domingo, 12 de outubro de 2014

O rock dentro do universo infantil



Por Davi Pascale

Dia das crianças e rock n´ roll. Tem alguma a coisa a ver? Pior que até tem. Muitas pessoas, como eu, descobriram o gênero ainda na sua infância. Isso não quer dizer que eu não tenha curtido minha infância. Não quer dizer que não tenha assistido aos meus desenhos, que não tenha tido meus idolos infantis. Todo mundo teve. Até seu irmão mais velho que adora tirar um sarro da tua cara quando encontra seus LP´s do Trem da Alegria, do Dominó ou do Sergio Mallandro, se voce revirar a coleção dele muito provavelmente irá encontrar trilha do Vila Sesamo, Lp´s do Menudo, descobrirá que ele assistiu Bambalalão. Todo mundo passou por isso. Quem não passou... meus pêsames! Deixou de curtir uma das fases mais especiais de sua vida. Foi pensando nessa lógica que foram criados alguns projetos unindo os dois universos: o rock e a infância. Vamos relembrar alguns deles...

O primeiro projeto que descobri do gênero foi uma coletânea lançada em 1995 que atendia pelo nome de Saturday Morning: Cartoon´s Greatest Hits. Vários artistas de rock resolveram gravar música de um desenho animado que marcou sua vida. Entre os músicos, temos nomes do porte de Helmet, Collective Soul e Ramones. "Bah... mas é relacionado à cultura deles". Sim, mas é relacionada à nossa infância também. Grande parte dos desenhos homenageados aqui, nós assistimos dublados pela televisão. Ou você teve a manha de passar toda sua infância sem ter assistido, ao menos uma vez, desenhos como Popeye, Speed Racer, Homem-Aranha e Johnny Quest?



Bem... É como sempre dizem. Nessa vida nada se cria, tudo se copia. E nós brasileiros copiamos a ideia alguns anos mais tarde. Em 2002, foi lançado pela Som Livre um CD que atendia pelo nome de Superfantástico: Quando Eu Era Pequeno. A ideia era parecida. Pegar grandes nomes da música brasileira e pedir para que gravassem a música de algum programa infantil, de alguma série ou algum filme que tenha marcado sua infancia. Varios nomes da cena roqueira brasileira deram as caras por aqui: Biquini Cavadão, Arnaldo Antunes, Capital Inicial, Frejat, Los Hermanos, Pato Fu... Aqui, são relembrados, entre outros, os temas de Balão Mágico, Pirlimpimpim, Vila Sésamo e até mesmo Xou da Xuxa. Chega a ser engraçado ouvirmos o Dinho Ouro Preto, que já chegou a cantar "essa vida me maltrata, estou virando um psicopata", cantando uma letra tão inocente como "Era uma casa muito engraçada"...

Alguns anos depois, mais precisamente em 2011, a Deckdisc teve a ideia de fazer algo parecido. Resolveu colocar nas lojas, poucos dias antes do Dia das Crianças, um CD que atendia pelo nome de Pum! e trazia músicas inspiradas no universo infantil. Alguns artistas regravaram temas clássicos como "Mamãe Eu Quero" e "O Carimbador Maluco", outros escreveram temas próprios. Entre os artistas envolvidos, estavam nomes como Ultraje a Rigor, Erasmo Carlos, Jimmy (Matanza), Pitty, Pato Fu.... Embora tenha bastante gente talentosa envolvida, o resultado foi mediano. As outras coletâneas são mais divertidas.



E engana-se quem acha que acabou por aqui a ligação entre criança e rock. Vários grandes nomes do rock tiveram suas canções transformadas em músicas de ninar na série For Babies... Os mais populares são os Beatles e o Elvis Presley. O tecladista do Nightwish, Tuomas Holopainen, buscou inspiração no Tio Patinhas para compor o material de seu primeiro álbum solo. Depois de um tempo, descobri que Elvis Presley tinha uma coletânea intitulada Elvis For Children, que nada mais era do que o rei do rock cantando clássicos infantis. 

