quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Leah - Kings & Queens (2015)

Por Rafael Menegueti

Leah - Kings & Queens
A cantora canadense Leah é desconhecida de muita gente, mas creio que isso se deva apenas pelo fato de ela ser uma cantora independente no cenário do metal, já que talento ela tem de sobra. Ano passado já havia falado de seu primeiro disco, “Of Earth and Angels”, e agora irei falar de seu segundo trabalho, lançado nessa semana, “Kings & Queens”.

Nesse disco, a cantora contou com a participação de músicos renomados para gravar as canções. Timo Somers (Delain) nas guitarras, Sander Zoer (ex-Delain ) na bateria e Barend Courbois (Blind Guardian) no baixo formam a escalação da banda das gravações, e fazem um excelente trabalho, dando ainda mais potencia às canções da talentosa cantora.

O trabalho de Leah continua voltado para a mistura da musica celta com o power/symphonic metal que a influencia de bandas como Delain e Nightwish. Com melodias cativantes e uma produção digna de gravadora grande. Leah segue com um estilo próprio e diferenciado, que alia o melhor de suas influencias.

O segundo disco de Leah mostra uma evolução ainda maior no som da cantora

Ao longo das quatorze faixas, Leah destaca sua bela voz, com melodia e uma bela afinação, ganhando ainda mais destaque nos ótimos refrões de suas músicas. Dificil dizer qual música mais empolgante. “Arcania” abre o álbum em grande estilo, “Save the World” tem ótimos arranjos e um bom solo de guitarra. “Enter the Highlands” tem uma levada agressiva e riff rápido, até chegar em um refrão bem promissor. As faixas ainda tem toques bem progressivos, outra evolução no trabalho da cantora. Outras grandes canções no disco são “Angel Fell”, “Heart of Poison”, “Palace of Dreams” e “Siuil a Run”, que encerra o disco em duas versões, uma mais acústica e outra pesada, sendo a segunda uma faixa bônus”.

Com esse trabalho coeso e muito criativo, Leah comprova aquilo que ela já tinha deixado evidente nos seus primeiros trabalhos: que ela é uma artista pronta pra crescer e brilhar na cena do metal sinfônico/celta/folk. Em “Kings & Queens” ela conseguiu dar um grande passo em direção a isso, e não deve demorar pra que esse sucesso aumente ainda mais.


Nota 10/10
Status: Surpreendente e Cativante

Faixas:
01. Arcadia
02. Save the World
03. Angel Fell
04. Enter the Highlands
05. In the Palm of Your Hands
06. Alpha et Omega
07. Heart of Poison
08. Hourglass
09. Palace of Dreams
10. This Present Darkness
11. The Crown
12. Remnant
13. There Is No Farewell
14. Siúil a Rún (Acoustic Version)
15. Siúil a Rún (Bonus Rock Version)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

O Rock Brasileiro de 2005



Por Davi Pascale

Muitos falam que o rock nacional não tem nada que preste há anos. Embora não estejamos na melhor fase, sempre me recusei a acreditar nisso. Hoje, resolvi separar 5 ótimos discos da cena nacional que já completam 10 anos de seu lançamento (nessa fase já tinha nego dizendo que o rock brasileiro não prestava). Confere aí... 


Capital Inicial – Aborto Elétrico



Esse álbum foi um risco para o Capital Inicial. O grupo havia dominado as paradas de sucesso com 3 trabalhos que contavam com uma pegada mais comercial. Vários adolescentes estavam comparecendo nos shows. A MTV estava do seu lado. E a proposta daqui era de resgatar o material do Aborto Elétrico (grupo punk de Brasília que deu origem à Legião Urbana, Plebe Rude e ao próprio Capital). A ideia era fantástica. Afinal, o antigo grupo do falecido Renato Russo havia encerrado as atividades sem nenhum registro. Algumas músicas foram resgatadas pelos grupos posteriormente. Uma outra boa parte ficou esquecida. Aqui, o grupo de Dinho Ouro Preto (fã declarado de Renato Russo) registrou as músicas como elas foram concebidas. Ou seja, o álbum é bem pesadinho. Com guitarras falando alto e letras ásperas, era praticamente o oposto daquilo que seus fãs mais novos estavam acostumados. Resultado? Um grande disco que passou praticamente batido.



