segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Lulu Santos – Luiz Mauricio (2014)





Por Davi Pascale

Lulu Santos chega à seu 25º álbum mantendo sua veia pop e deve agradar seus velhos fãs. Um dos maiores hitmakers do país aposta em participação especial polêmica. Entretanto, aqueles que resolverem conferir o novo disco mesmo assim, irão se deparar com o mesmo artista de sempre: criativo, sempre contando com músicos competentes, arranjos alegres e gravação perfeita. Quem é fã, tem de tudo para curtir.

Talvez alguns de vocês não saibam, mas Lulu Santos começou a carreira tocando rock n´ roll. E não era uma bandinha qualquer, não. O Vímana, além de Lulu, contava com mais dois músicos que fariam carreira na década de 80 (Lobão e Ritchie), além de Patrick Moraz, tecladista do lendário Yes; e apostava em uma sonoridade progressiva. Infelizmente, tudo que nos restou desse grupo é o raríssimo compacto Zebra, vendido a preço de ouro nos sites de leilões por aí. Existe um LP desse período que permanece inédito e deve continuar assim por muito tempo, já que os músicos não sabem onde foi parar o material...

Embora sua carreira solo seja rotulada como pop, o rock vira e mexe aparece presente em seu trabalho. Seja no arranjo de “Hiperconectividade” (Liga Lá), na releitura de “Ando Meio Desligado” (Mutantes) ou na versão que fez de “Get Back” dos Beatles (“De Leve”). Sendo assim, não é nenhum crime comentarmos sobre o rapaz em nosso blog, certo?

Luiz Mauricio é dividido em 2 partes. A primeira com uma sonoridade mais dance e a segunda com uma sonoridade pop mais tradicional, digamos assim (já que os arranjos dançantes dele também podem ser considerados pop). É como se resgatasse um pouco de cada universo. Afinal, a primeira etapa de sua carreira (Tempos Modernos à Mondo Cane) apostava nesse universo pop rock mais cru; enquanto a segunda etapa (a partir de Assim Caminha a Humanidade) focava mais nessa sonoridade mais dance com batidas eletrônicas, scratches, efeitos de voz, etc. O título do disco acaba combinando com essa ideia. Afinal, ele gravou o disco como Lulu Santos, mas o intitulou de Luiz Mauricio. Foi com esse nome que ele iniciou sua carreira solo e gravou o raríssimo compacto Melô do Amor. É como se ele estivesse revendo toda sua trajetória.

Imagem da capa é do próprio músico aos 5 anos de idade

O álbum inicia com o remix da faixa “Luiz Mauricio” com um arranjo meio swingado que me remeteu muito à seus tempos de Anti Ciclone Tropical. “SDV” e o remix de “Sócio do Amor” já contam com uma sonoridade mais atual. Entretanto, o maior espanto para seus fãs é a canção “Michê”. Não pela letra. Apesar do título, a letra não tem baixaria (michê é um termo utilizado no meio da prostituição), mas pela participação especial do execrável Mr. Catra. O que será que deu na cabeça de Lulu Santos, um músico de primeiro escalão, convidar um artista de 40ª categoria como o Catra? Aliás, o cara não apenas canta como divide os créditos.

Lulu se demonstra atualizado não apenas nas sonoridades e nos convidados, mas também nos assuntos retratados. “SDV” significa “Segue de Volta” e fala sobre redes sociais, enquanto “Torpedo” fala sobre se relacionar através de mensagens de texto. “Agora como eu prometi. Um torpedo eu remeti. Pra ver se você sente o mesmo. Vou me aventurar no ar”.

“Drones” é a primeira faixa instrumental do CD e serve como um elo para a segunda etapa. A partir da já citada “Torpedo” temos a sonoridade clássica de Lulu Santos. Baixo marcantes, bateria swingada, guitarras oras dedilhadas, oras funkeadas com suas linhas vocais extremamente melódicas. A introdução de “Efe-se”, por algum motivo, me remeteu à “Sem Nunca Dar Adeus”. Já a balada “Lava-Jato” que conta com uma influência beatle possui uma melodia que nos remete aos seus tempos de Tudo Azul. “Blueseado” é mais uma faixa instrumental com um Lulu mais solto nas guitarras. Interessante, mas não dá dimensão de seu talento. Para quem não sabe, Lulu é um excelente músico. Quem quiser ter uma ideia do que é capaz nas seis cordas, recomendo recorrer aos seus shows mais antigos. As versões originais de “Luiz Mauricio” e “Sócio do Amor” encerram o CD de maneira animada. Essa última foi a primeira faixa divulgada do novo álbum. O lançamento da música ocorreu através de sua página do Facebook.

O disco conta com uma excelente qualidade de gravação e traz o músico à frente do projeto. Além de compor sozinho 7 das 10 músicas inéditas, o rapaz ainda comandou a parte de produção, direção musical e arranjos; além de ter gravado guitarra, violão e ukulelê. Sem dúvidas, um dos maiores talentos da nossa cena pop. Entre os músicos convidados estão Dadi (A Cor do Som) e o seu antigo parceiro Memê. O disco não é uma obra-prima e está longe de clássicos como Ritmo do Momento e Toda Forma de Amor, mas também está longe de ser um disco ruim e merece ser conferido por aqueles que têm uma mente mais aberta.

