quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Jon Bon Jovi – Destination Anywhere (1997)

Durante o mês de Janeiro, o Riff Virtual está de férias. Nesse período, estaremos reprisando algumas de nossas melhores matérias. A partir de 1 de Fevereiro estaremos de volta com matérias inéditas. Obrigado pelo apoio. Rock On!



Por Davi Pascale

Em 1997, o cantor de New Jersey, Jon Bon Jovi lançava seu segundo trabalho longe da banda. Além do CD, foi lançado um filme homônimo, inspirado nas canções do álbum. Embora contasse com alguns hits, o disco dividiu a opinião dos fãs.

A película teve sua estréia nos canais televisivos VH1 e MTV em 16 de Junho de 1997. Dirigido por Mark Pellington, conta a história de um jovem casal que luta contra o alcoolismo e a morte de seu filho. Embora tenha um cast de peso – com presença de artistas como Demi Moore, Kevin Bacon e Whoopi Goldberg – o filme não convence. Principalmente porque Jon Bon Jovi, embora seja um excelente cantor e compositor, é péssimo ator e escolheu um papel que pede toda uma dramaticidade que ele não tem. O rapaz vivia na época um grande assédio feminino e acreditou, por alguns momentos, que poderia apostar em seu visual para emplacar no cinema. Não deu certo. E olha que ele que essa não foi sua única tentativa (fracassada) de entrar no hall de estrelas de Hollywood.

Se por um lado, o filme deixava a desejar, o mesmo não podemos dizer de seu álbum. Em Destination Anywhere, sua primeira (e até agora, única) tentativa solo desde a trilha sonora de Young Guns, Jon nos entregava um álbum maduro, moderno, inspirado e sem a cara do Bon Jovi. Quando escutamos o material, não nos questionamos ‘por que gravar sozinho’. Em Young Guns até tínhamos algumas canções que poderiam fazer parte de sua banda principal – como “Blaze of Glory” e “Billy Get Your Guns”, por exemplo – mas não aqui.

Jon Bon Jovi e Demi Moore em cena do filme
Jon ousou trazendo novas referencias em seu som, como bateria programada em algumas faixas. Seu estilo de letra e seu estilo de cantar não sofreram grandes alterações, embora aqui procurasse cantar, na maior parte do tempo, em uma região mais baixa. Não me recordo de nenhum momento do disco onde ele ataque a voz lá em cima como fez em canções como “Always” e “I´ll Be There For You”. Mesmo assim, seu trabalho vocal não está longe daquilo que esperamos dele.

Justamente por essa mudança de postura – que acabava deixando as faixas menos alegres – os fãs mais antigos não compreenderam o material. Diziam que era chato, sem sal. Nem um, nem outro. Considero um dos últimos grandes discos feitos pelo rapaz. Muitos insistem em olhar com um certo desdém justamente por não ter a cara do Bon Jovi. Mas, acredito que se for para fazer sozinho, que seja exatamente isso. Caso contrário, qual a lógica?

Mesmo com muitos torcendo o nariz, não dá para dizer que foi um fracasso comercial. Faixas como “Janie, Don´t You Take Your Love to Town” e “Midnight in Chelsea” tocaram bastante nas rádios e o álbum chegou a ganhar até uma edição especial. Para mim, os grandes destaques, entretanto, ficam por conta de “Queen of New Orleans”, “Ugly”, “Everyword Was a Piece Of My Heart”, “Destination Anywhere” e “Naked”.

Cantor durante apresentação no Rio de Janeiro
John Bongiovi chegou a fazer uma turnê para divulgar seu novo material. O setlist misturava canções de seus dois trabalhos solo com algumas faixas do grupo que o tornou famoso. Na sua banda de apoio, estavam o baixista Hugh Mcdonald e o guitarrista Bobby Bandiera (que está atualmente no Bon Jovi junto com Phil X, ambos tentando substituir Richie Sambora). Nessa mesma época, o cantor passou pela quarta vez ao Brasil para uma apresentação acústica no Hard Rock Café (Rio de Janeiro) e algumas participações televisivas. Entre elas, a catastrófica performance do músico no extinto Programa Livre. A arrogância do cantor fez com que o mesmo perdesse vários fãs na ocasião.