Isso para não citar o baixista Gene Simmons (Kiss) que não apenas regravou "When You Wish Upon a Star" (canção que fez parte da trilha de Pinoquio) no seu primeiro álbum solo de 1978, como criou seu próprio desenho animado: My Dad, The Rockstar. Ah... os quatro rapazes de Liverpool também tiveram seu próprio cartoon. Mais do que isso, no Brasil teve um grupo de crianças que só tocava músicas dos Beatles e que chegou, inclusive, a lançar um CD: os Beatkids.

Quem quiser ir um pouco mais além, sugiro começar a ler os encartes dos LP´s que você comprava na sua infância. Ou melhor, que você ganhava de seus pais, seus tios... Não será raro se deparar com cantores de rock envolvidos nos discos dos Trapalhões, Trem da Alegria, Xuxa...  Seja fazendo backing vocal, seja fazendo uma participação especial, seja gravando a base de uma canção ou até mesmo compondo. Voce irá encontrar desde Ed Wilson (Renato e Seus Blue Caps) até Ultraje a Rigor. Esses projetos destacados aqui são muito interessantes porque são uma viagem no tempo. Um modo de resgatarmos um pouquinho de nossa infancia, de lembrarmos de nossos velhos amigos, de voltarmos a ser criança, por que não?

sábado, 11 de outubro de 2014

Noticias do Rock (pra não ficar por fora)



Fique por dentro das ultimas novidades no mundo do rock. Noticias da cena nacional e internacional...

Por Davi Pascale



Paul Di´Anno prepara novo álbum




O eterno ex-vocalista do Iron Maiden está preparando um novo álbum de estúdio. Mais do que um novo álbum, trata-se de um novo grupo: Architect of Chaos. Segundo o músico, 4 músicas já estão prontas e ele tem mais material na manga, conforme afirmou para a GTV (Suécia): “Não temos uma data de lançamento ainda. Tenho letras de mais 6 músicas prontas. Irei gravar as demos e mostrar para a banda. Estou esperando o orçamento da gravadora. Acredito que seja lançado até o fim do ano”. Quando o cara resolve parar de reclamar da vida e trabalhar, costuma vir com álbuns bem interessantes. Estou botando fé no material...



 Scott Stapp cancela tour por problemas de saúde




O cantor Scott Stapp, mais conhecido por ser a voz do Creed, cancelou a tour norte-americana. O que isso tem a ver com a gente? O fato que me levou à adicionar a notícia aqui em nossa página é que o motivo alegado foi: “problemas de saúde do cantor”. Dizem que as letras de seu mais recente álbum, Proof of Life, teriam sido inspiradas em sua própria trajetória. Entre elas: ego, problemas com bebida e tentativa de suicídio. Teria ele tido uma recaída? Torço para que não...


George Israel prepara novo disco solo




George Israel, mais conhecido por seu trabalho ao lado do trio carioca Kid Abelha, está trabalhando em seu quarto álbum solo. Entre os músicos convidados nesse álbum já está mais do que confirmada a presença de Frejat e Kadu Menezes. Pelo visto, vem coisa boa à caminho. Ah... para quem está por fora, a loiríssima Paula Toller também está para lançar um novo trabalho solo. Esse parece ser um bom ano para os fãs do Kid...

Stone Sour prepara CD de covers



Não é apenas o Slipknot que está com um novo trabalho a caminho. O outro grupo de Corey Taylor, Stone Sour, também está com um novo projeto. O CD chegará às lojas somente em 2015 e é um álbum de covers. Os músicos já confirmaram que estão em um estúdio de Los Angeles gravando o material e já divulgaram algumas fotos da gravação na página oficial do Facebook. Contudo, até agora, não divulgaram quais covers estão trabalhando. Em sua mais recente turnê atacaram versões de Metallica, Judas Priest, Kiss e Peter Gabriel. Portanto, há grandes chances que estejam entre os artistas homenageados. Vamos ver o que vem por aí.


