segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Pato Fu – Não Pare Pra Pensar (2014):



Por Davi Pascale

Depois de sete anos desde seu último disco de inéditas, o grupo mineiro Pato Fu retorna com novo material e nova formação. Em um de seus melhores trabalhos, grupo resgata vários elementos do passado e traz participação especial de um famoso artista pop da década de 80.

Pato Fu não foi aquela banda que me conquistou de cara. Demorou um tempo até que conseguisse compreender a jogada do grupo. O fato de transitarem por diversos universos, me fazia acreditar que não tinham personalidade. Demorei a entender que esse era justamente o charme do grupo e que era aí que estava seu diferencial. Atualmente, acho uma banda interessante...

Não foi somente eu quem mudou. Algumas mudanças ocorreram na banda. O baterista Xande Tamietti, presente desde Gol De Quem?está fora. Sua saída não foi turbulenta. Não houve brigas e o cara não foi expulso também. Saiu por vontade própria, por querer se dedicar à outros projetos. Para seu lugar, veio Glauco Nastacia, do grupo Tianastácia. Aqui, assume o nome de Glauco Mendes. Se em Rotomusicliquidificapum Pato Fu era um trio, hoje são um quinteto. Lulu Camargo que entrou em 2005 como musico convidado, hoje é efetivo.

Xande tinha outro estilo de tocar. Glauco vem de outra escola. Toca mais pesado. E isso, de certa forma, deu uma revitalizada no som da banda. Aquela velha história: integrante novo, sangue novo. Claro quem mudança de integrante nunca é algo simples, mas o resultado final foi bem acima do esperado. Pelo menos no disco. Agora é esperar par ver como as músicas antigas vão soar com o rapaz nos shows. Os fãs das antigas poderão matar a saudade de Xande na releitura de “Mesmo Que Seja Eu”, clássico da dupla Roberto/Erasmo Carlos.

Disco apresenta sonoridade mais animada e conta com novo baterista

Se Daqui Pro Futuro apontava para um caminho mais calmo, Não Pare Pra Pensar é exatamente o oposto. Trabalho extremamente animado. O grupo volta a cruzar seu pop/rock com sonoridades dançantes. Outra característica que está de volta é o guitarrista John Ulhoa assumindo os vocais principais em algumas faixas do disco. Para ser mais especifico, o rapaz assume o vocal em “Ninguém Mexe com o Diabo” e em “You Have To Outgrow Rock n´ Roll”. Também canta junto com Fernanda a faixa-título.

Muitos voltam toda sua atenção à cantora Fernanda Takai e se esquecem que John é uma figura importante dentro do grupo. No novo trabalho, o rapaz compôs sozinho 8 das 11 músicas do repertório, além de ter sido o responsável pela gravação e pela mixagem do CD. 

Em “Pra Qualquer Bicho” trazem um dueto com o cantor Ritchie. Famoso por ter atingido as paradas nos anos 80 com canções como “Menina Veneno” e “A Vida Tem Dessas Coisas”, já havia feito participação especial em alguns shows do projeto Musica de Brinquedo e agora empresta sua voz à uma canção inédita.

Além das composições de John, outra característica marcante do grupo é, sem dúvidas, as linhas vocais de Fernanda Takai. E elas continuam intactas. Oras mais séria como em “Crédito ou Débito”, oras mais inocente como em “Eu Era Feliz”, mas sempre suave. Em Não Pare Pra Pensar temos o velho Pato Fu marcando território, fazendo um som que é ao mesmo tempo experimental e popular, rock e dançante, inteligente e radiofônico. Voltaram bem...

Nota: 8,5/10,0
Status: Animado

Faixas:
      01)   Cego Para as Cores
      02)   Crédito ou Débito
      03)   Ninguém Mexe Com o Diabo
      04)   Não Pare Pra Pensar
      05)   Eu Era Feliz
      06)   Um Dia Do Seu Sol
      07)   You Have To Outgrow Rock n´ Roll
      08)   Siga Mesmo No Escuro
      09)   Pra Qualquer Bicho
      10)   Mesmo Que Seja Eu
      11)   Eu Ando Tendo Sorte

domingo, 23 de novembro de 2014

Shadowside - Inner Monster Out (2011)

Por Rafael Menegueti

Shadowside - Inner Monster Out
Recentemente a banda de metal santista Shadowside anunciou que está começando a trabalhar em um novo álbum, que irá suceder o excelente “Inner Monster Out”, lançado em 2011. Por isso será dele que irei falar hoje.

