terça-feira, 21 de outubro de 2014

Brian Setzer – Rockabilly Riot! All Original (2014)





Por Davi Pascale

Brian Setzer continua na ativa. Depois de uma carreira bem sucedida com o trio Stray Cats, o rapaz se aventurou com a Brian Setzer Orchestra e também como músico solo. Dono de uma extensa discografia, o rapaz de Manhattan lança mais um trabalho solo mantendo as influências do grupo que o fez famoso.

Como o nome do disco entrega, Rockabilly Riot! All Original é um álbum de rockabilly. E como o título também entrega, todas as músicas foram escritas por Setzer. Não é um trabalho com releituras de clássicos do gênero. É um trabalho autoral. Sim, ainda se faz isso.

O mais legal de tudo é que ele tentou recriar a sonoridade da época. Gravou o disco exatamente como os artistas do gênero gravavam, com todos os músicos tocando ao vivo dentro do estúdio. Sem pro tools, sem efeitos. Para quem não sabe, pro tools é um equipamento de correção de voz. Cada vez mais comum nos dias atuais. Por isso que é comum ouvirmos alguém cantar horrores no disco e na hora do show descobrirmos que o cara não é tudo isso. Outra característica bacana que trouxe de volta foi a utilização do baixo acústico que era uma forte característica do rock dos anos 50 e que atualmente está praticamente em desuso.

Brian Setzer lança álbum gravado como nos velhos tempos

“Let´s Shake” abre o álbum trazendo aquele rock animado que levanta até defunto. O piano tocado com poucas notas e bastante velocidade nos remete à nomes como Jerry Lee Lewis e Little Richard. Quem está acostumado com o trabalho de Setzer, provavelmente, se lembrará do clássico “Rock This Town” em alguns momentos. 

É praticamente impossível falarmos sobre rockabilly e não citarmos o rei do rock, Elvis Presley. “Blue Lights, Big City” e “The Girl With The Blues In Her Eyes” são duas músicas que, caso estivesse vivo, o garoto de Tupelo iria querer incluir no seu repertório. As composições são bem similares às canções que Presley gravava na primeira fase de sua carreira, inclusive, linha vocal.

Esse é um detalhe bacana também. Setzer não apenas criou os arranjos de suas canções baseado na sonoridade da época, como também as linhas vocais. Todas as características da época de ouro do rock estão aqui: a referência da surf music (“Nothing Is A Sure Thing”), a influência da música country (“I Should´a Had a V-8”), os vocais escorregadios, as falas... Se você sentia falta daquele rock simples e cativante de artistas como Gene Vincent, Eddie Cochran, dos primeiros anos de Elvis Presley, então Brian ouviu suas preces. Rockabilly Riot resgata elementos do início do rock que não se encontram mais nas rádios, nem em grande parte dos discos atuais. Trabalho extremamente divertido e bem feito!

Nota: 8,0 / 10,0
Status: rock puro

Faixas:
      01)   Let´s Shake 
      02)   Rockabilly Blues
      03)   Vinyl Records
      04)   Lemme Slide
      05)   Nothing Is A Sure Thing
      06)   What´s Her Name?
      07)   Calamity Jane
      08)   The Girl With The Blues In Her Eyes
      09)   Stilleto Cool
      10)   I Should´a Had a V-8
      11)   Blue Lights, Big City
      12)   Cock-a-Doodle Don´t

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Alanis Morissette – 10 Anos de So-Called Chaos:





Por Davi Pascale

Em 2004, chegava às lojas o sexto álbum da cantora canadense Alanis Morissette. O CD era exatamente o oposto do trabalho que a deixou mundialmente famosa – o cultuadíssimo Jagged Little Pill – apostando em letras mais positivas e sonoridade mais clean. O disco confundiu a cabeça dos críticos e de parte dos fãs na época e merece ser redescoberto.

A primeira faixa de trabalho foi a balada “Everything”. Possivelmente a mais conhecida dessa época.  No clipe, aparecia a cantora tendo seu cabelo cortado. Muitos fãs ficaram discutindo se havia ficado melhor de cabelo curto ou comprido e acabaram não entendendo a mensagem em torno da imagem. A cantora estava em busca de liberdade. O ato era meio que um modo de dizer que não queria mais se esconder. Como se estivesse dizendo 'aqui estou de cara limpa para vocês'.

