Por Rafael Menegueti
Essa semana os suíços do Eluveitie acenderam uma enorme discussão entre fãs do metal, a respeito de algo que sempre divide as opiniões. Tudo por conta dessa foto ai em cima. A discussão: Uma banda de metal patrocinada por uma grande empresa, se torna comercial, ou vendida, como alguns gostam de dizer?
Assim que a foto foi postada, muitos fãs opinaram a respeito da questão. A discussão tomou conta das postagens do grupo no Facebook, junto com o press-release que a banda soltou sobre a parceria com a Honda. Muitos consideraram a atitude estranha para uma banda de folk metal, cujas musicas costumam falar sobre o passado e os costumes tradicionais do seu povo. E logo começou algo que eu considero o pior defeito dos fãs do metal: O exagero na exigência de uma atitude "true".
Vamos por partes. Todos sabemos que nos dias de hoje, apenas os shows e a venda de discos não servem pra manter uma banda financeiramente, principalmente quando ela não está em uma grande gravadora. Muitos músicos de inúmeras bandas acabam até dividindo suas atividades como nesse meio com trabalhos normais, a fim de terem uma boa fonte de renda. Algumas bandas inclusive precisam que seus músicos trabalhem com outras atividades para poder se manter financeiramente. Portanto, é obvio que um patrocínio é algo bem vindo, e serve para permitir que as bandas sigam em atividade.
Os patrocínios e publicidades permitem que os músicos tenham conforto para sair em turnês mais extensas, lançar discos e melhorar seus equipamentos. Tudo isso com o objetivo de continuar satisfazendo seus fãs. Afinal, hoje em dia, quem toca metal, faz isso porque ama a música, do contrario iria tocar outro estilo que desse dinheiro. Uma banda que consegue um bom patrocínio, ou um contrato publicitário, logo terá a possibilidade de ampliar seus horizontes, e fazer mais turnês, lançar mais trabalhos e satisfazer mais seus fãs.
O que eu não consigo entender é porque alguns fãs de metal enxergam uma atitude dessa como "se vender". Eles não tem contas pra pagar também? ou será que eles se julgam tão auto-suficientes a ponto de achar que não precisariam de dinheiro se fosse integrante de uma banda, que apenas o seu amor pela música bastaria? Já se foi o tempo em que as bandas podiam se dar ao luxo de escolher não fazer publicidade. Hoje em dia elas tem que batalhar o dia a dia se quiserem continuar na estrada.
O Eluveitie é uma das bandas mais originais e fiéis ao seu propósito desde o inicio da banda. Com o tempo, o grupo só conseguiu crescer mundialmente, e isso obviamente trouxe inúmeros frutos para a banda. Mas sempre existem os fãs chatos, que exigem que a banda seja exatamente a mesma o tempo todo, apenas porque eles não gostam de mudanças. Mal sabem eles que, esse estilo de vida que eles querem impor aos seus ídolos, na pratica poderia fazer com que eles não conseguissem sobreviver por muito tempo no cenário. Eles não seriam capazes de lançar discos com a qualidade que lançam, fazer turnês que passassem pela cidade onde eles moram, seria tudo diferente.
Por isso eu considero uma enorme burrada avaliar uma banda por questões como essas. Cada vez menos essa ideia de "banda comercial", ou "vendida", faz sentido pra mim. O que existe são bandas que buscam cada vez mais ampliar seus horizontes e continuar com seu trabalho. Por isso parem de se preocupar com isso e continuem apreciando a música, que foi o que fez você se interessar pela banda em primeiro lugar. Enquanto ela continuar boa, não há de que reclamar.
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
Lyriel - Skin and Bones (2014)
Por Rafael Menegueti
Quando conheci o Lyriel, há mais ou menos um ano, achei que ali havia uma banda que ainda poderia fazer um trabalho marcante. O grupo, liderado pelo casal Jessica Thierjung (vocais) e Oliver Thierjung (guitarra), começou sua carreira fazendo discos mais próximos do folk metal, e foi evoluindo para um metal sinfônico mais tradicional e simples com o tempo. A evolução da banda foi gradual, fazendo cada disco um pouco mais interessante do que o anterior. No terceiro disco da banda, "Paranoid Circus", já é possível identificar prováveis hits, fosse o grupo alemão mais popular mundialmente. No disco seguinte, "Leverage", isso ficou ainda mais perceptível. As faixas são bem cativantes, mostrando uma banda em ascensão.