 Julian Casablancas: álbum de protesto?



O cantor do Strokes está prestes a lançar um novo trabalho ao lado do projeto Julian Casablancas and the Voids. Atendendo pelo nome de Tyranny, o disco chega às lojas no próximo dia 13. Em entrevista ao The Guardian declarou: “vivemos em uma sociedade onde existe a liberdade de expressão, mas, mesmo assim eles podem nos calar como ditadores. Eu sinto como se fosse um disco de protesto. Mas tem mais a ver com moralidade do que com política”.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Uma banda de metal pode se "vender"?

Por Rafael Menegueti


Essa semana os suíços do Eluveitie acenderam uma enorme discussão entre fãs do metal, a respeito de algo que sempre divide as opiniões. Tudo por conta dessa foto ai em cima. A discussão: Uma banda de metal patrocinada por uma grande empresa, se torna comercial, ou vendida, como alguns gostam de dizer?

Assim que a foto foi postada, muitos fãs opinaram a respeito da questão. A discussão tomou conta das postagens do grupo no Facebook, junto com o press-release que a banda soltou sobre a parceria com a Honda. Muitos consideraram a atitude estranha para uma banda de folk metal, cujas musicas costumam falar sobre o passado e os costumes tradicionais do seu povo. E logo começou algo que eu considero o pior defeito dos fãs do metal: O exagero na exigência de uma atitude "true".

Vamos por partes. Todos sabemos que nos dias de hoje, apenas os shows e a venda de discos não servem pra manter uma banda financeiramente, principalmente quando ela não está em uma grande gravadora. Muitos músicos de inúmeras bandas acabam até dividindo suas atividades como nesse meio com trabalhos normais, a fim de terem uma boa fonte de renda. Algumas bandas inclusive precisam que seus músicos trabalhem com outras atividades para poder se manter financeiramente. Portanto, é obvio que um patrocínio é algo bem vindo, e serve para permitir que as bandas sigam em atividade.

Os patrocínios e publicidades permitem que os músicos tenham conforto para sair em turnês mais extensas, lançar discos e melhorar seus equipamentos. Tudo isso com o objetivo de continuar satisfazendo seus fãs. Afinal, hoje em dia, quem toca metal, faz isso porque ama a música, do contrario iria tocar outro estilo que desse dinheiro. Uma banda que consegue um bom patrocínio, ou um contrato publicitário, logo terá a possibilidade de ampliar seus horizontes, e fazer mais turnês, lançar mais trabalhos e satisfazer mais seus fãs.

O que eu não consigo entender é porque alguns fãs de metal enxergam uma atitude dessa como "se vender". Eles não tem contas pra pagar também? ou será que eles se julgam tão auto-suficientes a ponto de achar que não precisariam de dinheiro se fosse integrante de uma banda, que apenas o seu amor pela música bastaria? Já se foi o tempo em que as bandas podiam se dar ao luxo de escolher não fazer publicidade. Hoje em dia elas tem que batalhar o dia a dia se quiserem continuar na estrada.

O Eluveitie é uma das bandas mais originais e fiéis ao seu propósito desde o inicio da banda. Com o tempo, o grupo só conseguiu crescer mundialmente, e isso obviamente trouxe inúmeros frutos para a banda. Mas sempre existem os fãs chatos, que exigem que a banda seja exatamente a mesma o tempo todo, apenas porque eles não gostam de mudanças. Mal sabem eles que, esse estilo de vida que eles querem impor aos seus ídolos, na pratica poderia fazer com que eles não conseguissem sobreviver por muito tempo no cenário. Eles não seriam capazes de lançar discos com a qualidade que lançam, fazer turnês que passassem pela cidade onde eles moram, seria tudo diferente.