Nota: 7,0 / 10,0
Status: Animado e atualizado

Faixas:
      01)   Luiz Mauricio (DJ Memê Remix)
      02)   SDV (Segue de Volta)
      03)   Michê (Chega de Longe Bis)
      04)   Sócio do Amor (DJ Sany Pitbull e Batutinha DJ Remix)
      05)   Drones (Instrumental)
      06)   Torpedo
      07)   Efe-se
      08)   Fogo Amigo
      09)   Lava-Jato
      10)   Blueseado (Instrumental)
      11)   Luiz Mauricio
      12)   Sócio do Amor

domingo, 16 de novembro de 2014

Noticias do rock (Pra não ficar por fora!)



Fique por dentro das ultimas noticias do mundo do rock. Saída de integrantes, lançamento de discos, turnês pelo Brasil e muito mais. Saiba o que anda rolando por aí...

Por Davi Pascale



Richie Sambora fora do Bon Jovi


Uma noticia triste para os fãs de Bon Jovi. O cantor Jon Bon Jovi confirmou que o guitarrista está fora da banda. Richie Sambora estava afastado do grupo há algum tempo, mas seus fãs ainda tinham esperanças de que o musico voltasse. A situação é tensa, uma vez que Richie não era um mero guitarrista. Além de ser um ótimo músico e possuir uma ótima voz (seus backings eram característica principal do som da banda) também era um dos principais compositores do conjunto. A noticia foi dada em entrevista exclusiva ao site Showbiz 411.



Rob Halford já pensa em novo álbum do Judas


Há quem pense que os caras estão com os dias contados por conta da idade avançada dos músicos, mas no que depender de Rob Halford, o grupo Judas Priest segue com força total. Halford atribui isso à entrada de Richie Faulkner. Em entrevista ao Eddie Trunk, o cantor declarou: “Todas as noites, entro no camarim e Richie está criando. E eu digo. ‘O que é isso que está tocando? Grave agora mesmo em seu Iphone’. Os riffs estão surgindo. As idéias estão surgindo. Estou pronto para gravar um novo trabalho do Judas”. O ultimo disco do grupo foi Redeemer of Souls (já resenhado nesse blog), que chegou às lojas em Julho. 


Arch Enemy confirma shows no Brasil


A página oficial da cantora Alissa White Gluz no Facebook postou que o grupo Arch Enemy estará fazendo uma turnê pela America Latina entre Janeiro e Fevereiro de 2015. Três cidades brasileiras foram confirmadas. Já foram anunciadas datas e locais das apresentações. O grupo se apresenta 06/02 no Rio de Janeiro (Circo Voador), 07/02 em São Paulo (Carioca Clube) e 08/02 em Curitiba (Music Hall). Para quem não se recorda, Alissa costumava cantar no The Agonist e é a nova voz da banda.


Leoni lança crowfunding para a gravação de novo álbum


O músico Leoni, mais conhecido por seus trabalhos ao lado dos grupos Kid Abelha e Heróis da Resistência, soltou um projeto de arrecadação de dinheiro para a gravação de seu novo disco Noticias de Mim. O cantor pretende arrecadar 120.000 reais para a produção de seu novo CD. Existem 11 cotas diferentes. Os valores variam de R$20,00 à R$5.000,00. Quem quiser contribuir, deve ir ao http://catarse.me/pt/leoni.



Pausa no Rush?



O cantor Geddy Lee declarou em entrevista à revista Rolling Stone que não tem certeza se o trio sairá em turnê em 2015. “Ainda estamos conversando. Cada um tem uma idéia diferente de como pretende passar os próximos anos. Não chegamos à uma decisão ainda. Será tomada nos próximos meses”. Ao ser questionado sobre a gravação de um novo disco, o músico disse que acredita que ocorra uma nova excursão antes. E se ele não tem idéia sobre a tal excursão, então...

sábado, 15 de novembro de 2014

Foo Fighters - Sonic Highways (2014)

Por Rafael Menegueti

Foo Fighters - Sonic Highways
Dave Grohl é o cara do rock atual. O sujeito não cansa de inovar e surpreender todo mundo com suas ideias. A cada novo trabalho ele demonstra mais de sua incrível força criativa e habilidade de trazer elementos novos e outros modos de criar música de primeira qualidade. “Sonic Highways” acaba de chegar às lojas e é mais uma mostra dessa personalidade de Grohl. E reafirma o Foo Fighters como o maior nome do rock mundial atualmente (pelo menos na minha opinião).

Dessa vez, Grohl não fez um disco em um estúdio criado em sua garagem de sua casa, rodeado da família e amigos. Ele saiu de casa e levou sua banda por oito dos principais estúdios dos EUA, registrou tudo em uma serie de documentários com o mesmo nome do álbum para a HBO e gravou uma música em cada cidade.

