quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Tuomas Holopainen – The Life and Times of Scrooge (2014)


Durante o mês de Janeiro, o Riff Virtual está de férias. Nesse período, estaremos reprisando algumas de nossas melhores matérias. A partir de 1 de Fevereiro estaremos de volta com matérias inéditas. Obrigado pelo apoio. Rock On!



Por Rafael Menegueti

Olhe bem para a capa e o nome do primeiro album solo de Tuomas Holopainen, lider do Nightwish. Você deve estar pensando: “Ué, Tio Patinhas?” E eu digo: Sim, ele mesmo. Tuomas Holopainen fez um álbum inspirado no Tio Patinhas. Mais especificamente na obra “A saga do Tio Patinhas”, de Don Rosa. Isso porque Tuomas é um aficionado pelo universo Disney e seus personagens. Alias, o próprio Don Rosa foi o responsável pela ilustração de capa do disco, que só não teve o nome completo do personagem retratado para evitar possíveis complicações pelo direito de uso do personagem.

A historinha que inspirou o disco

E nem preciso dizer que esse disco não tem nada de metal nele. Trata-se de uma aventura sonora, uma épica trilha sinfônica feita com influencias clássicas das composições de Tuomas. O estilo e as melodias inspiradas em historinhas infantis deixam o disco bem leve e agradável. A maioria das faixas é instrumental, mas nas faixas com vocais, Tuomas não deixou de chamar bons cantores.

Johanna Kurkela, Johanna Livanainen, alem de Alan Reid, que interpreta o próprio Tio Patinhas fazem as vozes do disco. Boa parte delas em simples coros, e letras inspiradas na historia do personagem. A participação mais especial presente no álbum fica por conta de Tony Kakko, do Sonata Arctica, que canta na faixa “Cold Heart of the Klondike”.

Tuomas soube bem trabalhar essas inspirações para criar um disco simples e ao mesmo tempo que mostrasse um compositor criativo e cheio de idéias que vão alem do que o rock atual presa. Nem por não ser um disco de rock, esse trabalho deve ser desprezado pelos fãs do Nightwish ou de rock em si. As composições são típicas da mente de Tuomas. E o rock até aparece, principalmente no single “A Life Time of Adventures”, que tem uma levada interessante e um solo de guitarra bem suave ao longo da canção.

Tuomas Holopainen: líder do Nightwish está lançando seu primeiro CD solo 

Life and Times of Scrooge é o típico disco experimental e criativo que um artista lança buscando mostrar toda a sua variedade como compositor. E Tuomas soube fazer isso com estilo. Alem de ser um trabalho curioso, é também divertido e promete agradar qualquer pessoa que goste de musica para curtir e relaxar, e que se identifique com o tipo de composição sinfônica de Tuomas.

Nota:8/10
Status: Aventureiro


Faixas:
01. Glasgow 1877
02. Into The West
03. Duel & Cloudscapes
04. Dreamtime
05. Cold Heart Of The Klondike
06. The Last Sled
07. Goodbye, Papa
08. To Be Rich
09. A Lifetime Of Adventure
10. Go Slowly Now, Sands Of Time
Bonus track:
11. A Lifetime Of Adventure (Alternate Version)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Poison – Great Big Hits Live Bootleg (2006)



Durante o mês de Janeiro, o Riff Virtual está de férias. Nesse período, estaremos reprisando algumas de nossas melhores matérias. A partir de 1 de Fevereiro estaremos de volta com matérias inéditas. Obrigado pelo apoio. Rock On!



Por Davi Pascale


O Poison foi um dos grandes nomes do chamado hair metal. Durante a década de 80, emplacou várias músicas nas rádios como “Nothin´ But a Good Time”, “Every Rose Has It´s Thorn”, “Ride The Wind”, “Uskinny Bop”... Em 2006, a Sony Music colocou no mercado esse material que havia sido lançado inicialmente de maneira independente e que marcava o retorno da formação clássica. Uma boa pedida para quem viveu aquela época.

Embora não fosse um grupo de virtuoses, os shows do grupo eram bem famosos. Sempre contando com grande produção de palco, as coreografias dos clipes presentes, quase sempre apresentavam-se em grandes espaços. A performance costumava ser bem enérgica. Aqui, já viviam uma outra realidade em relação à popularidade, mas a energia continuava a mesma.

