ainda mais soltos e um refrão que conquista o ouvinte de cara. “Agonizing Night” dá uma suavizada sendo mais cadenciada, enquanto “Warning” vem para elevar a agitação do disco novamente.

Já na segunda metade do álbum, temos “Son of Rainbow”, uma faixa com uma introdução perfeita e com destaque para o refrão cativante. Na faixa “Memorial”, Capri faz dueto com um cantor convidado, Markus Nieminen, que já havia aparecido em outros lançamentos da banda como corista. “Endless Silence” é outra faixa que segue a mesma linha das demais, sem grandes surpresas. O disco encerra com a balada sinfônica “Green-Eyed”, com mais uma forte presença vocal de Capri.

“Magic Forest”, em resumo, é o tipo de trabalho que prefere não correr riscos a ser muito ousado. Dessa forma a banda conseguiu evitar olhares mais desconfiados sobre seu rumo. As canções são todas ótimas, agradáveis, fáceis de digerir. O disco não cansa, flui bem e tudo está bem produzido e alinhado. Canções mais guiadas pelo teclado, guitarras bem inseridas, com solos inspirados e bateria precisa. Só faltou mais ousadia mesmo, fugir da mesmice. O resultado final no geral é positivo, pois a formula da banda é bem simples e direcionada. Um bom disco para dar continuidade a nova e promissora fase da banda.


Nota: 8/10
Status: encantador


Faixas:
1. Cherish My Memory
2. Dance Of Life
3. Magic Forest
4. Agonizing Night
5. Warning
6. Sons Of The Rainbow
7. I'm Still Here
8. Memorial
9. Endless Night
10. Green-Eyed

quarta-feira, 18 de março de 2015

Kiss: Kiss Meets The Phantom Of The Park (1978):



Por Davi Pascale

Estou de volta com mais uma dica para os amantes do cinema. Aproveitando o gancho do festival Monsters of Rock, decidi escrever hoje sobre o primeiro longa que os mascarados do Kiss fizeram, ainda nos anos 70. A película ganhou um status de cult e foi bastante exibida na televisão brasileira durante a década de 80 com o nome de Kiss E O Fantasma das Trevas. Confere aí...

Astros do rock se aventurarem nas telas de cinema até que é uma história bem comum. Elvis Presley, Monkees, Beatles, David Bowie, são apenas alguns nomes que se aventuraram nas grandes telas. Às vezes, fazendo longa em cima de sua imagem de cantor. Às vezes, fazendo pequenas pontas em alguma história. Quando se está com uma grande exposição então, é batata surgirem convites e rolar uma certa pressãozinha para que os músicos aceitem o desafio.

Logo, seria mais do que comum que surgisse um convite desses para o Kiss nesse período. Em 1977, estavam no auge de sua popularidade. O grupo vinha em uma crescente com uma força que pouquíssimas vezes ocorreu. Aqui, o Kiss já começava a se tornar uma empresa. Rolava um grande investimento na construção de imagem dos rapazes. Os músicos não poderiam serem fotografados sem as máscaras, havia um enorme merchandising da banda (as famosas máquinas de pinball do Kiss são desse período), haviam realizado uma excursão no Japão onde haviam batido o recorde de público dos Beatles. O que ninguém esperava é que em tão pouco tempo, os músicos se desgastassem tanto internamente. Quando o filme foi realizado, apenas um ano depois dessa febre, a banda parecia ter seus dias contados. E a situação dos músicos acabou afetando a produção do filme.

Músicos não aprovam o filme

A equipe que estava por trás era bem profissional. Para vocês terem uma idéia, a direção ficou a cargo de Gordon Hessler. O rapaz é um diretor lendário do cinema de terror, e dirigiu filmes considerados clássicos do gênero como Uivo da Bruxa e Assassinatos da Rua Morgue (história baseada no conto de Edgard Allan Poe, que serviu de inspiração para a música “Murders In The Rue Morgue” do Iron Maiden). A produção ficou por conta da Hanna-Barbera. A idéia inicial é que fosse apenas um especial de televisão. Gene Simmons, fã de histórias de terror, comemorou quando soube que Hessler dirigiria seu filme. A banda nunca culpou o diretor pelo fracasso do projeto. “Gordon Hessler teve o azar de ser colocado em uma tarefa impossível que era criar um filme, estrelado por 4 idiotas que não tinham a menor noção de atuação e um roteiro extremamente brega”, declarou Paul Stanley ao site Fangoria.

A história girava em torno do grupo que se tornava vítima de um plano diabólico de um cientista desmiolado que se chamava Abner Devereaux. O rapaz pretendia destruir a reputação do grupo e resolveu prender os músicos, enquanto deixava a solta no parque robôs com as mesmas características e movimentos dos rapazes para criarem problemas e se apresentarem no lugar deles, incorporando letras mais inocentes. Os músicos vão utilizar seus poderes de super heróis para combater o cientista maluco, destruir os robôs e entregar aos seus fãs o show que esperam. Paul Stanley tinha visão raio x, Gene Simmons era incrivelmente forte e cospia fogo, Ace Frehley se teletransportava e Peter Criss era incrivelmente veloz.