Essa música trouxe uma polêmica na época. Várias rádios dos EUA se negavam a toca-la por conta de seu primeiro verso (“I can be an asshole of the grandest kind”. Algo como "posso ser a maior filha da puta que existe"). Alanis teve que fazer uma nova versão trocando a palavra ‘asshole’ para ‘nightmare’. A cantora não ficou contente com a imposição e resolveu protestar. A resposta veio na apresentação da premiação Juno Awards onde se apresentou com um macacão cor de pele onde mostrava as curvas de seu corpo, adicionando falsos pelos pubianos. O visual era feio de doer, mas a intenção era bem legal. Morissette dizia que não entendia o fato de poder ter cenas de nudismo na televisão, mas não poder falar ‘asshole’ nas rádios. Foi modo que encontrou para trazer a discussão à tona.

“Eight Easy Steps”, faixa que abre o trabalho, é outra bem lembrada entre os fãs. A letra é meio que um guia para os erros que costumam ser cometidos pelas pessoas por problemas emocionais e foi escrita em uma linguagem meio de auto-ajuda. O vídeo é bem marcante e mostra imagens de diferentes fases da Alanis extraídas de programas de TV, vídeos caseiros e clipes anteriores. Tudo intercalado com uma imagem da cantora interpretando a faixa ao lado de seus músicos. É como se ela estivesse fazendo uma reflexão sobre sua trajetória, sobre sua vida. O arranjo dessa música aposta em uma sonoridade influenciada pelo pós-grunge, remetendo um pouco à “21 Things I Want In a Lover”, do antecessor Under Rug Swept.

Letra de "Everything" teve que ser alterada para que pudesse ser tocada na rádio

O disco é bem diferente do álbum que a levou ao estrelato. Enquanto o disco de 1995 tinha o pé no rock alternativo e letras de rebeldia, So-Called Chaos apostava em uma sonoridade mais polida. Intercalando guitarras, violões e elementos eletrônicos em algumas faixas (elemento que exploraria mais profundamente no fraco Flavors of Entanglement), trazia uma linguagem mais pop. “Knees of Bees” é uma das poucas que sai do senso comum ao contar com a inclusão de uma cítara. As letras também estavam diferentes. Ainda contavam com um tom pessoal, porém de uma maneira mais positiva. Alanis se encontrava um momento alegre por conta de seu noivado com o ator Ryan Reynolds. E essa alegria transparecia nas letras e nos arranjos.

Muitos na época caíram de pau, especialmente no Brasil, por esperar um álbum de retorno às raízes, o que definitivamente não é o caso. Aliás nos EUA (embora seja canadense, sua gravadora é norte-americana), o pessoal tem essa mentalidade de não gostar de mais do mesmo, de querer que o artista saia da zona de conforto. Morissette sempre buscou isso em sua discografia. Cada disco tem uma sonoridade única. Oras mais rock, oras mais pop, oras mais experimental, oras mais direta. O CD traz várias ótimas faixas como “Out Is Through”, “Doth I Protest Too Much”, além das já citadas “Eight Easy Steps”, “Everything” e “Kness of My Bees”. A versão brasileira traz ainda a lindíssima “Offer”, não creditada na capa. Esqueça todas as bobagens que você leu por aí e dê uma chance ao álbum. Alanis Morissette sempre teve cuidado na produção de seus discos e aqui não foi diferente. Os arranjos são simples, sim, porém cativantes. Belíssimo disco!

Faixas:
      01)   Eight Easy Steps
      02)   Out Is Through
      03)   Excuses
      04)   Doth I Protest Too Much
      05)   Knees Of My Bees
      06)   So-Called Chaos
      07)   Not All Me
      08)   This Grudge
      09)   Spineless
      10)   Everything
      11)   Offer.

domingo, 19 de outubro de 2014

Edguy – Space Police: Defenders of the Crown (2014)





Por Davi Pascale

Os alemães do Edguy chegam ao seu décimo álbum. Contando, mais uma vez, com sua mistura entre power metal e hard rock com letras cômicas, devem agradar aos fãs. Principalmente aos da fase pós-Mandrake. Há quem goste muito dessa segunda fase da banda, há quem odeie. Se você é aquele fã que cultua discos como Vain Glory Opera e Kingdom of Madness, passe longe. Se você cultua discos como Hellfire Club e Rocket Ride, esse disco é para você.