Talvez por isso tenha ficado tão ansioso pelo novo disco deles, que foi lançado no ultimo dia 26 de setembro (Europa). Eu já imaginava que a banda nos traria um disco ainda mais maduro e bem produzido. E eu estava certo. "Skin and Bones" chega as lojas pra já ser chamado de "melhor disco da banda" (até agora).
A primeira faixa é "Numbers", single que a banda já havia liberado há algum tempo. Abre com um riff bacana, e logo as guitarras disputam a melodia com o violino e o violoncelo, que são parte fixa do line-up da banda, nas mãos de Linda Laukamp (violoncelo), que também acrescenta vozes às canções, e Joon Laukamp (violino), irmão de Linda. A faixa é bastante empolgante e nos dá uma mostra do que virá a seguir no disco. "Falling Skies" é mais pesada e se destaca nas guitarras e nos vocais de Jessica Thierjung. "Skin and Bones", faixa titulo do CD, também não decepciona no quesito peso, e possui um refrão bem marcante.
Na quarta faixa do disco, "Black and White", encontramos a participação do vocalista convidado Christian Älvestam (Solution .45, Miseration, ex-Scar Symmetry). O sueco deu um novo aspecto a música, incluindo belos vocais limpos seguidos de um gutural agressivo, algo bem diferente do que a banda costuma apresentar. Em algumas versões a faixa também aparece em versão diferente, sem os vocais de Christian, como faixa bônus.
Em seguida a balada "Days Have just Begun" vem para dar uma quebrada no peso. Outra faixa bem diferente é "Dust to Dust", que tem uma cara mais rock alternativo, com melodia mais animada e um refrão mais pop. Outra com riff pesado, "Der Weg", é cantada em alemão. "Astray" chama a atenção pelo tom melancólico de uma música feita apenas com a voz de Jessica e o violoncelo de Linda. Mais no final do disco encontramos uma paulada: "Running in Our Blood", provavelmente a faia mais pesada já lançada pela banda, visto que eles são uma banda de metal mais melódico e sinfônico. "Dream Within a Dream" fecha o disco em grande estilo, com arranjos de piano e um refrão marcante.
Infelizmente, no entanto, o Lyriel ainda é uma banda pouco famosa no cenário internacional. Talvez por esse motivo seja mais complicado encontrar material físico da banda. Mas vale a pena se esforçar um pouco para conhecer mais desse grupo alemão que já está entre minhas bandas favoritas, e talvez com esse bom lançamento eles possam finalmente crescer para acompanhar o tamanho da qualidade de suas músicas.
Nota: 9/10
Status: Empolgante
Faixas:
1. Numbers
2. Falling Skies
3. Skin and Bones
4. Black and White
5. Days had just begun
6. Your Eyes
7. Dust to Dust
8. Der Weg
9. Astray
10. Worth the fight
11. Running in our blood
12. Dream within a dream
13. Black and White (Second Skin Version)
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| Lyriel - Skin and Bones |
Talvez por isso tenha ficado tão ansioso pelo novo disco deles, que foi lançado no ultimo dia 26 de setembro (Europa). Eu já imaginava que a banda nos traria um disco ainda mais maduro e bem produzido. E eu estava certo. "Skin and Bones" chega as lojas pra já ser chamado de "melhor disco da banda" (até agora).
A primeira faixa é "Numbers", single que a banda já havia liberado há algum tempo. Abre com um riff bacana, e logo as guitarras disputam a melodia com o violino e o violoncelo, que são parte fixa do line-up da banda, nas mãos de Linda Laukamp (violoncelo), que também acrescenta vozes às canções, e Joon Laukamp (violino), irmão de Linda. A faixa é bastante empolgante e nos dá uma mostra do que virá a seguir no disco. "Falling Skies" é mais pesada e se destaca nas guitarras e nos vocais de Jessica Thierjung. "Skin and Bones", faixa titulo do CD, também não decepciona no quesito peso, e possui um refrão bem marcante.
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| Os membros do Lyriel |
Em seguida a balada "Days Have just Begun" vem para dar uma quebrada no peso. Outra faixa bem diferente é "Dust to Dust", que tem uma cara mais rock alternativo, com melodia mais animada e um refrão mais pop. Outra com riff pesado, "Der Weg", é cantada em alemão. "Astray" chama a atenção pelo tom melancólico de uma música feita apenas com a voz de Jessica e o violoncelo de Linda. Mais no final do disco encontramos uma paulada: "Running in Our Blood", provavelmente a faia mais pesada já lançada pela banda, visto que eles são uma banda de metal mais melódico e sinfônico. "Dream Within a Dream" fecha o disco em grande estilo, com arranjos de piano e um refrão marcante.