Shaman – Reason



Em 2005, o Shaman lançou seu segundo disco. O último da era Andre Matos. A banda já havia meio que nascido grande, já que havia sido formada a partir da separação dos músicos do Angra. Ricardo Confessori, Luis Mariutti e Andre resolveram começar um novo projeto por não concordarem com o método empresarial que estava sendo aplicado. Nesse segundo disco, os músicos vieram com uma nova proposta musical, o que acabou assustando os fãs. Com uma sonoridade mais pesada e direta, muitos torceram o nariz. O que é realmente uma pena. Reason é um puta disco. Faixas como “Iron Soul”, “Turn Away e “Scarred Forever” estão entre as grandes composições de Andre. E, ah sim, a versão de “More” do Sisters of Mercy ficou bem legal. Vale a pena dar uma segunda chance...



Pitty – Anacrônico



Depois de ter emplacado metade do seu debut (Admirável Chip Novo) nas rádios e ter se tornado referência para toda a garotada da época, uma dúvida pairava no ar: seria a garota capaz de manter o sucesso alcançado? Ou seria mais uma daquelas artistas que emplacam com um álbum e somem no seguinte? Pois ela conseguiu. Não apenas manteve seu público, como voltou a emplacar diversas faixas. Para ser mais exato, 4 canções se tornaram hits. Entretanto, o CD era realmente forte. Várias faixas lado B chamavam a atenção e eram pedidas nas apresentações da cantora. “De Você” e “No Escuro” são alguns exemplos. “Ignorin´ U” e “Quem Vai Queimar” também estão entre os grandes destaques. Em Anacrônico, Pitty demonstrava que era possível fazer um disco que fosse, ao mesmo tempo, pesado e comercial.


Shadowside – Theatre Of Shadows


O Shadowside, atualmente, é meio manjadinho para aqueles que acompanham a cena brasileira de heavy metal. Descobri a banda quando esse trabalho foi lançado. Na época, estava trabalhando na revista RockLife e recebíamos CDs de porrada de bandas iniciantes. O disco do Shadowside estava meio que abandonado por lá, depois de ter sido resenhado por um colaborador. Resolvi pegar para conferir e, a partir daquele momento, o CD já tinha dono. A banda se destacava ao apresentar uma sonoridade pesada, com personalidade e,o mais legal de tudo, com um ótimo trabalho vocal de Dani Nolden. Apresentando influências diversas, indo do hard rock ao power metal, a banda de Santos fez um ótimo debut. Quem não conhece, vale a pena conferir.
 

Cachorro Grande – Pista Livre



O grupo gaúcho havia feito um ótimo debut em 2001 e havia decepcionado em seu segundo disco, As Próximas Horas Serão Muito Boas. Mesmo assim, estavam em uma crescente de popularidade. Não tardou e os rapazes foram contratados pela Deckdisc. Gravadora que estava emplacando artista atrás de artista na época. Além da já citada Pitty, bandas como Matanza e Dead Fish faziam parte do cast. Os rapazes não decepcionaram e deram a volta por cima. Totalmente masterizado em Abbey Road (estúdio de Londres onde gravavam os Beatles), os garotos retornaram com um trabalho maduro e repleto de canções inspiradíssimas como “Bom Brasileiro”, "Eu Pensei", "Agora Eu Tô Bem Louco", "Novo Super-Herói" e "Sinceramente". Divertidíssimo!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Sabaton - Heroes (2014)

Por Rafael Menegueti

Sabaton - Heroes (capa da esquerda versão regular, capa da direita versão deluxe)

O Sabaton foi uma das bandas que citei aqui no ano passado na seção que criei de músicas comentadas. Essa banda de power metal sueca tem como principal característica usar temas como guerras e batalhas históricas em suas músicas, criando discos com uma sonoridade incrivelmente épica e melodias cheias de grandiosismo.

O mais recente trabalho da banda é “Heroes”, lançado em 2014, onde a banda usa sua ideia para contar a história de diversos heróis surgidos na Segunda Guerra Mundial, pessoas que se destacaram por porem suas vidas em risco pelo bem de outras. O resultado é um dos mais interessantes e criativos trabalhos da historia da banda. Diversas figuras históricas conhecidas por seus feitos heroicos na guerra foram homenageadas nas canções, que seguem com a mesma qualidade característica do Sabaton.

Os membros do Sabaton, incorporando seus heróis
O disco abre com “Night Witches”, faixa agitada que fala sobre um regimento de bombardeios soviético formado apenas por pilotos mulheres. “Bullets Fly”, uma das melhores faixas do disco vem em seguida, que fala sobre o incidente em que o piloto alemão Franz Stigler escoltou um avião pilotado pelo americano Charlie Brown, de volta para sua base, após o americano ter seu avião danificado, durante a segunda guerra, em um ato humanitário.