Por isso eu considero uma enorme burrada avaliar uma banda por questões como essas. Cada vez menos essa ideia de "banda comercial", ou "vendida", faz sentido pra mim. O que existe são bandas que buscam cada vez mais ampliar seus horizontes e continuar com seu trabalho. Por isso parem de se preocupar com isso e continuem apreciando a música, que foi o que fez você se interessar pela banda em primeiro lugar. Enquanto ela continuar boa, não há de que reclamar.


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Lyriel - Skin and Bones (2014)

Por Rafael Menegueti

Lyriel - Skin and Bones
Quando conheci o Lyriel, há mais ou menos um ano, achei que ali havia uma banda que ainda poderia fazer um trabalho marcante. O grupo, liderado pelo casal Jessica Thierjung (vocais) e Oliver Thierjung (guitarra), começou sua carreira fazendo discos mais próximos do folk metal, e foi evoluindo para um metal sinfônico mais tradicional e simples com o tempo. A evolução da banda foi gradual, fazendo cada disco um pouco mais interessante do que o anterior. No terceiro disco da banda, "Paranoid Circus", já é possível identificar prováveis hits, fosse o grupo alemão mais popular mundialmente. No disco seguinte, "Leverage", isso ficou ainda mais perceptível. As faixas são bem cativantes, mostrando uma banda em ascensão.

Talvez por isso tenha ficado tão ansioso pelo novo disco deles, que foi lançado no ultimo dia 26 de setembro (Europa). Eu já imaginava que a banda nos traria um disco ainda mais maduro e bem produzido. E eu estava certo. "Skin and Bones" chega as lojas pra já ser chamado de "melhor disco da banda" (até agora).

A primeira faixa é "Numbers", single que a banda já havia liberado há algum tempo. Abre com um riff bacana, e logo as guitarras disputam a melodia com o violino e o violoncelo, que são parte fixa do line-up da banda, nas mãos de Linda Laukamp (violoncelo), que também acrescenta vozes às canções, e Joon Laukamp (violino), irmão de Linda. A faixa é bastante empolgante e nos dá uma mostra do que virá a seguir no disco. "Falling Skies" é mais pesada e se destaca nas guitarras e nos vocais de Jessica Thierjung. "Skin and Bones", faixa titulo do CD, também não decepciona no quesito peso, e possui um refrão bem marcante.

Os membros do Lyriel
Na quarta faixa do disco, "Black and White", encontramos a participação do vocalista convidado Christian Älvestam (Solution .45, Miseration, ex-Scar Symmetry). O sueco deu um novo aspecto a música, incluindo belos vocais limpos seguidos de um gutural agressivo, algo bem diferente do que a banda costuma apresentar. Em algumas versões a faixa também aparece em versão diferente, sem os vocais de Christian, como faixa bônus.

Em seguida a balada "Days Have just Begun" vem para dar uma quebrada no peso. Outra faixa bem diferente é "Dust to Dust", que tem uma cara mais rock alternativo, com melodia mais animada e um refrão mais pop. Outra com riff pesado, "Der Weg", é cantada em alemão. "Astray" chama a atenção pelo tom melancólico de uma música feita apenas com a voz de Jessica e o violoncelo de Linda. Mais no final do disco encontramos uma paulada: "Running in Our Blood", provavelmente a faia mais pesada já lançada pela banda, visto que eles são uma banda de metal mais melódico e sinfônico. "Dream Within a Dream" fecha o disco em grande estilo, com arranjos de piano e um refrão marcante.

Infelizmente, no entanto, o Lyriel ainda é uma banda pouco famosa no cenário internacional. Talvez por esse motivo seja mais complicado encontrar material físico da banda. Mas vale a pena se esforçar um pouco para conhecer mais desse grupo alemão que já está entre minhas bandas favoritas, e talvez com esse bom lançamento eles possam finalmente crescer para acompanhar o tamanho da qualidade de suas músicas.