Para quem não conhece, o Shadowside esta na estrada desde 2001 e já lançou três álbuns e uma demo. A banda já abriu shows de nomes como Helloween, Iron Maiden e Nightwish e faz um heavy metal de ótima qualidade, caracterizado pelos vocais femininos de Dani Nolden.

“Inner Monster Out” foi gravado na suécia, com produção de Frendik Nordström, e é um disco potente e com personalidade. Abre com “Gag Order”, faixa enérgica que dá o tom do que vem a seguir. O primeiro single lançado para esse disco vem em seguida, “Angel with Horns”. “Habitchual” é outra faixa bacana, e que recentemente ganhou um videoclipe.

Os membros do Shadowside
O trabalho tem faixas que privilegiam a força e a potencia do metal. Vocais eficientes, bateria e guitarras com muito peso e riffs agitados e fazem do disco uma porrada na orelha. Em nenhum momento a banda deixa o ritmo diminuir. Os solos de guitarra também são um ponto alto do disco. Outras faixas de destaque são “In Your Mind”, “A.D.D.” e “Waste of Life” que encerra o disco.

A faixa titulo conta com as participações especiais dos vocalistas do Soilwork, Bjorn “Speed” Strid, Dark tranquility, Michael Stanne, e do Dream Evil, Niklas Isfeidt, que fazem dessa uma das faixas mais diferenciadas e interessantes do trabalho. Na versão nacional ainda há a participação de Roger Moreira, do Ultraje a Rigor, na cover de “Inútil”, de sua banda, que aparece como faixa bônus.

Sendo uma das bandas de metal nacional em ascensão nos últimos anos e com bons trabalhos como esse, vale a expectativa de conferir o que o grupo irá lançar em breve, mas caso você ainda não os conheça, “Inner Monster Out” é a melhor pedida para entrar no universo sonoro deles, e mostra como o metal nacional tem sim grandes representantes.

Nota:9/10
Status: Intenso e potente

Faixas:

01. Gag Order
02. Angel with Horns
03. Habitchual
04. In the Name of Love
05. Inner Monster Out
06. I'm Your Mind
07. My Disrupted Reality
08. A Smile Upon Death
09. Whatever Our Fortune
10. A.D.D.
11. Waste of Life
12. Inútil (Brazil bonus track)


sábado, 22 de novembro de 2014

Noticias do Rock (Pra Não Ficar Por Fora)



Por Davi Pascale

Hoje é dia de ficar por dentro de tudo que está rolando no universo da musica. Confira as novidades, a seguir:


Supergrupo a caminho


Parece que a moda pegou mesmo. Depois de Audioslave, Velvet Revolver, Chickenfoot, Black Country Communion, mais um supergrupo está à caminho. Atendendo pelo nome de Revolution Saints, o trio é formado por Doug Aldrich (Whitesnake, Dio), Jack Blade (Night Ranger) e Deen Castronovo (Journey). Seu debut auto-intitulado será lançado pela Frontiers no dia 23 de Fevereiro e contará com as participações especiais de Neal Schon e Arnel Pineda, ambos do Journey.


Ozzy Osbourne critica uso de playback em shows



Ozzy Osbourne declarou em entrevista ao Consequence of Sound que não concorda com a utilização de playbacks nos shows. “Não escondo minha voz em uma máquina para fazer com que tudo soe lindo. Algumas vezes tenho até que dizer ao publico: Hey, estou tentando”. O madman declarou ter presenciado de perto uma dessas enganações. “Na ultima turnê com o Sabbath, houve algumas bandas de abertura se apresentando onde eu pensava ‘Eles são muito bons’. E, de repente, era tudo dublado. Não é legal!” De quem será que ele está falando?


Bruce Springsteen lança 30 álbuns ao vivo



O cantor Bruce Springsteen selecionou 30 apresentações da Highest Hopes Tour e disponibilizou para venda no site live.brucespringsteen.net. O material está sendo disponibilizado para downloads de alta definição e para vendas de CD físico. Quem for fã do The Boss e quiser adquirir o disquinho, contudo, terá que contar com um pouquinho de paciência. já que os CDS só serão enviados a partir de 1 de Dezembro. 