Os fãs brasileiros tiveram um motivo pra se orgulhar e admirar ainda mais a banda sueca: a homenagem a Força Expedicionaria Brasileira na faixa “Smoking Snakes”, que relata história de três soldados que lutaram sozinhos contra um contingente alemão na segunda guerra e morreram, sendo enterrados pelos alemães com uma cruz onde se lia “três heróis brasileiros”. A identificação com nosso país logo tornou a faixa uma das favoritas dos fãs brasileiros da banda.

O disco passeia pelas historias com melodias excelentes e uma pegada forte e cheia de ótimos solos e riffs dignos do estilo. Algumas outras boas faixas são o single “To Hell and Back”, sobre Audie Murphy, “Resist and Bite”, sobre a Chasseurs Ardennais (infantaria das Forças Armadas Belgas) e “Hearts of Iron”, que encerra o disco em grande estilo, falando sobre as forças alemãs que, após a derrota para a União Soviética, criaram um corredor para que soldados e civis refugiados pudessem atravessar o rio Elba e se render ao Ocidente.

Muitas outras histórias são relatadas nas canções, mas vou deixar que você vá atrás de saber e ouvir para conhecer o resto. Assim, além de ouvir um ótimo disco, vai conhecer bastante essas curiosidades da Segunda Guerra, e mais conhecimento sempre é uma boa ideia.


Nota: 8,0/10
Status: Grandioso

Faixas:
1. Night Witches
2. No Bullets Fly
3. Smoking Snakes
4. Inmate 4859
5. To Hell And Back
6. The Ballad of Bull
7. Resist And Bite
8. Soldier of 3 Armies
9. Far From The Fame
10. Hearts of Iron

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Airheads – Os Cabeças De Vento (1994):





Por Davi Pascale

No ano passado, trouxe algumas dicas cinematográficas para o blog. Ideia que pretendo continuar por algum tempo ainda. Existem vários filmes que giram em torno do universo rock n roll que são muito bacanas. Alguns com teor biográfico, outros ficcionais. Caso dessa comédia que resolvi escrever hoje.

Contando com a direção de Michael Lehmann, o longa chegou aos telões em 1994. A história gira em torno de um trio chamado The Lone Rangers. Embora não seja verídica, a película traz muitos pontos que qualquer pessoa que tem ou já teve uma banda passa. A dificuldade de arrumar lugar para tocar, a dificuldade de conseguir que sua música seja divulgada, a não aceitação da família, os ensaios em locais minusculos.

Chazz, Rex e Pip formam mais um dos inúmeros grupos que buscam reconhecimento e estão dispostos a qualquer coisa para isso. Interpretada por Brendan Fraser, Steve Buscemi e Adam Sandler, os músicos vão atrás de reuniões com as gravadoras, visitas às rádios, mas sempre de maneiras nada tradicionais. A situação complica quando eles simplesmente invadem a Rebel Radio. A ideia era conseguir que sua música fosse para o ar. Queriam realizar seu sonho de ouvir sua canção em uma estação de rádio.

Brendan Fraser em Airheads

Ian The Shark (Joe Mantegna), locutor e DJ da emissora, está disposto a ajuda-los. Impressionado com a habilidade e a coragem dos músicos em invadirem uma emissora de rádio, lança uma entrevista com os músicos no ar. A manobra irrita seu chefe, Milo, que não apenas proíbe que a canção seja tocada como pede que os músicos se retirem da estação. Irritados e decepcionados, os garotos forjam um sequestro. A exigência? Que sua canção, “Degenerated”, seja veiculada.

Não demora muito e a notícia começa a ser circulada. O crime virou a notícia do dia. Todas as emissoras de televisão começam a fazer cobertura 24 horas. A polícia, acreditando que sejam garotos perigosos, cerca o local. O trio aproveita a situação. Aumentam suas exigências. Agora querem pizzas, instrumentos novos... A juventude que nunca ouviu sua canção, começa a idolatra-los. 

Algumas personalidades também aparecem por aqui. Lemmy Kilmister, líder do Motorhead, faz uma pequena ponta. A voz de Beavis and Butt-Head (desenho que estava em moda na época) surge aqui, interpretada pelo próprio Mike Judge. E como se não bastasse, ainda temos White Zombie tocando um trecho de “Feed The Gods”, canção que fez parte da trilha do filme. O disco, inclusive, é muito legal e traz grandes nomes da época como Candlebox, Primus e Prong, além de artistas lendários como Motorhead e Anthrax. Contando com um bom roteiro e bons atores, a risada é garantida.