sábado, 7 de fevereiro de 2015

Novo single do Nightwish vaza, e irrita a banda

Por Rafael Menegueti

Isso já é praticamente comum no mundo da música: a banda faz um mistério enorme sobre suas novas músicas e, pouco antes do lançamento oficial, elas vazam. A mais nova vítima desse tipo de acontecimento foi o Nightwish. Na noite da ultima quinta feira (05/02/2014) foi descoberto um link para a música “Élan”, novo single da banda finlandesa que deveria ser revelado apenas no dia 13 de fevereiro. Isso logo fez com que a faixa fosse propagada rapidamente entre os fãs da banda

O vazamento da faixa deixou os músicos da banda bastante irritados. A vocalista Floor Jansen postou uma mensagem repudiando a atitude do fã que teria divulgado a faixa. Na nota de Floor, lê-se:

"Quem foi o 'fã' desrespeitoso que publicou nosso single antes do lançamento? Nós trabalhamos tão duro para criar algo especial, em alta qualidade, e você acha que está certo roubá-lo? Queridos fãs REAIS: esta versão de Élan NÃO é oficial e não soa como a real! (...) Eu li comentários baseados nessa monstruosidade ilegal e fiquei extremamente triste com as palavras baseadas em uma música com péssima qualidade espalhada ilegalmente. Tenham paciência e eu não tenho dúvidas de que serão recompensados."

Postagem onde Floor Jansen "negativou" o vazamento da faixa "Élan"

O comentário de Floor até que fez sentido e leva em conta algo importante. De fato, a faixa divulgada estava com uma qualidade de áudio bem abaixo do ideal. Mais tarde, porém, outra faixa do single, o lado b "Sagan", também acabou vazando, mas com qualidade um pouco melhor. Alem de Floor, outro integrante que declarou sua insatisfação com o ocorrido nas redes sociais foi o baterista Kai Hahto.

Mas os ânimos esquentaram mesmo quando a pagina oficial da banda postou uma imagem de um print tirado de um perfil que teria sido o responsável pelo vazamento (aparentemente, a equipe da banda conseguiu rastrear de onde o vazamento da faixa surgiu). A imagem mostra o que seria um post de uma fã (Dominik Olzon, seria uma americana, mas seu perfil não estaria mais ativo no Facebook) com um link para o arquivo armazenado no Google Drive.

A imagem publicada no Facebook do Nightwish
A atitude dos administradores da página oficial do grupo causou mal estar entre os fãs. Muitos consideraram a atitude um pouco extrema, de apontar e expor a pessoa de modo tão direto. Logo eles precisaram voltar à página e explicar que sua intenção não seria atacar um único individuo, mas demonstrar o quanto tal atitude afeta o trabalho de muitas pessoas, não somente artistas, na indústria fonográfica.

E você? Concorda com a atitude e reação da banda e de sua assessoria, ou acha que eles exageraram um pouco com o ocorrido?

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Pearl Jam – Live In Texas DVD





Por Davi Pascale

Live In Texas entrega aos fãs uma apresentação curta e intimista. Com ótima qualidade de imagem, o vídeo deve agradar em cheio aos fãs de carteirinha do grupo de Seattle. Quem curte apenas os hits, passe longe...

Nas últimas décadas, pouquíssimas bandas atingiram uma fama onde podem serem considerados superstars. E pouquíssimos artistas conseguiram segurar sua popularidade e construir uma carreira. O Pearl Jam conseguiu. Donos de uma excelente discografia, o grupo de Eddie Vedder conseguiu atravessar gerações e parecem estar cada vez mais fortes, mesmo sem ter um hit com a força de “Alive” à alguns anos. 

A força dessa discografia está presente nesse material. Essa apresentação foi vista pela primeira vez em um especial de televisão nos Estados Unidos. Austin City Limits é um programa de televisão da rede PBS. A ideia é similar ao programa Soundstage.  Colocam alguns artistas para se apresentarem para uma pequena plateia, gravam o show e transformam ele em um especial de TV. Os rapazes aproveitaram a ocasião para divulgarem seu, até então, recém-lançado Backspacer A primeira metade do set era formada justamente por músicas desse trabalho.

O show começa devagar com Eddie Vedder no violão, sentado, tocando inspiradamente “Just Breathe”. A faixa seguinte, “The End”, mantém o clima intimista contando apenas com Vedder, Gaspar e uma pequena orquestra. O rock n´ roll começa a aparecer com força na terceira faixa “The Fixer”. É interessante ver algumas canções que hoje estão entre as preferidas dos fãs, como “Unthought Known”, serem apresentadas como novidades.