Não demoraria muito e o Bon Jovi retornaria à ativa lançando a (excelente) faixa “Real Life” como trilha de Ed TV e, logo em seguida, o (ótimo) Crush. Os últimos momentos realmente mágicos. De lá para cá, a banda lançou alguns trabalhos bons (como Bounce e The Circle), mas nunca mais com o brilho de outrora. E agora, sem Richie Sambora, acho ainda mais difícil se reerguerem. Realmente uma pena.

Faixas:
      01)   Queen of New Orleans
      02)   Janie, Don´t You Take Your Love to Town
      03)   Midnight In Chelsea
      04)   Ugly
      05)   Staring At Your Window With a Suitcaise In My Hand
      06)   Everyword Was a Piece of My Heart
      07)   It´s Just Me 
      08)   Destination Anywhere
      09)   Learning How to Fall
      10)   Naked
      11)   Little City 
      12)  August 7, 4:15

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Within Temptation – Hydra (2014):

Durante o mês de Janeiro, o Riff Virtual está de férias. Nesse período, estaremos reprisando algumas de nossas melhores matérias. A partir de 1 de Fevereiro estaremos de volta com matérias inéditas. Obrigado pelo apoio. Rock On!



Por Rafael Menegueti

Criatividade alem de qualquer expectativa. É assim que eu começo a definir o novo trabalho da banda de metal sinfônica holandesa Within Temptation, Hydra. Não seria difícil essa banda me agradar, uma vez que sou fã dos trabalhos da banda há tempos. Mas eu não imaginava que o novo disco fosse me agradar tanto. Ainda mais quando eu me lembrava do trabalho anterior da banda, The Unforgiving, que confesso, me deixou um pouco decepcionado.

O novo trabalho conta com uma musicalidade típica do metal sinfônico. Os riffs empolgantes, a melodia combinada com os vocais bem trabalhados de Sharon Den Adel. Sem falar nas orquestrações e arranjos, que dão um toque mais atmosférico às músicas. Alem das claras influencias de rock tradicional e alternativo em algumas faixas. Se eu já esperava isso antes de ouvir o disco, depois eu apenas comprovei que minhas expectativas foram mais do que superadas. Isso porque a proposta da banda nesse disco é misturar diversas inspirações e influencias musicais para dar ao ouvinte uma experiencia completa.
 
A atual formação do Within Temptation
 
 Hydra ainda conta com participações especiais que certamente serviram para aumentar minha surpresa com esse novo trabalho. Não me senti surpreso com a participação de Tarja em “Paradise (What About Us?), pois pra mim já era certo que esse seria o ponto alto do disco. Mas estava bastante curioso quanto aos outros nomes envolvidos. Dave Pirner, do Soul Asylum, apareceu muito bem no dueto com Sharon em “Whole World Is Watching”.Howard Jones (ex-Killswitch Engage, Devil You Know), foi uma ótima adição à “Dangerous”. E a participação do rapper Xzibit (a que mais me deixou curioso) em "And We Run" não teve aquele ar de oportunismo que essas parcerias de músicos de rock e rap costumam ter, foi simples e bem elaborada.

Outro ponto forte do disco está na arte. A capa do disco é uma das mais bonitas que a banda já lançou. E a arte do encarte ainda conta com diversas fotos da banda e até das participações especiais. Somado ao fato de que o disco é um dos melhores já lançados pelos holandeses, “Hydra” é certeza de um bom investimento para qualquer fã de rock e metal sinfônico.

Nota: 9/10
Status: Surpreendente

Faixas:
1. "Let Us Burn"
2. "Dangerous" (Participação de Howard Jones)
3. "And We Run" (Participação de Xzibit)
4. "Paradise (What About Us?)" (Participação de Tarja Turunen)
5. "Edge of the World"
6. "Silver Moonlight"
7. "Covered by Roses"
8. "Dog Days"
9. "Tell Me Why"
10. "Whole World is Watching" (Participação de Dave Pirner)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Kiss: Por trás de Rock n Roll Over



Durante o mês de Janeiro, o Riff Virtual está de férias. Nesse período, estaremos reprisando algumas de nossas melhores matérias. A partir de 1 de Fevereiro estaremos de volta com matérias inéditas. Obrigado pelo apoio. Rock On!