Infelizmente, no entanto, o Lyriel ainda é uma banda pouco famosa no cenário internacional. Talvez por esse motivo seja mais complicado encontrar material físico da banda. Mas vale a pena se esforçar um pouco para conhecer mais desse grupo alemão que já está entre minhas bandas favoritas, e talvez com esse bom lançamento eles possam finalmente crescer para acompanhar o tamanho da qualidade de suas músicas.
Nota: 9/10
Status: Empolgante
Faixas:
1. Numbers
2. Falling Skies
3. Skin and Bones
4. Black and White
5. Days had just begun
6. Your Eyes
7. Dust to Dust
8. Der Weg
9. Astray
10. Worth the fight
11. Running in our blood
12. Dream within a dream
13. Black and White (Second Skin Version)
Lyriel - Numbers
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Steel Panther – All You Can Eat (2014)
E eis que o Steel Panther chega ao seu terceiro álbum. Contrariando
todas as expectativas, o grupo vem em uma crescente, mesmo apostando em uma
sonoridade que não está mais em evidência. O bom humor dos rapazes parece ter
conquistado uma nova geração de roqueiros.
Steel Panther não é um grupo sério. É uma sátira. Os músicos apostam em
letras humorísticas e usam nome fictícios. A ideia é parecida com a do
Massacration. A diferença é que enquanto o grupo de Detonator faz uma sátira de
metal em geral, a banda de L.A. foca na cena que foi tão popular em sua cidade (e
no resto do mundo) nos anos 80, o hair metal.
Na década de 80 tivemos vários movimentos fortes. A cena pop
popularizando nomes como Madonna, Cyndi Lauper e Prince. A cena metal lançando
diversos grupos que hoje são ícones como Metallica, Slayer e Megadeth. O
pós-punk do Echo & The Bunnymen, o gótico do Sisters of Mercy e, é claro, o
famoso hair metal que nada mais era do que bandas de hard rock que utilizavam
visual extravagante e contavam com refrões pegajosos. Bandas populares na
época? Inúmeras! Poison, Firehouse, Dokken, Warrant...
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| Grupo trabalha com sátira à cena hair metal |
Os músicos mantiveram também o visual da época. Os cabelos volumosos, as
roupas coloridas, shows coreografados. Outra diferença em relação ao grupo
formado pelos humoristas da MTV, é que os garotos de L.A. são músicos profissionais e
alguns deles já tiveram envolvimento com nomes conhecidos. Satchel é na verdade
Russ Parish, músico de estúdio que já chegou a excursionar ao lado de Paul
Gilbert (Mr. Big). Michael Starr é o codinome de Ralph Saenz, conhecido por
interpretar David Lee Roth no Atomic Punk (banda cover do Van Halen) e por sua
participação no grupo L.A. Guns (um dos grupos que fizeram parte da cena
oitentista) com quem gravou o (ótimo) Ep Wasted.
Não é raro escutarmos o rapaz dando os gritinhos de Diamond Dave durante o
álbum. “Gangbang At The Old Folks Home” bebe na fonte do Van Halen em termos de
arranjo. Tirando o refrão alegrinho, o resto da música poderia ser parte de
alguma canção do grupo Eddie Van Halen. Tanto a linha vocal dos versos quanto o
trabalho de guitarra nos remetem ao grupo. Em “The
Burden of Being Beautiful” nos levam direto ao Def Leppard fase Hysteria.
As letras têm um ponto em comum com o movimento da época. Tratam, na
maior parte do tempo, sobre farrear com garotas. A diferença é que aqui as
letras são totalmente escrachadas. Desde “Gloryhole”, onde descreve uma “experiência”
em uma boate da França onde recebia sexo oral com alguém que estava do outro
lado da parede, sem se preocupar sobre quem estava realizando a tarefa, até a já
citada “Gangbang At The Oldfolks”, onde narra uma entrega de pizza onde o
pagamento foi uma experiência sexual com senhoras da terceira idade. Como já notaram,
quem quiser se divertir com o disco, terá que deixar os pudores de lado e
encarar tudo isso como uma grande piada, uma grande diversão. Até porque é
disso que se trata mesmo...