Já haviam lançando um CD duplo ao vivo, no auge da carreira, chamado Swallow This Live. Ao contrário do primeiro registro ao vivo, aqui não havia tanto histeria na platéia, os números solos (que foram cortados dessa edição) eram mais curtos, a introdução era mais sucinta, o guitarrista C.C. Deville tentava realizar os solos mais próximos às gravações originais.

Registro, lançado inicialmente como Power To The People, celebrava retorno de C.C. Deville à banda


A edição de 2000 foi lançada com o nome de Power To The People e ainda é a edição que seus fãs mais afoitos devem correr atrás. Aqui, além de terem cortado os números solos de guitarra e bateria, foram cortadas também as 5 faixas inéditas de estúdio. Portanto, esse material é recomendado somente para aqueles fãs mais saudosistas que viveram a época e querem ter um momento de nostalgia ou então aos fãs mais ardorosos que são colecionadores do grupo. Afinal, não somente o nome é outro como a arte de capa é outra. Se você é aquele cara que sempre curtiu o grupo e veio comprando cada álbum que colocavam no mercado, pode passar batido.

Gravado em 1999 em Atlanta, a apresentação marcava o retorno de DeVille à banda. Embora, tecnicamente falando, Richie Kotzen e Blues Saraceno fossem infinitamente superiores ao rapaz, a popularidade havia caído muito. Me questiono ainda se por causa do guitarrista ou se por causa da mudança de rumo. Em Native Tongue e Crack a Smile, embora fossem ótimos discos e ainda mantivesse a veia hard rock, eles haviam perdido um pouco o clima festeiro e traziam uma aproximação maior com o blues, especialmente o trabalho gravado com Kotzen. Desde que o musico original retornou, essas características foram abandonadas, voltando ao clima inicial.

O repertório é realizado em cima dos 3 primeiros discos – os ótimos Look What The Cat Dragged In, Open Up And Say Ahh... e Flesh & Blood – e realmente trazem um clima nostálgico durante a audição. Nunca fui fã de ficaram cortando os discos nas reedições, sempre defendi a idéia de que deveriam manter o trabalho idealizado pelo artista, mas certamente trata-se de uma audição divertida. Se você curte rock n roll simples, para cima e com refrões cativantes, pode comprar sem medo.

Nota: 08/10
Status: Nostalgico

Faixas:
01) Look What The Cat Dragged In
02) I Want Action
03) Something To Believe In
04) Love On The Rocks
05) Fallen Angel
06) Let It Play
07) Every Rose Has It´s Thorn
08) Uskinny Bop
09) Nothin´ But a Good Time
10) Talk Dirty To Me

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Anathema – Weather Systems (2012):




Durante o mês de Janeiro, o Riff Virtual está de férias. Nesse período, estaremos reprisando algumas de nossas melhores matérias. A partir de 1 de Fevereiro estaremos de volta com matérias inéditas. Obrigado pelo apoio. Rock On!



Por Rafael Menegueti

É impressionante notar a mudança na sonoridade do Anathema ao longo dos anos. A banda de Liverpool, Inglaterra, começou sua carreira como uma banda de doom/death metal, lá pelo começo dos anos 90. Veio então algumas mudanças, na formação e, principalmente, no estilo. Com o passar dos tempos ela foi ficando mais gothic metal, depois mais progressiva, e aos poucos o metal foi dando espaço a um rock cada vez mais próximo de influencias como o rock clássico e um novo estilo de rock progressivo.

Entre muitas experiências e evoluções ao longo de mais de vinte anos e oito álbuns de estúdio, a banda lançou seu mais recente trabalho, “Weather Systems”, em 2012. O nono álbum de estúdio da banda segue uma linha extremamente talentosa, com composições melódicas e cheias de arranjos. A divisão dos trabalhos vocais da cantora Lee Douglas e dos irmãos vocalistas/guitarristas Daniel e Vincent Cavanagh é excelente. Varias das músicas parecem crescer e ganhar ainda mais vida durante sua execução, como em Sunlight.

Já na música The Storm Before The Calm, a banda mistura dedilhados de guitarra com sintetizadores, criando um som atmosférico e sombrio. Em vários momentos do disco essas características deixam o som da banda mais interessante, tornando difícil citar uma canção chata de se escutar. E olhe que eu tenho um pé atrás quando se trata de bandas que experimentam um som progressivo unido a coisas como sintetizadores. Geralmente tendem a serem tediosas, mas não é o caso com o Anathema.