Chicago, New Orleans, Los Angeles, Nashville, New York e, claro, Seattle estão entre as cidades visitadas pela banda nessa produção. Cada música ainda conta com uma participação especial de diversos músicos. Entre os convidados estão Peter Stahl e Skeeter Thompson (da banda Scream, da qual Grohl fez parte antes do Nirvana), Ben Gibbard (Death Cab for Cutie), Rick Nielsen (Cheap Trick), Joe Walsh e Kristeen Young.


A formula do Foo Fighters é típica e nunca falha. Rock sem enrolação, melodias que cativam facilmente e um som cheio, que preenche toda a nossa cabeça quando ouvimos. Do single “Something From Nothing”, que abre o álbum, até a incrível e intensa “I Am a River”, que encerra, podemos conferir apenas o que o Foo Fighters tem de melhor.

São só oito músicas, mas isso não é um problema. Afinal, o que importa não é a quantidade, mas a qualidade. E isso não falta, pois mesmo depois de quase 20 anos de estrada a banda ainda tem a energia que precisa, com a competência necessária pra seguir fazendo bons trabalhos. E com “Sonic Highways” Dave e companhia conseguem cumprir seu objetivo mais uma vez.

Nota 10/10
Status: Melhor do ano

Faixas:

1. "Something From Nothing"
2. "The Feast and the Famine"
3. "Congregation"
4. "What Did I Do?/God as My Witness"
5. "Outside"
6. "In the Clear"
7. "Subterranean"
8. "I Am a River"

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Mr. Big – The Stories We Could Tell (2014):





Por Davi Pascale

Mr Big chega ao seu oitavo álbum de inéditas. Apesar de atravessarem momento delicado, músicos não se abatem e entregam disco repleto de faixas cativantes. The Stories We Could Tell tem de tudo para agradar aos velhos fãs.

Formado por Eric Martin, Paul Gilbert, Billy Sheehan e Pat Torpey, o grupo de L.A lança o sucessor de What If... em período delicado. Torpey, baterista do conjunto desde o início, foi diagnosticado com Mal de Parkinson . O musico já vinha lutando contra a doença há 2 anos, mas anunciou que houve uma piora e, com isso, não consegue mais entregar o que esperam dele. O álbum foi gravado em Junho e ainda contou com a participação do rapaz. Contudo, na turnê (que passará pelo Brasil), as baquetas ficarão a cargo de Matt Starr, musico da banda solo de Ace Frehley (ex-guitarrista do Kiss).

A produção ficou a cargo de Pat Regan. Essa não é a primeira vez que trabalha com o grupo, já havia trabalhado em Get Over It. No álbum de 2001, Paul Gilbert não estava na banda. O guitarrista na ocasião era o Richie Kotzen. Excelente músico, altamente influenciado pelo blues. Embora Gilbert venha de uma outra escola, esse lado bluesy aparece em alguns momentos como no riff de “I Forget to Breathe”.

Ao contrário do seu antecessor, que havia sido gravado como uma performance ao vivo, o novo material foi gravado de maneira tradicional. Ou seja, gravando um instrumento por vez. Até por conta das condições do baterista. Aliás, uma curiosidade interessante é que a bateria aqui é programada. Regan e Torpey ficaram trabalhando juntos para conseguirem recriar a sonoridade do musico no disco. E, de certa forma, conseguiram. A bateria não tem aquele som sonso que costuma ter em demo tapes. Conseguiram tirar um som agradável. E as levadas são a cara de Torpey mesmo.

Prestes a retornarem ao Brasil, grupo solta álbum inspirado

Apesar de todo o virtuosismo de seus músicos, o grupo conseguiu se destacar com várias baladas no decorrer de sua carreira. Para fugir da óbvia “To Be With You”, poderia citar faixas como “Nothing But Love”, “Just Take My Heart” e até mesmo “Shine” como momentos de destaque em sua discografia. “The Man Who Has Everything”, “East/West” e “Just Let Your Heart Decide” devem agradar aqueles que gostam de suas canções mais lentas.

Os momentos de nostalgia ficam por conta de “Fragile - com seu refrão pegajoso, nos remetendo aos seus dois primeiros álbuns – e “The Monster In Me”, cuja introdução com baixo e guitarra solando juntos nos remete à  números como “Collorado Bulldog” e "Addicted To That Rush". “What If We Were New?” foge um pouco do óbvio com uma levada meia Stones, enquanto “Cinderella Smile” deixa nítida a influencia de Free em seu trabalho.

O Mr Big entrega aos seus fãs aquilo que esperam deles. Um álbum de hard rock pesado repleto de feeling e groove. Preocupados em criarem músicas repletas de melodias e bons refrãos, nos entregam um dos melhores álbuns de 2014.

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Técnica e melodia de mãos dadas

Faixas:
      01)   Gotta Love The Ride
      02)   I Forget To Breathe
      03)   Fraglie
      04)   Satisfied
      05)   The Man Who Has Everything
      06)   The Monster In Me
      07)   What If We Were New?
      08)   East/West
      09)   Light of Day
      10)   Just Let Your Heart Decide
      11)   It´s Always About That Girl
      12)   Cinderella Smile
      13)   The Stories We Could Tell