Faith No More lança Motherfucker



O grupo Faith No More lançou via Itunes a musica "Motherfucker". A versão física chegará às lojas no dia 28 de Novembro em formato 7” (o famoso compacto). O disquinho limitado à 5.000 cópias trará um remix da faixa no lado B. O novo álbum do FNM foi produzido pelo baixista Bill Gould e está sendo lançado pelo selo do grupo, Reclamation Records. O álbum até agora não teve seu nome divulgado e nem data para chegada às lojas. Por enquanto, os fãs terão que se contentar com o single mesmo...


Radiohead está preparando novo álbum



Quem também está preparando novo disco é o grupo de Thom Yorke. Johnny Greenwood, guitarrista do Radiohead, confirmou que a banda está em estúdio. Em entrevista à BBC, o músico disse que não tem como adiantar muita coisa porque o projeto ainda está em seus primeiros passos. “Sempre que começamos, sinto que não sabemos o que estamos fazendo. Nós conversamos sobre novas abordagens e estamos testando formatos diferentes”. Pelo visto vem mais loucura por aí...

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Billy Idol – Kings & Queens Of The Underground (2014):





Por Davi Pascale

Depois de 9 anos afastado dos estúdios, o cantor Billy Idol solta novo álbum de inéditas. Em seu sétimo trabalho, retorna à sonoridade mais pop, mas ainda não deve ser dessa vez que retorna às rádios com força.

Os mais jovens não irão se lembrar, mas já houve uma época em que parecia que Billy Idol iria dominar o mundo. Seus 4 primeiros LP´s emplacaram hits atrás de hits nas rádios e na MTV. De repente, o cara sumiu. As fortes críticas em relação ao seu trabalho Cyberpunk fez com que o musico perdesse sua confiança e ficasse 12 anos sem lançar material inédito.

Embora seja lembrado por suas canções radiofônicas como “White Wedding”, “Eyes Without a Face”, “Flesh for Fantasy”, “Cradle of Love” ou “Rebel Yell”, o rapaz iniciou sua carreira como um cantor punk. Ao lado do cultuado Generation X, lançou 3 LPS antes de se tornar um dos rostos mais conhecidos da década de 80. Em seu antecessor, Devil´s Playground, o músico tentava reviver seu anos iniciais, já no novo trabalho volta a trabalhar com uma linguagem mais pop tentando se reaproximar do público que o acompanhou no auge de sua carreira.

Com produção de Trevor Horn (Yes, Seal) e contando com as guitarras de seu velho companheiro Steve Stevens, retorna com uma pegada mais comercial. “Postcards From The Past” nos remete aos seus trabalhos oitentistas. Desde quando iniciou sua parceria com Stevens que sua jogada era misturar sons eletrônicos com som de banda. E é exatamente isso que temos nessa canção. Uma faixa que poderia muito bem estar em um LP como Charmed Life, por exemplo. “Love And Glory” também remete aos anos 80, mas soa mais como uma canção perdida do U2 do que um som do Billy Idol.

Com presença de Steve Stevens, Billy Idol retoma seu lado comercial

Durante os anos em que esteve afastado dos estúdios, Idol continuou excursionando e, por vezes, soltando no mercado coletâneas e discos ao vivo. Dentre esses, o que mais marcou seus fãs foi o acústico realizado em parceria com o canal televisivo VH1. Esse lado voz/violão aparece na autobiográfica “Kings & Queens Of The Underground”. Embora tenha ficado os anos 90 afastado de novas criações, parece que o rapaz não deixou de acompanhar a cena da época. “One Breath Away” lembra o Simple Minds na fase Good News From The Next World.

Quem teve a oportunidade de acompanhar a passagem de Bill Idol pelo Brasil, em 1991 como parte do cast da segunda edição do festival Rock In Rio, irá se recordar que suas apresentações contavam com um ar rock n roll e eram cheias de energia. Essas vibrações estão presentes em “Whiskey And Pills”. No restante do tempo é Billy Idol fazendo sua velha jogada de misturar som de banda com uma sonoridade eletrônica, com uma roupagem um pouco mais atualizada. Que o diga seu single “Can´t Break Down” ou então “Save Me Now”. Há também uma grande presença de baladas onde um destaque seria a bonita “Nothing to Fear”.

Billy Idol fez um disco bacana, mas tem poucas músicas com forças para tornarem-se grandes hits. Também falta aquela música animada estilo “Rebel Yell” que faz com que até seu maior hater deixe sua raiva de lado e saia cantando. Me dói o coração escrever isso, mas não será ainda dessa vez que reviverá seus dias de glória.