Os integrantes do Anathema
De fato essa me parece uma das melhores bandas independentes da atualidade, não só pela criatividade como pelo talento. As músicas de “Weather Systems” me fazem lembrar de grandes bandas como Pink Floyd, The Cult, Jethro Tull, Paradise Lost, ou até de bandas mais atuais como Florence & The Machine, Civil Twilight e algumas coisas de Coldplay. Acho até difícil entender como uma banda tão boa permanece praticamente anônima lançando trabalhos tão completos e bem elaborados quanto este.

Portanto, se você busca uma banda diferente, criativa e que tenha músicas fortes, marcantes e que misturem melancolia, melodia e uma incrível relação entre momentos suaves e outros mais rápidos, o Anathema é a escolha certa. E vamos ficar no aguardo, pois é bem provável que os ingleses lancem um novo trabalho esse ano.

Nota: 9/10
Status: Alucinante

Faixas:
1. "Untouchable, Part 1"
2. "Untouchable, Part 2"
3. "The Gathering of the Clouds"
4. "Lightning Song"
5. "Sunlight"
6. "The Storm Before the Calm"
7. "The Beginning and the End"
8. "The Lost Child"
9. "Internal Landscapes" 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Angra - Angels Cry 20th Anniversary Tour DVD (2014)



Durante o mês de Janeiro, o Riff Virtual está de férias. Nesse período, estaremos reprisando algumas de nossas melhores matérias. A partir de 1 de Fevereiro estaremos de volta com matérias inéditas. Obrigado pelo apoio. Rock On!




Por Davi Pascale

Acaba de chegar às lojas o segundo DVD ao vivo do Angra. Na minha opinião, uma das melhores bandas de heavy metal do Brasil. Para mim, os grupos que estão no mesmo nível (embora não pertençam à mesma vertente) são o Dr. Sin, o Sepultura e o Korzus. Os caras fizeram vários discos de altíssimo nível (tudo bem, os dois últimos foram menos inspirados, concordo), possuem excelentes instrumentistas e conseguiram conquistar uma legião de fãs bem fiéis. Perfeito, não é? Bem, nem tanto!

Os músicos sempre tiveram dificuldade em manter uma formação estável. E as saídas são sempre polêmicas, o que faz com que algumas pessoas criem uma certa antipatia com os rapazes. Muitos questionam sobre uma possível volta do Andre Matos ao Angra. Sei que irão me crucificar, mas depois do que vi nas ultimas apresentações dele, torço para que não ocorra. André não consegue mais atingir varias notas que atingia e os falsetes dele estão cada vez piores, muitos simplesmente não saem. Tendo em vista, tudo o que ele construiu com os rapazes, é melhor que não retorne, senão irá frustrar. Tenho enorme respeito pelo Andre, mas ele não atravessa uma boa fase.

Fabio Lione, por outro lado, é um dos grandes vocalistas da cena metal atual. Sempre me chamou a atenção. Tanto no Rhapsody quanto no Vision Divine. E, certamente, é o melhor cantor que já passou pelo Angra. A maioria das notas que Andre e Edu faziam no falsete, Lione faz no gogó. São pouquíssimas as vezes que recorre ao recurso. A versão de “Nothing To Say”, por exemplo, ficou matadora. Sem contar que ele tem um domínio vocal muito superior. Sem duvidas, uma escolha acertada. Espero que continue na banda.

O setlist é bem dosado e passa por todos os discos. Eu, particularmente, gostaria de ter escutado algumas coisas que ficaram de fora como “Streets of Tomorrow”, “Metal Icarus” e “Angels And Demons”, mas não dá para dizer que é um repertório fraco. Longe disso! Em relação aos músicos, a banda está bem entrosada. Ricardo Confessori, que costuma ser massacrado por muitos seguidores, fez uma bela performance. Falar que Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt são grandes guitarristas é chover no molhado, então não perderei meu tempo.

Tarja Turunen deu aula de interpretação em "Stand Away"
Como se não bastasse a atuação de Fabio Lione, os caras trouxeram algumas participações especiais muito interessantes. Almicar Christofaro, conhecido por seu trabalho no Torture Squad, interpretou “Evil Warning”. Embora esteja acostumado com um estilo distinto, o rapaz se saiu bem. De brasileiro, teve também a participação (dispensável) da Familia Lima. Não acrescentaram nada. Nem pra mais, nem pra menos. Poderiam ter utilizado um sampler que daria no mesmo. O mais legal, contudo, são as atrações internacionais. A musa Tarja Turunen cantou duas faixas: “Stand Away” (onde brilhou com uma performance impecável e capaz de deixar os ex-vocalistas envergonhados – e olha que os caras são bons) e “Wuthering Heights”. Essa ultima, achei a parte vocal razoável. A moça se saiu bem, mas achei a linha operística de Lione estranha. No hit de Kate Bush tivemos ainda outra participação especialíssima: o grande guitarrista Uli Jon Roth. Outro que dispensa comentários. Se você nunca ouviu esse cara tocar, apenas duas palavras: corra atrás!