Nota: 8,5 / 10,0
Status: Hilário
Faixas:
01)
Pussywhipped
02)
Party Like Tomorrow Is The End
Of The World
03)
Gloryhole
04)
Bukkake Tears
05)
Gangbang At The Old Folks Home
06)
Ten Strikes You´re Out
07)
The Burden Of Being Wonderfuk
08)
Fuckin´ My Heart In The Ass
09)
B.V.S.
10)
You´re Beautiful When You Don´t
Talk
11)
If I Was The King
12)
She´s On The Rag
terça-feira, 7 de outubro de 2014
Michael Sweet – Unstryped: The Post Stryper Sessions (1999)
Por Davi Pascale
O Stryper é uma das poucas bandas de white metal à conseguir atravessar
a barreira que separa o mercado gospel do mainstream. Os fãs de hard rock em
geral costumam respeitar a banda, mesmo aqueles que não são religiosos. Em
1999, o cantor Michael Sweet soltou no mercado esse EP que trazia suas
primeiras gravações após o término do grupo.
Nesse momento a banda está na ativa e prestes a fazer uma nova excursão
no Brasil. Entretanto, o grupo ficou separado por mais de 10 anos, mais
precisamente de 1992 à 2003. Por incrível que pareça, a banda encerrou as
atividades após lançar aquele que considero seu melhor trabalho, Against the Law. Michael Sweet estava
no auge enquanto cantor, as composições eram fantásticas, mas seus fãs cristãos
abandonaram o grupo. Não aceitavam a nova postura dos músicos. Os rapazes
haviam abandonado as roupas amarelas e pretas, diminuído o volume dos cabelos e começado a escrever letras menos diretas. Para seus fãs mais ortodoxos, que não
eram poucos, aquilo era uma traição.
Como disse, o Stryper conseguiu cruzar a barreira. Mesmo contando com
uma temática cristã, conseguiram emplacar diversos clipes na MTV. No Brasil,
chegaram, inclusive, a participar de trilha de novela da Globo. “I Believe In You”, lançada originalmente em In God We Trust, fez parte da trilha sonora
de O Salvador da Pátria. A ideia do grupo era tentar segurar essa plateia FM.
Quando encerraram as atividades, já haviam começado a compor para aquele
que seria o sucessor do polêmico Against the Law. E é exatamente esse material
que temos aqui.
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| EP traz a primeira versão de "All I Wanna Do Is Love You" |
O CD começa muito bem com “Love You Crazy” e “Give What You´ve Got”
que trazem aquela sonoridade hard que o Stryper estava apontando no disco de 1990,
com refrões pegajosos e gritos rasgados. O trabalho de guitarra nessas duas
músicas ficou a cargo de Tony Placios, guitarrista do Guardian, outro grande
nome do gênero.
“All I Wanna Do Is Love You” vem a seguir com uma pegada mais comercial.
Foi a única que não ficou engavetada. O cantor a regravou em seu primeiro álbum
solo, lançado em 1994. O EP se encerra com as baladas “When I´m Lonely” e “I
Need You Know”. Essa última é mais uma daquelas baladas piano/voz, no melhor
estilo “Honestly”, que seus fãs estão tão acostumados.
Esse material ficou engavetado durante muitos anos. O que temos aqui é
justamente a gravação da época. Michael Sweet não regravou as faixas para
colocar o CD no mercado. Ou seja, o que temos aqui são as versões demo. Sendo
assim, a qualidade de gravação não se equipara à qualidade de gravação do resto
de sua discografia. No entanto, o som é bom. Não apresenta chiados, a voz está
bem na cara. O único "defeito" é que o som da bateria é um pouco magro, não tem aquele
grave que esperamos, mas essa é uma característica comum em demo tapes. De toda forma, esse é um disco que não deve ser desprezado.
Embora conte com material escrito para o Stryper, as faixas foram gravadas por outros músicos. Michael ficou responsável pela gravação de todas as guitarras e vozes. Completavam o time; o baterista Jamie Wollam, o baixista Baby Elephante e o tecladista Terry Usler. Muito provavelmente esse material daria origem ao seu primeiro trabalho solo e acabou sendo descartado pelo mesmo. Ainda bem que anos mais tarde ele resolveu colocar o CD no mercado. Álbum essencial na coleção de qualquer fã que se preze.
Nota: 8,0 / 10,0
Status: Nostálgico
Faixas:
01)
Love You
Crazy
02)
Give What
You´ve Got
03)
All I Wanna Do Is Love You
04)
When I´m Lonely
05)
I Need You Know
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