Nota: 9/10
Status: Empolgante

Faixas:
1. Numbers 
2. Falling Skies
3. Skin and Bones
4. Black and White
5. Days had just begun 
6. Your Eyes
7. Dust to Dust
8. Der Weg
9. Astray
10. Worth the fight 
11. Running in our blood
12. Dream within a dream
13. Black and White (Second Skin Version)


Lyriel - Numbers

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Steel Panther – All You Can Eat (2014)




Por Davi Pascale

E eis que o Steel Panther chega ao seu terceiro álbum. Contrariando todas as expectativas, o grupo vem em  uma crescente, mesmo apostando em uma sonoridade que não está mais em evidência. O bom humor dos rapazes parece ter conquistado uma nova geração de roqueiros.

Steel Panther não é um grupo sério. É uma sátira. Os músicos apostam em letras humorísticas e usam nome fictícios. A ideia é parecida com a do Massacration. A diferença é que enquanto o grupo de Detonator faz uma sátira de metal em geral, a banda de L.A. foca na cena que foi tão popular em sua cidade (e no resto do mundo) nos anos 80, o hair metal.

Na década de 80 tivemos vários movimentos fortes. A cena pop popularizando nomes como Madonna, Cyndi Lauper e Prince. A cena metal lançando diversos grupos que hoje são ícones como Metallica, Slayer e Megadeth. O pós-punk do Echo & The Bunnymen, o gótico do Sisters of Mercy e, é claro, o famoso hair metal que nada mais era do que bandas de hard rock que utilizavam visual extravagante e contavam com refrões pegajosos. Bandas populares na época? Inúmeras! Poison, Firehouse, Dokken, Warrant...

Grupo trabalha com sátira à cena hair metal
Os músicos mantiveram também o visual da época. Os cabelos volumosos, as roupas coloridas, shows coreografados. Outra diferença em relação ao grupo formado pelos humoristas da MTV, é que os garotos de L.A. são músicos profissionais e alguns deles já tiveram envolvimento com nomes conhecidos. Satchel é na verdade Russ Parish, músico de estúdio que já chegou a excursionar ao lado de Paul Gilbert (Mr. Big). Michael Starr é o codinome de Ralph Saenz, conhecido por interpretar David Lee Roth no Atomic Punk (banda cover do Van Halen) e por sua participação no grupo L.A. Guns (um dos grupos que fizeram parte da cena oitentista) com quem gravou o (ótimo) Ep Wasted.

Não é raro escutarmos o rapaz dando os gritinhos de Diamond Dave durante o álbum. “Gangbang At The Old Folks Home” bebe na fonte do Van Halen em termos de arranjo. Tirando o refrão alegrinho, o resto da música poderia ser parte de alguma canção do grupo Eddie Van Halen. Tanto a linha vocal dos versos quanto o trabalho de guitarra nos remetem ao grupo. Em “The Burden of Being Beautiful” nos levam direto ao Def Leppard fase Hysteria.

As letras têm um ponto em comum com o movimento da época. Tratam, na maior parte do tempo, sobre farrear com garotas. A diferença é que aqui as letras são totalmente escrachadas. Desde “Gloryhole”, onde descreve uma “experiência” em uma boate da França onde recebia sexo oral com alguém que estava do outro lado da parede, sem se preocupar sobre quem estava realizando a tarefa, até a já citada “Gangbang At The Oldfolks”, onde narra uma entrega de pizza onde o pagamento foi uma experiência sexual com senhoras da terceira idade. Como já notaram, quem quiser se divertir com o disco, terá que deixar os pudores de lado e encarar tudo isso como uma grande piada, uma grande diversão. Até porque é disso que se trata mesmo...

