quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Crucified Barbara – Boston Music Room, Londres, Inglaterra (12/10/2014)

Por Rafael Menegueti

As pessoas que me conhecem devem saber que atualmente eu não estou no Brasil, mas sim em Londres. Nesse final de semana tive a oportunidade de assistir mais uma vez a apresentação da banda de hard rock feminina sueca Crucified Barbara. Já havia assistido elas esse ano em São Paulo, mas assisti-las novamente em Londres, na turnê do novo disco me pareceu uma oportunidade muito boa para deixar passar. E de fato a experiência foi excelente.

A banda se apresentou na pequena casa de shows Boston Music Room, que fica em Tufnell Park. A noite chuvosa e fria parece que acabou afastando alguns fãs, pois a casa, que já era pequena, não estava muito cheia. E pude ainda ver como o publico por aqui é diferente do brasileiro. Nada de empurra-empurra, todos estavam ali pra se divertir e eram simpáticos entre si. Pude ver alguns fãs bem empolgados, que acompanhavam a banda na estrada por toda a turnê no Reino Unido.

Junkstars
Antes das garotas subirem ao palco, tivemos os shows de duas bandas de abertura, que eu não conhecia praticamente. A primeira a se apresentar foi o Junkstars, uma banda punk sueca com boa presença de palco e atitude típicas do estilo. O trio fez uma boa apresentação e conseguiu aquecer a plateia pro que viria a seguir. O segundo ato ficou por conta do Supercharger, sexteto sueco com um som forte e que conseguiu atingir em cheio a plateia. A banda foi extremamente eficiente e carismática no palco, garantindo que todos os ali presentes, mesmo que não os conhecessem, como era meu caso, ficassem satisfeitos e impressionados com a banda.

Supercharger
Enfim, por volta das 21h30 (horário local), o Crucified Barbara subiu ao palco. A banda abriu sua apresentação com um sample da musica tema da antiga e famosa serie de TV do Batman, antes de abrirem o show com “In the Red”, faixa título de seu novo disco. E foi justamente no repertório de “In the Red” que o Crucified Barbara se focou. As musicas do novo disco foram maioria, mas houve também boas faixas de trabalhos antigos que foram lembradas. “The Crucifier”, “Sex Action” e “Play Me Hard” começam a agitar a galera antes da banda executar seu novo hit “To Kill A Man”.

Mia Coldheart do Crucified Barbara
Como sempre as garotas mostraram um ótimo entrosamento, boa presença de palco e muita energia. As principais faixas de seus outros trabalhos foram lembradas, como “Rock Me Like the Devil”, “In Distortion We Trust”, “Everything We Need”, “My Heart Is Black” e “Into the Fire”, que encerrou o show. A banda ainda acertou na escolha das músicas do novo CD que entraram no repertorio, casos de “The Ghost Inside”, do single “I Sell My Kids for Rock N´ Roll” e da excelente “Electric Sky”. Só senti falta de “Jennyfer” e “Losing the Game”, singles dos dois primeiros álbuns que não fizeram parte do show.

Crucified Barbara em ação
Nem preciso dizer que sai de lá mais do que satisfeito. A banda voltou a confirmar que merece o sucesso que vem fazendo. Creio que em breve elas devam voltar ao Brasil mais uma vez, e eu nem me incomodaria de ir novamente vê-las ao vivo, mesmo que pro mesmo show. Vai valer a pena, pois é sempre certeza de diversão e rock n´ roll de ótima qualidade.

Mia e Klara interagem no show de Londres

Nota:10/10

Setlist:

1.    In the Red 
2.    The Crucifier 
3.    Play Me Hard 
4.    Sex Action 
5.    To Kill A Man 
6.    Everything We Need 
7.    The Ghost Inside 
8.    Rock Me Like the Devil 
9.    Lunatic #1 
10. In Distortion We Trust 
11. I Sell My Kids For Rock 'n' Roll 

Encore:
12. My Heart Is Black 
13. Electric Sky 
14. Into the Fire 

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Tarja Turunen & Mike Terrana – Beauty & The Beat (2014)



 


Por Davi Pascale

A cantora finlandesa Tarja Turunen acaba de lançar mais um álbum. Mais uma vez contando com a participação de Mike Terrana, o novo trabalho é uma viagem ao universo da música clássica. Portanto, se você acompanha o duo unicamente pela ligação ao heavy metal, afaste-se...

Se você está descobrindo a cantora agora, cuidado! Esse novo disco não tem nenhuma ligação ao lado mais pesado da artista. Pelo contrário, é um dos mais delicados já lançado pela mesma. Eu sei que a presença de Mike Terrana pode confundir os possíveis compradores, mas a jogada foi intencional. Não no sentido de querer tapear os fãs. Ela não faria isso. Mas no sentido de querer fazer algo diferente musicalmente.