Nota: 7,5 / 10,0
Status: retorno ao lado comercial

Faixas:
      01)   Bitter Pill
      02)   Can´t Break Me Down
      03)   Save Me Now
      04)   One Breath Away
      05)   Postcards From The Past
      06)   Kings & Queens Of The Underground
      07)   Eyes Wide Shut
      08)   Ghosts In My Guitar
      09)   Nothing to Fear
      10)   Love And Glory
      11)   Whiskey And Pills

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Peter Frampton – Hummingbird In a Box (2014)





Por Davi Pascale

Depois de 4 anos sem lançar um disco de inéditas, o guitarrista Peter Frampton coloca no mercado um novo EP com uma ligação um pouco inusitada: o ballet. Aposto que você deve estar se perguntando como surgiu esse casamento e como isso afetou sua música, certo? Pois bem, vamos lá...

A ideia surgiu por acaso. A companhia de danças Cincinatti Ballet entrou em contato com Frampton dizendo que gostaria de utilizar algumas músicas suas em um espetáculo que estavam criando e queria saber se o músico autorizava. Desejavam utilizar 3 faixas do álbum Fingerprints e a canção “Not Forgotten” do álbum Now. O músico autorizou. Por estar excursionando, não conseguiu comparecer à apresentação. Peter recebeu a gravação em DVD, ficou maravilhado com o espetáculo e quis conhecer a diretora artística, Victoria Morgan. Em uma das conversas, a moça questionou se gostaria de fazer uma apresentação ao vivo junto com o ballet. 3 segmentos de 20 minutos, utilizando canções de seu repertório. Frampton topou e fez uma contra-proposta. “E se um dos segmentos fosse formado apenas por canções inéditas?”. E chegamos ao novo CD.

Justamente por ter sido criado com esse propósito, não espere nada no pique do Humble Pie, nem no pique de “Breaking All The Rules”. Não temos aqui seu famoso talk box também. Hummingbird In a Box é um álbum calmo. Isso não quer dizer que tenha se aventurado no universo da música clássica, como já fez algumas vezes o beatle Paul McCartney. É um álbum calmo, mas não conta com orquestrações, corais, nem nada do tipo. Uma diferença em relação à sua imagem, seria uma maior aproximação dos violões.

Disco foi criado inspirado em uma apresentação de ballet

O nome do álbum remete à uma memória afetiva. Um presente que ganhou de seu avô. Uma caixa que trouxe da China. Havia um segredo para abri-la e seu avô dizia que fazendo os movimentos certos chegaria ao grande prêmio. O grande prêmio era, obviamente, a abertura da gaveta. Dentro dela estava um beija-flor empalhado. O tal hummingbird.

Para compor o material, contou com a ajuda de seu velho parceiro Gordon Kennedy, músico e produtor norte-americano, muito lembrado por ter sido compositor da balada “Change The World”, grande hit de Eric Clapton. Peter Frampton disse que algo legal desse projeto seria poder escapar da obviedade da estrutura verso-refrão-verso-refrão. No entanto, o lado pop não está totalmente fora do disco. “Heart To My Chest” tem um refrão que nos remete bastante às baladas de John Lennon. A faixa de abertura, “The Promenade´s Retreat” tem um que de Mark Knopfler”. “Friendly Fire” também tem um lado pop presente.

Em termos de arranjo, as que causarão maior estranheza são a instrumental “The One In 901”, a faixa-titulo, com sua influência flamenca em alguns momentos, e o encerramento com a jazzy “Norman Wisdow”. Aliás, os momentos de maior estranheza mesmo são os momentos instrumentais. Nunca seus arranjos soaram tão sutis. Som predominantemente limpo, vários dedilhados... Quando entra cantando, no entanto, é difícil que não nos remeta à algo de sua extensa discografia. Frampton tem um estilo próprio de cantar e esse estilo não foi alterado.

Hummingbird In a Box: Songs For A Ballet é um álbum bem executado, bem elaborado, mas como já havia dito, extremamente calmo. E foge de sua sonoridade clássica. Quem estiver procurando um primeiro contato com o músico, recomendo começar por seus discos mais antigos como Something´s Happening, I´m In You ou o clássicão Frampton Comes Alive. O CD é bacana, mas é recomendado apenas para aqueles que já tem algum contato com seu trabalho...

Nota: 7,5 / 10,0
Status: Apostando em novos territórios

Faixas:
      01)   The Promenade´s Retreat
      02)   Hummingbird In a box
      03)   The One In 901
      04)   Friendly Fire
      05)   Heart To My Chest
      06)   Shadow Of My Mind
      07)   Norman Wisdow