Nota: 8,5 / 10,0
Status: Hilário

Faixas:
      01)   Pussywhipped
      02)   Party Like Tomorrow Is The End Of The World
      03)   Gloryhole
      04)   Bukkake Tears
      05)   Gangbang At The Old Folks Home
      06)   Ten Strikes You´re Out
      07)   The Burden Of Being Wonderfuk
      08)   Fuckin´ My Heart In The Ass
      09)   B.V.S.
      10)   You´re Beautiful When You Don´t Talk
      11)   If I Was The King
      12)   She´s On The Rag

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Michael Sweet – Unstryped: The Post Stryper Sessions (1999)





Por Davi Pascale
 
O Stryper é uma das poucas bandas de white metal à conseguir atravessar a barreira que separa o mercado gospel do mainstream. Os fãs de hard rock em geral costumam respeitar a banda, mesmo aqueles que não são religiosos. Em 1999, o cantor Michael Sweet soltou no mercado esse EP que trazia suas primeiras gravações após o término do grupo.

Nesse momento a banda está na ativa e prestes a fazer uma nova excursão no Brasil. Entretanto, o grupo ficou separado por mais de 10 anos, mais precisamente de 1992 à 2003. Por incrível que pareça, a banda encerrou as atividades após lançar aquele que considero seu melhor trabalho, Against the Law. Michael Sweet estava no auge enquanto cantor, as composições eram fantásticas, mas seus fãs cristãos abandonaram o grupo. Não aceitavam a nova postura dos músicos. Os rapazes haviam abandonado as roupas amarelas e pretas, diminuído o volume dos cabelos e começado a escrever letras menos diretas. Para seus fãs mais ortodoxos, que não eram poucos, aquilo era uma traição.

Como disse, o Stryper conseguiu cruzar a barreira. Mesmo contando com uma temática cristã, conseguiram emplacar diversos clipes na MTV. No Brasil, chegaram, inclusive, a participar de trilha de novela da Globo.  “I Believe In You”, lançada originalmente em In God We Trust,  fez parte da trilha sonora de O Salvador da Pátria. A ideia do grupo era tentar segurar essa plateia FM. Quando encerraram as atividades, já haviam começado a compor para aquele que seria o sucessor do polêmico Against the Law. E é exatamente esse material que temos aqui.

EP traz a primeira versão de "All I Wanna Do Is Love You"

O CD começa muito bem com “Love You Crazy” e “Give What You´ve Got” que trazem aquela sonoridade hard que o Stryper estava apontando no disco de 1990, com refrões pegajosos e gritos rasgados. O trabalho de guitarra nessas duas músicas ficou a cargo de Tony Placios, guitarrista do Guardian, outro grande nome do gênero.

“All I Wanna Do Is Love You” vem a seguir com uma pegada mais comercial. Foi a única que não ficou engavetada. O cantor a regravou em seu primeiro álbum solo, lançado em 1994. O EP se encerra com as baladas “When I´m Lonely” e “I Need You Know”. Essa última é mais uma daquelas baladas piano/voz, no melhor estilo “Honestly”, que seus fãs estão tão acostumados.

Esse material ficou engavetado durante muitos anos. O que temos aqui é justamente a gravação da época. Michael Sweet não regravou as faixas para colocar o CD no mercado. Ou seja, o que temos aqui são as versões demo. Sendo assim, a qualidade de gravação não se equipara à qualidade de gravação do resto de sua discografia. No entanto, o som é bom. Não apresenta chiados, a voz está bem na cara. O único "defeito" é que o som da bateria é um pouco magro, não tem aquele grave que esperamos, mas essa é uma característica comum em demo tapes. De toda forma, esse é um disco que não deve ser desprezado. 

Embora conte com material escrito para o Stryper, as faixas foram gravadas por outros músicos. Michael ficou responsável pela gravação de todas as guitarras e vozes. Completavam o time; o baterista  Jamie Wollam, o baixista Baby Elephante e o tecladista Terry Usler. Muito provavelmente esse material daria origem ao seu primeiro trabalho solo e acabou sendo descartado pelo mesmo. Ainda bem que anos mais tarde ele resolveu colocar o CD no mercado. Álbum essencial na coleção de qualquer fã que se preze.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Nostálgico

Faixas:
      01)   Love You Crazy
      02)   Give What You´ve Got
      03)   All I Wanna Do Is Love You
      04)   When I´m Lonely
      05)   I Need You Know