Desde que se lançou como artista solo que a ex-Nightwish vem intercalando projetos clássicos com projetos de heavy metal. Em Tarja & Haurus, tinha vindo com o diferencial de misturar a música clássica com a guitarra. Aqui, a ideia é misturar com a bateria. Para os fãs de música clássica isso pode ser uma heresia, mas não deixa de ser uma forma de atrair os olhares dos mais jovens para o gênero, o que torna a brincadeira mais do que válida. Gravado ao vivo na Republica Checa em 2013, o time era formado pelo renomado baterista Mike Terrana (Rage, Axel Rudi Pell), a belíssima soprano Tarja Turunen (Nightwish), a Bohuslav Martinu Philarmonic Orchestra e o Pevecky Masarykovy Univerzity Brno Choir.

“Pô... não tem nenhum de rock no disco”? Tem alguns (poucos), mas a maioria ganhou um ar clássico mesmo. E dá para fazer essa brincadeira, sim. Eu já vi Sarah Brightman cantando Queen e Kansas em seus shows... E sejamos honestos. Vários artistas que escutamos tem inspiração nesse universo. Não é raro vermos grupos de rock fazendo shows com orquestras por trás. Sem contar músicos como Yngwie Malmsteen e Steve Vai que já fizeram álbuns voltados ao tema.

Tarja Turunen lança novo trabalho clássico ao lado de Mike Terrana

No primeiro CD, estão intercaladas faixas interpretadas por Mike e faixas interpretadas por Tarja. Mike Terrana toca sem alterar seu estilo. Continua descendo a mão e abusando de viradas e bumbo duplos. Em algumas canções como “Can-Can” e “William Tell Overture” se sai bem. Ficaram curiosas. Já em números como “Concert For Violin & Oboe” deixa a desejar. Não tecnicamente. Trata-se de um exímio baterista, sem duvidas. O problema é que ele quer explorar demais em passagens que se pede exatamente o oposto. Aquela velha história, o melhor musico que existe é o que faz o que a música pede. Algumas passagens ficaram um pouco poluídas, na minha opinião.

Se por um lado, a participação de Terrana traz esse contraste entre o peso da bateria e a sutileza de uma orquestra, a participação de Tarja Turunen é exatamente o oposto. Contando apenas com uma orquestra e, por vezes, corais (como em “You Take My Breath Away”) canta com alma números de compositores como Bernstein, Bach e Strauss. A música clássica possui um campo harmônico maior do que a música pop ou até mesmo o heavy metal. Portanto, a cantora tem oportunidade de demonstrar não apenas sua técnica como sua tão famosa extensão vocal. Embora seja idolatrada entre os fãs de metal sinfônico, sempre existiu aqueles velhos babões (não tem jeito, estão em toda parte) que querem ficar diminuindo o trabalho dela comparando-a com Maria Callas ou Montserrat. Aqui, ela pode finalmente demonstrar o que sabe e o que não sabe fazer com o gogó. E deixa claro que canta muito. Discorda? Sinto muito!

O segundo CD é onde é focado as canções do universo rock. Mas acalme-se. Não há guitarras, nem baixos pulsantes. Como disse, os arranjos são clássicos. Uma pegada meio Sarah Brightman mesmo. Que não por acaso é um dos grandes ídolos de Tarja Turunen. Interpreta aqui faixas de sua carreira-solo, do Nightwish e até mesmo Led Zeppelin. A maioria delas, agora, ao lado de Terrana. O medley do Led, aliás, ficou com aquela cara de orquestra tocando rock. Várias músicas do Zeppelin tinham orquestrações por tras, portanto fica quase impossível nos desassociarmos das canções originais. “I Walk Alone” é outra que nos dá essa sensação. Não ficaram ruins, ficaram bem legais por sinal, mas acabam fugindo um pouco da proposta. Nas demais, emocionam. Até mesmo “Fly Me to The Moon”, onde Mike Terrana ousou dividir o microfone com a Tarja acabou ficando agradável.

No encarte do CD tem uma foto da Tarja tocando bateria. Estou curiosíssimo para ver essa cena, mas somente quando conseguir o DVD matarei minha curiosidade. Beauty & The Beat (nome provavelmente inspirado em Beauty & The Beast) é um trabalho bonito, bem feito, mas é para quem tem ouvidos e mente aberta.

