terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Steel Panther – All You Can Eat (2014)



Durante o mês de Janeiro, o Riff Virtual está de férias. Nesse período, estaremos reprisando algumas de nossas melhores matérias. A partir de 1 de Fevereiro estaremos de volta com matérias inéditas. Obrigado pelo apoio. Rock On!




Por Davi Pascale

E eis que o Steel Panther chega ao seu terceiro álbum. Contrariando todas as expectativas, o grupo vem em  uma crescente, mesmo apostando em uma sonoridade que não está mais em evidência. O bom humor dos rapazes parece ter conquistado uma nova geração de roqueiros.

Steel Panther não é um grupo sério. É uma sátira. Os músicos apostam em letras humorísticas e usam nome fictícios. A ideia é parecida com a do Massacration. A diferença é que enquanto o grupo de Detonator faz uma sátira de metal em geral, a banda de L.A. foca na cena que foi tão popular em sua cidade (e no resto do mundo) nos anos 80, o hair metal.

Na década de 80 tivemos vários movimentos fortes. A cena pop popularizando nomes como Madonna, Cyndi Lauper e Prince. A cena metal lançando diversos grupos que hoje são ícones como Metallica, Slayer e Megadeth. O pós-punk do Echo & The Bunnymen, o gótico do Sisters of Mercy e, é claro, o famoso hair metal que nada mais era do que bandas de hard rock que utilizavam visual extravagante e contavam com refrões pegajosos. Bandas populares na época? Inúmeras! Poison, Firehouse, Dokken, Warrant...

Grupo trabalha com sátira à cena hair metal
Os músicos mantiveram também o visual da época. Os cabelos volumosos, as roupas coloridas, shows coreografados. Outra diferença em relação ao grupo formado pelos humoristas da MTV, é que os garotos de L.A. são músicos profissionais e alguns deles já tiveram envolvimento com nomes conhecidos. Satchel é na verdade Russ Parish, músico de estúdio que já chegou a excursionar ao lado de Paul Gilbert (Mr. Big). Michael Starr é o codinome de Ralph Saenz, conhecido por interpretar David Lee Roth no Atomic Punk (banda cover do Van Halen) e por sua participação no grupo L.A. Guns (um dos grupos que fizeram parte da cena oitentista) com quem gravou o (ótimo) Ep Wasted.

Não é raro escutarmos o rapaz dando os gritinhos de Diamond Dave durante o álbum. “Gangbang At The Old Folks Home” bebe na fonte do Van Halen em termos de arranjo. Tirando o refrão alegrinho, o resto da música poderia ser parte de alguma canção do grupo Eddie Van Halen. Tanto a linha vocal dos versos quanto o trabalho de guitarra nos remetem ao grupo. Em “The Burden of Being Beautiful” nos levam direto ao Def Leppard faseHysteria.

As letras têm um ponto em comum com o movimento da época. Tratam, na maior parte do tempo, sobre farrear com garotas. A diferença é que aqui as letras são totalmente escrachadas. Desde “Gloryhole”, onde descreve uma “experiência” em uma boate da França onde recebia sexo oral com alguém que estava do outro lado da parede, sem se preocupar sobre quem estava realizando a tarefa, até a já citada “Gangbang At The Oldfolks”, onde narra uma entrega de pizza onde o pagamento foi uma experiência sexual com senhoras da terceira idade. Como já notaram, quem quiser se divertir com o disco, terá que deixar os pudores de lado e encarar tudo isso como uma grande piada, uma grande diversão. Até porque é disso que se trata mesmo...

Nota: 8,5 / 10,0
Status: Hilário

Faixas:
      01)   Pussywhipped
      02)   Party Like Tomorrow Is The End Of The World
      03)   Gloryhole
      04)   Bukkake Tears
      05)   Gangbang At The Old Folks Home
      06)   Ten Strikes You´re Out
      07)   The Burden Of Being Wonderfuk
      08)   Fuckin´ My Heart In The Ass
      09)   B.V.S.
      10)   You´re Beautiful When You Don´t Talk
      11)   If I Was The King
      12)   She´s On The Rag

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Arkona – Yav (2014)



Durante o mês de Janeiro, o Riff Virtual está de férias. Nesse período, estaremos reprisando algumas de nossas melhores matérias. A partir de 1 de Fevereiro estaremos de volta com matérias inéditas. Obrigado pelo apoio. Rock On!



Por Rafael Menegueti

Mais uma banda de folk metal da Europa dando as caras por aqui. Dessas vez, os rusos do Arkona. A banda é famosa pelo seu som que une influencias da música tradicional eslava, com letras de temática pagã e forte influencia de black metal. O grupo lançou nesse ano seu sétimo disco de estúdio, “Yav”, e é sobre ele q eu falo hoje.

Para quem não está familiarizado com o folk metal, pode parecer estranho ver uma banda como o Arkona em ação. As letras são totalmente em russo, e a banda se veste como se fossem guerreiros pagãos da idade média. A vocalista Masha “Screams” é o grande destaque da banda. A frontwoman possui um vocal forte, cheio de energia e faz guturais como poucas. A velocidade e a sonoridade atmosférica dão um ar épico ao som do grupo.

Em “Yav” a banda busca ampliar esses horizontes e fugir dos lugares comuns, evitando um disco previsível. Abrindo com a longa e caótica “Zarozhdenie”, que já nos mostra o caminho que o disco pretende seguir. São ao todo quase 70 minutos de puro metal pagão. Na segunda faixa, “Na Strazhe Novyh Let”, podemos conferir uma banda mais melodica, e com uma velocidade propria do estilo, quase tendendo novamente ao black metal.