O primeiro contato que tive com o trabalho do Edguy foi em 2001 com a faixa “Tears of a Mandrake” de seu até então recém-lançado Mandrake. Lembro que comprei o disco sem saber muito o que esperar e me surpreendi com um discaço. Tinha gostado muito das composições e o cantor Tobias Sammet tinha algumas linhas vocais que me remetia ao Bruce Dickinson, que é um cantor que gosto bastante. A partir de então, comecei a me aprofundar no grupo. Fui atrás dos outros discos e comecei a acompanha-los desde então.

Com o tempo, Tobias foi deixando de lado essa característica Dickinsonwannabe e foi criando seu próprio estilo de cantar. Algo que considero positivo. Sempre preferi caras que deixam sua marca à ótimos covers. O grupo também mudou sua sonoridade, adicionando elementos do hard rock que, se por um lado, frustrou um bando de xiitas, por outro, ajudou que eles continuassem em destaque na cena e criassem uma sonoridade própria. Mais um ponto a favor deles.

A lógica deles se mantém a mesma desde então. Em alguns discos explorando a sonoridade hard um pouco mais do que a heavy, em outros trabalhando de maneira mais equilibrada, mas a essência estava sempre ali e aqui não é diferente.

Novo disco traz versão para o clássico "Rock Me, Amadeus" do falecido Falco

“Sabre & Torch” abre o CD com um riff agressivo, bateria com bumbo duplo e vocal meio rasgado. Me remete um pouco à “Mysteria”. Logo em seguida, é a vez das faixas-títulos. Não, não escrevi errado. O nome do disco é uma junção do nome de duas músicas. “Space Police” é uma daquelas músicas escritas para os fãs cantarem em coro nas apresentações. Alguns momentos me remeteram à “Lavatory Love Machine”. Se bem que o teclado do início me lembra bastante “Superheroes”. Por outro lado, “Defenders of the Crown” é a mais heavy até então. Esse início é justamente a tônica do álbum. Oras soando um pouco mais metal como “Shadow Eaters”, oras soando bem hard como “Love Tyger”, mas sempre com refrões pegajosos.

Esse é um disco que vale a pena parar para ler as letras com calma. As letras contam com um tom meio humorístico, meio sarcástico até. O que não deixa de ser uma sacada legal. O Edguy é uma banda que tem se preocupado em trazer o elemento diversão de volta à música. Acho bacana porque o rock é exatamente sobre isso: divertir-se. E, sim, no heavy metal isso é possível. Que o diga o Manowar com seus trajes e discursos exagerados, pregando putaria e bebedeira. Edguy, por outro lado, resgata outras características. A performance de Tobias traz ele dando uns pulos à la David Lee Roth, pedindo para ver qual lado da plateia canta mais alto (Paul Stanley?) e brincando com a plateia durante o discurso.

Dentre as letras, a mais hilária é “Do Me Like A Cave Men”, que em português seria algo como “Me coma como se fosse o homem das cavernas”. Podem ficar calmos, a temática não é gay. A letra é sobre um cara que está na seca e começa a pirar ouvindo vozes sussurrando a tal frase. E o pior é que a música é boa! Mesmo com um título ridículo desses, quem diria?  Outro momento que deixa claro esse lado de diversão é a releitura de "Rock Me Amadeus" do falecido cantor austríaco Falco. Ficou interessante, mas não supera a original.

A edição especial conta com duas faixas que são homenagens: “England”, onde ele homenageia seus ídolos britânicos (dos Beatles ao Steve Harris. Quem foi que disse que ele parou de ouvir Iron Maiden?) e “Aychim In Hysteria”, um pequeno tributo ao Def Leppard (que também é britânico, vejam só...). Space Police/Defenders of the Crow é um disco pesado, alegre, cativante e divertido. Quem gosta da banda, pode comprar sem medo. Agora, mais uma vez, se você parou de acompanha-los em Theater of Salvation e resolveu conferir o que os garotos andam fazendo, cuidado, muito cuidado...

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Pesado e divertido

Faixas:

01) Sabre & Torch
02) Space Police
03) Defenders of the Crown
04) Love Tyger
05) The Realms of Baba Yaga
06) Rock Me Amadeus
07) Do Me Like a Caveman
08) Shadow Eaters
09) Alone In Myself
10) The Eternal Wayfarer