Nota: 7,5 / 10,0
Status: Ousado. Trabalho vocal matador

Faixas:

CD 01:
01) Concert For Violin & Oboe
02) Blute Nur
03) Zuneigung Op 10 No 1
04) Barber of Seville
05) New World Symphony
06) Song To The Moon
07) Vilja Lied
08) O Mio Babbino Caro
09) Can-Can
10) I Feel Pretty
11) William Tell Overture
12) Mein Herr Marquis
13) Eine Kleine Nachtmusik

CD 02:
01) You Take My Breath Away
02) The Reign
03) Witch-Hunt
04) Led Zeppelin Medley
05) Swanheart
06) Fly Me To The Moon
07) Into The Sun
08) I Walk Alone

terça-feira, 14 de outubro de 2014

O que é se vender, afinal?





Por Davi Pascale

Recentemente o Rafael criou um post para comentar sobre os fãs do Eluveitie que estavam acusando a banda de terem se vendido, por terem realizado um comercial para a Honda. Esse é um assunto que já me deparei trocentas vezes no decorrer da vida. Seja ouvindo mimimis de fãs mimizentos ao conversar sobre música com alguém, seja lendo artigos escritos por críticos que tomam Toddynho e arrotam cerveja Kaiser, seja entrevistando músicos nacionais e internacionais. Mas afinal, o que é se vender?

Se vender nada mais é do que você fazer algo que você sempre se posicionou contra porque aquilo te trará mais dinheiro. Se é algo que você nunca se posicionou contra, ou não fere seus princípios, então você não se está se vendendo. A mesma coisa em relação à música. “Ah... o cara mudou o som dele, vendido”. Extremamente discutível. Ele mudou para que? Para uma sonoridade que está tão fora da mídia quanto? Então ele não se vendeu porque a chance de tomar na cabeça é grande. O cara cantava black metal e está cantando Luan Santana? Sem duvida, é um vendido, visto que o tal sertanejo universitário está na moda e são universos opostos.

Infelizmente, muitas dessas críticas dos fãs nascem, tenho que admitir isso, por influencia de críticos que trabalham em veículos especializados. 90% dessas publicações tendem a enaltecer alguns gêneros e acabar com outros. Só que essa história de acabar com um gênero é um desserviço à música. Por que? Porque na tentativa de pagar de mauzão, de polêmico, de dono da verdade (como se isso existisse), criam-se essas brigas estúpidas e intermináveis que jogam contra a música e, por conseqüência, contra o rock n´ roll. Em que sentido? No sentido de que a força de um movimento, seja ele qual for, está na união. E essa atitude cria separações dentro do próprio movimento. Ou seja, algo inútil.

Banda foi tachada de vendida porque parou de gravar fitas cassetes

E o mais engraçado de tudo são os motivos apresentados. Lembro quando entrevistei o grupo Dead Fish, no lançamento de Um Homem Só e o cantor Rodrigo comentou que nem dava mais bola para esse lance de vendido porque ouvia isso desde sempre. Quando questionei ‘como assim’, o cara me respondeu: “A primeira vez que fomos tachados de vendidos foi quando paramos de gravar nossas demos em K7 e começamos à gravá-las em CD”. E aí? Isso é ser vendido?

Esse lance de comercial de televisão e merchandising é bacana. Ajuda a fortalecer a imagem do artista. É claro que tem que haver certos cuidados. Não dá para fazer que nem o Roberto Carlos. Se declarar vegetariano e ir vender carne da Friboi. Aí é sacanagem, mas se for para explorar algo que esteja relacionado à sua imagem, não vejo problemas. Inclusive, é bem comum fora do Brasil.

“Ah... Então não existem artistas vendidos”. Certeza que sim, mas não na proporção em que acusam. Um exemplo clássico é o João Gordo. Ele mesmo já declarou em entrevistas: “me vendi, foda-se”. Enquanto cantor, diria que não. Ratos de Porão sempre continuou com a porradaria de sempre e com letras ferozes. Enquanto figura publica, sim. O cara que cantava “Igreja Universal” ir trabalhar com Marcos Mion na Rede Record sempre será algo questionável. Para quem não está por dentro. O dono da emissora é o bispo Edir Macedo, fundador da tal Igreja Universal. Lembram-se sobre o que disse de ir contra seus princípios? Pois é...

Comercial de TV com rockstars é comum

Agora uma coisa é fato: a galera precisa parar de levar atitudes de artistas tão a serio. Mesmo questionando algumas atitudes do João Gordo, por exemplo (assim como também questiono atitudes de outros artistas), não deixei de respeitá-lo. O que o cara fez com o Ratos foi forte. Embora ele não seja o cantor original, eu sei, foi com ele que o grupo decolou. Quanto suas participações na TV, tem coisas que acho bacana, coisas que acho totalmente equivocadas. Por exemplo, sempre apareceu na TV como um cara desbocado, polêmico, irreverente. O que um cara desses foi fazer trabalhando de jurado no Idolos Kids? Nada contra o programa, mas não tem nada a ver com ele. Seria a mesma coisa que colocar o Zé do Caixão para apresentar TV Globinho. Ou o Luciano Huck para apresentar Cine Trash.