Anuncio alertando a exibição do filme na TV

O primeiro problema do projeto era esse. Era focado mais o lado super-herói do que o lado músico. O segundo, era a desunião entre os rapazes. Não é segredo para ninguém que várias imagens de Peter Criss foram feitas por dublês, já que ele se mandava do set, por não querer ficar ao lado dos rapazes. Aliás, ele não participou da pós-produção do filme. Por isso, sua voz foi dublada por Michael Bell (Naquela época, as vozes eram regravadas após as filmagens para deixar o áudio mais nítido). Durante as entrevistas realizadas com os músicos para que pudessem criar suas falas, Ace Frehley não respondia quase nada e ficava fazendo barulhinhos com a boca. Por isso, ele tem pouquíssimas falas no filme. Originalmente, não teria nenhuma, mas o músico ameaçou abandonar o grupo, caso não tivesse alguma fala incluída no filme. O guitarrista também não se dava muita com Gordon e brigava constantemente com o rapaz abandonando o set. Com tudo isso rolando, não tinha como a película ser um clássico do cinema, sejamos honestos. 

Kiss Meets The Phantom Of The Park foi lançado originalmente em VHS e ficou muito tempo fora de catálogo.  Depois de muitos anos, a versão européia foi incluída na série Kissology. Ela é um pouco diferente da versão que rolava no Brasil. A dublagem brasileira foi feita em cima da versão norte-americana. A versão européia tinha alguns minutos a mais e trilha sonora diferente. O filme não é uma obra-prima, mas é no mínimo divertido. Quem é fã de Kiss tem a obrigação de assistir, ao menos, uma vez na vida. Corra atrás.

terça-feira, 17 de março de 2015

Shining – One One One (2013)

Por Rafael Menegueti
Shining - One One One
O Shining é mais um bom exemplo de banda que mudou drasticamente seu estilo sem perder a qualidade. Esse grupo avant guarde norueguês (não confundir com a banda sueca de black metal de mesmo nome) surgiu como um promissor nome do nu jazz (ou future jazz), uma vertente do estilo onde as bandas usam uma sonoridade mais ousada e enérgica do que o jazz tradicional. Talvez por isso, muitos críticos musicais comparem esse estilo com o que o punk representou na cena do rock em seu surgimento.
Em seus primeiros dois álbuns (“Where the Ragged People Go” e “Sweet Shanghai Devil”), o Shining fazia um jazz acústico, sujo e complexo. A partir do terceiro álbum (“In the Kingdom of Kitsch You Will Be a Monster”) a banda passou a fazer uma transição para o rock. Trocaram o contrabaixo acústico por um baixo elétrico, foram incluindo sintetizadores, e as guitarras ganharam distorção, se intercalando com o saxofone selvagem nas canções. A fusão de estilos virou seu maior trunfo. Em “Grindstone” ela foi ainda mais explorada. A aproximação do metal veio no quinto álbum, “Blackjazz”.
O Shining durante show em 2014
O curioso é que, mesmo com a mudança, a banda seguiu conceituada e elogiada inclusive pelo público e crítica especializados em jazz. Essa aproximação do metal ficou ainda mais forte graças a uma bem sucedida turnê abrindo para a banda de viking/black metal norueguesa Enslaved. O sucesso da turnê foi tamanho, que as duas bandas foram convidadas pelo festival Moldejazz a realizarem um concerto juntas, em 2008.
Em 2013, a banda lançou “One One One”, disco onde eles abraçam de vez o metal. Foi assistindo a um show da turnê de divulgação desse disco em dezembro passado (curiosamente abrindo para Arch Enemy e Kreator em Londres) que conheci essa banda (eles ainda sairão em turnê abrindo para o Devin Townsend na Europa esse ano). E o disco me deixou com a mesma sensação que tive ao ver o show. O vocalista e líder da banda, Jørgen Munkeby, é um showman. Seus vocais são agressivos e intensos, e ele toca guitarra com uma pegada forte e raivosa. Logo ele saca o saxofone e cria uma atmosférica enérgica, caótica nas canções.
O vocalista/guitarrista/saxofonista Jørgen Munkeby
O fato é que o Shining conseguiu unir metal e jazz de maneira inovadora. Por vezes eles parecem próximos de um metal industrial, como na empolgante faixa “The One Inside”. A união com o jazz é bem clara em canções como “How Your Story Ends” e “Walk Away”. Por todo o disco essa ideia de um som meio improvisado, agitado, com sonoridade complexa e pesada, típica de músicos que tiveram essa formação no jazz, onde o improviso é elemento básico, deixa o ouvinte meio atônito. A faixa que abre o disco, “I Won´t Forget” é uma das melhores. “My Dying Drive” é outra faixa que se destaca pela pegada. Veloz e incrivelmente agressiva, “Blackjazz Rebels” é uma das melhores do disco. Pra fechar um disco que é uma pancada do inicio ao fim, “Paint the Sky Black” vem como uma das mais pesadas. Alias, difícil mesmo é saber qual das nove canções do álbum é a mais brutal. O que me leva a pensar que talvez o único problema desse disco seja a semelhança entre as músicas. Mas as faixas transitam bem, e o disco corre rápido e sem enjoar.
Bom mesmo é saber que na Europa um grupo como esse consegue transitar por estilos tão distintos (metal extremo e jazz) de maneira tão coesa e inovadora e sem ser massacrada por público e crítica. A banda segue sendo abraçada pelos fãs e pelas duas vertentes como um todo, inclusive pela crítica especializada. Falta um pouco mais de flexibilidade e entendimento de como a música pode funcionar nessas ousadas e interessantes ideias de fusões de estilo para algumas pessoas, que insistem em achar que o rock deve sempre seguir a velha forma básica do que sempre vem sendo mostrado. Melhor abrir a cabeça e ouvir bandas como o Shining, que são provas de que essas inovações são o futuro e sobrevivência do rock.


Nota: 8,5/10
Status: Inovador e agressivo

Faixas:
01. I Won't Forget
02. The One Inside
03. My Dying Drive
04. Off The Hook
05. Blackjazz Rebels
06. How Your Story Ends
07. The Hurting Game
08. Walk Away
09. Paint The Sky Black