Show é, na verdade, um especial de TV

A segunda metade é focada nos trabalhos anteriores. Vieram duas de seu álbum auto-intitulado, duas do experimental No Code e apenas dois clássicos: “Porch” e “Do The Evolution”. Por isso, disse logo acima, que essa fita é recomendada somente aos fãs mais fiéis. Canções que marcaram sua trajetória como “Even Flow”, “Jeremy”, “Rearviewmirror”, “Betterman”, entre inúmeras outras, ficaram de fora. 

Contudo, isso não tira o brilho da apresentação. Como disse, os garotos são donos de uma ótima discografia. A ausência de hits não torna a apresentação cansativa, já que as composições são, em sua maioria, excelentes. A postura da banda é a mesma. Eddie Vedder mexendo na microfone sem parar, Matt Cameron com sua pegada sempre firme e precisa, o baixista Jeff Ament se movendo para frente e para trás sem sair do lugar e os guitarristas Stone Gossard e Mike McReady com seus solos inspirados. 

A pequena orquestra volta a aparecer em “Lukin”, mas o grande momento é quando o músico Ben Harper junta-se à banda para interpretarem “Red Mosquito”. O músico faz bonito realizando um solo com slide, uma de suas marcas registradas. O show encerra-se com a canção “Porch”, de seu álbum de estréia Ten. Grande banda, grande show.

Nota: 8,5/10,0
Status: Inspirado

Faixas:
      01)   Just Breathe
      02)   The End
      03)   The Fixer
      04)   Johnny Guitar
      05)   Amongst The Waves
      06)   Unthought Know
      07)   Army Reserve
      08)   Do The Evolution
      09)   Lukin
      10)   Red Mosquito
      11)   Inside Job
      12)   Porch

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Leah - Kings & Queens (2015)

Por Rafael Menegueti

Leah - Kings & Queens
A cantora canadense Leah é desconhecida de muita gente, mas creio que isso se deva apenas pelo fato de ela ser uma cantora independente no cenário do metal, já que talento ela tem de sobra. Ano passado já havia falado de seu primeiro disco, “Of Earth and Angels”, e agora irei falar de seu segundo trabalho, lançado nessa semana, “Kings & Queens”.

Nesse disco, a cantora contou com a participação de músicos renomados para gravar as canções. Timo Somers (Delain) nas guitarras, Sander Zoer (ex-Delain ) na bateria e Barend Courbois (Blind Guardian) no baixo formam a escalação da banda das gravações, e fazem um excelente trabalho, dando ainda mais potencia às canções da talentosa cantora.

O trabalho de Leah continua voltado para a mistura da musica celta com o power/symphonic metal que a influencia de bandas como Delain e Nightwish. Com melodias cativantes e uma produção digna de gravadora grande. Leah segue com um estilo próprio e diferenciado, que alia o melhor de suas influencias.

O segundo disco de Leah mostra uma evolução ainda maior no som da cantora

Ao longo das quatorze faixas, Leah destaca sua bela voz, com melodia e uma bela afinação, ganhando ainda mais destaque nos ótimos refrões de suas músicas. Dificil dizer qual música mais empolgante. “Arcania” abre o álbum em grande estilo, “Save the World” tem ótimos arranjos e um bom solo de guitarra. “Enter the Highlands” tem uma levada agressiva e riff rápido, até chegar em um refrão bem promissor. As faixas ainda tem toques bem progressivos, outra evolução no trabalho da cantora. Outras grandes canções no disco são “Angel Fell”, “Heart of Poison”, “Palace of Dreams” e “Siuil a Run”, que encerra o disco em duas versões, uma mais acústica e outra pesada, sendo a segunda uma faixa bônus”.

Com esse trabalho coeso e muito criativo, Leah comprova aquilo que ela já tinha deixado evidente nos seus primeiros trabalhos: que ela é uma artista pronta pra crescer e brilhar na cena do metal sinfônico/celta/folk. Em “Kings & Queens” ela conseguiu dar um grande passo em direção a isso, e não deve demorar pra que esse sucesso aumente ainda mais.


Nota 10/10
Status: Surpreendente e Cativante

Faixas:
01. Arcadia
02. Save the World
03. Angel Fell
04. Enter the Highlands
05. In the Palm of Your Hands
06. Alpha et Omega
07. Heart of Poison
08. Hourglass
09. Palace of Dreams
10. This Present Darkness
11. The Crown
12. Remnant
13. There Is No Farewell
14. Siúil a Rún (Acoustic Version)
15. Siúil a Rún (Bonus Rock Version)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

O Rock Brasileiro de 2005



Por Davi Pascale

Muitos falam que o rock nacional não tem nada que preste há anos. Embora não estejamos na melhor fase, sempre me recusei a acreditar nisso. Hoje, resolvi separar 5 ótimos discos da cena nacional que já completam 10 anos de seu lançamento (nessa fase já tinha nego dizendo que o rock brasileiro não prestava). Confere aí... 