É claro que ver um artista que você admira se vender, é chato. Afinal, um cantor não vende apenas uma canção, vende uma ideologia e a gente se identifica com aquilo. Entendo isso. O problema é que enquanto vocês estão se descabelando, os caras estão curtindo a grana deles e rindo da sua cara. Então deixo duas reflexões aqui: 1) Será que o cara se vendeu ou minha visão é muito fechada? 2) Se o cara se vendeu, até onde afetará minha vida? Reflita!

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Down n Outz – The Further Adventures Of... (2014)



Por Davi Pascale

O grupo britânico chega à seu segundo álbum com praticamente a mesma ideia do álbum de estréia: fazer sua reverência ao grupo Mott The Hoople. Formado por músicos renomados, o álbum mantém a sonoridade clássica de um grupo de rock dos anos 70 e deve agradar os fãs do gênero.

O sexteto é formado por Paul Guerin, Guy Griffin, Keith Wier (dos Quireboys); Phil Martini e Ronnie Garrity (Raw Glory) e o vocalista Joe Eliott (Def Leppard). Os músicos originais não apenas sabem do conjunto como apóiam o projeto. Em 2009, antes mesmo dos rapazes se aventurarem na gravação de My Re-Generation (2011), o Down n Outz abriu um show do Mott The Hoople no Hammersmith Apollo.

Produzido pelo proprio Joe Eliott e gravado no seu próprio estúdio de gravação, o álbum mantém a sonoridade setentista. As musicas não foram modernizadas. Não há batida dance, vocal rapper, nem nada do tipo. O que temos aqui é guitarra, baixo, bateria, voz e um piano em algumas músicas. Ian Hunter nunca foi de fazer malabarismos com a voz, sendo assim a voz de Eliott se encaixa como uma luva.

Músicos continuam sua homenagem ao Mott The Hopple

Outra diferença que os fãs de Def Leppard devem sentir é em releção aos shows. Se o seu grupo principal está acostumado a tocar em arenas, utilizar samplers e, por vezes, recursos visuais como raio laser; aqui é exatamente o oposto. Quem já teve a oportunidade de assistir ao DVD Down n Outz: Live At The Hammersmith Odeon (que é justamente o registro de quando abriram o show de seus ídolos), sabe que o show é extremamente simples. Apenas os musicos no palco e nada mais.

Há algumas diferenças nos arranjos, mas nada que faça os fãs de Ian Hunter se descabelarem. "Rock n´ Roll Queen", por exemplo, foi pouca coisa acelerada, teve a inclusão de piano. O refrão ficou com uma vibe meia Lynyrd Skynyrd. Ou seja, 70´s total. "One Of The Boys" ganhou um swing meio stones. Um dos grandes diferenciais acredito que seja Joe Elliot mesmo. Gosto muito do estilo dele. Sou até mais fã dele do que do Ian Hunter, mas ele tem estilo de cantar diferente. Mais melódico, voz mais áspera. Em uma faixa como "The Journey", por exemplo, nota-se bem essa diferença. Por mais que tente manter a linha vocal o mais proximo possivel, não consegue manter o tom melancolico. Mesmo assim, fez um ótimo trabalho vocal.

No Down n Outz, valem também músicas dos projetos paralelos dos musicos do Mott The Hoople. Aqui trouxeram 2 faixas de Mott. A tentativa de continuarem sem Ian Hunter. Os discos na época passaram meio que batidos. Mesmo assim, apostaram em 2 faixas desse período: "Stiff Upper Lip" (não confundir com a do AC/DC) e "Broadside Outcasts". Mott The Hoople foi um dos grandes nomes do glam rock nos anos 70. Aqui no Brasil eles são muito lembrados pela faixa "All The Young Dudes". Sim, aquela do David Bowie, do Bruce Dickinson. Exatamente, aquela que o Dominó fez versão. Quem sabe esse projeto não desperta interesse nos jovens de irem um pouquinho mais à fundo na discografia dos caras. Eu já estou correndo atras...

Nota: 7,0 / 10,0
Status: Divertido

Faixas:

01) Rock n Roll Queen
02) Stiff Upper Lip
03) Marionette
04) One Of The Boys
05) Whizz Kid
06) Violence
07) The Journey
08) Drivin´ Sister
09) The Original Mixed-Up Kid
10) Crash Street Kids
11) Broadside Outcasts
12) The Revenge Of The Shipwrecked Hedgehog