Os russos do Arkona: metal extremo pagão
Apesar de contar com apenas nove músicas, é muito improvável que os fãs do grupo ou do estilo venham a se incomodar com isso. A banda usa bem o tempo do disco, fazendo com que ele flua sem enjoar, com um som que varia e muda de cara a cada instante. O resultado é um disco maduro, que vai alem do que os fãs de folk metal estão acostumados, e repleto de riffs pesados, velozes e arranjos envolventes. Masha consegue dar uma atmosfera ainda mais épica com seus vocais cheios de personalidade e força. O novo baterista, Andrey Ishchenko, também mostra estar bem entrosado, e imprime uma velocidade e precisão impressionantes, mantendo o nível dos trabalhos anteriores.

“Yav” pode ser considerado um dos melhores trabalhos deles, e uma evolução natural do estilo que a banda já vinha desenvolvendo em outros discos. Desde “Goi, Rode, Goi” (2009) o trabalho do Arkona vem crescendo em importância e qualidade de modo imensurável dentro do folk metal. Banda obrigatória, lançamento obrigatório para todos os fãs do gênero.

Nota: 10/10
Status: imponente

Faixas:

01. Zarozhdenie
02. Na strazhe novyh let
03. Serbia
04. Zov pustyh dereven'
05. Gorod snov
06. Ved'ma
07. Chado indigo
08. Jav'
09. V ob'jat'jah kramoly

domingo, 18 de janeiro de 2015

Nervosa - Victim Of Yourself (2014)



Durante o mês de Janeiro, o Riff Virtual está de férias. Nesse período, estaremos reprisando algumas de nossas melhores matérias. A partir de 1 de Fevereiro estaremos de volta com matérias inéditas. Obrigado pelo apoio. Rock On!




Por Davi Pascale

Depois de um EP bem sucedido, o trio paulista Nervosa lança seu primeiro full-length. Apostando em uma sonoridade thrash metal tradicional, as garotas vêm crescendo na cena, mas ainda lutam contra preconceito de fãs mais ortodoxos. Os fãs do gênero, entretanto, não têm do que reclamar.

O EP foi lançado de maneira independente em 2012. O clipe de “Masked Betrayer” foi bem visualizado no Youtube e logo começaram as discussões. Havia quem elogiasse, havia quem acusasse o grupo de aparecer por conta de mídia (?!?)  e por conta da beleza das garotas. As meninas realmente são bonitas, mas quem acusa de ser um grupo pré-fabricado pela mídia, está vivendo em outro planeta. Elas são bem faladas na mídia especializada, mas nas grandes emissoras e publicações, passam longe. Até porque o som delas está longe de poder ser considerado comercial. Vamos ser um pouquinho mais sensatos.

Nesse meio-tempo, a baterista Fernanda Terra abandonou o grupo. Embora Pitchu Ferraz já seja creditada no encarte como a nova integrante, aparecendo inclusive nas fotos, quem ficou responsável pela gravação foi Amilcar Christófaro (Torture Squad). Já tive a oportunidade de assisti-las ao vivo com a nova baterista. Podem ficar tranquilos. A mina manda bem. A sonoridade explorada no álbum é um thrash metal oitentista com fortes influências de Slayer, Exodus, Kreator e Sepultura fase Beneath the Remains. Legal ver novos conjuntos indo por esse caminho...

As letras abordam os problemas vividos pela sociedade no mundo atual. Impunidade (Twisted Values), pedofilia (Justice Be Done), violencia (Morbid Courage), depressão (Envious). Está tudo aqui com a opinião de Fernanda Lira (principal letrista do grupo), devidamente retratada. Embora o disco tenha sido gravado no final do ano passado, boa parte das composições já existiam há algum tempo. Sendo assim, sua ex-baterista é creditada em várias faixas como co-autora.

Grupo se destaca com álbum de estreia

Prika Amaral destaca-se no disco com ótimos riffs de guitarra. Desde o trabalho que Syang realizou no extinto P.U.S. que não via riffs tão legais criados por uma garota (falando na cena de metal brasileira, é claro). Fernanda Lira também ganha destaque no disco. Não por suas linhas de baixo (que embora esteja bem tocado, são simplistas. Na maior parte do tempo só rola marcação), mas por seu ótimo trabalho vocal. A garota faz um vocal agressivo, porém intelígível. Em boa parte do tempo, seu estilo vocal nos remete à Marcel Schmier (Destruction) e Mille Petrozza (Kreator).

O álbum foi produzido por Marcello Pompeu e Heros Trench (vocalista e guitarrista do lendário Korzus). Justamente por fazerem parte dessa cena há décadas, estão carecas de saber como um disco desse gênero deve soar. A arte grafica também nos remete à decada de ouro do gênero. Ficou bacana e, para ser honesto, atualmente é um trabalho arriscado. Vários elementos visuais daqueles tempos atualmente são vistos como ultrapassados, mas conseguiram achar uma equação bacana. As caveirinhas me remeteram aos  meus tempos de infância quando ouvia os primeiros álbuns do Megadeth sem parar no meu toca-discos.Victim of Yourself mostra um grupo competente, cheio de garra, com um caminho promissor pela frente. Vamos ver o que vem por aí. Espero que não se percam no caminho...

Nota: 7,5 / 10,0
Status: thrash old-school

Faixas:
01) Intro
02) Twisted Values
03) Justice Be Done
04) Wake Up And Fight
05) Nasty Injury
06) Envious
07) Morbid Courage
08) Death!
09) Into Moshpit
10) Deep Misery
11) Victim of Yourself
12) Urânio em Nós