Capital Inicial – Aborto Elétrico



Esse álbum foi um risco para o Capital Inicial. O grupo havia dominado as paradas de sucesso com 3 trabalhos que contavam com uma pegada mais comercial. Vários adolescentes estavam comparecendo nos shows. A MTV estava do seu lado. E a proposta daqui era de resgatar o material do Aborto Elétrico (grupo punk de Brasília que deu origem à Legião Urbana, Plebe Rude e ao próprio Capital). A ideia era fantástica. Afinal, o antigo grupo do falecido Renato Russo havia encerrado as atividades sem nenhum registro. Algumas músicas foram resgatadas pelos grupos posteriormente. Uma outra boa parte ficou esquecida. Aqui, o grupo de Dinho Ouro Preto (fã declarado de Renato Russo) registrou as músicas como elas foram concebidas. Ou seja, o álbum é bem pesadinho. Com guitarras falando alto e letras ásperas, era praticamente o oposto daquilo que seus fãs mais novos estavam acostumados. Resultado? Um grande disco que passou praticamente batido.



Shaman – Reason



Em 2005, o Shaman lançou seu segundo disco. O último da era Andre Matos. A banda já havia meio que nascido grande, já que havia sido formada a partir da separação dos músicos do Angra. Ricardo Confessori, Luis Mariutti e Andre resolveram começar um novo projeto por não concordarem com o método empresarial que estava sendo aplicado. Nesse segundo disco, os músicos vieram com uma nova proposta musical, o que acabou assustando os fãs. Com uma sonoridade mais pesada e direta, muitos torceram o nariz. O que é realmente uma pena. Reason é um puta disco. Faixas como “Iron Soul”, “Turn Away e “Scarred Forever” estão entre as grandes composições de Andre. E, ah sim, a versão de “More” do Sisters of Mercy ficou bem legal. Vale a pena dar uma segunda chance...



Pitty – Anacrônico



Depois de ter emplacado metade do seu debut (Admirável Chip Novo) nas rádios e ter se tornado referência para toda a garotada da época, uma dúvida pairava no ar: seria a garota capaz de manter o sucesso alcançado? Ou seria mais uma daquelas artistas que emplacam com um álbum e somem no seguinte? Pois ela conseguiu. Não apenas manteve seu público, como voltou a emplacar diversas faixas. Para ser mais exato, 4 canções se tornaram hits. Entretanto, o CD era realmente forte. Várias faixas lado B chamavam a atenção e eram pedidas nas apresentações da cantora. “De Você” e “No Escuro” são alguns exemplos. “Ignorin´ U” e “Quem Vai Queimar” também estão entre os grandes destaques. Em Anacrônico, Pitty demonstrava que era possível fazer um disco que fosse, ao mesmo tempo, pesado e comercial.


Shadowside – Theatre Of Shadows


O Shadowside, atualmente, é meio manjadinho para aqueles que acompanham a cena brasileira de heavy metal. Descobri a banda quando esse trabalho foi lançado. Na época, estava trabalhando na revista RockLife e recebíamos CDs de porrada de bandas iniciantes. O disco do Shadowside estava meio que abandonado por lá, depois de ter sido resenhado por um colaborador. Resolvi pegar para conferir e, a partir daquele momento, o CD já tinha dono. A banda se destacava ao apresentar uma sonoridade pesada, com personalidade e,o mais legal de tudo, com um ótimo trabalho vocal de Dani Nolden. Apresentando influências diversas, indo do hard rock ao power metal, a banda de Santos fez um ótimo debut. Quem não conhece, vale a pena conferir.
 

Cachorro Grande – Pista Livre



O grupo gaúcho havia feito um ótimo debut em 2001 e havia decepcionado em seu segundo disco, As Próximas Horas Serão Muito Boas. Mesmo assim, estavam em uma crescente de popularidade. Não tardou e os rapazes foram contratados pela Deckdisc. Gravadora que estava emplacando artista atrás de artista na época. Além da já citada Pitty, bandas como Matanza e Dead Fish faziam parte do cast. Os rapazes não decepcionaram e deram a volta por cima. Totalmente masterizado em Abbey Road (estúdio de Londres onde gravavam os Beatles), os garotos retornaram com um trabalho maduro e repleto de canções inspiradíssimas como “Bom Brasileiro”, "Eu Pensei", "Agora Eu Tô Bem Louco", "Novo Super-Herói" e "Sinceramente". Divertidíssimo!