Por Davi Pascale

Em 1976, o Kiss começava a crescer. Depois de fracassarem em 3 lançamentos, os álbunsKiss Alive!, lançado um ano antes, e Destroyer tiveram boa repercussão. Contudo, Gene e Paul não estavam seguros se queriam passar por tudo aquele pesadelo novamente. O LP produzido por Bob Ezrin, embora trouxesse seu maior sucesso até então (a balada Beth), havia sido produzido de maneira desgastante. Os músicos queriam fazer as coisas de maneira mais simples e, para isso, trouxeram de volta ao estúdio o antigo parceiro Eddie Kramer. 

Destroyer era um álbum quase experimental, contando com orquestrações, corais e efeitos sonoros entre as músicas. Para o álbum seguinte, queriam retornar ao básico. A idéia era trazer o som da banda no palco para o vinil. É por essa razão que o vocalista Paul Stanley diz que acredita que não atingiram seus objetivos em Rock n Roll Over. O cantor gosta das músicas, mas acha o som limpo demais. Ele queria o som das guitarras mais pesadas, queria que o disco soasse mais cru.

Agora não dá para dizer que a metodologia tenha sido errada. Pelo contrario, na gravação do LP, não foi utilizado o método de gravar um instrumento por vez. Foi utilizado o método de se gravar tocando ao vivo. O local escolhido foi o The Star Theater, em Nova Iorque. Não, você não leu errado. Não foi em um estúdio, foi em uma casa de shows. Segundo Gene Simmons, o local comportava um publico entre 2.000 e 3.000 pessoas. Para a gravação, eles montaram todo o set no palco, como se fossem fazer um concerto realmente. A única diferença é que Peter Criss não estava nesse palco. A bateria foi gravada dentro do banheiro da casa (por conta da acústica) e o músico se comunicava com os demais integrantes através de vídeo.

Não concordo com Stanley. Gosto muito da sonoridade desse álbum. Talvez o músico acredite que o som tenha soado magro porque ainda tinha em sua mente a sonoridade das primeiras demos, gravadas 3 anos antes. Aliás, os músicos sempre a citavam como referencia para o produtor. Agora... Devemos lembrar que nessa altura do campeonato, os caras já tinham um pouco mais de experiência, equipamentos melhores... Isso tira um pouco dessa crueza naturalmente.

Álbum foi gravado em um teatro vazio

Para compor o disco, foram utilizadas músicas escritas durante a turnê de Destroyer. Algumas demos de trabalhos anteriores foram reaproveitadas também. Algumas vezes, duas canções foram juntadas em uma. Caso de “Calling Dr. Love” que nasceu de uma mistura entre “Bad Bad Lovin´” e “High and Low”. Uma curiosidade bacana é da faixa ainda inédita “Queen for a Day”. Ainda não consegui encontrar nenhum bootleg que tenha ela. Essa é a estréia de Ace Frehley nos vocais. A música acabou não indo para o disco porque o Spaceman não se sentia confiante para cantar ao vivo. “Hard Luck Woman”, imortalizada na voz de Peter Criss, foi composta por Stanley. The Starchild a escreveu pensando em entregá-la para Rod Stewart, mas de ultima hora acabou entregando para o baterista porque acreditava que ela poderia se tornar a segunda “Beth”.

Para aumentar a curiosidade do lançamento do novo trabalho do Kiss, o grupo gravou uma participação no televisivo “Paul Lyndes Halloween Special”. No programa, contudo, não houve nenhuma prévia do novo LP. O quarteto resolveu atacar 3 musicas do Destroyer: “Beth”, “Detroit Rock City” e “King Of The Knightime World”. Embora tenha ido ao ar na noite de Halloween (31 de Outubro), o programa foi gravado dois dias antes. Na noite da famosa festa, Simmons e Stanley resolveram assistir um show em uma famosa casa de Los Angeles, o Gazzarries. A atração daquela noite era o The Boyz.

Esse não foi a única vez que The Demon os assistiu. Alguns meses antes, esteve em uma apresentação deles no Starwood, em Hollywood, quando dividiram o palco com Bebe Buell. Naquela noite, havia um artista convidado que chamou a atenção de Gene Simmons e o levou a produzir a primeira demo dos rapazes. O nome dessa atração? Van Halen! Quando o vocalista dos The Boyz, Michael White, foi contar essa história ele falou de uma apresentação onde eles estavam dividindo o palco com o Van Halen, mas que a banda dele havia feito uma má apresentação, enquanto o grupo de David Lee Roth havia brilhado. Essa, entretanto, não é a versão contada por Gene. E as datas dadas por White também não batem com a agenda do Van Halen. O grupo tocou com os The Boyz, mas não no período afirmado pelo musico. O grupo de Michael White não fez sucesso, mas dois de seus músicos conquistaram fama na década seguinte: o guitarrista George Lynch e o baterista Mick Brown. Para quem não se lembra, eles atingiram o sucesso ao lado do Dokken.