Gravado numa noite inspirada, em um HSBC lotado e com uma platéia empolgada, o item se faz necessário na coleção de qualquer fã que se preze. Com uma bonita embalagem, extras interessantes (embora curtos) e excelente qualidade de gravação, o DVD tem de tudo para agradar seus seguidores. Quanto ao Angra, espero que eles consigam dar a volta por cima e consigam estabilizar a formação. Torço para que voltem ao topo!

Nota: 08/10
Status: Empolgante!

Faixas:
  01)   Angel´s Cry
  02)   Nothing to Say
  03)   Waiting Silence
  04)   Lisbon
  05)   Time
  06)   Millenium Sun
  07)   Winds of Destination
  08)   Gentle Change
  09)   The Voice Commanding You
  10)   Late Redemption
  11)   Reaching Horizons
  12)   A Monster In Her Eyes
  13)   No Pain For The Dead
  14)   Stand Away
  15)   Wuthering Heights
  16)   Evil Warning
  17)   Unfinished Allegro/Carry On
  18)   Rebirth
  19)   In Excelsis/Nova Era
  20)   Gate XIII
  21)   Coroa Imperial/Caça e Caçador (Extras)

domingo, 25 de janeiro de 2015

Sonata Arctica – Pariah’s Child (2014)



Durante o mês de Janeiro, o Riff Virtual está de férias. Nesse período, estaremos reprisando algumas de nossas melhores matérias. A partir de 1 de Fevereiro estaremos de volta com matérias inéditas. Obrigado pelo apoio. Rock On!




Por Rafael Menegueti
Os finlandeses do Sonata Arctica são experts na arte de fazer heavy metal capaz de esquentar até a mais gélida região da Europa. Seu power metal com influencias folk e temas variados, com letras bem escritas, é um dos exemplos do porque a Finlândia pode ser considerada a terra do metal na Europa.

Em “Pariah’s Child” a banda volta a abordar a metáfora e a imagem do lobo, tão usada pela banda em seus trabalhos, mas deixada de lado em “Stones Grow Her Name”. A banda de fato busca uma volta às origens nesse disco, embora seja possível perceber influencias de varias épocas da banda nesse trabalho.

O disco promete agradar os fãs que esperavam essa dita volta às origens. As faixas tem uma levada rápida, pesada, bem característica do power metal. A faixa que abre o disco, e também é o primeiro single, “The Wolves Die Young”, tem um riff muito bom e uma melodia contagiante. “Running Child” seria apenas uma faixa bônus da edição japonesa, mas agradou tanto os músicos que virou a segunda faixa do disco, e é um tributo a Lou Reed. “Cloud Factory” e “Blood” são duas faixas bem pesadas e aceleradas, que se destacam nessas características. A ótima “What Did You Do In the War, Dad?”, alem de “Take One Breath” e “Larger Than Life” podem ser consideradas as mais progressivas do disco. Já em “Half A Marathon Man” a banda usa um estilo mais proximo do classic rock, com uma levada meio hard rock, e pode ser considerada uma das melhores do disco.

Esse é o oitavo disco da banda finlandesa.
Não preciso falar da ótima performance vocal de Tony Kakko, pois isso é sempre certo em qualquer trabalho da banda. O que chama a atenção são os arranjos de órgão, muito usados nas músicas, alem das linhas de baixo do novo baixista Pasi Kauppinen, bem aparentes e destacadas nas faixas. Com todas essas novidades no som da banda, fica difícil dizer qual é a direção que a banda toma em suas composições. A capacidade inventiva da banda nesse álbum esta mais evidente do que nunca. E a banda conseguiu produzir um álbum cheio de inovações e boas inspirações por isso. “Pariah’s Child” é sem duvida um disco que merece ser ouvido.

Nota:9/10
Status: Criativo

Faixas:
01. The Wolves Die Young
02. Running Lights
03. Take One Breath
04. Cloud Factory
05. Blood
06. What Did You Do In The War, Dad?
07. Half A Marathon Man
08. X Marks The Spot
09. Love
10. Larger Than Life