Capa da rara edição argentina
O LP foi bem nas paradas, mas não repetiu o sucesso do trabalho anterior. Rock n Roll Over atingiu disco de ouro, enquanto Destroyer atingia disco de platina. Esse trabalho existe com pelo menos 4 capas diferentes. No Mexico existem duas edições alternativas (Com Todo El Poder De La Musica e 30 Anos de Musica: Rock Salvat), editadas em 1984, cada uma com uma imagem. Na Argentina, também foi lançada uma outra capa, mantendo seu título original. Como curiosidade, vale lembrar que foi na turnê desse álbum que o guitarrista Ace Frehley foi eletrocutado durante uma apresentação em Georgia, em 24 de Novembro. O guitarrista pisou em um fio não aterrado enquanto descia as escadas do palco. O show, entretanto, não foi cancelado. A apresentação foi interrompida até que o músico se recuperasse. Logo depois, os mascarados retornaram ao Lakeland Civic Center para entregar aos seus fervorosos fãs o show mais quente do mundo. Pelo visto, nada, nem ninguém poderia apagar a chama do Kiss.  

Faixas:

01) I Want You
02) Take Me
03) Calling Dr. Love
04) Ladies Room
05) Baby Driver
06) Love ´Em Leave ´Em
07) Mr. Speed
08) See You In Your Dreams
09) Hard Luck Woman
10) Makin´ Love

domingo, 11 de janeiro de 2015

Stream of Passion – A War of Your Own (2014)



Durante o mês de Janeiro, o Riff Virtual está de férias. Nesse período, estaremos reprisando algumas de nossas melhores matérias. A partir de 1 de Fevereiro estaremos de volta com matérias inéditas. Obrigado pelo apoio. Rock On!



Por Rafael Menegueti
Como dito ontem, chegou a hora de conhecermos mais sobre o novo disco do Stream of Passion, “A War of Your Own”. A banda holandesa trabalhou nesse disco com a ajuda de seus fãs, através de um crowdfunding, que levantou quase o dobro do valor que a banda pretendia. E os fãs foram presenteados por isso com um excelente disco.

“A War of Your Own”segue a mesma linha dos outros trabalhos da banda. Músicas com melodias suaves e peso nas guitarras. Ótimos vocais de Marcela Bovio, que mais uma vez usa a mistura de inglês e espanhol em suas letras. O disco tem uma pegada similar ao que bandas como Evanescence e Delain vem mostrando em seus últimos trabalhos, mas são definitivamente os vocais de Marcela que se diferenciam e se destacam na banda.

“Monster”, faixa que abre o disco, tem um excelente refrão e boas linhas de guitarra. A faixa titulo e a seguinte, “The Curse”, seguem a mesma linha. “Autophobia” já é mais calma, e tem uma melodia bastante agradável. Outra faixa muito boa é “Exile”, que começa com um riff pesado e tem letras em espanhol. “Delírio” e “Earthquake” também são destaques no álbum. O disco encerra com a boa e melodiosa “The Distance Between Us”.
Esse é o quarto álbum de estúdio dos holandeses
Como um todo, o disco é muito bom, apesar de não mostrar nenhuma inovação na sonoridade da banda. Assim como nos discos anteriores, os arranjos são simples e bem feitos, os solos de guitarra são bem elaborados e se destacam junto com os arranjos de piano/teclado e os vocais de Marcela. Como fã dessa banda, eu fiquei bem satisfeito, e espero ansiosamente por uma vinda da banda ao Brasil para vê-los ao vivo.

Nota: 8/10
Status: Excelente

Faixas:
1. Monster

2. A War Of Our Own
3. The Curse
4. Autophobia
5. Burning Star
6. For You
7. Exile
8. Delirio
9. Earthquake
10. Secrets
11. Don't Let Go
12. Out Of The Darkness
13. The Distance Between Us (Digipack Bonus Track)